miércoles, 6 de enero de 2010

Fanny Ardant, diretora

O primeiro filme realizado por Fanny Ardant, estreia-se amanhã . É uma história de famílias, tradições e vinganças com sabor a tragédia grega, passada num país indeterminado e numa época indefinida. O DN conversou com a actriz em Lisboa.


Como se sentiu a actriz Fanny Ardant quando um belo dia se viu no plateau de um filme, só que desta vez atrás das câmaras, transformada na realizadora Fanny Ardant?

Senti-me entusiasmada, mas também como que à beira de um abismo. Recordo-me de no primeiro dia de filmagens ter olhado para trás de mim e visto as caravanas, as tenda da cantina e da maquilhagem, os actores, tudo aquilo...

Uma espécie de pequeno exército que tinha de comandar.

Sim, isso, um pequeno exército. E disse para mim mesma que uma rodagem era um condensado da vida. E enquanto uma actriz é sempre muito protegida - está abrigada e confortável, fazem-lhe todas as vontades -, um realizador tem de responder a mil e uma solicitações. Mas era isso mesmo que eu queria e tinha escolhido. Não cederia o meu lugar a ninguém e nunca me queixei de nada. Fiquei muito entusiasmada e senti-me como um pintor que tem uma tela para preencher.

Há muito tempo que queria fazer Cinzas e Sangue, ou o projecto é recente?

É relativamente recente. Fiz algumas tentativas para realizar o meu primeiro filme, mas, principalmente por questões de tempo, todas se goraram. Até que comecei a escrever esta história e consegui completá-la. Apresentei-a ao Centre National de la Cinématographie, eles deram-me o apoio financeiro, as pessoas começaram a acreditar em mim e o projecto transformou-se num filme. E quando o Paulo Branco me deu o seu sim, então, foi um momento especial.

A história é adaptada de um livro de Ismael Kadaré?

Não, essa ideia deriva com certeza de um qualquer erro de comunicação. O que eu disse foi que Ismael Kadaré tinha escrito que no Norte da Albânia nada havia mudado desde o tempo de Ésquilo. E foi por isso que decidi contar uma história que tivesse que ver com a tragédia, sobre a imutabilidade da lei do tempo, tal como acontece nas tragédias de Ésquilo.

É por isso que, ao vermos o filme, sentimos que a história podia ter-se passado no tempo de Ésquilo, ser nossa contemporânea ou acontecer no futuro.

Foi precisamente essa a minha intenção. E foi por isso que eu quis estilizá-la e nunca dizer onde se passa. Escolhi filmar na Roménia pela sua beleza, porque queria também que a história fosse um hino de amor à terra, e que as pessoas compreendessem que é possível matar por causa da terra. E porque não queria localizar o filme numa época específica, vesti os homens e as mulheres de preto e branco. Aliás, podia ter feito este filme a preto e branco, mas assim não teria conseguido mostrar a beleza da natureza. Assim, Cinzas e Sangue podia passar-se na zona do Mediterrâneo, na Grécia, na Sicília...

Até mesmo em Portugal, onde a ligação das pessoas à terra continua a ser muito forte e ancestral, apesar de todo o progresso.

Sim, decerto, completamente. Tenho a certeza de que no campo, em Portugal, ama-se ainda a terra como se fosse uma pessoa.

E ainda se lêem nos jornais notícias sobre rixas entre famílias e pessoas, e até assassínios, por causa da terra, da água que passa numa determinada propriedade, de uma simples árvore, tal como acontece no seu filme.

Sim, exactamente, as pessoas matam-se por causa de uma árvore. Isso perdeu-se por completo nas cidades, esse apego profundo à terra, a terra que nasce connosco, que se trabalha e onde depois vamos repousar. A mãe-terra. Essas pessoas têm a terra no sangue, tal como os protagonistas do filme. Daí a estilização que eu procurei dar a Cinzas e Sangue, que é também um pouco operático. Foi como se estivesse a filmar um ritual, um conjunto de rituais e o mundo onde eles ainda são respeitados e seguidos. Daí que não haja marcas de modernidade no filme, telemóveis, etc. Até nos carros: quando os tios e os primos vão buscar os familiares ao comboio, vêm a guiar dois Volgas velhos.

Optou por um elenco de actores pouco conhecidos, salvo a israelita Ronit Elkabetz, que interpreta a mãe. Além de actriz ela é também realizadora, e muito famosa no seu país. Porque é que a escolheu?

A Ronit começa a ser conhecida em França e tive muita sorte por ela estar livre. Eu não tinha muito dinheiro para fazer este filme, as condições de rodagem foram difíceis, fazia um frio enorme, mas a Ronit foi de uma disponibilidade e de uma generosidade enormes. É uma actriz muito inteligente, e como fala francês com sotaque, acreditamos logo que é uma mulher que chega de fora. É muito importante gostarmos dos actores com quem trabalhamos, e a Ronit transformou-se no meu alter ego.
Fonte DN Portugal

Museo para Munch


Demasiado Munch para Oslo
El proyecto del arquitecto español Juan Herreros para el nuevo museo del autor de 'El grito' suscita una fuerte controversia a causa de sus dimensiones

Los críticos de arte aullaron en 1893 cuando vieron por primera vez El grito, la obra más famosa de Edvard Munch. Más de un siglo después, también se han alzado voces contra el proyecto del nuevo museo que albergará el legado artístico del pintor noruego. El debate, en esta ocasión, tiene que ver con el impacto urbanístico del edificio proyectado por el arquitecto español Juan Herreros que, en 2013 según los plazos previstos, se alzará en el barrio de Bjorvika, en la bahía de Oslo. Es parte de un gran plan de remodelación que pretende abrir la capital noruega al mar.

Juan Herreros ya asume que quizá tenga que desplazar y retocar su proyecto
El director general de Patrimonio Nacional en Noruega, Jorn Holme, ha sido el último en expresar sus reservas sobre el proyecto, que el pasado mes de abril se adjudicó Herreros tras ganar un concurso internacional al que también se presentaron superestrellas como Zaha Hadid o Tadao Ando. El plan, llamado Lambda, abarca, además del Museo Munch, una playa, un barrio residencial y una biblioteca.

Según declaraciones de Holme, sus objeciones se refieren a la totalidad del proyecto urbanístico de la capital noruega, que afecta a la zona en la que Oslo fue fundada en la Edad Media y que contiene un importante patrimonio cultural. "La intención del director general nunca ha sido suscitar o participar en un debate arquitectónico", puntualiza Margrethe Tviberg, directora general en funciones de Patrimonio Nacional. "Jorn Holme no tiene nada que decir respecto a Lambda, el proyecto para el Museo Munch, o la arquitectura del reconocido Juan Herreros como tal. Patrimonio Nacional ha expresado su objeción al emplazamiento del edificio, no al edificio en sí mismo". Tviberg insiste en que esa preocupación se encuadra en la discusión sobre la remodelación urbanística de la capital noruega que tiene como interlocutor al Ayuntamiento de Oslo -que es quien lo ha promovido- y que "no se trata de un debate sobre el nuevo Museo Munch específicamente".

El director de la Ópera de Oslo, Tom Remlov, plantea, sin embargo, unas quejas más concretas. "No me opongo al proyecto en sí, sino a sus dimensiones. Por lo que he tenido ocasión de ver, el edificio será desproporcionadamente alto, resaltará enormemente y llamará mucho la atención", explica. Remlov no oculta su preocupación por el "conflicto" que supondrá la proximidad del Museo Munch con el actual edificio de la Ópera y Ballet Nacional de Oslo, otro inmueble inconfundible, diseñado por el estudio noruego Snøhetta, que recibió el año pasado el premio Mies van der Rohe y tiene la horizontalidad como nota de distinción: "Si se construye un edificio emblemático al lado de otro ya notable, se anularán recíprocamente". Remlov insiste en que es necesario estudiar bien el impacto visual que el futuro museo tendrá y, para ello, propone que se construya un andamio del mismo tamaño que el proyecto de Herreros.

El arquitecto español asegura que este tipo de discusión en Noruega es normal en proyectos de esta envergadura y recuerda que el edificio de la ópera tardó 10 años en construirse. "Es una forma de ejercer la práctica arquitectónica en un contexto de gran transparencia y de alta participación colectiva. En lugar de desarrollarse en una sala de reuniones, es bastante público. Es otra forma de trabajar", dice Herreros, que en la actualidad trabaja en el proyecto y admite que quizá haya modificaciones. "No me preocupa dónde va a terminar el proyecto. Mi trabajo no consiste en defenderlo con uñas y dientes, sino que responde a unas exigencias y es adaptable con pequeños cambios a las situaciones. Posiblemente habrá que desplazar algo el edificio", señala. En alusión al impacto que tanto preocupa al director de la Ópera de Oslo, añade: "La altura o la anchura no es el problema, sino el perfil de vistas que plantea. Habrá que buscar la forma de encajar el edificio en ese perfil". Pero, por si queda alguna duda, Herreros recuerda que su plan fue aprobado por unanimidad por la ciudad de Oslo y es categórico: "Lo que no está en cuestión es el proyecto. Habrá un Museo Munch, lo haremos nosotros y todas las partes interesadas tratarán de conseguir algo".

En Ámsterdam, los arquitectos Antonio Cruz y Antonio Ortiz, ganadores del concurso para la remodelación del Rijksmuseum, han vivido un debate público similar al que ahora afronta Herreros. Su proyecto inicial fue rechazado en 2004 por la poderosa Federación Ciclista de la ciudad porque suponía cerrar el paso de las bicicletas por la galería central del edificio. A finales del pasado año, los arquitectos presentaron su tercera propuesta que, por fin, obtuvo el consenso de todos, ya que permitirá un uso mixto para peatones y bicicletas
Fuente El País

martes, 5 de enero de 2010