sábado, 5 de diciembre de 2009


Umberto Eco.
O comissário da nova exposição no Louvre, em Paris, fala do lugar que as listas ocupam na história da cultura e dos modos como tentamos não pensar na morte. Um intelectual em discurso directo

As listas estão na origem da cultura. Fazem parte da história de arte e da literatura. De que precisa a cultura? De tornar o infinito compreensível . Também precisa de criar ordem - nem sempre, mas frequentemente. E, enquanto seres humanos, como enfrentamos o infinito? Como se pode tentar captar o sentido do incompreensível? Por meio de listas, catálogos e colecções em museus, e recorrendo a enciclopédias e dicionários. Há um fascínio em enumerar as mulheres com quem Don Giovanni dormiu: 2063, a acreditar em Lorenzo da Ponte, libretista de Mozart. Também temos listas inteiramente práticas - listas de compras, testamentos, ementas - que são actos culturais por mérito próprio.

A pessoa culta deve ser vista como uma guardiã que tenta impor a ordem nos locais onde predomina o caos?


A lista não destrói a cultura; cria-a. Para onde quer que olhe, na história da cultura, há-de encontrar listas. Com efeito, há uma gama estonteante: listas de santos, de exércitos e plantas medicinais, de tesouros e de títulos de livros. Pense-se na natureza das colecções do século XVI. Aliás, os meus romances estão cheios de listas.

Os contabilistas fazem listas, mas elas também existem nas obras de Homero, James Joyce e Thomas Mann.

Pois. Mas estes, obviamente, não são contabilistas. No "Ulisses", James Joyce descreve o modo como o seu protagonista, Leopold Bloom, abre as gavetas e tudo o que nelas encontra. Eu considero isso uma lista literária, e ela diz muito sobre Bloom. Ou então tomemos Homero, por exemplo. Na "Ilíada", ele tenta dar a noção do tamanho do exército grego. De início, recorre a comparações: "Tal como um grande incêndio de floresta, rugindo no topo de uma montanha, se avista ao longe, assim também, ao marcharem, o brilho das armaduras iluminava o firmamento". Mas não fica satisfeito. Não consegue encontrar uma boa metáfora e, por isso, pede às musas que o ajudem. Então tem a ideia de enumerar muitos, muitos generais e os seus navios.

Mas, ao fazê-lo, não estará a desviar- -se da poesia?

No princípio, pensamos que uma lista é uma coisa primitiva e típica das culturas mais antigas, que não tinham uma concepção exacta do universo e que, portanto, estavam limitadas a enumerar as características a que conseguiam dar nome. Contudo, na história da cultura, as listas continuaram a prevalecer. Não são de modo algum uma mera expressão das culturas primitivas. Na Idade Média já havia uma imagem muito clara do universo e também havia listas. Uma nova mundividência baseada na astronomia dominou a Renascença e a época do Barroco e as listas continuaram a ser usadas. Também na era pós- -moderna as listas têm um papel importantíssimo . Têm uma magia irresistível.

Mas por que razão Homero enumerou todos aqueles guerreiros e navios se sabia que nunca poderia dar nomes a todos?

A obra de Homero toca repetidamente no topos do inexprimível. As pessoas fazem sempre isso. Sempre sentimos fascínio pelo espaço infinito, pela interminável série de estrelas e de galáxias. Como se sente uma pessoa quando olha para o céu? Pensa que não tem línguas suficientes que descrevam o que vê. Mesmo assim, as pessoas nunca deixaram de descrever o céu, recorrendo ao simples expediente de enumerarem o que vêem. Com os amantes passa-se o mesmo. Sentem uma deficiência na linguagem, uma falta de palavras que exprimam os seus sentimentos. E será que alguma vez os amantes desistem de o tentar fazer? Fazem listas: os teus olhos são tão belos, a tua boca também, e o teu colo... É possível ser muito pormenorizado.

Porque perdemos tanto tempo a tentar completar coisas que, de um ponto de vista realista, não se podem completar?

Nós temos um limite, um limite muito desanimador e humilhante: a morte. Por isso gostamos de tudo o que para nós não tem limites e que, portanto, não tem fim. É uma fuga que nos distrai de pensar na morte. Gostamos de listas porque não queremos morrer.

Na sua exposição no Louvre também vai expor obras das artes visuais, como naturezas-mortas. Mas essas pinturas têm molduras, ou seja, limites, e não podem representar nada mais do que aquilo que de facto representam.

Pelo contrário, o que nos leva a gostar tanto delas é acreditarmos que conseguimos ver nelas para além disso. Quem contempla uma pintura sente necessidade de abrir a moldura e ver como são as coisas à esquerda e à direita do quadro. Esse tipo de pintura é verdadeiramente como uma lista, um pedaço recortado do infinito.

Porque são essas listas e acumulações tão importantes para si?

As pessoas do Louvre contactaram-me e perguntaram-me se eu gostaria de comissariar uma exposição nesse museu. Pediram-me que apresentasse um programa de actividades. Só a ideia de trabalhar num museu foi suficiente para me atrair. Estive lá sozinho recentemente e senti-me como uma personagem de um romance de Dan Brown. Foi simultaneamente estranho e maravilhoso. Percebi imediatamente que a exposição iria ter como tema central as listas. Porque me interessa tanto esse tema? Não sei bem. Gosto de listas pela mesma razão que outras pessoas gostam de futebol ou de pedofilia. Gostos não se discutem.

Mesmo assim, é famoso por saber explicar as suas paixões ...

... mas não por falar sobre mim. Ora veja, desde os dias de Aristóteles que temos tentado definir as coisas com base na respectiva essência. A definição de homem? Um animal que age de maneira deliberada. Ora, os naturalistas levaram 80 anos a arranjar uma definição para o ornitorrinco. Foi extremamente difícil descrever a essência desse animal. Vive debaixo de água e em terra, põe ovos e, no entanto, é mamífero. E como era essa definição? Era uma lista, uma lista de características.

Seria certamente possível defini-lo se fosse um animal mais convencional.

Talvez, mas será que isso tornaria o animal interessante? Pense num tigre, que a ciência classifica como predador. Como iria uma mãe descrever um tigre ao seu filho pequeno? Provavelmente através de uma lista de características: o tigre é grande, é um felino, amarelo, às riscas, e forte. Só um químico se referiria à água como sendo H2O. Mas eu digo que é líquida e transparente, que a bebemos e que nos podemos lavar com ela. Agora pode finalmente perceber aquilo de que estou a falar. A lista é a marca de uma sociedade altamente avançada e culta porque nos permite questionar as definições essenciais. A definição essencial é primitiva em comparação com a lista.

Pode parecer que está a dizer que devemos parar de definir as coisas e que haveria vantagem se, em vez disso, as contássemos e enumerássemos.

Pode ser libertador. A idade do Barroco era uma época de listas. De repente, todas as definições eruditas feitas na era precedente deixaram de ser válidas. As pessoas tentaram ver o mundo a partir de uma perspectiva diferente. Galileu revelou novos pormenores sobre a Lua. E, na arte, as definições consagradas foram objectivamente destruídas e a diversidade de temas expandiu-se enormemente. Por exemplo, eu vejo as pinturas do Barroco holandês como listas: as naturezas-mortas com todos aqueles frutos e as imagens de gabinetes de curiosidades opulentos. As listas podem ser anárquicas.

Mas também disse que as listas podem trazer ordem. Quer então dizer que tanto a ordem como a anarquia se aplicam neste caso? Isso tornaria perfeitas para si a internet e as listas criadas pelo motor de pesquisa Google.


Sim, no caso do Google, ambos os conceitos convergem. O Google cria uma lista, mas no momento em que olho para a lista que o Google gerou, ela já mudou. Essas listas podem ser perigosas - não para os adultos como eu, que adquiriram conhecimento de outro modo -, mas para os jovens, para quem o Google é uma tragédia. As escolas deveriam ensinar a arte da discriminação.

Está a dizer que os professores deviam ensinar aos estudantes a diferença entre bom e mau? E, nesse caso, como o fariam?

A educação deveria regressar às estratégias das oficinas da Renascença. Aí, os mestres podiam não ser capazes de explicar aos alunos por que razão uma pintura era boa em termos teóricos, mas faziam-no de maneiras mais práticas. Olha, isto é o aspecto que o teu dedo pode ter e este é aquele que deve ter. Olha, esta é uma boa combinação de cores. A mesma abordagem deveria ser utilizada nas escolas quando se lida com a internet. O professor deveria dizer: "Escolham qualquer assunto: a história da Alemanha ou a vida das formigas. Pesquisem em 25 páginas web diferentes, comparando-as, e tentem descobrir qual tem informação importante e pertinente". Se dez páginas disserem a mesma coisa, pode ser sinal de que essa informação está correcta. Mas isso também pode acontecer porque alguns sites se limitaram a copiar os erros dos outros.

Quanto a si, é mais provável que trabalhe com livros; tem uma biblioteca de 30 mil volumes. Provavelmente não funciona sem uma lista ou catálogo.

Receio bem que, nesta altura, já sejam 50 mil livros. Quando a minha secretária os quis catalogar, pedi-lhe que não o fizesse. Os meus interesses mudam constantemente, tal como a minha biblioteca. A propósito, se os nossos interesses mudarem constantemente, a nossa biblioteca dirá algo de diferente sobre nós. Além disso, mesmo sem um catálogo, vejo-me forçado a lembrar-me dos meus livros. Tenho uma sala para literatura com 70 metros de comprimento. Percorro-a várias vezes por dia e sinto--me bem quando o faço. Cultura não é saber quando morreu Napoleão. Cultura significa saber como vou descobrir isso em dois minutos. Claro que, hoje em dia, posso encontrar esse tipo de informação na internet em menos de um ai. Mas, como disse, com a internet nunca se sabe.

Incluiu uma lista simpática feita pelo filósofo francês Roland Barthes no seu novo livro, "A Vertigem das Listas". Ele enumera as coisas de que gosta e as de que não gosta. Gosta de salada, de canela, de queijo e de especiarias. Não gosta de ciclistas, de mulheres de calças compridas, de gerânios, de morangos e de harpa. E o senhor?

Eu seria louco se respondesse; significaria rotular-me. Fiquei fascinado com Stendhal aos 13 anos e com Thomas Mann aos 15 e, aos 16, adorava Chopin. A seguir, passei a vida a tentar conhecer o resto. Neste momento, Chopin voltou a estar no topo da lista. Quando interagimos com as coisas da nossa vida, tudo muda. Se nada mudar, somos idiotas.
Fonte Jornal i via Der Spiegel

Chanel en Shanghai

La casa francesa presenta en China la colección 'Métiers d'Art' 2009 / 2010
EUGENIA DE LA TORRIENTE -


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"No hay mejor decorado posible que la propia ciudad", había advertido Karl Lagerfeld antes del desfile. En efecto, el perfil de los rascacielos de Shanghai remató el jueves por la noche, de forma apabullante, la puesta en escena de la colección Métiers d'Art 2009 / 2010 de Chanel. Con esta línea anual la casa francesa exhibe desde 2002 la habilidad de los cinco talleres artesanos parisienses que compró para asegurar su supervivencia. Manos y oficio que hacen posible la alta costura, y una raza en peligro de extinción.


Esta colección comercial, pero riquísima, es el mejor ejemplo de un fenómeno en auge: la semi costura (demi couture, según los franceses). La expresión sirve para definir ropa con precios y acabados cercanos a la alta costura pero sin la confección a medida. Sus ocho ediciones se han presentado en distantes esquinas del mundo, de Tokio a Londres, que guardan alguna relación con la historia de Chanel. O que la guardarán.

En el caso de Shanghai, un poco de ambas. Es cierto que Mademoiselle coleccionaba antigüedades orientales. Pero también lo es que el desfile coincidía con la inauguración de una tienda Chanel en la ciudad, la número 13 de las que tiene entre China y Hong Kong. Las expectativas de crecimiento en ese país para este año de esta empresa familiar (siempre opaca acerca de sus números) se admiten de doble dígito. Se entiende así que, en esta caricia a la potencia emergente en el mundo del lujo, no se escatimara intensidad amorosa. Antigüedades y obras de arte originales para "la tienda Chanel más refinada del mundo" y una apabullante estructura acristalada varada en la orilla del río Huangpu para acoger a los 800 invitados al desfile, entre ellos Vanessa Paradis y Anna Mouglalis.

Enmarcado por el metal negro de esa caja de 85 metros de largo y seis y medio de alto, el perfil más futurista de China, con sus serpenteantes neones, parecía más que nunca el fotograma de una película de ciencia ficción. Pero el filme que se proyectó en las cinco pantallas que descendieron sobre el panorámico encuadre fue de otro tipo. Para salvar el escollo de que Coco nunca puso un pie en China, Lagerfeld la hizo viajar allí con un cuento en imágenes escrito y dirigido por él. En el corto, a ratos francamente gracioso, la diseñadora se traslada en sueños a varios momentos de la historia del país y se encuentra con variados personajes, desde emperadores hasta Marlene Dietrich. Ferviente defensor de lo políticamente incorrecto, ha elegido a sus modelos favoritos (todos occidentales, como el ubicuo Baptiste Giabiconi) para interpretar personajes chinos, con la inestimable ayuda de abundante eyeliner. "Es un homenaje, no hay racismo", defendía el diseñador septuagenario en la rueda de prensa anterior al desfile.

La estructura de 500 toneladas, que 150 personas construyeron durante 30 días, estaba suspendida sobre el río que separa la parte tradicional de la ciudad (lo poco que queda de ella, al menos) de la ultramoderna. Las mismas aguas en las que nadó Lagerfeld en su sublime acercamiento al manido tema oriental. "Esto no es folclore, es moda", aclaraba. Trajes de tweed con iridiscentes hilos multicolores parecían reflejar los neones que les contemplaban, con los que esta sociedad ilumina su frenética carrera hacia el futuro. Aquí y allá, aparecía el rojo, los hombros pagoda y los cuellos mao que se asocian a su pasado. Y las referencias a los guerreros de terracota y al cine de los años 30 se mezclaban con los ajustados pantalones de cuero que hoy pueblan cualquier armario adolescente.

Además de la demostración de virtuosismo de los artesanos, lo que el jueves se vio fue una exhibición de poderío en un mercado saturado por los efusivos cortejos de las firmas occidentales. Pero el espectáculo estaba destinado a una audiencia global, como demostraban los 60 periodistas traídos de todo el mundo y el impresionante montaje. "Una modelo saliendo por una puerta blanca sólo capta la atención de alguien muy interesado en la moda. Para que el resto siga mirando tienes que ofrecer una superproducción, con efectos especiales", opina Lagerfeld.

El tercer acto de la suya, se vio tras el desfile y tuvo un sabor cómico y familiar que se agradecía después de tanta monumentalidad. Un cabaret blanco y lleno de camelias en el que los acólitos de Lagerfeld se lanzaron a cantar con desigual fortuna: Paradis encandiló, mientras Mouglalis y Giabiconi asesinaron sus temas. Lagerfeld lo fotografiaba todo con una entrega cercana a la ternura
Fuente El País

Mario Vargas Llosa

Vargas Llosa, inauguró una exposición titulada La libertad y la vida que, repasa su trayectoria vital y su obra. Allí están sus primeros poemas -"háganme el favor de mirarlos, pero no se les ocurra leerlos"- su máquina de escribir, un vídeo donde se le ve entrevistando a Borges, otro donde pronuncia un mitin como candidato a la presidencia del Perú... "Aunque he hecho muchas cosas en la vida", quiso dejar claro Vargas Llosa, "el periodismo, la política, lo mucho que he viajado... lo central, a lo que nunca traicioné, ha sido la literatura. Lo importante, lo fundamental, es lo que he escrito...".
Pablo Ordaz en El País

PS O muso do blog "acontece" em qualquer lgar que chegue.

viernes, 4 de diciembre de 2009

Fundaçao Serralves e Invisuais.

Une decoration ecologiquement "corecte" a Paris. C`est sympa, ça!

Pastel de Natas? Apenas o melhor

La mosca y el filandón

Los escritores José María Merino, Luis Mateo Díez y Juan Pedro Aparicio protagonizan una noche de cuentos en la feria del libro de Guadalajara
JUAN CRUZ - Guadalajara -


José María Merino, el escritor leonés que ha llevado ahora el cuento a la Academia española, no sabía anoche que la mosca, uno de sus temas, era asunto importante en esta Feria del Libro de Guadalajara.



Merino leía con sus compañeros (y amigos) leoneses Luis Mateo Díez, también académico y cuentista, y Juan Pedro Aparicio, asimismo maestro del relato corto, en el curso de un espectáculo que llevan ya muy rodado, Los filandones. Así evocan (con mucho éxito, como en Guadalajara) la tradición de los que contaban en las montañas de León cuentos al calor de la lumbre mientras se asaban castañas y las mujeres hilaban.

Mateo leyó cuentos de amor, alimentos y muerte, y lo mismo hicieron Merino y Aparicio; lo llevan ensayando mucho tiempo, y ahora han venido a Guadalajara para abrir boca porque el año próximo Castilla y León es la invitada de honor (como cuna de la lengua española) a esta feria tapatía, la más importante del mundo en nuestro idioma.

El primer cuento que leyó Merino tenía a una mosca invasora como asunto. Él no sabía entonces que se unía a Juan José Millas, a José Emilio Pacheco, a Augusto Monterroso, entre otros muchos, que, de una forma u otra, escriben sobre la mosca o participan de una exposición acerca de este insecto milenario en el stand Artes de México que dirige el novelista Alberto Ruy Sánchez. El número se titula Elogio de la mosca en el arte y es una joya literaria que combina la belleza con el sentido del humor, de la biología y de la historia.

Merino dijo, cuando empezó a leer sus relatos, que se cuentan historias desde hace 140.000 años, se escribe desde hace 6000, y hay libros, tal como los conocemos, desde hace 500 años. Pues como la mosca; siempre ha estado, volando, y es asunto que ha inspirado a todo el mundo en todas las épocas. Ruy Sánchez valora mucho, sobre todo, lo que en el siglo II escribió Luciano de Samosata: "Cuando todo el mundo hablaba de los héroes de las batallas, él dijo: 'Que otros hablen de los héroes, yo hablo de las moscas". Y estuvo en lo cierto, relata el novelista: "Él habló de lo perdurable?. ¿Quién se acuerda ahora de los héroes de los tiempos de Luciano de Samosata?".

Monterroso
también lo dijo en Movimiento perpetuo: "Hay tres temas importantes en la vida: el amor, la muerte y la mosca. Que otros hablen del amor y de la muerte. Yo me ocuparé de la mosca".

La exposición contiene la interpretación que numerosos artesanos mexicanos de Ocumichu hicieron de las obras de arte que contiene la revista que rinde culto a la mosca. Son piezas que evocan sexo, compañía, molestia..., todos los símbolos, literarios o no, que a uno se le ocurran en torno a lo que es capaz de inspirar una mosca están ahí, en estos demonios, sátiras y otras metáforas que los artesanos utilizaron para reinterpretar lo que los artistas han dicho del insecto que inspiró a Jean PaulSartre o a Juan José Millas.

Millás (y su reportaje sobre la mosca en ELPAIS Semanal ) es pieza fundamental en el engranaje de esta exposición y del contenido de la revista. Él estuvo un mes observando a la mosca en el laboratorio del biólogo Ginés Morata, en el Centro Superior de Investigaciones Científicas, en Madrid. Los ayudantes del científico le dieron, al final, por su aprovechamiento, un doctorado oficioso. Fascinado por esa experiencia publicó un texto que ahora aquí, entre los mexicanos apasionados de las moscas, es de culto. Ginés Morata, que ha venido a Guadalajara como parte de un grupo de científicos españoles traídos por la Universidad de Alcalá de Henares, nos habló de esa experiencia con Millás y del valor que tiene la mosca, más allá de amargarnos la vida revoloteando.

Dice Morata que aquel interés que mostró el autor de El orden alfabético por la mosca le conmovió mucho. La mosca, dice el biólogo, es un insecto exitoso, ha superado la criba de los siglos. En general, los insectos han mantenido una extraordinaria capacidad de supervivencia; el genetista británico Haldane dice que, si existe Dios, debía estar increíblemente interesado por los insectos. "No sólo Millás", dice Morata, "sino el mismo Dios padre debía tener una enorme pasión por la existencia de la mosca".

Es un insecto fundamental para entender nuestra propia evolución. Morata trabaja "con moscas de pedigrí". Y las trata, en el laboratorio, como lo que son, el organismo más importante de la genética desde el siglo XIX... A 25 grados una mosca vive diez días; en treinta días sabes no sólo cuál ha sido su ciclo biológico sino también el de sus nietos, y eso tiene un enorme valor, dice Morata, para entender también que nos pasa a los que hablamos y nos contamos cuentos.

Millás habló de Catalina, "una mosca muy especial", en su trabajo de EL PAÍS. Hoy Catalina es una de las heroínas que se pasean por la feria como uno de los elementos fundamentales de la más extraña, minúscula e inolvidable exposición que haya convivido alguna vez con la exhibición de libros.

Cuando Merino empezó a leer su cuento sobre las aventuras de una mosca colada en un hotel de lujo, en medio de los rigores del frío de febrero, parecía que la Catalina de Millás y de Morata entraba de lleno también a rondar a los que leían los cuentos del filandón. Pero, mientras leían Mateo, Merino y Aparicio no se oyó, por cierto, ni el ruido de una mosca. Aquí oyen así, sin hacer ruido.
Fuente El Pais

miércoles, 2 de diciembre de 2009

Sudamerica!

domingo, 29 de noviembre de 2009

Tu ne dis jamais rien

Leo Ferre chante Charles Baudelaire. D`autres modernismes aussi

Monteiro Lobato e outros modernismos brasileiros

A ciência descobre Lobato
26/11/2009

Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – Uma das principais pesquisadoras da obra de Monteiro Lobato, Marisa Lajolo, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conquistou o prêmio Jabuti em 2009 por meio de uma obra nascida no âmbito de um Projeto Temático da FAPESP.

Vencedor do maior prêmio literário brasileiro deste ano, na categoria não-ficção, Monteiro Lobato: livro a livro – Obra infantil deriva do projeto Monteiro Lobato (1882-1948) e outros modernismos brasileiros, que durou de 2003 a 2007.

O livro é resultado do trabalho de mais de 15 pesquisadores. Cada um analisou uma obra infantil de Lobato: como ela foi escrita, as influências que o autor recebeu e a evolução de cada edição revista pelo autor.

Para isso, eles se debruçaram sobre o acervo documental doado à Unicamp pela família de Lobato. São quase 2 mil itens que pertenceram ao autor, incluindo fotos, desenhos, livros, cartas e documentos editoriais e escolares.

Cada livro infantil de Lobato foi transformado em um capítulo da obra organizada por Lajolo e por João Luís Ceccantini, professor da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Assis.

A professora destaca que os direitos autorais do livro pertencem à Unicamp. “Achamos importante que os lucros fossem revertidos à instituição pública que tem o ônus da guarda do acervo do autor”, disse.

Grande parte dos documentos do acervo de Monteiro Lobato está disponível desde 2007 no site www.unicamp.br/iel/monteirolobato.

Em entrevista à Agência FAPESP, Marisa conta como foi a elaboração do livro e o que esse e outros trabalhos acadêmicos sobre Lobato têm revelado sobre o autor.

Agência FAPESP – Como surgiu a ideia do livro Monteiro Lobato: livro a livro, vencedor do Jabuti?
Marisa Lajolo – Em 2005 foi realizada uma jornada na Unicamp com os pesquisadores que trabalhavam com Monteiro Lobato e discutimos uma estrutura para o livro. A proposta foi reunir um conjunto de ensaios feitos sob encomenda e fazer um estudo relativo a cada uma de suas obras de literatura infantil. Essas obras conhecidas e lidas hoje são, geralmente, as edições definitivas que Lobato preparou em 1946 e 1947. O que mostramos é que cada obra teve inúmeras versões.

Agência FAPESP – Os livros de Lobato foram muito reescritos?
Marisa Lajolo – Muito. Isso é interessante e um dos bons resultados da pesquisa, porque mostra a imagem de um Lobato trabalhador da palavra, o que é um pouco o ofício do escritor. E enfraquece a imagem do artista como um ser excepcional, alguém inspirado que tem uma ideia genial e dela sai, imediatamente, uma obra-prima.

Agência FAPESP – Ou seja, muito mais transpiração do que inspiração.
Marisa Lajolo – Sim. Ou melhor, ele mostra que temos que ganhar inspiração na transpiração. Quando você tem uma ideia para escrever uma história, é preciso muito suor e trabalho para que essa ideia se transforme em um bom livro. Não é só sentar e escrever livremente o que vem à cabeça. A criatividade exige trabalho.

Agência FAPESP – As diferenças entre as primeiras versões e as finais são muito grandes?
Marisa Lajolo – São. Eu acho que uma das diferenças mais significativas é a simplificação da linguagem, a sua oralização. No começo, o estilo era muito mais pomposo. No fim, ficou bem mais coloquial. Há também outro ponto a destacar. Na primeira versão de O Saci, por exemplo, Lobato incluiu uma fada na história. A partir da segunda edição a fada desapareceu. É como se ele fosse estruturando a obra em torno de um imaginário brasileiro e enfraquecendo outros imaginários.

Agência FAPESP – Qual foi a influência dos leitores na produção do autor?
Marisa Lajolo – Quando organizamos a estrutura de nosso livro, sabíamos que entre o material do autor disponível na Unicamp havia cartas de leitores. E percebemos por meio das análises das diversas edições que ele levava muito a sério as opiniões do público.

Agência FAPESP – Como isso ocorria?
Marisa Lajolo – Sobretudo, os leitores corrigiam erros das primeiras edições. Por exemplo, em O garimpeiro do rio das Garças estava que determinado rio era em um Estado brasileiro. Aí, um leitor escreveu dizendo “esse rio não é lá, é em outro lugar”. Então, na segunda edição, ele corrigiu, o que é fantástico porque mostra um escritor realmente muito antenado com seus leitores. Isso está gerando uma nova linha de pesquisa em uma área mais ampla de literatura infantil que é a importância do estudo da correspondência de leitores para autores. A tradição é o estudo da correspondência entre autores, mas agora estamos trabalhando com as cartas de leitores anônimos e a influência que elas têm sobre o escritor.

Agência FAPESP – Poderia destacar alguns novos estudos que têm sido feitos sobre Lobato?
Marisa Lajolo – No início de dezembro, Thaís Albieri, que é bolsista da FAPESP, defende sua tese de doutorado na Unicamp sobre a correspondência do Monteiro Lobato com os argentinos. Essas cartas mostram, de novo, um Lobato muito batalhador. Com o escritor argentino Manoel Gálvez, por exemplo, ele montou estratégias para a difusão da leitura e do livro na Argentina e no Brasil, o que é muito interessante. Outra aluna da Unicamp, também bolsista FAPESP, fez um paralelo entre a correspondência dos leitores do Lobato, que morreu em 1948, e a correspondência de estudantes com os escritores contemporâneos Ana Maria Machado e Pedro Bandeira. O trabalho mostra que, à medida que o tempo passa, a escola vai se apropriando da ideia de o aluno escrever carta para o autor. Então há, digamos assim, uma “escolarização” do g ênero.

Agência FAPESP – As cartas para escritores viraram trabalho escolar?
Marisa Lajolo – A correspondência se tornou um produto que tem uma importância grande para questões educacionais, porque se debruça sobre a prática escolar e o que se faz com a leitura na sala de aula. Algo que não era previsto no começo.

Agência FAPESP – Essa prática faz o aluno se sentir coautor da obra?
Marisa Lajolo – Exatamente, ele se sente mais ou menos coautor. Na correspondência do Lobato é quase comovente a forma pela qual as crianças se mostram envolvidas pelas histórias. E também são interessantes as respostas do autor, é como se ele se tornasse criança. Para uma menina ele diz, por exemplo, “eu li a sua carta lá no Sítio do Pica-Pau Amarelo, e a Emília mandou dizer para você que...” Ou seja, ele entra na brincadeira.

Agência FAPESP – Lobato manteve muitos correspondentes infantis?
Marisa Lajolo – Ele recebia muitas cartas de crianças. Raquel Afonso da Silva é uma pesquisadora que trabalha exaustivamente essa correspondência de Monteiro Lobato. Em Monteiro Lobato: livro a livro há vários capítulos com transcrições de cartas de crianças e também cartas do escritor para elas. Percebemos que, com isso, ele desenvolvia uma espécie de antena em que auscultava o que o público gostava, para onde queriam que ele fosse.

Agência FAPESP – Ele atendia os pedidos?
Marisa Lajolo – Alguns sim. Mas o interessante é que crianças propondo temas para livros também ocorre com autores contemporâneos, como Pedro Bandeira. É uma constante. É, por exemplo, o leitor que gostou da obra e quer ver a sua cidade, ou a sua rua, ou a sua escola na obra, ou até ele mesmo como personagem do livro. E, de vez em quando, Lobato fazia uma brincadeira nesse sentido. Em um de seus livros há uma cena em que várias pessoas visitam o sítio e ele colocou nos visitantes nomes de uma porção de pessoas que lhe escreveram cartas.

Agência FAPESP – Os estudos sobre Lobato e sua obra têm aumentado nos últimos anos. Como explicar esse interesse crescente pelo autor?
Marisa Lajolo – A primeira razão, na minha opinião, é a grande expansão da pós-graduação no Brasil. Há também, atualmente, uma tendência de que os cursos de graduação peçam trabalho de conclusão de curso e Lobato é um nome muito forte no Brasil. O relançamento de suas obras em 2007 pela Editora Globo o trouxe novamente à mídia. Houve também a divulgação dos resultados de nosso Temático pela Agência FAPESP, além do importante apoio da Unicamp ao projeto. Tudo isso colaborou para que houvesse uma intensificação do interesse pelo Lobato.

Agência FAPESP – Que outros resultados teve o Projeto Temático Monteiro Lobato (1882-1948) e outros modernismos brasileiros?
Marisa Lajolo – Podemos destacar certamente os prêmios que esse livro recebeu, uma vez que essa obra foi feita dentro do Temático. E também o trabalho e a formação dos alunos. De todos que participaram, só faltam dois alunos defenderem seus doutorados feitos no âmbito do projeto. Cada capítulo do livro que escrevemos foi feito por um aluno de mestrado ou de doutorado que trabalhou com a obra ou com o tema de que se ocupa o capítulo. Também há um capítulo feito por mim e outro feito pelo Ceccantini.



via Agencia FAPESP

E mais nao digo. Deixo falar o México, este país que poderia ser o meu.