jueves, 24 de septiembre de 2009
The Voice back home!
"A voz", como ficou conhecida nas décadas de 80 e 90, não precisou de cantar uma única nota para ser aplaudida de pé pela plateia de figuras públicas e jornalistas. Whitney Houston, cuja carreira de sucesso como cantora e actriz foi ensombrada nos últimos anos por vários escândalos, entrou muito sorridente na sala, dirigiu algumas palavras à assistência, abraçou-se ao seu mentor, Clive Davis, emocionou-se e desapareceu. Foi há semanas, em Londres, numa sessão de audição do novo álbum, "I Look To You". É natural que tenha sido assim. Havia expectativa em saber se conseguiria regressar com dignidade depois do insucesso, há seis anos, do último álbum e, sobretudo, depois das histórias sobre a vida privada com alegações de consumo de aditivos e um casamento tumultuoso.
Depois de ouvido o disco, os admiradores na sala respiraram de alívio. Os que não estavam na sala também parecem ter gostado do que ouviram, porque entretanto "I Look To You" já está nas lojas e trepou pelas tabelas de vendas de todo o mundo, com destaque para o primeiro lugar do poderoso top americano.
Uma hora e meia antes, à porta do Mandarin Oriental Hotel, em Knightsbridge, já se percebia que andava estrela pop à solta pelas redondezas, com uma pequena mole humana à entrada. Lá dentro, outro tipo de multidão circulava de champanhe na mão, sorridente, esperando ansiosamente. Mas primeiro, o homem que descobriu Whitney Houston ocupou o palanque.
Clive Davis, produtor, executivo, fundador da Arista, um dos homens mais influentes da indústria, veio para apresentar o disco e falar da sua protegida. Foi inteligente. Começou por afirmar que, ao longo dos anos, não havia descoberto apenas Houston - nomes como a já falecida Janis Joplin ou Bruce Springsteen também constavam da sua lista de achados - mas que em termos de voz, ninguém se comparava a ela.
Ouviu-a, pela primeira vez, num clube nocturno, tinha ela 17 anos, e intuiu logo que havia ali qualquer coisa. Essa coisa, disse, era uma voz inigualável e uma atitude em palco autêntica. Depois tratou de enquadrá-la num contexto - o das grandes vozes negras. Não os compositores, os produtores, os instrumentistas. Mas vozes como Sarah Vaughan, Lena Horne ou Ella Fitzgerald.
Davis veio reafirmar aquilo que já se sabia, mas fê-lo de forma astuta perante uma plateia de profissionais. Disse-nos: Houston não pode ser enquadrada na hegemónica tradição da cultura rock. Antes de mais, é uma intérprete de reportório que, hoje em dia, se divide entre o apelo a um público maduro que se revê na tradição das grandes vozes negras, e um público mais jovem que consome soul ou R&B e guarda dela uma imagem idealizada.
O álbum, que segundo Clive Davis começou a ser pensado há três anos, também respira essa ambivalência. As letras são genéricas, focando temáticas "adultas" como a determinação ou o triunfo sobre a adversidade, naquilo que parecem referências subtis à reabilitação da sua vida privada. A música divide-se entre baladas, canções R&B de batida sincopada e temas de dinamismo dançante, com um naipe de colaboradores, entre compositores e produtores, como Alicia Keys, Diana Warren, Akon, R. Kelly, Stargate ou Danja, a contribuir para um resultado final digno.
Inevitavelmente o regresso de Withney Houston faz eco com a morte recente de Michael Jackson. Ambos se afirmaram globalmente nos anos 80, em grande parte graças à MTV.
Reabilitação
Os dois experimentaram, também, o outro lado de ser estrela planetária, com a vida privada esmiuçada ao pormenor. Ambos tentavam agora reabilitar-se. No caso de Houston as dúvidas prendiam-se, em parte, com a sua voz. Estará menos elástica, mas nada de mais. Há quem argumente mesmo que essas restrições são positivas, impedindo-a de laivos histriónicos, como acontecia no mega-sucesso "Always love you", e não estarão longe da razão.
Quando Clive Davis deu por encerrada a sessão de audição do disco lá surgiu ela, polida, sorrindo, uma senhora. Abraçou Clive, como quem abraça o seu salvador. Ele retribui, com palavras, como se ela ainda fosse a sua menina. "Conhecemo-nos há 26 anos, agora vais voltar a cantar, estás preparada?" lançou-lhe.
Por momentos ainda se pensou que fosse mesmo cantar, ali. Mas não. Sorriu apenas. A pergunta era genérica, como quem interroga se está preparada para enfrentar o mundo do espectáculo, outra vez. Virando-se para plateia disse que os anos em que havia estado perdida tinham acabado. "Agora estou outra vez em casa, onde pertenço", e olhou na direcção de Davis. "Este disco diz tudo o que quero dizer agora", terminou. Depois foi-se, acenando, parecendo verdadeiramente emocionada.
Foi curto, mas ninguém se importou muito. Os que ali estavam já haviam confirmado que a "A voz", apesar de não ter cantado, ainda sabia cantar
Fonte Publico.pt
Depois de ouvido o disco, os admiradores na sala respiraram de alívio. Os que não estavam na sala também parecem ter gostado do que ouviram, porque entretanto "I Look To You" já está nas lojas e trepou pelas tabelas de vendas de todo o mundo, com destaque para o primeiro lugar do poderoso top americano.
Uma hora e meia antes, à porta do Mandarin Oriental Hotel, em Knightsbridge, já se percebia que andava estrela pop à solta pelas redondezas, com uma pequena mole humana à entrada. Lá dentro, outro tipo de multidão circulava de champanhe na mão, sorridente, esperando ansiosamente. Mas primeiro, o homem que descobriu Whitney Houston ocupou o palanque.
Clive Davis, produtor, executivo, fundador da Arista, um dos homens mais influentes da indústria, veio para apresentar o disco e falar da sua protegida. Foi inteligente. Começou por afirmar que, ao longo dos anos, não havia descoberto apenas Houston - nomes como a já falecida Janis Joplin ou Bruce Springsteen também constavam da sua lista de achados - mas que em termos de voz, ninguém se comparava a ela.
Ouviu-a, pela primeira vez, num clube nocturno, tinha ela 17 anos, e intuiu logo que havia ali qualquer coisa. Essa coisa, disse, era uma voz inigualável e uma atitude em palco autêntica. Depois tratou de enquadrá-la num contexto - o das grandes vozes negras. Não os compositores, os produtores, os instrumentistas. Mas vozes como Sarah Vaughan, Lena Horne ou Ella Fitzgerald.
Davis veio reafirmar aquilo que já se sabia, mas fê-lo de forma astuta perante uma plateia de profissionais. Disse-nos: Houston não pode ser enquadrada na hegemónica tradição da cultura rock. Antes de mais, é uma intérprete de reportório que, hoje em dia, se divide entre o apelo a um público maduro que se revê na tradição das grandes vozes negras, e um público mais jovem que consome soul ou R&B e guarda dela uma imagem idealizada.
O álbum, que segundo Clive Davis começou a ser pensado há três anos, também respira essa ambivalência. As letras são genéricas, focando temáticas "adultas" como a determinação ou o triunfo sobre a adversidade, naquilo que parecem referências subtis à reabilitação da sua vida privada. A música divide-se entre baladas, canções R&B de batida sincopada e temas de dinamismo dançante, com um naipe de colaboradores, entre compositores e produtores, como Alicia Keys, Diana Warren, Akon, R. Kelly, Stargate ou Danja, a contribuir para um resultado final digno.
Inevitavelmente o regresso de Withney Houston faz eco com a morte recente de Michael Jackson. Ambos se afirmaram globalmente nos anos 80, em grande parte graças à MTV.
Reabilitação
Os dois experimentaram, também, o outro lado de ser estrela planetária, com a vida privada esmiuçada ao pormenor. Ambos tentavam agora reabilitar-se. No caso de Houston as dúvidas prendiam-se, em parte, com a sua voz. Estará menos elástica, mas nada de mais. Há quem argumente mesmo que essas restrições são positivas, impedindo-a de laivos histriónicos, como acontecia no mega-sucesso "Always love you", e não estarão longe da razão.
Quando Clive Davis deu por encerrada a sessão de audição do disco lá surgiu ela, polida, sorrindo, uma senhora. Abraçou Clive, como quem abraça o seu salvador. Ele retribui, com palavras, como se ela ainda fosse a sua menina. "Conhecemo-nos há 26 anos, agora vais voltar a cantar, estás preparada?" lançou-lhe.
Por momentos ainda se pensou que fosse mesmo cantar, ali. Mas não. Sorriu apenas. A pergunta era genérica, como quem interroga se está preparada para enfrentar o mundo do espectáculo, outra vez. Virando-se para plateia disse que os anos em que havia estado perdida tinham acabado. "Agora estou outra vez em casa, onde pertenço", e olhou na direcção de Davis. "Este disco diz tudo o que quero dizer agora", terminou. Depois foi-se, acenando, parecendo verdadeiramente emocionada.
Foi curto, mas ninguém se importou muito. Os que ali estavam já haviam confirmado que a "A voz", apesar de não ter cantado, ainda sabia cantar
Fonte Publico.pt
miércoles, 23 de septiembre de 2009
Mercader y desencanto
En Cuba se libra una lucha contra el tiempo"
El escritor cubano Leonardo Padura reflexiona sobre la "perversión" del socialismo en 'El hombre que amaba a los perros', su última novela
MAURICIO VICENT - La Habana - 23/09/2009
La entrevista se celebra en su casa habanera del barrio de Mantilla, donde Leonardo Padura ha vivido desde que nació, hace 54 años, y donde ha escrito las nueve novelas que ha publicado hasta ahora. La última, El hombre que amaba a los perros, recién salida en España, revive el crimen de Ramón Mercader, el asesino de León Trotsky, y reflexiona sobre la perversión del socialismo como gran utopía de la humanidad en el siglo XX. Una utopía que, desde luego, tuvo consecuencias en Cuba.
Respuesta. Mercader es un hombre que estuvo alrededor de uno de los acontecimientos históricos más dramáticos, simbólicos y reveladores del siglo XX. Su historia, además, es permanente: un hombre que renuncia a todo por una fe, que se inmola por una ideología cargada de escolástica y trascendentalismo, como sin duda fue el socialismo soviético. Mercader es un símbolo de cómo el fanatismo es capaz de pervertir y utilizar a los humanos, y pocas realidades pueden ser más actuales.
P.¿Qué cosas descubrió durante la investigación que no sabía?
R. Durante cinco años consulté las fuentes más diversas. En todo ese proceso lo que más me impresionó fue descubrir lo poco que sabíamos los cubanos de mi generación de lo que había sido la verdadera historia soviética y comprender por qué ese país y esa sociedad debían desaparecer: eran criaturas falsas y enfermas desde hacía muchísimo tiempo que, incluso, practicaron la traición y el crimen de Estado.
P. Uno de los protagonistas de su libro dice: "sintió pena por él mismo y por todos los que, engañados y utilizados, alguna vez creyeron en la validez de la utopía fundada en el desaparecido país de los Soviets". ¿Compartes esta reflexión?
R. Sí. Nuestro conocimiento de lo que ocurrió en la URSS fue parcial y seleccionado, se nos hizo creer en algo de lo que no conocíamos las entrañas más oscuras, que eran muchísimas. Creímos -o trataron de que creyéramos- que cada soviético era un hermano, que el futuro de la humanidad pertenecía por completo al socialismo y otras frases así. Y con aquellas frases iba toda una historia falsificada por Stalin, sus cómplices y sus seguidores, una ideología que se presentaba como la consumación del humanismo pero que en realidad arrastraba la sangre de diez, quince millones de víctimas. Y el sudor y la esperanza de otros muchísimos millones de creyentes.
P.El protagonista de la novela casi llega a perdonar a Mercader. ¿Y usted?
R.Yo he tratado de entenderlo, de buscar sus razones. No niego que su final, casi abandonado, sabiendo que había sido utilizado y engañado, llega a provocar una cierta compasión. Pero no lo perdono, eso no. Siempre queda, incluso en el totalitarismo más férreo, un resquicio ético que el individuo puede manejar desde sus propias convicciones y que te permite decir que no ante lo inadmisible y no convertirte en parte de algo reprobable, como el crimen, la delación, la traición.
P.¿Cuál fue la principal estafa del socialismo?
R. El estalinismo, sin duda;. Las proporciones de la perversión política, económica, filosófica, ética y hasta estética que implicó la apropiación por parte de Stalin de una idea y de una revolución que pretendían crear una sociedad con la mayor equidad social y con las máximas posibilidades de realización humana, fue la mayor traición. El estalinismo se exportó y se convirtió en legado y, con otros métodos y rostros, frustró la realización del gran sueño utópico de los hombres: la sociedad de los iguales.
P.¿Qué ha dejado en Cuba la copia del modelo socialista soviético?
R. Creo que Cuba, desde que se anunció el carácter socialista de la revolución, trató de crear su propio modelo. Y en buena medida lo logró: solo así se entiende que haya desaparecido el socialismo soviético y europeo y que Cuba, sola y con un embargo y la hostilidad norteamericana, haya mantenido su estructura política y social... Pero, claro, quedaron cosas importantes, como la economía centralizada, la mayoritaria propiedad estatal de los medios de producción (incluida la tierra) y otras que hoy se discuten y que, quizás, pronto sean cambiadas. En Cuba, solo con transformaciones esenciales del viejo modelo puede empezar a pensarse en un socialismo posible, en una sociedad más equitativa y que económicamente sea un proyecto viable.
P. En esta novela y en otras suyas muchos personajes son gente decepcionada y arrepentida. Gente que se quiere ir del país, que está cansada de anteponer los sueños individuales a los colectivos, harta de que el Estado se meta en todo...
R. Desde los años finales del siglo pasado en la narrativa cubana se ha trabajado lo que se ha dado en llamar la literatura del desencanto, que no es solo un reflejo de la crisis que vive el país desde entonces, sino y sobre todo, del cansancio de los individuos. El exilio al que se han ido tantos cubanos es una de las manifestaciones de ese desencanto. Pero también lo es la opción por la crítica y el debate de muchos de los que nos hemos quedado a vivir en la isla.
P.¿El socialismo cubano puede reinventarse o ya está agotado?
R.Yo no soy un político y no sé si el modelo está agotado, porque de hecho se ha sostenido veinte años después de la caída del muro de Berlín. Pero como ciudadano que he vivido muchas de las carencias, vicisitudes y dogmatismos que nos han asediado por años. Como escritor y hombre de pensamiento, creo que se necesita refundar una utopía y no solo para Cuba, sino para todo el mundo.
P.Al llegar al poder Raúl mucha gente albergó expectativas de cambio. Han pasado casi tres años...
R. En Cuba se libra una lucha contra el tiempo, y cada vez hay menos tiempo. Hay lastres muy pesados y peligrosos para la estabilidad y el futuro del país: la ineficiencia y la asfixia de una economía que no acaba de encontrar cauces productivos; el crecimiento de la marginalidad y la corrupción (y corruptos son, sobre todo, quienes tienen algún poder); el burocratismo agobiante y parasitario; la acumulación de necesidades muy diversas (vivienda, alimentación, la relación desquiciada entre salario y costo real de la vida, etc.); la desorganización... Hace falta ver si todavía hay capacidad para cambiar todo lo que debe ser cambiado, introducir esos cambios estructurales y conceptuales que se mencionan pero no se definen.
P.Todo sigue estando en manos de los históricos...
R.Los cubanos llevamos casi veinte años viviendo en medio de una crisis económica propia, y antes vivimos todas las carencias y sacrificios de los años sesenta y setenta -incluida en ese tiempo la más férrea ortodoxia política que marginaba a religiosos, homosexuales, y condenaba cualquier desacuerdo y que, por respuestas como las que le doy ahora, me hubieran caído encima años de marginación intelectual-. Por esa persistencia de las crisis hay tantos que emigran o se agotan: pero precisamente por haber soportado tantos sacrificios y necesidades, creo que la gente en Cuba se merece un futuro mejor y el derecho a la crítica. Entonces, ya sean los 'históricos' o los emergentes, el deber de los que gobiernan es responder a esa necesidad e introducir los cambios que preserven lo aprovechable y que procuren soluciones a lo no resuelto.
P.¿Qué le pareció el concierto de Juanes en la Plaza de la Revolución?
R.Me pareció muy bien. Un concierto sin consignas políticas, en el que el mensaje principal es la paz y la comprensión, eso en Cuba me parece una cosa extraordinaria y necesaria. El concierto tuvo un mensaje renovador, fue un revulsivo de cosas que están anquilosadas... Todo lo que sea apertura, en cualquier sentido, es importante.
P.¿Cuál es el mayor reto de Cuba hoy día?
R.Preservar el sueño de una sociedad mejor es, sin duda, una de las responsabilidades históricas. El mayor desafío sería sostener en la realidad un proyecto que incluya a todos los cubanos, que evite un desplome social catastrófico y que garantice una vida digna a todos: la República Martiana que se construiría "con todos y para el bien de todos".
Fuente El Pais
El escritor cubano Leonardo Padura reflexiona sobre la "perversión" del socialismo en 'El hombre que amaba a los perros', su última novela
MAURICIO VICENT - La Habana - 23/09/2009
La entrevista se celebra en su casa habanera del barrio de Mantilla, donde Leonardo Padura ha vivido desde que nació, hace 54 años, y donde ha escrito las nueve novelas que ha publicado hasta ahora. La última, El hombre que amaba a los perros, recién salida en España, revive el crimen de Ramón Mercader, el asesino de León Trotsky, y reflexiona sobre la perversión del socialismo como gran utopía de la humanidad en el siglo XX. Una utopía que, desde luego, tuvo consecuencias en Cuba.
Respuesta. Mercader es un hombre que estuvo alrededor de uno de los acontecimientos históricos más dramáticos, simbólicos y reveladores del siglo XX. Su historia, además, es permanente: un hombre que renuncia a todo por una fe, que se inmola por una ideología cargada de escolástica y trascendentalismo, como sin duda fue el socialismo soviético. Mercader es un símbolo de cómo el fanatismo es capaz de pervertir y utilizar a los humanos, y pocas realidades pueden ser más actuales.
P.¿Qué cosas descubrió durante la investigación que no sabía?
R. Durante cinco años consulté las fuentes más diversas. En todo ese proceso lo que más me impresionó fue descubrir lo poco que sabíamos los cubanos de mi generación de lo que había sido la verdadera historia soviética y comprender por qué ese país y esa sociedad debían desaparecer: eran criaturas falsas y enfermas desde hacía muchísimo tiempo que, incluso, practicaron la traición y el crimen de Estado.
P. Uno de los protagonistas de su libro dice: "sintió pena por él mismo y por todos los que, engañados y utilizados, alguna vez creyeron en la validez de la utopía fundada en el desaparecido país de los Soviets". ¿Compartes esta reflexión?
R. Sí. Nuestro conocimiento de lo que ocurrió en la URSS fue parcial y seleccionado, se nos hizo creer en algo de lo que no conocíamos las entrañas más oscuras, que eran muchísimas. Creímos -o trataron de que creyéramos- que cada soviético era un hermano, que el futuro de la humanidad pertenecía por completo al socialismo y otras frases así. Y con aquellas frases iba toda una historia falsificada por Stalin, sus cómplices y sus seguidores, una ideología que se presentaba como la consumación del humanismo pero que en realidad arrastraba la sangre de diez, quince millones de víctimas. Y el sudor y la esperanza de otros muchísimos millones de creyentes.
P.El protagonista de la novela casi llega a perdonar a Mercader. ¿Y usted?
R.Yo he tratado de entenderlo, de buscar sus razones. No niego que su final, casi abandonado, sabiendo que había sido utilizado y engañado, llega a provocar una cierta compasión. Pero no lo perdono, eso no. Siempre queda, incluso en el totalitarismo más férreo, un resquicio ético que el individuo puede manejar desde sus propias convicciones y que te permite decir que no ante lo inadmisible y no convertirte en parte de algo reprobable, como el crimen, la delación, la traición.
P.¿Cuál fue la principal estafa del socialismo?
R. El estalinismo, sin duda;. Las proporciones de la perversión política, económica, filosófica, ética y hasta estética que implicó la apropiación por parte de Stalin de una idea y de una revolución que pretendían crear una sociedad con la mayor equidad social y con las máximas posibilidades de realización humana, fue la mayor traición. El estalinismo se exportó y se convirtió en legado y, con otros métodos y rostros, frustró la realización del gran sueño utópico de los hombres: la sociedad de los iguales.
P.¿Qué ha dejado en Cuba la copia del modelo socialista soviético?
R. Creo que Cuba, desde que se anunció el carácter socialista de la revolución, trató de crear su propio modelo. Y en buena medida lo logró: solo así se entiende que haya desaparecido el socialismo soviético y europeo y que Cuba, sola y con un embargo y la hostilidad norteamericana, haya mantenido su estructura política y social... Pero, claro, quedaron cosas importantes, como la economía centralizada, la mayoritaria propiedad estatal de los medios de producción (incluida la tierra) y otras que hoy se discuten y que, quizás, pronto sean cambiadas. En Cuba, solo con transformaciones esenciales del viejo modelo puede empezar a pensarse en un socialismo posible, en una sociedad más equitativa y que económicamente sea un proyecto viable.
P. En esta novela y en otras suyas muchos personajes son gente decepcionada y arrepentida. Gente que se quiere ir del país, que está cansada de anteponer los sueños individuales a los colectivos, harta de que el Estado se meta en todo...
R. Desde los años finales del siglo pasado en la narrativa cubana se ha trabajado lo que se ha dado en llamar la literatura del desencanto, que no es solo un reflejo de la crisis que vive el país desde entonces, sino y sobre todo, del cansancio de los individuos. El exilio al que se han ido tantos cubanos es una de las manifestaciones de ese desencanto. Pero también lo es la opción por la crítica y el debate de muchos de los que nos hemos quedado a vivir en la isla.
P.¿El socialismo cubano puede reinventarse o ya está agotado?
R.Yo no soy un político y no sé si el modelo está agotado, porque de hecho se ha sostenido veinte años después de la caída del muro de Berlín. Pero como ciudadano que he vivido muchas de las carencias, vicisitudes y dogmatismos que nos han asediado por años. Como escritor y hombre de pensamiento, creo que se necesita refundar una utopía y no solo para Cuba, sino para todo el mundo.
P.Al llegar al poder Raúl mucha gente albergó expectativas de cambio. Han pasado casi tres años...
R. En Cuba se libra una lucha contra el tiempo, y cada vez hay menos tiempo. Hay lastres muy pesados y peligrosos para la estabilidad y el futuro del país: la ineficiencia y la asfixia de una economía que no acaba de encontrar cauces productivos; el crecimiento de la marginalidad y la corrupción (y corruptos son, sobre todo, quienes tienen algún poder); el burocratismo agobiante y parasitario; la acumulación de necesidades muy diversas (vivienda, alimentación, la relación desquiciada entre salario y costo real de la vida, etc.); la desorganización... Hace falta ver si todavía hay capacidad para cambiar todo lo que debe ser cambiado, introducir esos cambios estructurales y conceptuales que se mencionan pero no se definen.
P.Todo sigue estando en manos de los históricos...
R.Los cubanos llevamos casi veinte años viviendo en medio de una crisis económica propia, y antes vivimos todas las carencias y sacrificios de los años sesenta y setenta -incluida en ese tiempo la más férrea ortodoxia política que marginaba a religiosos, homosexuales, y condenaba cualquier desacuerdo y que, por respuestas como las que le doy ahora, me hubieran caído encima años de marginación intelectual-. Por esa persistencia de las crisis hay tantos que emigran o se agotan: pero precisamente por haber soportado tantos sacrificios y necesidades, creo que la gente en Cuba se merece un futuro mejor y el derecho a la crítica. Entonces, ya sean los 'históricos' o los emergentes, el deber de los que gobiernan es responder a esa necesidad e introducir los cambios que preserven lo aprovechable y que procuren soluciones a lo no resuelto.
P.¿Qué le pareció el concierto de Juanes en la Plaza de la Revolución?
R.Me pareció muy bien. Un concierto sin consignas políticas, en el que el mensaje principal es la paz y la comprensión, eso en Cuba me parece una cosa extraordinaria y necesaria. El concierto tuvo un mensaje renovador, fue un revulsivo de cosas que están anquilosadas... Todo lo que sea apertura, en cualquier sentido, es importante.
P.¿Cuál es el mayor reto de Cuba hoy día?
R.Preservar el sueño de una sociedad mejor es, sin duda, una de las responsabilidades históricas. El mayor desafío sería sostener en la realidad un proyecto que incluya a todos los cubanos, que evite un desplome social catastrófico y que garantice una vida digna a todos: la República Martiana que se construiría "con todos y para el bien de todos".
Fuente El Pais
Se eu votasse? Vargas LLosa no mas!
Philip Roth e Mario Vargas Llosa voltam a dominar apostas, mas os suecos gostam de surpreender
O prémio Nobel da Literatura para 2009 vai ser anunciado em Outubro, em data ainda não divulgada pela Academia Sueca, e os nomes de quem se fala mais insistentemente, segundo uma prospecção da Lusa na Internet e artigos recentes em jornais internacionais, são os norte-americanos Philip Roth e Joyce Carol Oates, o peruano Mário Vargas Llosa, o italiano Cláudio Magris, o mexicano Carlos Fuentes e o holandês Cees Nooteboom.
Parecem ser apostas sensatas, mas o problema é que todos eles, e especialmente Roth e Vargas Llosa, já vêm sendo apontados como candidatos óbvios há muitos anos. Em Setembro de 2008, quem se atreveria a sugerir que era mais provável que os dez milhões de coroas suecas (cerca de um milhão de euros) fossem parar ao bolso de Le Clézio do que ao do autor de Pastoral Americana ou Conspiração Contra a América ?
Olhando para a história do prémio fica mesmo a sensação de que a Academia tem um certo prazer perverso em frustrar expectativas e avançar com um nome de que ninguém esteja à espera. Pode ser que daqui a alguns anos, quando já ninguém acreditar que Roth, Vargas Llosa ou Fuentes venham algum dia a ser laureados, um deles acabe mesmo por ser. Mas mesmo isso não é certo. Basta pensar em alguns escritores que morreram sem nunca receber o Nobel da Literatura, como Joyce ou Nabokov, para já não falar em Borges, que terá pago o preço de algumas controversas posições políticas pontuais.
Que a Academia Sueca gosta de criar ansiedade em torno do Nobel da Literatura, sugere-o também o facto de ser este o prémio cuja data de divulgação é anunciada mais tarde. Já se sabe que os próximos prémios Nobel da Medicina, da Física, da Química, da Paz e da Economia serão respectivamente anunciados nos dias 5, 6, 7, 9 e 12 de Outubro. Se se cumprir a tradição, o da Literatura deverá ser conhecido numa quinta-feira, o que poderia apontar para 8 de Outubro, mas essa é apenas uma hipótese.
Além dos autores já referidos, podia citar-se uma lista virtualmente infindável de potenciais nobelizáveis. Umberto Eco, Salman Rushdie, Milan Kundera, Cormac McCarthy, Amos Oz ou Paul Auster, por exemplo, para citar apenas alguns dos nomes que a Lusa adianta. Mas com a Academia Sueca, as únicas especulações que podem ter algum fundamento são as negativas. Ou seja, é improvável que ganhe um autor francês, uma vez que Le Clézio recebeu o prémio em 2008, e não parece também demasiado provável que a escolha volte a recair num britânico, depois de Harold Pinter e Doris Lessing terem sido escolhidos, respectivamente, em 2005 e 2007.
Fonte Publico.pt / Ipsilon
O prémio Nobel da Literatura para 2009 vai ser anunciado em Outubro, em data ainda não divulgada pela Academia Sueca, e os nomes de quem se fala mais insistentemente, segundo uma prospecção da Lusa na Internet e artigos recentes em jornais internacionais, são os norte-americanos Philip Roth e Joyce Carol Oates, o peruano Mário Vargas Llosa, o italiano Cláudio Magris, o mexicano Carlos Fuentes e o holandês Cees Nooteboom.
Parecem ser apostas sensatas, mas o problema é que todos eles, e especialmente Roth e Vargas Llosa, já vêm sendo apontados como candidatos óbvios há muitos anos. Em Setembro de 2008, quem se atreveria a sugerir que era mais provável que os dez milhões de coroas suecas (cerca de um milhão de euros) fossem parar ao bolso de Le Clézio do que ao do autor de Pastoral Americana ou Conspiração Contra a América ?
Olhando para a história do prémio fica mesmo a sensação de que a Academia tem um certo prazer perverso em frustrar expectativas e avançar com um nome de que ninguém esteja à espera. Pode ser que daqui a alguns anos, quando já ninguém acreditar que Roth, Vargas Llosa ou Fuentes venham algum dia a ser laureados, um deles acabe mesmo por ser. Mas mesmo isso não é certo. Basta pensar em alguns escritores que morreram sem nunca receber o Nobel da Literatura, como Joyce ou Nabokov, para já não falar em Borges, que terá pago o preço de algumas controversas posições políticas pontuais.
Que a Academia Sueca gosta de criar ansiedade em torno do Nobel da Literatura, sugere-o também o facto de ser este o prémio cuja data de divulgação é anunciada mais tarde. Já se sabe que os próximos prémios Nobel da Medicina, da Física, da Química, da Paz e da Economia serão respectivamente anunciados nos dias 5, 6, 7, 9 e 12 de Outubro. Se se cumprir a tradição, o da Literatura deverá ser conhecido numa quinta-feira, o que poderia apontar para 8 de Outubro, mas essa é apenas uma hipótese.
Além dos autores já referidos, podia citar-se uma lista virtualmente infindável de potenciais nobelizáveis. Umberto Eco, Salman Rushdie, Milan Kundera, Cormac McCarthy, Amos Oz ou Paul Auster, por exemplo, para citar apenas alguns dos nomes que a Lusa adianta. Mas com a Academia Sueca, as únicas especulações que podem ter algum fundamento são as negativas. Ou seja, é improvável que ganhe um autor francês, uma vez que Le Clézio recebeu o prémio em 2008, e não parece também demasiado provável que a escolha volte a recair num britânico, depois de Harold Pinter e Doris Lessing terem sido escolhidos, respectivamente, em 2005 e 2007.
Fonte Publico.pt / Ipsilon
martes, 22 de septiembre de 2009
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Miguel Sousa Tavares: Acordo Ortográfico é "acto colonial" do Brasil
O Acordo Ortográfico é um acto colonial do Brasil sobre Portugal com regras que não são recíprocas, afirmou à Lusa o escritor e jornalista português Miguel Sousa Tavares, que se encontra no Brasil para lançar seu "quase-romance" "No Teu Deserto".
"O Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz, como se os Estados Unidos impusessem um acordo ortográfico à Inglaterra", afirmou Sousa Tavares, criticando o facto de não ter havido uma consulta aos profissionais que trabalham com a língua, como os escritores, jornalistas e professores. "Ninguém foi ouvido, o acordo foi imposto tanto no Brasil como em Portugal", critica.
O escritor lembrou que um acordo exige reciprocidade, para afirmar em tom crítico que a reforma da ortografia foi "cozinhada entre académicos que queriam se reunir e viajar". "Não encontro escritores brasileiros que defendam o acordo", aponta.
O escritor e jornalista disse que não pretende mudar a sua forma de escrever e adverte que o Acordo Ortográfico vai "condensar e expurgar" muitos dos detalhes da diversidade linguística.
Sousa Tavares duvida que os países africanos de Língua Portuguesa cumpram o acordo. "Vão começar a rejeitar o Português se nós os obrigarmos a seguir estritamente uma gramática que não lhes faz sentido nem ao ouvido, nem na escrita".
"Acho um projecto idiota, e pode ser prejudicial em muitos países. Querem unificar o português em todo o mundo falante de língua portuguesa. Não vai ser em Portugal nem no Brasil porque temos 500 anos de trabalho e a nossa língua efectiva, mas em Angola apenas dez por cento fala bem português, o resto não fala", argumenta.
Miguel Sousa Tavares é também muito crítico sobre o conceito de lusofonia e a actuação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). "Gastam imenso dinheiro aos contribuintes de Portugal e do Brasil e não é por aí que a lusofonia vai funcionar. Nós nunca faremos uma 'commonwealth' nas relações económicas. Na hora da verdade, o Brasil vai entrar em disputa com Portugal".
Para Sousa Tavares, a única forma de construir laços na lusofonia é a aproximação a partir de afinidades entre os povos, o que vai passar pela língua.
"Finalmente o que funcionará é a língua. A lusofonia passa muito pelas relações humanas que são mais importantes, elas é que vão determinar", referiu ao destacar que hoje há "muito mais concorrência do que cooperação" no mundo lusófono.
O jornalista, autor de "Equador", um dos maiores sucessos de vendas da literatura portuguesa dos últimos anos, está no Brasil para apresentar seu novo romance e participar na Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro.
Fonte Publico.pt
O Acordo Ortográfico é um acto colonial do Brasil sobre Portugal com regras que não são recíprocas, afirmou à Lusa o escritor e jornalista português Miguel Sousa Tavares, que se encontra no Brasil para lançar seu "quase-romance" "No Teu Deserto".
"O Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz, como se os Estados Unidos impusessem um acordo ortográfico à Inglaterra", afirmou Sousa Tavares, criticando o facto de não ter havido uma consulta aos profissionais que trabalham com a língua, como os escritores, jornalistas e professores. "Ninguém foi ouvido, o acordo foi imposto tanto no Brasil como em Portugal", critica.
O escritor lembrou que um acordo exige reciprocidade, para afirmar em tom crítico que a reforma da ortografia foi "cozinhada entre académicos que queriam se reunir e viajar". "Não encontro escritores brasileiros que defendam o acordo", aponta.
O escritor e jornalista disse que não pretende mudar a sua forma de escrever e adverte que o Acordo Ortográfico vai "condensar e expurgar" muitos dos detalhes da diversidade linguística.
Sousa Tavares duvida que os países africanos de Língua Portuguesa cumpram o acordo. "Vão começar a rejeitar o Português se nós os obrigarmos a seguir estritamente uma gramática que não lhes faz sentido nem ao ouvido, nem na escrita".
"Acho um projecto idiota, e pode ser prejudicial em muitos países. Querem unificar o português em todo o mundo falante de língua portuguesa. Não vai ser em Portugal nem no Brasil porque temos 500 anos de trabalho e a nossa língua efectiva, mas em Angola apenas dez por cento fala bem português, o resto não fala", argumenta.
Miguel Sousa Tavares é também muito crítico sobre o conceito de lusofonia e a actuação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). "Gastam imenso dinheiro aos contribuintes de Portugal e do Brasil e não é por aí que a lusofonia vai funcionar. Nós nunca faremos uma 'commonwealth' nas relações económicas. Na hora da verdade, o Brasil vai entrar em disputa com Portugal".
Para Sousa Tavares, a única forma de construir laços na lusofonia é a aproximação a partir de afinidades entre os povos, o que vai passar pela língua.
"Finalmente o que funcionará é a língua. A lusofonia passa muito pelas relações humanas que são mais importantes, elas é que vão determinar", referiu ao destacar que hoje há "muito mais concorrência do que cooperação" no mundo lusófono.
O jornalista, autor de "Equador", um dos maiores sucessos de vendas da literatura portuguesa dos últimos anos, está no Brasil para apresentar seu novo romance e participar na Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro.
Fonte Publico.pt
Joao Bosco
"He dejado de existir para que surja la música"
FRANCHO BARÓN -
Cae la tarde en los bosques tropicales de Tijuca, que se extienden como un manto por los cerros de Río de Janeiro, y en la casona de João Bosco de Freitas Mucci, João Bosco, (Ponte Nova, Minas Gerais, 1946) suenan, como un susurro, los acordes de una vieja canción. En el silencio de un salón parco en ornamentos, João acaricia, pensativo, las cuerdas de una guitarra de solera fabricada especialmente para él por el lutier japonés Shiguemitsu Suguiyama. No es una guitarra cualquiera: el instrumento pone música a los discos y recitales del intérprete brasileño desde 1981 Y se nota en los sonidos que brotan de la caja acústica, incisivos y envolventes.
En julio, João lanzó en Brasil su último trabajo con doce temas inéditos. Un disco que hasta en su título llega cargado de misticismo metafísico: Não vou pro céu, mas já não vivo no chão (No voy al cielo, pero ya no vivo en la tierra). El compositor de clásicos como Papel maché o O bêbado e a equilibrista retoma después de 20 años el tándem con el letrista y poeta carioca Aldir Blanc, que rubrica la letra de cuatro canciones. "Sólo una de las colaboraciones con Aldir Blanc, Navalha, ya vale todas las celebraciones posibles ante este esperado retorno del dúo", certifica el poeta Eucanãa Ferraz. "No volvimos sólo para hacer música. Volvimos a ser amigos. Almir Chediak, que en aquella época estaba trabajando en un songbook sobre mi obra, el último que produjo antes de fallecer, invitó a Aldir para grabar O bêbado e a equilibrista. En aquella grabación, después de tantos años sin vernos, percibimos que estábamos hablando como si nada hubiese ocurrido y que nuestra amistad era indestructible. Poco después, Aldir me telefoneó para decirme que había soñado conmigo: en su sueño yo cantaba una samba. Cuando se despertó cogió un bolígrafo e intentó transcribir la letra. De esta manera surgió la letra de Sonho de Caramujo, que contiene el título de este disco", desvela João.
En este trabajo, quizá el más intimista y personal de su carrera, el intérprete y compositor también se sumerge por primera vez en una colaboración artística con su hijo Francisco, que ha puesto letra a cinco temas. "El título del disco tiene mucho que ver con la poética que han aportado Aldir Blanc y Francisco Bosco, que sin coordinarse han trabajado con una afinidad casi imponderable. Las letras de las canciones dialogan unas con otras. Es un disco que mantiene una unidad rara en comparación con otros discos de mi carrera", explica mientras los dedos de su mano derecha continúan recorriendo las cuerdas de la guitarra.
Preguntado sobre qué elementos novedosos destacaría en este nuevo trabajo, João no necesita pensar mucho su respuesta: "Hay un cantante que surge en este disco. Un cantante con la capacidad de dejar de existir para que sólo surja la música. Es algo que nunca había experimentado antes. Siempre me gustó ser muy exuberante, ocupar los espacios, alterar la pronunciación de las palabras. Éste es un disco desprovisto de artificios, casi de voz y guitarra, y en los momentos en que los músicos participan, esta sensación tampoco se pierde"."Es un disco raro. Las letras de las canciones dialogan unas con otras"
Fuente El Pais
FRANCHO BARÓN -
Cae la tarde en los bosques tropicales de Tijuca, que se extienden como un manto por los cerros de Río de Janeiro, y en la casona de João Bosco de Freitas Mucci, João Bosco, (Ponte Nova, Minas Gerais, 1946) suenan, como un susurro, los acordes de una vieja canción. En el silencio de un salón parco en ornamentos, João acaricia, pensativo, las cuerdas de una guitarra de solera fabricada especialmente para él por el lutier japonés Shiguemitsu Suguiyama. No es una guitarra cualquiera: el instrumento pone música a los discos y recitales del intérprete brasileño desde 1981 Y se nota en los sonidos que brotan de la caja acústica, incisivos y envolventes.
En julio, João lanzó en Brasil su último trabajo con doce temas inéditos. Un disco que hasta en su título llega cargado de misticismo metafísico: Não vou pro céu, mas já não vivo no chão (No voy al cielo, pero ya no vivo en la tierra). El compositor de clásicos como Papel maché o O bêbado e a equilibrista retoma después de 20 años el tándem con el letrista y poeta carioca Aldir Blanc, que rubrica la letra de cuatro canciones. "Sólo una de las colaboraciones con Aldir Blanc, Navalha, ya vale todas las celebraciones posibles ante este esperado retorno del dúo", certifica el poeta Eucanãa Ferraz. "No volvimos sólo para hacer música. Volvimos a ser amigos. Almir Chediak, que en aquella época estaba trabajando en un songbook sobre mi obra, el último que produjo antes de fallecer, invitó a Aldir para grabar O bêbado e a equilibrista. En aquella grabación, después de tantos años sin vernos, percibimos que estábamos hablando como si nada hubiese ocurrido y que nuestra amistad era indestructible. Poco después, Aldir me telefoneó para decirme que había soñado conmigo: en su sueño yo cantaba una samba. Cuando se despertó cogió un bolígrafo e intentó transcribir la letra. De esta manera surgió la letra de Sonho de Caramujo, que contiene el título de este disco", desvela João.
En este trabajo, quizá el más intimista y personal de su carrera, el intérprete y compositor también se sumerge por primera vez en una colaboración artística con su hijo Francisco, que ha puesto letra a cinco temas. "El título del disco tiene mucho que ver con la poética que han aportado Aldir Blanc y Francisco Bosco, que sin coordinarse han trabajado con una afinidad casi imponderable. Las letras de las canciones dialogan unas con otras. Es un disco que mantiene una unidad rara en comparación con otros discos de mi carrera", explica mientras los dedos de su mano derecha continúan recorriendo las cuerdas de la guitarra.
Preguntado sobre qué elementos novedosos destacaría en este nuevo trabajo, João no necesita pensar mucho su respuesta: "Hay un cantante que surge en este disco. Un cantante con la capacidad de dejar de existir para que sólo surja la música. Es algo que nunca había experimentado antes. Siempre me gustó ser muy exuberante, ocupar los espacios, alterar la pronunciación de las palabras. Éste es un disco desprovisto de artificios, casi de voz y guitarra, y en los momentos en que los músicos participan, esta sensación tampoco se pierde"."Es un disco raro. Las letras de las canciones dialogan unas con otras"
Fuente El Pais
OUTONO
Com o Equinócio que se regista às 21h18, hoje entramos oficialmente no Outono.
À mesa Para acompanhar as refeições, que se querem mais substanciais, e a chegada das castanhas - bem regadas a água-pé -, a escolha de um bom vinho é essencial. Segundo António Falcão, da "Revista de Vinhos", os resultados da colheita de 2009 dão uma ajuda. O especialista explica ao i que "2009 foi um ano atípico. As temperaturas muito altas fizeram com que as videiras parassem de produzir açúcar para se protegerem do calor", fenómeno que dá origem a vinhos tendencialmente desequilibrados. Mas este ano, "os resultados até foram bastante bons".
Quanto à comida, "é como irmos buscar os casacos de Inverno ao armário", compara o chefe José Avillez. "Em vez de gaspacho, prefere-se sopas quentes; em vez de saladas, opta-se por entradas mais aconchegantes." Porque anoitece mais cedo, "as pessoas vão jantar também mais cedo e pedem outras coisas", garante. O frio "torna uma feijoada muito mais apetecível", conclui. Quanto aos alimentos característicos de Outono, o chefe do Tavares garante que "tudo é melhor, sabe melhor e, portanto, faz melhor na época". O destaque vai para as castanhas, os animais de caça, a pêra-rocha e a maçã.
Entretenimento Com o Outono, começa também a época do do sofá e da manta - elementos essenciais para receber as novas temporadas das séries de televisão. Este ano, destaca-se a sexta temporada de "Dr. House", que já estreou nos EUA e deve demorar um mês a chegar aos ecrãs nacionais, bem como a quarta temporada de "Heroes". Joana Pratas, dos canais FOX, explica ao i que "o facto de estarmos a estrear as séries com um intervalo cada vez menor leva-nos a adoptar a estratégia de programação dos EUA, o que resulta na emissão das séries repartida em duas partes". Do lado de lá do Atlântico, "começam agora e param na mid-season - entre Janeiro e Abril".
Moda Para a estilista Fátima Lopes, a única tendência geral para este Outono é o preto. No entanto, sublinha ao i, "tendências são apenas coincidências entre os desfiles de criadores de todo o mundo". Quanto às influências da recessão na moda, mostra-se positiva: "Os criadores na Europa desmistificaram a ideia da crise. As colecções ficaram mais ricas e recorrem a materiais nobres. No geral, nada é negativo neste Outono", garante.
Mercados financeiros "Sell in May, go away, and return on Labour day." A frase marca um dos adágios clássicos de Wall Street que, como a política, tem a sua rentrée no Outono. Nos EUA, o Labour day - o Dia do Trabalho (e não do Trabalhador, como em Portugal) - marca essa data - este ano, celebrou-se a 7 de Setembro.
Este é o grande marco para o regresso dos grandes negócios e das grandes transacções às bolsas americanas, assim como a última oportunidade para evitar perdas. Na conjuntura da crise, as acções de grandes empresas americanas (cotadas no índice Dow Jones) e europeias (no Stoxx 600) foram as mais penalizadas pela crise financeira que começou há um ano - com a falência da Lehman Brothers. Mas é delas, sustentam os analistas, que podem vir as melhores oportunidades para ganhar dinheiro este Outono, impulsionadas por valorizações superiores a 10% nas duas últimas semanas.
Tecnologia A rentrée é marcada por alguns eventos importantes, como a maior feira de electrónica de consumo da Europa, na Alemanha, ou a conferência da Apple dedicada ao mercado da música, que este ano se chamou "It's Only Rock and Roll" e surpreendeu pelo regresso de Steve Jobs. Nos próximos dois meses, a palavra de ordem será uma: expectativa. Isto porque quase todas as marcas estão a guardar os seus maiores trunfos para a época natalícia, apostando numa subida de vendas. Mesmo assim, o fim de Outubro e o início de Novembro são momentos de grandes lançamentos e o frenesi com videojogos e consolas já chegou, esperando-se uma temporada muito forte e competitiva entre as várias editoras.
Desemprego Mas o Outono afecta também o mercado de trabalho - que tem alguma tendência a seguir a queda das folhas. A taxa de desemprego tende a subir entre o final de Setembro e Dezembro. Nos últimos dez anos, sete confirmaram a tendência. "Tipicamente, o desemprego desce no segundo trimestre do ano, devido aos empregos sazonais, para voltar a subir mais tarde", explica Paula Carvalho, economista do BPI. Este ano, com a recessão a levar a economia ao tapete, os empregos de Verão não impediram a subida do desemprego, que ultrapassou 9% no segundo trimestre. O Outono deverá trazer um agravamento deste número.
Saúde Com a chegada da nova estação e o esfriar dos dias, este ano há, porém, um cuidado acrescido que precisamos de ter: para além da gripe sazonal, é preciso atenção à gripe A. Segundo a directora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), os países do hemisfério norte devem preparar-se para uma segunda vaga de contaminações com o vírus H1N1 nesta época.
É também no Outono que a asma e as alergias respiratórias se intensificam. Como explica ao i Manuel Pereira Barbosa, professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e director do Serviço de Imunoalergologia do Hospital de Santa Maria, "nesta época há um pico de manifestações da doença alérgica respiratória (asma e rinite)". As depressões chegam também com o Outono, período em que a maioria das pessoas regressa à rotina.
Por outro lado, e como os dias são "mais curtos", os estímulos sociais decrescem, contribuindo para alterações de humor. Biologicamente, também há uma explicação plausível para uma tendência acrescida para o mau humor: menos exposição ao sol significa menor produção de endorfinas, os neurotransmissores associados ao prazer e ao bem-estar. Mas nem tudo é mau: para contrariar esse efeito, os especialistas aconselham o consumo de chocolate e pimenta. com A. R. G. , B. F. L. e P. S. D
Fonte i online
À mesa Para acompanhar as refeições, que se querem mais substanciais, e a chegada das castanhas - bem regadas a água-pé -, a escolha de um bom vinho é essencial. Segundo António Falcão, da "Revista de Vinhos", os resultados da colheita de 2009 dão uma ajuda. O especialista explica ao i que "2009 foi um ano atípico. As temperaturas muito altas fizeram com que as videiras parassem de produzir açúcar para se protegerem do calor", fenómeno que dá origem a vinhos tendencialmente desequilibrados. Mas este ano, "os resultados até foram bastante bons".
Quanto à comida, "é como irmos buscar os casacos de Inverno ao armário", compara o chefe José Avillez. "Em vez de gaspacho, prefere-se sopas quentes; em vez de saladas, opta-se por entradas mais aconchegantes." Porque anoitece mais cedo, "as pessoas vão jantar também mais cedo e pedem outras coisas", garante. O frio "torna uma feijoada muito mais apetecível", conclui. Quanto aos alimentos característicos de Outono, o chefe do Tavares garante que "tudo é melhor, sabe melhor e, portanto, faz melhor na época". O destaque vai para as castanhas, os animais de caça, a pêra-rocha e a maçã.
Entretenimento Com o Outono, começa também a época do do sofá e da manta - elementos essenciais para receber as novas temporadas das séries de televisão. Este ano, destaca-se a sexta temporada de "Dr. House", que já estreou nos EUA e deve demorar um mês a chegar aos ecrãs nacionais, bem como a quarta temporada de "Heroes". Joana Pratas, dos canais FOX, explica ao i que "o facto de estarmos a estrear as séries com um intervalo cada vez menor leva-nos a adoptar a estratégia de programação dos EUA, o que resulta na emissão das séries repartida em duas partes". Do lado de lá do Atlântico, "começam agora e param na mid-season - entre Janeiro e Abril".
Moda Para a estilista Fátima Lopes, a única tendência geral para este Outono é o preto. No entanto, sublinha ao i, "tendências são apenas coincidências entre os desfiles de criadores de todo o mundo". Quanto às influências da recessão na moda, mostra-se positiva: "Os criadores na Europa desmistificaram a ideia da crise. As colecções ficaram mais ricas e recorrem a materiais nobres. No geral, nada é negativo neste Outono", garante.
Mercados financeiros "Sell in May, go away, and return on Labour day." A frase marca um dos adágios clássicos de Wall Street que, como a política, tem a sua rentrée no Outono. Nos EUA, o Labour day - o Dia do Trabalho (e não do Trabalhador, como em Portugal) - marca essa data - este ano, celebrou-se a 7 de Setembro.
Este é o grande marco para o regresso dos grandes negócios e das grandes transacções às bolsas americanas, assim como a última oportunidade para evitar perdas. Na conjuntura da crise, as acções de grandes empresas americanas (cotadas no índice Dow Jones) e europeias (no Stoxx 600) foram as mais penalizadas pela crise financeira que começou há um ano - com a falência da Lehman Brothers. Mas é delas, sustentam os analistas, que podem vir as melhores oportunidades para ganhar dinheiro este Outono, impulsionadas por valorizações superiores a 10% nas duas últimas semanas.
Tecnologia A rentrée é marcada por alguns eventos importantes, como a maior feira de electrónica de consumo da Europa, na Alemanha, ou a conferência da Apple dedicada ao mercado da música, que este ano se chamou "It's Only Rock and Roll" e surpreendeu pelo regresso de Steve Jobs. Nos próximos dois meses, a palavra de ordem será uma: expectativa. Isto porque quase todas as marcas estão a guardar os seus maiores trunfos para a época natalícia, apostando numa subida de vendas. Mesmo assim, o fim de Outubro e o início de Novembro são momentos de grandes lançamentos e o frenesi com videojogos e consolas já chegou, esperando-se uma temporada muito forte e competitiva entre as várias editoras.
Desemprego Mas o Outono afecta também o mercado de trabalho - que tem alguma tendência a seguir a queda das folhas. A taxa de desemprego tende a subir entre o final de Setembro e Dezembro. Nos últimos dez anos, sete confirmaram a tendência. "Tipicamente, o desemprego desce no segundo trimestre do ano, devido aos empregos sazonais, para voltar a subir mais tarde", explica Paula Carvalho, economista do BPI. Este ano, com a recessão a levar a economia ao tapete, os empregos de Verão não impediram a subida do desemprego, que ultrapassou 9% no segundo trimestre. O Outono deverá trazer um agravamento deste número.
Saúde Com a chegada da nova estação e o esfriar dos dias, este ano há, porém, um cuidado acrescido que precisamos de ter: para além da gripe sazonal, é preciso atenção à gripe A. Segundo a directora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), os países do hemisfério norte devem preparar-se para uma segunda vaga de contaminações com o vírus H1N1 nesta época.
É também no Outono que a asma e as alergias respiratórias se intensificam. Como explica ao i Manuel Pereira Barbosa, professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e director do Serviço de Imunoalergologia do Hospital de Santa Maria, "nesta época há um pico de manifestações da doença alérgica respiratória (asma e rinite)". As depressões chegam também com o Outono, período em que a maioria das pessoas regressa à rotina.
Por outro lado, e como os dias são "mais curtos", os estímulos sociais decrescem, contribuindo para alterações de humor. Biologicamente, também há uma explicação plausível para uma tendência acrescida para o mau humor: menos exposição ao sol significa menor produção de endorfinas, os neurotransmissores associados ao prazer e ao bem-estar. Mas nem tudo é mau: para contrariar esse efeito, os especialistas aconselham o consumo de chocolate e pimenta. com A. R. G. , B. F. L. e P. S. D
Fonte i online
lunes, 21 de septiembre de 2009
Mapa da mortalidade entre adolescentes
As desigualdades entre países ricos e pobres e os níveis de desenvolvimento acentuam-se cada vez mais, fazendo disparar a mortalidade dos jovens das regiões mais desfavorecidas do planeta. É na faixa de jovens entre os 10 e os 24 anos - que representam 30% da população mundial - que se registam as maiores disparidades, sendo que as mulheres são as que mais sofrem com o problema, de acordo com o relatório publicado na "The Lancet".
1800 milhões de adolescentes dividem-se entre países ricos e países pobres, sendo que apenas 11% fazem parte dos países desenvolvidos.
Apesar da adolescência ser associada a um período de vida saudável, em 2004, 2,6 milhões de adolescentes morreram, mais de um terço em países da África subsariana e no sudeste asiático. Os países desenvolvidos representam apenas 3% destas mortes.
A maturidade física e sexual acompanham o aumento de riscos para a saúde e implicam um aumento de exposição a situações potencialmente mais perigosas, como acidentes rodoviários e guerra, e com risco de contágio de várias doenças, como a SIDA. A adolescência está também muitas vezes associada ao aparecimento de alguns distúrbios mentais, aumentando o risco de suicídio.
"O que distingue as causas de mortalidade dos jovens é que a maior parte das mortes terem origem em comportamentos exacerbados por políticas nacionais, falhas nos sistemas sanitários, ou através da conjugação dos dois factores", explica Robert W. Blum, da escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
Daí que a taxa de mortalidade nos países pobres, onde os recursos são limitados, seja quase quatro vezes superior à dos países ricos, no caso das mães adolescentes, particularmente prejudicadas pelo acesso a métodos contraceptivos, aborto e a cuidados de médicos especializados. Quanto aos rapazes, a causa de morte recái na violência, sobretudo em contextos nacionais de guerra e confrontos. Os homens são os que estão mais expostos ao perigo e o risco de morte masculina é quatro vezes maior que ao das mulheres
Fonte i online
1800 milhões de adolescentes dividem-se entre países ricos e países pobres, sendo que apenas 11% fazem parte dos países desenvolvidos.
Apesar da adolescência ser associada a um período de vida saudável, em 2004, 2,6 milhões de adolescentes morreram, mais de um terço em países da África subsariana e no sudeste asiático. Os países desenvolvidos representam apenas 3% destas mortes.
A maturidade física e sexual acompanham o aumento de riscos para a saúde e implicam um aumento de exposição a situações potencialmente mais perigosas, como acidentes rodoviários e guerra, e com risco de contágio de várias doenças, como a SIDA. A adolescência está também muitas vezes associada ao aparecimento de alguns distúrbios mentais, aumentando o risco de suicídio.
"O que distingue as causas de mortalidade dos jovens é que a maior parte das mortes terem origem em comportamentos exacerbados por políticas nacionais, falhas nos sistemas sanitários, ou através da conjugação dos dois factores", explica Robert W. Blum, da escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
Daí que a taxa de mortalidade nos países pobres, onde os recursos são limitados, seja quase quatro vezes superior à dos países ricos, no caso das mães adolescentes, particularmente prejudicadas pelo acesso a métodos contraceptivos, aborto e a cuidados de médicos especializados. Quanto aos rapazes, a causa de morte recái na violência, sobretudo em contextos nacionais de guerra e confrontos. Os homens são os que estão mais expostos ao perigo e o risco de morte masculina é quatro vezes maior que ao das mulheres
Fonte i online
O SENADO É NECESSÁRIO!
Leio esta matéria e penso cá com meus botoes que o Senado é necessário para aperfeiçoar as leis e, mais ainda, garantir uma certo equilibrio no poder de decisao regional . No Brasil há estados com densidade populacional tao discrepantes que o sistema unicameral seria absolutamente desastroso para o federalismo.
Maioria da população rejeita fim do Senado, revela pesquisa
Levantamento mostra que, apesar dos escândalos, instituição é vista como necessária para ''aperfeiçoar as leis''
Daniel Bramatti
Após passar quase todo o ano como palco de uma sucessão de escândalos, o Senado ainda é visto como uma instituição necessária pela maioria da população, segundo pesquisa feita pelo Instituto Análise.
Dos mil entrevistados no levantamento, feito no final de agosto, 52% manifestaram concordância com a tese de que a existência do Senado é importante, juntamente com a da Câmara dos Deputados, "porque desta forma é possível aprimorar as leis". Para outros 35%, o Brasil precisa somente da Câmara "para que as leis sejam bem feitas".
O resultado surpreendeu cientistas políticos e até senadores ouvidos pelo Estado, que, dado o desgaste da instituição, supunham a existência de uma parcela maior a favor de sua extinção.
O fim do Senado não é abertamente defendido por nenhum partido ou líder político, mas o debate sobre a hipótese ganhou alento com a crise dos atos secretos. Em agosto, por exemplo, a corrente petista Mensagem ao Partido, da qual faz parte o ministro da Justiça, Tarso Genro, propôs que a ideia fosse discutida na legenda.
Para Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise e autor dos livros A Cabeça do Brasileiro e A Cabeça do Eleitor, a pesquisa mostra que, em meio aos escândalos, a maioria da população é capaz de separar "a instituição Senado da pessoa física do senador". Ele destaca que essa visão institucional é mais disseminada entre os mais escolarizados - 64% dos entrevistados com curso universitário afirmam que a Casa deve ser mantida.
Além de manifestar surpresa com os números, cientistas políticos ouvidos pelo Estado também saíram em defesa do Senado como instituição. Seu principal argumento é o de que, em um parlamento unicameral, os Estados mais populosos e com mais deputados tenderiam a impor sua agenda legislativa.
"Não é possível haver só com uma Câmara em um país federalista", afirmou Charles Pessanha, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ele, a pesquisa revela "maturidade" do eleitorado.
"O resultado é um sinal positivo", disse o cientista político José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo (USP). "Não estou de acordo com a ideia de eliminar o Senado. Vivemos em uma federação com Estados muito diferentes. É importante ter uma Casa capaz de abraçar a perspectiva federativa."
"Num quadro como esse, em que o próprio presidente do Senado aparece envolvido em escândalos, a resposta captada pela pesquisa é muito surpreendente", disse Carlos Melo, do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, se referindo ao senador José Sarney (PMDB-AP), principal personagem da crise dos atos secretos.
Para Melo, uma possível explicação para o resultado é a hipótese de o Senado ainda ter a reputação de ser "uma Casa superior". "É onde estão os parlamentares mais velhos, os mais experientes, em que pese a enorme quantidade de suplentes na fase atual."
Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o resultado do levantamento "é uma surpresa muito positiva". "Isso mostra que a população tem consciência de que a Casa é necessária em um País em que três ou quatro Estados controlam o poder. Os eleitores são contra os atuais senadores, mas não contra o Senado."
"É um número muito interessante, principalmente nesse momento muito ruim que atravessamos", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Nunca recebi tantas cartas, e-mails e telefonemas de eleitores revoltados com o Senado."
Simon também apontou a importância do bicameralismo em um sistema federativo, mas disse que nem sempre essa necessidade é bem compreendida. "São poucos os que entendem isso de o Senado ser uma Casa revisora. Muitas vezes, o Senado revisa o que vem da Câmara e os deputados, em seguida, anulam tudo", disse ele, citando a derrubada de 64 emendas de senadores no projeto da reforma eleitoral.
O chamado escândalo dos atos secretos teve início com a divulgação, pelo Estado, da prática do comando do Senado de nomear servidores e aprovar benefícios sem que as decisões fossem publicadas nos boletins da Casa.
Fonte Estadao
Maioria da população rejeita fim do Senado, revela pesquisa
Levantamento mostra que, apesar dos escândalos, instituição é vista como necessária para ''aperfeiçoar as leis''
Daniel Bramatti
Após passar quase todo o ano como palco de uma sucessão de escândalos, o Senado ainda é visto como uma instituição necessária pela maioria da população, segundo pesquisa feita pelo Instituto Análise.
Dos mil entrevistados no levantamento, feito no final de agosto, 52% manifestaram concordância com a tese de que a existência do Senado é importante, juntamente com a da Câmara dos Deputados, "porque desta forma é possível aprimorar as leis". Para outros 35%, o Brasil precisa somente da Câmara "para que as leis sejam bem feitas".
O resultado surpreendeu cientistas políticos e até senadores ouvidos pelo Estado, que, dado o desgaste da instituição, supunham a existência de uma parcela maior a favor de sua extinção.
O fim do Senado não é abertamente defendido por nenhum partido ou líder político, mas o debate sobre a hipótese ganhou alento com a crise dos atos secretos. Em agosto, por exemplo, a corrente petista Mensagem ao Partido, da qual faz parte o ministro da Justiça, Tarso Genro, propôs que a ideia fosse discutida na legenda.
Para Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise e autor dos livros A Cabeça do Brasileiro e A Cabeça do Eleitor, a pesquisa mostra que, em meio aos escândalos, a maioria da população é capaz de separar "a instituição Senado da pessoa física do senador". Ele destaca que essa visão institucional é mais disseminada entre os mais escolarizados - 64% dos entrevistados com curso universitário afirmam que a Casa deve ser mantida.
Além de manifestar surpresa com os números, cientistas políticos ouvidos pelo Estado também saíram em defesa do Senado como instituição. Seu principal argumento é o de que, em um parlamento unicameral, os Estados mais populosos e com mais deputados tenderiam a impor sua agenda legislativa.
"Não é possível haver só com uma Câmara em um país federalista", afirmou Charles Pessanha, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ele, a pesquisa revela "maturidade" do eleitorado.
"O resultado é um sinal positivo", disse o cientista político José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo (USP). "Não estou de acordo com a ideia de eliminar o Senado. Vivemos em uma federação com Estados muito diferentes. É importante ter uma Casa capaz de abraçar a perspectiva federativa."
"Num quadro como esse, em que o próprio presidente do Senado aparece envolvido em escândalos, a resposta captada pela pesquisa é muito surpreendente", disse Carlos Melo, do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, se referindo ao senador José Sarney (PMDB-AP), principal personagem da crise dos atos secretos.
Para Melo, uma possível explicação para o resultado é a hipótese de o Senado ainda ter a reputação de ser "uma Casa superior". "É onde estão os parlamentares mais velhos, os mais experientes, em que pese a enorme quantidade de suplentes na fase atual."
Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o resultado do levantamento "é uma surpresa muito positiva". "Isso mostra que a população tem consciência de que a Casa é necessária em um País em que três ou quatro Estados controlam o poder. Os eleitores são contra os atuais senadores, mas não contra o Senado."
"É um número muito interessante, principalmente nesse momento muito ruim que atravessamos", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Nunca recebi tantas cartas, e-mails e telefonemas de eleitores revoltados com o Senado."
Simon também apontou a importância do bicameralismo em um sistema federativo, mas disse que nem sempre essa necessidade é bem compreendida. "São poucos os que entendem isso de o Senado ser uma Casa revisora. Muitas vezes, o Senado revisa o que vem da Câmara e os deputados, em seguida, anulam tudo", disse ele, citando a derrubada de 64 emendas de senadores no projeto da reforma eleitoral.
O chamado escândalo dos atos secretos teve início com a divulgação, pelo Estado, da prática do comando do Senado de nomear servidores e aprovar benefícios sem que as decisões fossem publicadas nos boletins da Casa.
Fonte Estadao
Para nao dizer que nao falei de flores...
Deixo uma matéria do jornal Folha de Sao Paulo com uma pequena enquete sobre a "leitura" de cabeceira de executivos de grandes empresas.
Livros de ficção a conteúdo técnico inspiram executivos
JULIANA VILAS
da Folha de S. Paulo
Sejam de ficção, de autoajuda ou de conteúdo técnico, diversos livros inspiram os altos executivos a gerir melhor, a formar pessoas e a equilibrar a vida pessoal com a profissional.
Marcelo Justo/Folha Imagem
Gustavo Chicarino, diretor da Ticket, indica obras "The Mind Map Book" e "As 10 Faces da Inovação", sobre organização e inovação
A Folha consultou 11 gestores sobre suas obras de cabeceira.
Eles ressaltaram que, quando o livro traz boas dicas, é importante deixá-lo sempre ao alcance, para consultas futuras. Confira as indicações.
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ANTONINHO MARMO TREVISAN, 60
diretor-presidente da Trevisan Escola de Negócios
"Teoria e Prática do Comércio", do livro "Obra em Prosa"
729 págs., esgotado
de Fernando Pessoa. Editora Nova Aguilar.
Sempre entendi a contabilidade como uma forma de ver o mundo. O princípio das partidas dobradas --a cada débito deve corresponder um crédito-- reflete um bom senso que pode facilitar a vida rotineira. Afinal, gastar mais do que se tem disponível, seja no que for, não vai resultar em coisa boa. O poeta Fernando Pessoa expressou grande realismo ao analisar as relações comerciais. Disse ele que, "se queremos servir aos outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles: o que temos que ver é como é que eles efetivamente pensam, e não como nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem".
--------------------------------------------------------------------------------
GUSTAVO CERBASI, 35
sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro
"Olga"
312 págs., R$ 45
de Fernando Morais. Editora Companhia das Letras.
"Raízes do Brasil"
224 págs., R$ 39,50
de Sérgio Buarque de Holanda.
Editora Companhia das Letras.
"Pense e Enriqueça"
168 págs., R$ 24,90
de Napoleon Hill. Editora Globo.
Foi com a leitura de "Olga" que nasceu meu interesse por política e economia, e "Raízes do Brasil" é, provavelmente, o livro que mais influenciou minha abordagem sociológica. Eu não escrevo sobre finanças, mas sim sobre dinheiro na vida dos brasileiros, considerando fé, hábitos, vícios e cultura.
"Pense e Enriqueça" foi escrito em linguagem de autoajuda nos anos 1930 e busca identificar um método de enriquecimento dos norte-americanos. As reflexões são extremamente inteligentes.
--------------------------------------------------------------------------------
FÁBIO RIBEIRO, 47
diretor de recursos humanos da Nokia
"El Caballero de la Armadura Oxidada"
108 págs., R$ 26,57*
de Robert Fischer. Editora Obelisco (em espanhol).
Li esse livro há 20 anos, quando assumi a gerência de RH de uma grande empresa. É uma ficção que trata da vida de um cavaleiro que sai todos os dias para as batalhas usando uma armadura. Quando volta para casa, à noite, passa a encontrar dificuldades para se livrar da armadura. Isso acontece até que a família não o reconhece mais e o abandona. Para ter a mulher e os filhos de volta, o cavaleiro busca os conselhos de um mago, que delega a ele desafios que o fazem chorar. A cada lágrima derramada, a armadura vai se soltando do corpo, e o cavaleiro tem a família de volta. É possível fazer uma analogia entre o livro e a carreira. O segredo não está só nos estudos e no trabalho. O ideal é o equilíbrio.
--------------------------------------------------------------------------------
ROGÉRIO MAINARDES, 50
superintendente corporativo de marketing do Grupo Positivo
"O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes"
392 págs., R$ 49,40
de André Comte-Sponville.
Editora Martins Fontes.
Essa obra é fantástica porque é um livro de filosofia com linguagem acessível, prática e simples. Ensinou-me a viver com mais calma e a não me angustiar com pequenas coisas. Trabalhar e liderar uma equipe não é uma tarefa fácil. Quando a criatividade surge para buscar o resultado a qualquer preço, precisamos manter o equilíbrio. As novas ferramentas da comunicação estão deixando o pensamento superficial. Podemos melhorar o mundo quando entendemos o sentido de virtudes e valores humanos.
--------------------------------------------------------------------------------
GUSTAVO CHICARINO, 39
diretor de marketing, produtos e planejamento da Ticket
"The Mind Map Book"
320 págs., R$ 51,25*
de Tony e Barry Buzan. Editora Plume (em inglês).
"As 10 Faces da Inovação"
280 págs., R$ 67,90
de Tom Kelley e Jonathan Littman.
Editora Campus-Elsevier.
"The Mind Map Book" traz técnicas que aplico diariamente para me planejar, me organizar e buscar soluções, pois sugerem formas distintas de usar o cérebro e a criatividade. A obra de Tom Kelley mostra dez papéis que as firmas deveriam identificar (não necessariamente dez pessoas, já que os papéis podem ser encontrados em um mesmo profissional). Se bem trabalhados, alavancam a criatividade e a inovação. Esses dez perfis podem ser divididos entre os que aprendem, os que organizam e os que constroem. Todos são fundamentais para o intraempreendedorismo.
--------------------------------------------------------------------------------
FERNANDO MONTERO DA COSTA, 46
diretor de operações da Human Brasil
"O Monge e o Executivo - Uma História sobre a Essência da Liderança"
144 págs., R$ 19,90
de James C. Hunter.
Editora Sextante.
A obra aborda o tema liderança, que, na visão do autor, significa "a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente, visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum". Diz ainda que autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer, por causa de sua influência. O livro me auxiliou a enxergar o tema da liderança sob uma outra perspectiva, acrescentando "insights" ao conhecimento e à vivência que eu já tinha. A obra me ajudou ainda a consolidar alguns dos valores que defendo, como a importância da confiança e da empatia nas relações de trabalho, a escuta ativa como instrumento de comunicação eficaz e o valor do "empowerment" (comprometimento com missão, visão e objetivos das organizações).
--------------------------------------------------------------------------------
CESAR ALBERTO FERREIRA, 44
presidente da Wurth do Brasil
"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas"
320 págs., R$ 50
de Dale Carnegie.
Companhia Editora Nacional.
Apesar de ser uma obra editada há décadas, vale para hoje e para o futuro. Dentre as variadas técnicas que aprendi, esse livro ensina que lidar com pessoas é uma arte. Ele evidencia, de maneira prática, a arte de encantar as pessoas e de se relacionar corretamente, desafios que enfrentamos todos os dias. O conteúdo é importante, principalmente, para ser aplicado em um ambiente de trabalho, pois explica como conviver em um espaço corporativo com harmonia e alegria, além de como sempre manter o entusiasmo.
--------------------------------------------------------------------------------
ANDREAS M. WIEMER, 38
vice-presidente da Confidence Câmbio
"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas"
320 págs., R$ 50
de Dale Carnegie.
Companhia Editora Nacional.
"Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes"
448 págs., R$ 39,90
de Stephen Covey.
Editora Best- Seller.
"Paixão por Vencer"
360 págs., R$ 89,90
de Jack Welch.
Editora Campus- Elsevier.
"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" ensina como devemos nos comportar para ter resultados, sendo boas pessoas e conquistando os outros. "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" é uma bíblia sobre os princípios que podem levar ao engrandecimento pessoal e ao desenvolvimento de outras pessoas. É fantástico não somente para o mundo corporativo mas também para o pessoal e o familiar. Em "Paixão por Vencer", Jack Welch mostra o "lado B" das empresas e conta experiências de 20 anos à frente da GE. Leitura obrigatória para quem lidera e para quem é liderado.
--------------------------------------------------------------------------------
FERNANDO TORNAIM, 27
sócio-diretor da Kzuka
"Empresas Feitas para Vencer - Good to Great"
400 págs., R$ 89
de Jim Collins.
Editora Campus- Elsevier.
O escritor Jim Collins resume de forma exemplar as características fundamentais para que uma empresa se torne um caso de sucesso. Uma das questões tratadas no livro, que vai ao encontro de uma crença minha sobre negócios, é o foco em primeiro decidir quem e depois o quê. Ou seja, o foco em definir inicialmente as pessoas e depois partir para outras decisões estratégicas.
--------------------------------------------------------------------------------
ADRIANA CREPALDI VICENTE, 38
gerente corporativa de marketing e produtos da Hinode Cosméticos
"Método Silva de Controle Mental"
224 págs., esgotado
de José Silva e P. Miele.
Editora Record.
Escrito há mais de meio século, é resultado dos estudos do médico norte-americano José Silva (1914-1999), fundador da organização internacional que leva o mesmo nome do método. Os aspectos mentais de autodisciplina e autocontrole são colocados como exercício de forma clara e praticável por todos. Temos uma vida muito conturbada e não podemos jamais perder o autocontrole, tanto nas relações profissionais como nas pessoais.
--------------------------------------------------------------------------------
EDUARDO BOM ANGELO, 52
CEO da Lazam MDS Gestão de Seguros
"O Andar do Bêbado - Como o Acaso Determina Nossas Vidas"
264 págs., R$ 39
de Leonard Mlodinow.
Jorge Zahar Editor.
Não estamos preparados para lidar com o aleatório -e, por isso, não percebemos o quanto o acaso interfere em nossas vidas. Citando exemplos e pesquisas presentes em diferentes âmbitos da vida, desde o mercado financeiro até os esportes, desde Hollywood até a medicina, Mlodinow apresenta ferramentas para identificar os indícios do acaso. Ajuda o leitor a fazer escolhas acertadas e a conviver melhor com o que não pode controlar.
Livros de ficção a conteúdo técnico inspiram executivos
JULIANA VILAS
da Folha de S. Paulo
Sejam de ficção, de autoajuda ou de conteúdo técnico, diversos livros inspiram os altos executivos a gerir melhor, a formar pessoas e a equilibrar a vida pessoal com a profissional.
Marcelo Justo/Folha Imagem
Gustavo Chicarino, diretor da Ticket, indica obras "The Mind Map Book" e "As 10 Faces da Inovação", sobre organização e inovação
A Folha consultou 11 gestores sobre suas obras de cabeceira.
Eles ressaltaram que, quando o livro traz boas dicas, é importante deixá-lo sempre ao alcance, para consultas futuras. Confira as indicações.
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ANTONINHO MARMO TREVISAN, 60
diretor-presidente da Trevisan Escola de Negócios
"Teoria e Prática do Comércio", do livro "Obra em Prosa"
729 págs., esgotado
de Fernando Pessoa. Editora Nova Aguilar.
Sempre entendi a contabilidade como uma forma de ver o mundo. O princípio das partidas dobradas --a cada débito deve corresponder um crédito-- reflete um bom senso que pode facilitar a vida rotineira. Afinal, gastar mais do que se tem disponível, seja no que for, não vai resultar em coisa boa. O poeta Fernando Pessoa expressou grande realismo ao analisar as relações comerciais. Disse ele que, "se queremos servir aos outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles: o que temos que ver é como é que eles efetivamente pensam, e não como nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem".
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GUSTAVO CERBASI, 35
sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro
"Olga"
312 págs., R$ 45
de Fernando Morais. Editora Companhia das Letras.
"Raízes do Brasil"
224 págs., R$ 39,50
de Sérgio Buarque de Holanda.
Editora Companhia das Letras.
"Pense e Enriqueça"
168 págs., R$ 24,90
de Napoleon Hill. Editora Globo.
Foi com a leitura de "Olga" que nasceu meu interesse por política e economia, e "Raízes do Brasil" é, provavelmente, o livro que mais influenciou minha abordagem sociológica. Eu não escrevo sobre finanças, mas sim sobre dinheiro na vida dos brasileiros, considerando fé, hábitos, vícios e cultura.
"Pense e Enriqueça" foi escrito em linguagem de autoajuda nos anos 1930 e busca identificar um método de enriquecimento dos norte-americanos. As reflexões são extremamente inteligentes.
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FÁBIO RIBEIRO, 47
diretor de recursos humanos da Nokia
"El Caballero de la Armadura Oxidada"
108 págs., R$ 26,57*
de Robert Fischer. Editora Obelisco (em espanhol).
Li esse livro há 20 anos, quando assumi a gerência de RH de uma grande empresa. É uma ficção que trata da vida de um cavaleiro que sai todos os dias para as batalhas usando uma armadura. Quando volta para casa, à noite, passa a encontrar dificuldades para se livrar da armadura. Isso acontece até que a família não o reconhece mais e o abandona. Para ter a mulher e os filhos de volta, o cavaleiro busca os conselhos de um mago, que delega a ele desafios que o fazem chorar. A cada lágrima derramada, a armadura vai se soltando do corpo, e o cavaleiro tem a família de volta. É possível fazer uma analogia entre o livro e a carreira. O segredo não está só nos estudos e no trabalho. O ideal é o equilíbrio.
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ROGÉRIO MAINARDES, 50
superintendente corporativo de marketing do Grupo Positivo
"O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes"
392 págs., R$ 49,40
de André Comte-Sponville.
Editora Martins Fontes.
Essa obra é fantástica porque é um livro de filosofia com linguagem acessível, prática e simples. Ensinou-me a viver com mais calma e a não me angustiar com pequenas coisas. Trabalhar e liderar uma equipe não é uma tarefa fácil. Quando a criatividade surge para buscar o resultado a qualquer preço, precisamos manter o equilíbrio. As novas ferramentas da comunicação estão deixando o pensamento superficial. Podemos melhorar o mundo quando entendemos o sentido de virtudes e valores humanos.
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GUSTAVO CHICARINO, 39
diretor de marketing, produtos e planejamento da Ticket
"The Mind Map Book"
320 págs., R$ 51,25*
de Tony e Barry Buzan. Editora Plume (em inglês).
"As 10 Faces da Inovação"
280 págs., R$ 67,90
de Tom Kelley e Jonathan Littman.
Editora Campus-Elsevier.
"The Mind Map Book" traz técnicas que aplico diariamente para me planejar, me organizar e buscar soluções, pois sugerem formas distintas de usar o cérebro e a criatividade. A obra de Tom Kelley mostra dez papéis que as firmas deveriam identificar (não necessariamente dez pessoas, já que os papéis podem ser encontrados em um mesmo profissional). Se bem trabalhados, alavancam a criatividade e a inovação. Esses dez perfis podem ser divididos entre os que aprendem, os que organizam e os que constroem. Todos são fundamentais para o intraempreendedorismo.
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FERNANDO MONTERO DA COSTA, 46
diretor de operações da Human Brasil
"O Monge e o Executivo - Uma História sobre a Essência da Liderança"
144 págs., R$ 19,90
de James C. Hunter.
Editora Sextante.
A obra aborda o tema liderança, que, na visão do autor, significa "a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente, visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum". Diz ainda que autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer, por causa de sua influência. O livro me auxiliou a enxergar o tema da liderança sob uma outra perspectiva, acrescentando "insights" ao conhecimento e à vivência que eu já tinha. A obra me ajudou ainda a consolidar alguns dos valores que defendo, como a importância da confiança e da empatia nas relações de trabalho, a escuta ativa como instrumento de comunicação eficaz e o valor do "empowerment" (comprometimento com missão, visão e objetivos das organizações).
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CESAR ALBERTO FERREIRA, 44
presidente da Wurth do Brasil
"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas"
320 págs., R$ 50
de Dale Carnegie.
Companhia Editora Nacional.
Apesar de ser uma obra editada há décadas, vale para hoje e para o futuro. Dentre as variadas técnicas que aprendi, esse livro ensina que lidar com pessoas é uma arte. Ele evidencia, de maneira prática, a arte de encantar as pessoas e de se relacionar corretamente, desafios que enfrentamos todos os dias. O conteúdo é importante, principalmente, para ser aplicado em um ambiente de trabalho, pois explica como conviver em um espaço corporativo com harmonia e alegria, além de como sempre manter o entusiasmo.
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ANDREAS M. WIEMER, 38
vice-presidente da Confidence Câmbio
"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas"
320 págs., R$ 50
de Dale Carnegie.
Companhia Editora Nacional.
"Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes"
448 págs., R$ 39,90
de Stephen Covey.
Editora Best- Seller.
"Paixão por Vencer"
360 págs., R$ 89,90
de Jack Welch.
Editora Campus- Elsevier.
"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" ensina como devemos nos comportar para ter resultados, sendo boas pessoas e conquistando os outros. "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" é uma bíblia sobre os princípios que podem levar ao engrandecimento pessoal e ao desenvolvimento de outras pessoas. É fantástico não somente para o mundo corporativo mas também para o pessoal e o familiar. Em "Paixão por Vencer", Jack Welch mostra o "lado B" das empresas e conta experiências de 20 anos à frente da GE. Leitura obrigatória para quem lidera e para quem é liderado.
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FERNANDO TORNAIM, 27
sócio-diretor da Kzuka
"Empresas Feitas para Vencer - Good to Great"
400 págs., R$ 89
de Jim Collins.
Editora Campus- Elsevier.
O escritor Jim Collins resume de forma exemplar as características fundamentais para que uma empresa se torne um caso de sucesso. Uma das questões tratadas no livro, que vai ao encontro de uma crença minha sobre negócios, é o foco em primeiro decidir quem e depois o quê. Ou seja, o foco em definir inicialmente as pessoas e depois partir para outras decisões estratégicas.
--------------------------------------------------------------------------------
ADRIANA CREPALDI VICENTE, 38
gerente corporativa de marketing e produtos da Hinode Cosméticos
"Método Silva de Controle Mental"
224 págs., esgotado
de José Silva e P. Miele.
Editora Record.
Escrito há mais de meio século, é resultado dos estudos do médico norte-americano José Silva (1914-1999), fundador da organização internacional que leva o mesmo nome do método. Os aspectos mentais de autodisciplina e autocontrole são colocados como exercício de forma clara e praticável por todos. Temos uma vida muito conturbada e não podemos jamais perder o autocontrole, tanto nas relações profissionais como nas pessoais.
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EDUARDO BOM ANGELO, 52
CEO da Lazam MDS Gestão de Seguros
"O Andar do Bêbado - Como o Acaso Determina Nossas Vidas"
264 págs., R$ 39
de Leonard Mlodinow.
Jorge Zahar Editor.
Não estamos preparados para lidar com o aleatório -e, por isso, não percebemos o quanto o acaso interfere em nossas vidas. Citando exemplos e pesquisas presentes em diferentes âmbitos da vida, desde o mercado financeiro até os esportes, desde Hollywood até a medicina, Mlodinow apresenta ferramentas para identificar os indícios do acaso. Ajuda o leitor a fazer escolhas acertadas e a conviver melhor com o que não pode controlar.
domingo, 20 de septiembre de 2009
70 anos da Morte de Freud
Em 23 de setembro de 1939, Freud morria em Londres. Às vésperas do aniversário de 70 anos de seu desaparecimento, o Estado pediu ajuda a especialistas para esmiuçar a herança de um mestre.
Poucos intelectuais traduziram tão bem sua época como Sigmund Freud fez com o século 20. Em sua obra, estão expressas as bases de conceitos tão poderosos e, ao mesmo tempo, tão legíveis, que se tornaram parte do cotidiano com a velocidade característica de sua época. É o caso do inconsciente - um conceito já elaborado nos séculos 18 e 19 por autores como Leibniz e Edward von Hartmann. Reinterpretada por Freud, a ideia de que o que falamos pode ter significados ocultos que fogem à esfera da consciência e, portanto, ao nosso domínio, é hoje reconhecível por todos.
O psicanalista Renato Mezan relata a história da psicanálise no Brasil, cujo pioneiro foi Durval Marcondes
SÃO PAULO - As primeiras referências às ideias de Freud por parte de psiquiatras brasileiros são contemporâneas da publicação dos seus artigos em revistas científicas alemãs, ou seja, datam do fim do século 19 e dos anos iniciais do 20. Isso porque, dado o prestígio da medicina germânica, muitos brasileiros faziam seus estudos na Alemanha ou em Viena, e se mantinham atualizados assinando os periódicos lá editados.
Com uma exposição sobre o novo método feita em 1899 por Juliano Moreira, da faculdade do Rio de Janeiro, pouco a pouco vão surgindo menções aos trabalhos de Freud, porém sem destaque especial: é mais um entre os autores citados, assim como Krafft-Ebing, Bleuler ou Kraepelin. Aqui e ali, temos notícias do emprego de técnicas freudianas na prática clínica, mas sempre isoladamente e sem continuidade.
Na década de 1920, a influência das vanguardas europeias sobre os modernistas abre outra via para a penetração das ideias psicanalíticas: no Manifesto Antropofágico, Oswald de Andrade se serve de algumas delas, e Mário de Andrade chegou a sugerir o termo sequestro para verter o nome do principal mecanismo de defesa proposto por Freud (Verdrängung, depois traduzido como repressão ou recalque). Sai um ou outro artigo na imprensa, ouve-se uma que outra conferência, do mesmo modo como se fala do surrealismo ou do tango: a psicanálise é mais um assunto para as conversas de salão, sem prejuízo do emprego de tal ou qual aspecto dela em determinado caso atendido por um profissional.
É com Durval Marcondes que tem início um esforço mais consequente para que as ideias freudianas deixem de ser apenas mais um item no cardápio intelectual. Ele se põe em correspondência com Freud, funda uma Revista Brasileira de Psicanálise (que teve um único número, em 1928), organiza em São Paulo a Sociedade Brasileira de Psicanálise (ainda em 1927), e busca trazer para a cidade um analista didata, capaz de realizar análises de verdade e assim formar um primeiro grupo de psicanalistas locais.
À sombra de Melanie Klein, com a chegada da dra. Adelheid Koch à capital paulista, no ano de 1937, encerra-se a fase diletante da psicanálise brasileira, e tem início um novo período, que a meu ver se estende até meados da década de 1970. Ele se caracteriza pela formação de Sociedades de Psicanálise em diversas capitais; à medida que atingiam determinados padrões, eram aceitas como filiadas pela Associação Internacional de Psicanálise (IPA, da sigla em inglês).
Quem quisesse se tornar psicanalista devia seguir um curso de formação nestas associações, de cujo currículo faziam parte os principais escritos de Freud. A maneira pela qual eram lidos, porém, era tributária de desenvolvimentos mais amplos no interior da disciplina, tanto técnicos quanto políticos. Refiro-me ao fato de que depois da guerra muitos latino-americanos vão se formar na Inglaterra, onde tomam contato com o círculo de Melanie Klein e acabam adotando o estilo clínico que ela inaugurou.
O kleinismo torna-se assim a corrente predominante nas sociedades brasileiras; Freud vai aos poucos se convertendo numa espécie de pai fundador, um vulto venerado a cujo retrato na parede se fazem as reverências de praxe, mas sua obra passa a ser considerada como algo de importância "histórica", com que se tem a mesma relação que com os clássicos da arte e da literatura. Na clínica, porém, empregam-se as ideias de Klein e de seus discípulos.
Assim, durante as décadas de 1950 e 1960, a metrópole psicanalítica para os brasileiros é Londres. A publicação dos três volumes da biografia de Freud escrita por Ernest Jones, assim como dos primeiros volumes da nova tradução inglesa dos Gesammelte Werke por James e Alix Strachey - empreendimento que consumiu muitos anos de trabalho, e resultou nos 24 tomos da Standard Edition of the Complete Works of Sigmund Freud - estimulou alguns analistas do Rio de Janeiro a verter para o português os escritos do mestre. Mas a opção de os traduzir da Standard, e não do original, resultou num trabalho sem coerência na terminologia e eivado de erros.
O fato de a Edição Standard Brasileira - realizada com boa vontade, porém sem qualidade literária nem científica - ter sido recebida sem críticas diz bastante sobre a posição secundária de Freud nas referências dos analistas brasileiros de então: se os textos da escola kleiniana tivessem sido traduzidos com a mesma displicência, com certeza a reação teria sido outra. Somente com as novas condições mencionadas mais adiante é que se percebeu como era ruim o texto disponível na nossa língua.
Nas mesmas décadas, mas ainda sem impacto sobre a psicanálise em nosso país, Jacques Lacan estava empreendendo na França o chamado "retorno a Freud". O estudo minucioso dos textos, frequentemente no original alemão, resultou para os seguidores de Lacan numa grande familiaridade com o pensamento do mestre de Viena, e na transformação dele num interlocutor tanto para a teorização quanto para a prática clínica, o que não era o caso nos países de língua inglesa.
A partir de 1970, as doutrinas lacanianas começam a ser divulgadas na América Latina, em especial na Argentina. Os profissionais platinos que vinham para cá - primeiro como conferencistas visitantes, e após o golpe de 1976 como emigrados políticos - traziam na bagagem uma nova visão da obra freudiana, influenciados como estavam pelo prestígio de que ela passara a desfrutar na França. Durante a década de 1980, retornam ao país vários analistas formados naquele país, ou na universidade belga de Louvain, então um importante centro lacaniano. Eles trazem consigo um conhecimento e uma valorização de Freud que muito contribuíram para a maior difusão do seu pensamento nas plagas tropicais. Em alguns novos cursos de formação para psicanalistas - como o do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo - o corpus freudiano se torna o eixo central dos estudos, o que ainda hoje contrasta com o programa de corte mais britânico em uso nas sociedades filiadas à IPA.
Por fim, para compreender a situação atual de Freud na cultura brasileira é preciso mencionar três outros processos ocorridos nos últimos 30 anos. Em primeiro lugar, a crescente solicitação por parte da mídia para que psicanalistas expressem sua opinião acerca de comportamentos, atitudes, declarações de autoridades políticas e científicas, crimes particularmente hediondos, e outros fatos da vida social. Nesses comentários, frequentemente é citada alguma ideia do fundador da disciplina, e isso contribui para que o grande público se familiarize com conceitos como o de inconsciente, complexo de Édipo, perversão, e assim por diante.
Em segundo lugar, a presença da psicanálise nos cursos de pós-graduação em psicologia e filosofia deu origem a muitas teses de boa qualidade, que por sua vez - terceiro processo - vêm sendo publicadas por editoras especializadas. Nelas, e portanto nos livros a que dão origem, são frequentes as referências a Freud, e discussões acerca das suas implicações para o assunto tratado.
Sinal de uma exigência congruente com o novo papel da obra freudiana no pensamento dos analistas brasileiros é a decisão da Editora Imago de encetar uma nova tradução dela, desta vez com critérios adequados e a partir do original alemão. Sob a coordenação de Luiz Alberto Hanns, até o momento já saíram três do total de volumes projetados. As excelentes notas explicativas, e a qualidade da tradução, com certeza a tornarão um instrumento de trabalho utilíssimo para os psicanalistas, pesquisadores e demais interessados em conhecer o que Freud realmente disse.
Para concluir: além das constantes citações em artigos, livros e conferências, esse contato mais íntimo com a obra fundadora da psicanálise vem influindo no modo como os profissionais conduzem seu trabalho clínico. A capacidade dos escritos de Freud para inspirar reflexões sobre os mais variados aspectos da vida psíquica, assim como para fornecer pistas que permitem compreender fenômenos dos quais ele não tratou explicitamente, parece dar razão ao psicanalista francês André Green, o qual, questionado certa vez sobre o que havia de novo em psicanálise, respondeu sem hesitar: "Freud."
* Renato Mezan é psicanalista, professor titular da PUC/SP, autor de várias obras sobre Freud e a psicanálise. O texto aqui publicado é parte de um livro sobre o pensamento alemão a ser lançado em 2010 pelo Instituto Goethe de São Paulo, que gentilmente permitiu sua divulgação antecipada
Poucos intelectuais traduziram tão bem sua época como Sigmund Freud fez com o século 20. Em sua obra, estão expressas as bases de conceitos tão poderosos e, ao mesmo tempo, tão legíveis, que se tornaram parte do cotidiano com a velocidade característica de sua época. É o caso do inconsciente - um conceito já elaborado nos séculos 18 e 19 por autores como Leibniz e Edward von Hartmann. Reinterpretada por Freud, a ideia de que o que falamos pode ter significados ocultos que fogem à esfera da consciência e, portanto, ao nosso domínio, é hoje reconhecível por todos.
O psicanalista Renato Mezan relata a história da psicanálise no Brasil, cujo pioneiro foi Durval Marcondes
SÃO PAULO - As primeiras referências às ideias de Freud por parte de psiquiatras brasileiros são contemporâneas da publicação dos seus artigos em revistas científicas alemãs, ou seja, datam do fim do século 19 e dos anos iniciais do 20. Isso porque, dado o prestígio da medicina germânica, muitos brasileiros faziam seus estudos na Alemanha ou em Viena, e se mantinham atualizados assinando os periódicos lá editados.
Com uma exposição sobre o novo método feita em 1899 por Juliano Moreira, da faculdade do Rio de Janeiro, pouco a pouco vão surgindo menções aos trabalhos de Freud, porém sem destaque especial: é mais um entre os autores citados, assim como Krafft-Ebing, Bleuler ou Kraepelin. Aqui e ali, temos notícias do emprego de técnicas freudianas na prática clínica, mas sempre isoladamente e sem continuidade.
Na década de 1920, a influência das vanguardas europeias sobre os modernistas abre outra via para a penetração das ideias psicanalíticas: no Manifesto Antropofágico, Oswald de Andrade se serve de algumas delas, e Mário de Andrade chegou a sugerir o termo sequestro para verter o nome do principal mecanismo de defesa proposto por Freud (Verdrängung, depois traduzido como repressão ou recalque). Sai um ou outro artigo na imprensa, ouve-se uma que outra conferência, do mesmo modo como se fala do surrealismo ou do tango: a psicanálise é mais um assunto para as conversas de salão, sem prejuízo do emprego de tal ou qual aspecto dela em determinado caso atendido por um profissional.
É com Durval Marcondes que tem início um esforço mais consequente para que as ideias freudianas deixem de ser apenas mais um item no cardápio intelectual. Ele se põe em correspondência com Freud, funda uma Revista Brasileira de Psicanálise (que teve um único número, em 1928), organiza em São Paulo a Sociedade Brasileira de Psicanálise (ainda em 1927), e busca trazer para a cidade um analista didata, capaz de realizar análises de verdade e assim formar um primeiro grupo de psicanalistas locais.
À sombra de Melanie Klein, com a chegada da dra. Adelheid Koch à capital paulista, no ano de 1937, encerra-se a fase diletante da psicanálise brasileira, e tem início um novo período, que a meu ver se estende até meados da década de 1970. Ele se caracteriza pela formação de Sociedades de Psicanálise em diversas capitais; à medida que atingiam determinados padrões, eram aceitas como filiadas pela Associação Internacional de Psicanálise (IPA, da sigla em inglês).
Quem quisesse se tornar psicanalista devia seguir um curso de formação nestas associações, de cujo currículo faziam parte os principais escritos de Freud. A maneira pela qual eram lidos, porém, era tributária de desenvolvimentos mais amplos no interior da disciplina, tanto técnicos quanto políticos. Refiro-me ao fato de que depois da guerra muitos latino-americanos vão se formar na Inglaterra, onde tomam contato com o círculo de Melanie Klein e acabam adotando o estilo clínico que ela inaugurou.
O kleinismo torna-se assim a corrente predominante nas sociedades brasileiras; Freud vai aos poucos se convertendo numa espécie de pai fundador, um vulto venerado a cujo retrato na parede se fazem as reverências de praxe, mas sua obra passa a ser considerada como algo de importância "histórica", com que se tem a mesma relação que com os clássicos da arte e da literatura. Na clínica, porém, empregam-se as ideias de Klein e de seus discípulos.
Assim, durante as décadas de 1950 e 1960, a metrópole psicanalítica para os brasileiros é Londres. A publicação dos três volumes da biografia de Freud escrita por Ernest Jones, assim como dos primeiros volumes da nova tradução inglesa dos Gesammelte Werke por James e Alix Strachey - empreendimento que consumiu muitos anos de trabalho, e resultou nos 24 tomos da Standard Edition of the Complete Works of Sigmund Freud - estimulou alguns analistas do Rio de Janeiro a verter para o português os escritos do mestre. Mas a opção de os traduzir da Standard, e não do original, resultou num trabalho sem coerência na terminologia e eivado de erros.
O fato de a Edição Standard Brasileira - realizada com boa vontade, porém sem qualidade literária nem científica - ter sido recebida sem críticas diz bastante sobre a posição secundária de Freud nas referências dos analistas brasileiros de então: se os textos da escola kleiniana tivessem sido traduzidos com a mesma displicência, com certeza a reação teria sido outra. Somente com as novas condições mencionadas mais adiante é que se percebeu como era ruim o texto disponível na nossa língua.
Nas mesmas décadas, mas ainda sem impacto sobre a psicanálise em nosso país, Jacques Lacan estava empreendendo na França o chamado "retorno a Freud". O estudo minucioso dos textos, frequentemente no original alemão, resultou para os seguidores de Lacan numa grande familiaridade com o pensamento do mestre de Viena, e na transformação dele num interlocutor tanto para a teorização quanto para a prática clínica, o que não era o caso nos países de língua inglesa.
A partir de 1970, as doutrinas lacanianas começam a ser divulgadas na América Latina, em especial na Argentina. Os profissionais platinos que vinham para cá - primeiro como conferencistas visitantes, e após o golpe de 1976 como emigrados políticos - traziam na bagagem uma nova visão da obra freudiana, influenciados como estavam pelo prestígio de que ela passara a desfrutar na França. Durante a década de 1980, retornam ao país vários analistas formados naquele país, ou na universidade belga de Louvain, então um importante centro lacaniano. Eles trazem consigo um conhecimento e uma valorização de Freud que muito contribuíram para a maior difusão do seu pensamento nas plagas tropicais. Em alguns novos cursos de formação para psicanalistas - como o do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo - o corpus freudiano se torna o eixo central dos estudos, o que ainda hoje contrasta com o programa de corte mais britânico em uso nas sociedades filiadas à IPA.
Por fim, para compreender a situação atual de Freud na cultura brasileira é preciso mencionar três outros processos ocorridos nos últimos 30 anos. Em primeiro lugar, a crescente solicitação por parte da mídia para que psicanalistas expressem sua opinião acerca de comportamentos, atitudes, declarações de autoridades políticas e científicas, crimes particularmente hediondos, e outros fatos da vida social. Nesses comentários, frequentemente é citada alguma ideia do fundador da disciplina, e isso contribui para que o grande público se familiarize com conceitos como o de inconsciente, complexo de Édipo, perversão, e assim por diante.
Em segundo lugar, a presença da psicanálise nos cursos de pós-graduação em psicologia e filosofia deu origem a muitas teses de boa qualidade, que por sua vez - terceiro processo - vêm sendo publicadas por editoras especializadas. Nelas, e portanto nos livros a que dão origem, são frequentes as referências a Freud, e discussões acerca das suas implicações para o assunto tratado.
Sinal de uma exigência congruente com o novo papel da obra freudiana no pensamento dos analistas brasileiros é a decisão da Editora Imago de encetar uma nova tradução dela, desta vez com critérios adequados e a partir do original alemão. Sob a coordenação de Luiz Alberto Hanns, até o momento já saíram três do total de volumes projetados. As excelentes notas explicativas, e a qualidade da tradução, com certeza a tornarão um instrumento de trabalho utilíssimo para os psicanalistas, pesquisadores e demais interessados em conhecer o que Freud realmente disse.
Para concluir: além das constantes citações em artigos, livros e conferências, esse contato mais íntimo com a obra fundadora da psicanálise vem influindo no modo como os profissionais conduzem seu trabalho clínico. A capacidade dos escritos de Freud para inspirar reflexões sobre os mais variados aspectos da vida psíquica, assim como para fornecer pistas que permitem compreender fenômenos dos quais ele não tratou explicitamente, parece dar razão ao psicanalista francês André Green, o qual, questionado certa vez sobre o que havia de novo em psicanálise, respondeu sem hesitar: "Freud."
* Renato Mezan é psicanalista, professor titular da PUC/SP, autor de várias obras sobre Freud e a psicanálise. O texto aqui publicado é parte de um livro sobre o pensamento alemão a ser lançado em 2010 pelo Instituto Goethe de São Paulo, que gentilmente permitiu sua divulgação antecipada
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