viernes, 4 de abril de 2008

Brasil,mostra a tua cara!!!!Cazuza faria hoje 50 anos.Quanta ironia!!!!

Cazuza faria 50 anos hoje!
Da Redação




Cazuza faria 50 anos nesta sexta-feira (4). O cantor foi uma das personalidades mais marcantes da geração 80 do rock nacional e primeiro artista brasileiro a admitir publicamente que estava com Aids.

O músico, morto em 1990, ganhou lugar no primeiro time dos compositores brasileiros como o autor de dezenas de hits que fizeram a trilha sonora da década de 80, como "Bete Balanço", "Exagerado" e "Brasil", seja no Barão Vermelho -banda que integrou até 85- ou em carreira solo.

Ela vem chegando..e eu não consegui o bilhete

A Adriana Calcanhoto, musa maior deste blog chegará a Lisboa e fará show no Teatro Sao Luiz. O bilhete para o show da cantora estava associado à compra do seu novo disco pela internet. E os bilhetes ja estão esgotados...e eu não sei se existe em Lisboa a figura do "cambista"....ah meu Deus do céu!!!!!!!!!!tem que haver, né? se até em Londres e em NY essas figuras existem....!!!!!!!!!! só me resta ir para a fila do sereno como dizia o velho Ibrahim Sued!!!



Brasileira
Pack Adriana Calcanhotto: Maré + Bilhete de Concerto
ADRIANA CALCANHOTTO

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Adriana Calcanhotto ao vivo, dia 4 de Abril, às 21h30, no Teatro São Luiz em Lisboa.

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jueves, 3 de abril de 2008

O "meu Mário de Andrade" e a Garret

Desco a Garret e encontro com o "meu Mário de Andrade" que sobe a rua com a filha Helena pela mão. Pobre do meu "Mário", penso eu, capaz que mude de calçada para não ter que escutar-me chamá-lo por um nome que nem é o seu.

Para minha surpresa, dirige-se a mim com enorme sorriso aberto...quer me mostrar a sua filhinha. Digo à miúda que o seu pai tem nome de intelectual e que acertadamente deu-lhe a ela um nome de responsabilidade pois Helena de Troia não foi uma mulher qualquer...nem poderá ser nenhuma Helena. Lembro de um amigo que costuma dizer que nome é destino e penso que também estou impondo a esse jovem "garção" uma enorme responsabilidade, pois que ele próprio já se habituou a ser chamado nas festas de "Mário de Andrade".. por mim que o nomeei e por todos os comensais. Duro papel este do imigrante que além de sobreviver tem que fazê-lo à altura de um sósia tão "sofisticado".

lunes, 31 de marzo de 2008

Julio Pomar, Siqueiros , Rivera , Goya e... Antonio Callado


Leio no jornal Estado de Sao Paulo,coluna da Sonia Racy, que a Pinacoteca do Estado organiza uma exposicao do Julio Pomar,pintor portugues.
Quis o destino,que me cria enjambements literairos e artisticos muito seguidos, que eu lesse em algum lado, no sabado anterior(dois dias atras,portanto), que o Mario Soares quando Presidente de Portugal "rompeu" de certa forma uma tradicao quando convidou Julio Pomar para pintar o seu retrato para a galeria de Retratos dos Presidentes. Parodoxalmente, porém,ao introduzir naquele acervo do Palácio de Belém uma pintura "anticonvencional" , reincorpora entretanto um antigo simbolo da monarquia portuguesa-a cadeira com bracos de leao - e que nao era utilizada desde os retratos de Columbano .
Deixo-lhes pois a imagem do retrato bem como um pequeno resumo da vida e obra de Pomar e seus lacos com o Brasil,onde viveu por dois meses acompanhando o Ruy Guerra durante as filmagens do Quarup no Mato Grosso:


Júlio Pomar nasceu em Lisboa, em 1926. Aos 8 anos um escultor amigo da família leva-o a frequentar como aluno livre as suas aulas de desenho na, então, Escola de Arte Aplicada António Arroio. Na adolescência frequenta esta escola, onde se prepara para ingressar na Escola de Belas Artes de Lisboa, na qual é admitido em 1942. A sua permanência nesta escola é relativamente curta, ao fim de dois anos de frequência abandona-a.

Em 1944 Pomar transfere-se para a Escola de Belas Artes do Porto.

Com o fim da II Grande Guerra e a derrota do Nazi-fascismo, o regime de Salazar fica mais exposto e as suas contradições tornam-se mais evidentes.

O momentâneo fortalecimento da oposição a Salazar e uma temporária permeabilidade da censura promovem a entrada em Portugal de influências decorrentes da reconstrução cultural do pós-guerra. Complementarmente as obras de artistas como Portinari e os grandes muralistas mexicanos - Orozco, Rivera e Siqueiros - encorajam os jovens artistas portugueses, como Júlio Pomar, a fazer da sua arte um veículo de intervenção sócio-política.


A sua intervenção nas lutas estudantis custa-lhe a interdição da frequência da Escola de Belas Artes do Porto.



Pomar regressa então a Lisboa, onde viria a ser preso durante quatro meses. Nesse período um dos seus quadros, intitulado Resistência, é apreendido na II Exposição Geral de Artes Plásticas.

Em 1950, realiza uma exposição individual na SNBA, em Lisboa, e, ainda que o conteúdo seja bastante neo-realista, esta exosicao já prenuncia, pela marca do gesto na pintura, o início de um percurso autónomo que se irá progressivamente libertando das fórmulas enunciadas nos postulados da ideologia política que inicialmente tinham orientado o seu trabalho.

No mesmo ano, Pomar desloca-se a Espanha, onde estuda o trabalho de Goya, o qual marcará fortemente a sua pintura, sobretudo mais tarde, em 1957, em Maria da Fonte e os Cegos de Madrid.


Nos anos seguintes trabalha em retratos de proeminentes intelectuais como Maria Lamas, Mário Dionísio e outros.

Em 1956, em conjunto com outros artistas, como Rogério Ribeiro e José Júlio, funda a Gravura, cooperativa de produção e divulgação de obras gráficas, da qual será o principal animador até 1963.

O movimento adquire na pintura de Pomar um papel primordial, assumindo-se como a marca da sua pintura a partir desta altura, surgindo descontinuado, agitado, contraditório, reflectindo-se nos temas que escolhe - movimentos de multidão e cenas de trabalho - de que são exemplos os quadros Maria da Fonte e Pescadores.

Em 1960 Pomar realiza trinta pequenas pinturas a preto e branco para ilustrar uma versão de D.Quixote, de Aquilino Ribeiro, seguidas por outros trabalhos de escultura e pintura versando o mesmo tema. Neste mesmo ano dá inicio à série Tauromaquias.


Em 1968, inspirado nos acontecimentos de Paris, realiza uma série subordinada ao tema da insurreição, reflectindo o desejo de registar um acontecimento pintando a História.

Até 1975, o trabalho do pintor incide principalmente no retrato, com recurso ao desenho e à pintura. Deste período destacam-se a utilização da cor saturada e o rigor geométrico. Os planos monocromáticos ocupam a quase totalidade da superfície da tela, estabelecendo o diálogo entre o vazio e a representação pontual de partes do corpo e da fisionimia do sujeito retratado.

Quando se dá o 25 de Abril de 1974 Pomar encontra-se em Lisboa, onde permanecerá nos meses seguintes ao golpe de Estado, vivendo os acontecimentos revolucionários que se lhe seguiram. Em 10 de Junho participa, com 48 artistas, na elaboração de um painel colectivo destinado a comemorar a queda do regime.

Em 1983, expõe na Galeria 111 a série Os Tigres. Um ano depois realiza a decoração da estação de metropolitano do Alto dos Moinhos, adoptando como tema quatro poetas ligados à cidade de Lisboa - Camões, Bocage, Pessoa e Almada.

Em 1988, Pomar permanece dois meses no Brasil, em Mato Grosso, acompanhando a rodagem do filme de Ruy Guerra, Kuarup. Após a convivência com a realidade dos índios do Alto Xingu, dá início a uma série dedicada a esta temática.

Em 1994 realiza a exposição Fables et Portraits na Galerie Piltzer, em Paris, e o O Paraíso e Outras Histórias na Culturgest em Lisboa. Naquela galeria parisiense apresenta, em 1996, Les Méfaits du Tabac ou l'année du couchon, que em conjunto com a série anterior são testemunho de uma forma de encarar a pintura e a vida com um humor que se encontra muito distante dos sorumbáticos anos do neo-realimo.

domingo, 30 de marzo de 2008

Ficção:Pizza e James Wood

Anatomia da ficção

sinopse

Daniel Piza, e-mail: daniel.piza@grupoestado.com.br, site: www.danielpiza.com.br

O novo livro do ótimo crítico literário James Wood, How Fiction Works (Jonathan Cape), é um achado. Por incrível que pareça, há pouco debate sobre o fazer da ficção, embora haja muitas teorias e historiografias e outras chatices. Livros anteriores, como Aspectos do Romance, de E.M. Forster, e A Arte da Ficção, de Henry James (que traduzi 13 anos atrás), já tinham abordado o tema, mas não com a minúcia quase instrumental de Wood. O livro, curto, é tão cheio de idéias e sacadas, e Wood pesca frases e passagens tão bem em sua vastidão de leituras, que mal dá para resumir. Ainda há muito que explorar, mas ele navega tão longe dos lugares-comuns da crítica que abre horizontes.

Wood, que é inglês e atualmente resenhista da revista The New Yorker, discute, em destaque, o papel do discurso indireto livre na ficção moderna. Ele é uma fusão do discurso direto (o personagem fala com sua voz própria) e o discurso indireto (o narrador informa o que o personagem diz), de tal modo que aproxima narrador e personagem, criando uma ambivalência que enriquece os sentidos. Wood discorda dos que dizem que a narrativa moderna só pode ser em primeira pessoa, por estabelecer o narrador inconfiável. Uma narrativa em terceira pessoa pode ser ainda mais incerta, diz Wood. E dá como exemplo maior Flaubert, um dos pais da ficção moderna, que explorou ao máximo a tensão entre fato e versão, entre transparência e artifício.




Wood associa o discurso indireto livre à figura moderna do 'flâneur', do indivíduo urbano que perambula num cenário que se transforma continuamente, meditando sobre suas impressões. Sobre esse personagem é lançado um monte de detalhes, desconexos ou aleatórios, e o trabalho do narrador é ajustar o foco e escolher o que registrar. Wood analisa como Flaubert e seus herdeiros - de Henry James a Saul Bellow, de Virginia Woolf a John Updike - selecionam os detalhes, em contraste com o acúmulo onisciente que marcava o 'romanção' do século 19. Cita até uma cena de não-ficção, em Um Enforcamento, de George Orwell (que incluí em Dentro da Baleia e Outros Ensaios), que descreve o homem a caminho da forca se desviando caprichosamente de uma poça d'água.

Wood mostra, assim, como o conceito de realismo é restritivo. Realismo não é registrar mecanicamente a realidade, e boa parte da invenção de uma escrita está naquilo que deixa de fora. Toma Dostoiévski como exemplo, pois seus solilóquios se dirigem ao leitor como indivíduo, que lê em silêncio, não ao público em um templo ou platéia. Logo, podem estar mais próximos do verdadeiro discurso mental, menos eloqüente e mais coloquial do que no passado. O personagem não sabe explicar totalmente o motivo de seu comportamento. Isso faz sua linguagem mais realista, e não menos. Do detalhismo de Flaubert e do psiquismo de Dostoievski nasceu a ficção moderna; nasceu Proust, Joyce, Rosa, etc.