sábado, 24 de octubre de 2009

Paulo Renato Souza e a Educaçao


Criar um sistema capaz de atrair os melhores alunos para a carreira de professor é imperativo para um ensino de alto nível. Daí a relevância da aprovação, na semana passada, de um projeto concebido pelo economista Paulo Renato Souza, 64 anos, secretário estadual da Educação em São Paulo. Trata-se de um plano de carreira para os professores inteiramente baseado na meritocracia, conceito ainda raro nas escolas brasileiras e repudiado pelos sindicatos, seus principais adversários. “Os sindicalistas são um freio de mão para o bom ensino”, resume o ex-ministro da Educação no governo Fernando Henrique, que reconhece avanços na implantação dos rankings no Brasil e da cobrança de resultados com base neles, mas adverte: “É preciso discutir a educação com mais objetividade e menos ideologia”.
Um relatório recente da OCDE mostra que o Brasil foi o país que mais aumentou o investimento na educação em proporção ao total dos gastos públicos - mas muitos se queixam de falta de dinheiro nas escolas. Estão certos?O maior problema no Brasil não é a falta de dinheiro, mas como esses recursos são empregados - em geral, de maneira bastante ineficaz. Daria para obter resultados infinitamente superiores apenas fazendo melhor uso das verbas já existentes. Prova disso é que, com orçamento idêntico, algumas escolas públicas oferecem ensino de ótima qualidade e outras, de péssimo nível.
O que explica isso?As boas são comandadas por diretores com uma visão moderna de gestão, coisa raríssima no país. Não existe no Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda gestor. Quem se sai bem na função de diretor, em geral, é porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso.
As avaliações sempre chamam atenção para o despreparo dos professores brasileiros. A que o senhor atribui isso?Às universidades que pretendem formar professores, mas passam ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática, as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a questões mais teóricas. Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário predominante não passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria. O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista. É uma situação difícil de mudar. A resistência vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país.
Como isso se reflete nas escolas?Muitos professores propagam em sala de aula uma visão pouco objetiva e ideológica do mundo. Alguns não dominam sequer o básico das matérias e outros, ainda que saibam o necessário, ignoram as técnicas para passar o conhecimento adiante. Vê-se nas escolas, inclusive, certa apologia da ausência de métodos de ensino. Uma ideia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade total para construir o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer ciência pressupõe um método. No ensino superior, há também inúmeras mostras de como a ideologia pode sobrepor-se à razão.
Criar um sistema capaz de atrair os melhores alunos para a carreira de professor é imperativo para um ensino de alto nível. Daí a relevância da aprovação, na semana passada, de um projeto concebido pelo economista Paulo Renato Souza, 64 anos, secretário estadual da Educação em São Paulo. Trata-se de um plano de carreira para os professores inteiramente baseado na meritocracia, conceito ainda raro nas escolas brasileiras e repudiado pelos sindicatos, seus principais adversários. “Os sindicalistas são um freio de mão para o bom ensino”, resume o ex-ministro da Educação no governo Fernando Henrique, que reconhece avanços na implantação dos rankings no Brasil e da cobrança de resultados com base neles, mas adverte: “É preciso discutir a educação com mais objetividade e menos ideologia”.
Um relatório recente da OCDE mostra que o Brasil foi o país que mais aumentou o investimento na educação em proporção ao total dos gastos públicos - mas muitos se queixam de falta de dinheiro nas escolas. Estão certos?O maior problema no Brasil não é a falta de dinheiro, mas como esses recursos são empregados - em geral, de maneira bastante ineficaz. Daria para obter resultados infinitamente superiores apenas fazendo melhor uso das verbas já existentes. Prova disso é que, com orçamento idêntico, algumas escolas públicas oferecem ensino de ótima qualidade e outras, de péssimo nível.
O que explica isso?As boas são comandadas por diretores com uma visão moderna de gestão, coisa raríssima no país. Não existe no Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda gestor. Quem se sai bem na função de diretor, em geral, é porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso.
As avaliações sempre chamam atenção para o despreparo dos professores brasileiros. A que o senhor atribui isso?Às universidades que pretendem formar professores, mas passam ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática, as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a questões mais teóricas. Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário predominante não passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria. O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista. É uma situação difícil de mudar. A resistência vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país.
Como isso se reflete nas escolas?Muitos professores propagam em sala de aula uma visão pouco objetiva e ideológica do mundo. Alguns não dominam sequer o básico das matérias e outros, ainda que saibam o necessário, ignoram as técnicas para passar o conhecimento adiante. Vê-se nas escolas, inclusive, certa apologia da ausência de métodos de ensino. Uma ideia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade total para construir o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer ciência pressupõe um método. No ensino superior, há também inúmeras mostras de como a ideologia pode sobrepor-se à razão.
Criar um sistema capaz de atrair os melhores alunos para a carreira de professor é imperativo para um ensino de alto nível. Daí a relevância da aprovação, na semana passada, de um projeto concebido pelo economista Paulo Renato Souza, 64 anos, secretário estadual da Educação em São Paulo. Trata-se de um plano de carreira para os professores inteiramente baseado na meritocracia, conceito ainda raro nas escolas brasileiras e repudiado pelos sindicatos, seus principais adversários. “Os sindicalistas são um freio de mão para o bom ensino”, resume o ex-ministro da Educação no governo Fernando Henrique, que reconhece avanços na implantação dos rankings no Brasil e da cobrança de resultados com base neles, mas adverte: “É preciso discutir a educação com mais objetividade e menos ideologia”.
Um relatório recente da OCDE mostra que o Brasil foi o país que mais aumentou o investimento na educação em proporção ao total dos gastos públicos - mas muitos se queixam de falta de dinheiro nas escolas. Estão certos?O maior problema no Brasil não é a falta de dinheiro, mas como esses recursos são empregados - em geral, de maneira bastante ineficaz. Daria para obter resultados infinitamente superiores apenas fazendo melhor uso das verbas já existentes. Prova disso é que, com orçamento idêntico, algumas escolas públicas oferecem ensino de ótima qualidade e outras, de péssimo nível.
O que explica isso?As boas são comandadas por diretores com uma visão moderna de gestão, coisa raríssima no país. Não existe no Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda gestor. Quem se sai bem na função de diretor, em geral, é porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso.
As avaliações sempre chamam atenção para o despreparo dos professores brasileiros. A que o senhor atribui isso?Às universidades que pretendem formar professores, mas passam ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática, as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a questões mais teóricas. Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário predominante não passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria. O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista. É uma situação difícil de mudar. A resistência vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país.
Como isso se reflete nas escolas?Muitos professores propagam em sala de aula uma visão pouco objetiva e ideológica do mundo. Alguns não dominam sequer o básico das matérias e outros, ainda que saibam o necessário, ignoram as técnicas para passar o conhecimento adiante. Vê-se nas escolas, inclusive, certa apologia da ausência de métodos de ensino. Uma ideia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade total para construir o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer ciência pressupõe um método. No ensino superior, há também inúmeras mostras de como a ideologia pode sobrepor-se à razão.

Fonte: revista VEJA

viernes, 23 de octubre de 2009

Voce se lembra?

"Em que cidade voce mora? Em que paisagem, em que país??me diz?!!!

Dona da minha cabeça

"Nao há futuro nem Porto Seguro"

Sorry seems to be the hardest word

um link aqui

jueves, 22 de octubre de 2009

Rio de Janeiro

Convocação geral
Secretário Beltrame faz apelo emocionado para que transformemos o episódio da derrubada do helicóptero no nosso 11 de setembro. E que assumamos a Segurança como um problema de todos nós, governos e sociedade.





Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2009

Rosa Lima





O desabafo indignado do secretário José Mariano Beltrame arrancou o mais longo aplauso do mais concorrido debate da série organizada pelo Iets, a Associação Comercial do Rio de Janeiro e a Light sobre o futuro do Rio. Diferentemente dos eventos anteriores, não havia mesas no segundo andar da Osteria Dell'Angolo na última segunda-feira, 19 de outubro. Apenas cadeiras, para que mais gente pudesse participar.



Marcado com antecedência para discutir as estratégias de pacificação em curso no estado, o encontro acabou ocorrendo dois dias depois da derrubada de um helicóptero da polícia por bandidos armados, em mais uma disputa de traficantes, que deixou 26 mortos, dentre eles, três policiais e três supostos inocentes. Resultado: choveram inscrições para a 21ª. edição do OsteRio, e a sala do restaurante de Ipanema ficou abarrotada. De empresários, políticos, acadêmicos, executivos, jornalistas, líderes comunitários e de diversos segmentos..., todos ávidos por ouvir o que tinha a dizer o secretário de Segurança Pública.



E o que ouviram não foi a explicação de um representante do poder público cumprindo formalmente seu papel. Mas um discurso emocionado e um apelo dramático que calou fundo em cada um dos presentes. Beltrame deu a dimensão da gravidade e da complexidade da questão. Falou de entraves burocráticos, políticos, legais e culturais a seu trabalho. Cobrou responsabilidade de todas as partes. E, sincero e indignado, fez uma convocação geral: "Que a gente faça da queda desse helicóptero o nosso 11 de setembro. E que assuma a segurança pública como uma política de Estado, e não de governos. E como competência de todos nós, como sociedade". A sala inteira aplaudiu.



Papéis inconciliáveis


Acompanhado do subsecretário Roberto Sá e de outros membros de sua equipe que, como ele, fizeram carreira de destaque na Polícia Federal antes de assumir a espinhosa tarefa de cuidar da segurança fluminense, o gaúcho Beltrame - que muitos dos presentes recearam que cancelaria o evento - começou por expor os três papéis, segundo ele inconciliáveis, que cabem à sua secretaria: polícia de prevenção e investigação, polícia de combate ao narcotráfico e polícia de proximidade.



"Viemos aqui para falar da terceira vertente. Mas esses três papéis são a grande questão que precisa ser equacionada. No Rio, as três funções são exercidas pelas mesmas pessoas. Que tipo de homem consegue isso? É humanamente impossível conciliar esses papéis", disse, ainda contido e visivelmente emocionado com a notícia que recebera havia pouco da morte do terceiro policial envolvido na ação.



Passou então a palavra ao subsecretário para que ele discorresse sobre o tema da noite: as estratégias de pacificação. Roberto Sá falou do quadro de cidade sitiada que encontraram ao assumir o governo e da decisão, fruto de um longo planejamento, de criarem as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Das cerca de mil favelas do Rio, o estudo feito pela Secretaria de Segurança apontou primeiramente as 100 mais críticas e, fechando mais o foco, chegou-se a 43, que deverão receber as UPPs até o fim do governo Cabral. Atualmente, quatro favelas já foram pacificadas com essa política. "Cada uma delas representa livrar do alcance de fuzis, além das próprias comunidades, áreas num raio de quatro quilômetros em volta delas", disse o subsecretário.



O objetivo principal da ação, ele explicou, é a retomada de territórios das mãos do tráfico e das milícias, o restabelecimento da cidadania e a ocupação definitiva das comunidades por policiais recém-formados, que passam a ser vistos pela população como "referenciais do bem". Para isso, o efetivo já passou de 37 mil para 43 mil homens e deve chegar a 60 mil. Para dar conta dos três papéis. "Em dezembro, saem da Academia mais 600 novos policiais, treinados para essa função de "pacificadores". Em abril, virão mais 700. Serão 1.300 policiais sem vícios, educados, sem passivo, um investimento do governo estadual e, com ajuda da prefeitura, que está pagando gratificação extra aos recém-formados. Esses policiais poderiam estar nas ruas, prevenindo assaltos. Mas irão para as favelas porque a pacificação é nossa prioridade".



Responsabilidade de todos


"Trata-se de uma ação planejada, com começo, meio e fim. Não tem achismo. Nós não temos a pretensão de acabar com a violência nem com o tráfico, mas com o domínio armado de territórios. Mas uma vez que nós devolvemos essas comunidades para a cidade, é preciso que todos os cariocas as abracem como bairros, levando a elas os serviços disponíveis no resto da cidade. Isso é competência de todos: empresas, políticos, governos. É preciso que cada um assuma sua responsabilidade", disse Beltrame.



Pesquisa encomendada à Fundação Getúlio Vargas sobre os impactos das UPPs revelaram que, no Dona Marta, 87% apoiariam uma intervenção forte da polícia se os traficantes voltassem a agir livremente. Na Cidade de Deus, esse índice chegou a 93%. Perguntados sobre que ações consideram mais importante na prevenção da criminalidade, a maioria esmagadora respondeu: a oferta de cursos profissionalizantes e a geração de emprego e renda. "É por isso que faço um apelo aos empresários. Invistam nessas áreas. O estado não pode se omitir, mas o setor privado também não", apelou o secretário.



Tradicionalmente contido e discreto, Beltrame pediu desculpas pelo tom, mas foi em frente: "A sociedade precisa entender a segurança do Rio dentro da ótica dos três papéis da polícia. Gostaria de trabalhar só na prevenção, como em Londres, onde 80% dos policiais não usam arma. Mas essa não é a realidade do Rio. No Rio há territórios sob o domínio de fuzis e rifles. Só no Rio existe metralhadora antiaérea. O governo federal é sócio desse problema. O combate ao narcotráfico é de competência da União. Aí ocorre um episódio como o deste fim de semana, e eles ligam oferecendo outro helicóptero. Não quero. É muito pouco. As opções de prateleira que eles nos oferecem - armas não letais, gás de pimenta - não são as que precisamos aqui. A ótica do Rio não é só da prevenção. O Rio precisa que o governo federal assuma plenamente a responsabilidade legal de combate ao tráfico. Se não assume, nós assumimos. Tudo bem. Vamos fazer. Estamos fazendo. Mas de que adianta me darem R$ 10 milhões ou R$ 100 milhões se não posso gerenciar essa verba? Eu quis comprar carros blindados de Israel e da África do Sul. Fiz o pedido. Ah, não pode, porque esses veículos têm características de guerra. E isso que vivemos no Rio é o quê? O que a população não entende é que o governo federal não tem de 'ajudar o Rio' a combater o narcotráfico armado. É o Estado do Rio que está ajudando o governo federal em algo que é compromisso de Brasília. Se nós todos não nos unirmos e nos mexermos, se não tivermos o apoio do Legislativo e do Ministério Público para que o país enxergue o Rio como é, realmente, esse pessoal virá aqui na janela com o fuzil na nossa cara", disse.



Um a um, do líder comunitário William da Rocinha ao ministro Marcílio Marques Moreira, passando por acadêmicos como Alba Zaluar e Octávio Amorim, políticos como Andrea Gouvêa Vieira, Aspásia Camargo e Paulo Pinheiro, jornalistas como Xico Vargas e Walter de Mattos, independente das questões ou críticas colocadas, não houve na plateia quem não expusesse primeiro sua solidariedade com a indignação sincera do secretário Beltrame. Foi ela que deu o tom do debate do 21º. OsteRio.



Ronnie Vaz Moreira e Roberto Alcoforado, vice-presidentes da Light, deram seu testemunho dos benefícios econômicos trazidos com a implantação das UPPs. "Antes delas, o faturamento da empresa no Dona Marta, onde há 1.500 residências e 6 mil pessoas, era de R$ 600 mensais. No mês passado, foi R$ 15 mil, e 78% dos pagantes pagaram em dia. No resto da cidade, essa média é de 50%", disse Vaz Moreira. "Agora vamos encarar a Cidade de Deus", complementou Alcoforado.



Flávia Barros, do Instituto Pereira Passos, agradeceu o secretário por tornar seu trabalho possível em áreas antes impenetráveis para os pesquisadores, e Cezar Vasques, diretor do Sebrae, destacou o alcance das políticas das UPPs para as comunidades e se colocou à disposição para articular as empresas em torno delas. "Podemos somar recursos", disse.



Por sua vez, Rubem César Fernandes, do Viva Rio, destacou a importância da política de pacificação e pediu apoio de toda a sociedade. "Pela primeira vez em muito tempo temos uma política que está investindo em pacificação. Mas isso tudo é muito fácil de se perder. Esta é a hora de a sociedade chegar junto. Já existem territórios liberados. Vamos apostar neles".
Via newsletter do IETS

de literatura infanto-juvenil e da aristocracia prometida pelos iluministas

El Nacional de Literatura infantil, para Gómez Cerdá
EL PAÍS - Madrid - 22/10/2009



Un viaje a Colombia fue la inspiración que le permitió a Alfredo Gómez Cerdá (Madrid, 1951) escribir Barro de Medellín (Edelvives), novela premiada ayer con el Nacional de Literatura Infantil y Juvenil, concedido por el Ministerio de Cultura y dotado con 20.000 euros. "Estaré eternamente agradecido a Medellín por haberme regalado unos personajes y una fantástica historia", indicó el escritor.


Barro de Medellín, publicada en 2008, es, según Gómez Cerdá, "una parábola en torno a cómo la cultura puede cambiar a la gente y su mentalidad". Un libro "lleno de sentimientos a pesar de que sus personajes se mueven en un ambiente muy duro y pobre". El viaje a Medellín, la segunda ciudad más poblada de Colombia, le ofreció a Gómez Cerdá la posibilidad de cambiar la imagen preconcebida de violencia que tenía sobre la ciudad colombiana: "Descubrí un Medellín con gente pobre, pero encantadora". La novela cuenta la historia de dos niños abocados a sucumbir en el mundo de la violencia. Su paso por el Parque Biblioteca de la comuna en la que viven les permite descubrir un mundo diferente al entrar en contacto con los libros.
Fuente El Pais

O Premio Principe de Astúriasde letras, literatura e aristocracia anunciada pelo iluminismo.

Cultura y ciencia al son de la gaita
Los premios Príncipe de Asturias congregan un año más a intelectuales, políticos e investigadores - Kadaré y David Attenborough protagonizan la primera jornada
IKER SEISDEDOS - Oviedo - 22/10/2009



Una seca y soleada Oviedo, ciudad que amaneció más justa en términos meteorológicos que de costumbre, se entregó ayer a la primera jornada de agitación de la semana grande de los Príncipes de Asturias en una edición cuya nómina de premiados -sólidos, poco dados a la frivolidad- parece responder a la austeridad marcada por el signo de los tiempos.


La cosecha de 2009

Kadaré: "En Albania pensaron que con el premio me habían hecho noble español"

Attenborough: "Un naturalista es ante todo un coleccionista de experiencias"
Los gaiteros, los aplausos, la gente corriente que convive con entusiasmo y naturalidad durante estos días con personajes extraordinarios... todo lo que hace de estos galardones otra cosa, se dio cita para celebrar ya por la tarde el descenso de los deportivos de gran cilindrada a las puertas del Hotel Reconquista que acoge a Ismaíl Kadaré, galardón de Literatura, y a David Attenborough, de Ciencias Sociales.

Aunque el primero en llegar fue Martin Cooper, premio de Investigación compartido con Raymond S. Tomlinson (al inventor del correo electrónico se le espera hoy). Se ve que Cooper es un tipo acostumbrado a adelantarse; imaginó el primer teléfono móvil en 1973. Y con una de aquellas contundentes armas arrojadizas de casi un kilo se había paseado desde el día anterior por la ciudad, repartiendo poses de científico despistado para los fotógrafos, y, para el resto, profecías sobre el futuro de las comunicaciones y advertencias acerca de los peligros de confundir las utopías de la comunicación global con un autoritarismo de banda ancha.

De una versión ciertamente más prosaica y anticuada de las dictaduras, el comunismo previo a la caída del telón de acero, impartió un magisterio más bien seco, por no decir parco, Ismaíl Kadaré, escritor albanés y coloso de las letras del Este de Europa. "Cuando comunicaron la concesión del Príncipe de Asturias, en Albania pensaron que me habían hecho noble de España", explicó en un encuentro con periodistas. "Vivimos un montón de años bajo el comunismo, pero no crean, los albaneses sentimos nostalgia de la nobleza". Pese a su lejano, pero innegable parecido con Woody Allen (Príncipe de Asturias de las Artes 2002) nadie hizo amago de verle la gracia al chiste, acaso por el francés pedregoso de Kadaré o por su propio semblante, tan áspero y fascinante como su prosa.

La arrogancia de sus respuestas ("El fin del comunismo no ha dado aún grandes obras" o "La única oportunidad de la literatura para cambiar el mundo vendría de su poco probable capacidad para autodestruirse") se antojó a la altura de la trayectoria de un hombre que siempre consiguió salirse con la suya. "Imagine, hablamos de alguien que osó publicar en la Albania de Hoxha El palacio de los sueños

[fábula en la que los ministerios analizan los sueños de los súbditos en pos de la disidencia], y comprobó que no le podían hacer nada. Ya entonces su fama le convertía en intocable", explicaba en el patio del Hotel de La Reconquista Ramón Sánchez Lizarralde, traductor de siempre de Kadaré.

Por lo demás, el autor albanés se mantuvo en la equilibrista postura del disidente tolerado, de la voz de la conciencia que se desgañita desde la torre de marfil. "Los mecanismos de escribir bajo una dictadura no cambian en libertad. Hay límites circunstanciales, por supuesto, pero en lo esencial, la cuestión es la misma", explicó. La pregunta inquiría por el gran acontecimiento, la caída del muro de Berlín, arrollado por el empuje de la Historia, que protagoniza estos premios. Aquellos sucesos de otoño de 1989 y, mejor aún, el modo en que el pueblo alemán se sobrepuso a ellos reciben en esta edición el premio de la Concordia.

Con David Attenborough llegó al caer el sol la lluvia. También, los primeros conatos de histeria popular. Después de todo, su rostro es conocido como el tipo que descubrió en la tele (la BBC) y durante 50 años los misterios de la naturaleza a varias generaciones de chicos espabilados que, en una pirueta catódica de otro tiempo, se veían empujados a apagar el receptor y correr al campo.

"No me preocupa que los niños de ahora, con los videojuegos y todas esas pantallas que consumen su inteligencia, no tengan la curiosidad", explicó una vez terminada la conferencia de prensa y con la irresistible capacidad de contagio de los apasionados por las cosas adecuadas. "Cualquiera que vea un pájaro de niño se siente fascinado. El problema es que se pierde el acceso a lo natural. Otro inconveniente es que el ser coleccionista es algo que ya no interesa. Y un naturalista es ante todo un coleccionista... de mariposas, de huevos de ave o, en definitiva, de experiencias".

Cura de humildad
De estas últimas demostró andar sobrado Attenborough. Este viejo aventurero, austero hipnotizador de las palabras, atesora tantas anécdotas como modestia. "He esperado dos años a que un leopardo albino apareciese ante mi cámara para captar una escena de un minuto en la que, para colmo, el antílope al que perseguía consiguió escapar. Y eso sí es una cura de humildad".

El naturalista británico visita hoy el jardín botánico de Gijón (que en otro evidente gesto de generosidad comparó con los Kew Gardens londinenses). Es una de las numerosas actividades en las que los Príncipes de Asturias entrarán en escena antes de la entrega de los galardones, que tendrá lugar mañana en Oviedo.

El día, por lo demás, estará protagonizado por los emisarios berlineses, los representantes de la Organización Mundial de la Salud (premio a la Cooperación Internacional) y la pertiguista Isinbayeva (Deportes). Y, según las previsiones, será una jornada de lluvia. Porque sí, los elementos amenazan, como es costumbre, con estropear mañana 29 milagrosos años seguidos de ceremonias sin chaparrón.
Fuente El País

miércoles, 21 de octubre de 2009

Trocando em Miúdos

Francis Hime faz setenta. Em forma.

Há dez anos, quando Francis Hime chegou aos 60, começou a compor e a gravar aos montes, com a fixação de que seu tempo era cada vez mais curto. Hoje, aos 70 - completados em 31 de agosto -, o cantor, pianista e compositor valoriza, com calma, pequenos detalhes que antes lhe passavam batidos. Vivendo "o tempo da serenidade", como ele mesmo define, Francis comemora a idade com uma série de novos projetos.

Em uma espécie de encontro entre épocas distintas, ele acaba de lançar o disco duplo Francis Hime - O Tempo das Palavras... Imagem. No primeiro CD, o momento presente do compositor, em 12 faixas inéditas feitas com diversos parceiros, como Geraldo Carneiro, Edu Lobo, Paulo César Pinheiro, Joyce, Paulinho Moska e sua mulher Olívia Hime. No segundo, em uma viagem ao passado, revirou seu baú de partituras para resgatar e gravar trilhas criadas por ele para filmes das décadas de 60 e 70, como Dona Flor e Seus Dois Maridos, A Noiva da Cidade, O Homem Que Comprou o Mundo e Um Homem Célebre. Com o detalhe precioso de ser a primeira vez na carreira que Francis registra suas músicas com arranjos para piano-solo.

O disco, já apresentado no Rio, no Espaço Tom Jobim, chega aos palcos de São Paulo em novembro, com shows no Sesc. No mesmo mês, a obra de Francis será interpretada pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que tocará o Concerto para Violão e Orquestra, composto por ele em homenagem a Raphael Rabello (1962-1995), seis meses antes da morte do violonista. Na apresentação, de 40 minutos, Fábio Zanon será o solista, e a mexicana Alondra de la Parra, a regente convidada.

As comemorações invadem o ano que vem, quando está previsto o lançamento de uma caixa com sua obra completa. Bela chance de lembrar que grandes sucessos de Chico Buarque, Vinicius e Ruy Guerra muito devem a Francis Hime.
Fonte Estadao

Turismo e Mercado????

Restauração de pirâmide gera polêmica entre Unesco e Bolívia; assista
da BBC Brasil

O ministro da Cultura da Bolívia disse não acreditar que a restauração de parte de uma pirâmide de 2.500 anos possa fazer com que o local perca a designação de Patrimônio Mundial da Humanidade.

Uma delegação da Unesco visitará a região este ano para decidir se as obras mudaram significativamente o local, a ponto de ele ser retirado da lista de Patrimônios Mundiais.

O ministro boliviano, Paul Groux, disse à BBC que o governo interrompeu as obras na pirâmide de Akapana, na cidade de Tiwanaku, no oeste do país, no começo deste ano, a pedido da Unesco.



Pirâmide construída há 2.500 anos é uma das maiores e mais antigas construções pré-hispânicas da América do Sul; assista

Ele disse ser improvável que a Unesco venha a retirar Akapana de sua lista de patrimônio mundial porque a pirâmide não chegou a ser excessivamente alterada.

Arqueólogos que trabalham na restauração usaram barro e gesso à base de argila, em vez de pedras na reforma da estrutura, despertando críticas na comunidade científica internacional.

Para alguns especialistas, a obra poderia provocar até o desabamento da pirâmide.

A pirâmide de Akapana, construída há 2.500 anos, é uma das maiores e mais antigas construções pré-hispânicas da América do Sul. Ela teve grande influência na civilização Tiwanaku, que é anterior ao império Inca.

Para Jose Luis Paz, arqueólogo boliviano que foi nomeado em junho para avaliar danos na pirâmide, a estatal de arqueologia boliviana Unar cometeu um erro grave ao reconstruir parte da pirâmide com barro, em vez de pedra.

Paz disse que as autoridades de Tiwanaku tinham simplesmente pedido a Unar para que desse um jeito de tornar as pirâmides mais atraentes para turistas.

Mas Groux defendeu a Unar, dizendo que a restauração deixou a estrutura bem mais parecida com seu formato original.
Fonte Folha de Sao Paulo

martes, 20 de octubre de 2009

Fellini

da France Presse, em Paris

O cineasta italiano Federico Fellini e seu universo onírico serão celebrados em Paris numa grande exposição que abre as portas nesta terça, no museu Jeu de Paume, depois de quatro anos de trabalho.

Intitulada "Fellini, o grande desfile", a mostra - que festeja "Il Maestro" (1920-1993) e seu mundo - "é a primeira grande exposição mundial consagrada ao cineasta (...)", afirma o curador, Sam Stourdzé.

AP

O italiano Federico Fellini, que será tema de exposição em Paris

A exposição no Jeu de Paume, um museu situado no jardim das Tulherias, é totalmente visual, reunindo 400 peças, entre elas fragmentos de películas, vídeos, fotografias, cartazes, desenhos, revistas e entrevistas filmadas, muitas delas inéditas.

No centro da mostra, de cuja organização participou também a Cinemateca francesa e o Instituto cultural italiano de Paris, está, sua obra-prima, "La Dolce Vita" (1960), uma radiografía da sociedade romana da época, e que celebra seu 50º aniversário no próximo ano.

Segundo o curador, a ambição da mostra, que terminará no dia 17 de janeiro próximo, é iluminar "o processo de criação do cineasta", além de decifrar "a construção de suas imagens".

Quer adentrar-se e descobrir as obsessões e fantasmas de Fellini, e "as fontes que alimentaram sua imaginação", entre elas a infância, as mulheres, o inconsciente, acrescenta.

Além da mostra no Jeu de Paume, Fellini é objeto de uma homenagem na Cinemateca francesa, "Tutti Fellini", que programa até dezembro de 2009 uma retrospectiva integral da obra do cineasta, que deixou para a posteridade uma verdadeira antologia através de filmes inesquecíveis como "La Strada", "Amarcord", "8 e 1/2".
Fontes AP, France Press, Folha de Sao Paulo e amemória de cada um de nós.

Cada Segundo...que tempos!

lunes, 19 de octubre de 2009

Vinhos de Portugal e mercados externos prioritários

Vinho: Sucesso da promoção nos mercados prioritários foi o mais positivo do estudo Porter
19 de Outubro de 2009, 07:30

Porto, 19 Out (Lusa) - O sucesso da nova estratégia promocional dos vinhos portugueses no estrangeiro foi o aspecto mais positivo da aplicação do estudo desenvolvido há seis anos por Michael Porter, que se propôs criar um 'cluster' do vinho em Portugal.

"O balanço é positivo. Nos últimos anos orientámo-nos pelas recomendações do estudo Porter, nomeadamente na identificação que fez dos mercados prioritários do Reino Unido, EUA, Brasil, Angola, Canadá, países nórdicos e Alemanha", afirmou à Agência Lusa o presidente da Viniportugal, entidade encarregue da promoção dos vinhos portugueses.

Segundo Francisco Borba, fruto desta aposta as vendas "têm vindo a crescer numa série de mercados", com destaque para a Alemanha, EUA, Brasil e países nórdicos, e "os dados sobre as exportações no primeiro semestre de 2009 indicam que, para muitos deles, Portugal já exportou 90 por cento do valor de 2008".
Fonte Lusa

Twitter: microcosmos e omissao .Entao tá!

Ja me havia cansado da ideia salvacionista do Twitter. E da presao dos amigos que aderiram. Nao twitto. Nao tenho todo o tempo do mundo para mim e meus amigos. E nem acho que de omissao em omissao chegamos em algum lugar. Gosto de olhos nos oolhos. Quanto aos assuntos gerais os jornais online e o email dao conta das minhas necessidades. E nao esqueço o SMS e a chamada telefonica, afinal a vida privada continua a existir e se vive fora do twitter E sublinho o que diz o próprio criador , Biz Stone: "acho que deixo de ler algumas coisas. Mas tudo bem. Essa é a beleza do Twitter. Como as atualizações são curtas e simples, não é preciso preocupar-se com a perda de algumas delas".

Entrevista Biz Stone
O mundo em 140 caracteres
O criador do Twitter, o sistema de mensagens curtas e instantâneas
que se tornou o maior sucesso recente da vida digital, diz que ainda
é cedo para avaliar seu impacto global

Paula Neiva

Kim Kulish/Corbis/Latin Stock
"Nosso serviço é aquele tipo de coisa de que ninguém sabia que precisava até começar a usá-lo"



Dois anos atrás, o americano Christopher Isaac Stone, mais conhecido pelo apelido de infância Biz Stone, de 35 anos, criou o Twitter em parceria com os amigos Jack Dorsey e Evan Williams. O Twitter, que permite a publicação, em tempo real, de mensagens curtas, de apenas 140 caracteres, tornou-se um fenômeno da internet, com 50 milhões de pessoas cadastradas. O modelo, inspirado nas mensagens de texto de telefone celular, inaugurou uma forma arrebatadora de comunicação via internet. Autor de dois livros sobre as origens e o significado social dos blogs, Stone está entre as 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista americana Time. Ex-funcionário do Google, ele participou do desenvolvimento de outro serviço de mídia social de grande repercussão, o Blogger. Stone chega ao Brasil nesta terça-feira, para participar do Encontro Agenda do Futuro, do Grupo TV1, em São Paulo. De seu escritório, em São Francisco, Stone concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

Apenas dois anos depois da fundação do Twitter, a revista Time incluiu seu nome na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Não é cedo demais para virar celebridade?
O caminho está só no começo. Por isso, ainda é cedo para ter plena consciência do que está ocorrendo. A escolha da revista Time foi um prêmio pela dedicação do nosso time, que realmente criou algo especial.


"Muitas pessoas buscam na internet informações sobre seu microcosmo. Elas querem saber por que está faltando luz ou a razão do barulho na vizinhança e esperam que alguém saiba e coloque na rede"


O que desperta maior interesse no Twitter?
Fofocas ou notícias?
Nem um nem outro. O que desperta maior interesse são os assuntos relacionados à comunidade em que o usuário está inserido. Observamos que muita gente busca informações sobre seu microcosmo. Ou seja, se falta luz no bairro ou se há um barulho incomum, as pessoas buscam informações no Twitter, sabendo que seus vizinhos estão na mesma situação. É natural esperar que alguém saiba o que está ocorrendo e coloque isso na internet. Nossa ferramenta se tornou uma maneira de alguém se conectar imediatamente com pessoas que estão passando ou que passaram por uma mesma situação. Existe um senso de comunidade, com as pessoas interligadas e sabendo que vão encontrar informações atualizadas sobre interesses em comum. Dessa forma, o que mais movimenta o Twitter não é um tipo de post ou um post específico, mas o conjunto de muitos posts sobre uma enormidade de temas.

Algumas empresas impedem o uso do Twitter por seus funcionários. Não deveria ser o contrário?
É compreensível que as empresas queiram preservar informações internas, confidenciais e que pensem em restringir sua divulgação. Por outro lado, nem sempre uma indiscrição é negativa para a empresa. A repercussão dessas informações pode causar grande benefício, ao aumentar o interesse do público. Pelo menos nos Estados Unidos, esse é um fenômeno que já ocorreu com muitos programas de televisão. Várias empresas usam esse recurso como marketing. Mas ainda é preciso testar possibilidades para estabelecer os limites dessa ferramenta.

Barack Obama abusou do Twitter para mobilizar os eleitores e arrecadar fundos na campanha. Isso não torna as eleições mais superficiais?
A internet foi criada para dar a todos a possibilidade de obter e publicar informações. Essa troca livre e desimpedida é muito poderosa. O problema era a barreira técnica. Muita gente deixa de publicar na internet por desconhecer a linguagem técnica do meio. O Twitter reduziu essa barreira. O único requisito para publicar é saber digitar. Os políticos precisam estar conectados com seus eleitores. Como o Twitter permite a conexão direta, é natural que tenha se tornado uma ferramenta presente nas campanhas políticas. Não há nada de errado nisso. Quanto mais pessoas compartilharem informações, melhor para todos.

A revolta popular contra a fraude eleitoral no Irã foi chamada de "Revolução do Twitter". Surgiu um novo inimigo das ditaduras?
Acredito que a troca e a circulação de informações podem ter, sim, um impacto positivo em escala global. A troca aberta de informações é algo desejado há muito tempo. O que criamos, no fundo, foi uma daquelas raras coisas de que não sabemos que precisamos, até o momento que passamos a usá-las.

As pessoas agora medem seu sucesso pessoal de acordo com o número de seguidores que arrebanham no Twitter. Isso é sadio?
Elas certamente estão oferecendo informações relevantes a outras pessoas. A forma mais eficiente de ter muitos seguidores é "tuitar" informações úteis e de interesse para o maior número de pessoas que compartilham determinado perfil. Nem sempre é preciso ser algo inédito. Pode ser uma citação ou um endereço da web interessante. É natural que as pessoas queiram ter um número cada vez maior de seguidores. Muitas usam o cartão de visita e a assinatura de e-mail para propagandear que já estão no Twitter.

Alguma estratégia de aumentar o número de seguidores no Twitter já o surpreendeu?
A primeira que me vem à cabeça é a foto que o ator Ashton Kutcher publicou da própria mulher, a atriz Demi Moore, de calcinha. Até gostaria de saber se ele teve problemas em casa por causa disso. Foi um sucesso instantâneo.

Que mensagem mais o comoveu?
No ano passado, um estudante da Universidade da Califórnia em Berkeley, James Buck, descobriu que jovens no Egito organizavam protestos usando seus contatos no Twitter. Ele viajou para o Egito para acompanhar uma manifestação e foi preso. Como os policiais não confiscaram seu celular, ele conseguiu "tuitar" uma única palavra: "Preso". Os amigos que sabiam onde ele estava contataram a embaixada americana. Pouco tempo depois, ele publicou: "Libertado". O episódio me abriu os olhos para um uso do serviço que eu não imaginava.

O Twitter é a quarta entre as redes sociais mais acessadas no Brasil, com 10 milhões de visitantes por mês. O sucesso no Brasil o surpreendeu?
Há apenas dois anos nem sequer tínhamos certeza de que alguém gostaria da nossa ideia. Mas não posso dizer que o sucesso no Brasil tenha sido uma surpresa total, porque já sabia da popularidade das redes sociais no país. Parece que a vontade de se conectar com outras pessoas é algo intrínseco à cultura do brasileiro.

Qual a principal diferença entre o Twitter e outras redes sociais, como o Orkut e o Facebook?
Nas redes sociais, a pessoa é obrigada a seguir quem o segue. Ou seja, para ter acesso às informações de alguém, é preciso que essa pessoa também esteja na sua rede de contatos. No Twitter, não. Não há necessidade de reciprocidade para seguir alguém. Você pode não seguir ninguém e ter milhares e até milhões de seguidores.


"Hoje, 4 bilhões de pessoas têm celular, mas apenas 1,5 bilhão acessam a internet. Em alguns anos, qualquer pessoa, não importa onde viva, participará de redes sociais e usará ferramentas como o Twitter"



Como ocorreu com outros sucessos digitais, o destino do Twitter é ser vendido logo?
Não temos nenhum interesse em falar sobre vender a ferramenta. Estamos construindo uma companhia que é nossa e que ainda estará viva por muito tempo.

Sem publicidade, qual será o modelo de negócio dessa rede que vocês criaram?
Somos uma empresa muito jovem. Temos outras prioridades. Precisamos nos concentrar em expandir o serviço e ter a certeza de que o Twitter se tornará uma ferramenta indispensável na vida das pessoas. Estamos abrindo portas, mas a exploração comercial não é nossa maior preocupação no momento.

Os investidores que deram dinheiro a vocês não pressionam para chegar a algum modelo que dê lucro?
Queremos inventar uma fórmula que não aborreça o usuário. Estamos trabalhando na criação de ferramentas desenvolvidas para empresas. Até o fim do ano, vamos ter contas específicas para empresas. O serviço terá uma fase inicial experimental. É daí que poderá vir o retorno para quem investiu em nossa ferramenta.

A ideia de cobrar não pode assustar os usuários não comerciais?
Não. O Twitter continuará sendo gratuito para todos. Mas a empresa que quiser poderá ter acesso a ferramentas adicionais, que mostrem se uma mensagem específica fez sucesso ou não, que permitam análises ou a ajudem a ser mais atraente para o público que deseja alcançar. Além disso, haverá uma espécie de certificação de que aquele Twitter realmente pertence àquela empresa.

Mantido o atual ritmo de crescimento, o que se pode prever sobre o futuro imediato das redes sociais?
O mundo terá mais mobilidade devido ao acesso móvel à internet. Hoje, 4 bilhões de pessoas têm celular, mas apenas 1,5 bilhão dispõem de acesso à internet. Daqui a alguns anos, qualquer pessoa, independentemente da idade e do local onde viva, participará de redes sociais e usará ferramentas como o Twitter. Acho que haverá uma integração entre as redes sociais, em decorrência não apenas da evolução da tecnologia, mas da vontade das pessoas.

O que não aparece de modo algum em seu Twitter?
Qualquer coisa que desagrade a minha mulher. Não quero ficar em apuros em casa. Não que eu esteja sempre ligado nisso. O que quero dizer é que, de maneira geral, deixo de fora informações de cunho pessoal, que possam fazer com que eu me arrependa mais tarde.

Como o Twitter é rápido e fácil de usar, muita gente acaba revelando nele justamente coisas das quais se arrepende depois...
Eu mesmo já passei vergonha uma vez, um ano atrás. Temos um sistema que permite enviar mensagens sigilosas a um destinatário específico. Escrevi a minha mulher informando a hora de chegada do trem em que eu viajava e pedindo que me encontrasse na estação. A mensagem terminava com um "eu te amo". Fiz algo errado e mandei essa mensagem a todos os meus seguidores. Quando percebi o engano, já tinha recebido comentários com brincadeiras ou dizendo que me amavam também, mas que não ia dar para me buscarem na estação de trem.

Muita gente expõe de forma excessiva sua intimidade na internet...
As pessoas estão aprendendo que, quando fazem um blog e publicam coisas na rede, não são apenas os amigos que veem e participam de sua vida. Muitas ficam chocadas quando se dão conta de que estão realmente expondo sua vida em um ambiente público. Creio que aos poucos elas vão aprender a selecionar o que realmente querem compartilhar com os outros.

Vi que Biz Stone segue 288 pessoas pelo Twitter. Dá tempo de ler tudo o que elas publicam?
Não vejo problema em seguir muitas pessoas, porque as atualizações são mensagens curtas. Checo minha conta muitas vezes ao dia, mesmo quando estou no supermercado ou no táxi. Quero estar sempre por dentro do que está acontecendo.

Mas são 288 pessoas mandando mensagens o tempo inteiro. Alguma coisa escapa, certo?
Sinceramente, acho que deixo de ler algumas coisas. Mas tudo bem. Essa é a beleza do Twitter. Como as atualizações são curtas e simples, não é preciso preocupar-se com a perda de algumas delas. Outra coisa de que gosto é que, ao contrário do e-mail e das mensagens instantâneas, no Twitter não há necessidade de resposta. Você responde se quiser, e quem publica não tem a expectativa de resposta. Se você ficar longe do Twitter por alguns dias, ninguém vai se zangar com você por isso. Cada dia que passa, eu recebo mais e mais e-mails em minha caixa postal. O e-mail é um sistema impraticável, pois é simplesmente impossível responder a toda a demanda que cria. O Twitter permite fugir dessa obrigação.

Fonte Revista VEJA

domingo, 18 de octubre de 2009

Saudades desta América também!

Saudades deste Brasil aí:





Favelas, Ghetos etc

DOMINGO, 11 DE OUTUBRO

Nenhum para contar história



Incêndio na Favela Diogo Pires, em São Paulo, queimou cerca de 350 barracos, sem vítimas. Alguns moradores atribuem a tragédia a um curto-circuito, mas a Defesa Civil não chegou à causa definitiva do fogo, que só foi controlado 3 horas depois do início.




Ele ainda não decantou o olhar sobre São Paulo. Depois da viagem a Medelín no final de setembro, a volta rápida ao Rio, outra em seguida a Bogotá e mais uma na mira a partir de hoje, rumo ao México, Paulo Lins quer sentar sobre a mala e parar. De preferência com o filho de 4 anos à mão, que foi por isso que ele se mudou do Rio para a capital paulista: para ficar perto do "neném", que mora com a mãe, nativa de São Paulo. Longe da vista para o Cristo, o poeta, professor, roteirista de Cidade de Deus, Quase Dois Irmãos, Era uma Vez..., Cidade dos Homens e Faroeste Caboclo (ainda por filmar), afora um livro sobre samba na agulha, está meio perdido - mas não a ponto de não poder dar esta entrevista ao Aliás. Aceitou conversar sobre o destino das favelas ao saber do incêndio que desalojou 350 famílias da Diogo Reis, no bairro do Jaguaré, no domingo.

Não que o fogo lhe seja fato novo. Cidade de Deus, onde morou dos 7 aos 23 anos, inflou a partir de moradores fugidos de incêndios e enchentes que assolaram o Rio de Janeiro nos anos 60. O próprio conjunto habitacional esteve sob as chamas, sabe-se lá se criminosas ou não. "Não dá para afirmar, mas dá para deduzir", afirma, remetendo a uma concentração de pessoas nem sempre benquista pela especulação imobiliária, mas que veio a calhar à exclusão social. Mordaz nas críticas, Paulo pede uma reforma agrária na cidade, um espalhamento dos negrados pela sociedade. E que se deixe de lado essa coisa de praga dos deuses, como cogitou um desabrigado da Diogo Pires. "Maldição é ser brasileiro pobre, isso é que é maldição."

ESTOPIM INVISÍVEL

"A favela tem um sistema de fiação horrível, não há segurança alguma ali. Depois de um incêndio desses, não se pode dizer que a maldição ronda o lugar. Quem é essa gente? Quem é esse favelado? São os negrados, negros e descendentes de nordestinos. Quando você fala em nordestino, está também falando de índio. Não são europeus, nem árabes, nem asiáticos. É um povo invisível, para o qual a sociedade só dá atenção temporária quando acontece uma desgraça assim ou quando esse povo comete violência. Enquanto está morrendo de fome, de fogo, de frio, ninguém liga.

A NEOFAVELA

"Neofavela é o novo gueto, o gueto oficial. Chamo todos os conjuntos habitacionais de neofavela. Chamo a Cidade de Deus de neofavela. No Rio, mais que abrigar os flagelados de 1966, 1968, essas áreas foram pensadas para "limpar" a zona sul como se fez em São Paulo, onde os indesejáveis foram levados do centro para a periferia. Construíram e constroem apartamentos horríveis bem longe e largam aquele monte de pobre junto. Aí o Estado - a sociedade também, porque tudo o que o Estado faz é porque a sociedade permite - coloca armas e drogas na neofavela. Some-se a elas a corrupção e dá no que dá: violência.

PROMOÇÃO?

"Discordo do presidente quando ele diz que as favelas vão virar bairros, e assim todos os problemas vão se acabar. Primeiro, não adianta trocar de nome. Do dia pra noite, Capão Redondo não é mais favela, é bairro. Isso vai mudar alguma coisa se continuarem confinando os negrados ali? Não. Também acho uma insensatez o Minha Casa, Minha Vida. Por que não distribuir essas pessoas na cidade? É refazer o que já não deu certo. Fui à Santa Marta ontem. Colocaram aquele tanto de policial lá, o tráfico foi embora. E os bandidos? Recuperaram alguém? Deram emprego? Preferiram uma lan house com cem computadores. Isso não é um investimento sério em ensino.

NA TERRA DE JAMELÃO

"As favelas são muito parecidas no mundo todo, mas as do Rio têm um diferencial cultural: morar na Mangueira, por exemplo, é morar na Mangueira. É terra de grandes compositores, adorados por toda a sociedade, como Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Carlos Cachaça, Jamelão, e agora Ivo Meirelles. O mesmo acontece com quem mora no Salgueiro, em Madureira, em Padre Miguel. Em São Paulo tem a cultura do rap, ainda sem aquela tradição. Os artistas das favelas paulistanas estão aparecendo agora, mas são muito discriminados. A discriminação racial em São Paulo, por sinal, é muito maior que no Rio. Aqui há muitos seguranças, e se a sociedade é racista, os seguranças também são. Além disso, as ruas de rico de São Paulo não são caminho de pobre. No Rio, para subir até a Rocinha tem que andar em São Conrado, para ir ao Pavãozinho tem que andar por Copacabana. Mas, em termos de racismo no País, acho que ninguém bate a Bahia. É uma coisa acirrada, e o preconceito é forte por parte dos próprios negros. O filho de uma amiga, que é branco e vive em Salvador, às vezes diz pra mãe que queria ser negão.

RG DE MORADOR

"Na favela moram os trabalhadores. Tem servidor público, militar de baixa patente, empregada doméstica. É o sujeito que a gente vê todos os dias nas ruas, na portaria do prédio, é aquele que chega para consertar a TV, para cozinhar, para cuidar dos nossos filhos, para entregar uma conta ou uma pizza. Se ele pudesse morar mais perto, seria mais feliz porque não precisaria ficar duas horas num ônibus para bater ponto no trabalho. A cidade comporta. Tem muito lugar vazio dentro dela. Tudo bem, não vai caber todo mundo, não será uma reforma tão democrática e ampla, mas construir casas é uma forma de roubar. Se comprar é muito caro, a longo prazo não vai ser. Caro é botar polícia, matar pessoas, ocupar favela para acabar com a violência porque, se aglomerar gente pobre e muni-la de drogas e armas, vai ter violência e ressentimento. Para o favelado, a classe média é rica. Existe um rancor social. Antigamente, o sujeito assaltava e deixava os documentos para o cara pegar um táxi, um ônibus. Hoje mata com crueldade. E, dentro da favela, o tráfico dá segurança, mas é uma segurança falsa. Há invasão de inimigos, pode sobrar bala perdida. Se os policiais sobem a favela, também. Só está seguro na cidade quem já morreu.

O TRIPÉ DA VIOLÊNCIA

"A polícia brasileira sempre foi corrupta. Não existe poder paralelo, o crime está dentro do poder. Só tem violência porque tem racismo, corrupção e pobreza. É um tripé. Não pode haver crime organizado sem corrupção. Não pode ter tráfico de armas sem corrupção. Dá para plantar maconha na favela? Dá. Dá para produzir cocaína ali? Difícil... Agora, dizer que se pode fabricar armas na favela, isso não. Não pode.

PODER SOLITÁRIO

"Mudou muito o perfil do chefe do tráfico no Rio. Hoje não é mais o negro, mas o nordestino. Em São Paulo, aliás, já é assim há muito tempo. O negro carioca que está no morro há anos já construiu sua rede de solidariedade, saiu da linha da miséria. O nordestino, não. Muito migrante chega sozinho, às vezes fica 15 anos sem ver o pai, 20 sem ver a irmã. Vem para trabalhar, não tem dinheiro para voltar. E felicidade é estar com a família. Então tem muito nordestino envolvido com o tráfico. Houve um upgrade para os negros. Os nordestinos não conseguiram isso ainda, eles estão fora da terra deles.

ACONCHEGO

"Houve um tempo em que o lugar em que eu mais me sentia bem no Brasil era no morro. Ali eu não era discriminado. Neste restaurante, por exemplo, só tem eu de negro. Geralmente é assim nos lugares em que há pessoas de maior poder aquisitivo. Você vê a discriminação racial o tempo todo. O problema não é a cor, o problema é a grana. Mas quem tem a grana? No Brasil não existe ascensão social. A sociedade não lhe permite isso. Só alguns conseguem esse acesso, e por meio do futebol, da música e da arte popular -- e arte popular, não erudita. Então é outro universo, totalmente inalcançável. Quando saí da favela, eu tinha 23 anos. Entrei na universidade, descobri outro mundo. Ainda assim, por muito tempo só me aconchegava lá. Não porque a favela seja boazinha, ela é ruim. Mas eu não era aceito do outro lado".