miércoles, 2 de noviembre de 2011

Brasil num retrato antigo (Carlos Drummond de Andrade)

0 baiano Antonio Marcelino teve uma idéia feliz: fazer o retrato do Brasil através de cartões postais. Esse retrato
está exposto no Núcleo de Fotografia da Funarte, sob o título "Tempostal".
Também poderia chamar-se "Tempoe- sia", pois o que não lhe falta é o hálito de nostalgia poética, evocativo do que era a vida brasileira entre 1900 e 1920 — a "idade de ouro do cartão postal", como lhe chamou Ado Kiron, estendendo o período até 1925.
Tecnicamente bem apresentada, a exposição enche de surpresa os olhos da gente moça que ali vê o Brasil de seus avós, em imagem e linguagem. Aos avós remanescentes, ela traz de volta, como em tapete mágico, decorado com purpurina e motivos "art- nouveau", a atmosfera, as ruas, as paisagens, os hábitos de civilidade contidos na avalanche de cartões postais que era de uso, então, trocar febrilmente, entre parentes e amigos. (Nem faltava, nas salas de visita burguesas, o porta-postais de seda e flores bordadas.)
A mania do cartão ilustrado, antecessora vetusta dos patins, do "headphone", das miniaturas de automóveis e de tantas outras modas que ajudam a tornar a vida diferente, embora continuando a mesma, imperou no Brasil como no mundo. E não foi modismo transitório, pois durou prati-camente um quarto de século.
Não se expediam postais somente quando em viagem, mas sob qualquer pretexto e mesmo sem pretexto; freqüentemente, só para receber, na volta, outro postal, com uma frase gentil, um pensamento, copiado sabe- se lá de onde. Não encontro melhor explicação do que esta para o cartão com a vista da Ponte do Caxangá, no Recife, trazendo a mensagem:
"Minha cara senhora. O espaço nos separa, mas o coração nos une. Quem espera crucifica-se entre a dúvida e a esperança. Tua amiga 'Nini'."
A sensibilidade brasileira está bem ã mostra na espécie de suspiro mandado a Nenê, em prosa que, com benevolência, pode-se converter em letra de modinha. Converti:
Por que custas tanto
em me escrever?
se tu soubesses
como me alegro
quando recebo
notícias daí
com certeza
não custarias
tanto a escrever.
Os "postaleiros" não mandavam simplesmente abraços: preferiam mandar amplexos. Parabéns de aniversário vinham com requintes estilísticos: "A Eugênio. Do teu sono de moço despertaste hoje sorridente, por ser o aniversário do teu natal, por isso te envio, na palidez destas palavras, um amplexo, tradutor de minha co- participação nas tuas alegrias. Da prima 'Alcina'." Amplexar era verbo conjugado naquele tempo.
Tão diferente, o recado alarmante destas linhas: "Emilinha e Candinha. Mamãe está muito mal, se quiserem vê-la ainda, venham hoje e digam a tio Cazuza".
Passado em revista o aspecto sentimental que os postais souberam gravar, graças a colecionadores eficientes, entre os quais se destaca Antonio Marcelino, é preciso ver o Brasil dos orgulhosos pavilhões estaduais nas exposições de 1908 e 1922; a Avenida Central passeada de lado a lado pelos raríssimos transeuntes, que pareciam percorrer um deserto; os hercúleos estivadores do porto de Santos, cada um sustentando quatro ou cinco sacas de café como se carregasse um bebê; as pontes ferroviárias, índice do desenvolvimento nacional que então se chamava progresso; os aspectos urbanos de cada capital de Estado, no seu dia-a-dia; os vendedores ambulantes, como o vassoureiro que ele mesmo era um vassourai alegórico; as primeiras colagens, quando ainda não se falava em colagem, com a primeira página agressiva do Correio da Manhã emoldurando o pacato chafariz da praça 15 de Novembro; a bonita mulher decotada exibindo o Farol da Barra, na Bahia; a parada militar, a festa popular, a reunião de família pobre, ao ar livre; o que era vida humilde que jamais cuidou de ser relembrada tantas décadas depois, e que agora aparece como documento antropológico, vencendo a ferrugem do tempo. Todas essas pessoas, quase todas, estão recolhidas d morte anônima, ninguém as reconhecerá nos vultos pequeninos que habitam os pos-tais, mas ressurgem para a vida na exposição. Tocante exposição, que resgata o passado e nos dá uma lição de memória, a ser preservada se quisermos ter continuidade e identidade históricas.
E que saudade boa nos mais velhos... Que advertência amiga, também, para os jovens: em 2050, meus caros, vocês serão objeto de exposição.
Fonte Estadao.com.br

Drummond. Confissao

USP

Assembleia decide fim da ocupação de prédio na USP; manifestantes invadem reitoria
Maioria votou a favor de desocupar prédio na FFLCH, mas manifestantes invadiram reitoria após assembleia

"com os rostos cobertos com camisas, usaram paus, pedras e cavaletes para quebrar um portão localizado na parte de trás do edifício da administração central."
Fonte Estadao

martes, 1 de noviembre de 2011

Para Kika e Bella :"Roses and Butterflies"

Maioridade

Maioridade

Lembro os meus 18 anos. O presente da minha querida Avó foi o festejo, um jantar em que convidados eram todos os (muitos) grandes amigos. Engravatadíssimos, eles, de vestido especial, elas, porque, enfim, ser adulto também era isso: o blazer, o salto alto…

E com tantos fugitivos da idade menor vinham os pais respectivos. Porque, nesse tempo, a carta de condução e o automóvel não andavam tão depressa quanto a nossa vontade de sermos “grandes”.

Hoje é a vez do meu filho mais velho: 18 anos e eu a senti-lo ainda ao colo! Mas é o que é. E as comemorações principiaram ontem, em forrobodó pela madrugada fora com os parceiros. Com direito a um dia de aniversário a recuperar o sono. Logo mais, lancharemos. E depois…

E depois será a vida, no que ela nos consegue dar. Do jantar que a Avó me ofereceu segui direitinho para a Faculdade. Por não mais do que cinco anos, claro (está expressamente proibido de chumbar, dizia-me o Pai), e logo após para o estágio e para a profissão. Até agora.

E os filhos? E os demais, nas mesmas circunstâncias? Que Faculdade, que estágio, que profissão?

Que maioridade, que vida, afinal?

publicado por João Afonso Machado
PS Emprestado daqui

Drummond fez anos. Kika e Isa também!

O Seu Santo Nome - Carlos Drummond de Andrade

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.
PS: Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubr de 1902)
1902-1987
Kika e Isa nasceram no dia primeiro de novembro, dia de Todos os Santos.

lunes, 31 de octubre de 2011

Fogo e Paixao

'Vou Rifar Meu Coração'

Documentário investiga as origens da música brega

Engenhoso, 'Vou Rifar Meu Coração', de Ana Rieper, integra a 35ª Mostra Internacional de Cinema de SP


Marcio Claesen - estadao.com.br

"Quando a pessoa está apaixonada, ela fica ridícula", sentencia Wando, o mais famoso colecionador de calcinhas da música brasileira. O cantor, um dos expoentes do brega, é um dos muitos entrevistados, entre populares e artistas, no documentário Vou Rifar Meu Coração, de Ana Rieper, que integra a 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O cantor Amado Batista é um dos entrevistados no filme 'Vou Rifar Meu Coração' - Divulgação
Divulgação
O cantor Amado Batista é um dos entrevistados no filme 'Vou Rifar Meu Coração'

O longa realiza, de forma bem-sucedida, uma analogia entre os temas recorrentes dessas canções e a vida pessoal dos ouvintes. "A ideia era usar o substrato pessoal dos compositores" justifica a diretora ao público, após uma das sessões do filme, explicando o porquê de ter escolhido apenas relatos de artistas que compõem as próprias músicas.

Odair José, que já pediu para a mulher parar de tomar a pílula, e é autor de vários sucessos com refrãos polêmicos, resume o que torna essas canções tão universais. "O que o pedreiro sente é o mesmo que o médico sente. A diferença é que o pedreiro vai chorar numa casa de merda e o médico, num apartamento de frente para o mar."

Boa parte dos artistas teve origem humilde e diz usar o que viveram - especialmente o que sofreram - nas letras que compõem. Seria isso o que os identifica tanto com as classes mais baixas? Muitos creem que sim. "Eu gosto de músicas que vão ao fundo do poço, quando você cava, cava e cava", diz um dos entrevistados. A produção ouviu pessoas no interior de Alagoas, Sergipe e na capital pernambucana, Recife.

A diretora, carioca, conta que a ideia surgiu quando morava no Nordeste, mais precisamente em Aracaju, entre 1998 e 2002. O projeto demorou dez anos para ser viabilizado. Durante muito tempo, o título, que hoje se refere a uma canção de Lindomar Castilho, foi outro. "O filme se chamava O Amor É Brega, e nós adorávamos esse nome, mas começamos a encontrar muita resistência por parte dos cantores que seriam entrevistados que não queriam ser associados com o brega."
PS: É Brega???? A_DO_RO!

domingo, 30 de octubre de 2011