sábado, 29 de enero de 2011
Caruso . Luciano Pavarotti & Lucio Dalla (HQ)
O tema da musica une definitivamente os tres homens. Esta é mais uma razao para este terceiro post.
Caruso - Gigi Finizio Lucio Dalla Gigi D'Alessio
improvisa uma lágrima onde logo imagina afogar-se...o poder da lírica ...de inventar um outro
Las mil y una historias
(...) Antes de enseñarle a leer su abuela fue la transmisora de ese mar de historias que llegaba de la antigüedad para fluir hasta el impredecible futuro. Gracias a ella conoció lo que después sabría eran partes de Las mil y una noches. Le fascinaron sobre todo la historia de Aladino y las aventuras de Simbad. Allí encontraba otro mundo en el que jamás pondría el pie y sin embargo le parecía tan real y tan vivido como su paso cotidiano por una Ciudad de México que ya no existe y ahora es tan espectral como los lugares de la fantasía.
Qué pobreza la de su vida sin la compañía de los cuentos y las novelas. Gracias a esas páginas ha podido habitar en Troya y en las islas de Odiseo y de Robinson, conocer la España de Cervantes y Galdós, la Francia de Balzac, Dumas y Victor Hugo, la provincia de Flaubert y Maupassant, los orbes submarinos y espaciales de Verne, las aventuras en el Tercer Mundo de Salgari, la Rusia de Pushkin, Gógol, Dostoievski y Tolstói, el día de Joyce y la noche de Proust. En el último año, cuando ya no lo esperaba, ha vuelto a hundirse durante muchos días en las novelas de Antonio Muñoz Molina, Almudena Grandes y Mario Vargas Llosa.
Él nunca hace enumeraciones. En la primera que le solicitaron acerca de las personas que determinaron su vocación literaria omitió a su abuela, Emilia Abréu de Berny, a la que debe todo. No podía esperar de ella ni recompensas ni represalias. Por eso le duele tanto esa íntima ingratitud. Hoy intenta repararla.
De las mil y una historias habrá leído, en una existencia consagrada a la lectura, menos de doscientas. Y le duele darse cuenta de que morirá sin leer lo que hacen los nuevos escritores y no tendrá oportunidad de regresar a aquellos libros que iluminaron su paso por la Tierra. Uno se va, el cuento de la tribu humana sigue y seguirá hasta el fin de los tiempos.
(José Emilio Pacheco )
Fonte El País
para ler tudo, clique aqui
Qué pobreza la de su vida sin la compañía de los cuentos y las novelas. Gracias a esas páginas ha podido habitar en Troya y en las islas de Odiseo y de Robinson, conocer la España de Cervantes y Galdós, la Francia de Balzac, Dumas y Victor Hugo, la provincia de Flaubert y Maupassant, los orbes submarinos y espaciales de Verne, las aventuras en el Tercer Mundo de Salgari, la Rusia de Pushkin, Gógol, Dostoievski y Tolstói, el día de Joyce y la noche de Proust. En el último año, cuando ya no lo esperaba, ha vuelto a hundirse durante muchos días en las novelas de Antonio Muñoz Molina, Almudena Grandes y Mario Vargas Llosa.
Él nunca hace enumeraciones. En la primera que le solicitaron acerca de las personas que determinaron su vocación literaria omitió a su abuela, Emilia Abréu de Berny, a la que debe todo. No podía esperar de ella ni recompensas ni represalias. Por eso le duele tanto esa íntima ingratitud. Hoy intenta repararla.
De las mil y una historias habrá leído, en una existencia consagrada a la lectura, menos de doscientas. Y le duele darse cuenta de que morirá sin leer lo que hacen los nuevos escritores y no tendrá oportunidad de regresar a aquellos libros que iluminaron su paso por la Tierra. Uno se va, el cuento de la tribu humana sigue y seguirá hasta el fin de los tiempos.
(José Emilio Pacheco )
Fonte El País
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Centenário de nascimento de Claude Debussy . Mallarmé et Baudelaire,Satie etc
Em 1879, Debussy foi recomendado por Marmontel a Nadezhda von Meck que procurava um pianista para ler com ela novas musicas (4). Era ela a protetora de Tschaikovsky, possibilitando ao compositor uma vida sem dificuldades, desde que não travassem relações pessoais (5). Em sua companhia, Debussy visitou a Suiça, Italia e Russia. E’ então que ouve em Viena, pela primeira vez, “Tristão e Isolda”. Essa revelação ia marcá-lo por toda a vida. Na Russia, que visitou em 1881 e 1882, tomou conhecimento da musica russa.(...)
Pouco se sabe sobre os primeiros anos que se seguiram ao regresso de Debussy de Roma. Começou uma opera, Chimène, sobre um libreto de Catulle Mendès, nunca terminada. Em 1887 conheceu Stéphane Mallarmé e tornou-se logo assiduo frequentador das terças-feiras literarias que este ultimo organizava em sua casa (17). Foi por sinal um dos poucos musicos a travar contacto com Mallarmé que, entretanto, como quase todos os simbolistas, tinha verdadeiro culto por Wagner.
Em 1888 e 1889 Debussy visitou Beirute para assistir ao festival wagneriano (18). Essas visitas caracterizaram uma epoca de grande evolução e maturidade intelectual de Debussy. De 1888 são as seis arietas mais tarde intituladas Ariettes Oubliés. De 1890 são os “5 Poémes de Baudelaire”. Em 1889 durante a exposição universal, Debussy assistiu a algumas representações de teatro javanês que mencionaria frequentemente a partir dessa época.
É também, então, que Debussy conheceu Erik Satie, cuja influencia sobre seu estilo é ponto violentamente controvertido. Sem duvida antes de Debussy, Satie tinha já adquirido certo vocabulario harmonico muito semelhante ao que ia desenvolver Debussy. Entretanto, Satie nunca produziu o que dele se esperava, enquanto que Debussy é um dos polos principais da musica contemporânea.
Em 1893 executou-se pela primeira vez (19) o Quatuor, pessimamente recebido. Com efeito, apesar de sua forma cíclica, grande coqueluche da epoca, a sua harmonia original, a sua escrita nova, a sua independencia em relação a quaisquer modelos, fizeram que mesmo Chausson, amigo intimo do compositor, não conseguisse aceitar plenamente a obra. Quase que apenas Paul Dukas elogiou imediatamente a composição.
Em 1894, nova estréia rumorosa: primeira execução do Prélude á l’après-midi d’un faune sobre o poema de Mallarmé. Desta vez, não se sabe exatamente por que, a primeira execução foi muito bem recebida, tanto assim que a peça foi bisada, tendo-se mantido até hoje como a mais popular de Debussy, aliás com ampla justiça, pois é “com flauta do fauno que começa uma nova respiração de arte musical” (20).
O proprio Mallarmé reconheceu o merito do compositor dedicando-lhe um exemplar do poema com as seguintes linhas:
“Sylvain d’haleine première
Si la flute a reussi
Ouis toute la lumière
Qu’y soufflera Debussy” (21)
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Fonte Estadao
"um homem por trás dos óculos, como diria o Drummond"
Há tanta gente sozinha
Que a gente mal adivinha
Gente sem vez para amar
Gente sem mão para dar
Gente que basta um olhar
Quase nada
Gente com os olhos no chão
Sempre pedindo perdão
Gente que a gente não vê
Porque é quase nada
Eu sempre o cumprimentava
Porque parecia bom
Um homem por trás dos óculos
Como diria Drummond
(Um homem chamado Alfredo - Vinicius de Moraes)
PS: o perdao sempre revisitado pelo Vinicius
Que a gente mal adivinha
Gente sem vez para amar
Gente sem mão para dar
Gente que basta um olhar
Quase nada
Gente com os olhos no chão
Sempre pedindo perdão
Gente que a gente não vê
Porque é quase nada
Eu sempre o cumprimentava
Porque parecia bom
Um homem por trás dos óculos
Como diria Drummond
(Um homem chamado Alfredo - Vinicius de Moraes)
PS: o perdao sempre revisitado pelo Vinicius
viernes, 28 de enero de 2011
jueves, 27 de enero de 2011
Ternura (Vinicius de Moraes.Poeta e diplomata)
Ternura
Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
miércoles, 26 de enero de 2011
O espólio deSophia :exemplaridade,patos e poemas.
Enquanto filhos não seria nunca a partilha e subsequente posse particular de parte desse espólio por cada um de nós que nos ajudaria a domesticar as saudades que dela tínhamos”, explicou Miguel Sousa Tavares. “Enquanto cidadãos, seus compatriotas na língua e na cultura que é nossa, nós sabemos que, de facto, não éramos donos de coisa alguma. Acidentes biológicos não criam direitos de propriedade”. Se Sophia, por morte, deixou de ser dona dos cadernos e de tudo o resto ligado à produção da sua obra, que sentido faria que os seus filhos, por simples direito de herança, guardassem para si o que deixou de ser de alguém e passou a ser de todos?, disse Miguel Sousa Tavares. “Estamos bem conscientes de que a circunstância de sermos filhos dela traz consigo uma responsabilidade, não um direito”, acrescentou.
Para os filhos de Sophia (1919-2004), o verdadeiro espólio da mãe são os livros que escreveu. “Num país onde todos reclamam tudo do Estado e ninguém se sente obrigado a dar alguma coisa em troca sabe bem dar alguma coisa ao Estado”, acrescentou Miguel Sousa Tavares. “O nosso privilégio foi termos recebido tudo o que recebemos da nossa mãe, o mínimo que nos competia é devolver tudo o que dela só foi nosso, por acaso ou sorte.”
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Fonte Publico.pt
PS O negrito é meu.
Para os filhos de Sophia (1919-2004), o verdadeiro espólio da mãe são os livros que escreveu. “Num país onde todos reclamam tudo do Estado e ninguém se sente obrigado a dar alguma coisa em troca sabe bem dar alguma coisa ao Estado”, acrescentou Miguel Sousa Tavares. “O nosso privilégio foi termos recebido tudo o que recebemos da nossa mãe, o mínimo que nos competia é devolver tudo o que dela só foi nosso, por acaso ou sorte.”
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Fonte Publico.pt
PS O negrito é meu.
Sophia
A Homenagem do blog a Sophia se materializa no poema e versos de Vinicius de Moraes , amigo desta grande poeta. Nos últimos dois versos, aliás, negritei temas que eram caros a sua poetica.
Ausência
Eu deixarei que morra
em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Ausência
Eu deixarei que morra
em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Diálogo politeísta
JAVIER MARÍAS. Hace poco escribí en una de mis columnas de El País Semanal, a propósito de su última novela, tan criticada por L'Osservatore Romano, que pensaba que se había superado aquello de que en las artes las obras tuvieran que tener un carácter moral o edificante. Un hallazgo por parte de esa crítica, aunque para ellos era negativo, es que decía algo parecido a que su novela era un voyeurismo amoral.
UMBERTO ECO. ¡Es que esto es la novela, eso es una novela!
J. Marías. Justamente una novela es lo contrario de un juicio.
U. Eco. Deja abierta la puerta a las contradicciones.
J. Marías. Aunque hay novelistas que todavía se sienten como jueces, es una cosa extraña. Eso del voyeurismo amoral está muy bien visto. Porque una novela, a menudo, es así, el novelista no tiene que juzgar, tiene que mostrar, a veces explica lo que ha sucedido, cómo se ha llegado a este punto, pero eso no quiere decir que se justifique o que se ensalce el tema o presuma.
U. Eco. Luego está el lector que tiene la tendencia, o la mala fe, de atribuir al autor lo que piensa el personaje.
J. Marías. ¿No es preocupante en el sentido de que es volver a cierto primitivismo?
U. Eco. Usted escribe novelas, el 20% las leen de forma correcta, el resto equivocada.
J. Marías. Esto ha vuelto con fuerza. Yo escribo con un narrador en primera persona desde hace 20 años, y se tiende a confundir al narrador con el autor, con el yo.
U. Eco. Cuando publiqué El nombre de la rosa me escribió un lector preguntando por qué afirmaba que la felicidad consiste en tener lo que se tiene. ¡Yo nunca he dicho eso, es una tontería! Fue un personaje.
J. Marías. Esa idea de que las novelas deben tener un mensaje o dignificar algo es un primitivismo raro que ha vuelto.
U. Eco. Es una idea católico-marxista.
J. Marías. Pero el marxismo no...
U. Eco. El realismo socialista quería que las novelas tuvieran un mensaje y hablaran de los problemas del pueblo... Mi respuesta es que una novela tiene un mensaje, pero hay que trabajar mucho para comprenderlo, requiere esfuerzo, no te lo da el autor.
J. Marías. Un mensaje que se podría buscar fuera del libro.
U. Eco. O muchos. La Odisea tiene múltiples mensajes.
J. Marías. En cierto sentido surge por la promoción de los libros. No sé usted, pero yo a veces al escribir una novela me encuentro con que tengo una idea vaga sobre qué es esta novela, aparte de la historia misma, y algunos aspectos que no son claros para mí. Pero una vez terminada la entiendo un poco mejor. Entonces llega la promoción, las entrevistas, donde se espera que el autor diga: "Lo que he querido decir es esto". Y uno se ve obligado a afirmar algo o defender una idea que luego es tergiversada. Si no hubiera entrevistas y cierta necesidad de banalizar, de encontrar un eslogan...
U. Eco. Yo intento humillar a los que hacen estas preguntas, desafiar, hacer que se sientan algo estúpidos. Cuando me preguntan: "¿Con qué personaje se identifica?", contesto: "¡Con los ad-ver-bios!". Se quedan estupefactos. Es verdad, los escritores nos identificamos con los adverbios.
J. Marías. Pero para hacer esto hay que ser usted.
U. Eco. ¡No, no!, hay que ser bastante malos
...Y, en cambio, nadie habla del estilo de la novela, de la construcción. La gente lee lo que dices y no le interesa la manera en que lo dices.
Para seuir desfrutando, clique aqui
Fuente El País
UMBERTO ECO. ¡Es que esto es la novela, eso es una novela!
J. Marías. Justamente una novela es lo contrario de un juicio.
U. Eco. Deja abierta la puerta a las contradicciones.
J. Marías. Aunque hay novelistas que todavía se sienten como jueces, es una cosa extraña. Eso del voyeurismo amoral está muy bien visto. Porque una novela, a menudo, es así, el novelista no tiene que juzgar, tiene que mostrar, a veces explica lo que ha sucedido, cómo se ha llegado a este punto, pero eso no quiere decir que se justifique o que se ensalce el tema o presuma.
U. Eco. Luego está el lector que tiene la tendencia, o la mala fe, de atribuir al autor lo que piensa el personaje.
J. Marías. ¿No es preocupante en el sentido de que es volver a cierto primitivismo?
U. Eco. Usted escribe novelas, el 20% las leen de forma correcta, el resto equivocada.
J. Marías. Esto ha vuelto con fuerza. Yo escribo con un narrador en primera persona desde hace 20 años, y se tiende a confundir al narrador con el autor, con el yo.
U. Eco. Cuando publiqué El nombre de la rosa me escribió un lector preguntando por qué afirmaba que la felicidad consiste en tener lo que se tiene. ¡Yo nunca he dicho eso, es una tontería! Fue un personaje.
J. Marías. Esa idea de que las novelas deben tener un mensaje o dignificar algo es un primitivismo raro que ha vuelto.
U. Eco. Es una idea católico-marxista.
J. Marías. Pero el marxismo no...
U. Eco. El realismo socialista quería que las novelas tuvieran un mensaje y hablaran de los problemas del pueblo... Mi respuesta es que una novela tiene un mensaje, pero hay que trabajar mucho para comprenderlo, requiere esfuerzo, no te lo da el autor.
J. Marías. Un mensaje que se podría buscar fuera del libro.
U. Eco. O muchos. La Odisea tiene múltiples mensajes.
J. Marías. En cierto sentido surge por la promoción de los libros. No sé usted, pero yo a veces al escribir una novela me encuentro con que tengo una idea vaga sobre qué es esta novela, aparte de la historia misma, y algunos aspectos que no son claros para mí. Pero una vez terminada la entiendo un poco mejor. Entonces llega la promoción, las entrevistas, donde se espera que el autor diga: "Lo que he querido decir es esto". Y uno se ve obligado a afirmar algo o defender una idea que luego es tergiversada. Si no hubiera entrevistas y cierta necesidad de banalizar, de encontrar un eslogan...
U. Eco. Yo intento humillar a los que hacen estas preguntas, desafiar, hacer que se sientan algo estúpidos. Cuando me preguntan: "¿Con qué personaje se identifica?", contesto: "¡Con los ad-ver-bios!". Se quedan estupefactos. Es verdad, los escritores nos identificamos con los adverbios.
J. Marías. Pero para hacer esto hay que ser usted.
U. Eco. ¡No, no!, hay que ser bastante malos
...Y, en cambio, nadie habla del estilo de la novela, de la construcción. La gente lee lo que dices y no le interesa la manera en que lo dices.
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Fuente El País
martes, 25 de enero de 2011
La humanidad desvelada (f. Savater)
A finales del año pasado murió Jacqueline de Romilly, helenista, que fue la segunda mujer aceptada en la Academia francesa, tras Yourcenar. Tenía 97 años y estaba ciega: deja ensayos sobre el hermoso Alcibíades, sobre Tucídides, sobre el espanto y la angustia en los trágicos griegos, sobre los orígenes de la democracia... Nunca estuvo en Gran Hermano y no sabía jugar al fútbol: una vida desperdiciada. De su obra admirable prefiero Patience, mon coeur! (Belles Lettres). Se centra en la admonición que Ulises se hace a sí mismo en la Odisea, pidiéndose sosiego cuando al llegar a Ítaca ve los desmanes de los pretendientes y siente el impulso de una venganza apresurada. Es la primera vez en nuestra cultura que un humano habla no con sus semejantes o con los dioses sino consigo mismo. El comienzo de la psicología, el testimonio inaugural de la conciencia que reflexiona sobre su intimidad.
En la 'Odisea' es la primera vez en nuestra cultura que un humano habla consigo mismo
Esta reflexión es sin duda característica de la condición humana. Pero, ¿basta para definirnos? ¿En qué consiste nuestra humanidad?
Fuente El País
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En la 'Odisea' es la primera vez en nuestra cultura que un humano habla consigo mismo
Esta reflexión es sin duda característica de la condición humana. Pero, ¿basta para definirnos? ¿En qué consiste nuestra humanidad?
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Fernanda Porto toca "Sampa", de Caetano Veloso
Alguma coisa acontece. Sempre. Em SAMPA, sempre acontece!
domingo, 23 de enero de 2011
João Ubaldo, 70
Eric Nepomuceno - O Estado de S.Paulo
De acordo com o santoral católico da Espanha, 23 de janeiro é o dia de São Ildefonso. Já o santoral brasileiro indica que é dia de São Clemente. Mas na ilha de Itaparica, o santoral do lugar, pagão e festeiro, deve indicar que é dia de São João Ubaldo, glória e arauto-padroeiro, defensor de suas justas maravilhas.
No ano de 1941, o dia 23 de janeiro caiu numa quinta-feira, tempo de lua minguante. Pouco antes das 5 da tarde, na casa de seu avô materno, o coronel Osório Pimentel, nasceu João Ubaldo, primeiro dos três filhos de Maria Felipa Osório Pimentel e Manoel Ribeiro.
Trinta anos depois, o João Ubaldo nascido na lua minguante surgiu com um romance crescente, Sargento Getúlio. Até ali, sua carreira de escritor mostrava a participação em duas antologias de contos e um romance discreto, Setembro Não Faz Sentido. Com Sargento Getúlio ele deu uma reviravolta na literatura de seu tempo. Antes, tinha feito de tudo um pouco: foi office-boy, depois repórter no Jornal da Bahia, editor-chefe de A Tribuna da Bahia, havia feito o curso de Direito na Universidade Federal da Bahia, editado revistas e jornais culturais, ao lado de Glauber Rocha, também na Bahia. E se o nome Bahia aparece cinco vezes nessas quatro linhas, é porque João Ubaldo Ribeiro é um cidadão do mundo que, por mais mundo que conheça, por mais vida que tenha vivido, exala Bahia, Brasil e povo brasileiro enquanto respira.
Seus livros estão publicados em mais de uma dúzia de idiomas, e dos nossos autores é um dos mais conhecidos, estudados e prestigiados mundo afora. Viva o Povo Brasileiro, um catatau de quase 700 páginas, vendeu mais de 120 mil exemplares na Alemanha. Pois tudo isso - e muito mais, pois seria justo mencionar os prêmios todos, as glórias todas, os reconhecimentos, as amizades com pilares das artes e das letras - se oculta dentro da figura de óculos de lentes grossas e silhueta rechonchuda, sempre de bermudas, sandálias e camisa folgada, de mangas curtas, que perambula pelas ruas do Leblon, no Rio de Janeiro. Cumprimenta as velhinhas do bairro, é saudado com afeto e entusiasmo por jornaleiros e garçons, reúne-se em botecos com seus amigos e camaradas do dia a dia (nenhum deles literato, nenhum deles celebridade). Todos sabem que ele é conhecido, cronista lido e influente, que é um escritor de peso. Mas talvez não saibam de sua erudição fenomenal, de sua dedicação de monge ao ofício da palavra escrita, de sua obsessão pelos personagens que cria e recria. Que, muito mais que glória de Itaparica e do Leblon, é glória de todos nós, seus contemporâneos.
Durante anos e anos frequentamos a mesa que reunia aos sábados, num mercado do Leblon, um grupo de amigos (alguns bastante conhecidos, é verdade; mas naquele boteco éramos todos iguais, dispostos a não deixar que se extinguisse em nós a alegria). Jamais esquecerei as disputas entre João Ubaldo e Tom Jobim, leitor ávido, para ver quem sabia mais versos de T. S. Elliot. Ubaldo ganhava sempre. A pronúncia perfeita, o vozeirão empostado, a emoção em cada verso, a memória prodigiosa - tudo nele era formidável. Principalmente a perfeição com que cumpria nosso propósito - o humor: certo sábado, confessou que quase todos os versos que ele recordava e Tom não conhecia tinham sido inventados na hora.
Para quem é obsessivamente disciplinado no ofício solitário da escrita, para quem domina pelo direito e pelo avesso o idioma de Elliot, aquela brincadeira era apenas isso, uma brincadeira. Pois eu confesso que me contentaria, e para sempre, em ser capaz de inventar, no calor de uma disputa de bar, versos de Elliot.
Não precisaria de mais nada para me sentir um craque. Porque criar enredos e personagens como ele, bem, isso eu sei que é impossível. Não, não: eu me contentaria em ser João Ubaldo inventando Elliot. E, aliás, inventando que está fazendo 70 anos. Porque quem tem o humor, quem tem a imaginação prodigiosa desse meu amigo, não faz aniversário: flutua.
Fonte Estadao
De acordo com o santoral católico da Espanha, 23 de janeiro é o dia de São Ildefonso. Já o santoral brasileiro indica que é dia de São Clemente. Mas na ilha de Itaparica, o santoral do lugar, pagão e festeiro, deve indicar que é dia de São João Ubaldo, glória e arauto-padroeiro, defensor de suas justas maravilhas.
No ano de 1941, o dia 23 de janeiro caiu numa quinta-feira, tempo de lua minguante. Pouco antes das 5 da tarde, na casa de seu avô materno, o coronel Osório Pimentel, nasceu João Ubaldo, primeiro dos três filhos de Maria Felipa Osório Pimentel e Manoel Ribeiro.
Trinta anos depois, o João Ubaldo nascido na lua minguante surgiu com um romance crescente, Sargento Getúlio. Até ali, sua carreira de escritor mostrava a participação em duas antologias de contos e um romance discreto, Setembro Não Faz Sentido. Com Sargento Getúlio ele deu uma reviravolta na literatura de seu tempo. Antes, tinha feito de tudo um pouco: foi office-boy, depois repórter no Jornal da Bahia, editor-chefe de A Tribuna da Bahia, havia feito o curso de Direito na Universidade Federal da Bahia, editado revistas e jornais culturais, ao lado de Glauber Rocha, também na Bahia. E se o nome Bahia aparece cinco vezes nessas quatro linhas, é porque João Ubaldo Ribeiro é um cidadão do mundo que, por mais mundo que conheça, por mais vida que tenha vivido, exala Bahia, Brasil e povo brasileiro enquanto respira.
Seus livros estão publicados em mais de uma dúzia de idiomas, e dos nossos autores é um dos mais conhecidos, estudados e prestigiados mundo afora. Viva o Povo Brasileiro, um catatau de quase 700 páginas, vendeu mais de 120 mil exemplares na Alemanha. Pois tudo isso - e muito mais, pois seria justo mencionar os prêmios todos, as glórias todas, os reconhecimentos, as amizades com pilares das artes e das letras - se oculta dentro da figura de óculos de lentes grossas e silhueta rechonchuda, sempre de bermudas, sandálias e camisa folgada, de mangas curtas, que perambula pelas ruas do Leblon, no Rio de Janeiro. Cumprimenta as velhinhas do bairro, é saudado com afeto e entusiasmo por jornaleiros e garçons, reúne-se em botecos com seus amigos e camaradas do dia a dia (nenhum deles literato, nenhum deles celebridade). Todos sabem que ele é conhecido, cronista lido e influente, que é um escritor de peso. Mas talvez não saibam de sua erudição fenomenal, de sua dedicação de monge ao ofício da palavra escrita, de sua obsessão pelos personagens que cria e recria. Que, muito mais que glória de Itaparica e do Leblon, é glória de todos nós, seus contemporâneos.
Durante anos e anos frequentamos a mesa que reunia aos sábados, num mercado do Leblon, um grupo de amigos (alguns bastante conhecidos, é verdade; mas naquele boteco éramos todos iguais, dispostos a não deixar que se extinguisse em nós a alegria). Jamais esquecerei as disputas entre João Ubaldo e Tom Jobim, leitor ávido, para ver quem sabia mais versos de T. S. Elliot. Ubaldo ganhava sempre. A pronúncia perfeita, o vozeirão empostado, a emoção em cada verso, a memória prodigiosa - tudo nele era formidável. Principalmente a perfeição com que cumpria nosso propósito - o humor: certo sábado, confessou que quase todos os versos que ele recordava e Tom não conhecia tinham sido inventados na hora.
Para quem é obsessivamente disciplinado no ofício solitário da escrita, para quem domina pelo direito e pelo avesso o idioma de Elliot, aquela brincadeira era apenas isso, uma brincadeira. Pois eu confesso que me contentaria, e para sempre, em ser capaz de inventar, no calor de uma disputa de bar, versos de Elliot.
Não precisaria de mais nada para me sentir um craque. Porque criar enredos e personagens como ele, bem, isso eu sei que é impossível. Não, não: eu me contentaria em ser João Ubaldo inventando Elliot. E, aliás, inventando que está fazendo 70 anos. Porque quem tem o humor, quem tem a imaginação prodigiosa desse meu amigo, não faz aniversário: flutua.
Fonte Estadao
El poeta no da respuestas. Hasta el fin de sus días interroga lo invisible de la realidad, que no le da respuestas.
La poesía se levanta contra el empobrecimiento espiritual. La poesía es resistencia no más porque existe
El gran Basho advirtió a los poetas que no deben imitar a los antiguos, sino buscar lo mismo que ellos buscaron. Trescientos años después, Ezra Pound repitió de otro modo la advertencia: hay que volver nuevo lo viejo. El otoño cambia con el tiempo en ojos nuevos que le encuentran nombres no descubiertos antes. ¿El ser humano es un paisaje con lugares todavía a descubrir? ¿Por eso la Palabra es esquiva, no se dejará apresar hasta que nos sepamos?
¿Y qué será escribir poesía? ¿Apagar el ruido de la muerte que entra al oído sin invitación? ¿Mezclar la propia voz con ese ruido para volverlo inútil, apaciguarlo al menos? Borges opinó que el noventa por ciento del arte no existiría si se supiera qué sigue a la muerte. La muerte sería entonces un accidente de la lengua. Homero avisó que los dioses envían desdichas a los mortales para que las cuenten. La palabra narra ese castigo y confiesa así sus límites. No conoce un Paraíso todavía.
Para sequir deleitando-se com Juan Gelman en El Pais , clique aqui
La civilización del espectáculo (Mario Vargas LLosa)
En el pasado, la cultura tuvo siempre que ver con esos temas y fue a menudo el mejor llamado de atención ante semejantes problemas, una conciencia que impedía a las personas cultas dar la espalda a la realidad cruda y ruda de su tiempo. Ahora, más bien, lo que llamamos cultura es un mecanismo que permite ignorar los asuntos problemáticos, distraernos de lo que es serio, sumergirnos en un momentáneo "paraíso artificial", poco menos que el sucedáneo de una calada de marihuana o un jalón de coca, es decir, una pequeña vacación de irrealidad.
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