sábado, 16 de enero de 2010

viernes, 15 de enero de 2010

O Brasil bonito

O Brasil bonito


O terremoto no Haiti deixou o Brasil em ruínas. Zilda Arns era uma mulher que dignificava um país.

A notícia de sua morte sob escombros de uma catástrofe natural parece coisa de filme. Impressionante demais para soar real. Um final trágico para uma vida épica, desses que pareciam estar escritos.

Zilda não foi uma representação da bondade. Isso era pouco para ela. Na selva da sociedade, no emaranhado do dissenso humano, a bondade tende a virar estandarte. Ou slogan. A missionária da Pastoral da Criança era, com todo respeito, endiabrada. Simplesmente fazia acontecer. Danem-se o gesto e a fotografia na parede.

Zilda Arns era bondade com malícia (no bom sentido), um furacão de criatividade e senso prático. A fina flor da política brasileira.

Articulou as forças certas em torno de soluções eficientes, fez chegar uma vida melhor a milhões de deserdados, deu uma aula ao Estado, à Igreja e aos partidos de como a coletividade pode socorrer os realmente necessitados. Injetou saúde e valores num exército de crianças paupérrimas. Produziu uma epidemia de dignidade.

De vez em quando se ouvia falar dela. Muito menos do que se deveria. E ela só falava o essencial. Não era movida pelo reconhecimento. Marchava inabalável com outro combustível, raro, que não oferece um pote de ouro depois do arco-íris: espírito público.

Fazia pelos outros porque tinha que ser feito. Seu coração mandava. Viveu para isso. E morreu fazendo.

Um pedaço do futuro do Brasil foi soterrado no Haiti. Adeus, Zilda Arns.
Fonte Guilherme Fiuza

jueves, 14 de enero de 2010

A construçao da Paz começa no coraçao...mas se traduziu em obras!

ÍNTEGRA DA PALESTRA DE ZILDA ARNS NO HAITI

Agradeço o honroso convite que me foi feito. Quero manifestar minha grande alegria por estar aqui com todos vocês em Porto Príncipe, Haiti, para participar da assembleia de religiosos.

Como irmã de dois franciscanos e de três irmãs da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, estou muito feliz entre todos vocês. Dou graças a Deus por este momento.

Na realidade, todos nós estamos aqui, neste encontro, porque sentimos dentro de nós um forte chamado para difundir ao mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia, transformada em ações concretas, é luz e esperança na conquista da paz nas famílias e nas nações. A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social.

A paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas da busca do bem comum, que aprendemos com nosso mestre Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10).

Espera-se que os agentes sociais continuem, além das referências éticas e morais de nossa Igreja, a ser como ela, mestres em orientar as famílias e comunidades, especialmente na área da saúde, educação e direitos humanos. Deste modo, podemos formar a massa crítica das comunidades cristãs e de outras religiões em favor da proteção da criança desde a concepção, e mais excepcionalmente até os seis anos, e do adolescente. Devemos nos esforçar para que nossos legisladores elaborem leis e os governos executem políticas públicas que incentivem a qualidade da educação integral das crianças e saúde, como prioridade absoluta.

O povo seguiu Jesus porque ele tinha palavras de esperança. Assim, nós somos chamados para anunciar as experiências positivas e os caminhos que levam as comunidades, famílias e pais a serem mais justos e fraternos.

Como discípulos e missionários, convidados a evangelizar, sabemos que força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o amor, expressado na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos” significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade. Todo esse caminho necessita de comunicação constante para iluminar, animar, fortalecer e democratizar nossa missão de fé e vida. Cremos que esta transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças. Este desenvolvimento começa quanto a criança se encontra ainda no ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças.

Não é por nada que disse Jesus: “… se vocês não ficarem iguais a estas crianças, não entrará no Reino dos Céus” (MT 18,3). E “deixem que as crianças venham a mim, pois deles é o Reino dos Céus” (Lc 18, 16).

Hoje vou compartilhar com vocês uma verdadeira história de amor e inspiração divina, um sonho que se fez realidade. Como ocorreu com os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), “Jesus caminhava todo o tempo com eles. Ele foi reconhecido a partir do pão, símbolo da vida.” Em outra passagem, quando o barco no Mar da Galileia estava prestes a afundar sob violentas ondas, ali estava Jesus com eles, para acalmar a tormenta. (Mc 4, 35-41).

Com alegria vou contar o que “eu vi e o que tenho testemunhado” a mais de 26 anos desde a fundação da Pastoral da Criança, em setembro de 1983.

Aquilo que era uma semente, que começou na cidade de Florestópolis, Estado do Paraná, no Brasil, se converteu no Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presente em 42 mil comunidades pobres e nas 7.000 paróquias de todas as Dioceses da Brasil.

Por força da solidariedade fraterna, uma rede de 260 mil voluntários, dos quais 141 mil são líderes que vivem em comunidades pobres, 92% são mulheres, e participam permanentemente da construção de um mundo melhor, mais justo e mais fraterno, em serviço da vida e da esperança. Cada voluntário dedica em média 24 horas ao mês a esta missão transformadora de educar as mães e famílias pobres, compartilhar o pão da fraternidade e gerar conhecimentos para a transformação social.

O objetivo da Pastoral da Criança é reduzir as causas da desnutrição e a mortalidade infantil, promover o desenvolvimento integral das crianças, desde sua concepção até o seis anos de idade. A primeira infância é uma etapa decisiva para a saúde, a educação, a consolidação dos valores culturais, o cultivo da fé e da cidadania com profundas repercussões por toda a vida.

Um pouco de história:

Sou a 12ª de 13 irmãos, cinco deles são religiosos. Três irmãs religiosas e dois sacerdotes franciscanos. Um deles é D. Paulo Evaristo, o Cardel Arns, Arcebispo emérito de São Paulo, conhecido por sua luta em favor dos direitos humanos, principalmente durante os vinte anos da ditadura militar do Brasil.

Em maio de 1982, ao voltar de uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, D. Paulo me chamou pelo telefone à noite. Naquela reunião, James Grant, então diretor executivo da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), falou com insistência sobre o soro oral. Considerado como o maior avanço da medicina no século passado, esse soro era capaz de salvar da morte milhões de crianças que poderiam morrer por desidratação devido a diarreia, uma das principais causas da mortalidade infantil no Brasil e no mundo. James Grant conseguiu convencer a D. Paulo para que motivasse a Igreja Católica a ensinar as mães a preparar e administrar o soro oral. Isto podia salvar milhares de vidas.

Viúva fazia cinco anos, eu estava, naquela noite histórica, reunida com os cinco filhos, entre os nove e dezenove anos, quando recebi a chamada telefônica do meu irmão D. Paulo. Ele me contou o que havia passado e me pediu para refletir sobre ele. Como tornar realidade a proposta da Igreja de ajudar a reduzir a morte das crianças? Eu me senti feliz diante deste novo desafio. Era o que mais desejava: educar as mães e famílias para que soubessem cuidar melhor de seus filhos!

Creio que Deus, de certo modo, havia me preparado para esta missão. Baseada na minha experiência como médica pediatra e especialista em saúde pública e nos muitos anos de direção dos serviços públicos de saúde materna-infantil, compreendi que, além de melhorar a qualidade dos serviços públicos e facilitar às mães e crianças o acesso a eles, o que mais falta fazia às mães pobres era o conhecimento e a solidariedade fraterna, para que pudessem colocar em prática algumas medidas básicas simples e capazes de salvar seus filhos da desnutrição e da morte, como por exemplo a educação alimentar e nutricional para as grávidas e seus filhos, a amamentação materna, as vacinas, o soro caseiro, o controle nutricional, além dos conhecimentos sobre sinais e sintomas de algumas doenças respiratórias e como as prevenir.

Me vem à mente então a metodologia que utilizou Jesus para saciar a fome de 5.000 homens, sem contar as mulheres e as crianças. Era noite e tinham fome. Os discípulos disseram a Jesus que o melhor era que deixassem suas casa, mas Jesus ordenou: “Dai-lhes vós de comer”. O apóstolo Felipe disse a Jesus que não tinham dinheiro para comprar comida para tanta gente. André, irmão de Simão, sinalou a uma criança que tinha dois peixes e cinco pães. E Jesus mandou que se sentassem em grupos de cinquenta a cem pessoas (em pequenas comunidades). Então pensei: “Por que morrem milhões de crianças por motivos que podem facilmente ser prevenidos? O que faz com que eles se tornem criminosos e violentos na adolescência?”

Recordei o inicio da minha carreira, quando me desafiei a querer diminuir a mortalidade infantil e a desnutrição. Vieram a minha mente milhares de mães que trocaram o leite materno pela mamadeira diluída em água suja. Outras mães que não vacinam seus filhos, quando não havia ainda cesta básica no Centro de Saúde. Outras mães que limpavam o nariz de todos os seus filhos com o mesmo pano, ou pegavam seus filhos e os humilhavam quando faziam xixi na cama. E, ainda mais triste, quando o pai chegava em casa bêbado. Ao ouvir o grito de fome e carinho de seus filhos, os venciam mesmo quando eram muito pequenos. Sabe-se, segundo resultados de pesquisas da OMS (Organização Mundial da Saúde), cuja publicação acompanhei em 1994, que as crianças maltratadas antes de um ano de idade têm uma tendência significativa para violência, e com frequência fazem crimes antes dos 25 anos.

A Igreja, que somos todos nós, que devíamos fazer?
Tive a seguridade de seguir a metodologia de Jesus: organizara as pessoas em pequenas comunidades; identificar líderes, famílias com grávidas e crianças menores de seis anos. Os líderes que se dispusessem a trabalhar voluntariamente nessa missão de salvar vidas, seriam capacitados, no espírito da fé e vida, e preparados técnica e cientificamente, em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. Seriam acompanhados em seu trabalho para que não se desanimassem. Teriam a missão de compartilhar com as famílias a solidariedade fraterna, o amor, os conhecimentos sobre os cuidados com as grávidas e as crianças, para que estes sejam saudáveis e felizes. Assim como Jesus ordenou que considerassem se todos estavam saciados, tínhamos que implantar um sistema de informações, com alguns indicadores de fácil compressão, inclusive para líderes analfabetos ou de baixa escolaridade. E vi diante de mim muitos gestos de sabedoria e amor apreendidos com o povo.

Senti que ali estava a metodologia comunitária, pois podia se desenvolver em grande escala pelas dioceses, paróquias e comunidades. Não somente para salvar vidas de crianças, mas também para construir um mundo mais justo e fraterno. Seria a missão do “Bom Pastor”, que estão atentos a todas as ovelhas, mas dando prioridade àquelas que mais necessitam. Os pobres e os excluídos.

Naquela maravilhosa noite, desenhei no papel uma comunidade pobre, onde identifique famílias com grávidas e filhos menores de seis anos e lideres comunitários, tanto católicos como de outras confissões e culturas, para levar adiante ações de maneira ecumênica, pois Jesus veio par que “todos tenham Vida e Vida em abundância” (João 10,10). Isto é o que precisa ser feito aqui no Haiti: fazer um mapa das comunidades pobres, identificar as crianças menores de 6 anos e suas famílias e lideres comunitários que desejam trabalhar voluntariamente.

Desde a primeira experiência, a Pastoral da Criança cultivou a metodologia de Jesus, que é aplicada em grande escala. No Brasil, em mais de 40 mil comunidades, de 7.000 paróquias de todas as 272 diocese e prelazias. Está se estendendo a 20 países. Estes são, na América Latina e no Caribe: Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Peru, Venezuela, Guatemala, Panamá, República Dominicana, Haiti, Honduras, Costa Rica e México; na África: Angola, Guiné-Bissau, Guiné Conakry e Moçambique, e na Ásia: Filipinas e Timor Leste.

Para organizar melhor e compartilhar as informações e a solidariedade fraterna entre as mães e famílias vizinhas, as ações se baseiam em três estratégias de educação e comunicação: individual, de grupo e de massas. A Pastoral da Criança utiliza simultaneamente as três formas de comunicação para reforçar a mensagem, motivar e promover mudanças de conduta, fortalecendo as famílias com informações sobre como cuidar dos filhos, promovendo a solidariedade fraterna.

A educação e comunicação individual se fazem através da “Visita Domiciliar Mensal nas famílias” com grávidas e filhos. Os líderes acompanham as famílias vizinhas nas comunidades mais pobres, nas áreas urbanas e rurais, nas aldeias indígenas e nos quilombos, e nas áreas ribeirinhas do Amazonas. Atravessam rios e mares, sobem e descem montes de encostas íngremes, caminham léguas, para ouvir os clamores das mães e famílias, para educar e fortalecer a paz, a fé e os conhecimentos. Trocam ideias sobre saúde e educação das crianças e das grávidas; ensinam e aprendem.

Com muita confiança e ternura, fortalecem o tecido social das comunidade, o que leva a inclusão social.

Motivados pela Campanha Mundial patrocinadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1999, com o tema “Uma vida sem violência é um direito nosso”, a Pastoral da Criança incorporou uma ação permanente de prevenção da violência com o lema “A Paz começa em casa”. Utilizou como uma das estratégias de comunicação a distribuição de seis milhões de folhetos com “10 Mandamentos para alcançar a paz na família”, debatíamos nas comunidades e nas escolas, do norte ao sul do país.

As visitas, entre tantas outras ações, servem para promover a amamentação materna, uma escola de dialogo e compartilhar, principalmente quando se dá como alimento exclusivo até os seis meses e se continua dando como alimento preferencial além do um ano, inclusive além dos dois anos, complementarmente com outros alimentos saudáveis. A sucção adapta os músculos e ossos para uma boa dicção, uma melhor respiração e uma arcada dentária mais saudável. O carinho da mãe acariciando a cabeça do bebe melhora a conexão dos neurônios. A psicomotricidade da criança que mama no peito é mais avançada. Tanto é assim que se senta, anda e fala mais rápido, aprende melhor na escola. É fator essencial para o desenvolvimento afetivo e proteção da saúde dos bebês, para toda a vida. A solidariedade desponta, promovida pelas horas de contato direto com a mãe. Durante a visita domiciliar, a educação das mulheres e de seus familiares eleva a autoestima, estimula os cuidados pessoais e os cuidados com as crianças. Com esta educação das famílias se promove a inclusão social.

A educação e a comunicação grupal têm lugar cada em cada mês em milhares de comunidades. Esse é o Dia da Celebração da Vida. Momento dedicado ao fortalecimento da fé e da amizade entre famílias. Além do controle nutricional, estão os brinquedos e as brincadeiras com as crianças e a orientação sobre a cidadania. Neste dia as mães compartilham práticas de aproveitamento adequado de alimentos da região de baixo custo e alto valor nutritivo. As frutas, folhas verdes, sementes e talos, que muitas vezes não são valorizados pelas famílias.

Outra oportunidade de formação de grupo é a Reunião Mensal de Reflexão e Evolução dos líderes da comunidade. O objetivo principal desta reunião é discutir e estabelecer soluções para os problemas encontrados.

Essas ações integram o sistema de informação da Pastoral da Criança para poder acompanhar os esforços realizados e seus resultados através de Indicadores. A desnutrição foi controlada. De mais de 50% de desnutridos no começo, hoje está em 3,1%. A mortalidade infantil foi drasticamente reduzida e hoje está em 13 mortos por mil nascidos vivos nas comunidades com Pastoral da Criança. O índice nacional é 2,33, mas se sabe que as mortes em comunidades pobres, onde estão a Pastoral da Criança, é maior que é na média geral. Em 1982, a mortalidade infantil no Brasil foi 82,8 por mil nascidos vivos. Estes resultados têm servido de base para conquistar entidades, como o Ministério da Saúde, Unicef, Banco HSBC, e outras empresas. Elas nos apoiam nas capacitações e em todas as atividades básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. O custo criança/mês é de menos de US$ 1.

Em relação à educação e à comunicação de massas apresentará três experiências concretas de como a comunicação é um instrumento de defesa dos direitos da infância.

Materiais impressos
O material impresso foi concebido especificamente para ajudar a formação do líder da Pastoral da Criança. Os instrutores e os multiplicadores servem como ferramenta de trabalho na tarefa de guiar as famílias e comunidades sobre questões de saúde, nutrição, educação e cidadania. Além do Guia da Pastoral da Criança, se colocou em marcha publicações como o Manual do Facilitador, Brinquedos e Jogos, Comida e as Hortas Familiares, alfabetização de jovens e adultos e mobilização social.

O jornal da Pastoral da Criança, com tiragem mensal de cerca de 280 mil — ou seja 3 milhões e 300 mil exemplares por ano — chega a todos os líderes da Pastoral da Criança. É uma ferramenta para a formação continua.

O Boletim Dicas abarca questões relacionadas com a saúde e a educação para cidadania. Este especialmente concebido para os coordenadores e capacitadores da Pastoral da Criança. Cada publicação chega a 7.000 coordenadores.

Para ajudar na vigilância das mulheres grávidas, a Pastoral da Criança criou os laços de amor, cartões com conselhos sobre a gravidez e um partos saudável.

Outros materiais impressos de grande impacto social é o folheto com os 10 mandamentos para a Paz na Família, 12 milhões de folhetos foram distribuídos nos últimos anos.

Além desses materiais impressos, se envia para as comunidades da Pastoral da Criança material para o trabalho de pesagem das crianças, objetos como balanças e também colheres de medir para a reidratarão oral e sacos de brinquedos para as crianças brincarem no dia da celebração da vida.

Material de som e vídeo

Outra área em que a Pastoral da Criança produz materiais é de som e a produção de filmes educativos. O Show ao vivo da Rádio da Vida, produzido e gravado no estúdio da Pastoral da Criança, chega a milhões de ouvintes em todo Brasil. Com os temas de saúde, de educação na primeira infância e a transformação social, o programa de rádio Viva a Vida se transmite semanalmente 3.740 vezes. Estamos “no ar”, de 2.310 horas semanais em todo Brasil. Além disso, o Programa Viva a Vida também se executa em vários tipos de sistemas de som de CD e aparados nas reuniões de grupo.

A Pastoral da Criança também produz filmes educativos para melhorar e dar conhecimento de seu trabalho nas bases. Atualmente há 12 títulos produzidos que sem ocupam na prevenção da violência contra as crianças, comida saudável, na gravidez, e na participação dos Conselhos Municipais de Saúde, na preservação da AIDS e outros.

Campanhas
A Pastoral da Infância realiza e colabora em várias campanhas para melhorar a qualidade de vida das mulheres grávidas, famílias e crianças. Estes são alguns exemplos:

a. Campanhas de sais de reidratação oral

b. Campanha de Certidão de Nascimento: a falta de informação, a distância dos escritórios e a burocracia fazem com que as pessoas fiquem sem uma certidão de nascimento. A mobilização nacional para o registro civil de nascimento, que une o Estado brasileiro e a sociedade, [busca] garantir a cada cidadão de pleno direito o nome e os direitos.

c. Campanha para promover o aleitamento materno: o leite materno é um alimento perfeito que Deus colocou à disposição nos primeiros anos de vida. Permanentemente, a Pastoral da Criança promove o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e, em seguida, continuar, com outros alimentos. Isso protege contra doenças, desenvolve melhor e fortalece a criança.

d. Campanha de prevenção da tuberculose, pneumonia e hanseníase: as três doenças continuam a afetar muitas crianças e adultos em nosso país. A Pastoral da Criança prepara materiais específicos de comunicação para educar o público sobre sintomas, tratamento e meios de prevenção destas doenças.

e. Campanha de Saneamento: o acesso à água potável e o tratamento de águas residuais contribuem para a redução da mortalidade infantil. A Pastoral da Criança, em colaboração com outros organismos, mobiliza a comunidade para a demanda por tais serviços a governos locais e usa os meios ao seu dispor para divulgar informações relacionadas ao saneamento.

f. Campanha de HIV/Aids e Sífilis: o teste do HIV/Aids e sífilis durante o pré-natal permite a redução de 25% para 1% do risco de transmissão para o bebê. A Pastoral da Criança apoia a campanha nacional para o diagnóstico precoce destas doenças.

g. Campanha para a Prevenção da morte súbita de bebês “Dormir de barriga para cima é mais seguro”: Com a finalidade de alertar sobre os riscos e evitar até 70% das mortes súbitas na infância, a Pastoral da Criança lançou esta grande campanha dirigida às famílias para que coloquem seus bebês para dormir de barriga para cima.

h. Campanha de Prevenção do Abuso Infantil: Com esta campanha, a Pastoral da Criança esclarece as famílias e a sociedade sobre a importância da prevenção da violência, espancamentos e abuso sexual. Esta campanha inclui a distribuição de folheto com os dez mandamentos para a paz na família, como um incentivo para manter as crianças em uma atmosfera de paz e harmonia.

i. Campanha - 20 de novembro, dia de oração e de ação para as crianças: A Pastoral da Criança participa dos esforços globais para a assistência integral e proteção a crianças e adolescentes, em colaboração com a Rede Mundial de Religiões para a Infância (GNRC).

Em dezembro de 2009, completei 50 anos como médica e, antes de 2002, confesso que nunca tinha ouvido falar em qualquer programa da Unicef ou da Organização Mundial de Saúde (OMS), ou de outra agência da Organização das Nações Unidas (ONU), que estimulasse a espiritualidade como um componente do desenvolvimento pessoal. Como um dos membros da delegação do Brasil na Assembleia das Nações Unidas em 2002, que reuniu 186 países, em favor da infância, tive a satisfação de ouvir a definição final sobre o desenvolvimento da criança, que inclui o seu “desenvolvimento físico, social, mental, espiritual e cognitivo”. Este foi um avanço, e vem ao encontro do processo de formação e comunicação que fazemos na Pastoral da Criança. Neste processo, vê-se a pessoa de maneira completa e integrada em sua relação pessoal com o próximo, com o ambiente e com Deus.

Estou convencida de que a solução da maioria dos problemas sociais está relacionada com a redução urgente das desigualdades sociais, com a eliminação da corrupção, a promoção da justiça social, o acesso à saúde e à educação de qualidade, ajuda mútua financeira e técnica entre as nações, para a preservação e restauração do meio ambiente. Como destaca o recente documento do papa Bento 16, “Caritas in veritate” (Caridade na verdade), “a natureza é um dom de Deus, e precisa ser usada com responsabilidade.” O mundo está despertando para os sinais do aquecimento global, que se manifesta nos desastres naturais, mais intensos e frequentes. A grande crise econômica demonstrou a inter-relação entre os países.

Para não sucumbir, exige-se uma solidariedade entre as nações. É a solidariedade e a fraternidade aquilo de que o mundo precisa mais para sobreviver e encontrar o caminho da paz.

Final
Desde a sua fundação, a Pastoral da Criança investe na formação dos voluntários e no acompanhamento de crianças e mulheres grávidas, na família e na comunidade. Atualmente, existem 1.985.347 crianças, 108.342 mulheres grávidas de 1.553.717 famílias. Sua metodologia comunitária e seus resultados, assim como sua participação na promoção de políticas públicas com a presença em Conselhos de Saúde, Direitos da Criança e do Adolescente e em outros conselhos levaram a mudanças profundas no país, melhorando os indicadores sociais e econômicos. Os resultados do trabalho voluntário, com a mística do amor a Deus e ao próximo, em linha com nossa mãe terra, que a todos deve alimentar, nossos irmãos, os frutos e as flores, nossos rios, lagos, mares, florestas e animais. Tudo isso nos mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista de sua transformação. Neste espírito, ao fortalecer os laços que ligam a comunidade, podemos encontrar as soluções para os graves problemas sociais que afetam as famílias pobres.

Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.

Muito Obrigada!
Que Deus esteja convosco!
Dra. Zilda Arns Neumann
Médica pediatra e especialista em Saúde Pública
Fundadora e Coordenadora da Pastoral da Criança Internacional
Coordenadora Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa

miércoles, 13 de enero de 2010

Quando Deus abre uma porta

Se os homens fecham as janelas, Deus abre uma porta - assim pensou a médica Zilda Arns Neumann, depois de conversar com o cardeal d. Paulo Evaristo Arns, um de seus 12 irmãos, que lhe telefonara para perguntar se aceitava empreender uma obra capaz de salvar milhões de crianças.

Ana María Matute en diálogo con Juana Salabert

ANA MARÍA MATUTE EN DIÁLOGO CON JUANA SALABERT
12 enero 2010

Dueña de una escritura prodigiosa, creadora desde sus tempranísimos inicios de un hechizante, complejo y perturbador universo propio que ha cautivado y prendido el imaginario de un sinfín de lectores, candidata en varias ocasiones al premio Nobel (¿cuánto habremos de esperar todavía para la concesión del Cervantes?), Ana María Matute es una de las mayores voces de las literaturas hispánica y europea. Y si me he referido al hecho, obvio por lo que se refiere a los grandes novelistas occidentales (la novela, género o anti-género de la modernidad, es, como señaló agudamente Étiemble, un imposible en las sociedades teocráticas), surgidos del siempre cambiante territorio transfronterizo de la Mancha invocado por Carlos Fuentes, de que posee “un” universo propio, es porque jamás he percibido en su obra esa supuesta dicotomía tan mentada por algunos, a mi juicio apresurada y falsamente, entre las temáticas de lo fantástico o maravilloso y lo “realista”. Lo mal llamado “realista”, si nos atenemos al concepto de “realismo” como gran ilusión que no necesitó de Proust o de Musil para irse al traste, ya que el texto no es sino una “realidad” otra que, por supuesto, también sucede en el mundo… Así, una lectura atenta de las novelas, cuentos y relatos de todo tipo de esta extraordinaria fabuladora que ya de niña jugaba a colmar la vida en los márgenes y “al margen” de sus cuadernos rayados, revela una fundamental simbología unitaria (el anverso y el reverso, la luz y la oscuridad, la memoria y el olvido, el suelo y el cielo, la infancia como paraíso más arrebatado que perdido), un juego permanente y muy baudelairiano de correspondencias que abarcan décadas de escritura bajo el moderno e imposible, pero insoslayablemente catártico, signo de la videncia que evidencia lo oscuro, remoto y secreto… Aquello a lo que Freud llamó Familienroman, es decir el cuento que cada cual urde, trama, en su inconsciente infantil, para explicarse su estar en mitad del mundo de “los otros”. Un cuento del que todos creen despojarse a la mal llamada edad de la razón, todos… salvo los artistas, los escritores y, por supuesto, los aquejados de neurosis, si acaso el nombre médico y extremo de la angustiada curiosidad ante preguntas sin respuesta o con demasiadas respuestas.

En el muy cervantino reino de historia de historias de Gudú, frío soberano de todos los olvidos y todas las memorias, donde algunas muchachitas en flor rodean el primigenio árbol de los juegos “jugando a no volver nunca” del mismo modo en que Adri, la narradora de la bellísima Paraíso inhabitado y poseedora, en palabras de su tía Eduarda, de “otro lenguaje”, sabrá más pronto que tarde que “nunca vuelve el unicornio”, el tiempo es sin embargo, lógica y paradójicamente, el del eterno retorno. Un tiempo circular que es asimismo el de la Matia de Primera memoria, los huérfanos y perdedores de Los hijos muertos o los tiernos y desposeídos antihéroes de La torre vigía o de relatos como Los de la tienda… El malestar es su estar (muchos de los niños y jóvenes de Ana María Matute, autora en cuya maravillosa educación sentimental conviven Andersen y Proust, Rilke y Carson McCullers con festejera armonía), la inquietud su estigma de fatalidad y su fatum. Como cervantina “espada puesta lejos” se apartan, a sabiendas de que, y parafraseando al Wilhem Meister goethiano, empezaron “a ser lo que serían” demasiado pronto. Pronto para las conveniencias de un orden regido por la codicia y la brutalidad donde la belleza es lágrima de lámpara de araña acogedora de otros mundos, microcósmicos e invisibles a los ojos de quiénes olvidaron, asentidores…

Dijo Onetti una vez que “hay mujeres que nunca terminan de matar a la muchacha que llevan dentro”. Bien, pues Ana María Matute jamás empezó a hacerlo. Y por eso mismo no es únicamente una grandísima escritora… es también es una persona maravillosa.
Fuente Fundación March

Ana Maria Matute en la Fundación March

Del poeta alemán Rainer María Rilke aprendió sobre la vida y el amor, la muerte y la soledad. Ana María Matute (Barcelona, 1926), ganadora del Premio de las Letras 2007 dialogó ayer con la escritora Juana Salabert (París, 1962) sobre los temas fundamentales de su obra. La Fundación Juan March inició ayer con la autora de Los hijos muertos, el ciclo de conferencias Autobiografía intelectual, un recorrido por la trayectoria personal e intelectual de distintos personajes y creadores influyentes. "Lo fantástico en mi obra es fantástico para los críticos, pero para mí es normal; y no quiero sonar frívola", explicó Ana María Matute ante un auditorio repleto de seguidores.

Autores como Cervantes, el danés Hans Christian Andersen, James Joyce o Proust sirvieron para guiar la conversación entre ambas autoras. Los años de aprendizaje de Whilheim Meister, del alemán Goethe, dio pie a la escritora para hablar sobre su estrecha relación con el lenguaje y de la necesidad de cada creador de buscarlo en el interior de sí mismo. "Dentro de cada persona hay otro lenguaje, que es más profundo y más verdadero", afirmó Matute.

Así definió qué es para ella escribir: "Una forma de salir de uno mismo y viajar a lugares que nunca había sospechado". A la hora de hablar sobre la niñez, tema fundamental dentro de su obra, Matute dijo que de alguna forma sus personajes infantiles son una crítica a la educación de la España de su niñez. "En aquella época, los adultos no entendían que los niños tenían derecho a ser ellos mismos. No entendían que los niños son niños y nada más".

La escritora Juana Salabert, que dijo admirar y adorar a la autora de Olvidado rey Gudú, recordó que los personajes infantiles de Matute también pueden ser malos, como por ejemplo el de su cuento Fausto. "Los niños en mi obra son crueles porque la vida misma y la naturaleza son crueles", le respondió.

A sus 83 años, la autora de Carnavalito, Luciérnagas o La Oveja Negra también tuvo tiempo para el humor. Y ante las generosas palabras de Juana Salabert dijo: "Ya ven, de mí ya no hay nada que contar". Salabert la describió como una de las mejores, sino la mejor, contadora de historias de España y una "mujer que ha sido capaz de contar en cada párrafo la vida, con todas sus complejidades".
Fuente El Pais

lunes, 11 de enero de 2010

domingo, 10 de enero de 2010

Cada museo escribe su historia del arte

El Victoria&Albert reordena su colección para proponer una nueva mirada a la Edad Media - El Reina Sofía, la Tate Modern y el Pompidou reinventan los cánones del siglo XX
ISABEL LAFONT



La historia del arte ya no es un dogma inmutable. En el siglo XXI, museos de todo el mundo se enfrentan a la necesidad de redefinir periodos, recuperar artistas olvidados, bajar a otros de su pedestal... Cánones que parecían incuestionables dejan de serlo y surgen así voces que hablan desde puntos de vista que nunca antes la historia oficial había tenido en cuenta.


Estrategias de representación

"El modelo del MoMA está finiquitado", dice Borja-Villel

"Hay que dar una visión alternativa", dice el director de la Tate Modern

El museo neoyorquino mantiene su sucesión de 'ismos'


El Pompidou cambia el montaje de su colección cada dos años
El Victoria&Albert londinense ha sido el último en anunciar una nueva lectura de la historia. Tras una reforma de 30 millones de euros y siete años de trabajo, una nueva ordenación del periodo que abarca desde el año 300 después de Cristo hasta el 1600 se aparta de la visión oscurantista del medievo como antítesis del luminoso Renacimiento para mostrar, en su lugar, una transición fluida a lo largo de esos siglos.

Pero si hay un campo en el que proliferan las revisiones históricas, ése es el del arte contemporáneo. Y el Museo Reina Sofía, con Manuel Borja-Villel como paladín, se ha colocado en el centro de esta tendencia. El pasado mayo, Borja-Villel presentó La colección reescrita, un nuevo montaje del millar de piezas que exhibe el centro según un ideario que se aparta de la cronología lineal y de las salas dedicadas a un solo artista. Una historia del arte escrita con una "nueva cartografía", según Borja-Villel, porque ya no sólo se centra en Europa y Estados Unidos, sino que recupera artistas y movimientos de otros lugares, como Latinoamérica.

El museo español no es el único que se aparta de la historia del arte moderno y contemporáneo que se impuso desde el MoMA después de la II Guerra Mundial. El Centro Pompidou, templo de las vanguardias del siglo XX, y la Tate Modern también quieren reescribir lo que en décadas se ha tenido como canon indiscutible. Tras declarar que el modelo MoMA "está finiquitado", Borja-Villel se ha propuesto "escribir la historia del arte del Sur". El primer torpedo que lanzó fue pedir al Museo del Prado 16 grabados de Goya de las series Los caprichos, Los desastres de la guerra y Los disparates, porque es donde empieza la modernidad, en el caso del arte español, según el director del Reina Sofía. Esa superposición de narraciones no sólo se refiere a la cronología -que se salta sin miedo- sino al diálogo entre géneros. Por eso, en el apartado dedicado al cubismo, Picasso, Braque y Juan Gris conviven con esculturas africanas, con una grabación de la Danza sinuosa de Loïe Fuller y con la película de Buster Keaton, One week. "No podría entenderse el cubismo sin el arte africano y sin el cine", dice Borja-Villel.

María García Yelo, directora de Arte Moderno y Contemporáneo de Christie's España y ex subdirectora del Reina Sofía, opina que la reordenación, al evitar el orden cronológico estricto, "busca tanto la complicidad como el análisis crítico del observador". El historiador del arte David Pastor también aplaude el reto que se lanza al visitante: "Supone un cambio sustancial en el modo de percibir las obras. ¿Por qué? Porque el modo en el que el público -no especializado- se acerca al museo se verá necesariamente transformado por una propuesta en la que el papel del visitante se tornará en más proactivo y personal. Del academicismo a la visión crítica. De las cosas masticadas a las propuestas abiertas".

"Es otro museo, ha entrado la luz, está vivo", opina María Corral, que dirigió el Reina Sofía entre 1991 y 1994. "Se basa en un criterio más plural que ya no contempla la colección históricamente en el sentido de que hay un centro que se relaciona con las periferias. Ahora hay muchos centros", añade.

La colección del Reina Sofía se distribuye ahora por el edificio Sabatini y por la ampliación de Jean Nouvel. En la segunda planta del primero se encuentran las vanguardias históricas hasta el final de los años treinta: fin de siglo, la España negra (Zuloaga, Gutiérrez Solana) frente a la España blanca (Torres García, Julio González), simbolismo, cubismo, realismo, el Guernica y su contexto, surrealismo y la generación del 27 (Dalí, Buñuel, Lorca). En la planta cuarta de Sabatini están los años cuarenta y cincuenta: "Es lo que pudo haber sido y no fue", explica Borja-Villel. "Fueron el triunfo de la modernidad en el mundo pero en España se paró tras el fracaso de la Guerra Civil. La vanguardia se cortó y esta época queda como una burbuja". Los años sesenta y setenta están en la planta uno de la ampliación, mientras que la cero acoge la creación artística desde la caída del muro de Berlín hasta la actualidad.

Juan Manuel Bonet, que dirigió el museo entre 2000 y 2004, ve luces y sombras en el nuevo montaje. "Me gusta el enganche con Goya. Me gusta el diálogo entre Novell y Medardo Rosso. Me gusta que se enseñe el Transiberiano, de Cendrars y Sonia Delaunay. Me gusta que aparezca en escena Loïe Fuller. Me gusta que vuelva a estar visible Un mundo, de Ángeles Santos, y cerca la cabecita de Rebull. Me parecen muy bien las salas en torno al Guernica. Estupendos también el espacio dedicado a la Escuela de Nueva York, y aquél donde coexisten Gego, Mira Schendel, Lygia Clark y Lygia Pape". En el reverso, Bonet cree que Gutiérrez Solana debería ocupar más sitio y le parece "inaudito" que se haya excluido La tertulia del Café Pombo. Pero Bonet tiene más reservas: "Se ensalza a gran número de nuestros conceptuales, incluidos algunos de quinta. La pintura última se reduce a unos pocos nombres, como si fuera un género en proceso de extinción. No hay cuadros internacionales más allá del de Richter: ni rastro de Katz, Ruscha, Federle o Kuitca. Ausencia de Gursky y demás fotógrafos alemanes. Todo ello coherente con el gusto conceptualista del director, gusto respetable como todos, pero que se nota en exceso, como se nota también en exceso en la programación temporal, escoradísima de ese lado". En el lado de los críticos se sitúa también el especialista en estética José Luis Brea, que considera que los cambios no son tan profundos: "Se trata de una reordenación de la presentación, es decir, de una operación de superficie y sobre lo meramente superficial".

Borja-Villel no está solo en su empeño de reescribir la historia del arte del siglo XX y aportar su grano a la del XXI. Apenas aterrizó Vicente Todolí en la Tate Modern en 2003, puso en marcha un montaje que agrupaba la colección de arte moderno y contemporáneo del museo londinense en torno a cuatro núcleos: Poesía y sueño (surrealismo), Estados de flujo (cubismo, futurismo y vorticismo), Gestos materiales (expresionismo abstracto e informalismo europeo) e Idea y objeto (minimalismo). "No podía ser una ordenación cronológica porque la Tate Modern no es enciclopédica. Engañaríamos al público. Además, hay que dar una visión alternativa, no dogmática u ortodoxa, de la historia del arte que no refleje planteamientos fosilizados. No hay una historia del arte: hay historias del arte", explica Todolí. La presentación del MoMA, asegura, no deja de ser un punto de vista: "Es una historia del arte que no se contemplaría igual desde Suecia o desde Brasil". Para Todolí, todo es susceptible de ser replanteado. Por eso estaba previsto este año estructurar la colección según otros cuatro criterios. Por falta de presupuesto sólo se ha podido sustituir un núcleo, Idea y objeto, por Energía y proceso, en torno al arte povera. Todolí tiene previsto reinstalar la totalidad de la colección en 2012. Un proceso que comenzará en 2011. ¿Cómo? "No partimos de un modelo abstracto. Vamos a la colección y a partir de ahí diseñaremos la estructura".

Pero incluso una institución enciclopédica como el Centro Pompidou se ha embarcado en mostrar otras lecturas del arte contemporáneo. La quinta planta del edificio diseñado por Richard Rogers y Renzo Piano sigue albergando las colecciones "históricas" con los grandes maestros de la primera mitad del siglo XX. Pero el cuarto piso de la institución que dirige Alfred Pacquement se dedica desde hace cuatro años a un montaje temático, como si de una exposición temporal se tratara, pero con la peculiaridad de que se hace siempre con obras de la colección permanente.

En 2005, con el título Big Bang, el centro mostró su visión sobre la destrucción en el arte contemporáneo. En 2006, con El movimiento de las imágenes, exploró la relación entre arte y cine. El año pasado, sin embargo, en lugar de un tema se optó por un criterio: recorrer la historia del arte moderno y contemporáneo con obras de mujeres artistas con el montaje elles@centreprompidou. "Normalmente cambiamos cada planta a los dos años", señala Camille Morineau, comisaria de esta presentación.

Mientras, el MoMA mantiene una impresionante sucesión de ismos que ha sido referencia de generaciones. Una visión "esquemática y simplista", opina Todolí, que puede ser rica si se posee una colección tan completa como la de este museo. "Pero es su canon, no el universal". Por si no hubiera quedado suficientemente claro.
Fuente El PAIS