viernes, 24 de febrero de 2012

Una carta de amor (julio Cortazar)

Todo lo que de vos quisiera
es tan poco en el fondo
porque en el fondo es todo,
como un perro que pasa, una colina,
esas cosas de nada, cotidianas,
espiga y cabellera y dos terrones,
el olor de tu cuerpo,
lo que decís de cualquier cosa,
conmigo o contra mi,
todo eso es tan poco,
yo lo quiero de vos porque te quiero.
Que mires más allá de mí,
que me ames con violenta prescindencia
del mañana, que el grito
de tu entrega se estrelle
en la cara de un jefe de oficina,
y que el placer que juntos inventamos
sea otro signo de la libertad.

miércoles, 22 de febrero de 2012

Forever young



Life is a short trip. Indeed!

Assim ou ...assim??



Houve uma geração que tinha a necessidade de criar o seu próprio emprego. (Antonio Pires)

o espectáculo tem imensa esperança. O branco das roupas apareceu ligado a essa ideia de construção e desconstrução. Numa primeira fase quis que as coisas fossem imateriais, mutáveis. Os truques de magia e o videomapping estão nessa linha. Mesmo a magia que eles fazem é parva, apenas um jogo. Imprimimos luz, padrões, dentro de um jogo de ilusão que arrolei para a encenação.
A coincidência das “Tisanas” com o primeiro aniversário do Teatro do Bairro foi intencional?
Os espectáculos que fiz aqui, os três primeiros, eram muito ligados à narrativa. Foi o Shakespeare, os textos da Luísa Costa Gomes. Fizeram todo o sentido, pelos textos e pelos assuntos, mas havendo alguma coisa em forma de celebração do aniversário, para já tinha mesmo de haver uma peça em cena. Depois pensei voltar a este tipo de teatro coreográfico, que me agrada imenso. O teatro continua muito preso à narrativa e isto não é mais que um mapa de emoções. É por isso que vamos ao teatro, para nos emocionarmos, pensarmos. Gosto de pôr em cena esta faceta, que é uma função muito primária do próprio teatro. Gosto de correr riscos e tinha de fazer uma peça arriscada.
Encena desde 1990. Como e lançou nos riscos?
Ui Jesus... Acho que encenar foi por necessidade. Era actor e não havia trabalho na televisão. Fiz o curso do IFICT, depois estive em Paris, e voltei. Quando cheguei não havia emprego. Havia companhias, que eram fechadas. Não sei se sou eu que estou velho e os velhos dizem estas coisas, mas quem ia fazer teatro fazia-o pelo teatro. Não havia confusões com fama. Faziam porque a vida era aquilo. Comecei a encenar quando nasceu a Garagem, o Meridional. Houve uma geração que tinha a necessidade de criar o seu próprio emprego. Depois também havia festivais, como o ACARTE, onde surgiu a vontade de fazer estas coisas novas. A quantidade de tendências que apareciam era enorme. Arregaçámos as mangas e fomos fazer.
Leia a entrevista completa aqui

martes, 21 de febrero de 2012

lição para aspirantes a líder

Há cinco anos à frente da Sloan School of Management, unidade do prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT), o americano David Schmittlein tem uma incumbência nada trivial: preparar líderes empreendedores e inovadores para o século XXI – sejam eles empresários, administradores públicos ou inventores. E Schimittlein tem um método para cumprir sua missão. O primeiro ponto é oferecer a pós-graduandos de mais de 60 países que estudam na instituição uma convivência intensa com pesquisadores e empresários. "Tudo isso faz com que o embrião de uma futura grande empresa nasça aqui mesmo, dentro do campus", diz. Outro ponto do método é ensinar aos aspirantes que o líder deste século não dá ordens, mas, sim, convence. "O líder agora precisa fazer com que as pessoas entendam o propósito de uma empresa ou de um projeto. E precisa envolvê-las nisso." Por último, mas não menos importante, o método da escola do MIT prega que fracassar é parte do aprendizado dos que ousam. "Os líderes aprendem mais com os erros do que com os acertos e estão seguros de que, mesmo se falharem, serão valorizados no mercado", afirma o reitor.

Como a MIT Sloan School of Management ensina liderança, empreendedorismo e inovação a seus alunos? Um quesito indispensável para o MIT é a experiência prática, porque o essencial não pode ser ensinado apenas em aulas teóricas. Recebemos empresários em nosso campus, que convivem conosco e com nossos alunos por algum tempo. Também mantemos uma relação próxima com startups (as nascentes empresas de inovação), que transmitem conhecimento a nossos estudantes. Outro aspecto que classifico como fundamental é a interação entre as diversas escolas do MIT. Estudantes, professores e pesquisadores de todas as partes estão criando empresas a todo momento. Criamos competições dentro do campus para que os alunos apresentem suas criações e existem empresas que oferecem o suporte financeiro para isso. Tudo isso faz com que o embrião de uma futura grande empresa nasça aqui mesmo, dentro do campus.

No Brasil, empreendedorismo, liderança e inovação parecem temas novos à maioria das universidades. Como o senhor vê esse processo nos Estados Unidos? Encorajar o empreendedorismo, a inovação e a liderança fazem parte do MIT desde sua fundação. Há 150 anos fazemos o mesmo trabalho. Por outro lado, acredito que, em outras universidades dos Estados Unidos e do mundo, cresce a ideia de que as universidades não devem se preocupar apenas com a formação intelectual de seus alunos: elas precisam criar atividades econômicas. Precisam estabelecer uma ponte entre as ideias que nascem dentro do campus e o mundo fora dele. As formas de fazer negócio estão sendo alteradas muito rapidamente e, por isso, a responsabilidade da universidade hoje é muito maior do que antes: ela precisa preparar seus estudantes para esse novo mundo.

Por que empreender, liderar e inovar são três conceitos tão importantes para o século XXI? Eles criam atividades econômicas. O resultado disso são empregos, oportunidades e mobilidade social. Isso significa novas oportunidades para cada vez mais gente. Por isso, acredito que tratar desses assuntos seja tão importante, principalmente no tempo em que vivemos. Atravessamos um momento de crise mundial em que a criação de emprego se faz necessária. E economias emergentes, como o Brasil, precisam de grandes oportunidades e uma intensa atividade econômica para crescer de maneira sustentada.

Quais as condições ideais para encorajar futuros líderes? O primeiro passo é atrair o tipo certo de estudante – aqueles que realmente querem desenvolver algo que já têm dentro de si. Outra coisa importante é desenvolver nessas pessoas a habilidade de lidar com o fracasso. Empreendedores falham a todo o momento. Os líderes aprendem mais com os erros do que com os acertos e estão seguros de que, mesmo se falharem, serão valorizados no mercado. Portanto, é preciso oferecer muitas oportunidades para os estudantes e proporcionar experiências complexas e incomuns para que possam aprender de verdade.

Qual o perfil dos alunos do MIT Sloan? Acho que isso não chega a ser uma surpresa, mas eles são muito inteligentes! Eles têm um histórico acadêmico muito forte e possuem boas notas nos testes de admissão. Mas eles também são pessoas que gostam de se relacionar com os outros, são bons comunicadores e sabem prestar atenção ao que acontece ao seu redor. São pessoas corajosas, dispostas a transformar.

Muitos jovens brasileiros que encabeçam empreendimentos apresentam uma característica em comum: eles buscam negócios que deem lucro e, ao mesmo tempo, resolvam problemas de suas comunidades. É possível aliar rentabilidade e ação social? Sim, é possível aliar as duas coisas. Essa é uma demanda da sociedade. Acho que o ponto crucial é ter um propósito. Grandes empresas e projetos precisam de propósito e paixão. Geralmente, as pessoas jovens conseguem unir essas duas coisas. Quando chegam à universidade ou estão saindo delas, é fundamental que tenham esse senso de urgência. Esse desejo de fazer algo pela comunidade é algo muito respeitado dentro das empresas hoje em dia.

Que diferenças o senhor vê entre os líderes do passado e os de agora? Liderança hoje não significa mais dizer às pessoas o que elas precisam fazer, como acontecia antigamente. O líder agora precisa fazer com que as pessoas entendam o propósito de uma empresa ou de um projeto. E precisa envolvê-las nisso. O líder precisa fazer essas pessoas compreenderem que também são líderes, em alguma medida.

Como o senhor vê o Brasil em termos de empreendedorismo e inovação? O Brasil, como outras economias emergentes, têm feito emergirem importantes empresas, grandes e pequenas. Tenho visto companhias promovendo novas tecnologias, principalmente na área de agricultura. O Brasil tem um grande potencial de inovação e todo o mundo já despertou para isso.

Recentemente, o MIT Sloan anunciou uma parceria com uma escola de negócios da Rússia. O senhor está interessado em parcerias semelhantes com o Brasil? Sim. Estamos interessados em conhecer a dinâmica de economias emergentes. Tenho muitos amigos à frente de diversas instituições de ensino no Brasil. Mas ainda não encontramos um possiblidade de realmente fazer a diferença no Brasil, de aprender e também levar conhecimento. Foi isso o que nos levou à Rússia: um projeto de mútuo aprendizado. Queremos fazer a diferença nos lugares aonde vamos. Até esse momento, nossas atividades em parceria com o Brasil estão restritas a projetos conjuntos com a mineradora Vale. Ao invés de procurar uma única instituição, acabamos mantendo contato com várias dela por intermédio da Vale. Esse não a maneira ideal de trabalhar intensamente com uma única universidade, mas é uma boa forma de ter contato com diversas instituições.

O senhor trabalhou durante muito tempo na inciativa privada, tendo passagens por importantes multinacionais. Como o senhor vê a interação entre empresa e universidade? O contato com as empresas é necessário quando falamos em financiamento de projetos. O investimento governamental no ensino superior está estagnado na maioria dos países. Então, precisamos da iniciativa privada para que possamos apostar em pesquisa e desenvolvimento. Além disso, as empresas têm uma experiência de mundo muito importante para os alunos. Elas estão expostas a diferentes culturas e relações comerciais. Isso é precioso para as escolas de negócios, como a nossa. Mas a universidade também precisa estar atenta porque eventualmente existem empresas que não têm os valores que a universidade busca e não estão interessadas numa relação de troca. É preciso atenção, mas sem dúvida é uma parceria indispensável. Construir um muro ao redor da universidade certamente não é a melhor saída.

Fonte Revista Veja

Pense grande, comece pequeno, ande rápido

Ainda menino, o carioca Caio Braz, hoje com 22 anos, alimentava o desejo de mudar, em alguma medida, o mundo. A chave para a ação, contudo, só apareceria anos depois, quando Caio topou com uma frase proferida por Guy Kawasaki, uma das mais importantes figuras do Vale do Silício, polo americano das indústrias de tecnologia: "Tente resolver um problema seu e você estará resolvendo um problema da humanidade". Imediatamente, o jovem se voltou a seus problemas. "'O inglês é o meu problema', pensei. Eu sempre fui bom em matemática, mas não aprendera inglês'." Assim, surgiu o Backpackers, curso on-line do idioma, que utiliza o conceito de edutainment, combinação de educação e entretenimento. Voltado a estudantes das classes C e D, o negócio é rentável e, com menos de um ano de vida, já foi citado como uma das vinte melhores startups – as nascentes empresas de inovação – da América Latina.

De fato, a Backpackers pode empreender mudanças que Caio tanto almejava. Segundo a empresa de recrutamento Catho Online, profissionais que falam inglês têm um incremento salarial da ordem de 18%. "As pessoas das classes C e D precisam, em especial, de capacitação para crescer profissionalmente", diz Caio. "Importantes ferramentas de informação, como a internet, exigem a compreensão do inglês. Para quem não fala o idioma, esse é um mundo em preto e branco."

De família modesta, Caio ingressou em 2007 no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, uma instituição de excelência, como bolsista da Fundação Estudar – que, neste ano, em parceria com VEJA, promove o Prêmio Jovens Inspiradores, que vai selecionar estudantes ou recém-formados com espírito de liderança e compromisso permanente com a busca da excelência: os vencedores ganharão iPads, bolsas de estudo no exterior e um ano de orientação profissional com nomes de destaque do meio empresarial e político (mentoring).

Um ano depois de entrar no ITA, no curso de engenharia mecânica, Caio criou uma organização de ex-alunos da universidade e os convenceu a investir em projetos em desenvolvimento na instituição. É um modelo de financiamento muito comum nos Estados Unidos, mas ainda raro no Brasil. É também uma maneira de profissionais que se destacam no mercado colaborarem com as instituições que os ajudaram a se formar. Mas Caio queria mudar mais coisas a seu redor.

Mergulhado em discussões sobre responsabilidade socioambiental, decidiu se dedicar ao assunto durante um ano da vida, em 2009. Trancou matrícula no ITA pelo período e seguiu para Santa Catarina com outros 300 jovens com um só objetivo em mente: ajudar a reconstruir seis cidades afetadas pelas enchentes que devastaram parte do estado no ano anterior. Aos 19 anos, palestrava para prefeitos e lideranças regionais sobre gerenciamento e utilização de recursos naturais. Voltou ao ITA transformado. Decidiu levar a responsabilidade social ao mundo dos negócios: buscava não só um projeto que desse lucro, mas algo que exercesse impacto no país.

A inspiração veio do bengalês Muhammad Yunus, pai do conceito de microcrédito – o empréstimo de pequenas quantias de dinheiro a pessoas muito pobres, que teriam dificuldades para levantar qualquer montante em bancos convencionais. Em 1976, quando ainda era professor universitário, Yunus fez a primeira experiência desse tipo ao oferecer 27 dólares a um grupo de 42 artesãos. A soma exígua foi suficiente para que eles comprassem matéria-prima, vendessem sua produção de tamboretes de bambu e garantissem a continuidade do negócio. Animado com as possibilidades que a iniciativa apresentava, o intelectual virou banqueiro no ano seguinte. Fundou o banco Grameen, que significa "banco da aldeia" em bengali, e passou a fomentar a atividade econômica local.

O interesse por Yunus levou Caio a Bangladesh. Também o levou a criar a rede Pólens. Ele enviou um e-mail a cerca de 50 amigos sobre suas ideias e, em seguida, criou uma rede de interessados em criar negócios com objetivo de reduzir a pobreza e, ao mesmo tempo, gerar renda. Atualmente, a rede envolve quase 200 jovens e atende pelo nome de Polinize. O resto da história é conhecida: nasceu a Backpackers, uma parceria entre Caio e dois amigos. "Sei que as minhas ações tiveram um componente fundamental: o estudo. Se eu não tivesse ingressado no ITA, não seria capaz de montar esse negócio. Foram o estudo e o ambiente da universidade que me deram o empurrão para o empreendedorismo e a liderança."

Para aqueles que também pensam em promover alguma mudança no espaço a seu redor, Caio reserva uma outra frase, desta vez proferida por Fábio Barbosa, presidente do Grupo Abril, que publica VEJA. "Pense grande, comece pequeno, ande rápido."

O Prêmio Jovens Inspiradores vai revelar os talentos que serão líderes no Brasil – pessoas que, acima de tudo, querem mudar o mundo onde vivem e fazer a diferença. Inscreva-se!
Fonte Revista Veja.com