jueves, 30 de octubre de 2008

Uma estrela portuguesa, com certeza


Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil - Maria de Medeiros realiza hoje o show de encerramento da 32ª Mostra, no Sesc Pinheiros. O show deve ocorrer após a cerimônia de entrega do troféu Bandeira Paulista, quando serão anunciados os vencedores nas categorias de ficção e documentário. A portuguesa Maria já venceu o prêmio da Mostra - a competição destina-se a diretores estreantes, até o segundo filme - com seu longa Capitães de Abril, que reconstitui o movimento de militares que levou ao fim da ditadura que dominava Portugal, nos anos 70. Os compositores que Maria canta hoje são aqueles que ela aprendeu a amar, porque também faziam música contra outra ditadura, a que governava o Brasil.

Maria ainda era adolescente quando aprendeu a buscar nas entrelinhas o significado profundo daquelas músicas. Seu primeiro CD, A Little More Blue, volta-se para canções nascidas num ambiente de repressão política e desejo de transformação. "Gosto de todos eles, mas Chico é muito especial. Acho que não existe no mundo outro compositor como ele, que fale com tanta propriedade, e na primeira pessoa, sobre os sentimentos das mulheres", ela diz. Há mais de ano que Maria percorre a Europa e a África com seu espetáculo que mapeia a música desses compositores. Tudo começou em Paris, com o show de lançamento do CD, no Teatro Bastilha. Maria cantou em português e recitou em francês, apresentando a obra desses artistas pelos quais tem imenso carinho e respeito. É importante contextualizar, ela explica, para que a platéia tenha um conhecimento mais profundo desses autores. Por mais que tente parecer isenta - "Como se pode escolher entre aqueles a quem se ama?" -, Chico lhe parece o mais intenso e visceral. Embora ele não goste de ser chamado de poeta, observa o repórter, Chico é, sim, um grande poeta. "Com certeza", concorda Maria de Medeiros.

Depois de Paris, o show excursionou por Portugal, pela Itália, pela Espanha e também por Moçambique e Angola, sempre com o mesmo formato bilíngüe - ela canta em português e recita na língua local, seja o italiano ou o espanhol, além do francês. O show que ela apresenta em São Paulo não é exatamente este que a tem mantido na estrada. "Fiz um espetáculo especial em homenagem à Mostra. Além da homenagem à música brasileira, canto também autores portugueses e Nino Rota." A duração aproximada do espetáculo é de 75 minutos e, do felliniano Rota - se poderia também dizer ?viscontiano?, pois Nino colaborou com os dois grandes diretores, Federico Fellini e Luchino Visconti -, ela apresenta as canções de O Poderoso Chefão (Il Padrino), A Doce Vida e Che Guocchi Ti Fa L?Amore, com versos de Lina Wertmüller. "A música de Nino Rota é puro encantamento para os sentidos", ela define.

Maria está em São Paulo desde o começo da Mostra, mas os integrantes de sua banda - um trio que inclui o percussionista brasileiro Edmundo Carneiro - chegaram à cidade na segunda-feira. Ontem, ensaiaram no Sesc Pinheiros e hoje ela ainda faz mais uma passagem de som. O que ela tem feito na cidade? "Tenho visto muitos filmes. Adoro esta Mostra, que proporciona uma oferta extraordinária. Acho que ela é integralmente dedicada aos cinéfilos, e eu sou uma." O que Maria viu na Mostra? "Vi mais filmes nos primeiros dias, agora estou voltada para o show", ela explicou na entrevista realizada na segunda-feira. Qual o filme, ou quais os filmes de que mais gostou? "Gostei muito do Ninho Vazio (filme argentino de Daniel Burman) e de Última Parada 174." O repórter provoca - o filme brasileiro, de Bruno Barreto, não teve críticas muito boas. Para alguns críticos, o filme aborda de forma superficial uma realidade complexa. "Jura que disseram isso? Pareceu-me bastante denso."

Até por conta do show, Maria de Medeiros não tem filmado tanto, ultimamente. "Tenho filmado menos ainda em Portugal, e não é porque assim queira. Ocorre que fazer filmes está muito difícil em Portugal, há um desconforto muito grande, o dinheiro é escasso e eu acho que os diretores ainda pensam que eu sou uma atriz cara, o que é um engano." O repórter quer saber se ela viu Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes, um de seus filmes preferidos na Mostra. "Não vi, mas estou muito curiosa." Sua meta atual é trabalhar com o cineasta franco-português Sérgio Tréfaut. "Ele fez um documentário muito interessante, Lisboetas. Portugal foi sempre um país de emigrantes, que enviou muita gente para o exterior, para o Brasil, por exemplo. Sérgio fez um filme sobre o movimento oposto. Nos últimos dez anos, recebemos um milhão de imigrantes, muitos russos e ucranianos, que se estabeleceram em Lisboa. Sérgio reflete sobre isso."

Ela tem filmado na Itália e, recentemente, no Brasil, com Luiz Villaça (O Contador de Histórias), projeto pelo qual tem muito carinho. O cinema italiano merece uma reflexão. "Sinto que existe um renascimento. Não faz muito tempo que o cinema da Itália parecia morto, mas nesta renovação que a gente tem sempre, quando as cinematografias reflorescem, chegou a vez da italiana." Ela acaba de filmar Il Compleanno com o diretor Marco Filiberti. "É um gajo muito talentoso." Ao contrário de anos anteriores, a Mostra de 2008 não tem nenhum filme de Manoel de Oliveira, mas o mestre centenário segue rijo e forte. "Manoel morreria se parasse de filmar. É a paixão do cinema, todos os filmes que ainda quer fazer, que o impulsiona." Mas, na despedida, ela corrige o repórter - "Tem, sim, o curta do Manoel com Leon (Cakoff), que inaugurou Veneza."

Fonte Estado de Sao Paulo

Ivan Lins e a Festa do Divino.

Festa do Divino
Comemoração tem sete séculos de existência
Divulgação/Setursp


A Festa do Divino é realizada sete semanas depois do Domingo de Páscoa, no dia de Pentecostes, para comemorar a descida do Espírito Santo sobre os doze apóstolos. Mas essa tradicional festa do folclore brasileiro é uma mistura de manifestações religiosas e profanas - isto é, sem caráter sagrado.


A História da Festa do Divino
A origem da Festa do Divino se encontra em Portugal do século 14, com uma celebração estabelecida pela rainha Isabel (1271-1336) por ocasião da construção da igreja do Espírito Santo, na cidade de Alenquer. A devoção se difundiu rapidamente e tornou-se uma das mais intensas e populares em Portugal.

Por isso, chegou ao Brasil com os primeiros povoadores. Há documentos que atestam a realização da festa do Divino em diversas localidades brasileiras desde os séculos 17 e 18.

É o caso de uma carta do capelão João de Morais Navarro a Rodrigues Cezar de Menezes, então governador da Capitania de São Paulo, datada de 19 de maio de 1723, que se iniciava com as seguintes palavras: "Indo ter à festa do Santíssimo Espírito Sancto a Vila de Jundiahy [...]" (em "Documentos Avulsos", publicação do Arquivo do Estado).


O Império do Divino
Originalmente, a Festa do Divino constituía-se do estabelecimento do Império do Divino, com palanques e coretos, onde se armava o assento do Imperador, uma criança ou adulto escolhido para presidir a festa, que gozava de poderes de rei. Tinha o direito, inclusive, de ordenar a libertação dos presos comuns, em certas localidades do Brasil e de Portugal.

Para arrecadar os recursos de organização da festa, fazia-se antecipadamente a Folia do Divino: grupos de cantadores visitavam as casas dos fiéis para pedir donativos e todo tipo de auxílio. Levavam com eles a Bandeira do Divino, ilustrada pela Pomba que simboliza o Espírito Santo e recebida com grande devoção em toda a parte. Essas Folias percorriam grandes regiões, se estendendo por semanas ou meses inteiros.

Para se ter uma idéia do prestígio da Festa do Divino no século 19, o folclorista Câmara Cascudo lembra que o título de "imperador do Brasil" foi escolhido em 1822, pelo ministro José Bonifácio, porque o povo estava mais habituado com o título de imperador (do Divino) do que com o nome de rei.

Saúde a Ivan Lins!




O cantor Ivan Lins, 61, foi internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, devido a fortes dores provocadas por hérnia de disco.

Lins suspendeu dois shows no Sesc Ginástico, no Rio, que deveriam ocorrer ontem e hoje. A apresentação de terça-feira foi remarcada para o dia 27 de novembro e a de hoje foi transferida para 3 de dezembro.


Amanhã Lins se submete a uma avaliação para saber sobre quando ocorrerá sua alta. O empresário disse que, a princípio, a expectativa é a de que Lins possa voltar a casa no próximo sábado (1º) ou no domingo (2).

A avaliação vai também decidir se o cantor poderá participar do Festival de Madri, no qual deve se apresentar na próxima terça-feira (4). A viagem de Lins está marcada para o domingo.
Fonte FSP

"Llevo toda la vida buscando algo que no se ve"


"Llevo toda la vida buscando algo que no se ve"
ALICIA RIVERA - Madrid -


Blas Cabrera, físico, dice que lleva toda su vida buscando algo que no se ve, que es dificilísimo detectar, pero que puede, o debe, existir en el cosmos. Su objetivo esencial es la materia oscura del universo, ese algo que se sabe que existe, que se aprecia por sus efectos, pero que nadie ha encontrado. Nacido en Francia, de origen español, es nieto de físico (Blas Cabrera) e hijo del también físico Nicolás Cabrera, que salió de España en la Guerra Civil y que sólo regresó en 1969, con la ilusión de aupar la física española desde su prestigio en el exilio. "Es muy bonito ver los resultados de algo que empezó mi padre, el Departamento de Física de la Universidad Autónoma de Madrid (UAM)", dice Cabrera nieto, de 62 años, quien ha desarrollado toda su carrera científica en EE UU. Él es profesor de la Universidad de Stanford y dirige un equipo que colabora en el detector subterráneo llamado Cryogenic Dark Matter Search (Búsqueda criogénica de materia oscura), situado en una mina en Minnesota, con el que intentan descubrir unas partículas elementales nuevas, denominadas wimps, que podrían constituir esa materia oscura.

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"Lo que descubre la ciencia se refleja en la tecnología cinco o diez años después"

"Nosotros estamos aquí porque existe la materia oscura del universo"

"Mi padre me decía que la biología iba a ser más interesante que la física"
Cabrera vino a España recientemente, a la Escuela Internacional Nicolás Cabrera, organizada por el Instituto Universitario de Ciencia de Materiales de la UAM con la colaboración de la Fundación BBVA. En esta XV edición ha estado dedicada a Un siglo del helio líquido: nueva física al borde del cero absoluto.

Pregunta. ¿Cómo explicaría de un modo sencillo por qué es importante y merece la pena buscar unas partículas elementales, los wimps, que no intervienen en nuestro mundo?

Respuesta. Lo más importante es que la materia oscura fue el origen de la estructura del universo, de las galaxias y las colecciones de galaxias... Nosotros estamos aquí porque existe esa materia oscura y queremos saber cómo es. Hay mucha más materia oscura que átomos, unas seis o siete veces más.

P. ¿Esa materia oscura está aquí, en nuestro mundo o sólo ahí fuera, en el espacio?

R. Está aquí también. En la teoría más extendida de wimps, hay tres partículas de ésas por litro de materia normal.

P. ¿Por qué es tan difícil detectarla?

R. Porque esas partículas sólo tienen interacciones débiles con la materia normal. Son como los neutrinos, que pueden atravesar el Sol o la Tierra sin casi interactuar con otras partículas. Los wimps las del mismo tipo, pero con una masa mucho mayor.

P. Y ustedes las buscan con un detector subterráneo.

R. Sí. Hay satélites y telescopios buscando, pero nosotros trabajamos bajo tierra. El detector, en el que participan 14 instituciones, está a 800 metros de profundidad en una mina de Minnesota [para proteger los sensores de los rayos cósmicos naturales que enmascararían los resultados]. Ahora planeamos hacer el experimento aumentando el tamaño de los detectores y a tres veces más profundidad. Se trata de medir la transferencia de energía que produciría una interacción de un wimp con la materia del detector. Esto nos podría dar información sobre la masa de esas partículas.

P. ¿Han detectado alguna?

R. Todavía no.

P. ¿Cómo es el detector de Minnesota?

R. Está formado por cristales de germanio y funciona a baja temperatura, cerca del cero absoluto [273 grados bajo cero]. Es como cuando tiras una piedrecita a un lago y lo que quieres ver son las ondas que se forman, pero cuando hay viento el agua se agita y es mucho más difícil verlas. El calor es para nuestro experimento como agitación del agua en un día de mucho viento, mientras que a 0,1 grados sobre el cero absoluto se evita.

P. El congreso de la Escuela Internacional Nicolás Cabrera se ha dedicado este año a la ciencia al borde del cero absoluto.

R. Sí, es muy interesante. En 1908 se logró el helio líquido y eso abrió una puerta a muchas cosas que entonces no se imaginaban, como la superconductividad, la superfluidez, cuestiones de física cuántica o nuevos estados de la materia.

P. Usted busca cosas extrañas, como el famoso monopolo de Blas Cabrera, en 1982.

R. Fue una época muy interesante. El físico teórico Sheldon Glashow planteó, en 1979, que la materia oscura del universo podría estar formada por los llamados monopolos. Con técnicas de temperaturas ultrabajas se podrían buscar esas partículas. Hice el experimento, y en 1982 obtuvimos unos resultados muy interesantes. Hubo mucho alboroto, pero luego no se confirmaron los datos; seguimos trabajando 10 años más con detectores cada vez más sensibles, pero no vimos nada. Llevo toda la vida buscando algo que no se ve.

P. ¿El hecho de ser hijo y nieto de físicos condiciona?

R. Mi padre siempre me decía que no debía dedicarme a la física, que iba a ser más interesante la biología. Pero yo recuerdo que de pequeño, en las fiestas familiares y con amigos, me llamaba la atención el entusiasmo de mi padre y otros físicos por lo que hacían. Era un entusiasmo que yo no veía en casa de mis amigos. Recuerdo a un colega de mi padre que tenía mucha paciencia explicándome cosas y yo me pasaba horas preguntando cómo funciona esto y lo otro... Por eso me interesó la física, por su poder para analizar y entender cómo funcionan las cosas.

P. ¿Aprecia diferencias entre EE UU y Europa en la forma de llevar la ciencia?

R. En Estados Unidos, después de 1990, cuando se deshizo la Unión Soviética, cambió el modelo de apoyar la investigación fundamental, que había sido estratégica hasta entonces. Yo esperaba que se implantase un modelo como el alemán o el japonés, donde la ciencia básica se considera fundamento de la economía. Y un poco es así, pero en realidad el Congreso de EE UU no tiene una idea clara y cada año ha habido un poco menos de dinero. Al cabo de dos décadas, esto, más el gasto muy grande de la guerra, ha provocado una auténtica decadencia de la financiación de la ciencia en EE UU.

P. Y esto repercutirá en la economía.

R. Hay una conexión estrecha entre las tecnologías y la economía de cinco años después. Lo que descubre la ciencia muchas veces se refleja en la tecnología, así que el apoyo a la investigación fundamental es importante para garantizar que habrá tecnologías nuevas dentro de 5 o 10 años.
Fonte El Mundo

Descenso al infierno de Leningrado

Descenso al infierno de Leningrado
El historiador británico Michael Jones aporta datos sobre el brutal asedio nazi - El canibalismo alcanzó entre la población cotas hasta ahora insospechadas
JACINTO ANTÓN - Barcelona -



Valentina Rothmann, de 12 años, descubrió horrorizada que a muchos de los cadáveres que acarreaba les habían cortado las nalgas. Eso no fue nada comparado con la experiencia de otra joven, Vera Rogova, a la que persiguió un caníbal con ojos extraviados de hambre y un hacha. Maria Ivanovna se sorprendió al ver que, en medio de la carestía, unos inquilinos cocinaban carne; le dijeron que era cordero pero al levantar la tapa de la olla entre el caldo asomó una mano humana.



En enero de 1942 distritos enteros fueron invadidos por antropófagos

Los alemanes querían exterminar a la población con el arma del hambre
Parecen cuentos de terror. Sin embargo, son experiencias reales vividas durante el sitio de Leningrado, conocido como el de los 900 días (en puridad 872), uno de los peores asedios que recuerda la historia y en el que el frío -hasta 40 grados bajo cero- y el hambre se sumaron a la guerra y la oscuridad para configurar un cuadro de penalidad y espanto apocalíptico. Nadie sabe cuánta gente murió. Las autoridades reconocieron más de 600.000 ciudadanos muertos, pero otras cifras superan 1.200.000. En un libro recién aparecido que constituye un verdadero descenso a los infiernos (El sitio de Leningrado, 1941-1944, Crítica), aunque también un asombroso testimonio de la capacidad de supervivencia del ser humano y un conmovedor canto a la esperanza, el historiador británico Michael Jones, de la Universidad de Bristol, revive extraordinariamente aquel asedio -en buena parte a través del relato directo de los supervivientes y sus diarios- y ofrece datos nuevos que revelan toda la crudeza de un episodio de la II Guerra Mundial que fue manipulado por la historia oficial soviética y que desde hace tiempo sufría el olvido historiográfico.

Jones ha revisado al alza, por ejemplo, la escala en que se practicó el canibalismo. "La Unión Soviética suprimió deliberadamente toda la información sobre el particular. Archivos de la policía secreta que han salido recientemente a la luz muestran que más de 1.400 personas fueron arrestadas acusadas de canibalismo y más de 300 ejecutadas", explicó Jones a este diario. "Las cifras reales son sin duda mucho más altas. Durante el peor periodo del asedio, a finales de enero del 42 y principios de febrero, distritos enteros de Leningrado fueron invadidos por caníbales". El autor señala que había bandas organizadas, que un grupo de 20 caníbales se dedicaba a interceptar a los correos militares (para comérselos) y que en un lugar de la calle de Zelenaya donde se vendían patatas se pedía al comprador que mirara donde se guardaban y cuando éste se agachaba le golpeaban con el hacha en la nuca: una escena macabra que combina a Raskolnikov con Hannibal Lecter. La NKVD advirtió de que en los mercados se vendía carne humana. "Cruzar la ciudad era peligroso, y costaba confiar en los demás", recordaba una superviviente, que señalaba que se veían cadáveres mutilados por todas partes. A las mujeres les cortaban especialmente los pechos.

La extensión del canibalismo da la medida de la desesperación que provocó la carestía de alimentos. La gente se desmoronaba de hambre. La vida se redujo a tratar de encontrar comida. "El horror de lo que se vivió en Leningrado es casi inimaginable", dice Jones. La gente comía hierba, cola de carpintero, hervía el papel de las paredes, los cinturones de cuero, ¡los libros...! La "cocina de asedio" reveló una imaginación que ríete tú de El Bulli. "Se cambia gato por pegamento", rezaba un cartel. Llegó un momento en que morían 3.000 personas al día de inanición, luego 15.000, 25.000... Nadie tenía fuerzas para enterrarlos. Una madre sólo pudo arrastrar a su hijo muerto hasta el alféizar y allí lo dejó. Faltaba tanta gente que una obra de teatro sobre los tres mosqueteros se montó sólo con dos, y no es broma. Hubo epidemias de disentería, de tifus.

Los alemanes, y ésta es otra de las aportaciones de Jones, no querían meramente tomar la ciudad -Petersburgo, como la llamaba Hitler-. "El objetivo de los nazis era sellar la ciudad y matar de inanición a toda la población civil, dos millones y medio de personas. Incluidos medio millón de niños", recalca el historiador. "Esta decisión estaba motivada por el odio ideológico y racial. Y a ella se aplicaron con rigor casi científico. Los alemanes no hubieran aceptado ni siquiera la rendición incondicional de Leningrado".

El libro analiza meticulosamente la vertiente militar del asedio -la llegada de los ejércitos alemanes con la punta de lanza de los panzer de Manstein; la incompetencia criminal de los mandos soviéticos hasta el nombramiento de Govorov, el héroe de la ciudad sitiada; los intentos desesperados de romper el cerco; la lucha en la cabeza de puente Nevsky, en las orillas del Neva, donde cientos de miles de soldados rusos murieron peleando y donde aún hoy, apunta Jones, afloran sus restos-. Pero es mucho más que un libro de guerra.

"A diferencia de Stalingrado, batalla en toda regla, Leningrado, asedio estático, es en su corazón una tragedia sobre civiles, en buena parte mujeres y niños", recuerda el historiador. "Y por eso la historia resulta a menudo insoportablemente dolorosa. Escenas como la de los bracitos desmembrados colgando de los cables telegráficos cuando los cazas alemanes ametrallaron despiadadamente el convoy de niños evacuados... Es más que un estudio de guerra, es una narración de sadismo, de deliberada crueldad a escala de masas, y eso lo hace muy duro".

La gente sacó su lado peor, pero también el mejor. Pasaron cosas extraordinarias: se interpretó durante el asedio, tras lanzar la partitura desde un avión, la Séptima sinfonía de Shostakóvich, que había empezado a componerla en la ciudad antes de que lo evacuaran. Los músicos apenas podían tocar, por la debilidad, pero lograron unir a los ciudadanos en una retransmisión épica, de desafío a los nazis y al destino.

El espíritu indómito y la voluntad de seguir siendo humanos de los ciudadanos de Leningrado resultan, dice Jones, profundamente conmovedores. "La supervivencia del amor, del sacrificio y el altruismo en esas condiciones de horror es un hecho asombroso. La bondad, como el espanto y la abyección, también prosperó".

Otra evidencia nueva es que Stalin desconfiaba profundamente de la ciudad, por la tradición librepensadora de Leningrado y su independencia intelectual. Durante el asedio, la población tuvo que sufrir también un incremento de la represión.

Cómo pudo aguantar la gente todo aquello es un misterio. "Subestimaron nuestra voraz hambre de vivir", escribió una superviviente. "En circunstancias desesperadas, algunos degeneraron", observa Jones, "pero otros encontraron la fuerza para alzarse e incluso ayudar a sus semejantes. Ése es el mensaje de esperanza de Leningrado".
Fonte El Pais

Adiós al intermediario

Libros sin editorial, música sin discográficas, pinturas sin galeristas - El autor busca ahora (y empieza a lograr) el acceso directo al público
JAVIER MARTÍN



A Joaquín Sabina seguro que le preocupa lo mismo que a Federico Aparici: ganar lo máximo con lo que produce. Uno cría canciones; el otro, naranjas; pero los dos reciben las migajas de lo que paga el consumidor. El resto se va aguando en la cadena de intermediarios.


Lo que desde siempre sufre el agricultor con sus tomates y sus cebollas también lo padece el productor de bienes culturales. Naranjaslola.com, Telechirimoya o Campodeelche han modificado la cadena agrícola. El mundo de la cultura y el espectáculo comienza a despertar.

Radiohead publicó su séptimo álbum, In rainbows, el 10 de octubre. Sin discográfica que les atara, el famoso grupo británico colocó el disco en Internet. Sus fans lo compran al precio que estiman oportuno. En una semana se han descargado tres millones de copias, un éxito popular y, probablemente, un fracaso económico.

Shane Richmond, analista del diario británico The Telegraph, escribió sobre el fenómeno: "Las discográficas hicieron enormes beneficios sobrecargando el precio que pagaba el consumidor, y malpagando a los artistas. Ahora las discográficas no añaden nada a la cadena de valor de la música grabada. De hecho, actúan como una barrera entre los músicos y sus fans. Es la hora de salirse de ese sistema. Radiohead nos ha enseñado cómo".

Antes del último bis, los fans de 08001 tienen en la salida el disco calentito con la actuación. "El merchandising directo es lo que nos deja más margen porque nos saltamos intermediarios", explica Julián Urigoitia, líder de 08001. El grupo tiene su propia discográfica, Working Progress, en un intento de saltarse procesos. "Intermediarios siempre hay. Nada más fabricar el disco ya pagas a las SGAE, da igual que luego lo regales; tú pagas a las SGAE". 08001 no renuncia a ninguna forma de distribución: la tienda, las descargas desde su página o desde iTunes.

El ideal Yo me lo guiso, yo me lo como, lo practica Pere Meroño. "Fui a 10 editoriales y todas rechazaron mi libro. Entré en Lulu.com y me lo autoedité. El 80% del precio me lo llevo yo, el 20%, Lulu. Un trato justo".

Este funcionario rastreó la vida de Rosario Endrinal, la mendiga asesinada por chicos bien en un cajero de Barcelona, y escribió una biografía de la víctima, El crimen del cajero automático. Meroño ha valorado su libro de papel en 9,99 euros; el libro de bites, gratis. "Las compras apenas superan varias docenas", reconoce, "pero yo lo cuento todo junto, ventas y descargas gratuitas, porque lo que quiero son lectores".

"Ciertamente hay miles de personas que se autoeditan en la Red, y muchos más que saldrán, pero luego es necesaria la promoción", explica Blanca Rosa Roca, editora de Tigre Blanco, último premio Booker. "¿Quién traduce? ¿Quién apuesta por un nuevo autor? No creo que vayamos a desaparecer".

El experimento de Meroño -saltarse intermediarios- lo puso en marcha Stephen King en el año 2000. Con el cambio del milenio, el escritor aterrorizó a la industria editorial vendiendo en Internet su novela The Plant, a un euro por capítulo, con carácter voluntario. Si pagaba el 75% de los lectores, escribiría el siguiente, y así hasta el final. King no llegó al segundo capítulo. Según The New York Times hubo 120.000 descargas del primer capítulo, y un 46% de pagos.

El fracaso de King o el voluntarismo de Meroño no ocultan dos hechos trascendentales en la nueva cadena de valor del libro. La mayor editora del mundo no se llama Mondadori, sino Lulu.com (en lo que va de año ha editado 281.416 libros, 9.325 en España); la mayor librería del mundo no es Fnac, sino Amazon.com (con 250.000 títulos); y la mayor distribuidora del mundo también será alguna de Internet. "Ahí sí que tendremos que hacer algo conjunto las editoriales españolas", dice Roca. "Un Amazon para la lengua española, alguien que te mande el libro a casa o donde te lo descargues en tu pantalla electrónica".

Dentro de una década, los ingresos por ventas de libros electrónicos superarán a los de papel, según el 40% de los editores encuestados en la feria de Francfort; algo que sólo piensa el 16% de editores españoles, según el estudio Digitalización del libro en España, realizado en octubre por Dosdoce.com y Ediciona. Librerías (49%) y distribuidores (30%) serán los más perjudicados. "Todas las empresas que tengan como base la gestión de contenidos y su comercialización a través de intermediarios sufrirán una transformación de su modelo de negocio", vaticina Dosdoce.

El arranque de Radiohead o de Meroño para saltarse barreras, lo tuvo hace unos meses el escultor Damien Hirst. Pasó, según explicó, de sus galeristas, y subastó obra en Sotheby's. "Acepto el desafío de vender así mi obra. El mundo está cambiando, y quiero saber adónde conduce este camino", dijo Hirst. Recaudó 140 millones de euros por 223 de sus ocurrencias. Por primera vez un afamado artista ofrecía obra reciente sin mediación del marchante.

"El rol del galerista no queda anulado por hechos como el de Hirst", dice Carlos Durán, presidente de los galeristas de Barcelona y propietario de la sala Senda. "El artista necesita al galerista para la difusión de su obra, para su validación; necesita el trato personal, el ascendente, su cartera de clientes. El galerista no es sólo un exhibidor, también tiene un factor muy importante de representante".

Rosina Gómez-Baeza, directora del Centro de Arte Laboral de Gijón, no cree en la eliminación de ninguno de los eslabones de la cadena comercial del arte. "Más bien se complementan. Las subastas van bien para obras concretas y para determinar el valor de una obra o del artista. La galería tiene una función fundamental de promoción y descubrimiento de nuevos valores".

Iban Navarro cuelga sus cuadros en Artelista.com. "No le dije a mi marchante que lo había hecho, pero cuando se enteró tampoco se molestó mucho. Vendo más en galería; Internet es mejor para contactos. Me ha salido un marchante en Miami y ofrecimientos de varias galerías para exponer".

Artelista, a diferencia de portales como ArteLibre o PicassoMio, no es un almacén de obra, sino un lugar de contactos entre la oferta y la demanda. "El proceso de venta se hace fuera de la página, al margen nuestro", explica su director Óscar Ribas. En Artelista se exponen 311.000 obras de casi 50.000 artistas. Gracias a su intermediación, desde que abrió Artelista en 2004 se han vendido 32.454 obras, la mayoría en torno a los 300 euros.

"No cobramos a ningún particular. En el futuro abriremos un espacio para que expongan las galerías, que serán las que paguen por estar aquí. Es un modelo de negocio tipo freemium, unos pocos pagan por el resto".

Desde hace ocho años Iban Navarro vive de su pintura. "No hay mejor herramienta de contacto para un artista que Internet. También las ganancias son mayores en Internet. Aparte del envío del cuadro, el resto de la venta es limpio. En las galerías se quedan entre el 25% y el 35%, aparte de los gastos de promoción".

El cine más próximo a tu casa se llama YouTube. Entre miles de películas ahora proyecta la penúltima de Wayne Wang, La princesa de Nebraska. En las salas españolas recogió excelentes críticas y 3.000 espectadores. Por YouTube han pasado 165.000; gratis, eso sí.

"Internet es la ventana del cine independiente", dice el realizador Nacho Vigalondo. "Es impensable acceder a televisión y a otros medios con continuidad y constancia. Cada vez hay más dinero para unas pocas películas y menos para el resto".

Diez productores, distribuidoras y exhibidoras españolas se lo han visto venir y se han unido para montar su propia sala en Internet, Filmin.es. Ahí se estrenó, a la vez que en la calle, Un tiro en la cabeza, de Jaime Rosales. "Nuestra intención no es competir con los cines", explica Jaume Ripoll, portavoz de Filmin, "sino seguir la vida natural de la película: la sala de cine, luego el DVD y ahora Internet".

No habrá leyes ni fronteras que paren a Internet. Como dice Vigalondo, "Internet no es una opción; es una necesidad". Los naranjeros Aparici lo entendieron hace 10 años. "Gracias a Internet ahora nos queda libre el 20% del precio final".
Fonte El Pais

miércoles, 29 de octubre de 2008

Minha Homenagem a Noga, grande amiga, sempre!

Veinte años no es nada.....

Florbela Espanca

"Mora me um Poeta
que tento esconder,
A ver
Se poderei ser
Como toda a gente"

martes, 28 de octubre de 2008

MA-RA-VI-LHA!




Vai passar
(1984)

Música e letra: Francis Hime e Chico Buarque


Vai passar nessa avenida um samba po.....pu......lar
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear

Ai que vida boa, o lelê, ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, o lelê, ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar

Vai passar nessa avenida um samba po.....pu......lar
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear

Ai que vida boa, o lelê, ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, o lelê, ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar

Vai passar nessa avenida um samba po.....pu......lar
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear

Ai que vida boa, o lelê, ai que vida boa, o lalá
O estandarte do sanatório geral vai passar




Música: Vai Passar
Autoria: Música e letra: Francis Hime e Chico Buarque

PS:HOMENAGEM A GK

lunes, 27 de octubre de 2008

Agustín Díaz Yanes:"México me ha dado libertad"


"México me ha dado libertad"
ROCÍO GARCÍA - Madrid


Mujeres bravas, que esconden su miedo, que se crecen en las adversidades. Vengadoras a sangre y fuego en un mundo de gánsteres y matones mexicanos. Féminas que pelean con los puños, que empuñan pistolas para matar. No son heroínas, son mujeres de carne y hueso que en los momentos de crisis descubren su fuerza y valor, sin estridencias, de manera constante y pensativa, que responden a la brutalidad con la brutalidad, que se rebelan contra el destino que les quieren imponer. Así son las protagonistas de Sólo quiero caminar, la cuarta película de Agustín Díaz Yanes (Madrid, 1950), que se estrena el próximo viernes.



"La actual es la mejor generación de actrices de nuestra historia"

"La violencia en la pantalla, para bien o para mal, tiene que ser explícita"

"Si hay algún homenaje es a Victoria Abril, mi madrina en el cine"
Protagonizada por las actrices españolas Victoria Abril, Pilar López de Ayala, Ariadna Gil y Elena Anaya y los mexicanos Diego Luna y José María Yazpik, Sólo quiero caminar es una historia realista, de violencia y acción, rodada en México y Cádiz. El filme narra la vida de cuatro mujeres, cuatro supervivientes unidas por la mala suerte, la pobreza y el miedo, que se dedican a sobrevivir a base de pequeños atracos. Una de ellas, Ana, ejerciendo la prostitución, conoce en España a un rico y poderoso gánster mexicano. Se casará en México, un país donde sólo encuentra dolor. Sus tres amigas viajan a México para urdir una venganza cruel.

"En España hay una generación de actrices que es probablemente la mejor de la historia de nuestro cine. Ésta es una de las razones por las que pensé, ya durante el rodaje de Alatriste, en hacer una película de mujeres atracadoras. La otra, probablemente más importante, es que en el cine español este tipo de papeles no son frecuentes. Hemos visto mil veces a hombres atracadores, pero nunca a mujeres. Para mí, es mejor ver a ellas con un rifle en la mano que a ellos, porque te sorprende", asegura Díaz Yanes, que con Sólo quiero caminar ha cumplido alguno de sus sueños: rodar en México, hacer un filme con canciones, tener a Paco de Lucía y trabajar con Javier Limón, "el productor y músico más vanguardista de España".

México dio un vuelco a la historia. "Hacer la película en España era complicado porque, aunque es verdad que hay mafias en todo el mundo, nuestro país, afortunadamente, no es violento en sí mismo. Hay incidentes, es verdad, pero nadie viene a Madrid pensando que es una ciudad violenta, aunque luego te roben el bolso en el Museo del Prado. No tenía muy claro dónde rodar, hasta que José Manuel Lorenzo [productor del filme] apuntó la idea de México. Fue entonces cuando la película creció".

En México DF, donde rodó durante dos meses, encontró el director la joya de las joyas para esta historia de matones, narcotraficantes y violencia. "Veinticinco millones de habitantes, un plató bestial, donde tú pones la cámara y lo encuentras todo. Hay violencia extrema, violencia media, también pequeña, lujo, pobreza, físicos absolutamente diferentes en cada barrio", explica Díaz Yanes, que ha trabajado con un equipo compuesto en su mayoría por profesionales mexicanos. Y de su voz, reposada pero ronca de puro tabaco, sólo salen alabanzas. "Me he encontrado con una gente trabajadora, inteligente y cosmopolita. He dirigido en otra dimensión, con personas entusiastas que aman el cine y que lo que quieren es hacer cine de verdad".

En total han sido 90 localizaciones en México DF, una ciudad que ha conservado mucha arquitectura y muy colosal. El peligroso barrio de Tepito -el gran mercado de la droga y de objetos robados-, las colonias Obrero y Doctores, la avenida Reforma, grandes edificios sociales muy emblemáticos. Ha indagado también, con la ayuda de Diego Luna y el coproductor mexicano Pablo Cruz, que le hicieron un estudio de más de 100 páginas de cómo era la delincuencia mexicana, en cómo se mueven, en cómo lavan el dinero, en cómo tratan los negocios, en cómo es el tráfico en las aduanas. Todo ello para crear esa atmósfera densa y peligrosa que precisaba el largometraje. "Cada película te da una cosa nueva, y a mí ésta me ha dado mucha libertad. En México he encontrado una libertad mental para rodar que no había conocido en España".

Sabe Díaz Yanes que ha hecho una película violenta, como no podía ser de otra manera tratándose de una historia en torno al crimen organizado. "La realidad es mucho peor", apunta el realizador, que añade que "los grandes géneros del cine siempre han sido violentos". "Ahora, para bien o para mal, la violencia en el cine tiene que ser explícita, porque si no el espectador no se lo cree, pero siempre con la idea de que estamos haciendo cine y no un documental. No estoy especialmente preocupado por ello, porque el espectador está suficientemente preparado como para saber que lo que está viendo es una película. A mí me gustan los filmes violentos, encuentro en ellos adrenalina y emoción. Yo no comparto esa especie de tontería que se ha instalado en algunos ambientes que abogan porque el cine es sociología. No, el cine es espectáculo y como tal espectáculo tiene unas reglas, igual que las tienen los toros o el fútbol. El ejemplo más básico y clásico es El Padrino [el filme de Francis Ford Coppola], unos gánsteres italoamericanos brutales que matan a su propio hermano y que no por ello te dejan de interesar. O Shakespeare, que fue el más violento de todos".

Del reparto habla maravillas. De los actores mexicanos no tiene más que palabras de admiración. "Diego Luna es un actor superdotado, generoso e inteligente. Chema Yazpik es la bomba". De las actrices para qué hablar. Después de trabajar con todas ellas, ha ido en su busca de nuevo, escribiendo los papeles expresamente para cada una. A Victoria Abril -"mi madrina en el cine"-, le ha dado un regalo. Su personaje, Gloria Duque, es el mismo, pero con 15 años más, que realizó en su primer filme, Nadie hablará de nosotras cuando hayamos muerto. No hay melancolía en este recuerdo. "Yo no soy nada de melancolías, y Victoria menos. Yo no me veo dándome homenajes a mí mismo. Si hay algún homenaje es a Victoria porque yo estoy en el cine gracias a ella".

Fonte: El País

PS: Encontrei finalmente um par na vida. Viva Mèxico!

domingo, 26 de octubre de 2008

Os Argonautas

Viver é perigoso...(Guimaraes Rosa)


O Opiário (Alvaro de Campos)

Ó sino da minha Aldeia.

Sensacionismo....

Outro Poema (Alvaro de Campos)

O Presidente mais poderoso

El presidente más poderoso
LLUÍS BASSETS



La barrera de la incredulidad sólo quedará abolida por las urnas. Es difícil para muchos, empezando por los propios norteamericanos, hacerse a la idea de que un país tan conservador va a elegir, por primera vez en su historia, a alguien perteneciente a su minoría a la vez más característica y más conflictiva. Y que lo hará frente a un candidato como John McCain, dotado de todas las características que han hecho triunfar a muchos norteamericanos: la rebeldía del maverick, el ganadero prototípico que no quiere marcar sus reses y mezclarlas con el rebaño; la valentía de un prisionero y héroe de guerra; la fiabilidad y el pedigree de quien pertenece a la aristocracia del dinero y de la milicia que han hecho grande a este país en el siglo XX. Pero esto es lo que va a suceder dentro de ocho días si no cambia el curso que llevan las cosas a lo largo de esta prolongada campaña. El debate ahora, en realidad, no es tanto sobre quién va a ganar, sino la dimensión de la victoria y los márgenes con que contará el nuevo presidente para dar un golpe de timón después de esos ocho años tirados al vertedero de la historia.

Evitar el exceso de poder que acumularía Obama es el último argumento de la campaña de McCain
Una de las mayores paradojas de la etapa que ahora se cierra es que los estrategas que intentaron dirigirla quisieron convertirla en una especie de presidencia imperial, en la que los poderes del titular de la Casa Blanca se impusieran de forma definitiva sobre el legislativo y el judicial, hasta situarse incluso por encima de la propia Constitución. Dick Cheney, el ahora silencioso vicepresidente, ha sido el apóstol más ferviente de este proyecto, que ha afectado a las libertades ciudadanas, ha sido calificado por sus críticos como de dictatorial y ha producido muy serios desperfectos en la imagen y en la influencia de Estados Unidos en el mundo. No les faltaron a estos estrategas el apoyo intelectual de destacados juristas, partidarios de la interpretación llamada originalista de la Constitución americana, que proporciona al presidente salido de las urnas poderes y privilegios casi absolutos, en buena parte análogos a los que tenía el monarca británico, mediante una interpretación literal y sin márgenes de adaptación a los tiempos del texto constitucional.

La cosecha de esta siembra neoconservadora terminará propiamente el martes 4 de noviembre, cuando los esfuerzos sean recompensados con resultados diametralmente opuestos a los buscados, incluidos la división y el declive dramáticos del Partido Republicano. Pero ahora mismo los neocons han obtenido ya un anticipo de estos frutos amargos salidos de su siembra: George W. Bush, el presidente que accedió a que se aplicaran en su mandato estas viejas ideas de marchamo absolutista, se ha convertido en su etapa final en el presidente más desprestigiado de la historia y el más debilitado como figura de Gobierno. La culminación de su desprestigio se ha producido con la crisis financiera y sus reiteradas e inútiles intervenciones para insuflar confianza en los mercados.

Sólo faltaban las palabras de arrepentimiento de Alan Greenspan acerca de sus errores de apreciación sobre la desregulación financiera como guinda a esta trayectoria de fracaso y como legado tóxico para el candidato republicano John McCain. Son muchos quienes empiezan a calibrar si las turbulencias bursátiles no encontrarán un punto de inflexión en la fecha del 4 de noviembre, cuando por fin se sabrá quién va a mandar en el país más poderoso del planeta después de una etapa de desgobierno.

Así es como después del fracaso de la presidencia imperial, las urnas del 4 de noviembre pueden ofrecer una presidencia poderosa. No lo será si es McCain, secuestrado por el radicalismo neocon, con un partido republicano dividido y cansado y destinado a gobernar sin mayoría en el Congreso. Si vence Obama, en cambio, es altamente probable la renovación de la mayoría demócrata en las dos cámaras; y lo es incluso que sea cualificada en el Senado (60 senadores, es decir, tres quintas partes de la cámara) de forma que la oposición pierda el arma del filibusterismo, un mecanismo legal que permite prolongar un debate cuanto tiempo se desee con el fin de obstaculizar la aprobación de leyes o de nombramientos por parte del presidente. Obama contará, además, con un amplio capital de simpatía y de prestigio, dentro y fuera de Estados Unidos. Dispondrá además de una coalición electoral sólidamente anclada en un Partido Demócrata con las distintas tendencias soldadas después de esta campaña y ampliada a los votantes independientes y a los nuevos republicanos de Obama, figura simétrica de los demócratas que en su día abandonaron a los candidatos de su partido y apoyaron a Reagan. Los intentos de dividir al bando progresista, azuzando el resentimiento de los partidarios de Bill y Hillary Clinton, se pueden dar por definitivamente fracasados. El voto de las mujeres que combatieron por la emancipación femenina o el de los trabajadores blancos no seguirán definitivamente los señuelos lanzados por el candidato republicano, se llame Sarah Palin la candidata a la vicepresidencia, ahora totalmente desprestigiada, o Joe el Fontanero, el ciudadano de Ohio que McCain convirtió en símbolo de su política fiscal y cuya autenticidad también fue objeto de escrutinio y chanza.

La perspectiva de que Obama se convierta en un presidente fuerte y poderoso se ha convertido así en el actual argumento en el tramo final de campaña. Evitar que los demócratas acumulen tanto poder -la presidencia, las dos cámaras, el Supremo en el momento en que se produzcan renovaciones- es ahora el argumento último y desesperado para intentar una mayoría republicana que ahora se antoja imposible.
Fonte El Pais