sábado, 12 de marzo de 2011

A FLOR E O ESPINHO



A Flor E O Espinho

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor.

Eu só errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua.

É no espelho que eu vejo a minha mágoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor.

mulheres de província

«Gosto das mulheres de província, / que vão ao café, e olham para o fumo / do cigarro, quando estão sozinhas. / Vejo os seus rostos no espelho / da memória, e limpo / o vidro para os ver melhor. / Descubro os olhos que o tempo / protege, e as mãos que agarram / o tampo da mesa como se fugisse».
(Nuno Júdice)

Paul Ricoeur

Me parece que Ricoeur, nos muestra el trayecto que realiza la obra narrativa. Además, es esencial percibir la relación que manifiesta entre vida y literatura puesto que señala que “la narración en cuanto construcción de la trama (la historia que se cuenta) es mimesis de las acciones humanas (…) puesto que la narración se origina en la vida y vuelve a ella
Tirado daqui

O que se conta e COMO se conta...

Vidas adultas en el cine
ANTONIO MUÑOZ MOLINA 12/03/2011

Una pregunta insistente me venía a la cabeza mientras estaba en el cine, viendo Poetry, y cuando salí luego a la calle y seguía habitado por esa película, habitando en ella, acordándome del rumor de las aguas de un río y de una voz de mujer que dice la mitad de un poema y se convierte en una voz de niña que dice la otra mitad, o de la actitud de atención y cortesía con que esa señora mayor y un poco cursi que se ha apuntado en el centro cultural de su barrio a un taller de literatura decide escuchar el sonido de la brisa en las hojas de un castaño. Volví al cine solo unos días después a ver otra película, de otro mundo, en otra lengua, De dioses y hombres, y la pregunta ya familiar de tan persistente apareció de nuevo, esta vez desde el mismo principio, desde las imágenes del despertar del día en un convento cisterciense en los montes de Argelia y en una aldea próxima que tiene algo de tibetano y de alpujarreño en sus pobres casas escalonadas con tejados planos. En ambas películas, no empieza habiendo más música que los sonidos del mundo natural, o los de la presencia y el trabajo humanos, pasos, herramientas, una azada cavando la tierra, el trajín de una mujer mayor en una cocina, el de un monje que cuida un huerto, la concentración silenciosa con que otro monje vierte en un tarro la miel que ha cosechado él mismo. Las dos tratan de la belleza y del horror, de la compasión y el crimen, de las consecuencias tremendas que pueden tener las decisiones que se toman. En las dos está el retrato de lo que hacen los años en las caras de las personas. En Poetry hay un sentido del paisaje que tiene mucho que ver con la pintura china y con las visiones zen de la naturaleza; en De dioses y hombres el sentido de los espacios interiores habitados por macizas figuras de monjes nos recuerda inevitablemente a los cartujos de Zurbarán, las caras estáticas y a la vez castigadas por la edad, la intemperie, el trabajo, el juego de claridades y sombras de los hábitos blancos en interiores iluminados por velas.


Me cuesta imaginar que una película como 'Poetry' o como 'De dioses y hombres' llegue a hacerse entre nosotros

Mi pregunta era, es: por qué es tan difícil que pueda haber películas así en España.

Leia o artigo aqui

Fonte El Pais

viernes, 11 de marzo de 2011

Esta velha angústia

( Álvaro de Campos )

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar-entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu tecto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!



Álvaro de Campos nasceu em Tavira, Algarve, Portugal, e depois se mudou para Glasgow, Escócia, onde foi estudar engenharia. Primeiro mecânica, depois naval.

Nuovo Cinema Paradiso: le scene più belle


Esmagadoras!!!!!!!!!!

Uma prece pelo Japao


Foto via blog do Noblat

Scliar se foi numa madrugada (Ignácio de Loyola Brandão)

Ignácio de Loyola Brandão - O Estado de S.Paulo
Eles partem. Vão embora confirmando a sensação de que a vida é uma coleção de perdas. Está certo que permanecem, pois deixam seus livros, portanto estaremos com eles até o dia em que também iremos. Mas gostamos deles nesta vida. Dos encontros, conversas, telefonemas, e-mails, viagens, jantares, visitas, feiras de livros, com suas graças e manias, ambições e sonhos, sucessos e fracassos, amores e desilusões, brigas e dissensões.

Escritores de minha geração, ou mais velhos, ou mais novos, todos próximos, a quem nos ligamos pela amizade e pelos livros. Partem. Um dia chega a notícia do carro de Osvaldo França Júnior despencando num despenhadeiro nas estradas de Minas. Outro foi João Antonio, tendo seu corpo descoberto em decomposição, morto há muitos dias em total isolamento. Vivia sozinho, nunca vi solidão maior. Hilda Hilst morreu aos poucos em sua chácara de Campinas, onde seguia ansiosa o relógio esperando chegar a hora em que o médico a tinha autorizado a beber um copo e sonhando com seus livros sendo vendidos, bem vendidos. Roberto Drummond estava tão apavorado com o coração que se recusava a ir ao cardiologista. Morreu na véspera do jogo do Brasil com a Inglaterra. Juarez Barroso, cearense, que esteve ao meu lado na famosa noite de 1975 no Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, quando se enfrentou a censura militar, partiu muito novo, devido a um aneurisma. Wander Pirolli, um dos mais modernos autores infantis, revolucionário com seu O Menino e o Pinto do Menino, teve um ataque cardíaco. Dorian Jorge Freire, rio-grandense do norte, de poucos livros e muitas crônicas, sujeito importante em minha vida, ao me orientar no jornalismo, nos últimos momentos, lá em Mossoró, escreveu seus textos com um único dedo, o indicador, o resto paralisado. O mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke, fantástico, isolado em Corumbá, nunca teve a glória alta que merecia, melhor, muito melhor que dezenas de autores midiáticos. Também se foram Josué Guimarães, Ganymedes José, Torquato Neto, Maura Lopes Cançado, Osman Lins, Mora Fuentes, Julieta Godoy Ladeira, Marcos Rey, Fausto Wolf, Carlinhos de Oliveira, Elias José, Caio Fernando Abreu, Roberto Piva, Massao Ono. Sem esquecer Ricardo Ramos, dos melhores companheiro de viagens, cheio de humor, um aglutinador cuja obra precisa ser recuperada, contista que honrava o pai, Graciliano. E Ray-Gude Mertin, tradutora e agente, doce figura, brava mulher.

Saíram, muitos nem tiveram tempo de dizer adeus, até já, até breve. Então, chegou a vez de Moacyr Scliar, o gaúcho. Poucas vezes vi a morte de um escritor repercutir tanto, tão intensamente. Já se passaram duas semanas e continuo a ler na imprensa de todo o Brasil artigos dizendo adeus. Raras vezes vi um carinho e uma tristeza tão grandes em relação a um autor, num meio em que há (veladamente) exclusões, ciúme, alguma inveja, fofocas. Parece loucura, mas nunca vi ninguém alfinetar Moacyr. E olhem que foi autor sempre elogiado pela crítica, membro da ABL, para a qual foi eleito por unanimidade, viajando mundo, traduzido, vendido, dominando auditórios, um médico culto e informado. Meu Deus, que prato!

Moacyr não bebia; um espanto. Nada, de nada. Por não gostar conseguia escrever, limpo, clean, como se diz nos filmes americanos. Não que nós todos somos borrachos, longe disso! Moacyr escreveu, porque tinha o que escrever, sempre foi cheio de histórias, trouxe para a sua literatura os temas e o humor judaicos, recolhia o País em torno dele, em alguns momentos aproximou-se de Jorge Luis Borges. Foi cronista de jornal, da revista Seleções, redigia ensaios, escrevia livros, viajava. Há quem diga que ele não dormia. Judith, sua mulher de toda uma vida, ri, nega, conta que ele escrevia o tempo inteiro, até no avião. Homem disciplinado, controlava o tempo. Foi o que Judith revelou a Guiomar de Grammont, organizadora do Fórum das Letras de Ouro Preto, que escreveu neste jornal, domingo passado, belíssima crônica, dizendo o que todos gostaríamos de ter dito. Emocionante memorabilia. Ali está o jeito simples de Scliar, sua não afetação, o homem tranquilo, preocupado com os outros, sua maneira gaúcha de falar, o tu sempre presente, seus encontros com leitores, estudantes e iniciantes.

O homem que nunca contava sobre o que estava escrevendo. A não ser talvez para os íntimos. Não me lembro de ter lido notícias sobre no que estava trabalhando. Quando a notícia chegava, ele já tinha terminado. Era dos poucos escritores brasileiros que lia livros de outros companheiros, sabia o que estava se passando, citava nomes em entrevistas (coisa rara). Participei dos entrevistadores do Roda Viva da TV Cultura, ano passado, quando ele estava no centro da conversa. Depois nos encontramos no Palácio do Governo, quando recebemos a Comenda da Ordem do Ipiranga. Não podia saber que estávamos nos despedindo. No coquetel, quando levantei a taça de Prosecco e ele ergueu o copo de suco, brindamos pela última vez na vida.

Quando fui a Porto Alegre no dia 20 de janeiro, ele já estava na UTI e tinha sofrido uma cirurgia seguida de um AVC. Estava sedado, assim permaneceu. Num sábado, final do dia, falei com Judith e ela se abriu, dolorida: "Moacyr deve partir entre agora e amanhã". Na madrugada, Scliar se foi. Fará falta!

Fonte Estadao
Comento: postei o artigo integralmente porque é um perfil tao completo e tao verdadeiro que me pareceu mandatório assim faze-lo.Conhecí o Scliar pessoalmente. Fui benefeciária da generosidade dele.

Londres au grand complet





Carnaval e Fantasia no Selfridges

Navegar é preciso. Viver é com o "caminante"



Selfridges,Londres 2011

"Azulejar" em azul e branco na National Gallery



domingo, 6 de marzo de 2011