sábado, 6 de marzo de 2010
Usina Nuclear em Petrolina?????
PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Petrolina e Juazeiro
Entrevista
No aeroporto de" Petrolina (PE), Lula, em entrevista ao vivo para duas rádios, passou o microfone para que Dilma também falasse.
Os radialistas disseram ao presidente que há temor na região de que usinas nucleares sejam instaladas em Juazeiro e Petrolina. Lula, então, deixou que Dilma respondesse.
Dilma disse que ainda não há lugar definido para a construção de novas usinas, mas falou do uso da energia nuclear na medicina, "para que as pessoas tenham saúde", e citou seu tratamento de um câncer (linfoma) finalizado há seis meses.
Depois, de forma didática e usando linguagem simples, Dilma falou da importância da usina nuclear para gerar energia e justificou os recentes apagões, mas comparando-os aos do governo FHC --que ela não nominou. Citou apenas o período, entre 2001 e 2002.
Disse que naqueles anos faltou energia por problema de geração e que as pessoas "não podiam abrir um supermercado, uma lojinha, construir um shopping ou uma fábrica".
Os problemas recentes, disse Dilma, ocorreram por interrupção em um ponto dos 100 mil quilômetros de linhas de transmissão que cortam o país.
Ela afirmou que esse tipo de problema pode ocorrer por conta de um raio ou da queda de uma árvore na rede, mas disse que o sistema não pode cair da forma que ocorreu. Dilma disse que, se cair, o sistema não pode demorar mais do que cinco minutos para voltar"
Fonte Folha de Sao Paulo
da Agência Folha, em Petrolina e Juazeiro
Entrevista
No aeroporto de" Petrolina (PE), Lula, em entrevista ao vivo para duas rádios, passou o microfone para que Dilma também falasse.
Os radialistas disseram ao presidente que há temor na região de que usinas nucleares sejam instaladas em Juazeiro e Petrolina. Lula, então, deixou que Dilma respondesse.
Dilma disse que ainda não há lugar definido para a construção de novas usinas, mas falou do uso da energia nuclear na medicina, "para que as pessoas tenham saúde", e citou seu tratamento de um câncer (linfoma) finalizado há seis meses.
Depois, de forma didática e usando linguagem simples, Dilma falou da importância da usina nuclear para gerar energia e justificou os recentes apagões, mas comparando-os aos do governo FHC --que ela não nominou. Citou apenas o período, entre 2001 e 2002.
Disse que naqueles anos faltou energia por problema de geração e que as pessoas "não podiam abrir um supermercado, uma lojinha, construir um shopping ou uma fábrica".
Os problemas recentes, disse Dilma, ocorreram por interrupção em um ponto dos 100 mil quilômetros de linhas de transmissão que cortam o país.
Ela afirmou que esse tipo de problema pode ocorrer por conta de um raio ou da queda de uma árvore na rede, mas disse que o sistema não pode cair da forma que ocorreu. Dilma disse que, se cair, o sistema não pode demorar mais do que cinco minutos para voltar"
Fonte Folha de Sao Paulo
A inveja do cinema argentino
A inveja do cinema argentino
Não é de hoje que suspiramos de inveja do cinema argentino. Há quase dez anos o crítico Jean-Claude Bernardet já dizia: os argentinos estão nos dando um banho em matéria de cinema.
A cada bom filme novo argentino, como este "O Segredo dos Seus Olhos", o suspiro se renova. Mas em que consiste o segredo da superioridade, suposta ou real, do cinema argentino?
Há que lembrar, antes de mais nada, que toda generalização é burra, mas sem algum grau de generalização também é impossível pensar. Assim como há vários cinemas brasileiros (de Fabio Barreto a Julio Bressane, de Beto Brant a Cacá Diegues, de Daniel Filho a Tata Amaral), existem também vários cinemas argentinos, cobrindo um espectro que vai dos filmes de grande bilheteria, como "O Filho da Noiva", "Nove Rainhas" ou "O Segredo dos Seus Olhos", à obra mais pessoal, "outsider", quase "miúra", de uma Lucrecia Martel ("O Pântano", "A Menina Santa", "A Mulher sem Cabeça"), passando pelos caminhos intermediários de um Pablo Trapero ou um Daniel Burman. Isso sem falar da produção de autores mais veteranos, como Fernando Solanas ou Luis Puenzo.
Mas é possível detectar algumas tendências gerais, tanto na variegada filmografia argentina como na igualmente variegada filmografia brasileira. E a meu ver a nossa desvantagem não é da ordem da competência técnica ou dos cuidados de produção, mas sim de natureza estética e narrativa. Vou tentar me explicar.
Espaço para a ambiguidade
O que chama a atenção, no cinema argentino em geral, de Juan José Campanella a Lucrecia Martel, em comparação com o grosso da produção brasileira, é o modo indireto, oblíquo, com que os "grandes assuntos" (políticos, sociais, morais) são abordados. O interesse desses filmes parece estar sempre voltado para os personagens e sua relação com o espaço físico e humano que os cerca - o que, de certo modo, é a base de todo o cinema que não seja "de tese". O contexto social e político entra pelas bordas, não arromba a porta da frente.
Há quase sempre nos filmes argentinos, em maior ou menor medida, uma sutileza que respeita a inteligência do espectador, tratando-o como um ser adulto, pensante. Há, habitualmente, espaço para a ambiguidade e a indefinição.
Os filmes brasileiros, com as exceções que confirmam a regra (e sem falar dos documentários, que são um caso à parte), parecem sucumbir sob o peso da intenção de "dizer coisas" sobre a "realidade". Ou então se rendem acriticamente aos modelos de entretenimento emprestados da televisão, seja das telenovelas ou dos esquetes humorísticos. Em outras palavras: ou são declaratórios, enfáticos, ou quase desprovidos de inteligência. Em qualquer dos dois casos, tratam o espectador com paternalismo.
(...)
Leia mais aqui
Fonte Folha online/blog do Ze Geraldo Couto
Comento: O que o ze geraldo possivelmente quer dizer é que de tal forma fomos marcados pelo romance regionalista e formas narrativas do naturalismo que esquecemos a inteligencia narrativa de Machado de Assis . E por fim,com o Modernismo repetismos os mesmos erros e nos entregamos de vez aos inventários de Mario de Andrade e a reinvençao da história através da narrativa. Resultado: nem literatura nem história.
Brasil dos viajantes
Na Pinacoteca, a partir de hoje, uma rara chance de ver a coleção de Olavo Setubal, que retrata a história do País em telas, gravuras e documentos, do século 16 ao 20
Em um parágrafo, a seguir, a história de uma tela de sucesso: Panorama da Cidade de São Paulo, quadro pintado em 1821 por Armand Julien Pallière por encomenda de d. Pedro I, pertenceu primeiro à Família Imperial, depois, a uma coleção privada do Rio até, há cerca de oito anos, ser comprado em um leilão da Sotheby"s nos EUA pelo banqueiro Olavo Setubal, por US$ 900 mil. "Mas já ouvi de dois colecionadores que eles pagariam US$ 5 milhões por esta obra brincando", diz o livreiro, pesquisador, colecionador e editor Pedro Corrêa do Lago. Ele descobriu a tela numa "discreta" coleção carioca e convenceu seus donos a colocá-la no leilão americano. "É disparadamente a obra mais importante da iconografia de São Paulo."
Por que relembrar agora a rica trajetória deste quadro? É que Panorama da Cidade de São Paulo pela primeira vez chega ao público, abrigada como grande destaque da exposição Coleção Brasiliana Itaú, que se inaugura hoje na Pinacoteca do Estado.
Na verdade, tudo começou em 1971, quando Setubal comprou a tela Povoado Numa Planície Arborizada, pintada pelo holandês Frans Post (1612- 1680) a partir da vivência do artista no Nordeste do Brasil. Com esta aquisição, o banqueiro, morto em 2008, promovia na época o marco inicial do que seria a Coleção Brasiliana Itaú, acervo que hoje conta com mais de 5 mil itens relacionados à iconografia e história brasileiras. "A coleção é muito grande, mas foi organizada de forma bastante sistemática", diz o curador, que também editou um alentado livro com mais de 700 páginas sobre a Brasiliana Itaú (Ed.Capivara). Apesar de Setubal ter adquirido a pintura de Post há mais de quatro décadas, foi nos anos 2000 que o banqueiro centrou seus esforços na criação desta Brasiliana, chamando Corrêa do Lago e Ruy Souza e Silva para auxiliá-lo nas compras.
Hoje, o que se vê, é uma coleção com força nos trabalhos sobre papel, principalmente os que estão relacionados às fauna e flora brasileiras, gravuras, documentos - assinados por chefes de Estado - de d. Manuel, o "Venturoso", até o único ofício de Tancredo Neves como presidente do Brasil ou relacionados à escravidão, por exemplo -, peças de cartografia, álbuns e livros perpassando a história do País desde o século 16 até o 20. Mas há também pinturas, esculturas, aquarelas assinadas por Eckhout, Debret, Rugendas e Righini, entre outros.
A exposição encerra o programa do Itaú Cultural de apresentar para o público seu acervo (no total, com mais de 10 mil obras), formado ainda pelas coleções de numismática, de arte contemporânea (ambas já exibidas no prédio da instituição) e de arte moderna (mostrada no Masp). Como afirma Eduardo Saron, superintendente do instituto, depois de apresentada na exposição na Pinacoteca, a Brasiliana Itaú ganhará, no segundo semestre, espaço permanente no prédio da instituição, na Av. Paulista. "Ficará no terceiro andar do edifício, num espaço expositivo de 250 m²", afirma Saron. Pela grandiosidade da Brasiliana, terá de ser feita síntese do acervo, privilegiando suas obras principais e apresentando outras pelo formato digital.
Fonte Estadao online
Comento: A partir desta mesma coleçao o Itaú Cultural e o Ministerio da Educaçao criaram um projeto que foi desenvolvido e distribuído para escolas do o Ensino Medio. Na ocasiao tive como interlocutores Carlos Magalhaes,entao Superintendente do Itaú Cultural e Eduardo Sadek,entao diretor da Tv Escola. Grandes parceiros de um lindo projeto!
Em um parágrafo, a seguir, a história de uma tela de sucesso: Panorama da Cidade de São Paulo, quadro pintado em 1821 por Armand Julien Pallière por encomenda de d. Pedro I, pertenceu primeiro à Família Imperial, depois, a uma coleção privada do Rio até, há cerca de oito anos, ser comprado em um leilão da Sotheby"s nos EUA pelo banqueiro Olavo Setubal, por US$ 900 mil. "Mas já ouvi de dois colecionadores que eles pagariam US$ 5 milhões por esta obra brincando", diz o livreiro, pesquisador, colecionador e editor Pedro Corrêa do Lago. Ele descobriu a tela numa "discreta" coleção carioca e convenceu seus donos a colocá-la no leilão americano. "É disparadamente a obra mais importante da iconografia de São Paulo."
Por que relembrar agora a rica trajetória deste quadro? É que Panorama da Cidade de São Paulo pela primeira vez chega ao público, abrigada como grande destaque da exposição Coleção Brasiliana Itaú, que se inaugura hoje na Pinacoteca do Estado.
Na verdade, tudo começou em 1971, quando Setubal comprou a tela Povoado Numa Planície Arborizada, pintada pelo holandês Frans Post (1612- 1680) a partir da vivência do artista no Nordeste do Brasil. Com esta aquisição, o banqueiro, morto em 2008, promovia na época o marco inicial do que seria a Coleção Brasiliana Itaú, acervo que hoje conta com mais de 5 mil itens relacionados à iconografia e história brasileiras. "A coleção é muito grande, mas foi organizada de forma bastante sistemática", diz o curador, que também editou um alentado livro com mais de 700 páginas sobre a Brasiliana Itaú (Ed.Capivara). Apesar de Setubal ter adquirido a pintura de Post há mais de quatro décadas, foi nos anos 2000 que o banqueiro centrou seus esforços na criação desta Brasiliana, chamando Corrêa do Lago e Ruy Souza e Silva para auxiliá-lo nas compras.
Hoje, o que se vê, é uma coleção com força nos trabalhos sobre papel, principalmente os que estão relacionados às fauna e flora brasileiras, gravuras, documentos - assinados por chefes de Estado - de d. Manuel, o "Venturoso", até o único ofício de Tancredo Neves como presidente do Brasil ou relacionados à escravidão, por exemplo -, peças de cartografia, álbuns e livros perpassando a história do País desde o século 16 até o 20. Mas há também pinturas, esculturas, aquarelas assinadas por Eckhout, Debret, Rugendas e Righini, entre outros.
A exposição encerra o programa do Itaú Cultural de apresentar para o público seu acervo (no total, com mais de 10 mil obras), formado ainda pelas coleções de numismática, de arte contemporânea (ambas já exibidas no prédio da instituição) e de arte moderna (mostrada no Masp). Como afirma Eduardo Saron, superintendente do instituto, depois de apresentada na exposição na Pinacoteca, a Brasiliana Itaú ganhará, no segundo semestre, espaço permanente no prédio da instituição, na Av. Paulista. "Ficará no terceiro andar do edifício, num espaço expositivo de 250 m²", afirma Saron. Pela grandiosidade da Brasiliana, terá de ser feita síntese do acervo, privilegiando suas obras principais e apresentando outras pelo formato digital.
Fonte Estadao online
Comento: A partir desta mesma coleçao o Itaú Cultural e o Ministerio da Educaçao criaram um projeto que foi desenvolvido e distribuído para escolas do o Ensino Medio. Na ocasiao tive como interlocutores Carlos Magalhaes,entao Superintendente do Itaú Cultural e Eduardo Sadek,entao diretor da Tv Escola. Grandes parceiros de um lindo projeto!
Prometeo y Ortega....
Desencantando a Zambrano
ISIDORO REGUERA 06/03/2010
María Zambrano fue algo así como una submarinista del pensar, la filósofa del logos sumergido, de eso que clama por ser en el fondo de la razón, decía. No es extraño por tanto, que, si se inicia con Zambrano esta bajada abisal al turbio caos primigenio del pensar, en la que no puede hacerse otra cosa que "dejar hablar al corazón" o pensar desde "el alma" o "las entrañas", como quería ella, haya gente que se desoriente en verbosidad inútil o, por inerme, hagiográfica. No es el caso de este libro, que, por el conocimiento que manifiesta, pero sobre todo por su talante analítico claro y objetivo, seguramente marcará un hito, no ya sólo en el estudio, sistematización y contextualización de los escritos de MZ sobre arte, algo que nadie había hecho todavía, sino en la interpretación general de la filósofa. Inmaculada Murcia pone a MZ en su sitio como degustadora de arte y como esteta, y de paso urbaniza el entorno, o viceversa. La estética, como expresión de la sensibilidad o del sentimiento (y qué es la filosofía de MZ sino eso), legaliza ese ámbito impreciso de la vida condenado a callar (el de la razón sumergida). En ese sentido, toda la filosofía de MZ podría considerarse como estética. Ésa es la perspectiva general del libro, que desde ella se plantea claro estas preguntas claras: ¿qué busca MZ en las obras de arte, qué siente al contemplarlas, qué papel tienen en su pensamiento, qué razones concretas hacen que considere dignas de citar algunas, algunos artistas, movimientos o estilos? Valiéndose de la hermenéutica gadameriana, consigue desvelar pormenorizadamente los prejuicios y el horizonte desde el que MZ escribe de arte; y, con ello, responder esas cuestiones. Toda una tarea de filigrana en un medio como el de "la razón de lo irracional" zambraniana, bello pero evanescente. El libro logra moverse en él magistralmente, tan distante como cercano, entre (por citar algunos de sus temas) la carne y la religiosidad, las sombras y los sueños, la confusión mística y la dionisiaca, filosofía y poesía, pitagóricos y surrealismo, Prometeo y Ortega... Sí, entre el humanismo del origen mítico de la pintura y la redentora destrucción poshumanista (o deshumanizada) de las formas en las vanguardias, sobrevuela con mirada de águila las disparidades de MZ con su maestro sobre el arte. Sobrevuela a mayor distancia otros entusiasmos zambranianos, como la exaltación del "genio" o del "hombre" español, considerado por Zambrano categoría metafísica, que revela precisamente su arte; el arte español, que, comprensiblemente, se convierte en consuelo simbólico, como la idea romántica de una España creadora, en la experiencia sublimante del exilio. Son aportaciones inéditas y de inmenso interés del libro el análisis sereno que hace de la pintura española frente a ese contexto de idealización zambraniano. La amplia sistematización y valoración de la opinión de MZ sobre el surrealismo. O la elaboración de una original teoría fenoménica de la pintura que la autora ve implícita en los textos de MZ sobre Ramón Gaya y que cree que puede explicar sus ideas de base. Murcia Serrano no se ha dejado llevar por lo demasiado humano. Tan distante como cercana, decíamos, sólo pretende, dice, "desentrañar si es verdad y por qué" eso de Zambrano de que la poesía es la memoria de lo que el filósofo olvida, y lo que redime y da voz a todo aquello que en los subterfugios de la razón clama por ser. Difícil y oscurísima cuestión, en general (si es que, en general, es cuestión siquiera). En los textos de la Zambrano lo es, pueda serlo o no, y este libro la ha respondido bien, muy bien: desentrañando entrañas, urbanizando cobijos, poniendo a flote razones sumergidas.
Fuente El Pais - Babelia
ISIDORO REGUERA 06/03/2010
María Zambrano fue algo así como una submarinista del pensar, la filósofa del logos sumergido, de eso que clama por ser en el fondo de la razón, decía. No es extraño por tanto, que, si se inicia con Zambrano esta bajada abisal al turbio caos primigenio del pensar, en la que no puede hacerse otra cosa que "dejar hablar al corazón" o pensar desde "el alma" o "las entrañas", como quería ella, haya gente que se desoriente en verbosidad inútil o, por inerme, hagiográfica. No es el caso de este libro, que, por el conocimiento que manifiesta, pero sobre todo por su talante analítico claro y objetivo, seguramente marcará un hito, no ya sólo en el estudio, sistematización y contextualización de los escritos de MZ sobre arte, algo que nadie había hecho todavía, sino en la interpretación general de la filósofa. Inmaculada Murcia pone a MZ en su sitio como degustadora de arte y como esteta, y de paso urbaniza el entorno, o viceversa. La estética, como expresión de la sensibilidad o del sentimiento (y qué es la filosofía de MZ sino eso), legaliza ese ámbito impreciso de la vida condenado a callar (el de la razón sumergida). En ese sentido, toda la filosofía de MZ podría considerarse como estética. Ésa es la perspectiva general del libro, que desde ella se plantea claro estas preguntas claras: ¿qué busca MZ en las obras de arte, qué siente al contemplarlas, qué papel tienen en su pensamiento, qué razones concretas hacen que considere dignas de citar algunas, algunos artistas, movimientos o estilos? Valiéndose de la hermenéutica gadameriana, consigue desvelar pormenorizadamente los prejuicios y el horizonte desde el que MZ escribe de arte; y, con ello, responder esas cuestiones. Toda una tarea de filigrana en un medio como el de "la razón de lo irracional" zambraniana, bello pero evanescente. El libro logra moverse en él magistralmente, tan distante como cercano, entre (por citar algunos de sus temas) la carne y la religiosidad, las sombras y los sueños, la confusión mística y la dionisiaca, filosofía y poesía, pitagóricos y surrealismo, Prometeo y Ortega... Sí, entre el humanismo del origen mítico de la pintura y la redentora destrucción poshumanista (o deshumanizada) de las formas en las vanguardias, sobrevuela con mirada de águila las disparidades de MZ con su maestro sobre el arte. Sobrevuela a mayor distancia otros entusiasmos zambranianos, como la exaltación del "genio" o del "hombre" español, considerado por Zambrano categoría metafísica, que revela precisamente su arte; el arte español, que, comprensiblemente, se convierte en consuelo simbólico, como la idea romántica de una España creadora, en la experiencia sublimante del exilio. Son aportaciones inéditas y de inmenso interés del libro el análisis sereno que hace de la pintura española frente a ese contexto de idealización zambraniano. La amplia sistematización y valoración de la opinión de MZ sobre el surrealismo. O la elaboración de una original teoría fenoménica de la pintura que la autora ve implícita en los textos de MZ sobre Ramón Gaya y que cree que puede explicar sus ideas de base. Murcia Serrano no se ha dejado llevar por lo demasiado humano. Tan distante como cercana, decíamos, sólo pretende, dice, "desentrañar si es verdad y por qué" eso de Zambrano de que la poesía es la memoria de lo que el filósofo olvida, y lo que redime y da voz a todo aquello que en los subterfugios de la razón clama por ser. Difícil y oscurísima cuestión, en general (si es que, en general, es cuestión siquiera). En los textos de la Zambrano lo es, pueda serlo o no, y este libro la ha respondido bien, muy bien: desentrañando entrañas, urbanizando cobijos, poniendo a flote razones sumergidas.
Fuente El Pais - Babelia
"Hay cosas que no pueden decirse.."
Las razones del corazón
LUIS FERNANDO MORENO CLAROS 06/03/2010
"Hay cosas que no pueden decirse, y es cierto. Pero esto que no puede decirse es lo que se tiene que escribir", afirma María Zambrano, de quien se publica una antología seleccionada por José-Miguel Ullán, que descubre la "razón poética" de la filósofa
Pocas veces la filosofía pensada, sentida y escrita en castellano dará tamaña satisfacción estética al lector como la nacida del corazón y la cabeza de la pensadora María Zambrano (Vélez-Málaga, 1904-Madrid, 1991). Sus textos son diáfanos, aun cuando no están exentos de paradojas, pues fue mujer que vivió con hondura las contradicciones del pensamiento y que, en su pugna por expresar lo que acaso sólo puede decirse mediante la poesía, ensayaba caminos con veredas entrecruzadas. Para ella fue la filosofía una tarea vital, "éxtasis fracasado por un desgarramiento", y desde niña le urgió la absorbente necesidad de explicarlo; "quiero pensar", sentenció con aplomo.
Lo que convierte esta antología en un libro fundamental es la magia de sus textos
Barruntaba las cuestiones esenciales: la vida, el amor, el sueño, el morir y el pervivir; el ser de las cosas y el principio anudado con el final en la completud del todo; es decir, lo que nos importa o debería importarnos a los seres humanos. Zambrano fue filósofa y metafísica; pero no en la estela de Heidegger, aunque también le preocupó el ocultamiento del ser; y a pesar de que fue alumna del "ontólogo" Zubiri -de quien estuvo enamoriscada en sus años mozos de la Universidad Central-, la especulativa muchacha, más lírica, se arrimó a la noche y a la luz del humilde san Juan de la Cruz, que tanto sabía del arrobo místico de la eternidad y del amor perdurable. Siendo muy español su pensamiento, en muy poco se parece al de Ortega, su elegante maestro; y poco también al del vehemente Unamuno, a quien ella admiró por su amor a la belicosa verdad y por su rechazo del mohíno apoltronamiento.
María Zambrano es un caso aparte en el panorama del pensamiento hispano; de escritos profundos en su sencillo decir, de estilo magnético, será difícil dejar de leerla; su prosa atrapa y, aunque exija concentración, a menudo podemos perder el hilo de su pensar y dejarnos mecer por la belleza musical de su palabra, y la envolvente cadencia de sus frases luminosas, a veces secas y escuetas, y otras, tan coloristas y adjetivadas. Esencia y hermosura, tales son las dos verdades netas de su saber. Un saber que no es de razón pura, ni vital, ni práctica, sino de "razón poética" y que se entiende aunque uno no sepa por qué.
Quien apenas conozca a María Zambrano bien puede empezar por esta magnífica antología. El poeta salmantino José-Miguel Ullán (1944-2009) eligió con cariño los textos que componen este libro pleno y magnífico. Ullán, quien trató mucho a la pensadora en la última época de su largo exilio -que se prolongó durante 45 años- y, después, en Madrid, tras su regreso a España en 1984, nos dejó un entretenido preámbulo en el que describe el estimulante mundo intelectual que rodeaba a la filósofa.
Pero lo que convierte esta antología en un libro fundamental es la magia de sus textos; breves en su mayoría y muy atinados para leer y releer. Aparte de unas cartas inéditas de Zambrano al pintor mexicano Juan Soriano -ambos estaban "enamorados de la luz"-, encontramos joyas como los ensayos sobre el mencionado autor del Cántico espiritual, o sobre Séneca y san Agustín; las reflexiones impagables que le sugirió la pintura de Luis Fernández, el hermoso texto dedicado al cubano Martí, y ese otro titulado Por qué se escribe, con hallazgos como éste: "Hay cosas que no pueden decirse, y es cierto. Pero esto que no puede decirse es lo que se tiene que escribir". Una solvente aproximación a El castillo de Kafka, que Zambrano desentraña cual símbolo de un "sueño trágico". Y más selecciones de magníficos fragmentos de libros cruciales: España, sueño y verdad, El hombre y lo divino, De la Aurora, o el singular Claros del bosque. En suma, aquí está entera María Zambrano, con sus metáforas y las razones de su sabio corazón, ese órgano que siempre está a punto de "romper a hablar", como ella decía. Afirmaba también que la filosofía es una "tarea amorosa", lo mismo que deben serlo la escritura y el arte, y esa lucidez y esa bondad a las que debería aspirar toda alma. -
Fuente El Pais -Babelia
Esencia y hermosura. Antología
María Zambrano
Selección y relato prologal
de José-Miguel Ullán
Galaxia Gutenberg / Círculo de Lectores
Barcelona, 2010. 612 páginas. 35 euros
LUIS FERNANDO MORENO CLAROS 06/03/2010
"Hay cosas que no pueden decirse, y es cierto. Pero esto que no puede decirse es lo que se tiene que escribir", afirma María Zambrano, de quien se publica una antología seleccionada por José-Miguel Ullán, que descubre la "razón poética" de la filósofa
Pocas veces la filosofía pensada, sentida y escrita en castellano dará tamaña satisfacción estética al lector como la nacida del corazón y la cabeza de la pensadora María Zambrano (Vélez-Málaga, 1904-Madrid, 1991). Sus textos son diáfanos, aun cuando no están exentos de paradojas, pues fue mujer que vivió con hondura las contradicciones del pensamiento y que, en su pugna por expresar lo que acaso sólo puede decirse mediante la poesía, ensayaba caminos con veredas entrecruzadas. Para ella fue la filosofía una tarea vital, "éxtasis fracasado por un desgarramiento", y desde niña le urgió la absorbente necesidad de explicarlo; "quiero pensar", sentenció con aplomo.
Lo que convierte esta antología en un libro fundamental es la magia de sus textos
Barruntaba las cuestiones esenciales: la vida, el amor, el sueño, el morir y el pervivir; el ser de las cosas y el principio anudado con el final en la completud del todo; es decir, lo que nos importa o debería importarnos a los seres humanos. Zambrano fue filósofa y metafísica; pero no en la estela de Heidegger, aunque también le preocupó el ocultamiento del ser; y a pesar de que fue alumna del "ontólogo" Zubiri -de quien estuvo enamoriscada en sus años mozos de la Universidad Central-, la especulativa muchacha, más lírica, se arrimó a la noche y a la luz del humilde san Juan de la Cruz, que tanto sabía del arrobo místico de la eternidad y del amor perdurable. Siendo muy español su pensamiento, en muy poco se parece al de Ortega, su elegante maestro; y poco también al del vehemente Unamuno, a quien ella admiró por su amor a la belicosa verdad y por su rechazo del mohíno apoltronamiento.
María Zambrano es un caso aparte en el panorama del pensamiento hispano; de escritos profundos en su sencillo decir, de estilo magnético, será difícil dejar de leerla; su prosa atrapa y, aunque exija concentración, a menudo podemos perder el hilo de su pensar y dejarnos mecer por la belleza musical de su palabra, y la envolvente cadencia de sus frases luminosas, a veces secas y escuetas, y otras, tan coloristas y adjetivadas. Esencia y hermosura, tales son las dos verdades netas de su saber. Un saber que no es de razón pura, ni vital, ni práctica, sino de "razón poética" y que se entiende aunque uno no sepa por qué.
Quien apenas conozca a María Zambrano bien puede empezar por esta magnífica antología. El poeta salmantino José-Miguel Ullán (1944-2009) eligió con cariño los textos que componen este libro pleno y magnífico. Ullán, quien trató mucho a la pensadora en la última época de su largo exilio -que se prolongó durante 45 años- y, después, en Madrid, tras su regreso a España en 1984, nos dejó un entretenido preámbulo en el que describe el estimulante mundo intelectual que rodeaba a la filósofa.
Pero lo que convierte esta antología en un libro fundamental es la magia de sus textos; breves en su mayoría y muy atinados para leer y releer. Aparte de unas cartas inéditas de Zambrano al pintor mexicano Juan Soriano -ambos estaban "enamorados de la luz"-, encontramos joyas como los ensayos sobre el mencionado autor del Cántico espiritual, o sobre Séneca y san Agustín; las reflexiones impagables que le sugirió la pintura de Luis Fernández, el hermoso texto dedicado al cubano Martí, y ese otro titulado Por qué se escribe, con hallazgos como éste: "Hay cosas que no pueden decirse, y es cierto. Pero esto que no puede decirse es lo que se tiene que escribir". Una solvente aproximación a El castillo de Kafka, que Zambrano desentraña cual símbolo de un "sueño trágico". Y más selecciones de magníficos fragmentos de libros cruciales: España, sueño y verdad, El hombre y lo divino, De la Aurora, o el singular Claros del bosque. En suma, aquí está entera María Zambrano, con sus metáforas y las razones de su sabio corazón, ese órgano que siempre está a punto de "romper a hablar", como ella decía. Afirmaba también que la filosofía es una "tarea amorosa", lo mismo que deben serlo la escritura y el arte, y esa lucidez y esa bondad a las que debería aspirar toda alma. -
Fuente El Pais -Babelia
Esencia y hermosura. Antología
María Zambrano
Selección y relato prologal
de José-Miguel Ullán
Galaxia Gutenberg / Círculo de Lectores
Barcelona, 2010. 612 páginas. 35 euros
Literatura e Historia
Vidas imaginarias
ALBERTO MANGUEL 06/03/2010
"Literatura e historia son dos ramas de la memoria", sostiene Doris Lessing, que narra en su nuevo libro la biografía de sus padres: quiénes fueron, pero también quiénes pudieron ser
La teología no admite la modificación del pasado, sola imposibilidad del Todopoderoso. La literatura, en cambio, más generosa, no sólo la permite sino que la alienta, hasta el punto de confundirse con los hechos sucedidos. Hoy no sabemos si Herodoto es el padre de la historia, como quería Cicerón, o de las mentiras, como lo apoda Plutarco. Aprovechando esta libertad literaria, hay escritores que no han querido resignarse a sus biografías y que, por el contrario, han decidido contarlas de otra manera, no atestiguada por documentos oficiales.
Doris Lessing, fiel cronista del desahuciado siglo veinte en memorias, novelas, relatos y hasta en una voluminosa saga de ciencia-ficción, quiso, en estos últimos años de su vida, contar la biografía de sus padres. No la estéril sarta de fechas y nombres que componen una vida enciclopédica, sino la vida que pudo ser, que hubieran querido tener si hubiesen podido elegirla. Es sabido que un hecho mínimo, a menudo imperceptible, determina nuestra suerte: abrir o cerrar una puerta, tomar hacia la izquierda o la derecha, responder o no al teléfono o leer o no una carta hacen que nuestra vida sea una y no otra. Lessing decidió volver atrás, a ese punto decisivo, y encausar a sus padres por una senda no tomada. Esta vita nuova forma la primera parte del libro; la segunda cuenta las vidas tal como ocurrieron en la realidad, con el apoyo de documentos y reseñas históricas. Así Alfred y Emily, sus padres, se desdoblan: son quienes fueron, pero también quienes pudieron ser, dejando sospechar al lector que estas dos no son las únicas posibilidades.
El resultado, traducido fielmente al castellano por Verónica Canales, es un maravilloso retrato de un mundo desaparecido, de ese limbo que fue la época eduardiana, una sociedad complaciente, ciega a los peligros que la acechan, inocente aún de la Gran Guerra. Lessing describe ese mundo dos veces, como un paisaje material y también como ese mismo paisaje reflejado en el agua: por un lado, la fluida, aventurosa vida soñada; por el otro, la vida sólida y concreta, gracias a la cual vino al mundo quien la narra.
En la versión imaginada, Alfred busca y encuentra la felicidad en el campo, en la Inglaterra rural, y son sus hijos, no Alfred, quienes son al fin llamados a luchar por su patria en las infernales trincheras de la Primera Guerra Mundial; Emily se casa muy joven con un médico prestigioso (el amor de su vida en el mundo real), pero su vida será no la de un ama de casa, sino la de una mujer independiente que, sin tener hijos propios, ayuda a los hijos de los otros, lucha contra la crueldad a los animales, funda escuelas innovadoras y, durante la guerra, crea refugios para mujeres y niños. Las vidas soñadas de Alfred y Emily se entrecruzan pero no se unen. La versión histórica es menos feliz. Alfred pierde una pierna durante el combate, se casa con Emily, y juntos emigran a Rhodesia donde, con poco éxito, instalan una granja. En los anteriores libros de Lessing, en la saga de Martha Quest por ejemplo, el retrato de la madre es poco halagador. En Alfred y Emily la cólera hacia esa mujer al parecer dura y frustrada en la vida real se atenúa y se convierte en una suerte de maduro respeto por su coraje y sus habilidades intelectuales. El retrato del padre, en cambio, tanto en la versión imaginada como en la vivida (y también en las ficciones precedentes), es patéticamente consistente. Alfred se llama el padre en el quinteto Los hijos de la violencia, y Alfred también en este último díptico, un hombre soñador, bucólico, resignado, algo torpe.
Lectores psicólogos sabrán explicar por qué la figura de la madre se transforma poderosamente en el universo imaginario de Lessing, y por qué la del padre permanece casi incólume; lectores menos severos apreciarán la sabiduría literaria de Lessing que consiste en reconocer en la constancia de un personaje la cruz del otro, la carga de la cual este último debe librarse para encontrar su voz propia y su carácter verdadero, mientras que el primero resiste testarudamente a los cambios que los circundan. Así, Lessing octogenaria corrige la versión de Lessing treintañera, de la joven novelista que declara odiar a esa madre fuerte y demagógica, y es ahora la madre, Emily, la que se revela la heroica luchadora, capaz de crear un hogar para su familia en medio de terribles dificultades, mientras que el padre dulzón y melancólico sobrevive bien que mal gracias a ella, quejándose al final de su vida: "A un perro enfermo se lo libera del sufrimiento, ¿por qué a mí no?".
"Literatura e historia son dos ramas de la memoria", declaró Lessing en una conferencia hace algunos años. Alfred y Emily es prueba de cómo ambas entretejen, por medio de las palabras, esa continua narración del mundo que llamamos realidad. -
Fuente El Pais-Babelia
ALBERTO MANGUEL 06/03/2010
"Literatura e historia son dos ramas de la memoria", sostiene Doris Lessing, que narra en su nuevo libro la biografía de sus padres: quiénes fueron, pero también quiénes pudieron ser
La teología no admite la modificación del pasado, sola imposibilidad del Todopoderoso. La literatura, en cambio, más generosa, no sólo la permite sino que la alienta, hasta el punto de confundirse con los hechos sucedidos. Hoy no sabemos si Herodoto es el padre de la historia, como quería Cicerón, o de las mentiras, como lo apoda Plutarco. Aprovechando esta libertad literaria, hay escritores que no han querido resignarse a sus biografías y que, por el contrario, han decidido contarlas de otra manera, no atestiguada por documentos oficiales.
Doris Lessing, fiel cronista del desahuciado siglo veinte en memorias, novelas, relatos y hasta en una voluminosa saga de ciencia-ficción, quiso, en estos últimos años de su vida, contar la biografía de sus padres. No la estéril sarta de fechas y nombres que componen una vida enciclopédica, sino la vida que pudo ser, que hubieran querido tener si hubiesen podido elegirla. Es sabido que un hecho mínimo, a menudo imperceptible, determina nuestra suerte: abrir o cerrar una puerta, tomar hacia la izquierda o la derecha, responder o no al teléfono o leer o no una carta hacen que nuestra vida sea una y no otra. Lessing decidió volver atrás, a ese punto decisivo, y encausar a sus padres por una senda no tomada. Esta vita nuova forma la primera parte del libro; la segunda cuenta las vidas tal como ocurrieron en la realidad, con el apoyo de documentos y reseñas históricas. Así Alfred y Emily, sus padres, se desdoblan: son quienes fueron, pero también quienes pudieron ser, dejando sospechar al lector que estas dos no son las únicas posibilidades.
El resultado, traducido fielmente al castellano por Verónica Canales, es un maravilloso retrato de un mundo desaparecido, de ese limbo que fue la época eduardiana, una sociedad complaciente, ciega a los peligros que la acechan, inocente aún de la Gran Guerra. Lessing describe ese mundo dos veces, como un paisaje material y también como ese mismo paisaje reflejado en el agua: por un lado, la fluida, aventurosa vida soñada; por el otro, la vida sólida y concreta, gracias a la cual vino al mundo quien la narra.
En la versión imaginada, Alfred busca y encuentra la felicidad en el campo, en la Inglaterra rural, y son sus hijos, no Alfred, quienes son al fin llamados a luchar por su patria en las infernales trincheras de la Primera Guerra Mundial; Emily se casa muy joven con un médico prestigioso (el amor de su vida en el mundo real), pero su vida será no la de un ama de casa, sino la de una mujer independiente que, sin tener hijos propios, ayuda a los hijos de los otros, lucha contra la crueldad a los animales, funda escuelas innovadoras y, durante la guerra, crea refugios para mujeres y niños. Las vidas soñadas de Alfred y Emily se entrecruzan pero no se unen. La versión histórica es menos feliz. Alfred pierde una pierna durante el combate, se casa con Emily, y juntos emigran a Rhodesia donde, con poco éxito, instalan una granja. En los anteriores libros de Lessing, en la saga de Martha Quest por ejemplo, el retrato de la madre es poco halagador. En Alfred y Emily la cólera hacia esa mujer al parecer dura y frustrada en la vida real se atenúa y se convierte en una suerte de maduro respeto por su coraje y sus habilidades intelectuales. El retrato del padre, en cambio, tanto en la versión imaginada como en la vivida (y también en las ficciones precedentes), es patéticamente consistente. Alfred se llama el padre en el quinteto Los hijos de la violencia, y Alfred también en este último díptico, un hombre soñador, bucólico, resignado, algo torpe.
Lectores psicólogos sabrán explicar por qué la figura de la madre se transforma poderosamente en el universo imaginario de Lessing, y por qué la del padre permanece casi incólume; lectores menos severos apreciarán la sabiduría literaria de Lessing que consiste en reconocer en la constancia de un personaje la cruz del otro, la carga de la cual este último debe librarse para encontrar su voz propia y su carácter verdadero, mientras que el primero resiste testarudamente a los cambios que los circundan. Así, Lessing octogenaria corrige la versión de Lessing treintañera, de la joven novelista que declara odiar a esa madre fuerte y demagógica, y es ahora la madre, Emily, la que se revela la heroica luchadora, capaz de crear un hogar para su familia en medio de terribles dificultades, mientras que el padre dulzón y melancólico sobrevive bien que mal gracias a ella, quejándose al final de su vida: "A un perro enfermo se lo libera del sufrimiento, ¿por qué a mí no?".
"Literatura e historia son dos ramas de la memoria", declaró Lessing en una conferencia hace algunos años. Alfred y Emily es prueba de cómo ambas entretejen, por medio de las palabras, esa continua narración del mundo que llamamos realidad. -
Fuente El Pais-Babelia
Recuerdos de Ortega y Gasset
Al final de una era
ANTONIO MUÑOZ MOLINA
Para entender algo sobre el mundo de ahora y para no entender nada al mismo tiempo es conveniente darse un paseo por la exposición de Damien Hirst que abrió hace unas semanas en la galería Gagosian de Madison Avenue, en esa zona de la calle, cercana al Museo Whitney, donde las tiendas de marcas de moda se mezclan con las de antigüedades, irradiando un brillo común de fetichismo del dinero. En los espacios inmensos de la galería Gagosian, que ya son en sí mismos una declaración de poderío, el catálogo habitual de las invenciones de Hirst se sucede tan previsiblemente como los productos de una franquicia comercial. Hay una cabeza de vaca conservada en formol, con media lengua fuera, con un disco de oro en el testuz, con los cuernos forrados de láminas de oro; hay fotografías a todo color y gran formato de píldoras medicinales; hay armarios de cristal que contienen amontonamientos diversos de cajas de medicinas; hay paneles cubiertos por mariposas de alas desplegadas y adheridas a la superficie; hay anaqueles de marcos dorados, semejantes a escaparates de joyerías, en los que se alinean imitaciones de brillantes o brillantes verdaderos en los que restalla la luz de los focos; hay cuadros de calaveras hechas con pintura sintética y otros en los que la pintura se ha expandido al verterla sobre un panel giratorio. Escaleras arriba y escaleras abajo en un edificio situado en una de las zonas comerciales más caras de Manhattan la exposición parece no acabarse nunca. Una sala conduce a otra sala idéntica. Un cuadro de mariposas conduce a otro cuadro de mariposas, y un armario de cajas de medicinas se parece extraordinariamente a otro, aunque habrá expertos que puedan distinguirlos entre sí.
La noticia en otros webs
webs en español
en otros idiomas
La exposición se titula End of an Era. Algún crítico ha ironizado que la era que parece estar acabándose es la de la supremacía de Damien Hirst en el mundo del arte, o incluso su misma capacidad de invención, dada la abrumadora sensación de rutina que se desprende del muestrario. Si los valores estéticos supremos son la novedad y la provocación, los artefactos ideados por Hirst resultan tan novedosos a estas alturas como el mobiliario de un Starbucks, y su capacidad de provocar ha decaído tanto como ese tiburón en formol que compró hace unos años el multimillonario Steve Cohen, y que hubo que reemplazar a toda prisa con otro tiburón fresco para que el orgulloso coleccionista, su familia, sus amigos y su servidumbre no sucumbieran al hedor a pescado podrido.
Pero precisamente en la repetición está el secreto, como ya entendió Salvador Dalí mucho antes que Andy Warhol. Los clientes de Hirst y de la galería Gagosian buscan lo mismo, aunque a un precio mucho más alto, que los de Prada o Gucci en esa misma zona de Madison Avenue. Lo que se paga es lo que casi no existe: el nombre, la idea, el brillo del papel en una revista de modas. El bolso o las zapatillas o la camiseta proceden del esfuerzo de alguien mal pagado que trabaja en un galpón en las afueras industriales de alguna ciudad de geografía pavorosa. El que hace algo con las manos no cuenta para nada; el que se inclina durante doce o catorce horas sobre una máquina de coser, el que carga o descarga un contenedor, el que respira los humos tóxicos. Hubo otras épocas en las que el valor del trabajo real contaba para algo. También las hubo en las que el talento y el mérito de un artista estaban sostenidos por la destreza de sus manos, hasta por el esfuerzo físico que requería muchas veces la pelea agotadora con los materiales.
Damien Hirst no tiene que molestarse en hacer nada. Asistentes anónimos amontonan con paciencia las cajas de medicinas en los anaqueles o pintan los cuadros de lunares o pegan las mariposas sobre los paneles de madera a los cuales aplican después capas de color y barniz. Ni siquiera vierte él mismo la pintura en la centrifugadora de la que se extraen algunas de sus obras. A estas alturas al experto se le va poniendo un gesto sarcástico ante mi ignorancia: lo que Hirst crea, se apresura a explicarme, no es un objeto material en sí, sino algo mucho más preciado, un concepto. El arte antiguo y ya obsoleto se basaba en la producción física de las obras, igual que la economía se basaba en la fabricación y en el comercio de bienes tangibles. La economía se ha convertido en un laberinto virtual de operaciones financieras que tienen la virtud de hacer riquísimos a quienes saben manejarlas en beneficio propio y de ser incomprensibles para la inmensa mayoría de los seres humanos. El arte contemporáneo, de manera parecida, se ha despojado de materialidad al mismo tiempo que se ha vuelto indescifrable, salvo para una minoría de iniciados tan exclusiva como la de quienes entienden la economía y se enriquecen a una escala alucinatoria gracias a su conocimiento.
Lo que queda es una pobre cabeza de vaca cortada, con un filo de lengua fuera, con una mansa expresión de sacrificio en el interior de una urna llena de un líquido azulado. En las carnicerías del mundo real una cabeza así valdrá unas pocas monedas. En la galería Gagosian sólo está al alcance de los señores del mundo. Hay quien ejerce su vanidad y transmite su poderío exhibiendo un reloj o un bolso o unas gafas de marca. Hay quien lo hace gastándose millones de dólares en los despojos de una vaca sumergida en formol. Lo que los críticos de arte llaman conceptualismo no es, a estas alturas, más que el sello mercenario de una marca que vuelve prestigiosa la nada y multiplica groseramente el precio que algún traficante de armas o petróleo o especulador financiero está dispuesto a pagar por ella. En un libro extraordinario sobre el comercio del arte, El tiburón de doce millones de dólares, el economista Don Thomson lo explica con perfecta claridad. No importa el espacio real de una galería o la calidad de los artistas que exhibe: importa que lleve la marca Gagosian, la marca Sotheby's o Christie's, la marca Damien Hirst o Jeff Koons o la de cualquiera de las cinco o seis estrellas que copan los precios más altos entre los millonarios más literalmente podridos de dinero. A lo que tiene que parecerse un bolso de Chanel es a otro bolso de Chanel. La garantía de calidad de un armario de medicinas de Damien Hirst o de un corazón rosa de San Valentín de Jeff Koons es que se parezcan a los otros productos de las mismas franquicias. La proporción entre el coste y el beneficio, entre el esfuerzo y la calidad de la invención y el éxito, es casi tan desmesurada como las recompensas que se han dado a sí mismos unos pocos banqueros e inversores a costa de provocar la ruina de países enteros.
Los demás, los entusiastas y los escandalizados, los críticos, los expertos, los periodistas fascinados por lo último, ya ni siquiera somos público. No somos más que comparsas. Balando nuestra conformidad o ladrando nuestra discordia proveemos un poco de publicidad gratuita.
End of an Era. Damien Hirst. Gagosian Gallery. Nueva York. Hasta hoy. www.gagosian.com. El tiburón de doce millones de dólares. Don Thomson. Traducción de Blanca Ribera. Ariel. Barcelona, 2009. 336 páginas. 21 euros.
Fuente El Pais
ANTONIO MUÑOZ MOLINA
Para entender algo sobre el mundo de ahora y para no entender nada al mismo tiempo es conveniente darse un paseo por la exposición de Damien Hirst que abrió hace unas semanas en la galería Gagosian de Madison Avenue, en esa zona de la calle, cercana al Museo Whitney, donde las tiendas de marcas de moda se mezclan con las de antigüedades, irradiando un brillo común de fetichismo del dinero. En los espacios inmensos de la galería Gagosian, que ya son en sí mismos una declaración de poderío, el catálogo habitual de las invenciones de Hirst se sucede tan previsiblemente como los productos de una franquicia comercial. Hay una cabeza de vaca conservada en formol, con media lengua fuera, con un disco de oro en el testuz, con los cuernos forrados de láminas de oro; hay fotografías a todo color y gran formato de píldoras medicinales; hay armarios de cristal que contienen amontonamientos diversos de cajas de medicinas; hay paneles cubiertos por mariposas de alas desplegadas y adheridas a la superficie; hay anaqueles de marcos dorados, semejantes a escaparates de joyerías, en los que se alinean imitaciones de brillantes o brillantes verdaderos en los que restalla la luz de los focos; hay cuadros de calaveras hechas con pintura sintética y otros en los que la pintura se ha expandido al verterla sobre un panel giratorio. Escaleras arriba y escaleras abajo en un edificio situado en una de las zonas comerciales más caras de Manhattan la exposición parece no acabarse nunca. Una sala conduce a otra sala idéntica. Un cuadro de mariposas conduce a otro cuadro de mariposas, y un armario de cajas de medicinas se parece extraordinariamente a otro, aunque habrá expertos que puedan distinguirlos entre sí.
La noticia en otros webs
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en otros idiomas
La exposición se titula End of an Era. Algún crítico ha ironizado que la era que parece estar acabándose es la de la supremacía de Damien Hirst en el mundo del arte, o incluso su misma capacidad de invención, dada la abrumadora sensación de rutina que se desprende del muestrario. Si los valores estéticos supremos son la novedad y la provocación, los artefactos ideados por Hirst resultan tan novedosos a estas alturas como el mobiliario de un Starbucks, y su capacidad de provocar ha decaído tanto como ese tiburón en formol que compró hace unos años el multimillonario Steve Cohen, y que hubo que reemplazar a toda prisa con otro tiburón fresco para que el orgulloso coleccionista, su familia, sus amigos y su servidumbre no sucumbieran al hedor a pescado podrido.
Pero precisamente en la repetición está el secreto, como ya entendió Salvador Dalí mucho antes que Andy Warhol. Los clientes de Hirst y de la galería Gagosian buscan lo mismo, aunque a un precio mucho más alto, que los de Prada o Gucci en esa misma zona de Madison Avenue. Lo que se paga es lo que casi no existe: el nombre, la idea, el brillo del papel en una revista de modas. El bolso o las zapatillas o la camiseta proceden del esfuerzo de alguien mal pagado que trabaja en un galpón en las afueras industriales de alguna ciudad de geografía pavorosa. El que hace algo con las manos no cuenta para nada; el que se inclina durante doce o catorce horas sobre una máquina de coser, el que carga o descarga un contenedor, el que respira los humos tóxicos. Hubo otras épocas en las que el valor del trabajo real contaba para algo. También las hubo en las que el talento y el mérito de un artista estaban sostenidos por la destreza de sus manos, hasta por el esfuerzo físico que requería muchas veces la pelea agotadora con los materiales.
Damien Hirst no tiene que molestarse en hacer nada. Asistentes anónimos amontonan con paciencia las cajas de medicinas en los anaqueles o pintan los cuadros de lunares o pegan las mariposas sobre los paneles de madera a los cuales aplican después capas de color y barniz. Ni siquiera vierte él mismo la pintura en la centrifugadora de la que se extraen algunas de sus obras. A estas alturas al experto se le va poniendo un gesto sarcástico ante mi ignorancia: lo que Hirst crea, se apresura a explicarme, no es un objeto material en sí, sino algo mucho más preciado, un concepto. El arte antiguo y ya obsoleto se basaba en la producción física de las obras, igual que la economía se basaba en la fabricación y en el comercio de bienes tangibles. La economía se ha convertido en un laberinto virtual de operaciones financieras que tienen la virtud de hacer riquísimos a quienes saben manejarlas en beneficio propio y de ser incomprensibles para la inmensa mayoría de los seres humanos. El arte contemporáneo, de manera parecida, se ha despojado de materialidad al mismo tiempo que se ha vuelto indescifrable, salvo para una minoría de iniciados tan exclusiva como la de quienes entienden la economía y se enriquecen a una escala alucinatoria gracias a su conocimiento.
Lo que queda es una pobre cabeza de vaca cortada, con un filo de lengua fuera, con una mansa expresión de sacrificio en el interior de una urna llena de un líquido azulado. En las carnicerías del mundo real una cabeza así valdrá unas pocas monedas. En la galería Gagosian sólo está al alcance de los señores del mundo. Hay quien ejerce su vanidad y transmite su poderío exhibiendo un reloj o un bolso o unas gafas de marca. Hay quien lo hace gastándose millones de dólares en los despojos de una vaca sumergida en formol. Lo que los críticos de arte llaman conceptualismo no es, a estas alturas, más que el sello mercenario de una marca que vuelve prestigiosa la nada y multiplica groseramente el precio que algún traficante de armas o petróleo o especulador financiero está dispuesto a pagar por ella. En un libro extraordinario sobre el comercio del arte, El tiburón de doce millones de dólares, el economista Don Thomson lo explica con perfecta claridad. No importa el espacio real de una galería o la calidad de los artistas que exhibe: importa que lleve la marca Gagosian, la marca Sotheby's o Christie's, la marca Damien Hirst o Jeff Koons o la de cualquiera de las cinco o seis estrellas que copan los precios más altos entre los millonarios más literalmente podridos de dinero. A lo que tiene que parecerse un bolso de Chanel es a otro bolso de Chanel. La garantía de calidad de un armario de medicinas de Damien Hirst o de un corazón rosa de San Valentín de Jeff Koons es que se parezcan a los otros productos de las mismas franquicias. La proporción entre el coste y el beneficio, entre el esfuerzo y la calidad de la invención y el éxito, es casi tan desmesurada como las recompensas que se han dado a sí mismos unos pocos banqueros e inversores a costa de provocar la ruina de países enteros.
Los demás, los entusiastas y los escandalizados, los críticos, los expertos, los periodistas fascinados por lo último, ya ni siquiera somos público. No somos más que comparsas. Balando nuestra conformidad o ladrando nuestra discordia proveemos un poco de publicidad gratuita.
End of an Era. Damien Hirst. Gagosian Gallery. Nueva York. Hasta hoy. www.gagosian.com. El tiburón de doce millones de dólares. Don Thomson. Traducción de Blanca Ribera. Ariel. Barcelona, 2009. 336 páginas. 21 euros.
Fuente El Pais
Grupo do Risco e a Amazonia
Ao longo de duas semanas na Amazónia, os 25 portugueses do "Grupo do Risco" acordaram ao som de Pavarotti. O melómano era o capitão naturalista e versado em línguas Moacir Fortes, quase 70 anos de vida, outros tantos de selva. Aos comandos de "Dorinha", o barco de três andares que também serviu de hotel, levou a equipa a explorar a região à volta de Manaus, no Brasil. E não ficou por aí. Contava histórias, explicava costumes e pescava parte das refeições: piranhas "pacu". Uma delas tinha quase oito quilos e alimentou 20 pessoas, lembra o organizador da expedição, o biólogo e ilustrador Pedro Salgado, 50 anos. "Nós achamos que só há uma, mas há muitas espécies diferentes de piranha. Esta nem sequer tem dentes. É deliciosa. Sabe a corvina."
Ao todo o grupo terá percorrido "o correspondente ao comprimento de Portugal", conta o especialista em ilustração científica - apenas um décimo do trajecto das viagens filosóficas dos exploradores do século XVIII que lhes serviram de inspiração. "Tiveram a sorte de estar lá mais de 10 anos", brinca. E essa não é a única diferença. Se há 300 anos se faziam expedições para desenhar animais e plantas nunca antes vistos na Europa, hoje desenham-se espécies que podem desaparecer a qualquer momento.
"Vimos coisas do outro mundo", diz, entusiasmado - incluindo três das "sete pragas da Amazónia", como lhes chamava Moacir: jacarés, enguias eléctricas e vários tipos de piranhas. "A diversidade que apanhámos num pequeno trajecto na Amazónia é superior àquela que encontramos na nossa costa toda", reforça. Um sonho para qualquer pessoa, mesmo, como acabou por acontecer, para aquelas que são "101 por cento urbanas". Mas já lá vamos. Para já, o objectivo do projecto: retratar a Amazónia através de 25 olhares e sensibilidades diferentes. Depois, mostrar o resultado ao grande público, numa exposição prevista para o Verão.
Riscadores
O projecto "Grupo do Risco" nasceu há três anos, com uma expedição às Berlengas. O nome é uma homenagem à Casa do Risco do Real Museo e Jardim Botanico da Ajuda, a primeira escola de desenho científico portuguesa, onde se formaram os "riscadores" das viagens ultramarinas do final do século XVIII. Há 10 anos, Pedro Salgado esteve na Amazónia. E há 10 anos que queria lá voltar. Mostrou aos alunos do mestrado de Belas Artes os desenhos de campo feitos por lá. Eles incitaram-no a organizar nova expedição. Apesar do avanço tecnológico em áreas como o vídeo e a fotografia, nada substitui a ilustração científica, garante. "O que faz a fotografia com 34 pedaços de uma concha? No desenho podemos reconstruí-la, mostrar exactamente o que queremos e omitir o que não interessa."
Mais de metade dos 25 aventureiros são antigos alunos do professor. Alguns são biólogos, outros pintores e designers. Juntos fazem uma espécie de "selecção nacional" do desenho científico, assegura. O outro terço da equipa é multidisciplinar: fotógrafos profissionais, como Luís Quinta, dois médicos (um deles também ilustrador), um historiador e um professor universitário de desenho. Os últimos a entrar foram o designer Henrique Cayatte, convidado para ser comissário da exposição, e a mulher, a jornalista Maria Flor Pedroso, que apresentava o programa "As Escolhas de Marcelo", na RTP. "Ele achou o projecto fantástico e decidiu vir. Desenhava da perspectiva dele: sandálias, barcos, retratos", conta Salgado. "Ela entrevistou toda a gente. Pôde fazer o retrato distanciado do que estava a acontecer." Apesar de ser uma das tais pessoas "101% urbanas". "Só uma aranhinha já as punha nervosas. Estavam cheios de medo. Depois acharam fantástico."
Todos os dias o grupo saía do "Dorinha" ainda de noite e dividia-se por três canoas. Começava a exploração. Os guias de origem índia conduziam-nos pelos afluentes mais estreitos. "Habituados aos turistas que só querem beber caipirinhas, estavam felicíssimos a mostrar-nos aquilo que sabem. Pareciam meninos a trazerem-nos coisas para vermos", conta. Depois divertiam-se a assistir ao espectáculo: dezenas de adultos a sacarem dos blocos, das lupas, das máquinas fotográficas e a debaterem quem ficava com o quê para desenhar.
A temperatura atingia os 30 e muitos graus, a humidade rondava os 90 por cento. Um lenço de pano era essencial para limpar o suor das mãos. Uns faziam esboços em 10 ou 15 minutos, com traços largos e livres. Outros preferiam as ilustrações precisas, mais próximas do desenho científico. Aí levavam os exemplares para bordo. Salgado passou uma tarde a desenhar a grafite um misterioso peixe que o capitão lhe pescou. Sara Simões, de 29 anos, a benjamim do grupo, preferia as plantas. "São um modelo mais disponível", explica. Fez três cadernos, um dos quais com desenhos mais trabalhados como as aguarelas: o capim e as bromélias aqui ao lado. Concluiu o primeiro em duas horas e o segundo em três. Ainda teve tempo para um encontro imediato com uma preguiça, que lhe apertou - lentamente, claro - a mão com tanta força que foi preciso ajuda dos companheiros para a tirar.
Um ic19 tropical
Se na primeira semana andavam todos lambuzados de repelente - "não metíamos a mão na água porque havia piranhas, não enfiávamos os pés na terra porque havia jacarés..." - na última já mergulhavam na água até ao pescoço para empurrar canoas, já passavam jacarés de mão em mão e seguravam piranhas para as desenhar. O Indiana Jones do grupo era Marco Correia, um designer de 36 anos com vocação para a biologia. "Uma das dificuldades que tivemos desde o início foi convencê-lo a não agarrar tudo, porque havia coisas mortais", recorda Pedro Salgado. O destemido ilustrador confirma: "Para mim, tudo o que é diferente é alvo de investigação". Enfiava os braços dentro de troncos, metia-se em buracos, por pouco não agarrava uma perigosíssima cobra coral em tons de vermelho. "Vi-a dentro de água e perguntei aos guias se era venenosa. Eles disseram que sim. Insisti três vezes. Ainda bem que não a apanhei...", conta. Ainda assim conseguiu levar uma tarântula para bordo e tornar-se especialista em capturar jacarés.
"Hoje vamos apanhar jacarés", atirou certo dia o capitão Moacir. "Os jacarés apanham-se à noite." Por causa dos focos de luz, ficam com os olhos vermelhos, explica Pedro Salgado. "Havia sítios que pareciam o IC19 visto de trás: luzinhas vermelhas a perder de vista." Perfeito para recolher material. O truque é agarrá-los por trás pelo cachaço. Com força, claro. Depois apanha-se a cauda. "Eles não se mexem como um cão ou um gato", acrescenta. A maior parte tinha cerca de 50 cm. Marco apanhou um de 1,5m. "Tinha uma energia incrível. Ficava quieto e depois mandava cada descarga... É incrível como estando lá acabamos por perder o medo."
Nos próximos anos o Grupo do Risco quer continuar a seguir as rotas dos descobridores portugueses. O problema é o financiamento. Para a viagem à Amazónia bateram a "20 ou 30 portas", mas não conseguiram patrocínios. A Universidade Autónoma entrou com 5000 euros, cada aventureiro desembolsou 3000 euros. Para já, a prioridade é preparar a exposição e o livro sobre esta expedição. Depois, começam a trabalhar na próxima. Destino: Moçambique.
Fonte ionline.pt
Ao todo o grupo terá percorrido "o correspondente ao comprimento de Portugal", conta o especialista em ilustração científica - apenas um décimo do trajecto das viagens filosóficas dos exploradores do século XVIII que lhes serviram de inspiração. "Tiveram a sorte de estar lá mais de 10 anos", brinca. E essa não é a única diferença. Se há 300 anos se faziam expedições para desenhar animais e plantas nunca antes vistos na Europa, hoje desenham-se espécies que podem desaparecer a qualquer momento.
"Vimos coisas do outro mundo", diz, entusiasmado - incluindo três das "sete pragas da Amazónia", como lhes chamava Moacir: jacarés, enguias eléctricas e vários tipos de piranhas. "A diversidade que apanhámos num pequeno trajecto na Amazónia é superior àquela que encontramos na nossa costa toda", reforça. Um sonho para qualquer pessoa, mesmo, como acabou por acontecer, para aquelas que são "101 por cento urbanas". Mas já lá vamos. Para já, o objectivo do projecto: retratar a Amazónia através de 25 olhares e sensibilidades diferentes. Depois, mostrar o resultado ao grande público, numa exposição prevista para o Verão.
Riscadores
O projecto "Grupo do Risco" nasceu há três anos, com uma expedição às Berlengas. O nome é uma homenagem à Casa do Risco do Real Museo e Jardim Botanico da Ajuda, a primeira escola de desenho científico portuguesa, onde se formaram os "riscadores" das viagens ultramarinas do final do século XVIII. Há 10 anos, Pedro Salgado esteve na Amazónia. E há 10 anos que queria lá voltar. Mostrou aos alunos do mestrado de Belas Artes os desenhos de campo feitos por lá. Eles incitaram-no a organizar nova expedição. Apesar do avanço tecnológico em áreas como o vídeo e a fotografia, nada substitui a ilustração científica, garante. "O que faz a fotografia com 34 pedaços de uma concha? No desenho podemos reconstruí-la, mostrar exactamente o que queremos e omitir o que não interessa."
Mais de metade dos 25 aventureiros são antigos alunos do professor. Alguns são biólogos, outros pintores e designers. Juntos fazem uma espécie de "selecção nacional" do desenho científico, assegura. O outro terço da equipa é multidisciplinar: fotógrafos profissionais, como Luís Quinta, dois médicos (um deles também ilustrador), um historiador e um professor universitário de desenho. Os últimos a entrar foram o designer Henrique Cayatte, convidado para ser comissário da exposição, e a mulher, a jornalista Maria Flor Pedroso, que apresentava o programa "As Escolhas de Marcelo", na RTP. "Ele achou o projecto fantástico e decidiu vir. Desenhava da perspectiva dele: sandálias, barcos, retratos", conta Salgado. "Ela entrevistou toda a gente. Pôde fazer o retrato distanciado do que estava a acontecer." Apesar de ser uma das tais pessoas "101% urbanas". "Só uma aranhinha já as punha nervosas. Estavam cheios de medo. Depois acharam fantástico."
Todos os dias o grupo saía do "Dorinha" ainda de noite e dividia-se por três canoas. Começava a exploração. Os guias de origem índia conduziam-nos pelos afluentes mais estreitos. "Habituados aos turistas que só querem beber caipirinhas, estavam felicíssimos a mostrar-nos aquilo que sabem. Pareciam meninos a trazerem-nos coisas para vermos", conta. Depois divertiam-se a assistir ao espectáculo: dezenas de adultos a sacarem dos blocos, das lupas, das máquinas fotográficas e a debaterem quem ficava com o quê para desenhar.
A temperatura atingia os 30 e muitos graus, a humidade rondava os 90 por cento. Um lenço de pano era essencial para limpar o suor das mãos. Uns faziam esboços em 10 ou 15 minutos, com traços largos e livres. Outros preferiam as ilustrações precisas, mais próximas do desenho científico. Aí levavam os exemplares para bordo. Salgado passou uma tarde a desenhar a grafite um misterioso peixe que o capitão lhe pescou. Sara Simões, de 29 anos, a benjamim do grupo, preferia as plantas. "São um modelo mais disponível", explica. Fez três cadernos, um dos quais com desenhos mais trabalhados como as aguarelas: o capim e as bromélias aqui ao lado. Concluiu o primeiro em duas horas e o segundo em três. Ainda teve tempo para um encontro imediato com uma preguiça, que lhe apertou - lentamente, claro - a mão com tanta força que foi preciso ajuda dos companheiros para a tirar.
Um ic19 tropical
Se na primeira semana andavam todos lambuzados de repelente - "não metíamos a mão na água porque havia piranhas, não enfiávamos os pés na terra porque havia jacarés..." - na última já mergulhavam na água até ao pescoço para empurrar canoas, já passavam jacarés de mão em mão e seguravam piranhas para as desenhar. O Indiana Jones do grupo era Marco Correia, um designer de 36 anos com vocação para a biologia. "Uma das dificuldades que tivemos desde o início foi convencê-lo a não agarrar tudo, porque havia coisas mortais", recorda Pedro Salgado. O destemido ilustrador confirma: "Para mim, tudo o que é diferente é alvo de investigação". Enfiava os braços dentro de troncos, metia-se em buracos, por pouco não agarrava uma perigosíssima cobra coral em tons de vermelho. "Vi-a dentro de água e perguntei aos guias se era venenosa. Eles disseram que sim. Insisti três vezes. Ainda bem que não a apanhei...", conta. Ainda assim conseguiu levar uma tarântula para bordo e tornar-se especialista em capturar jacarés.
"Hoje vamos apanhar jacarés", atirou certo dia o capitão Moacir. "Os jacarés apanham-se à noite." Por causa dos focos de luz, ficam com os olhos vermelhos, explica Pedro Salgado. "Havia sítios que pareciam o IC19 visto de trás: luzinhas vermelhas a perder de vista." Perfeito para recolher material. O truque é agarrá-los por trás pelo cachaço. Com força, claro. Depois apanha-se a cauda. "Eles não se mexem como um cão ou um gato", acrescenta. A maior parte tinha cerca de 50 cm. Marco apanhou um de 1,5m. "Tinha uma energia incrível. Ficava quieto e depois mandava cada descarga... É incrível como estando lá acabamos por perder o medo."
Nos próximos anos o Grupo do Risco quer continuar a seguir as rotas dos descobridores portugueses. O problema é o financiamento. Para a viagem à Amazónia bateram a "20 ou 30 portas", mas não conseguiram patrocínios. A Universidade Autónoma entrou com 5000 euros, cada aventureiro desembolsou 3000 euros. Para já, a prioridade é preparar a exposição e o livro sobre esta expedição. Depois, começam a trabalhar na próxima. Destino: Moçambique.
Fonte ionline.pt
Los dueños de "El País" venden la mayoría a un grupo de EE.UU. para salvar a la compañía | iEco | Clarin.com
A ver quienes son los nuevos duenos de El País.....y lo que representan.
Los dueños de "El País" venden la mayoría a un grupo de EE.UU. para salvar a la compañía | iEco | Clarin.com
Los dueños de "El País" venden la mayoría a un grupo de EE.UU. para salvar a la compañía | iEco | Clarin.com
viernes, 5 de marzo de 2010
Uma gota
Se a escravidão tradicional africana funcionou como alicerce para a venda de escravos aos traficantes europeus e árabes, também é verdade que o tráfico negreiro ampliou o escravismo na África. A população cativa do Congo chegou a representar 50% do total. No reino vassalo do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século XVI, a classe dos escravos era a fonte do poder do rei e da aristocracia.
O reino Ashanti dominou a Costa do Ouro por três séculos e a venda de escravos para os traficantes representou a mais importante fonte de suas rendas, que eram trocadas por bens comercializados pelos europeus. Os lugares onde foram erguidos os empórios de escravos não eram posses dos traficantes, mas da chefia ashanti, que os cedia mediante um aluguel mensal. Os ingleses pagavam pelo uso do Castelo de Cape Coast. No golfo da Guiné, antes do reino Ashanti, cujo apogeu se deu no século xvm, o negócio do tráfico tinha como foco o estado de Oyo, na atual Nigéria, e depois transferiu-se para o Daomé, no atual Benin. Os chefes do Daomé mantinham estreitas relações com os traficantes luso-brasileiros do Rio de Janeiro e, quando o Brasil declarou sua independência, chegaram a explorar a hi-pótese de se juntar ao Império de D. Pedro I na condição de província ultramarina.
As guerras entre Estados africanos tornaram-se mais comuns nas áreas sob a influência dos empórios negreiros, pois a captura e escravização passaram a fi¬gurar como fontes essenciais de riqueza para as chefias. As guerras crônicas entre os ashantis e os acans forneceram, para as chefias de ambos os lados, muitos dos cativos que foram vendidos como escravos nos empórios da Costa do Ouro. Entre 1814 e 1816, os ashantis conduziram uma sangrenta guerra contra uma coalizão
dos akins e akwapis para recuperar acesso a portos marítimos e, desse modo, aoí traficantes europeus. Pouco antes do fim do tráfico transatlântico, em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que “o tráfico de escravos tem sido o princípio norte-ador de meu povo” e, ainda, que “ele tem sido a fonte da nossa glória e riqueza”.’1 Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.
O nexo africano do sistema internacional de comércio de escravos pesa como uma rocha em certos países da África. “Não discutimos a escravidão”, assegura Barima Kwame Nkye XII, um chefe supremo do povoado ganes de Assin Mauso, enquanto Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma “amnésia geral sobre a escravidão”.5 A “amnésia” concerne, especialmente, ao papel desempenhada pelos chefes ashantis, cujos descendentes continuam a ocupar lugares destacados na sociedade ganesa. Uma história oficial procura estabelecer uma distinção absoluta entre a escravidão tradicional, descrita como mais ou menos benevolente, e o tráfico internacional, que é atribuído exclusivamente aos europeus. Contudo, em algumas regiões africanas, descendentes de escravos não têm, até hoje, o direito de herança.
Uma Gosta de Sangue, de Demétrio Magnoli
O reino Ashanti dominou a Costa do Ouro por três séculos e a venda de escravos para os traficantes representou a mais importante fonte de suas rendas, que eram trocadas por bens comercializados pelos europeus. Os lugares onde foram erguidos os empórios de escravos não eram posses dos traficantes, mas da chefia ashanti, que os cedia mediante um aluguel mensal. Os ingleses pagavam pelo uso do Castelo de Cape Coast. No golfo da Guiné, antes do reino Ashanti, cujo apogeu se deu no século xvm, o negócio do tráfico tinha como foco o estado de Oyo, na atual Nigéria, e depois transferiu-se para o Daomé, no atual Benin. Os chefes do Daomé mantinham estreitas relações com os traficantes luso-brasileiros do Rio de Janeiro e, quando o Brasil declarou sua independência, chegaram a explorar a hi-pótese de se juntar ao Império de D. Pedro I na condição de província ultramarina.
As guerras entre Estados africanos tornaram-se mais comuns nas áreas sob a influência dos empórios negreiros, pois a captura e escravização passaram a fi¬gurar como fontes essenciais de riqueza para as chefias. As guerras crônicas entre os ashantis e os acans forneceram, para as chefias de ambos os lados, muitos dos cativos que foram vendidos como escravos nos empórios da Costa do Ouro. Entre 1814 e 1816, os ashantis conduziram uma sangrenta guerra contra uma coalizão
dos akins e akwapis para recuperar acesso a portos marítimos e, desse modo, aoí traficantes europeus. Pouco antes do fim do tráfico transatlântico, em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que “o tráfico de escravos tem sido o princípio norte-ador de meu povo” e, ainda, que “ele tem sido a fonte da nossa glória e riqueza”.’1 Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.
O nexo africano do sistema internacional de comércio de escravos pesa como uma rocha em certos países da África. “Não discutimos a escravidão”, assegura Barima Kwame Nkye XII, um chefe supremo do povoado ganes de Assin Mauso, enquanto Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma “amnésia geral sobre a escravidão”.5 A “amnésia” concerne, especialmente, ao papel desempenhada pelos chefes ashantis, cujos descendentes continuam a ocupar lugares destacados na sociedade ganesa. Uma história oficial procura estabelecer uma distinção absoluta entre a escravidão tradicional, descrita como mais ou menos benevolente, e o tráfico internacional, que é atribuído exclusivamente aos europeus. Contudo, em algumas regiões africanas, descendentes de escravos não têm, até hoje, o direito de herança.
Uma Gosta de Sangue, de Demétrio Magnoli
jueves, 4 de marzo de 2010
Meu caro amigo, me perdoe.....mas
Crónica Espectador Comprometido
A miséria do sindicalismo
por Pedro Adão e Silva
"A greve na função pública é apenas a preparação da am- pliação da luta." Foi assim que Carvalho da Silva antecipou a greve de ontem, em entrevista ao "Diário Económico". Não es- panta: na mesma entrevista classificou o acordo tripartido alcançado na Irlanda como resultante de uma "cultura diferente" e classificou o apelo à negociação como uma "treta" (sic). O sindicalismo português é apenas mais um elemento da miséria política do nosso país. Perante dificuldades extremas e constrangimentos que aparentam ser inultrapassáveis, o que se exigia de todas as partes eram convergências: entre partidos e governo, entre empresários e sindicatos. O que nos é oferecido é precisamente o contrário: uma total incapacidade de negociar, de abandonar a rigidez da posição de partida para alcançar um compromisso. Entretanto, o desemprego continua a sua imparável cavalgada e a dívida que temos de pagar lá fora fica todos os dias mais cara. Portugal tem níveis de conflitualidade laboral (medidos pelo número de greves) comparativamente baixos e estes têm descido de modo acen- tuado. A administração pública é a excepção. Hoje faz greve quem pode (quem tem uma relação laboral protegida) e os funcionários públicos podem. Contudo, é também sabido, o padrão de baixa conflitualidade laboral coexiste com níveis elevados de contestação política de base sindical. No fundo, as greves servem para "ampliar a luta". As consequências da estratégia serão incontornáveis: um acantonamento político e social do movimento sindical, sem ganhos visíveis para os trabalhadores. Precisamos, de facto, de "outras políticas", mas precisamos não menos de outros sindicatos.
Politólogo
Nota: Um amigo que leu o artigo acima, publicado no ionline me dizia assim:"Uns fazem greve e outros pedem baixa médica por meses continuados que nos faz perguntar aos céus coisas do arco da velha.....Se correr o bicho pega,e se ficar.....sei nao....a coisa tá preta e tem gente que é cega...ou pior.
A miséria do sindicalismo
por Pedro Adão e Silva
"A greve na função pública é apenas a preparação da am- pliação da luta." Foi assim que Carvalho da Silva antecipou a greve de ontem, em entrevista ao "Diário Económico". Não es- panta: na mesma entrevista classificou o acordo tripartido alcançado na Irlanda como resultante de uma "cultura diferente" e classificou o apelo à negociação como uma "treta" (sic). O sindicalismo português é apenas mais um elemento da miséria política do nosso país. Perante dificuldades extremas e constrangimentos que aparentam ser inultrapassáveis, o que se exigia de todas as partes eram convergências: entre partidos e governo, entre empresários e sindicatos. O que nos é oferecido é precisamente o contrário: uma total incapacidade de negociar, de abandonar a rigidez da posição de partida para alcançar um compromisso. Entretanto, o desemprego continua a sua imparável cavalgada e a dívida que temos de pagar lá fora fica todos os dias mais cara. Portugal tem níveis de conflitualidade laboral (medidos pelo número de greves) comparativamente baixos e estes têm descido de modo acen- tuado. A administração pública é a excepção. Hoje faz greve quem pode (quem tem uma relação laboral protegida) e os funcionários públicos podem. Contudo, é também sabido, o padrão de baixa conflitualidade laboral coexiste com níveis elevados de contestação política de base sindical. No fundo, as greves servem para "ampliar a luta". As consequências da estratégia serão incontornáveis: um acantonamento político e social do movimento sindical, sem ganhos visíveis para os trabalhadores. Precisamos, de facto, de "outras políticas", mas precisamos não menos de outros sindicatos.
Politólogo
Nota: Um amigo que leu o artigo acima, publicado no ionline me dizia assim:"Uns fazem greve e outros pedem baixa médica por meses continuados que nos faz perguntar aos céus coisas do arco da velha.....Se correr o bicho pega,e se ficar.....sei nao....a coisa tá preta e tem gente que é cega...ou pior.
"El traje torero tiene estética, erótica y religión"
El caballero es nuevo en esta plaza y quiere ver la ganadería". Justo Algaba piensa en toros hasta cuando pide la carta. En todo el mundo sólo hay cinco sastres taurinos, y él es el más veterano. Lleva 47 años en el oficio. Elige un restaurante cercano a su taller. Cuando entra, se encuentra con el propietario, que fue rejoneador, y se saludan con cariño. "Tiene una plaza de toros preciosa muy cerca de aquí", dice.
El sastre taurino firma el vestuario del Metropolitan de Nueva York
Al sentarse en la mesa comienza a hablar y es difícil pararle. Tanto, que pasa más de media hora hasta que el camarero puede obtener la comanda. Algaba insiste en que tomemos como entrante un carpaccio de bacalao. "Aquí lo hacen delicioso, de verdad".
Por sus manos han pasado varias generaciones de toreros. "Para mí el más grande ha sido El Cordobés. No era el mejor, pero revolucionó la fiesta", apunta. Cuando se le pregunta su favorito en el escalafón actual prefiere no mojarse. "Uno tiene que vender, ¿sabe?". Eso sí, tiene palabras de admiración cuando surge el nombre de José Tomás. "Es como si hubiera abierto un libro y le dijera a los demás: mirad cómo se lee. Su toreo ha conquistado espacios muy difíciles: más cerca el animal te coge y más lejos no embiste".
Fue carnicero, intentó ser piloto y acabó haciendo vestidos de luces. "No se dice traje, éstos se llevan sólo en las capeas", matiza. Se define como autodidacta, creador e innovador por encima de otras cosas. Aunque también le encaja el calificativo de empresario. Tiene dos tiendas en Madrid, otra en Sevilla y hasta hace poco tenía un local en México DF. "Suelo hacer en torno a 170 vestidos al año, cuyo precio medio es de 3.000 euros". Desde que se toma medidas al maestro hasta que se entrega el vestido transcurren 30 días en un proceso artesanal donde intervienen 50 personas. No tiene miedo a que la propuesta del Parlamento Catalán de prohibir los toros afecte a su negocio. "Si yo pensara que la fiesta iba a desaparecer no estaría ahora aquí comiendo, sino buscando alternativas". Para él la iniciativa no tiene nada que ver con la protección de los animales sino con "garrapiñar unos cuantos votos". "La fiesta taurina nunca va a desaparecer".
Las creaciones de Algaba trascienden los ruedos. En 1984 hizo los vestidos de luces para la película Carmen dirigida por Francesco Rosi. Salir en los títulos de crédito le abrió las puertas de óperas de medio mundo: Londres, Amsterdam, Verona... Acaba de llegar del Metropolitan de Nueva York donde se ha encargado del vestuario de una nueva representación de la ópera de Bizet. "Ha sido mi creación más ambiciosa. Me han dado total libertad". Su destreza con la aguja y el dedal también ha sido demandada por algunas firmas de alta costura de París como Lacroix. ¿Le gustó el vestido que hizo Armani para Cayetano? "Armani es un genio. Sin embargo, el terno que preparó ni era goyesco ni era un vestido de torero, se parecía más bien a una chaqueta militar".
Come despacio, no prueba el pan y descarta el postre. Tras el café la sobremesa se extiende. "El vestido de torero tiene muchos ángulos. Tiene aspectos estéticos por la riqueza de los materiales, también reminiscencias religiosas y un alto componente erótico. El matador, cuando se viste, queda marcado por todas partes. Y si me va a preguntar si se usan rellenos la respuesta es que no", sonríe.
Fuente ElPais
El sastre taurino firma el vestuario del Metropolitan de Nueva York
Al sentarse en la mesa comienza a hablar y es difícil pararle. Tanto, que pasa más de media hora hasta que el camarero puede obtener la comanda. Algaba insiste en que tomemos como entrante un carpaccio de bacalao. "Aquí lo hacen delicioso, de verdad".
Por sus manos han pasado varias generaciones de toreros. "Para mí el más grande ha sido El Cordobés. No era el mejor, pero revolucionó la fiesta", apunta. Cuando se le pregunta su favorito en el escalafón actual prefiere no mojarse. "Uno tiene que vender, ¿sabe?". Eso sí, tiene palabras de admiración cuando surge el nombre de José Tomás. "Es como si hubiera abierto un libro y le dijera a los demás: mirad cómo se lee. Su toreo ha conquistado espacios muy difíciles: más cerca el animal te coge y más lejos no embiste".
Fue carnicero, intentó ser piloto y acabó haciendo vestidos de luces. "No se dice traje, éstos se llevan sólo en las capeas", matiza. Se define como autodidacta, creador e innovador por encima de otras cosas. Aunque también le encaja el calificativo de empresario. Tiene dos tiendas en Madrid, otra en Sevilla y hasta hace poco tenía un local en México DF. "Suelo hacer en torno a 170 vestidos al año, cuyo precio medio es de 3.000 euros". Desde que se toma medidas al maestro hasta que se entrega el vestido transcurren 30 días en un proceso artesanal donde intervienen 50 personas. No tiene miedo a que la propuesta del Parlamento Catalán de prohibir los toros afecte a su negocio. "Si yo pensara que la fiesta iba a desaparecer no estaría ahora aquí comiendo, sino buscando alternativas". Para él la iniciativa no tiene nada que ver con la protección de los animales sino con "garrapiñar unos cuantos votos". "La fiesta taurina nunca va a desaparecer".
Las creaciones de Algaba trascienden los ruedos. En 1984 hizo los vestidos de luces para la película Carmen dirigida por Francesco Rosi. Salir en los títulos de crédito le abrió las puertas de óperas de medio mundo: Londres, Amsterdam, Verona... Acaba de llegar del Metropolitan de Nueva York donde se ha encargado del vestuario de una nueva representación de la ópera de Bizet. "Ha sido mi creación más ambiciosa. Me han dado total libertad". Su destreza con la aguja y el dedal también ha sido demandada por algunas firmas de alta costura de París como Lacroix. ¿Le gustó el vestido que hizo Armani para Cayetano? "Armani es un genio. Sin embargo, el terno que preparó ni era goyesco ni era un vestido de torero, se parecía más bien a una chaqueta militar".
Come despacio, no prueba el pan y descarta el postre. Tras el café la sobremesa se extiende. "El vestido de torero tiene muchos ángulos. Tiene aspectos estéticos por la riqueza de los materiales, también reminiscencias religiosas y un alto componente erótico. El matador, cuando se viste, queda marcado por todas partes. Y si me va a preguntar si se usan rellenos la respuesta es que no", sonríe.
Fuente ElPais
Eu fui as Touradas em Madrid , e quase nao volto mais aqui!
"La corrida ya no es la Fiesta Nacional de España, ahora es patrimonio mundial"
El alcalde comunista de Arles (Francia) y el filósofo Francis Wolff defienden la fiesta del toro en los debates que celebra el Parlament de Cataluña
CARLES GELI - Barcelona -
¿Las características biológicas del toro (su bravura, su comportamiento genético, con un hipotálamo un 20% superior al resto de los bovinos) le predispone o justifica en buena parte que haya nacido para ser toreado y, en consecuencia, para su muerte? Pues con preguntas de tanta enjundia, como si se tratara de labores de maestros de la espada, ha transcurrido la sesión matinal de la segunda jornada de debate en el Parlament sobre la abolición de las corridas de toros en Cataluña. Hasta para quien quisiera cogerse a la tan manida "identidad nacional" hubo argumentario: "La corrida ya no es la Fiesta Nacional de España, ahora forma parte del patrimonio cultural del sur de Europa e incluso es ya patrimonio mundial".
Toros en Cataluña: segundo aviso
Madrid protegerá las corridas de toros, que Cataluña debate prohibir
Esa última aseveración resonó con mayor fuerza en el Parlament por el hecho de que fuera pronunciada por Francis Wolff, filósofo y profesor de la Universidad de la Sorbona de París. Fue de las de mayor calado de la jornada, corriendo así una cortina sobre las aseveraciones un tanto subidas de tono del presidente de la Agrupación de Peñas y Comisiones de bueyes de las tierras del Ebro y del veterano ganadero Pedro Fumadó, que vinieron a tachar a los parlamentarios de "unos ignorantes del tema, no por mala fe sino porque moral e intelectualmente no pueden juzgar sobre un tema que desconocen".
Salvada la primera pasión, Wolff, autor del argumentado libro Filosofía de las corridas de toros (Ediciones Bellaterra) y dejada la premisa de que "el toreo vive en Francia una nueva edad de oro, con un público joven y entusiasta", entró de lleno en los derechos de los animales recalcando que el toro está aparte de todos ellos por su propia biología: "Se le preserva con su innata bravura, por lo que sólo puede servir para la finalidad para la que es criado". Por ello, según Wolff, "debe morir conforme a esa naturaleza. Tenemos derecho a matarlo porque sólo vive para eso". Más lamentable es, en su opinión, la muerte de un tipo de res así en un matadero ("en silencio y encerrado"). Wolff esgrimió la crueldad que sufren los peces cuando muerden el anzuelo, "y no es la finalidad del pescador la de verle sufrir".
La, en su opinión, "particular reacción del toro al dolor, que hace que combata al picador una y otra vez, porque un toro se excita con la lucha...", hizo que el filósofo comparara su actitud con la de "los soldados heridos en guerra", que "en pleno fragor de la batalla muchas veces no sienten, y luchan con más coraje". Y vinculó los remilgos sobre el sufrimiento de la res al hecho de que los animalistas "lo que no pueden soportar, lo que no quieren ver, es la sangre; si el toro no muriera en la plaza, como ocurre en los festejos portugueses, sería el triunfo de la hipocresía: como no se ve no existe". En su opinión, la abolición de las corridas no es un tema que debiera legislarse. "Si acaso algún día desaparecen debe ser porque ya no despierten pasión alguna; hasta ese momento, hay que dejar a cada cual con su pasión y hacer prevalecer el principio de libertad", finalizó Wolff.
Con también enjundia respondió el único abolicionista de la sesión matinal, el madrileño Pablo de Lora, catedrático de filosofía del derecho, que tiró de cultura, evocando un grabado de Goya donde se veía el desjarrete (arrrancada de patas de los toros). "Ha habido muchas maneras de torear a lo largo de los siglos y con el tiempo se ha ido llevando a un protocolo de hacerlo cada vez menos cruento; y el corolario es su abolición". De no ser así, De Lora habló de crueldad institucionalizada con unos mamíferos superiores" y citó a Jovellanos y a Joaquín Costa ("reflejo de signo depravado"). En su opinión, no sirve decir que hay otros casos de violencia que no se prohíben o legislan: "No veo por qué no se puede empezar por los toros; si se siguiera esa idea aún no se habría abolido el tráfico de esclavos porquer igual hay siempre cosas peores a prohibir". En esa línea recuerda que "muchos cambios sociales también han sido propiciados por el legislador, como el matrimonio homosexual" y sugirió para próximas iniciativas legislativas "la injustificable obtención del foie-gras, del todo injustificable".
Hervé Schiavetti, alcalde de la localidad francesa de Arles y presidente de la Unión de ciudades Taurinas de Francia, potenció la vertiente económica del fenómeno. "Ya no se trata sólo de un elemento cultural sino también económico; hoy criar toros y lo que ellos comportan es una forma imprescindible de la gestión del territorio". Recordó que sólo en Francia la ganadería extensiva, en la que se incluye la del toro, mantiene "más de 300.00 hectáreas de reservas húmedas".
En una línea parecida argumentó poco antes el ganadero catalán Fumadó, que advirtió que si la ley de prohibición de las corridas de toros progresa, los diputados catalanes serán responsables de la desaparición de esta especie animal.
En su turno, el presidente de la Agrupación de Peñas y Comisiones de Toros de Terres de l'Ebre (Tarragona), Miquel Ferré, ha comparado la posible prohibición con la censura franquista, y defendió la libertad individual de quien quiere asistir a las corridas. Ferré argumentó que si se prohíbe por una cuestión de identidad nacional, quizás la solución al debate estaría simplemente en cambiar de nombre a la "fiesta nacional".
Rajoy reacciona
Por su parte, el presidente del Partido Popular, Mariano Rajoy, ha respondido a algunos de los argumentos expuestos ayer por los antitaurinos en el Parlament y ha calificado de "inaceptable" que se intente comparar el sufrimiento de los animales en las corridas de toros con el maltrato a las mujeres o con tradiciones africanas como la ablación del clítoris. Rajoy se ha adelantado al debate, en una entrevista en Telecino. Minutos después se ha anunciado que dos de los comparecientes de hoy han pospuesto sus intervenciones. Se trata de los toreros Luis Francisco Esplá y Serafín Marín. Los dos toreros han justificado su ausencia por motivos de agenda. Ambos tienen previsto intervenir en el Parlament el 17 de este mes, el último día permitido.
El dirigente popular ha dicho que las mujeres "tienen razón para indignarse" por los comentarios realizados ayer en el Parlament por el filósofo antitaurino Jesús Mosterín, que en su comparecencia realizó un paralelismo entre el maltrato animal y la violencia de género. Mosterín dijo ayer que "nos escandalizamos de que en África se corte el clítoris a sus mujeres, y en otros países les escandaliza que se siga haciendo un espectáculo público de sufrimiento de los animales". Pero no paró allí y continuó con las comparaciones: "Es cierto que las corridas de toros son tradicionales. El maltrato a la mujer también es una tradición, y se está combatiendo". Rajoy ha atribuido el debate abierto en la sociedad catalana contra las corridas de toros a que es una "fiesta nacional" y en esa comunidad autónoma "hay mucha gente que todo lo que es una fiesta nacional le molesta". Asimismo ha aseverado que Cataluña debería centrarse en solucionar el problema que sufren "más de 600.000 ciudadanos que quieren trabajar y no pueden" por la crisis económica.
"Ir contra las corridas es una ataque a una minoría"
El presidente del Consejo General de los pirineos Orientales de Francia, Christian Bourquin, ha abierto la ronda de comparecencias, recordando que la Fiesta forma parte de una herencia cultural catalana, junto a los gigantes y los correfocs muy extendida también en esa zona del sur de Francia, culturalmente cercana a Cataluña. "Pedimos la continuidad de estas fiestas que forman parte de nuestra historia y de nuestra herencia que hay que perpetuar entre las nuevas generaciones porque conforman nuestra identidad", ha señalado Bourquin, quien ha mostrado su "envidia" de que Cataluña haya logrado que los correfocs sean considerados excepción cultural por parte de la UE, dentro de la normativa sobre el fuego, que Francia no solicitó. "Ir contra las corridas es un tipo de ataque a la libertad y el respeto al pluralismo, un ataque a una minoría", ha subrayado.
Fonte El Pais
Comento: Nao há Espanha sem touradas no imaginário de ninguem! E basta de silogismo e "politicamente corretos"!
¡Que venga el Toro!
¡Viva España!
El alcalde comunista de Arles (Francia) y el filósofo Francis Wolff defienden la fiesta del toro en los debates que celebra el Parlament de Cataluña
CARLES GELI - Barcelona -
¿Las características biológicas del toro (su bravura, su comportamiento genético, con un hipotálamo un 20% superior al resto de los bovinos) le predispone o justifica en buena parte que haya nacido para ser toreado y, en consecuencia, para su muerte? Pues con preguntas de tanta enjundia, como si se tratara de labores de maestros de la espada, ha transcurrido la sesión matinal de la segunda jornada de debate en el Parlament sobre la abolición de las corridas de toros en Cataluña. Hasta para quien quisiera cogerse a la tan manida "identidad nacional" hubo argumentario: "La corrida ya no es la Fiesta Nacional de España, ahora forma parte del patrimonio cultural del sur de Europa e incluso es ya patrimonio mundial".
Toros en Cataluña: segundo aviso
Madrid protegerá las corridas de toros, que Cataluña debate prohibir
Esa última aseveración resonó con mayor fuerza en el Parlament por el hecho de que fuera pronunciada por Francis Wolff, filósofo y profesor de la Universidad de la Sorbona de París. Fue de las de mayor calado de la jornada, corriendo así una cortina sobre las aseveraciones un tanto subidas de tono del presidente de la Agrupación de Peñas y Comisiones de bueyes de las tierras del Ebro y del veterano ganadero Pedro Fumadó, que vinieron a tachar a los parlamentarios de "unos ignorantes del tema, no por mala fe sino porque moral e intelectualmente no pueden juzgar sobre un tema que desconocen".
Salvada la primera pasión, Wolff, autor del argumentado libro Filosofía de las corridas de toros (Ediciones Bellaterra) y dejada la premisa de que "el toreo vive en Francia una nueva edad de oro, con un público joven y entusiasta", entró de lleno en los derechos de los animales recalcando que el toro está aparte de todos ellos por su propia biología: "Se le preserva con su innata bravura, por lo que sólo puede servir para la finalidad para la que es criado". Por ello, según Wolff, "debe morir conforme a esa naturaleza. Tenemos derecho a matarlo porque sólo vive para eso". Más lamentable es, en su opinión, la muerte de un tipo de res así en un matadero ("en silencio y encerrado"). Wolff esgrimió la crueldad que sufren los peces cuando muerden el anzuelo, "y no es la finalidad del pescador la de verle sufrir".
La, en su opinión, "particular reacción del toro al dolor, que hace que combata al picador una y otra vez, porque un toro se excita con la lucha...", hizo que el filósofo comparara su actitud con la de "los soldados heridos en guerra", que "en pleno fragor de la batalla muchas veces no sienten, y luchan con más coraje". Y vinculó los remilgos sobre el sufrimiento de la res al hecho de que los animalistas "lo que no pueden soportar, lo que no quieren ver, es la sangre; si el toro no muriera en la plaza, como ocurre en los festejos portugueses, sería el triunfo de la hipocresía: como no se ve no existe". En su opinión, la abolición de las corridas no es un tema que debiera legislarse. "Si acaso algún día desaparecen debe ser porque ya no despierten pasión alguna; hasta ese momento, hay que dejar a cada cual con su pasión y hacer prevalecer el principio de libertad", finalizó Wolff.
Con también enjundia respondió el único abolicionista de la sesión matinal, el madrileño Pablo de Lora, catedrático de filosofía del derecho, que tiró de cultura, evocando un grabado de Goya donde se veía el desjarrete (arrrancada de patas de los toros). "Ha habido muchas maneras de torear a lo largo de los siglos y con el tiempo se ha ido llevando a un protocolo de hacerlo cada vez menos cruento; y el corolario es su abolición". De no ser así, De Lora habló de crueldad institucionalizada con unos mamíferos superiores" y citó a Jovellanos y a Joaquín Costa ("reflejo de signo depravado"). En su opinión, no sirve decir que hay otros casos de violencia que no se prohíben o legislan: "No veo por qué no se puede empezar por los toros; si se siguiera esa idea aún no se habría abolido el tráfico de esclavos porquer igual hay siempre cosas peores a prohibir". En esa línea recuerda que "muchos cambios sociales también han sido propiciados por el legislador, como el matrimonio homosexual" y sugirió para próximas iniciativas legislativas "la injustificable obtención del foie-gras, del todo injustificable".
Hervé Schiavetti, alcalde de la localidad francesa de Arles y presidente de la Unión de ciudades Taurinas de Francia, potenció la vertiente económica del fenómeno. "Ya no se trata sólo de un elemento cultural sino también económico; hoy criar toros y lo que ellos comportan es una forma imprescindible de la gestión del territorio". Recordó que sólo en Francia la ganadería extensiva, en la que se incluye la del toro, mantiene "más de 300.00 hectáreas de reservas húmedas".
En una línea parecida argumentó poco antes el ganadero catalán Fumadó, que advirtió que si la ley de prohibición de las corridas de toros progresa, los diputados catalanes serán responsables de la desaparición de esta especie animal.
En su turno, el presidente de la Agrupación de Peñas y Comisiones de Toros de Terres de l'Ebre (Tarragona), Miquel Ferré, ha comparado la posible prohibición con la censura franquista, y defendió la libertad individual de quien quiere asistir a las corridas. Ferré argumentó que si se prohíbe por una cuestión de identidad nacional, quizás la solución al debate estaría simplemente en cambiar de nombre a la "fiesta nacional".
Rajoy reacciona
Por su parte, el presidente del Partido Popular, Mariano Rajoy, ha respondido a algunos de los argumentos expuestos ayer por los antitaurinos en el Parlament y ha calificado de "inaceptable" que se intente comparar el sufrimiento de los animales en las corridas de toros con el maltrato a las mujeres o con tradiciones africanas como la ablación del clítoris. Rajoy se ha adelantado al debate, en una entrevista en Telecino. Minutos después se ha anunciado que dos de los comparecientes de hoy han pospuesto sus intervenciones. Se trata de los toreros Luis Francisco Esplá y Serafín Marín. Los dos toreros han justificado su ausencia por motivos de agenda. Ambos tienen previsto intervenir en el Parlament el 17 de este mes, el último día permitido.
El dirigente popular ha dicho que las mujeres "tienen razón para indignarse" por los comentarios realizados ayer en el Parlament por el filósofo antitaurino Jesús Mosterín, que en su comparecencia realizó un paralelismo entre el maltrato animal y la violencia de género. Mosterín dijo ayer que "nos escandalizamos de que en África se corte el clítoris a sus mujeres, y en otros países les escandaliza que se siga haciendo un espectáculo público de sufrimiento de los animales". Pero no paró allí y continuó con las comparaciones: "Es cierto que las corridas de toros son tradicionales. El maltrato a la mujer también es una tradición, y se está combatiendo". Rajoy ha atribuido el debate abierto en la sociedad catalana contra las corridas de toros a que es una "fiesta nacional" y en esa comunidad autónoma "hay mucha gente que todo lo que es una fiesta nacional le molesta". Asimismo ha aseverado que Cataluña debería centrarse en solucionar el problema que sufren "más de 600.000 ciudadanos que quieren trabajar y no pueden" por la crisis económica.
"Ir contra las corridas es una ataque a una minoría"
El presidente del Consejo General de los pirineos Orientales de Francia, Christian Bourquin, ha abierto la ronda de comparecencias, recordando que la Fiesta forma parte de una herencia cultural catalana, junto a los gigantes y los correfocs muy extendida también en esa zona del sur de Francia, culturalmente cercana a Cataluña. "Pedimos la continuidad de estas fiestas que forman parte de nuestra historia y de nuestra herencia que hay que perpetuar entre las nuevas generaciones porque conforman nuestra identidad", ha señalado Bourquin, quien ha mostrado su "envidia" de que Cataluña haya logrado que los correfocs sean considerados excepción cultural por parte de la UE, dentro de la normativa sobre el fuego, que Francia no solicitó. "Ir contra las corridas es un tipo de ataque a la libertad y el respeto al pluralismo, un ataque a una minoría", ha subrayado.
Fonte El Pais
Comento: Nao há Espanha sem touradas no imaginário de ninguem! E basta de silogismo e "politicamente corretos"!
¡Que venga el Toro!
¡Viva España!
O Rei dos Reis e o exemplo da CRUZ

Os católicos estão a colocar estandartes com a cruz da Páscoa nas varandas para marcar o tempo da Quaresma. Uma manifestação pública de fé que acontece na sequência do êxito dos estandartes de Natal, uma iniciativa que "pendurou" mais de trinta mil meninos Jesus nas janelas portuguesas.
A ideia de criar uma imagem semelhante para a Páscoa, o tempo litúrgico mais importante para os cristãos, surgiu na diocese de Braga. E numa semana e meia foram vendidos mais de seis mil estandartes para todo o País, afirmou ao DN Miguel Gonçalves, da organização. A procura tem sido tão grande que a empresa que produz os estandartes, no Norte do País, já teve de recrutar mais funcionários para dar resposta às encomendas.
"O objectivo é lembrar a Quaresma e suscitar inquietações nas pessoas, levá-las a reflectir sobre a a sua conversão", explica o responsável pela divulgação da iniciativa. As encomendas fazem-se online (www.estandartesdepascoa.com) ou nalgumas paróquias e a receita reverte para a acção social dessas localidades.
O estandarte tem uma face roxa e outra amarela, que exprimem dois períodos distintos: a Quaresma, tempo de introspecção, e a Páscoa, de alegria pela ressurreição de Cristo. "No dia de Páscoa teremos milhares de pessoas a fazer o mesmo gesto, virando o estandarte para assinalar a alegria."
Ao mesmo tempo que o Estado laico "tenta despir o espaço público de símbolos religiosos", prossegue Miguel Gonçalves, referindo--se, por exemplo, aos crucifixos, sente-se "uma vontade grande das pessoas de partilharem a fé".
O sociólogo Joaquim Costa, da Universidade do Minho, lembra que a remissão dos assuntos religiosos para a esfera privada é recente e corresponde aos princípios modernos da sociedade laica. "Agora, as religiões recusam o papel marginal, estritamente privado, que a modernidade secularizada lhes tinha reservado; assumem-se como parte da sociedade e do debate público. Isso implica mostrarem-se e fazerem ouvir a sua voz", disse ao DN. Esta nova atitude, adianta, não exige necessariamente a destruição dos princípios do Estado laico. "Seria um sinal da liberdade que o laicismo deve garantir."
Roberto Carlos: um Rei sempre fiel a si mesmo!

Roberto Carlos empacotou pessoalmente centenas de corações de pelúcia e enviou as caixas para a Oca do Ibirapuera. Abriu seus armários e encaixotou os discos de ouro, fotos, presentes de fãs. Escolheu peças de roupa íntimas, organizou versões de músicas em todos os países em que foram lançadas, apontou os amigos que dariam depoimentos. Abriu o baú da "despensa real" e só proibiu mesmo certas coisas às quais tem notória aversão, como a cor marrom e conformações "estranhas" de objetos (como as formas amebóides, por exemplo).
O cantor foi um tipo de co-curador da mostra que será aberta amanhã, às 19 horas, festejando 50 anos de hegemonia na MPB - supervisionou pessoalmente cada etapa da montagem, e tem até um camarim lá dentro, montado especialmente para a visita-surpresa que fará ao local.
"O que eu não queria era fazer uma exposição apenas para fãs, que fosse algo equivalente ao caderninho dos fanáticos. Porque, se fosse para fazer isso, era só pendurar as cuecas dele ali que encheria a Oca", disse o curador da exposição, Marcelo Dantas. "Eu quis que fosse uma exposição que pudesse demonstrar o impacto de sua obra em todo mundo, do garoto de 16 anos ao executivo da Avenida Paulista, até a dona de casa. Porque Roberto é o grande denominador comum do Brasil, é o artista que desconhece barreiras de classe. O pobre e o rico, o intelectual e o analfabeto: de uma certa maneira, todos passam por Roberto Carlos."
Totalmente interativa, hi-tech, a mostra, contudo, não vai trazer grandes revelações do ponto de vista historiográfico sobre a carreira de Roberto e da Jovem Guarda. Não foram encontrados registros, por exemplo, da primeira temporada dele como cantor, aos 19 anos, numa boate do bairro de Copacabana. "Quem é que, aos 19 anos, teria como antever o futuro e enxergar aquilo que se tornaria?", pergunta Marcelo Dantas.
Por outro lado, haverá diversão de monte. Roberto não queria (detesta excluir), mas se viu obrigado a escolher 10 pessoas com as quais teve uma parceria artística irreparável durante sua vida. Escolheu Tim Maia, Tom Jobim, Gal Costa, Pavarotti, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Wanderléa, Ivete Sangalo, Chitãozinho e Xororó e Hebe Camargo. Esta última, aliás, protagoniza um dos momentos divertidos - em depoimento, ela diz: "O que eu queria do Roberto era sexo. Sempre quis. E ainda quero."
Roberto Carlos e Ivete Sangalo são os maiores nomes da música brasileira no Exterior, no momento (Roberto desde sempre). Não é por acaso que são os brasileiros que vão fazer shows este ano nas duas maiores casas de espetáculos de Nova York, Roberto no Radio City Music, no dia 16 de abril, e Ivete no Madison Square Garden, no dia 4 de setembro.
Marcelo Dantas começou a desenvolver a mostra sobre o cantor há 8 anos, mas a coisa só pegou no ano passado, quando foi dada a largada durante uma coletiva do artista em São Paulo. Para o videoartista, boa parte das pessoas que admiram a obra do "Rei" têm dele uma imagem apaixonada e romântica, mas também rebelde, irreverente. Roberto inventou gírias e foi iconoclasta. Refazer esse mosaico é seu desafio.
"O assombroso sobre Roberto é que ele nunca esteve por baixo, sempre esteve no topo. Numa carreira de 50 anos, isso é fantástico. Mudou de gênero, flertou com muitas coisas diferentes, mas sempre fiel a suas convicções", admira-se o curador. Essa versatilidade vai ter um novo lance no próximo dia 17, no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo: a faceta sertaneja do cantor vai dar as caras, com uma reunião de seus súditos de chapéu e bota: Chitãozinho & Xororó, Sergio Reis, Zezé di Camargo & Luciano, Roberta Miranda, Rio Negro & Solimões, Gian & Giovani, Victor & Léo, Bruno & Marrone, Milionário & Zé Rico, Daniel, Leonardo, Cesar Menotti & Fabiano, Nalva Aguiar, Martinha, Dominguinhos e Almir Sater
Fonte Estadao
miércoles, 3 de marzo de 2010
Rebeldes desviam ajuda humanitária para compra de armas.
Milhões de dólares destinados a ajudar a Etiópia durante a fome de 1984-85 foram desviados por rebeldes. De acordo com uma investigação da BBC,o dinheiro foi usado na compra de armas.
Em 1985, Bob Geldof conseguiu unir o Ocidente por uma causa comum – alimentar o povo etíope. A fome generalizada que causou um milhão de mortos na Etiópia foi o motivo pelo qual o cantor irlandês mobilizou meio mundo, angariando milhões de dólares através do Live Aid, um concerto de solidariedade que reuniu inúmeros artistas famosos.
Mas, de acordo com uma investigação da BBC publicada hoje, parte dos fundos foram desviados para a compra de armas por movimentos rebeldes que afirmam agora ter conseguido canalizar para as suas organizações, pelo menos, 95 milhões de dólares.
“Davam-me roupas para que me parecesse com um mercador muçulmano. Era um truque para enganar as Organizações Não Governamentais”. As declarações feitas à BBC são de Gebremedhin Araya, que na altura era um membro sénior da Frente de Libertação do Povo Tigre (FLPT), comumente designado de Woyane, partido que agora integra o governo, mas na altura era um grupo rebelde.
Araya revela que os rebeldes se disfarçavam de mercadores e vendiam sementes às fundações de solidariedade. Por baixo das sacas com sementes, estavam apenas sacas cheias de areia, revelou Araya.
Max Peberdy, colaborador da Christian Aid, que levou meio milhão de dólares para a Etiópia para comprar alimentos, acredita que nada disto é verdade. Já passaram 25 anos e em 25 anos é a primeira vez que alguém afirma uma coisa destas?, disse Peberdy à BBC, acreditando não ter sido enganado pelos rebeldes.
O ex-rebelde Araya, revelou ainda que entregava o dinheiro recebido a um dos líderes da FLPT, Meles Zenawi, que em 1995 se tornou primeiro-ministro, cargo que ainda hoje ocupa. Zenawi recusou fazer quaisquer comentários ao assunto.
Em 1985, um relatório da CIA já dava conta de alegados desvios de dinheiro destinado a ajuda humanitária na Etiópia.
Fonte DN Pt
Em 1985, Bob Geldof conseguiu unir o Ocidente por uma causa comum – alimentar o povo etíope. A fome generalizada que causou um milhão de mortos na Etiópia foi o motivo pelo qual o cantor irlandês mobilizou meio mundo, angariando milhões de dólares através do Live Aid, um concerto de solidariedade que reuniu inúmeros artistas famosos.
Mas, de acordo com uma investigação da BBC publicada hoje, parte dos fundos foram desviados para a compra de armas por movimentos rebeldes que afirmam agora ter conseguido canalizar para as suas organizações, pelo menos, 95 milhões de dólares.
“Davam-me roupas para que me parecesse com um mercador muçulmano. Era um truque para enganar as Organizações Não Governamentais”. As declarações feitas à BBC são de Gebremedhin Araya, que na altura era um membro sénior da Frente de Libertação do Povo Tigre (FLPT), comumente designado de Woyane, partido que agora integra o governo, mas na altura era um grupo rebelde.
Araya revela que os rebeldes se disfarçavam de mercadores e vendiam sementes às fundações de solidariedade. Por baixo das sacas com sementes, estavam apenas sacas cheias de areia, revelou Araya.
Max Peberdy, colaborador da Christian Aid, que levou meio milhão de dólares para a Etiópia para comprar alimentos, acredita que nada disto é verdade. Já passaram 25 anos e em 25 anos é a primeira vez que alguém afirma uma coisa destas?, disse Peberdy à BBC, acreditando não ter sido enganado pelos rebeldes.
O ex-rebelde Araya, revelou ainda que entregava o dinheiro recebido a um dos líderes da FLPT, Meles Zenawi, que em 1995 se tornou primeiro-ministro, cargo que ainda hoje ocupa. Zenawi recusou fazer quaisquer comentários ao assunto.
Em 1985, um relatório da CIA já dava conta de alegados desvios de dinheiro destinado a ajuda humanitária na Etiópia.
Fonte DN Pt
Impaciente
Sem PC pois o disco duro do meu se danificou, sou asasaltada pela impaciencia-abstinencia....deixo um link do blog de Babelia por si acaso ...
domingo, 28 de febrero de 2010
Doutor Pasavento
Vila-Matas, espelho da nova literatura
Romancista empurra ficção para a fronteira do real ao se inspirar na vida de autores célebres e reinventar as suas histórias
Antonio Gonçalves Filho
Escrito há cinco anos e ganhador dos prêmios da Real Academia Espanhola (2006) e Mondello - Città di Palermo (2009), Doutor Pasavento (Cosac Naify, tradução de José Geraldo Couto, 412 págs., R$ 55) é o livro em que Vila-Matas mais se dedica a discutir seu tema favorito: a solução amalgamada que escritores arranjam para desaparecer em sua obra. Do suíço Robert Walser ao norte-americano Thomas Pynchon, o autor espanhol, transformado no doutor Pasavento - que, por sua vez, vira um psiquiatra -, analisa a literatura de vários escritores nesse relato ficcional sobre a solidão e a insanidade da escrita.
Um acadêmico brasileiro, Kelvin dos Santos Falcão Klein, escreveu uma dissertação de mestrado em que analisa as relações intertextuais entre sua obra ficcional e a de Jorge Luis Borges, tendo como foco a questão do parasitismo literário e das poéticas enciclopédicas. Que importância tem Borges nas estratégias metaficcionais de seus livros? E outros importantes artistas e pensadores, como Marcel Duchamp, Walter Benjamin, Roland Barthes e Maurice Blanchot, especialmente o último?
Acredito que tenha dado visibilidade a uma literatura que já estava nas livrarias, mas a que poucos prestavam atenção, como as obras de Georges Perec, Witold Gombrowicz, Pierre Michon e Robert Walser. Borges fez o mesmo nos anos 1940 com livros e autores aos quais ninguém prestava atenção, como H. G. Wells, Chesterton e tantos outros, livros que ele resenhava e ajudava a tornar populares. Borges soube, além disso, ser um homem culto, no sentido que Julio Ramón Ribeyro (escritor peruano, nascido em 1929 e morto em 1994), uma de minhas fontes de inspiração, deu a esta expressão na literatura: dominar o diferente e tornar inteligível o caos que sufoca a mente criativa. Criei, assim, um cânone sem me dar conta: um cânone muito diferente do oficial. Usei o parasitismo e a intertextualidade, mas de maneira sintática - mais da metade de minhas referências ou citações são inventadas - para a construção de meus livros. Explico isso melhor em Intertextualidade, na seção Textos, em meu site.
Quando Milan Kundera recebeu o prêmio Jerusalém, em 1985, citando Gustave Flaubert, ele disse que o objetivo de todos os escritores é desaparecer em sua obra, renunciar ao papel de homem público. Seu livro Doutor Pasavento trata exatamente desse tema. Um escritor coloca em risco a sua obra quando assume uma persona pública, quando não crê mais na eficácia de suas inovações?
Os escritores que têm uma imagem pública correm o perigo de desaparecer pouco a pouco nessa persona. O doutor Pasavento tem nostalgia da inocência, de quando escrevia sem ter ninguém para o ler nem entrevistar. Ele gostaria de não ser visto, de diluir-se nos próprios textos. Mas é difícil voltar atrás.
A estrutura fragmentária de Doutor Pasavento é um pouco como um quadro cubista de Picasso. Quando você fala dos escritores que moraram na Rua Vaneau, em Paris - Julien Green, André Gide -, e traça uma relação entre eles equivale um pouco a dizer que a situação geográfica pode ser uma relação em que o criador forja a realidade com elementos de ficção, uma espécie de ilusionismo pictórico. Você acredita que a sua seja uma literatura picassiana com a função de fazer-se passar pela realidade?
Todo escritor acredita ser um realista. Eu também. Minha realidade é estranha, mas se aproxima muitíssimo da verdade. Todos nos imaginamos realistas. Ninguém se chama a si mesmo picassiano, abstrato, ilusório, quimérico. Na realidade, se todos os escritores estão congregados sob a mesma bandeira, não é porque estejam de acordo sobre o que é o realismo: é porque querem usar uma ideia diferente de realismo para separar-se dos demais.
Você fala em Doutor Pasavento de Laurence Sterne como inventor do romance-ensaio, citando Vida e Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy como um de seus livros favoritos. A autorreferência, a paródia e o subjetivismo, de modo geral, se aliam para contaminar o romance. Por que você se refere ao passado literário como "shandy"?
Continuamente faço propostas que possam renovar e melhorar o romance, para que esta não volte a ser uma oficina carregada de repetições e tópicos, porque o mal da repetição, da convenção, não é que seja pouco confiável per se, mas que acaba por converter-se, mediante a repetição, em algo cada vez mais e mais convencional. O passado era "shandy"? Sim, era mais divertido e cervantino.
Vila-Matas é uma espécie de avatar de Robert Walser. Todas as vezes que alguém lhe pergunta por que é um escritor, você responde de mil maneiras diferentes, mas, em Doutor Pasavento, a resposta parece ser que você se encontra sinceramente fascinado pela ideia de escapar da escritura para contrariar os sistemas de legitimação cultural e adotar uma identidade vicária, abstendo-se de ser Vila-Matas. Você, que queria matar todos os leitores em A Assassina Ilustrada, quer matar o escritor Vila-Matas?
Respondo de distintas maneiras à pergunta se quero ser escritor porque sempre me forcei à contradição, para evitar conformar-me com meu próprio gosto. Isto que digo parece uma frase de Walt Whitman: "Contradigo-me? Pois bem, me contradigo." Nessa frase do poeta norte-americano encontrei uma outra maneira de tomar posições diante da vida e uma forma de ter, no mínimo, duas versões de um mesmo tema: o mesmo. Por isso, às vezes, brinco como o gato de Schrödinger, que encarna a paródia quântica de estar vivo e morto ao mesmo tempo. Em outras palavras, brinco de ser Hamlet e não o ser. A de ser Vila-Matas e não ser.
O cinema é uma referência forte em Doutor Pasavento. Você cita Rossellini, Scorsese, Tarkovski. Acredita que a literatura contemporânea esteja contaminada pelo cinema? De que maneira essa confluência pode criar novos conceitos e maneiras de ver o mundo?
Se me dedicasse ao cinema, seria mais revolucionário que em meus livros. Prescindiria de qualquer referência literária. Chegaria com mais frescor ao cinema e creio que traria mais novidades a uma arte que está acabada, como estava acabada a literatura quando o cinema foi inventado.
O espiritualista sueco Emanuel Swedenborg é um dos personagens de Doutor Pasavento. A influência da Swedenborg na obra literária de Jorge Luis Borges transcende o simples diálogo de ideias no campo da espiritualidade ou da filosofia. Parece mesmo que Borges teve experiências que não vacilou em classificar de místicas. Você também teve experiências sobrenaturais?
Não tive experiências místicas, mas minha espiritualidade cresceu nos últimos anos. A esse respeito, o leitor pode consultar meu livro Exploradores del Abismo (sobre a atração que solitários seres têm pelo precipício como forma de salvação).
Salinger, morto recentemente, é lembrado não só por sua literatura, que provocou impacto em sucessivas gerações, mas também por ter se transformado num mito, graças à fobia de exposição pública. Como você analisa o "desaparecimento" de Salinger nos anos 1960?
Ele se tornou demasiadamente popular. Agora vão encontrar manuscritos de Salinger até debaixo de sua cama. Prefiro pensar em Herberto Hélder, o Salinger da língua portuguesa. Que grande escritor e poeta é Hélder. Onde se esconde? Sabe se ele continua vivendo escondido na Ilha da Madeira?
A minificção é um gênero experimental que propõe uma maneira lúdica de tratar a história literária. O futuro da literatura passa por ela?
Em absoluto. Não, estou seguro que não.
Foente Estado de Sao Paulo
Romancista empurra ficção para a fronteira do real ao se inspirar na vida de autores célebres e reinventar as suas histórias
Antonio Gonçalves Filho
Escrito há cinco anos e ganhador dos prêmios da Real Academia Espanhola (2006) e Mondello - Città di Palermo (2009), Doutor Pasavento (Cosac Naify, tradução de José Geraldo Couto, 412 págs., R$ 55) é o livro em que Vila-Matas mais se dedica a discutir seu tema favorito: a solução amalgamada que escritores arranjam para desaparecer em sua obra. Do suíço Robert Walser ao norte-americano Thomas Pynchon, o autor espanhol, transformado no doutor Pasavento - que, por sua vez, vira um psiquiatra -, analisa a literatura de vários escritores nesse relato ficcional sobre a solidão e a insanidade da escrita.
Um acadêmico brasileiro, Kelvin dos Santos Falcão Klein, escreveu uma dissertação de mestrado em que analisa as relações intertextuais entre sua obra ficcional e a de Jorge Luis Borges, tendo como foco a questão do parasitismo literário e das poéticas enciclopédicas. Que importância tem Borges nas estratégias metaficcionais de seus livros? E outros importantes artistas e pensadores, como Marcel Duchamp, Walter Benjamin, Roland Barthes e Maurice Blanchot, especialmente o último?
Acredito que tenha dado visibilidade a uma literatura que já estava nas livrarias, mas a que poucos prestavam atenção, como as obras de Georges Perec, Witold Gombrowicz, Pierre Michon e Robert Walser. Borges fez o mesmo nos anos 1940 com livros e autores aos quais ninguém prestava atenção, como H. G. Wells, Chesterton e tantos outros, livros que ele resenhava e ajudava a tornar populares. Borges soube, além disso, ser um homem culto, no sentido que Julio Ramón Ribeyro (escritor peruano, nascido em 1929 e morto em 1994), uma de minhas fontes de inspiração, deu a esta expressão na literatura: dominar o diferente e tornar inteligível o caos que sufoca a mente criativa. Criei, assim, um cânone sem me dar conta: um cânone muito diferente do oficial. Usei o parasitismo e a intertextualidade, mas de maneira sintática - mais da metade de minhas referências ou citações são inventadas - para a construção de meus livros. Explico isso melhor em Intertextualidade, na seção Textos, em meu site.
Quando Milan Kundera recebeu o prêmio Jerusalém, em 1985, citando Gustave Flaubert, ele disse que o objetivo de todos os escritores é desaparecer em sua obra, renunciar ao papel de homem público. Seu livro Doutor Pasavento trata exatamente desse tema. Um escritor coloca em risco a sua obra quando assume uma persona pública, quando não crê mais na eficácia de suas inovações?
Os escritores que têm uma imagem pública correm o perigo de desaparecer pouco a pouco nessa persona. O doutor Pasavento tem nostalgia da inocência, de quando escrevia sem ter ninguém para o ler nem entrevistar. Ele gostaria de não ser visto, de diluir-se nos próprios textos. Mas é difícil voltar atrás.
A estrutura fragmentária de Doutor Pasavento é um pouco como um quadro cubista de Picasso. Quando você fala dos escritores que moraram na Rua Vaneau, em Paris - Julien Green, André Gide -, e traça uma relação entre eles equivale um pouco a dizer que a situação geográfica pode ser uma relação em que o criador forja a realidade com elementos de ficção, uma espécie de ilusionismo pictórico. Você acredita que a sua seja uma literatura picassiana com a função de fazer-se passar pela realidade?
Todo escritor acredita ser um realista. Eu também. Minha realidade é estranha, mas se aproxima muitíssimo da verdade. Todos nos imaginamos realistas. Ninguém se chama a si mesmo picassiano, abstrato, ilusório, quimérico. Na realidade, se todos os escritores estão congregados sob a mesma bandeira, não é porque estejam de acordo sobre o que é o realismo: é porque querem usar uma ideia diferente de realismo para separar-se dos demais.
Você fala em Doutor Pasavento de Laurence Sterne como inventor do romance-ensaio, citando Vida e Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy como um de seus livros favoritos. A autorreferência, a paródia e o subjetivismo, de modo geral, se aliam para contaminar o romance. Por que você se refere ao passado literário como "shandy"?
Continuamente faço propostas que possam renovar e melhorar o romance, para que esta não volte a ser uma oficina carregada de repetições e tópicos, porque o mal da repetição, da convenção, não é que seja pouco confiável per se, mas que acaba por converter-se, mediante a repetição, em algo cada vez mais e mais convencional. O passado era "shandy"? Sim, era mais divertido e cervantino.
Vila-Matas é uma espécie de avatar de Robert Walser. Todas as vezes que alguém lhe pergunta por que é um escritor, você responde de mil maneiras diferentes, mas, em Doutor Pasavento, a resposta parece ser que você se encontra sinceramente fascinado pela ideia de escapar da escritura para contrariar os sistemas de legitimação cultural e adotar uma identidade vicária, abstendo-se de ser Vila-Matas. Você, que queria matar todos os leitores em A Assassina Ilustrada, quer matar o escritor Vila-Matas?
Respondo de distintas maneiras à pergunta se quero ser escritor porque sempre me forcei à contradição, para evitar conformar-me com meu próprio gosto. Isto que digo parece uma frase de Walt Whitman: "Contradigo-me? Pois bem, me contradigo." Nessa frase do poeta norte-americano encontrei uma outra maneira de tomar posições diante da vida e uma forma de ter, no mínimo, duas versões de um mesmo tema: o mesmo. Por isso, às vezes, brinco como o gato de Schrödinger, que encarna a paródia quântica de estar vivo e morto ao mesmo tempo. Em outras palavras, brinco de ser Hamlet e não o ser. A de ser Vila-Matas e não ser.
O cinema é uma referência forte em Doutor Pasavento. Você cita Rossellini, Scorsese, Tarkovski. Acredita que a literatura contemporânea esteja contaminada pelo cinema? De que maneira essa confluência pode criar novos conceitos e maneiras de ver o mundo?
Se me dedicasse ao cinema, seria mais revolucionário que em meus livros. Prescindiria de qualquer referência literária. Chegaria com mais frescor ao cinema e creio que traria mais novidades a uma arte que está acabada, como estava acabada a literatura quando o cinema foi inventado.
O espiritualista sueco Emanuel Swedenborg é um dos personagens de Doutor Pasavento. A influência da Swedenborg na obra literária de Jorge Luis Borges transcende o simples diálogo de ideias no campo da espiritualidade ou da filosofia. Parece mesmo que Borges teve experiências que não vacilou em classificar de místicas. Você também teve experiências sobrenaturais?
Não tive experiências místicas, mas minha espiritualidade cresceu nos últimos anos. A esse respeito, o leitor pode consultar meu livro Exploradores del Abismo (sobre a atração que solitários seres têm pelo precipício como forma de salvação).
Salinger, morto recentemente, é lembrado não só por sua literatura, que provocou impacto em sucessivas gerações, mas também por ter se transformado num mito, graças à fobia de exposição pública. Como você analisa o "desaparecimento" de Salinger nos anos 1960?
Ele se tornou demasiadamente popular. Agora vão encontrar manuscritos de Salinger até debaixo de sua cama. Prefiro pensar em Herberto Hélder, o Salinger da língua portuguesa. Que grande escritor e poeta é Hélder. Onde se esconde? Sabe se ele continua vivendo escondido na Ilha da Madeira?
A minificção é um gênero experimental que propõe uma maneira lúdica de tratar a história literária. O futuro da literatura passa por ela?
Em absoluto. Não, estou seguro que não.
Foente Estado de Sao Paulo
Mindlin, um mecenas que não fazia nada sem alegria
O ex-libris de José Mindlin, selo pessoal que o bibliófilo colocou em sua coleção de livros raros, não poderia identificar melhor quem foi o empresário, intelectual e acadêmico morto neste domingo, 28, em São Paulo, aos 95 anos, após prolongada doença: "Je ne fait rien sans gayeté" (Não faço nada sem alegria). De fato, quem teve o privilégio de conhecer e conviver com Mindlin, sabe que caiu bem na vida do maior colecionador de livros do Brasil a escolha dessa máxima de Montaigne, retirada de seus Ensaios (do qual sua biblioteca tem um raríssimo exemplar, de 1588, que pertenceu ao crítico Saint-Beuve). Talvez a única coisa que fez sem alegria foi deixar este mundo sem ver concluído o prédio da Brasiliana USP, projeto acadêmico da Universidade de São Paulo que reúne a maior coleção de livros e documentos sobre o Brasil, um moderno edifício de 20 mil metros quadrados na Cidade Universitária sob a responsabilidade da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, órgão da Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP.
Sonho maior do bibliófilo, a coleção Brasiliana, composta por 17 mil títulos (ou 40 mil volumes) de literatura e manuscritos históricos doados pelo colecionador, é o maior legado deixado por Mindlin além da herança ética que o Brasil recebe desse empresário, jornalista, ex-secretário de Cultura de São Paulo e membro das academias Brasileira e Paulista de Letras. Desde adolescente avesso ao autoritarismo, Mindlin começou sua carreira jornalística aos 15 anos como redator do Estado, driblando a censura durante a Revolução de 1930. Da sala de Julio de Mesquita, então diretor do jornal, ele transmitia instruções para a sucursal do Rio - em inglês, para confundir a escuta telefônica. Outro exemplo de sua conduta ética foi o pedido de demissão do cargo de secretário de Cultura do governo Paulo Egydio quando o jornalista Vladimir Herzog foi morto pela ditadura militar, em outubro de 1975.
Posteriormente, ao ser convidado pelo governo civil de Fernando Collor para ocupar o cargo de ministro da Fazenda, Mindlin, traumatizado com cargos públicos, declinou da oferta, ocupando-se de sua biblioteca de 40 mil títulos, que manteve por mais de sete décadas com a ajuda de sua mulher Guita e, após a morte desta, em 2006, por mais quatro anos até ficar doente. Instalada em sua casa no Brooklin, na qual morou por mais de 60 anos, a biblioteca era o grande orgulho de Mindlin. Nela repousam raridades como a primeira edição de Os Lusíadas, de 1572, um original do padre Antonio Vieira, os originais de Sagarana, de Guimarães Rosa, corrigidos à mão pelo autor, além do primeiro livro que Mindlin comprou num sebo quando tinha 13 anos, Discurso sobre a História Universal, escrito em 1740 pelo bispo francês Jacob Bossuet. Oito décadas depois, outros 40 mil livros juntaram-se ao exemplar raro de Bossuet, muitos deles já disponíveis para consulta pública na Brasiliana Digital, a biblioteca virtual desenvolvida com o acervo físico doado pelo empresário à USP em 2006.
Mindlin não colecionava livros raros por fetiche. Queria dividir o prazer da leitura com milhares de pessoas. Mesmo como empresário, que transformou a Metal Leve de uma pequena fábrica de pistões, nos anos 1950, numa empresa gigantesca do setor de autopeças, Mindlin buscou o ideal de uma gestão democrática em que os operários pudessem ter voz ativa nas discussões sobre seu destino. Com a globalização, a Metal Leve não sobreviveu ao assédio do capital estrangeiro e, em 1996, foi comprada por sua maior concorrente, a alemã Mahle. O empresário, então com 82 anos, mais da metade dedicados à Metal Leve, não se aposentou, participando dos conselhos de administração de grupos - O Estado de S. Paulo, entre eles - ou de instituições como a Sociedade de Cultura Artística, da qual seu pai foi um dos fundadores.
Filho de um dentista judeu de origem russa, apaixonado por música e pintura, Mindlin herdou a paixão pela cultura do pai, que costumava receber em casa escritores como Mário de Andrade. Esse contato próximo com grandes estudiosos dos problemas brasileiros o transformou em farejador de raridades ao topar, ainda adolescente, em Paris, com o clássico História do Brasil, a narrativa de frei Vicente de Salvador, de 1627, que o fez se interessar pelo passado do País. Desde então, obcecado pela ideia de construir a maior biblioteca dedicada a estudos brasileiros, aproveitava todo tempo livre em sua viagens internacionais para garimpar títulos que nem a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro sonhou em ter no acervo. Seu sacrifício pessoal rendeu ótimos títulos publicados com a ajuda de sua biblioteca, entre eles os volumes da História da Vida Privada no Brasil, cujo conteúdo foi pesquisado na casa do Brooklin, frequentada pelos maiores intelectuais do País.
Mecenas, Mindlin, um dos articuladores da Fundação Vitae, que concedia bolsas para a realização de projetos culturais, ele publicou livros de grandes amigos poetas, como Carlos Drummond de Andrade, e artistas visuais como a gravadora Renina Katz. Seu acervo de obras em papel tem peças raras de artistas como Goeldi, Lescoschek, Lívio Abramo e Iberê Camargo. Mindlin costumava dizer que essa escolha se devia mais à mulher Guita, com quem teve 70 anos de vida em comum. Seu negócio mesmo era a leitura, hábito que, infelizmente, foi obrigado a abandonar nos últimos anos por problemas de saúde. Antes que seus olhos enfraquecessem, ele leu, porém, mais de cinco vezes sua obra preferida, os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, da qual guardava uma raríssima primeira edição francesa. Depois de Proust, Balzac ocupou sua imaginação por mais tempo. Em sua inúmeras visitas ao órgão do Banco do Brasil responsável pelas importações, o empresário da Metal Leve, obrigado a longas horas de espera nos corredores, devorou quase toda A Comédia Humana.
Nascido em São Paulo, em 1914, Mindlin estudou Direito na USP e fez cursos de extensão universitária na Universidade de Columbia, em Nova York. Aos 32 anos, financiado por um empresário, conseguiu um sócio e fundou a livraria Parthenon, em São Paulo, especializada em livros raros. A guerra havia acabado há um ano e famílias europeias descapitalizadas se desfaziam de seu patrimônio artístico e literário. Foi assim que Mindlin trouxe para o Brasil muitas raridades que colocou à venda na Parthenon, sempre avisando o comprador que poderia procurá-lo no futuro, caso quisesse se desfazer do livro. O conflito entre vendedor e colecionador cresceu com o tempo. Mindlin não resistiu e foi atrás de todos as obras raras vendidas, recomprando-as para sua biblioteca particular quando virou empresário.
Foi quando vendeu a Metal Leve, dirigida por durante 46 anos, que o empresário começou a pensar no futuro de sua biblioteca. Inspirado no modelo da John Cater Brown Library, de Providence (Rhode Island), que também começou como coleção particular e hoje é uma das maiores do mundo em documentos raros sobre a América, Mindlin, que integrava o conselho da biblioteca, pensou em fazer um acordo com a USP para transferir seu acervo. Parte dessa história está contada no livro Memórias Esparsas de uma Biblioteca, um dos três volumes que Mindlin dedicou à maior coleção privada do Brasil - os outros dois são Uma Vida entre Livros e Destaques da Biblioteca de Guita e José Mindlin.
Sempre procurado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros atrás de suas raridades bibliográficas, Mindlin, um cidadão do mundo que dominava seis línguas, foi um dos primeiros empresários a atravessar a Cortina de Ferro durante a Guerra Fria, tentando aproximar o Brasil de países como a extinta União Soviética. Teve também um papel fundamental no processo de redemocratização do País ao assinar, durante a ditadura, um manifesto pela abertura política junto a outros oito empresários.
Antonio Gonçalves Filho, de O Estado de S. Paulo
Fonte Estadao online
Sonho maior do bibliófilo, a coleção Brasiliana, composta por 17 mil títulos (ou 40 mil volumes) de literatura e manuscritos históricos doados pelo colecionador, é o maior legado deixado por Mindlin além da herança ética que o Brasil recebe desse empresário, jornalista, ex-secretário de Cultura de São Paulo e membro das academias Brasileira e Paulista de Letras. Desde adolescente avesso ao autoritarismo, Mindlin começou sua carreira jornalística aos 15 anos como redator do Estado, driblando a censura durante a Revolução de 1930. Da sala de Julio de Mesquita, então diretor do jornal, ele transmitia instruções para a sucursal do Rio - em inglês, para confundir a escuta telefônica. Outro exemplo de sua conduta ética foi o pedido de demissão do cargo de secretário de Cultura do governo Paulo Egydio quando o jornalista Vladimir Herzog foi morto pela ditadura militar, em outubro de 1975.
Posteriormente, ao ser convidado pelo governo civil de Fernando Collor para ocupar o cargo de ministro da Fazenda, Mindlin, traumatizado com cargos públicos, declinou da oferta, ocupando-se de sua biblioteca de 40 mil títulos, que manteve por mais de sete décadas com a ajuda de sua mulher Guita e, após a morte desta, em 2006, por mais quatro anos até ficar doente. Instalada em sua casa no Brooklin, na qual morou por mais de 60 anos, a biblioteca era o grande orgulho de Mindlin. Nela repousam raridades como a primeira edição de Os Lusíadas, de 1572, um original do padre Antonio Vieira, os originais de Sagarana, de Guimarães Rosa, corrigidos à mão pelo autor, além do primeiro livro que Mindlin comprou num sebo quando tinha 13 anos, Discurso sobre a História Universal, escrito em 1740 pelo bispo francês Jacob Bossuet. Oito décadas depois, outros 40 mil livros juntaram-se ao exemplar raro de Bossuet, muitos deles já disponíveis para consulta pública na Brasiliana Digital, a biblioteca virtual desenvolvida com o acervo físico doado pelo empresário à USP em 2006.
Mindlin não colecionava livros raros por fetiche. Queria dividir o prazer da leitura com milhares de pessoas. Mesmo como empresário, que transformou a Metal Leve de uma pequena fábrica de pistões, nos anos 1950, numa empresa gigantesca do setor de autopeças, Mindlin buscou o ideal de uma gestão democrática em que os operários pudessem ter voz ativa nas discussões sobre seu destino. Com a globalização, a Metal Leve não sobreviveu ao assédio do capital estrangeiro e, em 1996, foi comprada por sua maior concorrente, a alemã Mahle. O empresário, então com 82 anos, mais da metade dedicados à Metal Leve, não se aposentou, participando dos conselhos de administração de grupos - O Estado de S. Paulo, entre eles - ou de instituições como a Sociedade de Cultura Artística, da qual seu pai foi um dos fundadores.
Filho de um dentista judeu de origem russa, apaixonado por música e pintura, Mindlin herdou a paixão pela cultura do pai, que costumava receber em casa escritores como Mário de Andrade. Esse contato próximo com grandes estudiosos dos problemas brasileiros o transformou em farejador de raridades ao topar, ainda adolescente, em Paris, com o clássico História do Brasil, a narrativa de frei Vicente de Salvador, de 1627, que o fez se interessar pelo passado do País. Desde então, obcecado pela ideia de construir a maior biblioteca dedicada a estudos brasileiros, aproveitava todo tempo livre em sua viagens internacionais para garimpar títulos que nem a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro sonhou em ter no acervo. Seu sacrifício pessoal rendeu ótimos títulos publicados com a ajuda de sua biblioteca, entre eles os volumes da História da Vida Privada no Brasil, cujo conteúdo foi pesquisado na casa do Brooklin, frequentada pelos maiores intelectuais do País.
Mecenas, Mindlin, um dos articuladores da Fundação Vitae, que concedia bolsas para a realização de projetos culturais, ele publicou livros de grandes amigos poetas, como Carlos Drummond de Andrade, e artistas visuais como a gravadora Renina Katz. Seu acervo de obras em papel tem peças raras de artistas como Goeldi, Lescoschek, Lívio Abramo e Iberê Camargo. Mindlin costumava dizer que essa escolha se devia mais à mulher Guita, com quem teve 70 anos de vida em comum. Seu negócio mesmo era a leitura, hábito que, infelizmente, foi obrigado a abandonar nos últimos anos por problemas de saúde. Antes que seus olhos enfraquecessem, ele leu, porém, mais de cinco vezes sua obra preferida, os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, da qual guardava uma raríssima primeira edição francesa. Depois de Proust, Balzac ocupou sua imaginação por mais tempo. Em sua inúmeras visitas ao órgão do Banco do Brasil responsável pelas importações, o empresário da Metal Leve, obrigado a longas horas de espera nos corredores, devorou quase toda A Comédia Humana.
Nascido em São Paulo, em 1914, Mindlin estudou Direito na USP e fez cursos de extensão universitária na Universidade de Columbia, em Nova York. Aos 32 anos, financiado por um empresário, conseguiu um sócio e fundou a livraria Parthenon, em São Paulo, especializada em livros raros. A guerra havia acabado há um ano e famílias europeias descapitalizadas se desfaziam de seu patrimônio artístico e literário. Foi assim que Mindlin trouxe para o Brasil muitas raridades que colocou à venda na Parthenon, sempre avisando o comprador que poderia procurá-lo no futuro, caso quisesse se desfazer do livro. O conflito entre vendedor e colecionador cresceu com o tempo. Mindlin não resistiu e foi atrás de todos as obras raras vendidas, recomprando-as para sua biblioteca particular quando virou empresário.
Foi quando vendeu a Metal Leve, dirigida por durante 46 anos, que o empresário começou a pensar no futuro de sua biblioteca. Inspirado no modelo da John Cater Brown Library, de Providence (Rhode Island), que também começou como coleção particular e hoje é uma das maiores do mundo em documentos raros sobre a América, Mindlin, que integrava o conselho da biblioteca, pensou em fazer um acordo com a USP para transferir seu acervo. Parte dessa história está contada no livro Memórias Esparsas de uma Biblioteca, um dos três volumes que Mindlin dedicou à maior coleção privada do Brasil - os outros dois são Uma Vida entre Livros e Destaques da Biblioteca de Guita e José Mindlin.
Sempre procurado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros atrás de suas raridades bibliográficas, Mindlin, um cidadão do mundo que dominava seis línguas, foi um dos primeiros empresários a atravessar a Cortina de Ferro durante a Guerra Fria, tentando aproximar o Brasil de países como a extinta União Soviética. Teve também um papel fundamental no processo de redemocratização do País ao assinar, durante a ditadura, um manifesto pela abertura política junto a outros oito empresários.
Antonio Gonçalves Filho, de O Estado de S. Paulo
Fonte Estadao online
As mil e uma noites
Governantes e a palavra empenhada
Minha geração foi educada sob a influência dos “contos das mil e uma noites” e a consagração solene da fórmula ética de que “palavra de rei não volta atrás”.
Assim fomos civilizados e muitos conseguiram o milagre de manter pela vida afora a força do aforismo moral de tanta significação.
Com o avanço do modernismo, a revogação de princípios e conceitos em nome de um progressismo desvairado, houve natural afrouxamento moral e a quase invencível decadência dos critérios que, pelo tempo afora, criaram em torno dos valores axiomáticos e as luminosidades das verdades, consolidando-as tão eternas quanto as verdades matemáticas.
Hoje em dia, a palavra de políticos, homens de governo, como diz o caboclo, é “como risco de cobra n’água”.
Sobretudo depois que governantes estabeleceram uma espécie de censura sobre os meios de comunicação pela via da publicidade indecorosa, que impede o semear de críticas e por outro lado promove o endeusamento do titular do governo.
Um processo perverso e grotesco, feito à custa dos tributos pagos pela população para fazer crer na infalibilidade do chefe, atribuindo-lhe virtudes e qualificações que estão distante da realidade.
Em sua cínica e sinistra teoria política, que ensejou os piores regimes em todos os tempos, Maquiavel assinalava que nunca faltarão razões de Estado para o príncipe descumprir a palavra.
O cinismo do condestável dos Médici ganhou prosélitos por todo o mundo. Dele fizeram uso Hitler, Mussolini, Stalin e outros déspotas, esclarecidos ou não, para implantar regimes de terror e se manterem no poder.
Se esta contrafação fosse plenamente válida, George Bernanos jamais teria dito que a “democracia é de essência evangélica”, quer dizer, está assentada sob o primado de princípios e valores que a aproximam da verdade.
Em regime democrático é dever primeiro do governante cumprir a palavra, sem titubeação. Este é postulado ético fundamental, pelo que exige dele cuidados no falar e no dizer para não transformar a palavra em algo oco, sonoro e vazio.
Infelizmente, no mundo atual assim têm sido os discursos e as palavras dos governantes, moços ou velhos, ambiciosos ou não.
O leitor deve estar pensando na grande dose de ingenuidade contida nestas palavras. É que os arranhões à ética e à moral estão se sucedendo com tal volume e velocidade, que o crédito dos homens públicos praticamente não mais existe.
Minha geração não se acostuma nem se acostumará a isto e reprova a facilidade e o desamor com que o governante desrespeita sua própria palavra assumida em solene compromisso, em certos casos verdadeiro rompimento com a tradição avoenga e paterna e notório sintoma de falta de gravidade para o exercício de importantes funções.
No outono de longa vida pública, a memória me coloca diante de figuras que respeitaram apaixonadamente estes limites éticos.
Há ainda neste cenário penumbroso e carregado de dúvidas homens sérios e de palavra firme. Mas estão acanhados diante da maré montante da mentira e do embuste.
Murilo Badaró é Presidente da Academia Mineira de Letras
Fonte Blog do Noblat
Minha geração foi educada sob a influência dos “contos das mil e uma noites” e a consagração solene da fórmula ética de que “palavra de rei não volta atrás”.
Assim fomos civilizados e muitos conseguiram o milagre de manter pela vida afora a força do aforismo moral de tanta significação.
Com o avanço do modernismo, a revogação de princípios e conceitos em nome de um progressismo desvairado, houve natural afrouxamento moral e a quase invencível decadência dos critérios que, pelo tempo afora, criaram em torno dos valores axiomáticos e as luminosidades das verdades, consolidando-as tão eternas quanto as verdades matemáticas.
Hoje em dia, a palavra de políticos, homens de governo, como diz o caboclo, é “como risco de cobra n’água”.
Sobretudo depois que governantes estabeleceram uma espécie de censura sobre os meios de comunicação pela via da publicidade indecorosa, que impede o semear de críticas e por outro lado promove o endeusamento do titular do governo.
Um processo perverso e grotesco, feito à custa dos tributos pagos pela população para fazer crer na infalibilidade do chefe, atribuindo-lhe virtudes e qualificações que estão distante da realidade.
Em sua cínica e sinistra teoria política, que ensejou os piores regimes em todos os tempos, Maquiavel assinalava que nunca faltarão razões de Estado para o príncipe descumprir a palavra.
O cinismo do condestável dos Médici ganhou prosélitos por todo o mundo. Dele fizeram uso Hitler, Mussolini, Stalin e outros déspotas, esclarecidos ou não, para implantar regimes de terror e se manterem no poder.
Se esta contrafação fosse plenamente válida, George Bernanos jamais teria dito que a “democracia é de essência evangélica”, quer dizer, está assentada sob o primado de princípios e valores que a aproximam da verdade.
Em regime democrático é dever primeiro do governante cumprir a palavra, sem titubeação. Este é postulado ético fundamental, pelo que exige dele cuidados no falar e no dizer para não transformar a palavra em algo oco, sonoro e vazio.
Infelizmente, no mundo atual assim têm sido os discursos e as palavras dos governantes, moços ou velhos, ambiciosos ou não.
O leitor deve estar pensando na grande dose de ingenuidade contida nestas palavras. É que os arranhões à ética e à moral estão se sucedendo com tal volume e velocidade, que o crédito dos homens públicos praticamente não mais existe.
Minha geração não se acostuma nem se acostumará a isto e reprova a facilidade e o desamor com que o governante desrespeita sua própria palavra assumida em solene compromisso, em certos casos verdadeiro rompimento com a tradição avoenga e paterna e notório sintoma de falta de gravidade para o exercício de importantes funções.
No outono de longa vida pública, a memória me coloca diante de figuras que respeitaram apaixonadamente estes limites éticos.
Há ainda neste cenário penumbroso e carregado de dúvidas homens sérios e de palavra firme. Mas estão acanhados diante da maré montante da mentira e do embuste.
Murilo Badaró é Presidente da Academia Mineira de Letras
Fonte Blog do Noblat
O comentarista Marcelo Rebelo de Sousa tem uma tradução:"é luxo só !"
Programa de comentário na RTP termina hoje ao fim de cinco anos
As derradeiras escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa na RTP
28.02.2010 - Por Ana Machado
Um comentador com "capacidades acrescidas". Um caso único, um elemento da família. É assim que os politólogos com quem o PÚBLICO falou descrevem Marcelo Rebelo de Sousa como comentador. O que faz com que este homem, que comenta há mais de 15 anos, tenha um impacto inalcançável por outros comentadores políticos?
O ex-líder do PSD diz ter recebido um convite da Rádio Renascença (Miguel Manso)
Madalena Oliveira, do departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, lançava a pergunta no blogue Jornalismo e Comunicação em 2008: "Marcelo Rebelo de Sousa é sempre notícia?" A rotina é a seguinte, como descrevia a investigadora: o que diz ao domingo é notícia na segunda-feira. E um jornalista interrogava-se, num comentário: "Por que é que não se preocupam assim com Vitorino, Sousa Tavares ou Peres Metello?"
O que faz com que assim seja, desde que, em 1993, Marcelo iniciou o comentário político com O Exame, na TSF, atribuindo notas de 1 a 20 aos políticos e personalidades da vida política portuguesa?
"Marcelo representa não só uma figura que encarna o papel do comentador com capacidades acrescidas face a outros, como a sua própria personalidade reúne mais-valias que acabam por fazer com que consiga uma leitura mais cabal para as pessoas comuns. É como um membro da família. Entra nas nossas casas com muito à-vontade e traduz o fenómeno político", diz Nilza de Sena, politóloga do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.
Apesar de As Escolhas de Marcelo e o programa Notas Soltas de António Vitorino (que também termina amanhã) estarem sempre entre os dez programas mais vistos do dia, um estudo do Obercom, feito pela investigadora Rita Cheta em 2007, revela que, em termos de popularidade, Marcelo se destaca, com mais de 40 por cento de preferências, enquanto Vitorino não chega aos oito por cento.
Para Nilza de Sena, é com a entrada na TVI, em 2000, que a força se revela: "O eixo gravitacional da vida pública constrói-se a partir da TV. Apesar de começar na rádio, ele tem sucesso é na TV e torna-se um fenómeno mediático muito apetecível", diz, sugerindo que Marcelo "estima o palco televisivo".
Em 2004, questionado sobre se a saída da TVI seria intencional e predizia uma candidatura às presidenciais, afirmou: "É uma interpretação ridícula de alguns aprendizes de comentadores. Seria uma estupidez, a mais de um ano das presidenciais, perder aquela tribuna."
Manuel Meirinho, politólogo, entende que é na característica de saber ultrapassar a esfera da simples análise com parcimónia que está o segredo da sua longevidade: "Um comentador, para sobreviver este tempo todo, tem de ser mais do que imparcial, tem de gerar influência. Marcelo é um caso em que se ultrapassa o mero comentário de neutralidade, ele tem interesse no objecto analisado. Mas é um caso único chegar onde ele chegou."
Maria Flor Pedroso, a jornalista que acompanhou Marcelo desde Abril de 2006, descreve-o como "um interlocutor difícil": "É difícil de lhe canalizar o pensamento. Não vai ao encontro daquilo que queremos. Penso que consegui isso poucas vezes. Mas os bons interlocutores políticos são assim, fazem o contrário do que queremos", confessa.
Fonte Publico.pt
As derradeiras escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa na RTP
28.02.2010 - Por Ana Machado
Um comentador com "capacidades acrescidas". Um caso único, um elemento da família. É assim que os politólogos com quem o PÚBLICO falou descrevem Marcelo Rebelo de Sousa como comentador. O que faz com que este homem, que comenta há mais de 15 anos, tenha um impacto inalcançável por outros comentadores políticos?
O ex-líder do PSD diz ter recebido um convite da Rádio Renascença (Miguel Manso)
Madalena Oliveira, do departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, lançava a pergunta no blogue Jornalismo e Comunicação em 2008: "Marcelo Rebelo de Sousa é sempre notícia?" A rotina é a seguinte, como descrevia a investigadora: o que diz ao domingo é notícia na segunda-feira. E um jornalista interrogava-se, num comentário: "Por que é que não se preocupam assim com Vitorino, Sousa Tavares ou Peres Metello?"
O que faz com que assim seja, desde que, em 1993, Marcelo iniciou o comentário político com O Exame, na TSF, atribuindo notas de 1 a 20 aos políticos e personalidades da vida política portuguesa?
"Marcelo representa não só uma figura que encarna o papel do comentador com capacidades acrescidas face a outros, como a sua própria personalidade reúne mais-valias que acabam por fazer com que consiga uma leitura mais cabal para as pessoas comuns. É como um membro da família. Entra nas nossas casas com muito à-vontade e traduz o fenómeno político", diz Nilza de Sena, politóloga do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.
Apesar de As Escolhas de Marcelo e o programa Notas Soltas de António Vitorino (que também termina amanhã) estarem sempre entre os dez programas mais vistos do dia, um estudo do Obercom, feito pela investigadora Rita Cheta em 2007, revela que, em termos de popularidade, Marcelo se destaca, com mais de 40 por cento de preferências, enquanto Vitorino não chega aos oito por cento.
Para Nilza de Sena, é com a entrada na TVI, em 2000, que a força se revela: "O eixo gravitacional da vida pública constrói-se a partir da TV. Apesar de começar na rádio, ele tem sucesso é na TV e torna-se um fenómeno mediático muito apetecível", diz, sugerindo que Marcelo "estima o palco televisivo".
Em 2004, questionado sobre se a saída da TVI seria intencional e predizia uma candidatura às presidenciais, afirmou: "É uma interpretação ridícula de alguns aprendizes de comentadores. Seria uma estupidez, a mais de um ano das presidenciais, perder aquela tribuna."
Manuel Meirinho, politólogo, entende que é na característica de saber ultrapassar a esfera da simples análise com parcimónia que está o segredo da sua longevidade: "Um comentador, para sobreviver este tempo todo, tem de ser mais do que imparcial, tem de gerar influência. Marcelo é um caso em que se ultrapassa o mero comentário de neutralidade, ele tem interesse no objecto analisado. Mas é um caso único chegar onde ele chegou."
Maria Flor Pedroso, a jornalista que acompanhou Marcelo desde Abril de 2006, descreve-o como "um interlocutor difícil": "É difícil de lhe canalizar o pensamento. Não vai ao encontro daquilo que queremos. Penso que consegui isso poucas vezes. Mas os bons interlocutores políticos são assim, fazem o contrário do que queremos", confessa.
Fonte Publico.pt
Noves fora "o " dedo...Aquí estoy yo
Aquí estoy yo
Brusco e incómodo incluso para los suyos, el ex presidente José María Aznar desata ciclones a su paso. Tras haber abandonado la presidencia con 51 años, ha esculpido sus abdominales, ganado un buen dinero y labrado amistades tan fulgurantes como poco ortodoxas. Pero no está dispuesto a hacer concesiones políticas. Ahora menos que antes. Porque es un halcón y se siente libre. EL PAÍS reconstruye su nueva vida
LUIS GÓMEZ 28/02/2010
Algunas cosas han cambiado del hombre discreto que fue Aznar. Este pasado verano, por ejemplo, fue noticia un curioso detalle de su nueva residencia en Marbella. No es que la vivienda tuviera una dimensión desproporcionada a pesar de estar enclavada en una lujosa urbanización. La casa de Aznar no es muy diferente de otras parcelas situadas en los alrededores del hoyo 15 del campo de golf de Guadalmina. Lujo moderado, si así puede llamarse. Lo que llamó la atención fue la bandera española que ondea en un imponente mástil que se eleva los suficientes metros del suelo como para ser visible en lontananza. No parece la mejor decisión, para alguien que debe vivir todavía sujeto a escolta policial, señalar de tan peculiar manera dónde vive. El asta de Aznar en Marbella. El hecho no pasó inadvertido en los alrededores (muy proclives al cotilleo de todo cuanto huela a famoseo) y fue divulgado en revistas locales, incluidas las de grueso papel cuché, alguna de las cuales apostaba por un probable fenómeno de imitación. No parece haber sucedido, y la bandera más alta que ondeaba en los alrededores de San Pedro de Alcántara fue este verano la de Aznar.
Perlas de José María Aznar
José María Aznar López
A FONDO
Nacimiento: 25-02-1953 Lugar: Madrid
La noticia en otros webs
webs en español
en otros idiomas
"Aznar debía diseñar su futuro y un futuro fuera de aquí. Tenía que abrirse al mundo exterior"
"Aznar tiene mejor prensa fuera que dentro. Maneja un nivel de relaciones internacionales muy alto"
Aznar pasó en 2009 224 días fuera de España para recorrer el equivalente a nueve vueltas al mundo
¿Cuál es la frontera entre una actividad política privada y el simple tráfico de influencias privado?
Sigue siendo amigo de Blair. Con Putin mantuvo gran sintonía. Se le dan los tipos aparentemente duros"
"Tenía dos cuestiones pendientes: conservarse joven y hablar inglés. Domina el inglés y ya tenemos en él a un atleta"
La bandera despertó comentarios para todos los gustos. Y es que de un tiempo a esta parte son frecuentes los episodios en los que Aznar termina envuelto en polémica o acapara el foco de los medios de comunicación. Demasiado frecuentes para el gusto de sus compañeros del Partido Popular, que preferirían a un ex presidente que llamara menos la atención. El último capítulo es bien reciente: la imagen de Aznar levantando de forma grosera el dedo anular hacia unos estudiantes que le insultaban en un acto en Oviedo ha dado la vuelta al mundo por Internet. Tampoco es la imagen más elegante que pueda ofrecer un ex presidente. Pueden ser síntomas de que el hombre discreto que fue Aznar ha dejado de serlo.
¿Ha cambiado Aznar? ¿Ha decidido andar por libre? ¿Hacia dónde dirige sus pasos? ¿Tiene hoja de ruta? Aznar lleva más de un lustro interpretando la condición de ex presidente, alejado de la primera línea política. ¿Cuál es el horizonte que se le presenta en estas condiciones a un hombre con 56 años, casado, con tres hijos y tres nietos?
Algunas cosas tendrían que cambiar necesariamente en la vida de José María Aznar por el mero hecho de haber puesto punto y final a su carrera política de forma voluntaria a los 51 años. Si se le compara con Felipe González, que se convirtió en ex presidente (tras perder unas elecciones, bien es cierto) con 54, parece evidente que la joven democracia española produce jóvenes ex presidentes. ¿Demasiado pronto? Si se tiene en cuenta que Nicolas Sarkozy, tan sólo dos años más joven, parece tener cuerda para rato, se muestra dinámico y rejuvenecido (gracias también a la compañía de su joven esposa), así lo parece. Sí, quizá era demasiado pronto. Aznar se obligó a emprender un reto vital convertido en un ex presidente a una edad temprana: conformarse con un retiro silencioso o volverse a poner en el mercado para otros menesteres.
"Lo lógico sería que, a partir del día después, se vuelva más natural el personaje y el público que lo rodea", sostiene un ex asesor de Aznar, quien ha reflexionado sobre el problema de ubicación que tienen los ex presidentes en España. "Tendrán que pasar unos cuantos individuos más por esa condición para que la apreciemos de una forma más natural. Aquí, el estatus del ex presidente lo estamos ensayando todavía. Tenemos un problema: somos una democracia parlamentaria y estamos hablando de hombres que han interpretado un papel más elevado que el de un primer ministro. Cada vez son más un jefe de Estado".
"Por ese motivo, la vida de ex se la tiene que inventar", apunta otro ex colaborador, con entrada libre en La Moncloa durante algunos años. "Mantienes la escolta y el coche oficial, pero el desnivel entre lo que has sido y lo que ahora eres es muy grande. En Estados Unidos, un ex presidente se convierte en un padre de la patria, y aquí sigue siendo un político. Es un eclipse grande. En España la condición de ex presidente no está acondicionada. Se le puede censurar, pero no se hace con el mismo respeto que en otros países. Los retiramos jóvenes. Vamos quemando en oleadas a gente joven. La población no lo es tanto". "Y además", añade, "nada más dejar de ser presidentes, siguen teniendo mucho poder. Comienza una temporada de tanteo, de confusión. Le pasó también a Felipe González".
Opinar sobre Aznar es incómodo para sus antiguos colaboradores y no digamos para quienes pueden ser considerados cercanos a su entorno actual, razón por la cual prácticamente todas las entrevistas para este reportaje han debido realizarse bajo la condición de confidencialidad. Subsiste todavía cierto temor, una enorme resistencia a hacer públicas reflexiones en torno a la figura del líder que ha sido Aznar. Igualmente, varias han sido las negativas. Hay algunas razones más: sabido es que EL PAÍS no es del agrado de Aznar y que entre sus colaboradores más cercanos abunda la opinión de que este medio tampoco ha sido amable con Aznar. Sea como fuere, algunos contestan. ¿Ha cambiado Aznar?: "No ha dejado de ser el mismo Aznar de siempre", señala un veterano diputado, en otros tiempos más cercano al presidente, "sólo que más enjuto y más fuerte. Es el mismo perro de presa, metódico, laborioso como un contable. Aznar necesita método, orden, trabajo. Felipe es más complejo. La operación de seguir en política era inviable. Aznar no lo consideró. Nadie se lo sugirió. No cabía más que en el Consejo de Estado. Aquella fórmula estuvo bien: instituciones consultivas que no quieres que tengan demasiado brillo".
Pero Aznar terminó dejando su puesto en el Consejo de Estado. Su posición era incompatible con su sueldo como asesor de Rupert Murdoch, todopoderoso magnate de los medios de comunicación. "Debía diseñar su futuro y un futuro fuera de aquí. Tenía que abrirse al mundo exterior. Tenía dos cuestiones pendientes: conservarse joven y hablar inglés. Domina el inglés y ya tenemos en él a un atleta".
Un proyecto de vida a los 51 años. Aznar se propuso mejorar su apariencia física y perfeccionar su inglés. "No tenía ni idea de inglés. Había estudiado francés, lo entendía y apenas lo hablaba". El Aznar metódico se puso en marcha, y a una edad donde es difícil aprender un idioma para una persona sin facilidad para ello, lo consiguió. No es aquel Aznar de sus primeras intervenciones públicas en Estados Unidos, cuando leía discursos en inglés con un acento lamentable. Su inglés actual es bueno, en lo que han colaborado sus frecuentes viajes. Responde entrevistas en inglés, se expresa con un vocabulario muy apropiado y entona con un acento más que razonable.
Y cambió su físico. Las últimas fotografías en bañador han evidenciado la aparición de unos músculos abdominales de cierta consideración. Está delgado, fibroso. No es una apariencia que se consiga en unas cuantas sesiones. Los expertos saben que es necesario un esfuerzo diario para alcanzar ese estado ("varios miles de abdominales al día", sostiene Bernardino Lombao, su entrenador, con un entusiasmo que parece exagerado). En cualquier caso, es la demostración de hasta dónde alcanza la tenacidad de este hombre. "Aznar ha incorporado la actividad física a su estilo de vida", sostiene Lombao, "entrena los siete días de la semana, esté donde esté; lo mismo corre por los caminos de tierra que bordean el río Potomac que utiliza el gimnasio del hotel donde se hospeda". Su aspecto no es producto de un par de jornadas a la semana. "Aznar no es un francotirador de fines de semana. Es un fondista nato", añade. Le pega. Según su entrenador, hace un kilómetro en cuatro minutos, y algunos escoltas no pueden seguirle. Cuida sus comidas y duerme más horas que cuando era presidente.
Esos dos detalles de Aznar han tenido diversas lecturas dentro del Partido Popular. Si el Aznar bilingüe es interpretado como un magnífico ejemplo de superación (la mala suerte de Aznar es que se han quedado en el archivo de YouTube sus peores momentos con este idioma), no sucede lo mismo con el Aznar musculoso. Algunos lo atribuyen a una respuesta adolescente propia de quienes rebasan la barrera de los 50. Otros le reprochan las dosis de exhibicionismo que ello supone, impropias de quien no parecía dado a estas demostraciones. Hay quien apunta cierta contradicción en Aznar: "Pasa por ser un imitador de todo lo anglosajón, y en el caso de su apariencia física resulta que se berlusconiza, tratando de aparentar que es alguien eternamente joven". También han advertido que el Aznar fibroso y resistente se ha vuelto un hombre más coqueto, con tendencia a ser exclusivamente simpático con las mujeres y tan seco como de costumbre con los hombres. El sentido del humor de Aznar no parece su mejor característica, pero entre los populares se dividen las opiniones entre los que le han visto tan adusto como siempre y quienes, sin embargo, le han encontrado más entrañable y más irónico. Así se dice de él en privado, porque en público algunas de sus ironías ("las copas de vino que yo tengo o no tengo que beber, déjame que las beba tranquilamente...", dijo en un acto en Valladolid aludiendo al endurecimiento de las sanciones de tráfico) no acaban de ser bien entendidas. "No es y no lo será nunca un buen contador de chistes", se atreve a pronosticar un diputado.
Pero Aznar no es sólo un ex presidente que se dedica a mejorar su inglés y a cultivar sus abdominales. Aznar es Aznar. Guste o no, sigue siendo una referencia en el Partido Popular y en la reciente historia de la democracia española. "La izquierda le tiene miedo, por eso le quieren cortar las piernas", señala Miguel Ángel Rodríguez, uno de los escasos ex colaboradores suyos que no pide confidencialidad. "No han olvidado que fue el hombre que logró reunir 11 millones de votos para la derecha. Aquello fue como ganar Roland Garros. Y aunque ha habido un distanciamiento entre Aznar y quienes ahora dirigen el partido, nunca podrán despegarse del todo. Aznar representa para el Partido Popular lo mismo que la saga de los Kennedy al Partido Demócrata".
Aznar no buscó un retiro. No se limitó a su papel de conferenciante (cobra un promedio de 27.000 euros por acto, gastos aparte) o como profesor asociado de Georgetown. Sentó sus reales en la Fundación para el Análisis y los Estudios Sociales (FAES). La cambió de arriba abajo, para transformarla en una punta de lanza de la ideología neocon en Europa. Y comenzó a viajar. Por todo el mundo, pero sobre todo por Latinoamérica y Estados Unidos. Según FAES, en 2009 pasó 224 días fuera de España para recorrer 365.000 kilómetros (el equivalente a nueve vueltas al mundo) y visitar 18 países, algunos de ellos varias veces. Paralelamente, aceptó cargos de asesoramiento para compañías muy diversas (medios de comunicación, energéticas, inmobiliarias, fondos de inversión). Y firmó un contrato con la editorial Planeta, de la que se han producido cuatro libros (Ocho años de Gobierno, una visión personal de España, en 2004; Retratos y perfiles, de Fraga a Bush, en 2005; Cartas a un joven español, en 2007; España puede salir de la crisis, en 2009). Es decir, no ha dejado de hacer política y no ha dejado de ganar dinero. Ésa es su actual hoja de ruta, pero nadie sabe a ciencia cierta hacia dónde conduce.
A través de sus libros y sus conferencias, Aznar ha consolidado una forma de interpretar el mundo muy alineada con las tesis de los neoconservadores americanos. Cuando habla, parece un candidato republicano con pequeños matices. Ni siquiera es cercano a los conservadores europeos. Aznar es un halcón. Proclama las esencias de la libertad y de la democracia con recetas al más puro estilo republicano: libertad de mercado, menor intervencionismo del Estado, desregularización, impuestos más bajos, inmigración regulada. Aznar es firme defensor de la energía nuclear y ferviente escéptico respecto del cambio climático, aspecto éste del que se distancia abiertamente de sus colegas británicos, alemanes y franceses. Defiende a la familia y las raíces cristianas de Europa. Y en Europa es atlantista. Lo suyo no es una alianza de civilizaciones, sino una alianza occidental. Europa debe ir de la mano de Estados Unidos tanto en materia económica como de defensa. No es partidario de ampliar la UE. No es partidario de una Europa federal, sino de limitar las competencias de Bruselas y dejar una mayor autonomía a lo que denomina Estados-nación. Habla de España como solución y no como problema, parafraseando a Ortega. Cita a Cánovas, a Sagasta, algo menos a Azaña que en otros tiempos, pero su inspiración más potente nace de Margaret Thatcher y Ronald Reagan. De su patrimonio ideológico, el concepto que más le caracteriza frente a otros políticos es el rechazo a lo que él considera relativismo, que le sirve para azuzar contra los intelectuales de izquierda, contra los pacifistas, contra los ecologistas, incluso contra los artistas, a quienes acusa de ser condescendientes con los dos males que aquejan al mundo occidental, el totalitarismo y el terrorismo islamista. Su esquema es compacto. Cerrado. Duro. "Reagan junto a Margaret Thatcher y otros líderes del mundo libre decidieron no intentar un diálogo con el comunismo para tratar de contenerlo. Sabían que los totalitarismos interpretan cualquier diálogo como una concesión, y cada concesión hace crecer la amenaza", dijo en un discurso. Aznar es un halcón.
"Es curioso cómo Aznar, que ha tomado como modelo a figuras como Margaret Thatcher, Ronald Reagan o el propio Bush, no ha seguido esos mismos modelos en su calidad de ex mandatarios. Thatcher se retiró y desapareció de la escena con una enorme elegancia británica: dejó actuar a Major y nunca se interpuso. Lo mismo han hecho Reagan y Bush. Y eso que Reagan tenía un enorme carisma público. Nada se supo de él hasta que comenzó a conocerse su enfermedad".
Dentro del Partido Popular, no todas las opiniones son coincidentes sobre el vestuario ideológico que se ha confeccionado Aznar a partir de FAES. "FAES era una forma de buscarle un sitio donde pudiera hacer política internacional con un diseño institucional para no quemarlo. A partir de FAES, Aznar se encaminó hacia una vía anglosajona para una fundación de centro, más tank que think. No es un despachito con apariencia. Funciona", admite un diputado, cuya opinión no concuerda con la de otro compañero: "No estoy de acuerdo. FAES nació con otra idea, por eso se eligió el color naranja y un nombre que pareciera muy técnico y no tan ideológico, pero se ha convertido en un núcleo duro de los neocon, promocionado aquí por periodistas del entorno de Esperanza Aguirre o de Libertad Digital. Es su tarjeta de visita. Sigue un modelo anticuado, más propio de primeros de los años 2000. No tiene capacidad de interlocución. No se relaciona fuera de su universo. No tiene relaciones con universidades públicas o con privadas de cierto prestigio. Sólo se relaciona con el CEU o con universidades católicas, tanto aquí como en Latinoamérica. Basta con leer la nómina de autores, los perfiles de sus publicaciones. Gente como Pilar del Castillo, como Alfredo Timmermans, como Miguel Ángel Cortés, con otra proyección intelectual, se quedaron fuera". Desde FAES, las cosas se ven de manera diferente. La propia fundación publica un estudio de la Universidad de Pensilvania según el cual FAES ha subido al puesto 32 entre los think tank más prestigiosos fuera de Estados Unidos. Sólo hay otra fundación española en este ranking, el Instituto Elcano, en el puesto 50. FAES, por otra parte, es la fundación relacionada con partidos políticos que recibe más dinero en concepto de subvenciones públicas (2,68 millones de euros en 2009). Su presupuesto se completa con donaciones privadas.
Sin embargo, las relaciones entre FAES y el Partido Popular no son fluidas. Cada uno va por su camino, y esa brecha se acentúa con el paso de los meses, sobre todo a partir del congreso de los populares celebrado en Valencia en junio de 2008. Este congreso ha sido interpretado por los analistas como un punto de inflexión: el momento a partir del cual el PP de Aznar comenzó a ser el PP de Rajoy.
En aquel momento se escenificó la ruptura de Rajoy con Aznar. Hubo una puesta en escena, un saludo poco afectuoso de Aznar, un discurso del líder ("primero ganamos las elecciones y luego dialogamos") y, finalmente, un equipo a la medida de Rajoy, del que quedaron fuera gente como Acebes y Zaplana, en el que tomaron posiciones Arenas y las nuevas caras femeninas de Rajoy (Cospedal y Sáez de Santamaría), y en el que Aguirre volvió a perder una batalla ante Gallardón. Pero si los partidarios de Rajoy afirman que desde entonces Aznar "ya no pinta nada en el partido", otros creen que Aznar mantiene una capacidad de influencia.
Un suceso vino a desequilibrar tiempo después la balanza. El caso Gürtel, una investigación policial que ponía de manifiesto casos de corrupción y tráfico de influencias utilizando el Partido Popular. Aun siendo una bomba de relojería dentro del partido, era evidente que los imputados pertenecieron al entorno del partido dirigido por Aznar y poco tenían que ver con el equipo de Rajoy. Ana Botella hizo unas declaraciones al respecto cuando creyó entender que el PP de Rajoy parecía querer desentenderse de una defensa numantina de algunos imputados. En el caso particular de Aznar, el escándalo no alcanzó más cerca que algunas sospechas en torno a su yerno, Alejandro Agag, quien, por cierto, desde entonces ha desaparecido de la escena pública. Su caso no ha pasado a ser de perfil bajo, sino de perfil cero.
Habían pasado cuatro años de su retirada. El PP había perdido las elecciones de marzo de 2008. A la vista de los hechos, Aznar estaba muy lejos de haber seguido el modelo de retirada elegante de Margaret Thatcher. "¿Qué hizo de original Aznar en todo este tiempo? Probablemente, lo de Murdoch, poniéndose a tiro como consejero del primer millonario del mundo de medios de comunicación", sostiene un ex colaborador suyo. Aznar no ha sido el primer ex presidente que ha fichado como asesor de una multinacional. Sin embargo, a su fichaje por la News Corporation le siguieron otros más. Aparece, entonces, Aznar como un hombre que gana dinero. Ficha por News Corporation con un sueldo de 148.000 euros anuales. Ficha también por Centaurus Capital, un fondo de inversión, puesto que dejó dos años después. Asesora a Doheny Global Group, una empresa con intereses energéticos en la Europa del Este, y a JER Partners, otra empresa con raíces inmobiliarias en países latinoamericanos. Se entrevista con presidentes y candidatos. Se le considera como un hombre que puede abrir puertas en determinados países. Algunas de sus apariciones en Latinoamérica no acaban de ser bien vistas, como su manifiesto apoyo al candidato derechista chileno Sebastián Piñera, a quien presentó como "el presidente de Chile" semanas antes de celebrarse las elecciones. ¿Cuál es la frontera entre una actividad política privada y el simple tráfico de influencias privado? ¿A quién representa Aznar fuera de España? ¿Adónde conduce su hoja de ruta?
"Aznar tiene mejor prensa fuera que dentro. Maneja un nivel de relaciones internacionales muy alto. Sigue siendo amigo de Blair. Con Putin, por ejemplo, mantuvo una gran sintonía. Se le dan los tipos aparentemente duros. Y tiene fama de político serio. Como la tiene Felipe. No habría sido extraño que en la búsqueda de dirigentes europeos capaces de darle impulso a la Unión Europea se hubiera barajado la figura de Aznar, como de hecho se barajó la de Felipe", apunta un dirigente popular. "Pero el problema de Aznar", señala otro miembro del partido, "es que se ha escorado mucho en una línea ideológica muy cerrada: quizá si se busca un perfil duro, sea el hombre idóneo, pero en Europa se busca un perfil más dialogante".
Una actividad tan intensa, donde se mezclan actividades privadas de carácter político aprovechando el colchón de FAES junto a actividades de representación para compañías multinacionales, es difícil de evaluar. Da la sensación de que Aznar va por libre: gana mucho dinero por sus asesoramientos y mantiene alto su nivel de relaciones políticas. Nadie acierta a pronosticar cuál es su destino, sobre todo teniendo en cuenta que sigue siendo un hombre joven y que, como se puede apreciar, la forma física le acompaña. Es evidente que su empresa familiar Famaztella, SL (acrónimo de Familia Aznar Botella), aumenta su facturación de año en año, y en algunas publicaciones que citan los registros mercantiles sus beneficios superan el millón de euros. No es tampoco ninguna novedad que los ex presidentes tengan una saneada cuenta corriente tras su retirada. Sin embargo, el problema sería menor si no fuera porque sus intervenciones en España no dejan de causar estragos en la opinión pública. Hace bien poco llamó "pirómano" a Zapatero, y tiempo atrás provocó otro escándalo cuando Montserrat Nebrera, ex presidenta del PP de Cataluña, desveló en un libro un comentario de Aznar acerca de que "la población catalana está enferma", que fue inmediatamente contestado desde FAES. Sus comentarios; sus vacaciones junto a un personaje como Flavio Briatore, más propio del cuché que del papel salmón; sus abdominales, no son actos propios de quien ha aceptado un discreto segundo plano. Tampoco concuerdan con quien hizo gala ante sus fieles de ser un hombre con una acusada capacidad de autocontrol.
"Aznar es nuestra memoria", dice un joven diputado popular. "No podemos repudiarlo. Ahora que estamos en crisis económica, su gestión es el mejor ejemplo que podemos dar para que los españoles nos vuelvan a ofrecer su confianza. Por eso, para la gente del partido genera mucho dolor no reconocerse en él en algunas cosas que hace en público".
Posiblemente, Aznar se ha vuelto menos discreto. Quizá vaya por libre. Pero algunas cosas apenas han cambiado: en todo este tiempo no reconoce haber cometido errores bajo su mandato. En las escasas entrevistas que ha concedido, la casi totalidad en medios afines, apenas le han interrogado por las polémicas que le rodean de vez en cuando. Sin embargo, hay una frase que el propio Aznar desliza para explicar que todo cuanto hace se mide con una lupa distorsionada: "Hay una obsesión por mí". Casi la misma frase que soltó tras el incidente protagonizado en Oviedo: "No podéis vivir sin mí". Es el Aznar que no está dispuesto a dar concesiones. Y ahora menos que antes. Porque es un halcón. Y se siente libre.
En un posado para el semanal de Abc, Aznar aparece con su perro, un labrador negro. Nombre del perro: Sam. "¿Por qué Sam?", le preguntan. "Lo pusieron mis nietos", contestó sin concesiones. Un periodista describió así las fotografías que le acompañan en su despacho en FAES: "Sobre las baldas, algunas fotografías enmarcadas. Unas, de presidente del Gobierno o conferenciante en Georgetown; otras, de padre, esposo y abuelo. Con Juan Pablo II, junto a otros mandatarios mundiales en la cumbre de las Rocosas o del brazo de su hija Ana. Más imágenes: sus tres nietos sonrientes, Ana Botella muy bronceada y, en otro flanco, la toma de Perejil, bandera sacudida por el Levante en un risco pelado".
También el viento de levante sacude la bandera en su residencia cercana al hoyo 15 del campo de golf de Guadalmina. Es visible a larga distancia. Una forma de decir aquí estoy yo. No, la suya no ha sido una retirada discreta.
Perlas de José María Aznar
» Irak. "Puede estar usted seguro y pueden estar seguras todas las personas que nos ven que les estoy diciendo la verdad. El régimen iraquí tiene armas de destrucción masiva" (2003, en vísperas de la invasión de Irak). "No había armas de destrucción masiva. Tengo el problema de no haber sido tan listo de saberlo antes. Nadie lo sabía" (Madrid, 2007).
» Que pidan perdón los musulmanes. "Mucha gente en el mundo islámico clama al Papa para que pida disculpas por su discurso. Yo nunca he oído a ningún musulmán pedirme a mí disculpas por haber conquistado España y por haber mantenido su presencia en España durante ocho siglos. Nunca" (Washington, 2006).
» Los Reyes Católicos. "A los extremistas les espantan Quevedo, Cervantes o los Reyes Católicos. Van a impedir que en las escuelas se estudie la literatura y la historia de España. No lo impedirán allí donde gobierne el PP, pero, desgraciadamente, sí donde gobierne el PSOE. Es el precio del extremismo" (Madrid, 2007).
» La izquierda es la mala. "La izquierda es una fuerza reaccionaria, no revolucionaria; es una fuerza conservadora, no progresista; es una fuerza ciega a la realidad y encerrada en sí misma, sin ninguna alternativa viable" (Roma, 2006).
» ZP, el pirómano. "Estamos en uno de los momentos más críticos de nuestra historia. En poco más de un año, el actual Gobierno ha llevado a España al borde del abismo. España corre riesgos de desintegración y balcanización, de volver históricamente a las andadas" (México, 2005). "Para Zapatero es opinable que los terroristas sean siempre terroristas, un atentado puede ser un crimen execrable o un accidente, depende" (Madrid, 2008). "El jefe de los pirómanos no puede ser nunca el capitán de los bomberos, y España necesita un gran equipo de bomberos" (Oviedo, 2010).
» El vino al volante. "¿Y quién te ha dicho que quiero que conduzcas por mí? A mí no me gusta que me digan no puede ir usted a más de tanta velocidad, no puede usted comer hamburguesas de tanto (...) Las copas de vino que yo tengo o no tengo que beber, déjame que las beba tranquilamente; no pongo en riesgo a nadie ni hago daño a los demás" (Valladolid, 2007).
Artículo de Elvira Lindo en página 17
Fuente El País
Brusco e incómodo incluso para los suyos, el ex presidente José María Aznar desata ciclones a su paso. Tras haber abandonado la presidencia con 51 años, ha esculpido sus abdominales, ganado un buen dinero y labrado amistades tan fulgurantes como poco ortodoxas. Pero no está dispuesto a hacer concesiones políticas. Ahora menos que antes. Porque es un halcón y se siente libre. EL PAÍS reconstruye su nueva vida
LUIS GÓMEZ 28/02/2010
Algunas cosas han cambiado del hombre discreto que fue Aznar. Este pasado verano, por ejemplo, fue noticia un curioso detalle de su nueva residencia en Marbella. No es que la vivienda tuviera una dimensión desproporcionada a pesar de estar enclavada en una lujosa urbanización. La casa de Aznar no es muy diferente de otras parcelas situadas en los alrededores del hoyo 15 del campo de golf de Guadalmina. Lujo moderado, si así puede llamarse. Lo que llamó la atención fue la bandera española que ondea en un imponente mástil que se eleva los suficientes metros del suelo como para ser visible en lontananza. No parece la mejor decisión, para alguien que debe vivir todavía sujeto a escolta policial, señalar de tan peculiar manera dónde vive. El asta de Aznar en Marbella. El hecho no pasó inadvertido en los alrededores (muy proclives al cotilleo de todo cuanto huela a famoseo) y fue divulgado en revistas locales, incluidas las de grueso papel cuché, alguna de las cuales apostaba por un probable fenómeno de imitación. No parece haber sucedido, y la bandera más alta que ondeaba en los alrededores de San Pedro de Alcántara fue este verano la de Aznar.
Perlas de José María Aznar
José María Aznar López
A FONDO
Nacimiento: 25-02-1953 Lugar: Madrid
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"Aznar debía diseñar su futuro y un futuro fuera de aquí. Tenía que abrirse al mundo exterior"
"Aznar tiene mejor prensa fuera que dentro. Maneja un nivel de relaciones internacionales muy alto"
Aznar pasó en 2009 224 días fuera de España para recorrer el equivalente a nueve vueltas al mundo
¿Cuál es la frontera entre una actividad política privada y el simple tráfico de influencias privado?
Sigue siendo amigo de Blair. Con Putin mantuvo gran sintonía. Se le dan los tipos aparentemente duros"
"Tenía dos cuestiones pendientes: conservarse joven y hablar inglés. Domina el inglés y ya tenemos en él a un atleta"
La bandera despertó comentarios para todos los gustos. Y es que de un tiempo a esta parte son frecuentes los episodios en los que Aznar termina envuelto en polémica o acapara el foco de los medios de comunicación. Demasiado frecuentes para el gusto de sus compañeros del Partido Popular, que preferirían a un ex presidente que llamara menos la atención. El último capítulo es bien reciente: la imagen de Aznar levantando de forma grosera el dedo anular hacia unos estudiantes que le insultaban en un acto en Oviedo ha dado la vuelta al mundo por Internet. Tampoco es la imagen más elegante que pueda ofrecer un ex presidente. Pueden ser síntomas de que el hombre discreto que fue Aznar ha dejado de serlo.
¿Ha cambiado Aznar? ¿Ha decidido andar por libre? ¿Hacia dónde dirige sus pasos? ¿Tiene hoja de ruta? Aznar lleva más de un lustro interpretando la condición de ex presidente, alejado de la primera línea política. ¿Cuál es el horizonte que se le presenta en estas condiciones a un hombre con 56 años, casado, con tres hijos y tres nietos?
Algunas cosas tendrían que cambiar necesariamente en la vida de José María Aznar por el mero hecho de haber puesto punto y final a su carrera política de forma voluntaria a los 51 años. Si se le compara con Felipe González, que se convirtió en ex presidente (tras perder unas elecciones, bien es cierto) con 54, parece evidente que la joven democracia española produce jóvenes ex presidentes. ¿Demasiado pronto? Si se tiene en cuenta que Nicolas Sarkozy, tan sólo dos años más joven, parece tener cuerda para rato, se muestra dinámico y rejuvenecido (gracias también a la compañía de su joven esposa), así lo parece. Sí, quizá era demasiado pronto. Aznar se obligó a emprender un reto vital convertido en un ex presidente a una edad temprana: conformarse con un retiro silencioso o volverse a poner en el mercado para otros menesteres.
"Lo lógico sería que, a partir del día después, se vuelva más natural el personaje y el público que lo rodea", sostiene un ex asesor de Aznar, quien ha reflexionado sobre el problema de ubicación que tienen los ex presidentes en España. "Tendrán que pasar unos cuantos individuos más por esa condición para que la apreciemos de una forma más natural. Aquí, el estatus del ex presidente lo estamos ensayando todavía. Tenemos un problema: somos una democracia parlamentaria y estamos hablando de hombres que han interpretado un papel más elevado que el de un primer ministro. Cada vez son más un jefe de Estado".
"Por ese motivo, la vida de ex se la tiene que inventar", apunta otro ex colaborador, con entrada libre en La Moncloa durante algunos años. "Mantienes la escolta y el coche oficial, pero el desnivel entre lo que has sido y lo que ahora eres es muy grande. En Estados Unidos, un ex presidente se convierte en un padre de la patria, y aquí sigue siendo un político. Es un eclipse grande. En España la condición de ex presidente no está acondicionada. Se le puede censurar, pero no se hace con el mismo respeto que en otros países. Los retiramos jóvenes. Vamos quemando en oleadas a gente joven. La población no lo es tanto". "Y además", añade, "nada más dejar de ser presidentes, siguen teniendo mucho poder. Comienza una temporada de tanteo, de confusión. Le pasó también a Felipe González".
Opinar sobre Aznar es incómodo para sus antiguos colaboradores y no digamos para quienes pueden ser considerados cercanos a su entorno actual, razón por la cual prácticamente todas las entrevistas para este reportaje han debido realizarse bajo la condición de confidencialidad. Subsiste todavía cierto temor, una enorme resistencia a hacer públicas reflexiones en torno a la figura del líder que ha sido Aznar. Igualmente, varias han sido las negativas. Hay algunas razones más: sabido es que EL PAÍS no es del agrado de Aznar y que entre sus colaboradores más cercanos abunda la opinión de que este medio tampoco ha sido amable con Aznar. Sea como fuere, algunos contestan. ¿Ha cambiado Aznar?: "No ha dejado de ser el mismo Aznar de siempre", señala un veterano diputado, en otros tiempos más cercano al presidente, "sólo que más enjuto y más fuerte. Es el mismo perro de presa, metódico, laborioso como un contable. Aznar necesita método, orden, trabajo. Felipe es más complejo. La operación de seguir en política era inviable. Aznar no lo consideró. Nadie se lo sugirió. No cabía más que en el Consejo de Estado. Aquella fórmula estuvo bien: instituciones consultivas que no quieres que tengan demasiado brillo".
Pero Aznar terminó dejando su puesto en el Consejo de Estado. Su posición era incompatible con su sueldo como asesor de Rupert Murdoch, todopoderoso magnate de los medios de comunicación. "Debía diseñar su futuro y un futuro fuera de aquí. Tenía que abrirse al mundo exterior. Tenía dos cuestiones pendientes: conservarse joven y hablar inglés. Domina el inglés y ya tenemos en él a un atleta".
Un proyecto de vida a los 51 años. Aznar se propuso mejorar su apariencia física y perfeccionar su inglés. "No tenía ni idea de inglés. Había estudiado francés, lo entendía y apenas lo hablaba". El Aznar metódico se puso en marcha, y a una edad donde es difícil aprender un idioma para una persona sin facilidad para ello, lo consiguió. No es aquel Aznar de sus primeras intervenciones públicas en Estados Unidos, cuando leía discursos en inglés con un acento lamentable. Su inglés actual es bueno, en lo que han colaborado sus frecuentes viajes. Responde entrevistas en inglés, se expresa con un vocabulario muy apropiado y entona con un acento más que razonable.
Y cambió su físico. Las últimas fotografías en bañador han evidenciado la aparición de unos músculos abdominales de cierta consideración. Está delgado, fibroso. No es una apariencia que se consiga en unas cuantas sesiones. Los expertos saben que es necesario un esfuerzo diario para alcanzar ese estado ("varios miles de abdominales al día", sostiene Bernardino Lombao, su entrenador, con un entusiasmo que parece exagerado). En cualquier caso, es la demostración de hasta dónde alcanza la tenacidad de este hombre. "Aznar ha incorporado la actividad física a su estilo de vida", sostiene Lombao, "entrena los siete días de la semana, esté donde esté; lo mismo corre por los caminos de tierra que bordean el río Potomac que utiliza el gimnasio del hotel donde se hospeda". Su aspecto no es producto de un par de jornadas a la semana. "Aznar no es un francotirador de fines de semana. Es un fondista nato", añade. Le pega. Según su entrenador, hace un kilómetro en cuatro minutos, y algunos escoltas no pueden seguirle. Cuida sus comidas y duerme más horas que cuando era presidente.
Esos dos detalles de Aznar han tenido diversas lecturas dentro del Partido Popular. Si el Aznar bilingüe es interpretado como un magnífico ejemplo de superación (la mala suerte de Aznar es que se han quedado en el archivo de YouTube sus peores momentos con este idioma), no sucede lo mismo con el Aznar musculoso. Algunos lo atribuyen a una respuesta adolescente propia de quienes rebasan la barrera de los 50. Otros le reprochan las dosis de exhibicionismo que ello supone, impropias de quien no parecía dado a estas demostraciones. Hay quien apunta cierta contradicción en Aznar: "Pasa por ser un imitador de todo lo anglosajón, y en el caso de su apariencia física resulta que se berlusconiza, tratando de aparentar que es alguien eternamente joven". También han advertido que el Aznar fibroso y resistente se ha vuelto un hombre más coqueto, con tendencia a ser exclusivamente simpático con las mujeres y tan seco como de costumbre con los hombres. El sentido del humor de Aznar no parece su mejor característica, pero entre los populares se dividen las opiniones entre los que le han visto tan adusto como siempre y quienes, sin embargo, le han encontrado más entrañable y más irónico. Así se dice de él en privado, porque en público algunas de sus ironías ("las copas de vino que yo tengo o no tengo que beber, déjame que las beba tranquilamente...", dijo en un acto en Valladolid aludiendo al endurecimiento de las sanciones de tráfico) no acaban de ser bien entendidas. "No es y no lo será nunca un buen contador de chistes", se atreve a pronosticar un diputado.
Pero Aznar no es sólo un ex presidente que se dedica a mejorar su inglés y a cultivar sus abdominales. Aznar es Aznar. Guste o no, sigue siendo una referencia en el Partido Popular y en la reciente historia de la democracia española. "La izquierda le tiene miedo, por eso le quieren cortar las piernas", señala Miguel Ángel Rodríguez, uno de los escasos ex colaboradores suyos que no pide confidencialidad. "No han olvidado que fue el hombre que logró reunir 11 millones de votos para la derecha. Aquello fue como ganar Roland Garros. Y aunque ha habido un distanciamiento entre Aznar y quienes ahora dirigen el partido, nunca podrán despegarse del todo. Aznar representa para el Partido Popular lo mismo que la saga de los Kennedy al Partido Demócrata".
Aznar no buscó un retiro. No se limitó a su papel de conferenciante (cobra un promedio de 27.000 euros por acto, gastos aparte) o como profesor asociado de Georgetown. Sentó sus reales en la Fundación para el Análisis y los Estudios Sociales (FAES). La cambió de arriba abajo, para transformarla en una punta de lanza de la ideología neocon en Europa. Y comenzó a viajar. Por todo el mundo, pero sobre todo por Latinoamérica y Estados Unidos. Según FAES, en 2009 pasó 224 días fuera de España para recorrer 365.000 kilómetros (el equivalente a nueve vueltas al mundo) y visitar 18 países, algunos de ellos varias veces. Paralelamente, aceptó cargos de asesoramiento para compañías muy diversas (medios de comunicación, energéticas, inmobiliarias, fondos de inversión). Y firmó un contrato con la editorial Planeta, de la que se han producido cuatro libros (Ocho años de Gobierno, una visión personal de España, en 2004; Retratos y perfiles, de Fraga a Bush, en 2005; Cartas a un joven español, en 2007; España puede salir de la crisis, en 2009). Es decir, no ha dejado de hacer política y no ha dejado de ganar dinero. Ésa es su actual hoja de ruta, pero nadie sabe a ciencia cierta hacia dónde conduce.
A través de sus libros y sus conferencias, Aznar ha consolidado una forma de interpretar el mundo muy alineada con las tesis de los neoconservadores americanos. Cuando habla, parece un candidato republicano con pequeños matices. Ni siquiera es cercano a los conservadores europeos. Aznar es un halcón. Proclama las esencias de la libertad y de la democracia con recetas al más puro estilo republicano: libertad de mercado, menor intervencionismo del Estado, desregularización, impuestos más bajos, inmigración regulada. Aznar es firme defensor de la energía nuclear y ferviente escéptico respecto del cambio climático, aspecto éste del que se distancia abiertamente de sus colegas británicos, alemanes y franceses. Defiende a la familia y las raíces cristianas de Europa. Y en Europa es atlantista. Lo suyo no es una alianza de civilizaciones, sino una alianza occidental. Europa debe ir de la mano de Estados Unidos tanto en materia económica como de defensa. No es partidario de ampliar la UE. No es partidario de una Europa federal, sino de limitar las competencias de Bruselas y dejar una mayor autonomía a lo que denomina Estados-nación. Habla de España como solución y no como problema, parafraseando a Ortega. Cita a Cánovas, a Sagasta, algo menos a Azaña que en otros tiempos, pero su inspiración más potente nace de Margaret Thatcher y Ronald Reagan. De su patrimonio ideológico, el concepto que más le caracteriza frente a otros políticos es el rechazo a lo que él considera relativismo, que le sirve para azuzar contra los intelectuales de izquierda, contra los pacifistas, contra los ecologistas, incluso contra los artistas, a quienes acusa de ser condescendientes con los dos males que aquejan al mundo occidental, el totalitarismo y el terrorismo islamista. Su esquema es compacto. Cerrado. Duro. "Reagan junto a Margaret Thatcher y otros líderes del mundo libre decidieron no intentar un diálogo con el comunismo para tratar de contenerlo. Sabían que los totalitarismos interpretan cualquier diálogo como una concesión, y cada concesión hace crecer la amenaza", dijo en un discurso. Aznar es un halcón.
"Es curioso cómo Aznar, que ha tomado como modelo a figuras como Margaret Thatcher, Ronald Reagan o el propio Bush, no ha seguido esos mismos modelos en su calidad de ex mandatarios. Thatcher se retiró y desapareció de la escena con una enorme elegancia británica: dejó actuar a Major y nunca se interpuso. Lo mismo han hecho Reagan y Bush. Y eso que Reagan tenía un enorme carisma público. Nada se supo de él hasta que comenzó a conocerse su enfermedad".
Dentro del Partido Popular, no todas las opiniones son coincidentes sobre el vestuario ideológico que se ha confeccionado Aznar a partir de FAES. "FAES era una forma de buscarle un sitio donde pudiera hacer política internacional con un diseño institucional para no quemarlo. A partir de FAES, Aznar se encaminó hacia una vía anglosajona para una fundación de centro, más tank que think. No es un despachito con apariencia. Funciona", admite un diputado, cuya opinión no concuerda con la de otro compañero: "No estoy de acuerdo. FAES nació con otra idea, por eso se eligió el color naranja y un nombre que pareciera muy técnico y no tan ideológico, pero se ha convertido en un núcleo duro de los neocon, promocionado aquí por periodistas del entorno de Esperanza Aguirre o de Libertad Digital. Es su tarjeta de visita. Sigue un modelo anticuado, más propio de primeros de los años 2000. No tiene capacidad de interlocución. No se relaciona fuera de su universo. No tiene relaciones con universidades públicas o con privadas de cierto prestigio. Sólo se relaciona con el CEU o con universidades católicas, tanto aquí como en Latinoamérica. Basta con leer la nómina de autores, los perfiles de sus publicaciones. Gente como Pilar del Castillo, como Alfredo Timmermans, como Miguel Ángel Cortés, con otra proyección intelectual, se quedaron fuera". Desde FAES, las cosas se ven de manera diferente. La propia fundación publica un estudio de la Universidad de Pensilvania según el cual FAES ha subido al puesto 32 entre los think tank más prestigiosos fuera de Estados Unidos. Sólo hay otra fundación española en este ranking, el Instituto Elcano, en el puesto 50. FAES, por otra parte, es la fundación relacionada con partidos políticos que recibe más dinero en concepto de subvenciones públicas (2,68 millones de euros en 2009). Su presupuesto se completa con donaciones privadas.
Sin embargo, las relaciones entre FAES y el Partido Popular no son fluidas. Cada uno va por su camino, y esa brecha se acentúa con el paso de los meses, sobre todo a partir del congreso de los populares celebrado en Valencia en junio de 2008. Este congreso ha sido interpretado por los analistas como un punto de inflexión: el momento a partir del cual el PP de Aznar comenzó a ser el PP de Rajoy.
En aquel momento se escenificó la ruptura de Rajoy con Aznar. Hubo una puesta en escena, un saludo poco afectuoso de Aznar, un discurso del líder ("primero ganamos las elecciones y luego dialogamos") y, finalmente, un equipo a la medida de Rajoy, del que quedaron fuera gente como Acebes y Zaplana, en el que tomaron posiciones Arenas y las nuevas caras femeninas de Rajoy (Cospedal y Sáez de Santamaría), y en el que Aguirre volvió a perder una batalla ante Gallardón. Pero si los partidarios de Rajoy afirman que desde entonces Aznar "ya no pinta nada en el partido", otros creen que Aznar mantiene una capacidad de influencia.
Un suceso vino a desequilibrar tiempo después la balanza. El caso Gürtel, una investigación policial que ponía de manifiesto casos de corrupción y tráfico de influencias utilizando el Partido Popular. Aun siendo una bomba de relojería dentro del partido, era evidente que los imputados pertenecieron al entorno del partido dirigido por Aznar y poco tenían que ver con el equipo de Rajoy. Ana Botella hizo unas declaraciones al respecto cuando creyó entender que el PP de Rajoy parecía querer desentenderse de una defensa numantina de algunos imputados. En el caso particular de Aznar, el escándalo no alcanzó más cerca que algunas sospechas en torno a su yerno, Alejandro Agag, quien, por cierto, desde entonces ha desaparecido de la escena pública. Su caso no ha pasado a ser de perfil bajo, sino de perfil cero.
Habían pasado cuatro años de su retirada. El PP había perdido las elecciones de marzo de 2008. A la vista de los hechos, Aznar estaba muy lejos de haber seguido el modelo de retirada elegante de Margaret Thatcher. "¿Qué hizo de original Aznar en todo este tiempo? Probablemente, lo de Murdoch, poniéndose a tiro como consejero del primer millonario del mundo de medios de comunicación", sostiene un ex colaborador suyo. Aznar no ha sido el primer ex presidente que ha fichado como asesor de una multinacional. Sin embargo, a su fichaje por la News Corporation le siguieron otros más. Aparece, entonces, Aznar como un hombre que gana dinero. Ficha por News Corporation con un sueldo de 148.000 euros anuales. Ficha también por Centaurus Capital, un fondo de inversión, puesto que dejó dos años después. Asesora a Doheny Global Group, una empresa con intereses energéticos en la Europa del Este, y a JER Partners, otra empresa con raíces inmobiliarias en países latinoamericanos. Se entrevista con presidentes y candidatos. Se le considera como un hombre que puede abrir puertas en determinados países. Algunas de sus apariciones en Latinoamérica no acaban de ser bien vistas, como su manifiesto apoyo al candidato derechista chileno Sebastián Piñera, a quien presentó como "el presidente de Chile" semanas antes de celebrarse las elecciones. ¿Cuál es la frontera entre una actividad política privada y el simple tráfico de influencias privado? ¿A quién representa Aznar fuera de España? ¿Adónde conduce su hoja de ruta?
"Aznar tiene mejor prensa fuera que dentro. Maneja un nivel de relaciones internacionales muy alto. Sigue siendo amigo de Blair. Con Putin, por ejemplo, mantuvo una gran sintonía. Se le dan los tipos aparentemente duros. Y tiene fama de político serio. Como la tiene Felipe. No habría sido extraño que en la búsqueda de dirigentes europeos capaces de darle impulso a la Unión Europea se hubiera barajado la figura de Aznar, como de hecho se barajó la de Felipe", apunta un dirigente popular. "Pero el problema de Aznar", señala otro miembro del partido, "es que se ha escorado mucho en una línea ideológica muy cerrada: quizá si se busca un perfil duro, sea el hombre idóneo, pero en Europa se busca un perfil más dialogante".
Una actividad tan intensa, donde se mezclan actividades privadas de carácter político aprovechando el colchón de FAES junto a actividades de representación para compañías multinacionales, es difícil de evaluar. Da la sensación de que Aznar va por libre: gana mucho dinero por sus asesoramientos y mantiene alto su nivel de relaciones políticas. Nadie acierta a pronosticar cuál es su destino, sobre todo teniendo en cuenta que sigue siendo un hombre joven y que, como se puede apreciar, la forma física le acompaña. Es evidente que su empresa familiar Famaztella, SL (acrónimo de Familia Aznar Botella), aumenta su facturación de año en año, y en algunas publicaciones que citan los registros mercantiles sus beneficios superan el millón de euros. No es tampoco ninguna novedad que los ex presidentes tengan una saneada cuenta corriente tras su retirada. Sin embargo, el problema sería menor si no fuera porque sus intervenciones en España no dejan de causar estragos en la opinión pública. Hace bien poco llamó "pirómano" a Zapatero, y tiempo atrás provocó otro escándalo cuando Montserrat Nebrera, ex presidenta del PP de Cataluña, desveló en un libro un comentario de Aznar acerca de que "la población catalana está enferma", que fue inmediatamente contestado desde FAES. Sus comentarios; sus vacaciones junto a un personaje como Flavio Briatore, más propio del cuché que del papel salmón; sus abdominales, no son actos propios de quien ha aceptado un discreto segundo plano. Tampoco concuerdan con quien hizo gala ante sus fieles de ser un hombre con una acusada capacidad de autocontrol.
"Aznar es nuestra memoria", dice un joven diputado popular. "No podemos repudiarlo. Ahora que estamos en crisis económica, su gestión es el mejor ejemplo que podemos dar para que los españoles nos vuelvan a ofrecer su confianza. Por eso, para la gente del partido genera mucho dolor no reconocerse en él en algunas cosas que hace en público".
Posiblemente, Aznar se ha vuelto menos discreto. Quizá vaya por libre. Pero algunas cosas apenas han cambiado: en todo este tiempo no reconoce haber cometido errores bajo su mandato. En las escasas entrevistas que ha concedido, la casi totalidad en medios afines, apenas le han interrogado por las polémicas que le rodean de vez en cuando. Sin embargo, hay una frase que el propio Aznar desliza para explicar que todo cuanto hace se mide con una lupa distorsionada: "Hay una obsesión por mí". Casi la misma frase que soltó tras el incidente protagonizado en Oviedo: "No podéis vivir sin mí". Es el Aznar que no está dispuesto a dar concesiones. Y ahora menos que antes. Porque es un halcón. Y se siente libre.
En un posado para el semanal de Abc, Aznar aparece con su perro, un labrador negro. Nombre del perro: Sam. "¿Por qué Sam?", le preguntan. "Lo pusieron mis nietos", contestó sin concesiones. Un periodista describió así las fotografías que le acompañan en su despacho en FAES: "Sobre las baldas, algunas fotografías enmarcadas. Unas, de presidente del Gobierno o conferenciante en Georgetown; otras, de padre, esposo y abuelo. Con Juan Pablo II, junto a otros mandatarios mundiales en la cumbre de las Rocosas o del brazo de su hija Ana. Más imágenes: sus tres nietos sonrientes, Ana Botella muy bronceada y, en otro flanco, la toma de Perejil, bandera sacudida por el Levante en un risco pelado".
También el viento de levante sacude la bandera en su residencia cercana al hoyo 15 del campo de golf de Guadalmina. Es visible a larga distancia. Una forma de decir aquí estoy yo. No, la suya no ha sido una retirada discreta.
Perlas de José María Aznar
» Irak. "Puede estar usted seguro y pueden estar seguras todas las personas que nos ven que les estoy diciendo la verdad. El régimen iraquí tiene armas de destrucción masiva" (2003, en vísperas de la invasión de Irak). "No había armas de destrucción masiva. Tengo el problema de no haber sido tan listo de saberlo antes. Nadie lo sabía" (Madrid, 2007).
» Que pidan perdón los musulmanes. "Mucha gente en el mundo islámico clama al Papa para que pida disculpas por su discurso. Yo nunca he oído a ningún musulmán pedirme a mí disculpas por haber conquistado España y por haber mantenido su presencia en España durante ocho siglos. Nunca" (Washington, 2006).
» Los Reyes Católicos. "A los extremistas les espantan Quevedo, Cervantes o los Reyes Católicos. Van a impedir que en las escuelas se estudie la literatura y la historia de España. No lo impedirán allí donde gobierne el PP, pero, desgraciadamente, sí donde gobierne el PSOE. Es el precio del extremismo" (Madrid, 2007).
» La izquierda es la mala. "La izquierda es una fuerza reaccionaria, no revolucionaria; es una fuerza conservadora, no progresista; es una fuerza ciega a la realidad y encerrada en sí misma, sin ninguna alternativa viable" (Roma, 2006).
» ZP, el pirómano. "Estamos en uno de los momentos más críticos de nuestra historia. En poco más de un año, el actual Gobierno ha llevado a España al borde del abismo. España corre riesgos de desintegración y balcanización, de volver históricamente a las andadas" (México, 2005). "Para Zapatero es opinable que los terroristas sean siempre terroristas, un atentado puede ser un crimen execrable o un accidente, depende" (Madrid, 2008). "El jefe de los pirómanos no puede ser nunca el capitán de los bomberos, y España necesita un gran equipo de bomberos" (Oviedo, 2010).
» El vino al volante. "¿Y quién te ha dicho que quiero que conduzcas por mí? A mí no me gusta que me digan no puede ir usted a más de tanta velocidad, no puede usted comer hamburguesas de tanto (...) Las copas de vino que yo tengo o no tengo que beber, déjame que las beba tranquilamente; no pongo en riesgo a nadie ni hago daño a los demás" (Valladolid, 2007).
Artículo de Elvira Lindo en página 17
Fuente El País
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