jueves, 16 de septiembre de 2010
Trailer #2 Filme do Desassossego
O problema é que está tudo interligado. Fernando Pessoa sabia-o bem e aventura-se por uma série de desdobramentos do “eu”, por vezes mesmo “fragmentações”.
Comento: tomei o fragmento acima emprestado aqui
miércoles, 15 de septiembre de 2010
martes, 14 de septiembre de 2010
Los Donoso: un exorcismo literario
Todo el mundo necesita un día poner en orden su existencia. Algunas personas comienzan (y acaban) con su familia. Es lo que hace Pilar Donoso (1967), la hija del escritor chileno José Donoso (1924-1997) en Correr el tupido velo (Alfaguara). Escribir un libro que es una biografía de su padre. Y como tal, termina siendo su autobiografía. O un exorcismo para liberar esos demonios familiares que todos llevamos, con mayor o menor pesar, dentro. Correr el tupido velo es una investigación vital, pero también es una investigación espiritual y estética. La historia de ese fervor o esa incurable enfermedad en que José Donoso convirtió su literatura.
Fonte El País
Completo
Fonte El País
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Los Donoso. Retrato de padre
- "Como marido, mi padre
le exige a mi madre dos cláusulas matrimoniales indispensables. La primera, que supiera manejar un auto, ya que él no sabía y no iba a aprender nunca y, la segunda, que debía
leer a Proust, porque si no, no tendrían de qué hablar".
- "Mi realidad ha sido crecer bajo la sombra de un gigante".
- "La amistad [con Vargas Llosa] se hace fuerte, se admiran mutuamente (...) Gabriel García Márquez también vive en Barcelona, pero mi padre, un poco celoso, creo yo, lo encuentra parco, menos humano y amistoso que Mario".
- "Mi adopción se convirtió en un aspecto literario más de su propia imagen de clochard que tanto le obsesionaba; se identificó conmigo en ese aspecto y eso nos unió mucho".
(Pilar Donoso)
le exige a mi madre dos cláusulas matrimoniales indispensables. La primera, que supiera manejar un auto, ya que él no sabía y no iba a aprender nunca y, la segunda, que debía
leer a Proust, porque si no, no tendrían de qué hablar".
- "Mi realidad ha sido crecer bajo la sombra de un gigante".
- "La amistad [con Vargas Llosa] se hace fuerte, se admiran mutuamente (...) Gabriel García Márquez también vive en Barcelona, pero mi padre, un poco celoso, creo yo, lo encuentra parco, menos humano y amistoso que Mario".
- "Mi adopción se convirtió en un aspecto literario más de su propia imagen de clochard que tanto le obsesionaba; se identificó conmigo en ese aspecto y eso nos unió mucho".
(Pilar Donoso)
Ex-Presidente da República diz que situação do país "é grave mas tem saída"
O ex-Presidente da República Mário Soares considerou, esta segunda feira, que a situação atual do país é grave mas tem saída, defendendo que é preciso continuar a lutar."A situação é grave, mas é uma situação que tem saída. Nós temos de lutar e não estarmos sempre a dizer que queremos isto e que queremos aquilo", sustentou.À margem da conferência ''Dois republicanos: Aquilino Ribeiro e Acácio Gouveia'', que decorreu na segunda feira à noite em Soutosa, no concelho de Moimenta da Beira, Mário Soares disse aos jornalistas que é bom gritar por mais salários, para além de se pedir mais dinheiro para a educação ou pensões.
No entanto, defendeu que “é preciso também saber de onde é que ele (o dinheiro) vem. Não basta pedir e descer uma avenida a gritar para julgar que o dinheiro vai cair, pois não vai”.
Fonte: ionline.pt
No entanto, defendeu que “é preciso também saber de onde é que ele (o dinheiro) vem. Não basta pedir e descer uma avenida a gritar para julgar que o dinheiro vai cair, pois não vai”.
Fonte: ionline.pt
Vida e Literatura
“O Cavaleiro vive de arquétipos, de que investe o mundo real, vendo nele meras aparências de uma realidade mais autêntica e essencial...A realidade dos textos literários de que se alimenta a sua imaginação, a sua memória e o seu reconhecimento do mundo. Tudo o que ajude nesta tarefa ingente de investir o real com as cargas simbólicas que a literatura lhe ensinou: como toda a gente dentro deste livro demencial conhece os romances que ele cita, do caminhante acidental ao estalajadeiro e sua excelentíssima família, do letrado ao rústico, do nobre ao plebeu, Don Quixote não fala língua estranha, e seja por burla ou por medo, todos, com raríssimas excepções, o confirmam na convicção de que a sua visão do mundo é não só a verdadeira como a única possível, porque só os encantadores visuais que a sua fantasia convoca é que teimam em desmenti-lo”
( Mega Ferreira,Antonio. Por Don Quixote.O literato, o justiceiro e o amoroso, Assírio e Alvim, Lisboa, 2006).
( Mega Ferreira,Antonio. Por Don Quixote.O literato, o justiceiro e o amoroso, Assírio e Alvim, Lisboa, 2006).
lunes, 13 de septiembre de 2010
Um quarto dos internautas usa identidades falsas online
Mais de um quarto das pessoas online já mentiu acerca da sua verdadeira identidade e mais do que uma em cinco já fez alguma coisa da qual mais tarde se veio a arrepender, revela uma nova sondagem da Norton, a empresa de antivirus e segurança online
Fonte Publico.pt
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Fonte Publico.pt
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Estoque de música está acabando. E agora, José? Vou de poesia que também é "cantabile"
O crescimento regressa na Ásia, em África e nos EUA, e “há um problema europeu”, disse Strauss-Kahn, na cadeia de televisão francesa France 24.“Não é o único sítio do mundo onde há dificuldades, mas há claramente um problema europeu em matéria de crescimento”, disse ainda.Para o FMI, o “cenário principal não é o de um regresso à recessão”. Mas, para a Europa, o risco são “vários anos de crescimento fraco”, considerou o director-geral do FMI, considerando esse risco “bastante importante”.“Isso quer dizer pouco poder de compra para distribuir, problemas nos sistemas sociais de reforma, de saúde, uma subida do desemprego”, acrescentou.O FMI divulgou na semana uma revisão em alta das suas previsões de crescimento para 2010 para a maior parte das grandes economias, como os EUA (3,3 por cento), o Japão (0,5%), a China (10,5%). Mas a previsão para a zona euro ficou inalterada em 1,0 por cento.
Fonte Publico.pt
Fonte Publico.pt
Don JUAN
"If you love a woman you tell her that she is the one,but tell me, did you ever really,really loved a woman?"
Don Juan, um mito?
"mi tesis... recompila, sistematiza,allega materiales, es un trabajo científico moderno(...) contra toda prevision, la lectura de mi tesis me hace concer a un hombre"
domingo, 12 de septiembre de 2010
"Samba em Prelúdio" - Programa Ensaio
Com letra mas igualmente no words left to speak!
"tenho os olhos cansados de olhar para o alem, vem ver a vida sem voce eu nao sou ninguem"
Coronel QUELÊ (mais...ainda)
"Era um homao,andava com uma bengalona,era um velho alto, forte, macho, macho todo...Naquele tempo, o homem daqui era ele " comenta Adao Batista Nunes
Amadeus José de Souza refere-se a ele como "padrao nacional dessa terra" e diz ainda que ele era "em cima da hora, prego batido com ponta virada." " Ele era bem formosado, de estatura gorda só que nao era banhuda, um cidadao simpático, só andava bem formosado, era "fechado" mas tinha boas palestras. Um véio que nao tinha nada de besta nao."
in de Lima Jose Americo. Coronel QUELÊ,Petrolina, 2010,Pg 85
Amadeus José de Souza refere-se a ele como "padrao nacional dessa terra" e diz ainda que ele era "em cima da hora, prego batido com ponta virada." " Ele era bem formosado, de estatura gorda só que nao era banhuda, um cidadao simpático, só andava bem formosado, era "fechado" mas tinha boas palestras. Um véio que nao tinha nada de besta nao."
in de Lima Jose Americo. Coronel QUELÊ,Petrolina, 2010,Pg 85
A visita de Bento XVI e a Exposiçao de Rafael no Victoria and Albert Museum
The International Herald Tribune
A arte como ferramenta da diplomacia internacional tem seu lado irônico. Graças à iminente visita do papa Bento 16 à Grã-Bretanha, na próxima semana, os admiradores de Rafael podem desfrutar de um privilégio que o próprio artista nunca teve. Pela primeira vez na história, sete dos dez Desenhos, ou composições em larga escala, encomendados em 1515 pelo papa Leão X, serão expostos no Victoria and Albert Museum, junto com quatro tapeçarias tecidas mais tarde para cobrir as paredes menores da Capela Sistina, no Vaticano, no coração de Roma. A ocasião é única. Os sete Desenhos sobreviventes foram comprados em Gênova em 1623, em nome do príncipe de Gales, o futuro rei Charles I da Inglaterra. Serviram como modelo para tapeçarias tecidas no Mortlake Manufactory. Os Desenhos entraram na coleção real e, em 1865, foram enviados por empréstimo permanente à sua casa atual, o Victoria and Albert Museum. A lei das consequências involuntárias aplicada à arte mostra como todas as iniciativas têm um viés político. A exposição sublinha com vigor surpreendente a transformação do papado do Renascimento até hoje. É um lembrete brilhante que, cinco séculos atrás, o papado era um principado familiar sintonizado com a elite intelectual e artística da Itália. Rafael foi o último rebento dessa elite. Ele nasceu em 1483 no pequeno ducado de Urbino, um dos principais centros de cultura humanista entre 1460 e 1480, como Evans ressalta. Seu pai, Giovanni Santi, era um pintor da corte. Isso permitiu que em sua juventude o artista se aproximasse de Elisabetta Gonzaga, a duquesa de Urbino, que se tornou sua mecenas. Aos 17 anos, começou a praticar com um dos pintores mais famosos de seu tempo, Perugino. Foi com ele que, provavelmente, Rafael aprendeu a técnica da pintura a óleo, recém-introduzida na Itália, vinda da Holanda.
Para continuar clique aqui
Via revista Veja/Herald Tribune
A arte como ferramenta da diplomacia internacional tem seu lado irônico. Graças à iminente visita do papa Bento 16 à Grã-Bretanha, na próxima semana, os admiradores de Rafael podem desfrutar de um privilégio que o próprio artista nunca teve. Pela primeira vez na história, sete dos dez Desenhos, ou composições em larga escala, encomendados em 1515 pelo papa Leão X, serão expostos no Victoria and Albert Museum, junto com quatro tapeçarias tecidas mais tarde para cobrir as paredes menores da Capela Sistina, no Vaticano, no coração de Roma. A ocasião é única. Os sete Desenhos sobreviventes foram comprados em Gênova em 1623, em nome do príncipe de Gales, o futuro rei Charles I da Inglaterra. Serviram como modelo para tapeçarias tecidas no Mortlake Manufactory. Os Desenhos entraram na coleção real e, em 1865, foram enviados por empréstimo permanente à sua casa atual, o Victoria and Albert Museum. A lei das consequências involuntárias aplicada à arte mostra como todas as iniciativas têm um viés político. A exposição sublinha com vigor surpreendente a transformação do papado do Renascimento até hoje. É um lembrete brilhante que, cinco séculos atrás, o papado era um principado familiar sintonizado com a elite intelectual e artística da Itália. Rafael foi o último rebento dessa elite. Ele nasceu em 1483 no pequeno ducado de Urbino, um dos principais centros de cultura humanista entre 1460 e 1480, como Evans ressalta. Seu pai, Giovanni Santi, era um pintor da corte. Isso permitiu que em sua juventude o artista se aproximasse de Elisabetta Gonzaga, a duquesa de Urbino, que se tornou sua mecenas. Aos 17 anos, começou a praticar com um dos pintores mais famosos de seu tempo, Perugino. Foi com ele que, provavelmente, Rafael aprendeu a técnica da pintura a óleo, recém-introduzida na Itália, vinda da Holanda.
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Via revista Veja/Herald Tribune
Modinha - Roberta Sa e Yamandu Costa
Ah, nao pode mais meu coraçao
viver assim dilacerado
escravizado a uma ilusao
que é só desilusao
Ah, nao seja a vida sempre assim
como um luar desesperado
a derramar melancolia em mim
poesia em mim
vai triste cançao
sai do meu peito
Lou Reed
Se alguem quiser explicar.... sem argumentos antigos, sff!
O cantor Lou Reed fez Susan Boyle chorar. A escocesa ficou “profundamente devastada” ao ser informada de que Lou Reed a proibiu de interpretar uma música sua no programa “America’s Got Talent”. Susan Boyle queria cantar o “Perfect Day” [música do cantor] com um coro de cem pessoas, mas Lou Reed impediu, alegando não gostar da cantora que se tornou uma estrela do YouTube depois de participar num casting daquele programa. “A Susan ficou absolutamente devastada ao saber na manhã da gravação do programa que Lou Reed decidiu impedir pessoalmente que ela cantasse a música dele, «Perfect Day», interpretada tantas vezes, no «America`s Got Talent”, lia-se no email enviado pelo agente da cantora à produtora do programa, revelado no site “TMZ”. Susan já estava nos Estados Unidos quando foi informada, mas preferiu cancelar a sua actuação visto ter sido avisada “duas horas antes do início das gravações” e não ter “qualquer outra canção ensaiada”.
Fonte:ionline.pt
O cantor Lou Reed fez Susan Boyle chorar. A escocesa ficou “profundamente devastada” ao ser informada de que Lou Reed a proibiu de interpretar uma música sua no programa “America’s Got Talent”. Susan Boyle queria cantar o “Perfect Day” [música do cantor] com um coro de cem pessoas, mas Lou Reed impediu, alegando não gostar da cantora que se tornou uma estrela do YouTube depois de participar num casting daquele programa. “A Susan ficou absolutamente devastada ao saber na manhã da gravação do programa que Lou Reed decidiu impedir pessoalmente que ela cantasse a música dele, «Perfect Day», interpretada tantas vezes, no «America`s Got Talent”, lia-se no email enviado pelo agente da cantora à produtora do programa, revelado no site “TMZ”. Susan já estava nos Estados Unidos quando foi informada, mas preferiu cancelar a sua actuação visto ter sido avisada “duas horas antes do início das gravações” e não ter “qualquer outra canção ensaiada”.
Fonte:ionline.pt
Gente Educada
Gosto de gente que confere valor aos bons-modos, a cortesia, a boa-educaçao...A gente sempre aprende com eles.
Uma análise IMPECÁVEL sobre o estado de coisas no mundo!
Mas adaptou-se aos tempos actuais?A Fundação teve de reorientar a intervenção tendo em conta as enormes mudanças que se produziram no País. Podemos marcar duas grandes etapas: a primeira, a democracia; e depois a integração europeia, em que o papel do Estado se libertou dos constrangimentos do regime autoritário e passou a ter meios financeiros que não existiam.
Sente pressão dos governos para reorientar o rumo da Gulbenkian?Não. Nós agimos segundo uma estratégia própria e não fazemos ajustamentos segundo os ciclos políticos. Aliás, a grande vantagem das fundações como instituições independentes é estarem simultaneamente livres dos ciclos políticos e, em certa medida, dos económicos. Podemos projectar a intervenção a mais longo prazo, que não é a lógica da política, porque está submetida aos ciclos eleitorais.
A crise financeira e económica também alterou o rumo da Gulbenkian?É evidente que não está imune ao que aconteceu, porque tem os seus investimentos no petróleo e no gás nos mercados internacionais, e, por isso, em 2008 tivemos uma redução da ordem dos 12% no valor dos activos que obrigou a medidas de contenção. Procurámos que fossem sobretudo nos custos de funcionamento e não se repercutissem em subsídios, bolsas e actividades.
Ao dar 110 milhões ao mecenato em 2009, quer dizer que está de boa saúde financeira?Considero que sim, o que não quer dizer que não estejamos preocupados com a situação da economia mundial e, sobretudo, com o grau de baixíssima previsibilidade dos mercados.
Como presidente do Centro Europeu de Fundações, pediu criatividade. É a forma de superar esta crise?Sugeri a criatividade para que com recursos escassos sejamos mais eficazes na acção, mas, relativamente à situação geral, penso que vivemos um momento de grande perplexidade. Se relermos o comunicado da última reunião do G20, há num parágrafo o apelo à austeridade e no seguinte um outro aos estímulos à economia. Essa perplexidade traduz-se na ambivalência de que a generalidade das políticas sofre neste momento nos planos teórico e doutrinal, porque não dispomos de ferramentas que respondam à situação que estamos a viver.
Não dispomos, quem? O sistema económico! O Presiden-te Obama acaba de propor uma medida de carácter keynesiano - 50 biliões de dólares para investimentos em infra-estruturas - e o presidente da Comissão Europeia no discurso do estado da União propôs a emissão de obrigações europeias para financiar investimentos em infra-estruturas. Não há, diga--se, muita inovação nessas propostas no ataque à crise.
Porquê essa falta de inspiração?Esta crise é o fim de um ciclo que se iniciou no final dos anos 70 com uma política de estabilização salarial, baixa inflação, valorização de activos bolsistas e imobiliários e, principalmente, um grande endividamento que foi propulsionado pelas políticas Reagan/Thatcher. O Verão de 2007 é a implosão de um sistema que não tinha lógica nem sustentabilidade. Qual é a resposta neste momento? Aí penso que faltam ideias, rumo e coerência.
Que é o caso da União Europeia, em que a Comissão de Durão Barroso não consegue dar resposta efectiva?Penso que ele não é o único que sofre do que considero falta das ferramentas para enfrentar a situação. Recorde-se que o Japão viveu dez anos de deflação e talvez não tenhamos aproveitado suficientemente o facto para tirar ensinamento da situação. Hoje, temos uma dificuldade adicional porque as economias emergentes nos ultrapassam em muitos domínios com o seu dinamismo. Não tenho a veleidade de fazer propostas, mas acho necessário reflectir e, muitas vezes, parece-me que não damos tempo suficiente a uma reflexão nem a um debate sereno porque se cede à pressão, designadamente a mediática, de dar respostas sem suficiente estudo.
Basta ver o caso de Portugal, em que se estimulou o défice num ano e no outro foi penalizado...É a tal ambivalência de austeridade e estímulo. Em Julho, o Financial Times publicou na mesma semana e página dois artigos sobre a economia - um a favor da austeridade e o outro dos estímulos - que traduzia muito bem este dilema.
É o reflexo da euforia "liberal" da economia?É um conjunto de causas que podem ser sintetizadas na formula de "gastar mais do que se tem", situações muito complexas que até podem ser expressas sob uma forma que qualquer economia familiar compreende muito bem.
Fonte DN.pt
Para sequir lendo este assombro de lucidez, clique aqui
Sente pressão dos governos para reorientar o rumo da Gulbenkian?Não. Nós agimos segundo uma estratégia própria e não fazemos ajustamentos segundo os ciclos políticos. Aliás, a grande vantagem das fundações como instituições independentes é estarem simultaneamente livres dos ciclos políticos e, em certa medida, dos económicos. Podemos projectar a intervenção a mais longo prazo, que não é a lógica da política, porque está submetida aos ciclos eleitorais.
A crise financeira e económica também alterou o rumo da Gulbenkian?É evidente que não está imune ao que aconteceu, porque tem os seus investimentos no petróleo e no gás nos mercados internacionais, e, por isso, em 2008 tivemos uma redução da ordem dos 12% no valor dos activos que obrigou a medidas de contenção. Procurámos que fossem sobretudo nos custos de funcionamento e não se repercutissem em subsídios, bolsas e actividades.
Ao dar 110 milhões ao mecenato em 2009, quer dizer que está de boa saúde financeira?Considero que sim, o que não quer dizer que não estejamos preocupados com a situação da economia mundial e, sobretudo, com o grau de baixíssima previsibilidade dos mercados.
Como presidente do Centro Europeu de Fundações, pediu criatividade. É a forma de superar esta crise?Sugeri a criatividade para que com recursos escassos sejamos mais eficazes na acção, mas, relativamente à situação geral, penso que vivemos um momento de grande perplexidade. Se relermos o comunicado da última reunião do G20, há num parágrafo o apelo à austeridade e no seguinte um outro aos estímulos à economia. Essa perplexidade traduz-se na ambivalência de que a generalidade das políticas sofre neste momento nos planos teórico e doutrinal, porque não dispomos de ferramentas que respondam à situação que estamos a viver.
Não dispomos, quem? O sistema económico! O Presiden-te Obama acaba de propor uma medida de carácter keynesiano - 50 biliões de dólares para investimentos em infra-estruturas - e o presidente da Comissão Europeia no discurso do estado da União propôs a emissão de obrigações europeias para financiar investimentos em infra-estruturas. Não há, diga--se, muita inovação nessas propostas no ataque à crise.
Porquê essa falta de inspiração?Esta crise é o fim de um ciclo que se iniciou no final dos anos 70 com uma política de estabilização salarial, baixa inflação, valorização de activos bolsistas e imobiliários e, principalmente, um grande endividamento que foi propulsionado pelas políticas Reagan/Thatcher. O Verão de 2007 é a implosão de um sistema que não tinha lógica nem sustentabilidade. Qual é a resposta neste momento? Aí penso que faltam ideias, rumo e coerência.
Que é o caso da União Europeia, em que a Comissão de Durão Barroso não consegue dar resposta efectiva?Penso que ele não é o único que sofre do que considero falta das ferramentas para enfrentar a situação. Recorde-se que o Japão viveu dez anos de deflação e talvez não tenhamos aproveitado suficientemente o facto para tirar ensinamento da situação. Hoje, temos uma dificuldade adicional porque as economias emergentes nos ultrapassam em muitos domínios com o seu dinamismo. Não tenho a veleidade de fazer propostas, mas acho necessário reflectir e, muitas vezes, parece-me que não damos tempo suficiente a uma reflexão nem a um debate sereno porque se cede à pressão, designadamente a mediática, de dar respostas sem suficiente estudo.
Basta ver o caso de Portugal, em que se estimulou o défice num ano e no outro foi penalizado...É a tal ambivalência de austeridade e estímulo. Em Julho, o Financial Times publicou na mesma semana e página dois artigos sobre a economia - um a favor da austeridade e o outro dos estímulos - que traduzia muito bem este dilema.
É o reflexo da euforia "liberal" da economia?É um conjunto de causas que podem ser sintetizadas na formula de "gastar mais do que se tem", situações muito complexas que até podem ser expressas sob uma forma que qualquer economia familiar compreende muito bem.
Fonte DN.pt
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