sábado, 25 de diciembre de 2010
Hoje - Taiguara -
As minhas maos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas,pelas ruas,
na solidao das noites frias,
por voce ...
Eu nao queria juventude asim perdida
eu nao queria amar assim
Universo No Teu Corpo - Taiguara -
EU DESISTO NÃO EXISTE ESSA MANHÃ QUE EU PERSEGUIA
UM LUGAR QUE ME DÊ TRÉGUA OU ME SORRIA
UMA GENTE QUE NÃO VIVA SÓ PRÁ SI
(...)
E É PORISSO QUE EU PRECISO
DE VOCÊ COMO EU PRECISO
NÃO ME DEIXE UM SÓ MINUTO SEM AMOR
VEM COMIGO MEU PEDAÇO DE UNIVERSO É NO TEU CORPO
EU TE ABRAÇO CORPO IMERSO NO TEU CORPO
E EM TEUS BRAÇOS SE UNE EM VERSOS A CANÇÃO
EM QUE EU DIGO QUE ESTOU MORTO PRÁ ESSE TRISTE MUNDO ANTIGO
QUE MEU PORTO MEU DESTINO MEU ABRIGO
SÃO TEU CORPO AMANTE AMIGO EM MINHAS MÃOS
SÃO TEU CORPO AMANTE AMIGO EM MINHAS MÃOS
Teu Sonho Não Acabou - Taiguara
Só feche o seu livro quem já aprendeu
Só peca outro amor quem ja eu do seu...
Ladainha dos póstumos Natais
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito
DAVID MOURÃO-FERREIRA in Cancioneiro de Natal
em que o Nada retome a cor do Infinito
DAVID MOURÃO-FERREIRA in Cancioneiro de Natal
Biblia, leitura mitica e creacionismo
Vê o que a Bíblia conta como uma lenda?
Há duas leituras. A leitura que eu faço é histórico-crítica e, portanto, tento situar esses textos. E para nós é evidente hoje que o relato dos começos do Livro do Génesis é mítico. E quando dizemos mítico, não estamos a depreciar. O mito é provavelmente das formas mais sublimes que nós temos para expressar certas verdades, certas realidades - sobre a própria humanidade, sobre a relação da humanidade com o Cosmos e tudo isso.
Mas aquilo que parece história, é óbvio que é uma história criada. Pode haver - e há com certeza - certos acontecimentos históricos que estão por detrás, mas que se tornaram lendários e que são apresentados só pelo sentido religioso que têm. É um testemunho de fé e um testemunho de fé é partidário por definição. Portanto, faz parte de um relato que não é necessariamente histórico e que não pretende ser um relato objectivo.
A Igreja Católica já não defende a Bíblia como sendo uma realidade, uma verdade histórica?
Não. Defendeu, defendeu, defendeu. Mas isso passou-lhe [ri-se]. Mas no século XX, defendeu.
Mas há pessoas que ainda hoje interpretam a Bíblia à letra - nomeadamente os criacionistas.
Penso que isso vem de uma espécie de medo perante a razão e de uma preocupação em sacralizar as formas de expressão, que os impede de descobrir o sentido dessas expressões, a verdadeira mensagem que está por detrás. Fixam-se na materialidade do linguístico e do imagético e pensam que isso é canónico, normativo. E isso impede-os de aceder ao verdadeiro sentido dos relatos, à sua verdadeira mensagem. Parece infantil.
Para ler toda a matéria do Publico.pt com Francolino Gonçalves - dominicano portugues - , clique aqui
Há duas leituras. A leitura que eu faço é histórico-crítica e, portanto, tento situar esses textos. E para nós é evidente hoje que o relato dos começos do Livro do Génesis é mítico. E quando dizemos mítico, não estamos a depreciar. O mito é provavelmente das formas mais sublimes que nós temos para expressar certas verdades, certas realidades - sobre a própria humanidade, sobre a relação da humanidade com o Cosmos e tudo isso.
Mas aquilo que parece história, é óbvio que é uma história criada. Pode haver - e há com certeza - certos acontecimentos históricos que estão por detrás, mas que se tornaram lendários e que são apresentados só pelo sentido religioso que têm. É um testemunho de fé e um testemunho de fé é partidário por definição. Portanto, faz parte de um relato que não é necessariamente histórico e que não pretende ser um relato objectivo.
A Igreja Católica já não defende a Bíblia como sendo uma realidade, uma verdade histórica?
Não. Defendeu, defendeu, defendeu. Mas isso passou-lhe [ri-se]. Mas no século XX, defendeu.
Mas há pessoas que ainda hoje interpretam a Bíblia à letra - nomeadamente os criacionistas.
Penso que isso vem de uma espécie de medo perante a razão e de uma preocupação em sacralizar as formas de expressão, que os impede de descobrir o sentido dessas expressões, a verdadeira mensagem que está por detrás. Fixam-se na materialidade do linguístico e do imagético e pensam que isso é canónico, normativo. E isso impede-os de aceder ao verdadeiro sentido dos relatos, à sua verdadeira mensagem. Parece infantil.
Para ler toda a matéria do Publico.pt com Francolino Gonçalves - dominicano portugues - , clique aqui
Doces conventuais
Os sonhos
Os nomes da doçaria conventual são espantosos não porque evocam o amor, o namoro, o corpo e o sexo, mas porque, fazendo-o claramente, foram permitidos e adoptados por quem mandava nos conventos.
Há os sonhos, os suspiros e os ais. Há os beijos-de-freira. Há os namorados. Há as barrigas-de-freira, as barriguinhas-de-freira e os pescoços-de-freira.
Há as ternuras, os mimos-do-confessor, as sestas. Há os papos-de-anjo e os toucinhos-do-céu. Há as raivas, os melindres e os mexericos-de-freiras.
Leia mais, aqui!
Fonte:Publico.pt
Os nomes da doçaria conventual são espantosos não porque evocam o amor, o namoro, o corpo e o sexo, mas porque, fazendo-o claramente, foram permitidos e adoptados por quem mandava nos conventos.
Há os sonhos, os suspiros e os ais. Há os beijos-de-freira. Há os namorados. Há as barrigas-de-freira, as barriguinhas-de-freira e os pescoços-de-freira.
Há as ternuras, os mimos-do-confessor, as sestas. Há os papos-de-anjo e os toucinhos-do-céu. Há as raivas, os melindres e os mexericos-de-freiras.
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Fonte:Publico.pt
viernes, 24 de diciembre de 2010
Fernando Bezerra Coelho
O trator de Fernando Bezerra Coelho
Marisa Gibson - Coluna Diario Político
Pra começo de conversa, Fernando Bezerra Coelho (PSB), indicado pelo governador Eduardo Campos (PSB) e escolhido por Dilma Rousseff (PT) para ser ministro da Integração Nacional, já foi saudado ontem como ´futuro governador de Pernambuco` pelo empresário Paulo Drumond, na última reunião do Condic. Muita precipitação, claro, mas não deixa de refletir o clima que começa a tomar conta de alguns setores do estado.
Consciente de que tem nas mãos um ministério que lhe dará visibilidade nacional, dependendo do seu desempenho, Bezerra Coelho não perdeu tempo e já mostrou que tem ideias, desenvoltura, iniciativa, capacidade de trabalho e tato político.
Enfim, com a experiência que acumulou na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Bezerra Coelho sabe que num ministério não basta ser competente. Tem que ser eficiente e ter muito, mas muito jogo de cintura
Embora a ida para o ministério já coloque Fernando Bezerra Coelho como um dos candidatos naturais ao governo, ele optou, ontem, por negar futuras pretensões políticas. Disse que todas as articulações seriam conduzidas pelo governador e só pensava agora no ministério, que terá um perfil mais nacional, além das mudanças na Codevasf, no Dnocs e na Sudene.Depois de se colocar na ´fila` do Senado e ser obrigado a retirar o nome após uma conversa com o governador Eduardo Campos (PSB), o novo ministro preferiu se dizer espectador e não protagonista de 2014. Na segunda entrevista coletiva que deu após ser confirmado por Dilma, ele se mostrou disciplinado e agradecido a Eduardo por indicar seu nome. ´Tirem meu nome dessa fila`, disse.
Fonte Blog do Magno Martins
O Natal e Dickens
"O século XIX é fracturante em relação ao passado na promoção de uma nova visão do convívio da família", explica Nuno Gaspar, historiador e técnico do Palácio da Pena, em Sintra, onde preparou uma visita, realizada no ano passado, que tinha como tema o Natal da família real (embora, sublinha, durante a época do Natal, os reis e os filhos não estivessem na Pena, mas sim no Palácio das Necessidades, em Lisboa). "A tradição dos presentes não existia, sobretudo nos meios mais populares. Esta associação dos presentes que são trazidos pelos Reis Magos para oferecer ao Menino Jesus não existe antes. Pôr as crianças no centro das festividades do Natal é obra do século XIX."
(...)
quem melhor terá descrito o espírito do Natal vitoriano foi Charles Dickens - não é por acaso que ficou conhecido com "o homem que inventou o Natal". Foi ele quem, em 1843, escreveu Conto de Natal, a história do velho e avarento Scrooge, e são os livros de Dickens que instalam definitivamente no nosso imaginário a imagem da véspera de Natal como uma noite fria, com o nevoeiro a invadir as ruas, e as casas acolhedoras e aquecidas, com a família reunida à volta de um peru e da árvore de Natal - a tal inovação que tanto entusiasmava toda a Europa e que, num texto publicado em 1850, o escritor descreve como "aquele bonito brinquedo alemão".
Leia mais aqui
Fonte Publico.pt
(...)
quem melhor terá descrito o espírito do Natal vitoriano foi Charles Dickens - não é por acaso que ficou conhecido com "o homem que inventou o Natal". Foi ele quem, em 1843, escreveu Conto de Natal, a história do velho e avarento Scrooge, e são os livros de Dickens que instalam definitivamente no nosso imaginário a imagem da véspera de Natal como uma noite fria, com o nevoeiro a invadir as ruas, e as casas acolhedoras e aquecidas, com a família reunida à volta de um peru e da árvore de Natal - a tal inovação que tanto entusiasmava toda a Europa e que, num texto publicado em 1850, o escritor descreve como "aquele bonito brinquedo alemão".
Leia mais aqui
Fonte Publico.pt
Os Alfarrabistas: Miguel de Carvalho, livreiro-alfarrabista
O livreiro-alfarrabista de Coimbra.
Assista aqui
a pagina da livraria : http://www.livro-antigo.com/site/index.php
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Voz com poder encantatório
A Academia das Ciências de Lisboa entregou as insígnias da instituição a D. Manuel Clemente, uma voz "com poder encantatório" no combate à degradação de valores.
"São precisas vozes com poder encantatório, que sejam capazes de se opor à degradação de valores que a sociedade ocidental está a sofrer e ele é uma dessas vozes", sublinhou o presidente da Academia, Adriano Moreira, em declarações aos jornalistas, no final da cerimónia, que decorreu no Palácio da Bolsa do Porto.
O actual presidente da bicentenária academia ligada às ciências exactas e às humanidades frisou ainda a "consistência, autoridade científica, e capacidade pedagógica, que não é muito vulgar", de Manuel Clemente.
"Precisamos de três talentos - investigar, ensinar e organizar. É preciso muita vontade de Deus para os três talentos coincidirem na mesma cabeça. Mas Deus com ele teve essa benevolência", acrescentou o presidente da Academia das Ciências.
Também em declarações aos jornalistas, o prelado, que foi eleito sócio da Academia por unanimidade, disse ter recebido a distinção "com muita humildade e simplicidade", mas também "com sentido de responsabilidade reforçada".
O novo sócio da Academia das Ciências, conhecido como "o bispo da Cultura" é também a única figura da Igreja Católica distinguida com o Prémio Pessoa - o referente a 2009.
Licenciado em História e doutorado em Teologia Histórica, o prelado natural de Torres Vedras é autor de dezenas de obras e estudos sobre História, Teologia e Pastoral, reativou a Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, de que é presidente, e dirige a Diocese do Porto desde 25 de Março de 2007.
via Diário Económico.pt
"São precisas vozes com poder encantatório, que sejam capazes de se opor à degradação de valores que a sociedade ocidental está a sofrer e ele é uma dessas vozes", sublinhou o presidente da Academia, Adriano Moreira, em declarações aos jornalistas, no final da cerimónia, que decorreu no Palácio da Bolsa do Porto.
O actual presidente da bicentenária academia ligada às ciências exactas e às humanidades frisou ainda a "consistência, autoridade científica, e capacidade pedagógica, que não é muito vulgar", de Manuel Clemente.
"Precisamos de três talentos - investigar, ensinar e organizar. É preciso muita vontade de Deus para os três talentos coincidirem na mesma cabeça. Mas Deus com ele teve essa benevolência", acrescentou o presidente da Academia das Ciências.
Também em declarações aos jornalistas, o prelado, que foi eleito sócio da Academia por unanimidade, disse ter recebido a distinção "com muita humildade e simplicidade", mas também "com sentido de responsabilidade reforçada".
O novo sócio da Academia das Ciências, conhecido como "o bispo da Cultura" é também a única figura da Igreja Católica distinguida com o Prémio Pessoa - o referente a 2009.
Licenciado em História e doutorado em Teologia Histórica, o prelado natural de Torres Vedras é autor de dezenas de obras e estudos sobre História, Teologia e Pastoral, reativou a Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, de que é presidente, e dirige a Diocese do Porto desde 25 de Março de 2007.
via Diário Económico.pt
jueves, 23 de diciembre de 2010
Crazy Love
Crazy love is all around me
Love is crazy love is kind
But I know somehow you'll find me
Love is crazy love is blind
She walks the boulevard without a care
Knowing too much but having come so far
Pretending life is just a game you play for nothing
Loving no-one and no-where
Crazy love is all around me
Love goes crazy given time
But I know somehow you'll find me
Love is crazy love is blind
She looks as if expecting a surprise
Maybe an encounter that will change her life
Not knowing hot from cold or good for bad
If life is just a joke or if it makes her sad
Ouca aqui
Love is crazy love is kind
But I know somehow you'll find me
Love is crazy love is blind
She walks the boulevard without a care
Knowing too much but having come so far
Pretending life is just a game you play for nothing
Loving no-one and no-where
Crazy love is all around me
Love goes crazy given time
But I know somehow you'll find me
Love is crazy love is blind
She looks as if expecting a surprise
Maybe an encounter that will change her life
Not knowing hot from cold or good for bad
If life is just a joke or if it makes her sad
Ouca aqui
I was born to love you
With every single bit
of my heart
every single day
of my life
kill for your love
born to love you
Queen - I Want To Break Free Live at Wembley Stadium 1986
I've fallen in love for the first time
And this time I know it's for real
I've fallen in love, yeah
God knows,
God knows I've fallen in love
It's strange but it's true
I can't get over the way you love me like you do
But I have to be sure
When I walk out that door
Oh how I want to be free
Queen - 'Don't Stop Me Now'
Burning through the sky
DON´T STOP ME NOW!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bendita tu luz
Bendita mirada
Bendito el lugar
Bendito Dios por encontrarnos
en el camino
Benditos ojos
que simulaban desdén
que me ignoraban
y de repente sostienen la mirada
Natal em Portugal: pudins, bolos, presuntos e... leite-creme!
E eu posso, com valor que nada teme,
Contigo preparar lautos festins
E ajudarte a fazer leite-creme
E os mélicos pudins
(...)
Já vês, pois, que podemos viver juntos,
Nos mesmos aposentos confortáveis,
Comer dos mesmos bolos e presuntos,
E rir dos miseráveis.
Nós podemos, nós dois, por nossa sina,
Quando o Sol é mais rúbido e escarlate
Beber na mesma chávena da China,
O nosso chocolate.
(Cesário Verde)
Contigo preparar lautos festins
E ajudarte a fazer leite-creme
E os mélicos pudins
(...)
Já vês, pois, que podemos viver juntos,
Nos mesmos aposentos confortáveis,
Comer dos mesmos bolos e presuntos,
E rir dos miseráveis.
Nós podemos, nós dois, por nossa sina,
Quando o Sol é mais rúbido e escarlate
Beber na mesma chávena da China,
O nosso chocolate.
(Cesário Verde)
El paso de cebra de Abbey Road, declarado de importancia cultural e histórica
miércoles, 22 de diciembre de 2010
Os Alfarrabistas: Livraria d'Outro Tempo
Na Calcada do Combro ,em Abrantes, Torres Novas, no Chiado , no Bulhao..ou na República Tcheca... livros e Alfarrabistas
"posso dizer hoje que nao guardo ressentimento das injusticas sofridas"JK 1968
"posso dizer hoje que nao guardo ressentimento das injusticas sofridas"JK 1968
A geração nem-nem
(Paulo Ferreira)
Os sociólogos espanhóis chamam-lhe, com rigor e acutilância, a "geração nem-nem". Quem a compõe? Pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 30 anos que não têm qualquer ocupação: nem trabalham, nem estudam. Quantos são em Portugal? No terceiro trimestre de 2010 eram 314 mil, segundo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Trata-se do valor mais alto dos últimos anos. Desde 2007, este batalhão aumentou em cerca de 30 mil!
Há, seguramente, uma miríade de explicações para este fenómeno que emcaminha pessoas para lugar nenhum. Se fosse possível, a análise caso a caso mostraria, com toda a certeza, que, no meio destes 300 mil indivíduos, coabitam preguiçosos e trabalhadores, gente que faz de tudo para ganhar a vida e gente que prefere a modorra dos dias e o guarda- -chuva dos apoios sociais, pessoas que se refugiam na degradação dos salários e do mercado laboral para justificaram a apatia e a indolência e pessoas que, apesar disso tudo e de muito mais, levantam a cabeça e, seguras do seu mérito, não abandonam a batalha...
continue a ler aqui
Os sociólogos espanhóis chamam-lhe, com rigor e acutilância, a "geração nem-nem". Quem a compõe? Pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 30 anos que não têm qualquer ocupação: nem trabalham, nem estudam. Quantos são em Portugal? No terceiro trimestre de 2010 eram 314 mil, segundo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Trata-se do valor mais alto dos últimos anos. Desde 2007, este batalhão aumentou em cerca de 30 mil!
Há, seguramente, uma miríade de explicações para este fenómeno que emcaminha pessoas para lugar nenhum. Se fosse possível, a análise caso a caso mostraria, com toda a certeza, que, no meio destes 300 mil indivíduos, coabitam preguiçosos e trabalhadores, gente que faz de tudo para ganhar a vida e gente que prefere a modorra dos dias e o guarda- -chuva dos apoios sociais, pessoas que se refugiam na degradação dos salários e do mercado laboral para justificaram a apatia e a indolência e pessoas que, apesar disso tudo e de muito mais, levantam a cabeça e, seguras do seu mérito, não abandonam a batalha...
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Meu postal de Natal
Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira, Cancioneiro de Natal
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira, Cancioneiro de Natal
Velazquez e o Felipe IV

Efe | Nueva York
El retrato de un joven Felipe IV, propiedad del Museo Metropolitan de Nueva York, ha vuelto a ser atribuido a Velázquez tras un proceso de restauración y después de que "perdiera" a su autor tras una investigación en 1973, que concluyó que había sido pintado por un discípulo suyo.
Este cuadro, pintado en 1624 por el maestro español y de 2,10 metros de altura, vuelve a verse, recuperado su crédito, treinta y siete años después del impacto que causó su no atribución a Velázquez (1599-1660), según informa el 'New York Times'.
"Uno de los más grandes pintores de la tradición occidental -y un retrato real, por si fuera poco- es recuperado", declaraba al periódico el responsable de pintura europea del MET, Keith Christiansen, a propósito de este cuadro que muestra al rey español con dieciocho años, vestido con traje negro y capa.
Según el rotativo, el hispanista Jonathan Brown, que defendía que este retrato no era del autor de 'Las meninas', ha supervisado cada paso de la restauración y ha llegado a la misma conclusión que Christiansen.
En el estudio de 1973, obras anteriormente atribuidas a El Greco, Rembrandt o Vermeer, perdieron su "estatus", pero el caso del retrato de Felipe IV fue especialmente clamoroso debido a que el MET conservaba el recibo de pago firmado por el propio Velázquez y que datada el 4 de diciembre de 1624.
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Fonte El Mundo.es
Antigüedades soñadas en el Museo del Louvre
Una de las virtudes de la estupenda exposición L'Antiquité rêvée (La Antigüedad soñada), que puede visitarse en el Museo del Louvre hasta mediados de febrero, es que relativiza extraordinariamente la convencional opinión acerca del siglo XVIII como el del predominio de la Razón, aquel en el que, finalmente, las Luces rasgaron, mediante el conocimiento y la virtud, el espeso velo que la superstición y sus agentes (el absolutismo, la Iglesia) habían interpuesto entre la humanidad y su liberación. De hecho, su subtítulo -Innovations et résistances au XVIIIe siècle- hace referencia a las tensiones que en él afloraron, despejando oblicuamente cualquier tentación de considerar el periodo como un todo ideológica y estéticamente unitario.
La muestra también pone en cuestión la moderna opinión negativa acerca de los logros de la Ilustración, muy popular en ciertos ámbitos desde que Horkheimer y Adorno (Dialéctica de la Ilustración, 1947; Trotta, 1994) formularon su teoría acerca de que el "desencantamiento del mundo" propiciado por las Luces habría conducido a la radical disociación de conocimiento y ética. Según ambos autores, a lo largo del siglo "el conocimiento se convirtió en mero medio de obtener un fin, y la cultura se transformó en un artículo disuelto en diversas formas de información sin que implicase a los individuos que la adquirían". Es decir que, una vez producido ese desafortunado (y, a partir de entonces, permanente) desencuentro, lo que los hombres buscaron en la ciencia (y en su aplicación práctica: la tecnología) era el modo de utilizarla para dominar a sus semejantes. Los totalitarismos del siglo XX y hasta el Holocausto serían hijos lejanos de aquella hipertrofia de la Razón.
Pero si algo se hace patente en el recorrido de la muestra es la yuxtaposición -y, a menudo, la coexistencia- de fuerzas y tensiones muy diversas que dejaron su impronta en el arte del siglo XVIII, aunque en todo caso, y siguiendo caminos muy diferentes, todas se vieran obligadas a confrontarse con la Antigüedad.
Fonte El País
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La muestra también pone en cuestión la moderna opinión negativa acerca de los logros de la Ilustración, muy popular en ciertos ámbitos desde que Horkheimer y Adorno (Dialéctica de la Ilustración, 1947; Trotta, 1994) formularon su teoría acerca de que el "desencantamiento del mundo" propiciado por las Luces habría conducido a la radical disociación de conocimiento y ética. Según ambos autores, a lo largo del siglo "el conocimiento se convirtió en mero medio de obtener un fin, y la cultura se transformó en un artículo disuelto en diversas formas de información sin que implicase a los individuos que la adquirían". Es decir que, una vez producido ese desafortunado (y, a partir de entonces, permanente) desencuentro, lo que los hombres buscaron en la ciencia (y en su aplicación práctica: la tecnología) era el modo de utilizarla para dominar a sus semejantes. Los totalitarismos del siglo XX y hasta el Holocausto serían hijos lejanos de aquella hipertrofia de la Razón.
Pero si algo se hace patente en el recorrido de la muestra es la yuxtaposición -y, a menudo, la coexistencia- de fuerzas y tensiones muy diversas que dejaron su impronta en el arte del siglo XVIII, aunque en todo caso, y siguiendo caminos muy diferentes, todas se vieran obligadas a confrontarse con la Antigüedad.
Fonte El País
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martes, 21 de diciembre de 2010
Bolo Rei. Nacional de Portugal.

Ingredientes:
500g de farinha, 100g de margarina, 25g de melhorante para massas levedas (facultativo), 50g de açúcar, 7g de sal, 2 ovos, 100ml de vinho do Porto, 125ml leite, 40g de fermento para padeiro, 500g de cubos de maçã confitada e frutos secos.
Confecção: juntar ingredientes até obter uma massa homogénea e de seguida adicionar o fermento padeiro. Quando a massa estiver lisa e homogénea misture os cubos de maçã confitada e frutos secos. Deixe repousar cerca 45 minutos.
Corte duas ou três bolas de massa e faça um buraco no meio. Abra até formar uma roda. Deixe repousar cerca de 45 minutos.
Para a cobertura: pincele com ovo e espalhe a amêndoa. Decore com rodelas de maçã confitada, cereja,amêndoa aos palitos e o açúcar em pó. Leve a cozer a 190 graus cerca de 60 minutos.
lunes, 20 de diciembre de 2010
Os Alfarrabistas: Chaminé da Mota - TSF
Os Alfarrabistas: Chaminé da Mota - TSF
Os Alfarrabistas: Chaminé da Mota
Na semana do Natal, a TSF apresenta cinco lugares de culto do livro antigo. Em «Os Alfarrabistas», Fernando Alves e Mésicles Helin desfiam histórias do amor pelos livros antigos. Pedro Chaminé da Mota é o primeiro de «Os Alfarrabistas». No nº 28 da Rua das Flores, no Porto, encheu de livros todos os pisos, incluindo as catacumbas..
Os Alfarrabistas: Chaminé da Mota
Na semana do Natal, a TSF apresenta cinco lugares de culto do livro antigo. Em «Os Alfarrabistas», Fernando Alves e Mésicles Helin desfiam histórias do amor pelos livros antigos. Pedro Chaminé da Mota é o primeiro de «Os Alfarrabistas». No nº 28 da Rua das Flores, no Porto, encheu de livros todos os pisos, incluindo as catacumbas..
O mercado editorial no Brasil em 2010
A lista (parte)do Daniel Pizza :
O que me divertiu mesmo em 2010 foram os livros de e sobre arte. Duas edições são de uma beleza tamanha, em todos os sentidos, que não consigo parar de abri-las periodicamente: a caixa em seis volumes com todas as cartas ilustradas de Van Gogh e o mega-álbum Caravaggio – The Complete Works, duas demonstrações de que os livros em papel têm delícias visuais e táteis que nenhum iPad pode ter. Estudos clássicos como Arte como Experiência, de John Dewey, O Outono da Idade Média, de Johan Huizinga (não só sobre arte, mas também literatura), e A Arte Moderna na Europa, de Giulio Carlo Argan, foram enfim traduzidos, assim como O Pintor da Vida Moderna, de Charles Baudelaire, e as resenhas do mesmo Baudelaire e de John Ruskin em Paisagem Moderna. E o livro de memórias do grande arquiteto Tadao Ando não teve o destaque que merecia, num ano curiosamente carente de boas biografias.
Na fronteira cada vez mais explorada da arte com a ciência, aprendi com The Vision Revolution, de Mark Changizi, sobre as particularidades dos olhos humanos; Adam’s Tongue, de Derek Bickerton, e On the Origin of Stories, de Brian Boyd, sobre a importância fisiológica da gramática e da narrativa; Why We Cooperate, de Michael Tomasello, que mostra que a natureza humana não é só agressão ou erotismo; e Pegando Fogo, de Richard Wrangham, sobre como “cozinhar nos tornou humanos”. E por que não acrescentar aqui o início das obras completas de Freud traduzidas por Paulo César de Souza? Um contemporâneo e conterrâneo de Freud, o jornalista (sim, jornalista “full time”) e pensador Karl Kraus, também passou a ser devidamente publicado, com seus Aforismos, num país onde não há antologias decentes dos melhores aforistas. É isso aí: poucas e boas reedições, releituras e, para quebrar a modorra, ensaios científicos. Mas é melhor viver disso do que de falsas novidades e velhas picaretagens.
via Estadao-Daniel Pizza
O que me divertiu mesmo em 2010 foram os livros de e sobre arte. Duas edições são de uma beleza tamanha, em todos os sentidos, que não consigo parar de abri-las periodicamente: a caixa em seis volumes com todas as cartas ilustradas de Van Gogh e o mega-álbum Caravaggio – The Complete Works, duas demonstrações de que os livros em papel têm delícias visuais e táteis que nenhum iPad pode ter. Estudos clássicos como Arte como Experiência, de John Dewey, O Outono da Idade Média, de Johan Huizinga (não só sobre arte, mas também literatura), e A Arte Moderna na Europa, de Giulio Carlo Argan, foram enfim traduzidos, assim como O Pintor da Vida Moderna, de Charles Baudelaire, e as resenhas do mesmo Baudelaire e de John Ruskin em Paisagem Moderna. E o livro de memórias do grande arquiteto Tadao Ando não teve o destaque que merecia, num ano curiosamente carente de boas biografias.
Na fronteira cada vez mais explorada da arte com a ciência, aprendi com The Vision Revolution, de Mark Changizi, sobre as particularidades dos olhos humanos; Adam’s Tongue, de Derek Bickerton, e On the Origin of Stories, de Brian Boyd, sobre a importância fisiológica da gramática e da narrativa; Why We Cooperate, de Michael Tomasello, que mostra que a natureza humana não é só agressão ou erotismo; e Pegando Fogo, de Richard Wrangham, sobre como “cozinhar nos tornou humanos”. E por que não acrescentar aqui o início das obras completas de Freud traduzidas por Paulo César de Souza? Um contemporâneo e conterrâneo de Freud, o jornalista (sim, jornalista “full time”) e pensador Karl Kraus, também passou a ser devidamente publicado, com seus Aforismos, num país onde não há antologias decentes dos melhores aforistas. É isso aí: poucas e boas reedições, releituras e, para quebrar a modorra, ensaios científicos. Mas é melhor viver disso do que de falsas novidades e velhas picaretagens.
via Estadao-Daniel Pizza
Os amantes de novembro - Alexandre O'Neill
Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor
Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um
De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor
Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um
De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono
domingo, 19 de diciembre de 2010
DAVE BRUBECK
Antonio Gonçalves Filho - O Estado de S.Paulo
Os 90 anos do pianista e compositor norte-americano Dave Brubeck foram comemorados no último dia 6 com um concerto do próprio no Blue Note, o clube nova-iorquino de todas as grandes lendas do jazz - ele, inclusive, que revolucionou o gênero há 51 anos com o disco Time Out, usando compassos incomuns para os ouvidos da época. Brubeck entrou no palco do Blue Note com alguma dificuldade - ele colocou um marca-passo em outubro -, mas logo se sentiu em casa. Nesta entrevista exclusiva ao Estado, ele fala do CD comemorativo que está sendo lançado no Brasil, Legacy of a Legend (Sony), do documentário que Clint Eastwood produziu sobre sua vida e escolhe seu disco favorito, entre os gravados por ele desde 1949.
(...)
Nos anos 1960 o senhor compôs um oratório sobre os ensinamentos de Jesus e uma cantata, The Gates of Justice, que fazia referência a textos bíblicos e às palavras do pastor e ativista político Martin Luther King. Ambas as experiências revelam um homem lutando contra o preconceito, a injustiça e o sentimento bélico no mundo, mais reforçado em outra cantata sua, Truth Is Fallen, o que faz do senhor um exemplo raro de músico engajado e religioso na história do jazz. Como é ser um homem de fé num mundo materialista como o nosso?
Mahatma Gandhi, Jesus, Buda, São Francisco de Assis e milhares de outros menos conhecidos viveram num mundo materialista e conseguiram se manter fiéis a seus princípios éticos e à fé espiritual. Em The Light in the Wilderness, por exemplo, eu tratei musicalmente a tentação de Cristo por Satanás quando este diz que pode colocar o mundo a seus pés. Lembrei-me de um episódio que aconteceu comigo logo após o término da 2.ª Guerra, quando visitei a Kehlsteinhaus de Hitler (projetada como uma casa de chá para o ditador numa montanha de Berchtesgaden, Alemanha). Hitler dominou tudo o que ele podia ver do alto dessa montanha, mas sabemos o que aconteceu com ele, um homem sem nenhum entendimento espiritual da vida.
LEIA MAIS, AQUI
Os 90 anos do pianista e compositor norte-americano Dave Brubeck foram comemorados no último dia 6 com um concerto do próprio no Blue Note, o clube nova-iorquino de todas as grandes lendas do jazz - ele, inclusive, que revolucionou o gênero há 51 anos com o disco Time Out, usando compassos incomuns para os ouvidos da época. Brubeck entrou no palco do Blue Note com alguma dificuldade - ele colocou um marca-passo em outubro -, mas logo se sentiu em casa. Nesta entrevista exclusiva ao Estado, ele fala do CD comemorativo que está sendo lançado no Brasil, Legacy of a Legend (Sony), do documentário que Clint Eastwood produziu sobre sua vida e escolhe seu disco favorito, entre os gravados por ele desde 1949.
(...)
Nos anos 1960 o senhor compôs um oratório sobre os ensinamentos de Jesus e uma cantata, The Gates of Justice, que fazia referência a textos bíblicos e às palavras do pastor e ativista político Martin Luther King. Ambas as experiências revelam um homem lutando contra o preconceito, a injustiça e o sentimento bélico no mundo, mais reforçado em outra cantata sua, Truth Is Fallen, o que faz do senhor um exemplo raro de músico engajado e religioso na história do jazz. Como é ser um homem de fé num mundo materialista como o nosso?
Mahatma Gandhi, Jesus, Buda, São Francisco de Assis e milhares de outros menos conhecidos viveram num mundo materialista e conseguiram se manter fiéis a seus princípios éticos e à fé espiritual. Em The Light in the Wilderness, por exemplo, eu tratei musicalmente a tentação de Cristo por Satanás quando este diz que pode colocar o mundo a seus pés. Lembrei-me de um episódio que aconteceu comigo logo após o término da 2.ª Guerra, quando visitei a Kehlsteinhaus de Hitler (projetada como uma casa de chá para o ditador numa montanha de Berchtesgaden, Alemanha). Hitler dominou tudo o que ele podia ver do alto dessa montanha, mas sabemos o que aconteceu com ele, um homem sem nenhum entendimento espiritual da vida.
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David Oistrakh - Bach Violin Concerto in A minor (1st mvt.)
Como diria o Lobo Atunes, "ó morte, onde está o teu triunfo?"
Henry James e o universo ficcional
Labirintos de Henry James
MARCOS FLAMÍNIO PERES
Ler "OS EMBAIXADORES", de Henry James, é desfrutar de um romance de aventuras em que nada parece acontecer. O leitor não presencia grandes peripécias, o espaço pelo qual transita é quase todo concentrado na Paris de Montmartre e da Rive Gauche, com uma entrada aqui e ali no Museu do Louvre e na igreja de Notre Dame. Também não viaja no tempo, pois a ação se restringe ao período de algumas semanas.
Da mesma forma, a trama do livro, não tem nada de rocambolesco: o sensato Lambert Strether é enviado à Europa para "resgatar" Chadwick Newsome -supostamente tragado pelos encantos da Paris fin-de-siècle- e trazê-lo de volta à pequena e puritana Woolett, na Nova Inglaterra, para assumir os negócios da família.
E, no entanto, a transformação por que passará "nosso herói" será monumental. Aos 55 anos,"o pobre Strether", o "embaixador" do Novo Mundo, testemunha seu edifício de certezas pacientemente construído sofrer um colapso completo em poucas semanas.
"Nada lhe parecia mais estranho do que a consciência de que se lançava em uma aventura cujo sentido não se coadunava com seu passado."
Ao longo da "maravilhosa primavera parisiense", flanando através da Rue de la Paix, das Tulherias, cruzando o Sena e chegando ao Jardim de Luxemburgo, percebe-se em um entrelugar. Na desigual relação entre perdas e ganhos que passa a viver na capital francesa, suas verdades se esvaem, embora não ganhe nada em troca: "O palácio das recordações de Strether não estava mais lá [...], mas, sim, "o vazio irremediável que ali se instalou".
Nesse sentido, ele é um anti-Ulisses, à medida que aquilo que caracteriza o protagonista da epopeia homérica é justamente a imutabilidade; de retorno a Ítaca, Ulisses é o mesmo que partira tanto tempo antes.
Strether, ao contrário, é o homem que reelabora o sentido de sua história pessoal no curso de sua viagem. O modo como descreve a si mesmo é sintomático de sua fragmentação, que dará o tom de toda a obra: "Ruminava sentado ali sobre estranha lógica de descobrir-se assim tão livre. Sentia mover-se no mais estranho dos ares, sobre um terreno que não era dos mais estáveis".
Assim como outros grandes autores que iriam fixar o cânone moderno, Henry James (1843-1916) também cria seu "terreno" muito particular -sua cidade turbilhão, que tudo desagrega. Se James Joyce tem Dublin, Alfred Döblin tem Berlim, Marcel Proust tem Paris, James também possui seu devorador mito urbano, o "labirinto que [Strether] apenas começava a trilhar": "Seu maior desassossego parecia provir da assustadora impressão de que quase qualquer concessão a Paris ameaçava arruinar-lhe a autoridade. A vasta e cintilante Babilônia erguia-se diante dele como um imenso objeto iridescente".
Foi ela que provocara no jovem Chad sua "ruptura de identidade" e transformara o rude jovem de três anos atrás em um homem refinado. A "criatura disforme" brotada nas imensidões do Novo Mundo fora posta no "molde firme" pelas mãos de Madame de Vionnet, moradora da "velha Paris".
Contudo, para um romance de tão grande extensão, ficamos sabendo pouco dessa "metrópole descomunal". A razão é que, publicado em 1903, "Os Embaixadores" se distancia firmemente da herança realista (ainda que também dialogue com ela).
Não estamos mais na Paris quase topográfica de "O Pai Goriot" (1835) e "Ilusões Perdidas" (1837-43), de Balzac, ou mesmo de "A Educação Sentimental" (1869), de Flaubert. Ao contrário, a cidade e as relações que estabelece são subsumidas no olhar do personagem -e "sua imaginação reagia antes que pudesse interrompê-la".
A consciência extrema do ponto de vista como organizador da matéria ficcional é a marca de Henry James -tanto o autor quanto o crítico literário. Caso modelar é a novela "A Volta do Parafuso", releitura sofisticadíssima do romance gótico em que o terror é uma construção imaginária -logo, psicológica- de uma mente impressionável.
Talvez sua abordagem mais exaustiva do tema esteja em "Pelos Olhos de Maisie", relançado agora em tradução revista (Cia. das Letras, trad. Paulo Henriques Britto, 412 págs., R$ 26). Manipulada por pai e mãe, depois padrastos e madrastas de ocasião -em benefício próprio e contra o respectivo cônjuge-, a protagonista representa um ícone dos efeitos devastadores das famílias disfuncionais sobre a psique infantil. "Ela serviria a seus ódios e selaria suas vinganças."
Mas o que dá consistência a essa interpretação de natureza cultural é a elaboração da realidade na qual Maisie vive e circula de mão em mão. Os recortes de sentimentos e valores egoístas a que a menina é submetida por cada um dos adultos com quem convive -"estava diante de uma mudança constante"- são incorporados à forma narrativa como "o" ponto de vista, cambiante, de Maisie.
Já "Os Embaixadores", obra da fase madura, tem isso e muito mais e faz jus ao carinho que seu autor tinha por ele como protótipo do "romance perfeito".
A imaginação também leva Strether a reelaborar a realidade, mas transborda e contamina seus vários aspectos.
Assim, a vida concreta de Woolett, em que sempre existe uma "realidade última e irredutível", se opõe à sutileza e dubiedade das relações nos salões parisienses. A própria ideia de sociabilização não encontra eco na província estritamente dividida entre família e trabalho. E a vida produtiva da cidadezinha não se encaixa no "laissez-faire" não-produtivo de aristocratas e artistas.
A distinção de classe também está presente, pois depreende-se que Strether é um agregado da família Newsome. Dinheiro -"eis a raiz de todo o mal", reflete.
Por trás de tudo, a dicotomia fundamental entre Velho e Novo mundos. O próprio James, americano expatriado voluntariamente em Londres, se situava num entrelugar que seu personagem experiencia.
"Embaixadora" emblemática no livro é Miss Gostrey. "Sou um agente da repatriação. Quero repovoar nosso combalido país. Do contrário, que será dele? Quero desencorajar os outros. [...] Se [os expatriados] passarem por minhas mãos [...], mando-os de volta inteiramente gastos. Para que não voltem mais."
Waymarsh, amigo de Strether que passara pelas mãos de Miss Gostrey, forma um contraponto silencioso ao herói. "A Europa [...] falhara em transmitir-lhe a mensagem. [...] 'Não estou em sintonia em nenhum canto por aqui [...] Olhe... estou pronto para voltar'."
Mas talvez a figura mais poderosa neste romance coalhado de mulheres fortes seja Mrs. Newsome, aquela de quem todos falam, que ninguém vê, e que, no entanto, dita o ritmo da narrativa e dos movimentos dos personagens. "Ela está por trás de tudo; mas age com tal delicadeza e tato...!", afirma Strether.
Mas será justamente ele a romper com esse padrão e criar -no plano da vida e da forma romanesca- seu próprio ponto de vista.
A tradução cuidadosa apanha bem o estilo de James, que revira a sintaxe da língua inglesa para dar conta da complexidade das mudanças que Strether sofre -à semelhança do que Proust faria com a língua francesa duas décadas mais tarde, com "Em Busca do Tempo Perdido".
A bela edição em capa dura traz prefácio do autor e ensaio iluminador de Ian Watt (de "A Ascensão do Romance") -embora um lapso de revisão confunda, na contracapa, Madame de Vionnet e Mrs. Newsome.
Como todo grande escritor, James faz do estilo um mundo à parte, que exige de quem o lê um envolvimento sem o qual não "entra" na obra.
Para o leitor intermitente, abordar "Os Embaixadores" pode ser frustrante. Justamente por isso, é livro para ser enfrentado nas férias. Sol, praia, mar e tempo livre formam o conjunto perfeito para mergulhar neste romance de aventuras "interior".
Fonte Ilustríssima,Folha de Sao Paulo
MARCOS FLAMÍNIO PERES
Ler "OS EMBAIXADORES", de Henry James, é desfrutar de um romance de aventuras em que nada parece acontecer. O leitor não presencia grandes peripécias, o espaço pelo qual transita é quase todo concentrado na Paris de Montmartre e da Rive Gauche, com uma entrada aqui e ali no Museu do Louvre e na igreja de Notre Dame. Também não viaja no tempo, pois a ação se restringe ao período de algumas semanas.
Da mesma forma, a trama do livro, não tem nada de rocambolesco: o sensato Lambert Strether é enviado à Europa para "resgatar" Chadwick Newsome -supostamente tragado pelos encantos da Paris fin-de-siècle- e trazê-lo de volta à pequena e puritana Woolett, na Nova Inglaterra, para assumir os negócios da família.
E, no entanto, a transformação por que passará "nosso herói" será monumental. Aos 55 anos,"o pobre Strether", o "embaixador" do Novo Mundo, testemunha seu edifício de certezas pacientemente construído sofrer um colapso completo em poucas semanas.
"Nada lhe parecia mais estranho do que a consciência de que se lançava em uma aventura cujo sentido não se coadunava com seu passado."
Ao longo da "maravilhosa primavera parisiense", flanando através da Rue de la Paix, das Tulherias, cruzando o Sena e chegando ao Jardim de Luxemburgo, percebe-se em um entrelugar. Na desigual relação entre perdas e ganhos que passa a viver na capital francesa, suas verdades se esvaem, embora não ganhe nada em troca: "O palácio das recordações de Strether não estava mais lá [...], mas, sim, "o vazio irremediável que ali se instalou".
Nesse sentido, ele é um anti-Ulisses, à medida que aquilo que caracteriza o protagonista da epopeia homérica é justamente a imutabilidade; de retorno a Ítaca, Ulisses é o mesmo que partira tanto tempo antes.
Strether, ao contrário, é o homem que reelabora o sentido de sua história pessoal no curso de sua viagem. O modo como descreve a si mesmo é sintomático de sua fragmentação, que dará o tom de toda a obra: "Ruminava sentado ali sobre estranha lógica de descobrir-se assim tão livre. Sentia mover-se no mais estranho dos ares, sobre um terreno que não era dos mais estáveis".
Assim como outros grandes autores que iriam fixar o cânone moderno, Henry James (1843-1916) também cria seu "terreno" muito particular -sua cidade turbilhão, que tudo desagrega. Se James Joyce tem Dublin, Alfred Döblin tem Berlim, Marcel Proust tem Paris, James também possui seu devorador mito urbano, o "labirinto que [Strether] apenas começava a trilhar": "Seu maior desassossego parecia provir da assustadora impressão de que quase qualquer concessão a Paris ameaçava arruinar-lhe a autoridade. A vasta e cintilante Babilônia erguia-se diante dele como um imenso objeto iridescente".
Foi ela que provocara no jovem Chad sua "ruptura de identidade" e transformara o rude jovem de três anos atrás em um homem refinado. A "criatura disforme" brotada nas imensidões do Novo Mundo fora posta no "molde firme" pelas mãos de Madame de Vionnet, moradora da "velha Paris".
Contudo, para um romance de tão grande extensão, ficamos sabendo pouco dessa "metrópole descomunal". A razão é que, publicado em 1903, "Os Embaixadores" se distancia firmemente da herança realista (ainda que também dialogue com ela).
Não estamos mais na Paris quase topográfica de "O Pai Goriot" (1835) e "Ilusões Perdidas" (1837-43), de Balzac, ou mesmo de "A Educação Sentimental" (1869), de Flaubert. Ao contrário, a cidade e as relações que estabelece são subsumidas no olhar do personagem -e "sua imaginação reagia antes que pudesse interrompê-la".
A consciência extrema do ponto de vista como organizador da matéria ficcional é a marca de Henry James -tanto o autor quanto o crítico literário. Caso modelar é a novela "A Volta do Parafuso", releitura sofisticadíssima do romance gótico em que o terror é uma construção imaginária -logo, psicológica- de uma mente impressionável.
Talvez sua abordagem mais exaustiva do tema esteja em "Pelos Olhos de Maisie", relançado agora em tradução revista (Cia. das Letras, trad. Paulo Henriques Britto, 412 págs., R$ 26). Manipulada por pai e mãe, depois padrastos e madrastas de ocasião -em benefício próprio e contra o respectivo cônjuge-, a protagonista representa um ícone dos efeitos devastadores das famílias disfuncionais sobre a psique infantil. "Ela serviria a seus ódios e selaria suas vinganças."
Mas o que dá consistência a essa interpretação de natureza cultural é a elaboração da realidade na qual Maisie vive e circula de mão em mão. Os recortes de sentimentos e valores egoístas a que a menina é submetida por cada um dos adultos com quem convive -"estava diante de uma mudança constante"- são incorporados à forma narrativa como "o" ponto de vista, cambiante, de Maisie.
Já "Os Embaixadores", obra da fase madura, tem isso e muito mais e faz jus ao carinho que seu autor tinha por ele como protótipo do "romance perfeito".
A imaginação também leva Strether a reelaborar a realidade, mas transborda e contamina seus vários aspectos.
Assim, a vida concreta de Woolett, em que sempre existe uma "realidade última e irredutível", se opõe à sutileza e dubiedade das relações nos salões parisienses. A própria ideia de sociabilização não encontra eco na província estritamente dividida entre família e trabalho. E a vida produtiva da cidadezinha não se encaixa no "laissez-faire" não-produtivo de aristocratas e artistas.
A distinção de classe também está presente, pois depreende-se que Strether é um agregado da família Newsome. Dinheiro -"eis a raiz de todo o mal", reflete.
Por trás de tudo, a dicotomia fundamental entre Velho e Novo mundos. O próprio James, americano expatriado voluntariamente em Londres, se situava num entrelugar que seu personagem experiencia.
"Embaixadora" emblemática no livro é Miss Gostrey. "Sou um agente da repatriação. Quero repovoar nosso combalido país. Do contrário, que será dele? Quero desencorajar os outros. [...] Se [os expatriados] passarem por minhas mãos [...], mando-os de volta inteiramente gastos. Para que não voltem mais."
Waymarsh, amigo de Strether que passara pelas mãos de Miss Gostrey, forma um contraponto silencioso ao herói. "A Europa [...] falhara em transmitir-lhe a mensagem. [...] 'Não estou em sintonia em nenhum canto por aqui [...] Olhe... estou pronto para voltar'."
Mas talvez a figura mais poderosa neste romance coalhado de mulheres fortes seja Mrs. Newsome, aquela de quem todos falam, que ninguém vê, e que, no entanto, dita o ritmo da narrativa e dos movimentos dos personagens. "Ela está por trás de tudo; mas age com tal delicadeza e tato...!", afirma Strether.
Mas será justamente ele a romper com esse padrão e criar -no plano da vida e da forma romanesca- seu próprio ponto de vista.
A tradução cuidadosa apanha bem o estilo de James, que revira a sintaxe da língua inglesa para dar conta da complexidade das mudanças que Strether sofre -à semelhança do que Proust faria com a língua francesa duas décadas mais tarde, com "Em Busca do Tempo Perdido".
A bela edição em capa dura traz prefácio do autor e ensaio iluminador de Ian Watt (de "A Ascensão do Romance") -embora um lapso de revisão confunda, na contracapa, Madame de Vionnet e Mrs. Newsome.
Como todo grande escritor, James faz do estilo um mundo à parte, que exige de quem o lê um envolvimento sem o qual não "entra" na obra.
Para o leitor intermitente, abordar "Os Embaixadores" pode ser frustrante. Justamente por isso, é livro para ser enfrentado nas férias. Sol, praia, mar e tempo livre formam o conjunto perfeito para mergulhar neste romance de aventuras "interior".
Fonte Ilustríssima,Folha de Sao Paulo
La vida es sueño
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño;
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.
(calderon de la barca)
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño;
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.
(calderon de la barca)
Natal em Portugal
Natal é coisa para pofissional.Como nao tenho a Matha Stwewart handy, vou de Sao Bernanrdo e nao fico mal servida.
Você Já Me Esqueceu - Fernanda Takai.
Voce já me esqueceu
e a madrugada fria agora vem dizer
que eu já nao passo de nada prá voce..
Uma: "que ela nao sofra". Amor de pai é amor de pai!
O seu nome é de origem indiana. Já alguma vez pensou em fazer um filme indiano?
Passei o meu primeiro ano e o meu décimo ano de vida na Índia. O meu pai era especialista em sânscrito. Ainda estava a graduar-se em Harvard quando nasci. Temos todos nomes de origem hindu. O meu significa "que ela não sofra". Quanto a fazer um filme, se me aparecer um guião que me agrade, porque não?
Continua a ir à Índia?
A Índia é, para mim, como se fosse a minha terra. Estive lá pela última vez há ano e meio. Em Nova Deli, sinto-me perfeitamente em casa. Mas é claro que me sinto grata por ter crescido em Massachusets e depois me ter mudado para Nova Iorque. E a carreira de actriz tem-me permitido conhecer o Mundo todo.
Essa espiritualidade tem-na ajudado no seu dia a dia?
Não sou budista praticante. O budismo é mais uma filosofia do que uma religião. É muito aberta. Atribui grande parte da responsabilidade à própria pessoa. Cada pessoa paga pelos seus actos. Não é tão punitiva como as outras religiões. Mas é verdade que me tem ajudado bastante.
Já esteve com o Dalai Lama?
Várias vezes. É o homem mais maravilhoso que já conheci, e cheio de paz. Mas, das últimas vezes, vi-o mais triste, por não conseguir chegar a acordo com as autoridades chinesas tendo em vista alcançar uma maior dignidade para o povo tibetano. Ao pé deles, até parece que os palestinianos e os israelitas estão a fazer um grande trabalho.
Como se sente, como mulher e actriz, ao chegar aos 40 anos?
O melhor de ter chegado aos 40 é ser cada vez menos tolerante para com a estupidez. Achei que os meus 30 anos tinham sido muito mais difíceis. Por isso, estou a olhar com muito optimismo para os meus 40 anos
Continue a ler aqui
Fonte Jornal de Notícias
Passei o meu primeiro ano e o meu décimo ano de vida na Índia. O meu pai era especialista em sânscrito. Ainda estava a graduar-se em Harvard quando nasci. Temos todos nomes de origem hindu. O meu significa "que ela não sofra". Quanto a fazer um filme, se me aparecer um guião que me agrade, porque não?
Continua a ir à Índia?
A Índia é, para mim, como se fosse a minha terra. Estive lá pela última vez há ano e meio. Em Nova Deli, sinto-me perfeitamente em casa. Mas é claro que me sinto grata por ter crescido em Massachusets e depois me ter mudado para Nova Iorque. E a carreira de actriz tem-me permitido conhecer o Mundo todo.
Essa espiritualidade tem-na ajudado no seu dia a dia?
Não sou budista praticante. O budismo é mais uma filosofia do que uma religião. É muito aberta. Atribui grande parte da responsabilidade à própria pessoa. Cada pessoa paga pelos seus actos. Não é tão punitiva como as outras religiões. Mas é verdade que me tem ajudado bastante.
Já esteve com o Dalai Lama?
Várias vezes. É o homem mais maravilhoso que já conheci, e cheio de paz. Mas, das últimas vezes, vi-o mais triste, por não conseguir chegar a acordo com as autoridades chinesas tendo em vista alcançar uma maior dignidade para o povo tibetano. Ao pé deles, até parece que os palestinianos e os israelitas estão a fazer um grande trabalho.
Como se sente, como mulher e actriz, ao chegar aos 40 anos?
O melhor de ter chegado aos 40 é ser cada vez menos tolerante para com a estupidez. Achei que os meus 30 anos tinham sido muito mais difíceis. Por isso, estou a olhar com muito optimismo para os meus 40 anos
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