
Álvaro, pienso que tus padres deben conocer este canto de Vinicius de Moares. Nuestra “saudade” es infinita, pero la de ellos es indecible. Haz de cuenta que te llamas Pedro…
"Como yo nunca luché para dejarte nada más allá del indispensable día de mañana: una manzana de tierra verde donde pase, quién sabe, un pequeño río pensativo; y en esa tierra, un techo simples donde puedas ocultar la terrible herencia que te dejó tu papá apasionado - la insensatez de un corazón constantemente apasionado.Y porque te hice con mi semen hombre entre los hombres, y te quisiera para siempre esclavo del deber de cuidar de ese terreno, no porque sea mío, pero porque fue plantado con los frutos de mi poesía más dolorosa.De la misma manera que yo, muchas noches, me he debruzado sobre tu cuna y vertido sobre tu pequeñito cuerpo adormecido mis lágrimas de amor más frágiles, pidiendo a todas las divinidades que clavasen en mi carne las flechas hechas para la tuya.Y porque hemos vivido tanto tiempo juntos y tanto tiempo separados, lo que la convivencia creó nunca la ausencia pudo destruir.Así como yo creo en ti porque nasciste del amor y creciste en el ámago mío como un árbol adentro de otro, y te alimentaste de mis entrañas, y al hacerte hombre rompiste mi alburno y estiraste los brazos para un futuro en que creí más que nada.Y siendo que reconozco en tus pies los pies del niño que yo fui un día, en frente al mar; y en la aspereza de la planta de tus pies las grandes piedras que escalé y los altos árboles en que subí; en tus palmas las quemaduras del Infinito que busqué como un loco alcanzar.Porque tu barba proviene de mi barba, y tu sexo de mi sexo, y hay en ti la semilla de la muerte creada por mi vida.Y mi vida, más que ser un tiemplo, es una caverna interminable, en cuyo espacio se esconde un tesoro que me fue legado por mi padre, pero cuyo escondite yo nunca encontré, y cuya descubierta ahora te la pido.Como las amplias estradas de la juventud se han transformado en estas angostas veredas de la madurez, y el Sol que se pone atrás de mi alarga mi sombra como una flecha en dirección al tenebroso Norte.Y la Muerte me asecha en algún lugar, oculta, y yo no quiero tener miedo de ir a su inesperado encuentro.Por eso lloré tantas lágrimas para que tu no tuvieras que llorar, sin saber que creaba un mar de llanto en cuyos vórtices te habrías también de perder.Y cerré bien mi boca para que no gritaras y cegué mis ojos para que no vieras; y cuanto más amordazado, más gritabas; y cuanto más ciego, más veías.Porque la poesía fue para mí una mujer cruel en cuyos brazos me abandoné sin pena, sin siquiera pedir perdón a todas las mujeres que por ella abandoné.Y así como sé que toda mi vida fue una lucha para que nadie tuviera más que luchar:Así es el canto que te quiero cantar, Pedro mi hijo... "
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Álvaro, penso que os seus pais devem conhecer este "canto" do Vinicius de Moraes. A nossa saudade é infinda mas a deles será sempre indizível. Faz de conta que você se chama Pedro.....
"Como eu nunca lutei para deixar-te nada além do amanhã indispensável: um quintal de terra verde onde corra, quem sabe, um córrego pensativo; e nessa terra, um teto simples onde possas ocultar a terrível herança que te deixou teu pai apaixonado - a insensatez de um coração constantemente apaixonado.E porque te fiz com o meu sêmen homem entre os homens, e te quisera para sempre escravo do dever de zelar por esse alqueire, não porque seja meu, mas porque foi plantado com os frutos da minha mais dolorosa poesia.Da mesma forma que eu, muitas noite, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua.E porque vivemos tanto tempo juntos e tanto tempo separados, e o que o convívio criou nunca a ausência pôde destruir.Assim como eu creio em ti porque nasceste do amor e cresceste no âmago de mim como uma árvore dentro de outra, e te alimentaste de minhas vísceras, e ao te fazeres homem rompeste meu alburno e estiraste os braços para um futuro em que acreditei acima de tudo.E sendo que reconheço nos teus pés os pés do menino que eu fui um dia, em frente ao mar; e na aspereza de tuas plantas as grandes pedras que grimpei e os altos troncos que subi; em tuas palmas as queimaduras do Infinito que procurei como um louco tocar.Porque tua barba vem da minha barba, e o teu sexo do meu sexo, e há em ti a semente da morte criada por minha vida.E minha vida, mais que ser um templo, é uma caverna interminável, em cujo recesso esconde-se um tesouro que me foi legado por meu pai, mas cujo esconderijo eu nunca encontrei, e cuja descoberta ora te peço.Como as amplas estradas da mocidade se transformaram nestas estreitas veredas da madureza, e o Sol que se põe atrás de mim alonga a minha sombra como uma seta em direção ao tenebroso Norte.E a Morte me espera em algum lugar oculta, e eu não quero ter medo de ir ao seu inesperado encontro.Por isso que eu chorei tantas lágrimas para que não precisasse chorar, sem saber que criava um mar de pranto em cujos vórtices te haverias também de perder.E amordacei minha boca para que não gritasses e ceguei meus olhos para que não visses; e quanto mais amordaçado, mais gritavas; e quanto mais cego, mais vias.Porque a poesia foi para mim uma mulher cruel em cujos braços me abandonei sem remissão, sem sequer pedir perdão a todas as mulheres que por ela abandonei.E assim como sei que toda a minha vida foi uma luta para que ninguém tivesse mais que lutar:Assim é o canto que te quero cantar, Pedro meu filho..." (Vinicius de Moraes)







