sábado, 13 de agosto de 2011
desde um jardim em Santo Amaro...
COISAS DA SÁBADO:
É UM MOVIMENTO SOCIAL QUALQUER, SÃO CRIMINOSOS, OU O QUE É QUE ANDA A INCENDIAR LONDRES?
Em Portugal usa-se a classificação de “social” como uma espécie de desculpa quanto à responsabilidade individual dos membros de um qualquer “movimento” nos actos que praticam. O vandalismo das claques de futebol têm sempre um sociólogo qualquer a explicar que não se trata de crimes, mas sim de um “protesto social” qualquer de jovens desenraizados, desempregados, com uma qualquer “subcultura juvenil”, que explica as pedradas e as violências na polícia e nos adeptos do outro clube. No caso dos distúrbios de Londres, o mesmo tipo de interpretações sociológicas, que já ouvimos para os queimadores de carros em Paris, vem ao de cima. Estamos perante um “movimento social” que não se resolve prendendo, julgando os seus membros, nem varrendo a rua com a polícia à bastonada. Pelo contrário, é preciso respeitar as “comunidades” (cá são os bairros da periferia) e nem tocar com uma pena nos “jovens” envolvidos, porque os “movimentos sociais” só se confrontam com medidas “sociais” de integração.
Sucede que eu também penso que há factores “sociais” envolvidos nos distúrbios, e que a homogeneidade dos seus actores, o modus operandi, a mistura de violência gratuita contra a propriedade mesmo dos pequenos lojistas, o roubo de telemóveis e plasmas, a jactância das filmagens para o Facebook e o You Tube de pôr um carro a arder, tudo isto aponta para algo que pode ser classificado de “movimento social”. Só que penso igualmente que nenhuma sociedade civilizada pode permitir que a ordem e segurança dos seus cidadãos, incluindo o direito de propriedade, seja posto em causa por uma qualquer “subcultura juvenil” criminosa, pelo que uma das coisas que tem faltado e muito em Londres, é polícia, prisões e, para os culpados, condenações. E pelos vistos, faltam também canhões de água, um método bastante civilizado de conter tumultos, que pelos vistos os ingleses só usam na Irlanda do Norte.
Eu sei bem que palavras como “civilização”, “ordem”, “crime” estão nos antípodas da sociologia da desculpa social, que as consideram uma variante da linguagem do poder, mas sempre podemos ver as coisas de outro modo sem sair do “social”. Se daqui a meia dúzia de dias, os tumultos continuarem, aparecerá outro “movimento social”, constituído por cidadãos locais, pequenos comerciantes, lojistas, que se vão organizar em milícias para defender as suas casas e as suas lojas. Nessa altura, um encapuçado a contar as suas aventuras ao telemóvel ao mesmo tempo que apedreja uma montra, corre o risco de levar um tiro de caçadeira, ou uma sova monumental com barras de ferro. Não é bonito de se ver, mas também é “social”.
PS Tirado daqui
martes, 9 de agosto de 2011
Uma bela análise da situacao econômica atual
E qual é o problema de fundo?
O problema é a Europa. É preciso esquecer os problemas nacionais e pensar na Europa. Neste momento, já se percebeu que com os habitantes, com os agentes, com os decisores económicos que temos hoje, ninguém acredita nesta solução. A partir daqui, é simples: isto vai-se desmoronar! Estas pessoas não são capazes de manter o sistema.
Porquê?
Porque não percebem que há mudanças que levam a que só para se manter o sistema seja preciso mudar esse mesmo sistema. E aquilo que se está a mudar não é suficiente para acompanhar as mudanças. E não há ninguém na Europa capaz de o fazer.
As pessoas estão na vida activa entre os 25 e os 65 anos, são quarenta anos. Em dez anos, um quarto das pessoas que estão activas a tomar decisões desapareceu e entraram novos. Nos últimos 20 anos, metade dos decisores já são completamente diferentes, aqueles que estavam no topo da pirâmide desapareceram todos.
Isso significa que não estamos a ser capazes de formar líderes?
Isso não se forma. Por muito que se lhes dê. Há os genes... Isto foi sempre assim ao longo da História.
O seu cenário é de colapso...
A Europa, assim, vai desaparecer. Fica a Europa geográfica, desde que os países não continuem a deriva das placas tectónicas.
Tem que se resolver o problema maior antes de todos os outros...
Claro. Churchill, quando estava a delinear o desembarque, não estava preocupado se os soldadinhos iam para aqui ou para acoli. Não! A questão é: onde vai ser o desembarque e porquê? Isso é que é decisivo, o resto são problemazinhos. E a Europa dos últimos 60 a 70 anos é o resultado daquela decisão, da influência que ele teve naquela decisão. Mais nada. O resto é conversa!
E hoje, não há essa visão?
Não, nem há quem tenha o poder para. A questão, é que na política internacional sentavam-se três ou quatro pessoas para tomar café ao fim da tarde e todos percebiam que tinham que abdicar de coisas para a construção de um projecto. Toda a gente tem que abdicar. O que está a acontecer é que os estadistas não estão a querer abdicar para construir. Estão a vincar fronteiras para definir limites de responsabilidade. Bom, e se é isto que os cidadãos querem, tudo bem. Agora, meus amigos, tenham cuidado...
Os alemães vão ficar orgulhosamente sós?
Os alemães qualquer dia não saem da Alemanha. Eles, que gostavam tanto de ir passar férias à Grécia, era só descer um bocadinho, já não podem lá pôr os pés. Arriscam a chegar lá e nada funcionar. Imagine que têm um azar, vão parar a um hospital e depois lhes dizem que não há soro - e nem dizem em alemão, que não sabem, dizem em inglês; olhe, soro, não há! O hospital não tem dinheiro para comprar soro. O senhor, trouxe soro de casa, da Alemanha? Não?! Azar. Vá lá mandar comprar. Depois, a seguir, já não vêm a Portugal, depois já não vão a Itália, nem a Espanha... Ficam a fazer férias debaixo do capacete. Se os cidadãos querem isso, é isso que vamos ter.
E voltamos ao mesmo, ninguém dá um murro na mesa...
Esta gente não tem força, não tem coragem. Eles podiam arriscar, mas não arriscam.
Não conseguimos continuar com esta Europa, não podemos sair do euro... Que solução?
Pois, isto é entre escolher morrer ou ficar sem pernas e sem braços.
Mas é aí mesmo que estamos.
É, estamos nessa fase. Portugal sem euro é de tal maneira dramático, que não sei.
Temos as dívidas em euros, mas só algumas, como é que se escolhe? Depois disso, alguém vai financiar Portugal? Portugal vai conseguir importar alguma coisa? Só em valores da balança comercial alimentar, nós exportamos 6 mil milhões de euros por ano e importamos 9 mil milhões de euros. Só aqui, o défice é de mais de 3 mil milhões de euros. Ou seja, vai haver fome. É demasiado grave. E energia? Que combustível é que se compra?
Dentro de Portugal há regiões mais fortes e mais fracas. Se partir e se disser aos fracos agora governem-se, percebe-se logo que estão condenados. Agora, imagine o que é dizer: vocês ficam com a lira transmontana... Quem é que aceita essa moeda?
Portanto, significa fome, mal-estar, doença, morte. É um cenário apocalíptico. E, se olharmos para a História, temos períodos de grande perda, de grande calamidade.
Agora, acho que é um disparate ter-se construído o que se construiu, do ponto de vista socioeconómico, e depois não se ser capaz de manter os sistemas a funcionar. Isto é ruinoso.
Sobre as dívidas soberanas e os Estados Unidos...
Os Estados Unidos estão na mesma jigajoga. Há aqui um fenómeno muito interessante, que é o crescimento do crédito, a nível internacional. O crédito permite uma coisa extraordinária, que é antecipar consumo. É muito saboroso, mas fica a dívida, que já não sabe tão bem. Estou convencido que o Homem é o único animal que concede crédito. Ora hoje, os agentes económicos sabem a mesma coisa ao mesmo tempo - que é no telemóvel - reagem todos da mesma maneira. Isto cria volatilidade nos mercados. Imagine o que é começar a gritar fogo só por causa do fumo de um cigarro.
Neste caso, acenderam os cigarros todos ao mesmo tempo...
Tudo mudava se, de um dia para o outro, disséssemos: o quê, mas isto só tem um endividamento de 100% do PIB, mas isso não é nada. Porque o standard é 200%, toda a gente leu nos livros que até 200% não há problema nenhum. E pronto, vamos crescer em dívida. Deixava da haver problema, tremores, sustos. As bolsas acalmavam, os estados desatavam a emitir dívida, toda a gente a comprar...
Era um pulinho até aos 200%...
Sim, mas acabava o problema agora. As leis económicas de valor e de percepção de valor estão dentro da cabeça das pessoas. A partir daí, nós estamos assustadas com aquilo que criámos. Como é que isso se resolve, como é que desinchamos o balão do crédito que deixámos crescer? Eu não estou a ver forma de o fazer sem perda de bem estar. Vamos ter que penar.
É cumprir os mandamentos da Troika, no caso português?
Sim. Em Portugal, só temos uma coisa a fazer: cumprir aquilo que se acordou com a Troika. Mais nada. Fazer aquilo e ainda melhor que aquilo, em qualidade de decisão e em tempo.
E acredita que vamos ser capazes?
Eu tenho até ficado surpreendido com este governo e com as decisões que tem vindo a tomar. A privatização do BPN, por exemplo.
E isso vai salvar Portugal?
Não, não vai. O problema é que depois tem que haver a alteração do paradigma económico. E essa alteração não vai estar nas mãos do governo, vai estar nas mãos do portugueses. O infante podia dizer vamos com as naus, podia até construir as naus. Mas quem entra nas naus tem que entrar de livre vontade. Nós, ou bem que estamos numa economia de mercado ou não estamos numa economia de mercado. O que o governo tem que fazer é ser o agente facilitador.
A nossa economia ainda está muito estatizada...
É preciso tirar esse peso, que é muito fácil ser burocratizante, à economia. Porque a administração pública, o Estado, não tem por função desenvolver a maioria das actividades económicas que por aí faz. Não tem. O Estado não deve ter aquilo que deve pertencer à iniciativa privada. E falta iniciativa privada, dos cidadãos. Ainda temos esta cultura, de achar que o Estado é que tem que resolver tudo. E depois, acham que dá segurança estar no Estado. Isto tem que se alterar. Não dá segurança nenhuma estar no Estado, o que dá segurança é estar numa actividade que é bem sucedida.
Portanto, acho que se deve repensar o poder do Estado e os deveres do Estado para depois desobrigar os cidadãos e dar-lhes mais possibilidade de escolha: façam o que entenderem.
Então não aprova o reforço orçamental de 12 mil milhões para a banca...
O sistema bancário ou é privado ou é público. Aquilo que se diz é o orçamento passa a prever a possibilidade de, de alguma forma, vir a suportar a solvabilidade dos bancos. Como é que o vai fazer? Se o capital for remunerado, não vejo problema nenhum. Se o Estado for accionista como os outros, entrando através de um aumento de capital, e tiver participação nos lucros, acho bem. Passado um tempo, pode vender a sua posição, de preferência por mais dinheiro do que a comprou.
Mas é importante sublinhar que deve jogar sempre pelas mesmas regras, ou não deve?
Isso leva-me a outra questão. A Europa, tal como está também não se safa, por outros motivos. Tem uma população envelhecida e um problema de concorrência com os asiáticos, que dificilmente supera... Para pôr as coisas no sítio certo, a Europa tem que passar a exigir um comportamento da contraparte com quem se relaciona semelhante àquele que tem com os seus. Não pode estar a competir no mercado com regras diferentes. Não podemos negociar com quem não pratica internamente o mesmo tipo de regras que nós praticamos. Caso contrário, está a haver competição desleal. Não é justo estar a fechar fábricas e punir os portugueses que têm a trabalhar miúdos com doze anos, quando os outros países fazem isso.
E como é que isso se garante?
Têm que ter vistos. Carimbos de qualidade, se não, não entram. Tem selo de compliance entra, não tem fica fora. Isto disciplina a contraparte. Não pode importar coisas que danificam a estrutura produtiva interna à custa de um liberalismo total. Isto é ridículo. A concorrência interna não se pode beliscar e depois é queimada pela concorrência externa. E depois, há dois indivíduos a digladiarem-se no tribunal europeu, porque este fez aqui e o outro fez não sei o quê. E vem um de fora da Europa e os dois de dentro ficam insolventes... Mas que ridículo é este? O que quero é que o que vem jogue com as mesmas regras dos de dentro. E isso, é o Estado que tem que impor.
Falou em terrorismo. O terrorismo, hoje, não precisa fazer sangue...
Os mercados financeiros permitem conquistar território financeiro sem invasão. Compra um activo, tem a influência, o poder. Hoje não se espicha sangue, mas podem fazer-se muitas maldades dentro da lei. São outras invasões.
E adivinha-se já quem vai ganhar esta guerra?
Não tenho assim uma visão estruturante. Mas há grupos económicos que conseguem entrar em Portugal, ganhar posição, ter imenso poder, e que estão claramente a ganhar. Têm poder aquisitivo. Eu vejo isso com bons olhos. São essas as regras que estão estabelecidas, não tem problema, pelo contrário. Sinto-me mais próximo de decisores angolanos do que decisores chineses, até do ponto de vista cultural.
E que é que está no início e no fim da "cadeia alimentar"?
Os EUA são a baleia ferida. Muita força, mas muito ferida. Por outro lado, tem um animal extraordinário que é a China, mas que precisa da baleia para alimentar essa pujança. O curioso é que criou uma interdependência no Mundo que desagrada a todos. E é por isso que o equilíbrio está agora em risco.
Estamos a tomar consciência dos limites da democracia?
Sim. Mas isso não é mau, é até bom. Apercebemo-nos de que há coisas que, em determinadas fases, não podem ser votadas.
Como é que vê o próximo ano?
Pior que este. Isto é como o parafuso, aperta sempre para o mesmo lado e, em cima de um aperto, é preciso outro e mais outro. Montámos, agora temos que pagar as contas! Mas sabe, tenho feito imensas palestras, imensas conferências e, quando acabo, fico um bocado desanimado, porque a expectativa é sempre muito negra. Eu tenho a expectativa de acabar a minha carreira já não em Portugal, mas a fazer conferências internacionais a explicar como é que Portugal foi capaz de sair desta situação. Ainda não sei bem a história que vou contar...
Fonte ionline
O problema é a Europa. É preciso esquecer os problemas nacionais e pensar na Europa. Neste momento, já se percebeu que com os habitantes, com os agentes, com os decisores económicos que temos hoje, ninguém acredita nesta solução. A partir daqui, é simples: isto vai-se desmoronar! Estas pessoas não são capazes de manter o sistema.
Porquê?
Porque não percebem que há mudanças que levam a que só para se manter o sistema seja preciso mudar esse mesmo sistema. E aquilo que se está a mudar não é suficiente para acompanhar as mudanças. E não há ninguém na Europa capaz de o fazer.
As pessoas estão na vida activa entre os 25 e os 65 anos, são quarenta anos. Em dez anos, um quarto das pessoas que estão activas a tomar decisões desapareceu e entraram novos. Nos últimos 20 anos, metade dos decisores já são completamente diferentes, aqueles que estavam no topo da pirâmide desapareceram todos.
Isso significa que não estamos a ser capazes de formar líderes?
Isso não se forma. Por muito que se lhes dê. Há os genes... Isto foi sempre assim ao longo da História.
O seu cenário é de colapso...
A Europa, assim, vai desaparecer. Fica a Europa geográfica, desde que os países não continuem a deriva das placas tectónicas.
Tem que se resolver o problema maior antes de todos os outros...
Claro. Churchill, quando estava a delinear o desembarque, não estava preocupado se os soldadinhos iam para aqui ou para acoli. Não! A questão é: onde vai ser o desembarque e porquê? Isso é que é decisivo, o resto são problemazinhos. E a Europa dos últimos 60 a 70 anos é o resultado daquela decisão, da influência que ele teve naquela decisão. Mais nada. O resto é conversa!
E hoje, não há essa visão?
Não, nem há quem tenha o poder para. A questão, é que na política internacional sentavam-se três ou quatro pessoas para tomar café ao fim da tarde e todos percebiam que tinham que abdicar de coisas para a construção de um projecto. Toda a gente tem que abdicar. O que está a acontecer é que os estadistas não estão a querer abdicar para construir. Estão a vincar fronteiras para definir limites de responsabilidade. Bom, e se é isto que os cidadãos querem, tudo bem. Agora, meus amigos, tenham cuidado...
Os alemães vão ficar orgulhosamente sós?
Os alemães qualquer dia não saem da Alemanha. Eles, que gostavam tanto de ir passar férias à Grécia, era só descer um bocadinho, já não podem lá pôr os pés. Arriscam a chegar lá e nada funcionar. Imagine que têm um azar, vão parar a um hospital e depois lhes dizem que não há soro - e nem dizem em alemão, que não sabem, dizem em inglês; olhe, soro, não há! O hospital não tem dinheiro para comprar soro. O senhor, trouxe soro de casa, da Alemanha? Não?! Azar. Vá lá mandar comprar. Depois, a seguir, já não vêm a Portugal, depois já não vão a Itália, nem a Espanha... Ficam a fazer férias debaixo do capacete. Se os cidadãos querem isso, é isso que vamos ter.
E voltamos ao mesmo, ninguém dá um murro na mesa...
Esta gente não tem força, não tem coragem. Eles podiam arriscar, mas não arriscam.
Não conseguimos continuar com esta Europa, não podemos sair do euro... Que solução?
Pois, isto é entre escolher morrer ou ficar sem pernas e sem braços.
Mas é aí mesmo que estamos.
É, estamos nessa fase. Portugal sem euro é de tal maneira dramático, que não sei.
Temos as dívidas em euros, mas só algumas, como é que se escolhe? Depois disso, alguém vai financiar Portugal? Portugal vai conseguir importar alguma coisa? Só em valores da balança comercial alimentar, nós exportamos 6 mil milhões de euros por ano e importamos 9 mil milhões de euros. Só aqui, o défice é de mais de 3 mil milhões de euros. Ou seja, vai haver fome. É demasiado grave. E energia? Que combustível é que se compra?
Dentro de Portugal há regiões mais fortes e mais fracas. Se partir e se disser aos fracos agora governem-se, percebe-se logo que estão condenados. Agora, imagine o que é dizer: vocês ficam com a lira transmontana... Quem é que aceita essa moeda?
Portanto, significa fome, mal-estar, doença, morte. É um cenário apocalíptico. E, se olharmos para a História, temos períodos de grande perda, de grande calamidade.
Agora, acho que é um disparate ter-se construído o que se construiu, do ponto de vista socioeconómico, e depois não se ser capaz de manter os sistemas a funcionar. Isto é ruinoso.
Sobre as dívidas soberanas e os Estados Unidos...
Os Estados Unidos estão na mesma jigajoga. Há aqui um fenómeno muito interessante, que é o crescimento do crédito, a nível internacional. O crédito permite uma coisa extraordinária, que é antecipar consumo. É muito saboroso, mas fica a dívida, que já não sabe tão bem. Estou convencido que o Homem é o único animal que concede crédito. Ora hoje, os agentes económicos sabem a mesma coisa ao mesmo tempo - que é no telemóvel - reagem todos da mesma maneira. Isto cria volatilidade nos mercados. Imagine o que é começar a gritar fogo só por causa do fumo de um cigarro.
Neste caso, acenderam os cigarros todos ao mesmo tempo...
Tudo mudava se, de um dia para o outro, disséssemos: o quê, mas isto só tem um endividamento de 100% do PIB, mas isso não é nada. Porque o standard é 200%, toda a gente leu nos livros que até 200% não há problema nenhum. E pronto, vamos crescer em dívida. Deixava da haver problema, tremores, sustos. As bolsas acalmavam, os estados desatavam a emitir dívida, toda a gente a comprar...
Era um pulinho até aos 200%...
Sim, mas acabava o problema agora. As leis económicas de valor e de percepção de valor estão dentro da cabeça das pessoas. A partir daí, nós estamos assustadas com aquilo que criámos. Como é que isso se resolve, como é que desinchamos o balão do crédito que deixámos crescer? Eu não estou a ver forma de o fazer sem perda de bem estar. Vamos ter que penar.
É cumprir os mandamentos da Troika, no caso português?
Sim. Em Portugal, só temos uma coisa a fazer: cumprir aquilo que se acordou com a Troika. Mais nada. Fazer aquilo e ainda melhor que aquilo, em qualidade de decisão e em tempo.
E acredita que vamos ser capazes?
Eu tenho até ficado surpreendido com este governo e com as decisões que tem vindo a tomar. A privatização do BPN, por exemplo.
E isso vai salvar Portugal?
Não, não vai. O problema é que depois tem que haver a alteração do paradigma económico. E essa alteração não vai estar nas mãos do governo, vai estar nas mãos do portugueses. O infante podia dizer vamos com as naus, podia até construir as naus. Mas quem entra nas naus tem que entrar de livre vontade. Nós, ou bem que estamos numa economia de mercado ou não estamos numa economia de mercado. O que o governo tem que fazer é ser o agente facilitador.
A nossa economia ainda está muito estatizada...
É preciso tirar esse peso, que é muito fácil ser burocratizante, à economia. Porque a administração pública, o Estado, não tem por função desenvolver a maioria das actividades económicas que por aí faz. Não tem. O Estado não deve ter aquilo que deve pertencer à iniciativa privada. E falta iniciativa privada, dos cidadãos. Ainda temos esta cultura, de achar que o Estado é que tem que resolver tudo. E depois, acham que dá segurança estar no Estado. Isto tem que se alterar. Não dá segurança nenhuma estar no Estado, o que dá segurança é estar numa actividade que é bem sucedida.
Portanto, acho que se deve repensar o poder do Estado e os deveres do Estado para depois desobrigar os cidadãos e dar-lhes mais possibilidade de escolha: façam o que entenderem.
Então não aprova o reforço orçamental de 12 mil milhões para a banca...
O sistema bancário ou é privado ou é público. Aquilo que se diz é o orçamento passa a prever a possibilidade de, de alguma forma, vir a suportar a solvabilidade dos bancos. Como é que o vai fazer? Se o capital for remunerado, não vejo problema nenhum. Se o Estado for accionista como os outros, entrando através de um aumento de capital, e tiver participação nos lucros, acho bem. Passado um tempo, pode vender a sua posição, de preferência por mais dinheiro do que a comprou.
Mas é importante sublinhar que deve jogar sempre pelas mesmas regras, ou não deve?
Isso leva-me a outra questão. A Europa, tal como está também não se safa, por outros motivos. Tem uma população envelhecida e um problema de concorrência com os asiáticos, que dificilmente supera... Para pôr as coisas no sítio certo, a Europa tem que passar a exigir um comportamento da contraparte com quem se relaciona semelhante àquele que tem com os seus. Não pode estar a competir no mercado com regras diferentes. Não podemos negociar com quem não pratica internamente o mesmo tipo de regras que nós praticamos. Caso contrário, está a haver competição desleal. Não é justo estar a fechar fábricas e punir os portugueses que têm a trabalhar miúdos com doze anos, quando os outros países fazem isso.
E como é que isso se garante?
Têm que ter vistos. Carimbos de qualidade, se não, não entram. Tem selo de compliance entra, não tem fica fora. Isto disciplina a contraparte. Não pode importar coisas que danificam a estrutura produtiva interna à custa de um liberalismo total. Isto é ridículo. A concorrência interna não se pode beliscar e depois é queimada pela concorrência externa. E depois, há dois indivíduos a digladiarem-se no tribunal europeu, porque este fez aqui e o outro fez não sei o quê. E vem um de fora da Europa e os dois de dentro ficam insolventes... Mas que ridículo é este? O que quero é que o que vem jogue com as mesmas regras dos de dentro. E isso, é o Estado que tem que impor.
Falou em terrorismo. O terrorismo, hoje, não precisa fazer sangue...
Os mercados financeiros permitem conquistar território financeiro sem invasão. Compra um activo, tem a influência, o poder. Hoje não se espicha sangue, mas podem fazer-se muitas maldades dentro da lei. São outras invasões.
E adivinha-se já quem vai ganhar esta guerra?
Não tenho assim uma visão estruturante. Mas há grupos económicos que conseguem entrar em Portugal, ganhar posição, ter imenso poder, e que estão claramente a ganhar. Têm poder aquisitivo. Eu vejo isso com bons olhos. São essas as regras que estão estabelecidas, não tem problema, pelo contrário. Sinto-me mais próximo de decisores angolanos do que decisores chineses, até do ponto de vista cultural.
E que é que está no início e no fim da "cadeia alimentar"?
Os EUA são a baleia ferida. Muita força, mas muito ferida. Por outro lado, tem um animal extraordinário que é a China, mas que precisa da baleia para alimentar essa pujança. O curioso é que criou uma interdependência no Mundo que desagrada a todos. E é por isso que o equilíbrio está agora em risco.
Estamos a tomar consciência dos limites da democracia?
Sim. Mas isso não é mau, é até bom. Apercebemo-nos de que há coisas que, em determinadas fases, não podem ser votadas.
Como é que vê o próximo ano?
Pior que este. Isto é como o parafuso, aperta sempre para o mesmo lado e, em cima de um aperto, é preciso outro e mais outro. Montámos, agora temos que pagar as contas! Mas sabe, tenho feito imensas palestras, imensas conferências e, quando acabo, fico um bocado desanimado, porque a expectativa é sempre muito negra. Eu tenho a expectativa de acabar a minha carreira já não em Portugal, mas a fazer conferências internacionais a explicar como é que Portugal foi capaz de sair desta situação. Ainda não sei bem a história que vou contar...
Fonte ionline
Deu no Blog do Magno Martins:
As boas-novas da passagem de Dilma por Juazeiro
Na última sexta, em que a presidenta Dilma Rousseff (PT) entregou 1, 5 mil unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida em Juazeiro (BA), o ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho, filho de Petrolina, do outro lado do rio, convenceu a presidente a anunciar também três boas notícias para o sertão nordestino.
Primeira, a Superintendência da Caixa Econômica Federal para Petrolina, que vai evitar que os sertanejos tenham que se deslocar até o Recife para a resolução dos seus problemas; a reativação da Hidrovia do São Francisco com recursos do PAC 2, viabilizando a navegabilidade de Pirapora a Petrolina e Juazeiro.
Com a hidrovia garantida, a presidenta anunciou também a segunda fase da Transnordestina, com a ferrovia ligando Parnamirim a Petrolina e Juazeiro a Salvador, garantindo o escoamento da soja produzida. A terceira boa-nova foi o compromisso de Dilma em voltar a Petrolina, em setembro, para lançar o Plano Nacional de Irrigação.
Fonte Blog do Magno Martins
Na última sexta, em que a presidenta Dilma Rousseff (PT) entregou 1, 5 mil unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida em Juazeiro (BA), o ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho, filho de Petrolina, do outro lado do rio, convenceu a presidente a anunciar também três boas notícias para o sertão nordestino.
Primeira, a Superintendência da Caixa Econômica Federal para Petrolina, que vai evitar que os sertanejos tenham que se deslocar até o Recife para a resolução dos seus problemas; a reativação da Hidrovia do São Francisco com recursos do PAC 2, viabilizando a navegabilidade de Pirapora a Petrolina e Juazeiro.
Com a hidrovia garantida, a presidenta anunciou também a segunda fase da Transnordestina, com a ferrovia ligando Parnamirim a Petrolina e Juazeiro a Salvador, garantindo o escoamento da soja produzida. A terceira boa-nova foi o compromisso de Dilma em voltar a Petrolina, em setembro, para lançar o Plano Nacional de Irrigação.
Fonte Blog do Magno Martins
domingo, 7 de agosto de 2011
Petrolina por um leitor
Para quem nasceu, mora ou morou em Petrolina…Ser Petrolinense É:
- Acreditar que tomar banho no Rio São Francisco quando se está gripado cura a gripe;
- Pegar ‘pônga’ nos trens da Leste;
- Ter acompanhado a Filarmônica 21 de Setembro comandada por Mestre Pedro;
- Lembrar com saudades das Serestas do Bambuzinho e do Posto Carranca;
- Lembrar do Óleo Caiano;
- Nadar até as Pedras para mostrar que tinha coragem;
- Ter visto o Portão da Ponte subir para dar passagem aos Vapores do Velho Chico;
- Ter chupado Picolé Alaska;
- Ter saudades dos sorvetes da IGLU (Seu Edgar);
- Não se esquecer do Caldinho de Pereira;
- Lembrar das noites do Petrolina Clube e da 21 de Setembro;
- Ter saudades dos fins de semana no Aeroporto Velho;
- Sentar na Praça Dom Malan ao pé da estátua;
- Caminhar ao redor da Concha Acústica nas noites de domingo;
- Pedir a benção a padre Bernardino;
- Andar no elevador do edifício Borges;
- Pular carnaval na Souza Filho;
- Roubar caju no muro da APAMI;
- Ter andado nos brinquedos do Luna Parque;
- Chupar as mangas da Delegacia; (hoje 2.ª DP)
- Ter saudades do Domingo Show e Alegria no Cine Massangano, com Zé Maria Silva;
- Ter assistido matinês no Cine Petrolina nos domingos à tarde;
- Ter comido pão quentinho na padaria de seu Mário e D. Belinha;
- Atravessado a pista do aeroporto velho na carreira com medo da policia;
- Ter ido ao ‘Balão’ à noite sendo menor de idade;
- Ter jogado futebol no campo do museu com uma bola dente-de-leite;
- Lembrar com saudades da Boate Chukalhos;
- Ter comprado fita gravada na Tamba Discos de Marinaldo;
- Ter feito a caminhada bíblica ao redor de Petrolina, caminhando até de manhã;
- Ter estudado no D. Bosco, Estadual, Industrial (EMAAF), Dom Malan, Artífices, Auxiliadora, Adelina Almeida, Polivalente…;
- Ter soltado arraia no limpão da biblioteca;
- Assistido à missa de domingo à tarde na capela de Atrás da Banca (Padre Bartolomeu);
- Ter torcido nas Olimpíadas lá no Centro da Juventude;
- Ter saudades do Alvorada Lanches;
- Ter tomado carreira de algum doido;
- Comprado material escolar lá no O Pharol;
- Ler revistinha na banca de revistas de seu Góes;
E por aí vai! Mas o importante é ter orgulho e saudades da infância e da cidade que cresceram juntas e não voltam mais!
Bernardo Belchior/Leitor
Enviado por Chico Granja
- Acreditar que tomar banho no Rio São Francisco quando se está gripado cura a gripe;
- Pegar ‘pônga’ nos trens da Leste;
- Ter acompanhado a Filarmônica 21 de Setembro comandada por Mestre Pedro;
- Lembrar com saudades das Serestas do Bambuzinho e do Posto Carranca;
- Lembrar do Óleo Caiano;
- Nadar até as Pedras para mostrar que tinha coragem;
- Ter visto o Portão da Ponte subir para dar passagem aos Vapores do Velho Chico;
- Ter chupado Picolé Alaska;
- Ter saudades dos sorvetes da IGLU (Seu Edgar);
- Não se esquecer do Caldinho de Pereira;
- Lembrar das noites do Petrolina Clube e da 21 de Setembro;
- Ter saudades dos fins de semana no Aeroporto Velho;
- Sentar na Praça Dom Malan ao pé da estátua;
- Caminhar ao redor da Concha Acústica nas noites de domingo;
- Pedir a benção a padre Bernardino;
- Andar no elevador do edifício Borges;
- Pular carnaval na Souza Filho;
- Roubar caju no muro da APAMI;
- Ter andado nos brinquedos do Luna Parque;
- Chupar as mangas da Delegacia; (hoje 2.ª DP)
- Ter saudades do Domingo Show e Alegria no Cine Massangano, com Zé Maria Silva;
- Ter assistido matinês no Cine Petrolina nos domingos à tarde;
- Ter comido pão quentinho na padaria de seu Mário e D. Belinha;
- Atravessado a pista do aeroporto velho na carreira com medo da policia;
- Ter ido ao ‘Balão’ à noite sendo menor de idade;
- Ter jogado futebol no campo do museu com uma bola dente-de-leite;
- Lembrar com saudades da Boate Chukalhos;
- Ter comprado fita gravada na Tamba Discos de Marinaldo;
- Ter feito a caminhada bíblica ao redor de Petrolina, caminhando até de manhã;
- Ter estudado no D. Bosco, Estadual, Industrial (EMAAF), Dom Malan, Artífices, Auxiliadora, Adelina Almeida, Polivalente…;
- Ter soltado arraia no limpão da biblioteca;
- Assistido à missa de domingo à tarde na capela de Atrás da Banca (Padre Bartolomeu);
- Ter torcido nas Olimpíadas lá no Centro da Juventude;
- Ter saudades do Alvorada Lanches;
- Ter tomado carreira de algum doido;
- Comprado material escolar lá no O Pharol;
- Ler revistinha na banca de revistas de seu Góes;
E por aí vai! Mas o importante é ter orgulho e saudades da infância e da cidade que cresceram juntas e não voltam mais!
Bernardo Belchior/Leitor
Enviado por Chico Granja
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