sábado, 10 de noviembre de 2012

de mitos

Montada num cavalo negro cenográfico, com bailarinas carregando bandeiras com os dizeres goat (em inglês, cabrito), Lady Gaga atacou Highway Unicorn (Road to Love) às 22h22 desta última sexta, 9. A batida dance fortíssima, o apelo messiânico, o figurino como um filme de terror espacial de H.R.Giger, e estava feito o estrago. "O Brasil é o futuro", disse a cantora.

Antes de Black Jesus, ela instigou a berrar, em português, "Jesus Cristo! Reza!". Logo a seguir, disse: "Não sou uma alienígena, uma mulher feminina, não sou um homem masculino, não sou humano, não sou uma criatura, mas eu sou vocês", disse

Lady Gaga interagiu bastante com a plateia. Chegou a escolher um menino e uma menina da plateia e os fez subir ao palco consigo. Depois, puxou mais e menino e lhe deu um abraço demorado. Em seguida, tocou piano em Hair, ao lado dos recém-chegados, e chorou. "Nós partilhamos as mesmas esperanças, os mesmos sonhos", disse.

Elogiou a nossa inspiração e a nossa música. Deixava o microfone aberto para ouvirem-na arfando. Cometia alguns errinhos tentando falar a língua nativa, chamou amor de "amore", italiano. Passeou de motocicleta pelo palco e simulou sexo em cima da moto com uma dançarina. Usou e abusou do "i don't give a fuck".

Perguntou à plateia quem tinha trabalhado o dia todo e, na resposta, disse que não estava aí para a resposta. "Ninguém tá nem aí para a cor da sua pele, sua religião, seu sexo, seu gênero!. Quando eu vim ao Rio, eu não tinha noção. É um dos lugares mais lindos."

"Eu nunca fui feliz, mas eu estou feliz no Rio", disse Lady Gaga. Falou do futebol que ela jogou no dia anterior com os meninos do Cantagalo e dedicou uma canção a eles, Bad Kids. "Vocês realmente mudaram minha vida! Vocês são especiais, obrigado por me darem tanta inspiração. É verdade sobre o Brasil! Então, Rio, aceite meu amor essa noite", garantiu. "Gaga, eu te amo, Gaga eu te amo!", respondia a plateia.

Pouco público. Com promoções e um grande esquema de divulgação, a organização do show de Lady Gaga reduziu substancialmente o prejuizo que se anunciava e conseguiu colocar 40 mil pessoas no Parque dos Atletas, na Barra, Rio de Janeiro. A estimativa inicial era de 90 mil pessoas.
Fonte Estadao.com.br

De egos...

A apresentação transcorreu sem sustos e até emocionou quando Gaga apresentou uma música, no teclado, com fãs brasileiros à sua volta. Pareceu emocionar sobretudo a própria cantora, que até chorou. No palco, Gaga se esforçava para agradar o público: gritava o nome do Brasil, do Rio e fazia juras de amor à plateia repetidamente. Agradeceu a presença de todos, disse que sabia que ali era um lugar difícil de se chegar, falou sobre o preço salgado dos ingressos e, pasmem, completou: “O Brasil é o país do futuro”. Se Gaga conversar tanto com as plateias mundo afora quanto falou com os cariocas, certamente está entre os cantores que mais discursam durante um show.
Fonte: veja.com

para que serve...???

A primeira-dama é vista de costas, envolvida nos braços do Presidente, que tem os olhos fechados. Divulgada pela conta de Twitter do Presidente na noite de terça-feira, pouco tempo depois das cadeias noticiosas declararem Obama o vencedor da eleição, a fotografia foi imediatamente partilhada por centenas de milhares de pessoas, fazendo dela a imagem mais popular na história do Twitter e gerando uma onda de amor através de uma série de programas das redes sociais.

A fotografia tem todos os ingredientes genéricos de uma imagem política de sucesso. Com o seu céu cinzento e temperamental, encapsula o dramatismo que muitos apoiantes do Presidente Obama sentiram na noite de terça-feira: os Obamas sobreviveram à tempestade. A imagem também alimenta o afecto, por vezes quase um culto, que muitos americanos sentem pelo casal.

O facto de se ter multiplicado nas redes sociais normalmente utilizadas para manter o contacto com a família e os amigos, oferecia uma ilusão de intimidade com a família presidencial, como as fotografias das filhas de Obama, Sasha e Malia, ou do cão da família Bo que tanto comovem os mesmos receptores emocionais. Para os democratas, tem ainda uma função alegórica: a ligação amorosa entre Barack e Michelle simboliza uma sociedade saudável. Para os afro-americanos, acrescenta mais uma peça ao repositório de imagens celebratórias do sucesso dos Obamas, por oposição à frequente diabolização das famílias negras supostamente disfuncionais na cultura popular.

Mas a fotografia tem uma notável mensagem latente, muito específica. Ao contrário de muitas imagens de casais políticos, em que o marido reclama a sua mulher num gesto simbolicamente possessivo - tocando-lhe no ombro, levantando a sua mão ou beijando-a -, o abraço entre estas duas pessoas parece mútuo. A primeira-dama é, entre muitas outras coisas, uma mulher alta, famosa pelos seus músculos tonificados, e nesta imagem, o abraço é tanto dela como dele. O Presidente parece precisar deste abraço, parece quase dependente e até vulnerável. Os obrigatórios sinais masculinos de liderança - determinação, auto-suficiência e equanimidade emocional - dissolvem-se, obliterados pela comunhão daquelas duas pessoas perdidas no seu próprio mundo.

É impossível conhecer a realidade por detrás desta imagem, se o Presidente e a primeira-dama estão realmente apaixonados da forma que a fotografia sugere. Talvez esta seja apenas mais uma excelente variação da cuidadosa encenação do amor que é obrigatória para o sucesso político. Mas, independentemente da realidade, é a variação que é significativa. A fotografia sugere fortemente um ideal de mutualidade no casamento, livre das ideias de posse e obediência que ainda vigoram em algumas religiões profundamente tradicionalistas.

Ainda hoje a retórica política mantém o rasto dessas ideias, mantendo-as vivas. É muito comum, entre políticos, dizer que "a minha mulher foi a melhor escolha que já fiz". George W. Bush adorava esta frase, e Mitt Romney recorreu a uma formulação semelhante para o seu discurso de concessão na madrugada de quarta-feira. À primeira vista, o elogio à "cara-metade" dá ideia de ser uma declaração de algum menosprezo ou desvalorização individual. Mas na realidade reforça a ideia de que o casamento é a escolha pelo homem de uma mulher, e do político como um homem que toma decisões. O casamento é sempre descrito como uma acção no presente do indicativo, com o homem como o sujeito da frase.
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