sábado, 25 de agosto de 2012

Antonio Cícero: o poema exige que o leitor mergulhe nele

Um dos motivos para a demora em publicar foi o fato de que parte de sua produção já era largamente divulgada como letra de música --diversos hits dos anos 1980, como "Fullgás" e "À Francesa" (de Marina Lima, sua irmã) e "O Último Romântico" (de Lulu Santos), têm sua assinatura.
Não por acaso, foi apresentado na última Flip pelo curador Miguel Conde, numa conferência sobre Drummond, como "um caso único no mundo de filósofo que tem sua obra tocada no rádio quase diariamente".
Apesar desse lado pop, na orelha de "Porventura" o poeta e imortal Antonio Carlos Secchin argumenta que "Antonio Cicero não escreve para leitores distraídos ou refratários ao terreno da 'alta cultura'", aludindo ao rigor técnico e às referências clássicas presentes em seus poemas.
"De fato, escrevo em primeiro lugar para um leitor ideal, que aprecie poesia e conheça as referências literárias que faço", diz o autor.
"Por outro lado, gosto de pensar que meus poemas podem ser apreciados nos mais diferentes níveis, por pessoas de diferentes formações culturais, pois admiro imensamente poetas que conseguem fazer isso."
MERGULHO
Essa busca também permeia suas participações em encontros literários. "Nesses eventos tento mostrar de que modo se deve ler um poema. Não se pode ler um poema como se lê uma notícia de jornal, uma bula de remédio, um e-mail. O poema exige que o leitor mergulhe nele."
Cicero explica de onde nasce um verso seu. "Ando muito a pé pelas ruas, e as coisas e/ou pessoas que vejo me provocam a escrever. Uma palavra que eu ouça por acaso pode ser o estopim. Mas também a própria leitura de poesia me estimula a escrever."
Uma série de perdas importantes nos últimos anos --as mortes de seu amigo e parceiro Waly Salomão (em 2003) e, mais recentemente, de seu irmão Roberto e de sua mãe-- está refletida no livro.
"Um dia, apaixonado, encarei a minha morte: e eis que ela não sustentou o olhar e se esvaiu. Desde então é a morte alheia que me abate", escreve ele em "Balanço", que abre o novo livro.
A morte de Roberto --homenageado com o poema "La Capricciosa"-- levou inclusive a um afastamento entre ele e Marina Lima, segundo disse a cantora em entrevista à Folha; seu último disco, "Clímax" (2011), foi o primeiro álbum autoral dela em que Cicero não colabora.
O poeta minimiza o distanciamento e diz que, hoje, os dois retomaram o contato.
"Marina está morando em São Paulo, enquanto eu continuo morando no Rio. Mas temos nos visto regularmente, pois tenho estado muito em São Paulo. Já combinamos fazer outros trabalhos proximamente."
Antes de retomar sua produção musical, no entanto, Cicero deve dar vazão a seu lado filósofo --seu próximo projeto, diz, é retrabalhar as ideias exploradas em seu primeiro livro, o aclamado "O Mundo desde o Fim" (1995).
"Vou fazer um livro em que fiquem mais claras as ideias políticas que exponho ali."
Neste ano, o autor já voltou aos ensaios com "Poesia e Filosofia" (ed. Civilização Brasileira, 142 págs., R$ 25), em que analisa suas duas ocupações, distinguindo-as.
"Quando escrevo um ensaio ou artigo de filosofia, faço-o porque suponho ter algo a dizer que fará alguma diferença. Logo, sinto certa urgência, e mesmo obrigação ética de escrevê-lo", diz ele.
"Como não há tais pretensões no que diz respeito à poesia, acabo deixando-a para depois. Francamente, eu gostaria que não fosse assim, pois me orgulho muito mais de ter feito um poema que considere bom do que um ensaio que considere bom

Eduardo Prado Coelho ganha homenagem na Fundaçao Gulbenkian dias 15 e 16 de Novembro

Um colóquio dedicado a Eduardo Prado Coelho vai realizar-se nos dias 15 e 16 de Novembro, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.     

                      Quando ainda era muito novo, num inquérito no Diário de Lisboa em que lhe perguntavam o que queria vir a fazer na vida, Eduardo Prado Coelho respondeu com três palavras: "Ler, escrever e ensinar." Foi o lema da sua vida. O professor, escritor e ensaísta, que morreu a 25 de Agosto de 2007, faz hoje precisamente cinco anos, foi um caso raro no meio intelectual português, recordado por Eduardo Lourenço como: "O melhor de todos nós."

Por isso, nos dias 15 e 16 de Novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian vai reflectir-se sobre o seu pensamento, no colóquio O Edifício da Alegria (expressão de uma crónica em que o escritor se refere à obra da Silvina Rodrigues Lopes), com organização de Margarida Lages e de Carlos Vargas, do Centro de Estudos sobre o Imaginário Literário (FCSH/UNL) e do Observatório Político. Entre os convidados e os oradores estão pessoas que de alguma forma se relacionaram com Prado Coelho, eram seus amigos ou foram seus pares. A lição inaugural caberá ao professor Eduardo Lourenço, que foi seu amigo e seu interlocutor privilegiado, e o encerramento será feita pelo filósofo francês Marc Crépon.

Participarão ainda Emílio Rui Vilar (que falará sobre a experiência da Europália 91), Guilherme D"Oliveira Martins, o ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho e o fundador e primeiro director do PÚBLICO, Vicente Jorge Silva. Os filósofos José Gil, Maria Filomena Molder, Nuno Nabais também participam; bem como os literatos Carlos Reis, João Barrento, Nuno Júdice e Silvina Rodrigues Lopes. Para abordar a sua faceta política foram convidados António Pedro Pita, Carlos Vargas, José Carlos Serras Gago e Manuel Villaverde Cabral. Mas entre os oradores encontram-se ainda, entre outros, António Mega Ferreira, João Mário Grilo, Bernardo Pinto de Almeida e Bragança de Miranda.

Margarida Lages, responsável pela edição das obras completas do escritor na Imprensa Nacional/Casa da Moeda e a fazer uma tese de doutoramento sobre as questões de poder político e cultura nas crónicas que Eduardo Prado Coelho escreveu para o PÚBLICO, jornal de que foi colaborador desde o início até à sua morte, explica que este colóquio pretende ser "um momento de encontro e reflexão" sobre temas que o ensaísta problematizou
Fonte Publico.pt

Scapegoats/ Chivos/Bodes Expiatórios

Chivos
Del calor también se le podría echar la culpa al Gobierno (que, no nos engañemos, poco a poco la va teniendo de casi todo). Nos pasamos la vida buscando chivos expiatorios para evitar asumir nuestra responsabilidad en las pequeñas o grandes ordalías que nos afligen. Individualmente solemos encontrarlos en la pareja, en la familia, en el vecino, en el entrenador de nuestro equipo, en el accionista mayoritario del diario, en el demonio que nunca duerme, en Frau Merkel. Colectivamente, lo han sido —y celebérrimos— los extranjeros, los judíos, los cristianos, los musulmanes, los militares, los políticos, los intelectuales, los comunistas, los reyes, los banqueros (muy chivos expiatorios, estos días). La expresión proviene de la costumbre israelita (Levítico, 16: 8) de sacrificar un macho cabrío a Jehová y abandonar en el desierto otro que, simbólicamente, cargaría con las culpas del pueblo elegido. De todo ello me entero leyendo Scapegoat. A History of Blaming Other People, un interesante ensayo de Charlie Campbell que ha publicado recientemente Duckworth en Reino Unido
Fuente El Pais
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a vida sempre empenhada em imitar a arte

 William Blake (1757-1827), poeta, pintor, grabador y místico sigue resultando un tipo de lo más refrescante, como les ocurre a la mayoría de los artistas extraterritoriales. Partidario (como sus contemporáneos Mary Wollstonecraft y su esposo David Godwin) del amor libre, y muy fascinado por las revoluciones norteamericana y francesa, mantuvo siempre una enorme reticencia frente al racionalismo de las Luces. Antinewtoniano convencido y opuesto a toda forma de religión organizada, su concepción del mundo —y, por tanto, su arte— están teñidos de una especie de misticismo muy personal y de su peculiar lectura de la biblia, que conocía de cabo a rabo. La visita a la exposición me impulsó a releer en diagonal el volumen que dedicó a su poesía Harold Bloom en La compañía visionaria, que sigue siendo una de las obras de referencia acerca de la poesía romántica inglesa, y cuyos tres tomitos publicó hace algunos años la meritoria editorial argentina Adriana Hidalgo (los otros dos están dedicados nada menos que a Byron, Shelley, Wordsworth, Coleridge y Keats). Seix Barral publicó en 1974 una edición incompleta (traducción de Mariano Antolín Rato, que para entonces ya había publicado su también visionaria novela Cuando 900 mil Mach Aprox), pero ya sólo se encuentra en las librerías de viejo (donde suele hacer bastante fresquito, una razón más para visitarlas). Por cierto, y aunque no venga del todo al caso, quizás a alguno de mis improbables (y acalorados) lectores le divierta saber que la mencionada novela de Antolín Rato salió de la imprenta el mismo día (y a la misma hora) en que volaba por el cielo de Madrid un vehículo oficial en cuyo interior se desplazaba el almirante Carrero Blanco. La vida, siempre empeñada en plagiar el arte.
Fonte El Pais

viernes, 24 de agosto de 2012

Revista Machado anuncia os escritores selecionados para a edição de estreia

Objetivo da publicação, que será lançada em Frankfurt, é apresentar autores brasileiros ao mercado editorial internacional

Saiu a lista com os 20 autores brasileiros que estarão na edição de estreia da Revista Machado, a ser apresentada pelo Itaú Cultural e Fundação Biblioteca Nacional na Feira de Frankfurt, em outubro. Serão duas edições impressas anuais; no formato digital ela será trimestral. Um site deve ser criado para abrigar as publicações - compostas por trechos de romances e de contos e por poemas já publicados em livro no Brasil.

Os textos são publicados preferencialmente em inglês e em espanhol, já que o objetivo é divulgar a literatura brasileira no exterior e contribuir para que autores daqui sejam traduzidos para as mais diversas línguas. Além de dois contos de Machado de Assis, haverá textos, em inglês, de Luiz Ruffato, Alberto Mussa e Cristóvão Tezza, os três autores mais procurados no programa de apoio à tradução da Fundação Biblioteca Nacional, a revelação Luisa Geisler e o crítico Silviano Santiago, colunista do Sabático, entre outros. Para o espanhol serão traduzidos textos de Aluísio Azevedo, Ronaldo Correia de Brito, Carola Saavedra, André de Leones e Nilton Resende.

Ao todo, foram inscritos 76 textos em inglês e 26 em espanhol.

O conselho editorial da revista é composto pelos críticos e professores Italo Moriconi, Berthold Zilly, Charles Perrone, Laura Hosiasson, Joaquim Pedro Penna (Itamaraty), Aníbal Bragança (FBN), Carlos Sodré (Imprensa Oficial, que vai imprimir a revista), Claudiney Ferreira (Itaú Cultural). Felipe Lindoso é o editor da publicação e Rachel Bertol, representando o Centro Internacional do Livro, coordena o conselho
Fonte. Estadao.com.br

Centenário de Nelson Rodrigues no Estadao

" Todo amor é eterno e,
    se acaba, nao era amor "
            (Nelson Rodrigues)
 
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Beatles ou The Fab Four


"Ni los Beatles desaparecieron cuando el grupo se deshizo, ni John Lennon murió cuando las balas de Chapman destrozaron su cuerpo en el frío asfalto de New York. Las ausencias físicas jamás son capaces de impedir el recuerdo permanente. Es el gran y mejor privilegio de los mitos." Revista Penthouse

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Fonte El Pais

Borges en el país azteca

Solo cuatro días (dos de ellos para viajar). Esa fue la única exigencia que puso el escritor argentino Jorge Luis Borges en su primera visita a México en 1973 para recoger el premio internacional Alfonso Reyes. El fugaz viaje causó una gran impresión al escritor, que volvería al país en otras dos ocasiones más: 1978 y 1981.
Los recuerdos de aquellos días han vuelto a cobrar vida este agosto en la Ciudad de México, no sin cierta polémica. El libro Borges y México, que reúne los cuentos, poemas y ensayos en los que el país azteca es el centro de su obra y los textos de una veintena de escritores mexicanos sobre el genial escritor, está llegando estos días a las librerías después de una retirada de la edición in extremis.
El día de la presentación, a la que acudió la viuda del escritor, María Kodama, apenas se habló del texto. Sí salieron las anécdotas, los recuerdos y las fotos, pero ni rastro de la publicación. Luego se supo que todo fue un problema por culpa de Instantes...
La escritora mexicana Elena Poniatowska atribuyó en su texto el poema apócrifo Instantes a Borges. "Un error verdaderamente imposible de imaginar", dijo Kodama al diario mexicano El Universal. La editorial Random House Mondadori retiró la edición completa para subsanar el fallo, que sin el texto de Poniatowska llega al fin estos días, tres semanas después de presentarse, a las librerías.
Ahora ya sí, Borges y México bucea sin mácula en la búsqueda del lado charro del escritor argentino. Miguel Capistrán, historiador de las letras mexicanas y editor de la publicación, fue el responsable de las dos primeras visitas de Borges a México. En 1973, el escritor recogió el premio internacional Alfonso Reyes, que le fue concedido en su primera edición. Una ocasión especial para quien tuvo en Reyes a su mejor amigo mexicano y a su "maestro". Entonces juró estar solo cuatro días, pero volvió. En 1978 lo hizo para grabar un programa con Octavio Paz y en 1981 para recoger el Premio Ollin Yoliztli.
Una veintena de imágenes revive aquellos días de los setenta en una muestra que permanecerá abierta al público hasta el 2 de septiembre en el Palacio de Bellas Artes de la Ciudad de México. Se incluyen las series fotográficas de Paulina Lavista y Rogelio Cuéllar hechas en 1973, las imágenes de Héctor García o los dibujos de Felipe Ehrenberg
Como dijo el escritor el 1973 al recibir el premio Alfonso Reyes: “Tenía preparadas unas palabras para este momento, pero las he olvidado. No soy memorioso". Pues así, haciendo uso de la desmemoria y con la falsa atribución de Instantes olvidada, Borges vuelve estos días a pasear su memoria por el país azteca.
Fuente El Pais

THE GREATEST



With brains that can explain any feelings...

jueves, 23 de agosto de 2012

Stendhal em Milao



In questa casa fatta erigere da Giovanni Bovara e sede L'Ambasciata di Francia Presso la Republica Cisalpina HENRI BEYLE STENDHAL, Sottotenente del Gde. Dragone dimoro dal giugno all ottobre 1800
"Sur le cours de cette porte otientale...sést passé l'Aurore de ma Vie"

É hora de recuperar o orgulho, o respeito, a esperança!


lunes, 20 de agosto de 2012

La extinción de los intelectuales y la modernidad liquida(Zygmunt Bauman )


Nada es estable. Es muy propio de la modernidad líquida. Antes construías el conocimiento como quien construye una casa. Ahora se parece más bien a un tren que pasa sobre los raíles y no deja ninguna huella en la tierra”.
“Cuando escribí el libro [Esto no es un diario, editado por Paidós], la economía estadounidense daba signos de recuperación. Pero curiosamente el 93% de los ingresos extras provenientes de esa recuperación fue para el 1% de la población. Los problemas sociales siguen con nosotros y no tienen muchos visos de solucionarse. Nadie sabe a ciencia cierta cuánto tardará el problema del desempleo en arreglarse en España. Da la impresión de que todo anda fuera control”.


“El proceso de la globalización es tortuoso. Hay fuerzas que están globalizadas: las finanzas, los mercados, el terrorismo, el tráfico de armas y de drogas. Mientras tanto, los poderes democráticos siguen siendo locales, nacionales. Aún vivimos bajo la sombra del Tratado de Westfalia. Acabó con la Guerra de los 100 años, y eso fue bueno. Básicamente vino a decir que cada rey, cada príncipe podía decidir en qué clase de dios sus súbditos deben creer. Nació el concepto de la soberanía nacional. Seguimos operando con el viejo patrón, pero con una intolerable presión proveniente de la globalización”.


La extinción de los intelectuales daría para una larga charla aparte. Resulta una cuestión dolorosa, en cualquier caso. Michel Foucault explicó que uno de los grandes problemas de nuestro tiempo llegó cuando pasamos del concepto del intelectual total al del intelectual parcial. Según esa idea, cada cual defiende lo suyo. La figura del intelectual debería usar su autoridad pública, su influencia para aportar a la solución de los problemas, a la creación de valores sociales. El intelectual parcial que solo defiende lo suyo es en sí mismo una contradicción. Cuando yo era joven la palabra intelectual se empleaba asociada con la idea de la gente, de la comunidad. Esta conjunción ha sido rota. El contrato entre la sociedad y el intelectual se ha quebrado. Además, ya no tiene la capacidad para llegar a nadie. Ese poder lo tienen los medios

Fonte. El Pais

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domingo, 19 de agosto de 2012

Nem sei se posso

Para Giannetti, nós brasileiros estamos dispostos a pagar preços estratosféricos por carros importados (luxuosos e nem tanto), pois eles nos conferem a ilusória ideia de status. São "bens posicionais", que hierarquizam a sociedade na antiga fórmula quanto mais caro, mais exclusivo; quanto mais exclusivo, mais status. "Primeiro é um tênis de marca, depois um carro importado, um iate, um jatinho, uma viagem a Marte. A corrida sempre se renova", diz. É o carro do ano, o look exclusivo da fashion week, o restaurante badalado, a deserta ilha paradisíaca e outras extravagâncias de gente chique. Para serem almejados, os objetos devem continuar um privilégio de poucos, fora do alcance dos plebeus. Nessa lógica, o diamante só brilha se refletir nos olhos dos outros.
Na quinta-feira, Giannetti recebeu o Aliás no seu apartamento no bairro paulistano de Vila Madalena. Ph.D. pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) de São Paulo, Giannetti costura economia e filosofia para discutir por que os ideais de beleza, poder e riqueza abalam a psique humana de uma maneira quase irracional. "Por que nos deixamos levar pelas promessas desses bens posicionais? Por que somos iludidos por eles?", questiona. Para responder à questão, Giannetti busca na estante O Livro das Citações: Um Breviário de Ideias Replicantes, de sua autoria, com páginas marcadas por post its coloridos, e cita o poeta satírico Petrônio: "Só me interessam os bens que despertam no populacho a inveja de mim por possuí-los".
Conversamos numa sala ampla, charmosa e emoldurada por estantes e mais estantes cheias de livros. Só na biblioteca pessoal, o economista guarda mais de 5 mil títulos. "São meus bens posicionais", diz, brincando a sério. "Todos nós temos bens posicionais. Seria uma ilusão dizer que não. Pascal tinha um pensamento interessante: 'Os seres humanos se dividem em duas classes: os santos que se creem pecadores, e os pecadores que se creem santos.' Prefiro estar entre os santos."
Na Forbes dessa semana, Kenneth Rapoza ironiza os preços exorbitantes que os brasileiros pagam por carros importados. Afinal, por que aceitamos pagar tão caro?
Por um lado, porque não há alternativa. A indústria automobilística brasileira é altamente protegida. Os importados pagam uma tarifa exorbitante para entrar no País. Os carros ficam com um preço muito acima do mercado internacional, mesmo descontando os impostos. Por outro lado, os brasileiros se submetem aos preços pois os carros são "bens posicionais". A ideia é do economista inglês Fred Hirsch. O valor do bem posicional depende justamente da "exclusividade", isto é, do fato de que os outros não têm acesso a esses bens. Quanto mais caro, mais exclusivo. Quanto mais exclusivo, mais status. E, portanto, mais poder para impressionar os outros. O filósofo francês Nicolas Malebranche dizia que o desejo mais ardente das pessoas é conquistar um lugar de honra na mente dos seus semelhantes. Essa é a ideia do bem posicional: o proprietário pensa que as pessoas passam a respeitá-lo e admirá-lo mais porque ele pode desfilar um carrão, uma grife, um luxo.
Mas todos os bens são consumidos assim?
Há uma diferença. Um copo de leite, por exemplo, é um bem normal. Se tenho prazer em beber um copo de leite todas as manhãs, isso independe do resto da sociedade. Se amanhã todo mundo beber um copo de leite igualzinho, o meu prazer não mudará uma gota. Mas suponha que eu sou um jovem ambicioso, trabalho 12 horas no mercado financeiro, ganho meu dinheiro honestamente e decido que a coroação da minha vitória será um automóvel caríssimo. Compro meu carro dos sonhos - um BMW, um Mercedes ou um dos carros mencionados pela Forbes - e, de repente, tenho um estalo: "Eu sou especial". As meninas vão ver um brilho diferente no meu olhar, os amigos vão me invejar, os outros vão me respeitar quando passar na rua. Volto para casa feliz da vida. Mas, na manhã seguinte, acontece uma coisa estranha: todos os carros da cidade se transformaram em BMWs idênticos ao meu. E aí? Será que esse carro ainda tem a importância e o valor que tinha aos meus olhos e aos olhos dos demais? Ou será que o poder que ele me conferia simplesmente desapareceu? Pois é, desapareceu. Uma das melhores definições dessa ideia é do satírico romano Petrônio: "Só me interessam os bens que despertam no populacho a inveja de mim por possuí-los". Isso foi dito na Roma antiga, há dois milênios. Uma passagem de Adam Smith, n'A Riqueza das Nações (1776), também ilustra isso: "Para a maior parte das pessoas ricas, a principal fruição da riqueza consiste em poder exibi-la, algo que aos seus olhos nunca se dá de modo tão completo como quando elas parecem possuir aqueles sinais definitivos de opulência que ninguém mais pode ter a não ser elas mesmas". Essa é uma definição irretocável do bem posicional. Quer dizer, sim, compramos um sinal de opulência e de distinção, um prestígio, um brilho - embora muitas vezes sabendo que estamos sendo roubados. Mas, afinal, por quê? Beleza, poder e riqueza mexem com o psiquismo humano de uma maneira quase pré-racional. Não percebemos quão vulneráveis somos a esses apelos. Isso certamente não é de hoje. Ao longo da história, muitos pensadores se debruçaram sobre essa questão, a partir de uma perspectiva ética. Como entender o fascínio por beleza, poder e riqueza? Por que nos deixamos levar por essas promessas? Por que somos iludidos por esses bens posicionais?
No mês passado, os brasileiros marcaram níveis históricos de inadimplência (na série do Banco Central iniciada em 2000). Vale tudo para poder adquirir esse bens?
Estamos vivendo uma corrida armamentista do consumo, pois o bem posicional sempre se renova. Isto é, no momento em que se democratiza o acesso a um bem de consumo, outros novos são inventados. É como uma corrida armamentista: sempre teremos novos e diferenciados objetos de desejo. Primeiro é um tênis de marca, depois um carro importado, um iate, um jatinho, uma viagem a Marte. A corrida armamentista sempre se renova. Não dá para desmontar totalmente as armadilhas dessa corrida, mas podemos almejar uma sociedade mais madura e marcada por uma pluralidade de valores. Assim nem todos estariam competindo na raia estreita, por um carro x ou y. Deveríamos conquistar um lugar de honra na sociedade mais pelo que somos e menos pelo que possuímos.
Há diferenças entre a sociedade de consumo de outros países e a do Brasil atual?
O que complica o Brasil é a desigualdade. Isso acirra e exacerba o poder do dinheiro, da posse, da propriedade. Quem não tem superestima o que o dinheiro pode comprar, ficando muito vulnerável a fantasias e fascínios sobre o status. Na outra ponta, o rico tem o poder superdimensionado por poder comprar o trabalho dos outros a um preço aviltado, adquirindo uma preeminência desmesurada na sociedade. Mas a novidade brasileira é a mobilidade social dos últimos dez anos. Cerca de 30 milhões de brasileiros, antes praticamente excluídos, passaram a ter acesso ao mercado de consumo. Há um momento de deslumbramento diante dessas novas possibilidades, o que é natural, pois essas pessoas tiveram uma demanda reprimida durante diversas gerações. Por isso elas vão com muita sede ao pote, que lhes foi negado por muito tempo. Mas esse deslumbramento não pode durar para sempre. Em certo momento, a sociedade precisará amadurecer. E as pessoas, principalmente dessa nova classe média, vão precisar pensar no futuro.
O que quer essa nova classe média?
É o que todos queremos saber. Mas podemos dizer que essa nova classe média tem uma demanda vigorosa por credenciais educacionais. O que até seria certo, mas a ideia de educação é que está equivocada. Educação é conhecimento, cultura, formação, habilidades, informação. E não simplesmente um diploma, um papel vazio. Um dos dados mais estarrecedores dos últimos tempos foi revelado na pesquisa feita pelo Ibope. Um dado realmente alarmante: 38% dos egressos do ensino superior no Brasil são analfabetos funcionais. Há alguma coisa muito grave e muita errada em um sistema educacional em que isso acontece. Se tiver o mínimo de seriedade e até de autorrespeito, o governo deveria se debruçar sobre essa realidade, principalmente neste momento de ascensão social.
No livro O Valor do Amanhã o sr. diz que o imediatismo impera na sociedade brasileira. Como isso se traduz no consumo?
A imaginação brasileira é muito volátil: quando as coisas vão mal, as pessoas caem em desesperança radical; quando as coisas vão bem, elas caem na euforia e na exuberância. A lâmina da sobriedade precisa cortar nas duas direções. Essa preferência pelo presente, mesmo a um custo elevado no futuro, é uma das características mais marcantes da vida brasileira, com raízes históricas desde a colonização. Atualmente, dá para notar isso em muitas dimensões: a formação de capital humano, a infraestrutura, a poupança previdenciária. Os nossos juros exorbitantemente elevados são sintomáticos dessa predileção pelo presente. Eu me inspiro num conto de Machado de Assis intitulado, não por coincidência, O Empréstimo. Machado descreve um personagem com vocação para a riqueza, mas sem vocação para o trabalho. E a resultante é: dívida. Adaptei isso para a sociedade brasileira, pois o Brasil me parece um país com vocação para o crescimento, mas sem vocação para a poupança. E a resultante disso é desequilíbrio macroeconômico.
Com a ascensão dessa classe emergente, os ricos vão querer esbanjar ainda mais para manter seu status e seus bens posicionais?
Nós temos um quadro curioso de discriminação social no Brasil: as pessoas da elite financeira e econômica se sentem diferentes do resto da sociedade e não querem ter seus privilégios ameaçados. Por outro lado, o País tem uma inconsistência estrutural interessante em diversos campos: nos transportes, na moradia, na educação. A nova classe média tem uma demanda, legítima e até natural, por automóveis, um símbolo de autonomia e status. Mas temos infraestrutura para acompanhar uma agressiva expansão da frota? O avião, por exemplo. Antes restrito, o transporte aéreo agora está recebendo muita gente (e é bom que isso aconteça), mas temos infraestrutura para ordenar esse crescimento? Não, aí o caos nos aeroportos. A mesma falha na questão habitacional: há uma imensa demanda por moradia, absolutamente legítima e muito bem-vinda, por casa própria. Minha Casa, Minha Vida é a cereja do PAC. Mas temos infra urbana de saneamento básico, por exemplo, para dar real dignidade às pessoas? Em pleno século 21, 40% dos domicílios brasileiros não têm saneamento básico, o que é gravíssimo. E a telefonia? Todo mundo tem celular atualmente, mas ninguém consegue se comunicar direito por causa das panes do sistema. Nesses exemplos e em outras situações, encontramos a mesma inconsistência. Nós fazemos a parte fácil - relacionada ao consumo imediato -, mas temos muita dificuldade para dar estrutura a essas demandas de uma maneira sustentável e ordenada. Então, a vida cotidiana é conturbada. É um pesadelo vivido pela sociedade inteira, independentemente da classe social.
ECONOMISTA E FILÓSOFO, Ph.D. PELA UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE, PROFESSOR DO INSPER. É AUTOR DE O VALOR DO AMANHÃ
Fonte Estadao.com

A Felicidade Bate à Sua Porta - As Frenéticas-1977



O trem da Alegria promete-garante
que o riso será mais barato
dora - dora em diante
que o sonho será interminável
que a vida será colorida, etecetera ,e tal...

Post dedicado a meus irmaos Luiz Eduardo e Maria Ines

Tim Maia - Vale Tudo, o Musical
Em blocos temáticos, a peça conta a história do cantor Tim Maia, desde a infância no bairro carioca da Tijuca, passando pela formação da banda Vitória Régia. Integram o repertório do musical sucessos como "Vale Tudo", "Azul da Cor do Mar" e "Primavera"

Gênero: Musical
Direção: João Fonseca
Com: Danilo de Moura, Izabella Bicalho, Lilian Valeska e outros
Duração: 160 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
Texto: Nelson Motta


PS : Pode parecer estranho mas a verdade é que Tim Maia foi um ídolo de meu irmao. Quando as minhas filhas nasceram eu vivia no Chile e fui para a Bahia para aí dar a luz. Após o nescimento das "femeas gemeas"(como dizia Be) foram muitos  Sábados que eu  escutar o velho Tim cantando enquanto Duca tomava seu banho e pensava na vida.Quanto a Ines, well, na maior parte das vezes Duca estava se arrumando para ir almoçar com ela e Rogério enquanto eu ficava em casa amamentando as crias...

Tim Maia - Não quero dinheiro

Nao mais que de repente, no caos da mudança e do reordenamento das coisas

Abaporu vence concurso de construções na areia





Vinte e oito participantes mostraram os seus dotes na areia.

Apesar dos seus 11 anos, Pedro Lopes está longe de ser um iniciado no seu conhecimento artístico. "Gosto de surrealismo", conta ao DN o jovem que ganhou o 1.º lugar do escalão B (crianças entre 11 e 14 anos) na etapa da praia do Furadouro do concurso de construções na areia, que lhe valeu o direito a participar na grande final nacional a 2 de setembro no Tamariz, graças a uma reprodução de Abaporu, um quadro da pintora brasileira Tarsília do Amaral que representa "o homem que come".
A originalidade e rigor na execução convenceram o júri constituído pelo arquiteto Rogério Pacheco, pela técnica de educação Margarita Nicolau e pelo vereador da Câmara de Ovar Vítor Ferreira a premiar Pedro, que nas últimas semanas treinou intensivamente.

Fonte DN.pt
Leia a íntegra aqui