sábado, 11 de diciembre de 2010

Contraponto

As histórias acontecem no mesmo espaço de tempo dando-nos a sensação da polifonia, várias vozes sendo reproduzidas ao mesmo tempo. Desta forma, a história de cada núcleode personagens forma uma linha melódica independente. A técnica do contraponto, musicalmente falando, é a técnica de combinar as várias vozes de uma polifonia e esse conceito é levado para a literatura.
Em Don Juan Ballester compoe distintos núcleos de personagens que entram na trama da obra e cada núcleo pode ser comparado a uma linha melódica que vai sendo inserida no silêncio inicial, e a partir de sua entrada, as sucessivas vozes (histórias) vão se sucedendo, entrando e cedendo espaço a novas vozes, ou à volta de uma voz que estava calada. Outra característica presente na obra, resultante deste tipo de estruturação polifônica, é que cada núcleo corresponde a uma linha melódica, mas personagens de um grupo interagem com personagens de outros grupos criando assim uma estrutura vertical, que em música corresponde ao conceito de harmonia.

Baudelaire e Don Juan: uma aproximacao em contraponto

"Nos sonreímos.Mi sonrisa quería significar que estábamos de acuerdo.La de él me daba las gracias"
Torrente Ballester, Gonzalo, Don Juan,Alianza editorial, Madrid,1998,p140.


PS:Em seu romance Contraponto, Huxley, ao mesmo tempo em que faz uma sátira sobre a desumanização do século XX, busca subverter a forma tradicional do romance, escrevendo com base na analogia do contraponto musical.Fez uma construção literária adaptando a estrutura de "Suíte Número 2 em Si Menor", de Bach, à narrativa em palavras.
Segundo Sérgio Augusto de Andrade,'comparáveis a trechos de certas sinfonias, as situações se repetem e se desdobram em diagramas quase simétricos"

Prosa poética ou poema em prosa?

"Com efeito, é a própria natureza do que é habitualmente entendido como poético que Cesário revoluciona num discurso, que ao transpor a tradicional subjetividade do lirismo na expressao objetivada de um "eu" funcional (como das personagens do romance realista), torna a poesia lírica num instrumento tao capaz de observacao concreta e de comentário e social quanto a prosa realista..."

Macedo,H., Nós,uma leitura de Cesário Verde, Publicacoes Dom Quixote, Lisboa,1981,p18

Livros


As Feiras e Festas de Livros que acontecem no mes de Dezembro em Lisboa sao absolutamente imperdíveis!
Tanto na Gulbenkian quanto na Biblioteca Nacional encontrei "jóias" a preços inacreditáveis.
Exemplo?

Roteiro do Mar Roxo de Dom João de Castro
Ms. Cott. Tib. Dix da British Library
CASTRO, João de, 1500-1548
ALBUQUERQUE, Luís de, 1917-1995, (pref.)

Encadernação de editor, em de caixa própria, In-fólio (380 mm) de [4]-91-[3]-(34 fac-símile)-[4] pp., Edições Inapa,Lisboa 1991.

Edição comentada e com um estudo do Prof. Luís de Albuquerque que serve de introdução ao fac-símil do manuscrito de 1543, existente na British Library. Preco: CINCO EUROS. Eu disse cinco(05)euros!Indeed!
PS : A foto acima, da Feira do Livro de Fotografia da Fábrica Braço de Prata, foi "emprestada" daqui

Conheça os novos pobres: jovens desempregados e mal pagos

Em cinco anos, a noção que os portugueses têm sobre a pobreza mudou de alvo. Pobres são hoje os jovens à procura do primeiro emprego, os que têm trabalhos precários e aqueles que ganham baixos salários, mas em 2004 eram, sobretudo, os idosos, os alcoólicos, os toxicodependentes e os deficientes. Essa é a principal conclusão do Estudo Sobre a Percepção da Pobreza em Portugal, que a Rede Europeia Anti-Pobreza apresentou ontem em conjunto com a Amnistia Internacional/Portugal (AIP) e o Socius - Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações do ISEG e UTL.

"Essa transformação acontece porque houve um combate eficaz à pobreza extrema dos grupos que antes estavam mais vulneráveis à pobreza", explica ao i o director executivo da AIP, Pedro Krupenski. E essa será uma das razões para esses alvos passarem para segundo plano. A actual crise financeira e as elevadas taxas de desemprego explicam, por outro lado, a mudança de opinião dos portugueses sobre os novos grupos.

"Os dados oficiais da pobreza em Portugal mostram que 18% da população é pobre, quando a percepção das pessoas é de que mais de metade da população é carenciada". Daí que o responsável da Amnistia defenda que as políticas de combate devam considerar não só as estatísticas, mas também a percepção que se tem sobre este fenómeno.

Não ter água ou electricidade em casa são indicadores de pobreza identificados pela maioria dos portugueses, mas surgiram entretanto outros bens que já começam a ser considerados como igualmente essenciais. Carro ou televisão são outras necessidades básicas: "A definição de pobreza material foi a mais escolhida", explica Raquel Rego, investigadora do Socius.

Um descrédito cada vez mais acentuado parece ser a tendência dos portugueses, que estão cada vez mais pessimistas face ao futuro do país. Quando questionados sobre os próximos cinco anos, os inquiridos demonstram um alto nível de pessimismo e de baixas expectativas: 75% considera que a situação agravou- -se desde 2004 e 50% está convencida de que irá continuar a piorar. Pedro Krupenski chama a atenção para outra conclusão do estudo: "O governo é causa, mas também é a solução do problema. O Estado continua a ser visto pelos portugueses como o único responsável pela situação económica do país", diz Krupenski, alertando para a necessidade dos portugueses não se desresponsabilizarem.

Outra tendência, é que as precárias condições laborais continuem a ser vistas como causa da pobreza. No entanto, a investigadora do Socius alerta: "A definição deste conceito é sempre indicativa, já que estamos a falar de percepções". O certo é que os resultados do último Eurobarómetro sobre a pobreza e exclusão social, divulgado no início de Novembro, coincidem com as conclusões deste estudo: 88% dos portugueses considera que a pobreza é generalizada, um valor acima da média europeia (73%).

via ionline.pt

Os novos Pobres

OS NOVOS POBRES

por

Pedro Lomba

jurista



Uma pergunta: há 40 anos ou menos, havia mais pobres em Portugal, grupos de risco, vários tipos de desintegrados. A sociedade portuguesa era dual, como mostrou o sociólogo Adérito Sedas Nunes: o mundo dos "de cima" existia sem contacto com os "de baixo". De certa forma esse dualismo ainda existe. No entanto, a pobreza portuguesa dessa época nunca se associou a fenómenos de criminalidade, nunca justificou que fosse estabelecido um nexo entre as condições sociais de uma pessoa e o seu desvio para o crime.

Hoje, mesmo que a sociedade portuguesa continue segura, é verdade que as condições da pobreza em Portugal se alteraram e que os "novos" pobres são mais propensos a casos de criminalidade do que no passado. Como explicar a mudança? Um regime de liberdade por oposição a um de autoritarismo demonstra alguma coisa. A crise e as desigualdades de rendimento, mais ostensivas e pronunciadas, produzem reacções de cobiça social que podem descarrilar. E o que antes era uma sociedade fechada abriu-se à Europa e a um mundo globalizado.

Mas não só. Pouca gente estudou melhor a pobreza em Portugal do que a investigadora da Faculdade de Economia Leonor Vasconcelos Ferreira, que morreu prematuramente esta semana. Conhecia alguns dos seus artigos (por exemplo, "Dinâmica de rendimentos e persistência da pobreza em Portugal"), produto de um trabalho de décadas, e esse trabalho estatístico, sem nunca sair do registo de "objectividade" e do jargão académico, procurava explicar porque é que a pobreza portuguesa é tão "crónica" e resistente, porque é que se transmite de pais para filhos e não adere com facilidade aos meios que podem assegurar a mobilidade. Em Loures, um pai e um tio levaram um menor de 13 anos para um assalto. O rapaz acabou morto pela GNR. Tratou-se de um caso de iniciação à marginalidade, mas também de típica transmissão da pobreza.

Ao lermos o que escrevia Leonor Ferreira, percebemos que a núcleo do problema não é económico mas cultural. Depende das políticas de desenvolvimento humano que podem levar grupos de pobres especialmente vulneráveis a interiorizar valores de educação, aprendizagem social e preparação do futuro.

Nas últimas décadas, a sociedade portuguesa tem sofrido uma erosão das normas sociais que distinguem as sociedades saudáveis. Indivíduos em estado bruto crescem em famílias deterioradas, sem respeito por uma escola gratuita e por noções mínimas de comunidade. Os apoios sociais são tidos como permanentes em vez de transitórios. O consumo vale mais do que o trabalho. Certos grupos imigrantes esquecem que, tal como os portugueses, devem zelar pelas normas da sociedade que os recebe. Está aqui a agenda socialmente conservadora e economicamente progressista que devemos perseguir.|
Fonte DN.pt

Cartas de Jogar ( Max Aub)


A pesar de que su amigo Tito Monterroso hizo correr el rumor de que Max Aub tenía encerrado, en el sótano de su casa mexicana, a un escritor judío, traído engañado de Europa, al que le forzaba a escribir con la amenaza de que los nazis habían ganado la guerra; y que, luego, se apropiaba Max Aub de esos textos para publicarlos, lo cierto es que todo lo escribió él. Todo, entre bromas y veras.


Según qué naipe salga puede ser una cosa u otra. Y el intercambio epistolar, el barajar, confunde o aclara

Nacido en París en 1903, hijo de padres judíos, él alemán, ella francesa, venida la familia a España huyendo de la Gran Guerra, español por hacer aquí -en Valencia, y se es de donde se hace el bachillerato, esa frase suya- sus estudios primarios, republicano, socialista, trasterrado, prisionero en arenas de concentración en Francia, refugiado en México (y con la nacionalidad mexicana murió en 1972), Max Aub escribió -y jugó- mucho sobre la identidad.

Un día de mayo de 1962, en su casa de DF, aprovechando que tenía cerca a Jusep Torres Campalans -en redonda si hablamos de ese pintor cubista catalán, amigo de Picasso; o en cursiva, si nos referimos a su novela, ficción, o a su biografía, relato real; valen ambas-, se le ocurrió hacer un juego de cartas: el texto, él; los dibujos, Campalans. Un juego de cartas, sí, porque cartas son, de las de ponerles sellos, y cartas son, naipes -si les das la vuelta- de una baraja, 108 naipes, con sus correspondientes comodines o jokers, naipes mezclados de las barajas española y francesa.

Una baraja para jugar y para leer, y avanzar por el laberinto de la vida de Máximo Ballesteros -todas las vidas esconden un as, o varios, en la manga-. Gana el que más sepa o más se aproxime a hacerse una idea de quién fue el tal Máximo, un canalla, un mujeriego, un don nadie, un buen marido, un buen amante, un buen amigo. Qué. Según qué naipe te salga puede ser una cosa u otra. Y el intercambio epistolar, el barajar, confunde o aclara. Así son las vidas, mosaicos que pueden descubrir una imagen u otra si se acierta o no con las teselas, un puzle complicado, quizás, o no tanto. ¿Se suicidó, lo mató su mujer, muerte natural? ¿Respetó a su mujer, la padeció? ¿Encontró consuelo entre otros brazos? ¿Supo estar a la altura que se esperaba de él? ¿Le buscaban las mujeres, las acosaba él? ¿Quién fue, en fin, Máximo Ballesteros, un personaje menor, tal vez, de la excelente Galería de Personajes inventados por Max Aub?

Muy (re)editado en España, faltaba esta rareza bibliográfica, este juego de cartas que escribió -y pintó- Max Aub, aparecido en 1964 en México, editado por Augusto Finisterre, un español exiliado, quien inventó el futbolín en el Frente de la Sierra de Madrid y con quien, por esta colaboración, tuvo sus más y sus menos Max Aub. Tal vez por eso ha tardado casi cincuenta años en llegar esta baraja, este juego de cartas, hermosa y cuidadosamente preparado por una pequeña editorial granadina. Una joya.

También se han editado las Obras completas de Max Aub. Volúmen V-A (El laberinto mágico III. Campo Francés) y el Volúmen V-B (Manual de historia de la literatura española). Generalitat Valenciana-Biblioteca Valenciana-Diputació de Valencia.
Via El País

viernes, 10 de diciembre de 2010

Alegria com Aletria. No Porto. Portugal




Mais de uma dezena de cozinheiros confecionaram hoje, no Porto, a maior aletria de sempre, estabelecendo com 357 quilogramas deste doce de Natal um novo recorde mundial.

Segundo fonte da organização, para estabelecer um novo recorde seriam precisos 200 quilos de aletria, o objectivo era produzir 250 e este foi largamente ultrapassado, com a produção de 357 quilos desta iguaria.

Esta iniciativa, denominada “Alegria com Aletria” e contou com a presença de muitas pessoas, conseguiu assim entrar para o Guiness Book of Records.

Cada um dos cozinheiros presentes fazia a sua panela de aletria, que depois juntava a um mega prato montado para o efeito.

Esta acção teve como objetivo “promover o espírito de solidariedade associado à época” através da angariação de fundos para a Liga Portuguesa Contra o Cancro.

A iniciativa decorreu no espaço exterior da estação de metro da Trindade.
via Lusa-Destak.pt

Grau máximo!

Clarice Lispector

Clarice, 90 anos

Clarice, 90: a “boa rebelde” da literatura nacional

Dizer que Clarice Lispector (1920-1977), que nesta sexta-feira completaria 90 anos, foi uma escritora que conduziu a literatura brasileira a níveis de intimidade e profundidade pouco explorados no país não seria mentira. Mas pode-se dizer ainda mais dela. Para Nadia Batella Gotlib, autora de Clarice: uma Vida que se Conta (Edusp, 656 páginas), Clarice não era apenas uma autora dotada de “aguda percepção da condição humana”, mas também uma escritora capaz de romper com os gêneros tradicionais da ficção, legado que teria deixado. “Clarice praticava gêneros como a crônica, o conto e o romance, desmontando-os internamente. Sob esse aspecto, ela pode ser considerada, mesmo nos dias de hoje, entre escritores e escritoras, um dos grandes nomes da ‘boa rebeldia’ em nossa literatura”, diz Nadia, autora também do livro Clarice Fotobiografia (editora Imprensa Oficial, 668 páginas), em que analisa a escritora ucraniana crescida no Brasil a partir de suas imagens.

Um dos principais biógrafos de Clarice, Nadia vê a escritora como uma mulher que sofria de um provável deslocamento do mundo – talvez por integrar uma família de judeus imigrantes – e que transformava sua sensibilidade em livros densos, mas também capazes de conexão com as pessoas. Daí, Clarice ter sido traduzida para diversas línguas como o japonês, o russo e o polonês. “Essa forma sensível de ver o mundo pode ser encontrada já em seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem, que ela publicou com 23 anos”, diz Nadia. “Sua literatura de alto nível correspondia às expectativas de um público vasto: ela escrevia para pessoas de todas as idades e sobre pessoas de todas as idades.”

Abaixo, Nadia Batella Gotlib fala sobre seu principal objeto de estudo, Clarice Lispector.
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Em entrevista a VEJA, o escritor argentino Ricardo Piglia disse que Clarice parece uma escritora de outro planeta, no sentido de que não se pode dizer facilmente que sua literatura é brasileira. A que se deve a universalidade da obra de Clarice?
De fato, a literatura de Clarice é universal porque traduz a condição humana, com seus vícios e virtudes. E com enorme competência narrativa: Clarice tem rara capacidade de registrar, em linguagem, com sutileza, densidade e ironia, detalhes que acabam traduzindo essa condição humana. Mas convém considerar que sua literatura é também datada e locada no Brasil. Macabéa (de A Hora da Estrela) remete ao povo judeu (macabeus), mas é uma alagoana pobre que tenta “melhorar de vida” no Rio de Janeiro. Essa situação é tipicamente brasileira. Sob esse aspecto, a literatura de Clarice constitui mais um capítulo da literatura brasileira depois do romance social dos anos 1930: com Clarice, o nordestino não só sai do sertão árido e seco, mas se retira do nordeste procurando sobreviver numa grande capital do sul do país.

O biógrafo Benjamin Moser (confira aqui entrevista com ele) desenvolveu uma tese sobre Clarice Lispector a partir de umestupro que sua mãe teria sofrido na Ucrânia. Moser diz que a mãe engravidou de Clarice na esperança de se salvar e que sua morte se tornou uma espécie de culpa que a escritora levaria consigo. Na sua opinião, a morte da mãe influenciou de alguma forma a obra de Clarice?
De fato, essa é a tese de Benjamin Moser, que, no entanto, não se apóia em registro documental. Segundo Elisa Lispector, irmã de Clarice que era considerada o “baú” da família, porque contou a saga dos Lispector da Ucrânia para o Brasil e cuidava dos documentos familiares, a mãe sofreu “trauma” – ela não especifica se no sentido físico ou psicológico ou ambos – devido a violência causada por bolcheviques russos. De fato, na época, a região da Ucrânia onde moravam os Lispector foi assolada por pogroms, perseguições aos judeus, aliás, provocadas por várias facções políticas, não só por bolcheviques. Ainda segundo Elisa, a mãe sofria de “hemiplegia”, que é a paralisia de metade do corpo ou de parte dele, causada por lesão cerebral. Clarice conviveu com a paralisia, que era progressiva, até os seus quase 10 anos, quando a mãe faleceu. E numa crônica conta que teria sido concebida para salvar a mãe e que a cura não aconteceu. É provável que tais fatos – a hemiplegia, a cura que não aconteceu e a morte da mãe, quando Clarice era criança – tenham marcado a escritora, tal como outros episódios, ao longo de sua vida, também podem tê-la influenciado a escrever como escreveu.

Em que medida a biografia de um escritor influi na sua obra e mais detidamente, como isso se dá no caso de Clarice Lispector?
É difícil determinar em que medida uma vida influencia uma obra. As experiências de vida aparecem, na obra, mesmo em textos autobiográficos, já misturadas com o imaginário do autor. Há invenção sempre. No caso de Clarice, por exemplo, o fato de pertencer a uma família judia emigrante pode tê-la feito sentir em constante “estado de exílio”, alguém que não pertence a lugar nenhum e vivencia uma espécie de estranhamento diante dos lugares e pessoas. Mas há que se considerar também que esse estranhamento pode ser, pelo menos em parte, manifestação de um modo “especial” de o artista “enxergar” o mundo, mediante uma desautomatização, por vezes, crítica, do que o rodeia, o que permite criar sentidos inusitados.

Clarice Lispector teria sido escritora se não tivesse vindo para o Brasil e conhecido o português?
Essa é uma pergunta que a própria Clarice se faz. E é um tipo de pergunta para a qual não se tem resposta precisa, apenas hipóteses.

Nas fotografias, é raro ver Clarice rindo. Ela era uma mulher séria ou compunha uma personagem para apresentar aos leitores?
Para fazer o livro Clarice Fotobiografia, vi centenas de fotos de Clarice só e em grupo. Mas não vi mais do que duas ou três em que Clarice aparece com “sorriso largo”. Nas demais, tal como sua personagem Ana, do conto “Amor”, nada mais que um sorriso de “meia satisfação”. Na única imagem ao vivo de que se tem notícia, a da entrevista de Clarice na TV Cultura, ela aparece séria demais, angustiada demais. Pena que seja esse o único registro gravado em som e imagem, pois seus amigos também dizem que ela era alegre e divertida. Mas uma das características de sua personalidade era a da mudança brusca de humor: em reuniões sociais, quando, de repente, resolvia sair e voltar para casa, nada havia que a fizesse mudar de ideia. O perigo é mitificar Clarice: atribuir a Clarice atitudes singulares, que, na realidade, também são nossas. Clarice percebeu isso e, em entrevista na TV Cultura, criticou pessoas que julgavam ser importante qualquer bobagem que ela dizia. Outro perigo é o de imaginar fatos “reais” referentes à sua vida, que surgem na tentativa de preencher lacunas. Nesse caso, Clarice é veemente. Numa crônica que leva o título de “Esclarecimentos. Explicação de uma vez por todas”, em que aborda justamente a questão do seu nascimento, afirma: “Não há simplesmente mistério que justifique mitos, lamento muito.”

Certa vez, a senhora disse que o olhar de Clarice tinha “um ar sedutor, instigante e um tom de desafio”.
Sim. Creio que tem. Se observar as fotos de Clarice criança verá que, em sua grande maioria, ela olha diretamente para a câmera, ou seja, para o fotógrafo. Não desvia o olhar. Essa marca persiste, ao longo da sua vida, até se transformar no olhar fulminante das fotos tiradas por Alair Gomes, no início dos anos 1960. Reconheço nesse olhar uma semelhança com o olhar de seu narrador que encara o “outro” (que pode ser inclusive cada um de nós, leitores) de modo direto, como se o enfrentasse, tal como uma personagem sua, que se encontra diante de um búfalo, na procura veemente de experimentar o ódio, num dos contos de Laços de Família.

Na data em que se comemoram os 90 anos de nascimento de Clarice Lispector, é inevitável examinar o legado que a escritora deixou. Qual, na sua opinião, é a sua herança?
Clarice trouxe para a literatura brasileira um novo modo de contar histórias, ao mergulhar no interior das personagens para acompanhar, a par e passo, cada detalhe, cada gesto dessa intimidade, com seus anseios, desejos, ódios, sensações, afetos, medos. E tudo isso a partir de uma estratégia narrativa muito esperta, de seduzir o leitor aos poucos, puxando sua atenção a partir do relato de fatos bem banais, de modo a lhe dar a sensação de que nada de importante estaria acontecendo ali, na história, mas, ao mesmo tempo, alimentando a sua inquietação com questionamentos instigantes e perturbadores, levando-o a uma nova “descoberta do mundo”. O interessante é que praticava tais gêneros desmontando-os internamente, minando o terreno da narrativa de conceitos e recursos que, de certa forma, colocavam em xeque o próprio gênero que praticava
Fonte Veja meus livros

Guilherme de Almeida I

Marina Vaz, de O Estado de S. Paulo
Depois de quatro anos de reforma e restauro de seu acervo, a Casa Guilherme de Almeida, antiga residência do escritor, tradutor e poeta brasileiro, é reaberta neste sábado (11), às 11h30. Antes de correr para visitar o museu, criado em 1979, conheça a vida e a obra do 'dono da casa'.

Guilherme de Almeida (1890-1969) foi um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderna de 1922 e editor da revista Klaxon, publicação ícone do movimento. Ele também foi o responsável pela concepção gráfica da capa, em que uma grande letra 'A' perpassa todas as palavras da expressão 'Mensário de Arte Moderna São Paulo'.

Na primeira edição da revista, um anúncio da marca de chocolates Lacta, também desenvolvido por ele, dizia repetidamente, de forma simples e direta: "Coma Lacta". As palavras formavam círculos circunscritos. "Era algo muito avançado para época; ele foi um dos precursores da propaganda moderna", Marcelo Tápia, diretor da Casa Guilherme de Almeida.

Também é dele o texto gravado, como legenda, no Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, o famoso Obelisco do Ibirapuera. O 'Hino dos Bandeirantes', letra oficial do Estado de São Paulo desde 1974, também é assinado por Almeida.

SERVIÇO
Casa Guilherme de Almeida.
R. Macapá, 187, Pacaembu, 3673-1883.
10h/17h (3ª e 5ª, só com agendamento prévio; fecha 2ª). Abre sáb. (11), 11h30.
Todas as visitas são orientadas e feitas em grupos de até quatro pessoas, com duração média de 30 min. Grátis
Via Estadao

Guilherme de Almeida II

"Íngreme, estreita, escura e curva é a escada que sobe para minha mansarda. Capaz de desanimar os velhos fôlegos cardíacos, nunca, entretanto, intimidou meu já muito vivido coração. Pelo contrário: leva-me leve, alado como os anjos da escada de Jacó. Jamais me arrependi de tê-la subido. Sempre me arrependi de tê-la descido. Porque é mesmo uma ascensão ir pelos seus degraus acima: um desprendimento do rasteiro, numa ânsia de quietude, isolamento e sonho, para o pleno ingresso nos meus Paraísos Interiores."

(Trecho da crônica 'A Escada da Minha Mansarda', de 1928)
via Estadao

Desgracida

O professor de Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tradutor Caetano W. Galindo faz uma resenha, em formato de car­­ta, sobre Desgracida, o recém-lançado livro de Dalton Trevisan, sucessor de Violetas e Pavões (2009).
Enfim.

Me pediram uma resenha. Não deu não. (Dizer que o livro é bom, como é, etc, acho até que fiz. E convenhamos, livro teu não precisa de resenha minha pra qualquer coisa...)

Sempre quis te escrever, e, inspirado pelas tuas “cartas”, copiei tua forma.

Sempre quis te plagiar.

Dia desses, com um amigo, traduzi uns fragmentos teus pro inglês. Você leu, me disseram. Ficamos em verdadeiro êxtase virando velhinhos bíblicos sujos na língua de Joyce. Viramos you por uns dias. Sempre quis te plagiar.

Fica aqui com esse mero “discurso de arara bêbada”.

Sempre quis te escrever. Sempre quis te agradecer. Dia desses, quando passar por você na rua te mando um piparote.

Finge que não vê.

“Que Deus [te] conceda muitos anos para novos e altíssimos brados líricos às margens [flácidas] do [Belém].”


Serviço:

Desgracida. Dalton Trevisan. Record, 240 págs. R$ 37,90.

Via Nas Entrelinhas da Literatura.
Leia a resenha inteira aqui

miércoles, 8 de diciembre de 2010

O Gesto em Delacroix

Cada uno de los viejos maestros tiene su reino, su patrimonio, —que, a menudo, ha de compartir con rivales ilustres. Rafael posee la forma, Rubens y Veronés el color, Rubens y Miguel Ángel lal imaginación del dibujo. Quedaba una parcela del imperio, en la que sólo Rembrandt había hecho algunas incursiones, — el drama,— el drama natural y vivo, el drama terrible y melancólico, frecuentemente expresado por el color, y siempre por el gesto.

En materia de gestos sublimes Delacroix sólo tiene parangón fuera de su arte. Sólo conozco a Frédérick Lemaître y a Macready.

A esta cualidad absolutamente moderna y absolutamente nueva se debe que Delacroix sea la última expresión del progreso en el arte. Heredero de la gran tradición, es decir de la generosidad, de la nobleza, de la pompa en la composición, y digno sucesor de los viejos maestros, ¡domina mejor que ellos el dolor, la pasión, el gesto! Esto es en verdad lo que constituye la importancia de su grandeza. —Efectivamente, imaginemos que se pierda el bagaje de uno de los viejos ilustres, casi siempre tendrá su análogo que pueda explicarlo y sugerirlo al pensamiento del historiador. Suprimid a Delacroix y, rota, la gran cadena de la historia se derrumba.
(Charles Baudelaire, aqui

Don Juan de Gonzalo Torrente Ballester

A novela inicia-se com uma narracao em primeira pessoa e temos a impressao de que o narrador está escrevendo um relato de viagem:
Acaso existe en Roma un lugar tan atractivo para cierta clase de personas como en París los aredores de San Suplicio,pero yo no he nunca estado en Roma.
Sube uno por la calle de Rennes, desde Saint Germain. Allá abajo en la esquina, frente a la Iglesia, queda la terraza de "Aux deus Magots" (...)
Unos dias después. me encontré otra vez con el Fulano.
Bajaba por el "boul´Mich"
(...)
Nos despedimos. Marché a mi hotel y eché una siesta"

Contudo, nao passa despercebido ao leitor que esta novela comeca com a suposta negacao de um dos elementos da diegese, mais exatamente o lugar:
"yo no he estado nunca en Roma"

RICHARD WAGNER y TANNHÄUSER EN PARÍS (Por Charles Baudelaire)


Ya he hablado de ciertas frases melódicas cuya asidua repetición en diferentes fragmentos de la misma obra había intrigado vivamente a mi oído desde el primer concierto ofrecido por Wagner en la sala de los Italianos. Hemos observado que, en Tannhäuser, la recurrencia de los dos temas principales, el motivo religioso y el cántico de voluptuosidad, servía para despertar la atención del público y situarlo en un estado análogo a la situación actual. En Lohengrin, este sistema mnemónico se aplica mucho más minuciosamente. Cada personaje está, por decirlo así, blasonado por la melodía que representa su carácter moral y el papel que está llamado a jugar en la fábula. Dejo en esto humildemente la palabra a Liszt, cuyo libro (Lohengrin y Tannhäuser) recomiendo de paso a todos los amantes del arte profrmdo y refinado; y que sabe, a pesar de ese lenguaje un poco extraño del que se sirve, especie de idioma compuesto de extractos de varias lenguas, traducir con un encanto infinito toda la retórica del maestro:
"El espectador, preparado y resignado a no buscar ninguno de esos fragmentos sueltos que, engranados uno detrás de otro al hilo de no sé qué intriga, componen la sustancia de nuestras óperas habituates, podrá encontrar un interés singular en seguir durante tres actos la combinación profundamente reflexionada, asombrosamente hábil y poéticamente inteligente con la que Wagner, mediante varias frases principales, ha estrechado un nudo melódico que constituye todo su drama. Los pliegues que forman estas frases al unirse y entrelazarse en torno a las palabras del poema, son de un efecto conmovedor hasta más alto grado. Pero si, tras haber sido sorprendidos y emocionados en la representación, aún queremos darnos mejor cuenta de lo que nos afectó tan vivamente y estudiar la partitura de una obra de género tan nuevo, seguimos sorprendiéndonos de todas las intenciones y matices que encierra y que no podrían captarse inmediatamente. ¿Qué dramas y epopeyas de grandes poetas no hace falta estudiar largo tiempo antes de adueñarse de toda su sinificación?

Dibuja melódicamente el carácter de sus personajes y de sus pasiones principales y estas melodías se abren paso, en el canto o en el acom- [p. 251]pañamiento, cada vez que las pasiones y los sentimientos que expresan se ponen en juego. Esta persistencia sistemática se conjuga con un arte de distribución que ofrecería, por la finura de las apreciaciones psicológicas, poéticas y filosóficas de que da prueba, un interés de curiosidad trascendental también para aquellos para quienes las corcheas y las semicorcheas son letra muerta y puro jeroglífico. Wagner, al forzar nuestra meditación y nuestra memoria a un ejercicio tan constante, arrebata con sólo esto la acción de la música al dominio de los vagos enternecimientos y añade a sus encantos algunos de los placeres del espíritu. Con este método, que complica los fáciles gozos procurados por una serie de cánticos escasamente emparentados entre sí, exige del público una singular atención; pero, a la vez, prepara más perfectas emociones a los que saben gustarlas. Sus melodías son, de alguna manera, personificaciones de ideas; su repetición anuncia la de los sentimientos que las palabras que se pronuncian no indican explícitamente; a ellas es a quienes Wagner confía la tarea de revelarnos todos los secretos de los corazones. Hay frases, como por ejemplo la de la primera escena del segundo acto, que atraviesan la ópera como una serpiente venenosa, enroscándose en torno a las víctimas y huyendo ante sus santos defensores; las hay, como la de la introducción, que no se repiten sino rara vez, con las supremas y divinas revelaciones. Las situaciones o los personajes de alguna importancia, están musicalmente expresados por una melodía que se convierte en su símbolo constante. Y, como estas melodías son de una belleza singular, diremos a los que en el examen de una partitura se limitan a juzgar sobre las relaciones de corcheas y semicorcheas entre sí, que incluso si se privara a la música de esta ópera de su hermoso texto, aún sería una producción de primer orden".

En efecto, aun sin poesía, la música de Wagner seguiría siendo una obra poética, porque posee todas las cualidades que caracterizan a una poesía bien hecha; explicativa por sí misma, todo va en ella tan bien unido, conjuntado, recíprocamente adaptado y, si se me permite cometer un barbarismo para expresar el superlativo de una cualidad, concatenado sabiamente.

Leia mais aqui

RICHARD WAGNER y TANNHÄUSER EN PARÍS (Por Charles Baudelaire)

Diz-nos ainda Baudelaire:

De igual forma, los poemas de Wagner, si bien revelan un gusto sincero y una perfecta comprensión de la belleza clásica, participan también, en una elevada dosis, del espíritu romántico. Si hacen soñar en la majestuosidad de Sófocles y Esquilo, obligan a la vez al espíritu a recordar los Misterios de la época más plásticamente católica. Se parecen a aquellas visiones grandiosas que la Edad Media desplegaba en los muros de sus iglesias o tejía en sus magníficos tapices. Tienen un aspecto general decididamente legendario: el Tannhäuser, leyenda; el Lohengrin, leyenda; leyenda El buque fantasma. Y no es sólo una propensión natural de todo espíritu poético lo que ha conducido a Wagner a esta aparente especialización; es una toma de partido formal, alumbrada en el estudio de las condiciones más favorables para el drama lírico.

El mismo se ha tomado el cuidado de elucidar la cuestión en sus libros. Todos los asuntos, efectivamente, no son igualmente apropiados para proporcionar un drama amplio, dotado de un carácter de universalidad. Sería inmensamente peligroso trasladar a un fresco el más delicioso y perfecto de los cuadros de género. En el corazón universal del hombre y en la historia de dicho corazón es, sobre todo, donde el poeta dramático hallará cuadros universalmente inteligibles. Para construir con libertad plena el drama ideal, sería prudente eliminar todas las dificultades que podrían nacer de los detalles técnicos, [p. 241] políticos e incluso demasiado positivamente históricos. Cedo La palabra al maestro mismo:
"El único cuadro de la vida humana que puede ser llamado poético es aquel en el que los motivos que no tienen sentido más que para la inteligencia abstracta, hacen sitio a los móviles puramente humanos que gobiernan el corazón. Esta tendencia (la relativa a la invención del asunto poético) es la ley soberana que rige la forma y la representación poética... El arreglo rítmico y el ornamento (casi musical) de la rima son para el poeta medios que aseguran al verso, a la frase, un poder que cautiva como un hechizo y que gobierna a su grado al sentimiento. Esencial para el poeta esta tendencia le conduce hasta los límites de su arte, límites que rozan inmediatamente los de la música y, por consiguiente, la obra más completa del poeta debería ser aquella que, en su perfección última, fuera una música perfecta.
De aquí, me veía necesariamente conducido a designar al mito como material ideal del poeta. El mito es el poema primitivo y anónimo del pueblo y lo encontramos recuperado en todas las épocas, reelaborado otra vez sin descanso por los grandes poetas de los períodos cultivados. En el mito, en efecto, las relaciones humanas se despojan casi completamente de su forma convencional y sólo inteligible para la razón abstracta; muestran lo que la vida tiene de verdaderamente humano, de eternamente comprensible y lo muestran bajo esa forma concreta, excluyente de toda imitación, que otorga a todos los mitos verdaderos su carácter individual que reconoceréis a primera vista".

Y, en otra parte, recogiendo el mismo tema, dice:
"Abandoné de una vez por todas el terreno de la historia y me instalé en el de la leyenda... Todos los detalles necesarios para describir y representar el hecho histórico y sus accidentes, todos los detalles que exige, para ser perfectamente comprendida, una época de la historia específica y alejada de nosotros y que los autores contemporáneos de dramas y novelas históricos deducen, por tal razón, de manera tan circunstanciada, podía dejarlos de lado... La leyenda, pertenezca a la época y nación que pertenezca, tiene la ventaja de comprender exclusivamente lo que esta época y esta nación tienen de [p. 242] puramente humano y de presentarlo de una forma notablemente original y, por ello, inteligible a primera vista. Una balada, un estribillo popular bastan para representarnos en un instante ese carácter con los rasgos mejor fijados y más percusivos. El carácter de la escena y el tono de la leyenda contribuyen juntos a embarcar al espíritu en ese estado de sueño que le conduce bien pronto a la plena clarividencia y el espíritu descubre entonces un nuevo encadenamiento de los fenómenos del mundo, que sus ojos no podían percibir en el estado ordinario de vigilia".

¿Cómo no iba a comprender Wagner admirablemente el carácter sagrado, divino, del mito

(...)

Los que reprochan al músico Wagner haber escrito libros sobre la filosofía de su arte y que de aquí derivan la sospecha de que su música no es un producto natural, espontáneo, debían negar igualmente que Vinci, Hogarth, Reynolds, hayan podido hacer buenos cuadros, simplemente por el hecho de que han deducido y analizado los principios de su arte. ¿Quién habla mejor de pintura que nuestro gran Delacroix? Diderot, Goethe, Shakespeare..., tantos autores, otros tantos admirables críticos. La poesía ha existido y se ha afirmado primero, para después engendrar el estudio de las reglas. Esta es la historia indiscutible del trabajo humano. Y, como cada uno es el diminutivo de todos, como la historia de un cerebro individual representa en pequeño la historia del cerebro universal, sería justo y natural suponer (a falta de unas pruebas que existen) que la elaboración de los pensamientos de Wagner ha sido análoga al trabajo de la humanidad.

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RICHARD WAGNER y TANNHÄUSER EN PARÍS (Por Charles Baudelaire)

Wagner había sido audaz: el programa de su concierto no incluía ni solos de instrumentos, ni canciones, ni ninguna de esas exhibiciones tan caras a un público amante de los virtuosos y de sus tours de force. Nada más que fragmentos de conjunto, coros o sinfonías. La lucha fue violenta, es cierto; pero el público, abandonado a sí mismo, se enardeció con algunos de aquellos fragmentos irresistibles que expresaban más netamente para él su pensamiento y la música de Wagner triunfó por su propia fuerza. La obertura de Tannhäuser, la marcha pomposa del segundo acto, la obertura de Lohengrin, en particular, la música de bodas y el epitalamio, fueron magníficamente aclamadas. Sin duda, muchas cosas seguían siendo oscuras, más los espíritus imparciales se decían: «Ya que estas composiciones están hechas para la escena, habrá que esperar; las cosas que no están suficientemente definidas, se explicarán por la plástica.» Mientras tanto, quedaba probado que, como sinfonista, como artista que traduce con las mil combinaciones del sonido los tumultos del alma humana, Richard Wagner estaba a la altura de lo más elevado que exista, que era, con toda certeza, tan grande como los más grandes.

Con frecuencia he oído decir que la música no podía envanecerse de traducir algo, cualquier cosa, con precisión, como hacen la palabra y la pintura. Esto es verdad en una cierta proporción, pero no es del todo verdad. Traduce a su manera y por los medios que le son propios. En la música, como en la pintura e incluso en la palabra escrita, que es, no obstante, la más positiva de las artes, siempre habrá una laguna que completa la imaginación del oyente.


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Charles Baudelaire

Vargas Llosa -o "muso" do blog- ganha o Nobel

"Nada ha sembrado tanto la inquietud, removido tanto la imaginación y los deseos, como esa vida de mentiras que añadimos a la que tenemos gracias a la literatura para protagonizar las grandes aventuras, las grandes pasiones, que la vida verdadera nunca nos dará. Las mentiras de la literatura se vuelven verdades a través de nosotros, los lectores transformados, contaminados de anhelos y, por culpa de la ficción, en permanente entredicho con la mediocre realidad. Hechicería que, al ilusionarnos con tener lo que no tenemos, ser lo que no somos, acceder a esa imposible existencia donde, como dioses paganos, nos sentimos terrenales y eternos a la vez, "
Leia o discurso completo no El Pais, aqui

martes, 7 de diciembre de 2010

CAPICUA, revista bilingue catalão-português, na FNAC

REVISTA CAPICUA
pela Associação Cultural CatalunyApresenta
10.12
SEX
16H00
Fnac Stª. Catarina

Capicua, uma ponte entre as letras catalãs e portuguesas é uma revista bilingue catalão-português de divulgação da literatura destes países através dos próprios textos dos escritores editada pela Associação Cultural CatalunyApresenta. Esta sessão conta com intervenções das tradutoras Anna Cortils e Ana Sofia Henrique, que falarão do projecto da revista e das relações culturais entre a Catalunha e Portugal nos últimos cem anos. Seguir-se-ão leituras em catalão e em português que ficarão a cargo de alguns membros da associação

Via page da FNAC.

aqui

domingo, 5 de diciembre de 2010

Sobremesa com ovos .E nao é portuguesa

Tortilla de Amendoas e Limao, aqui!

Dieta e receita de dar água na boca

veja aqui.