lunes, 31 de diciembre de 2012
domingo, 30 de diciembre de 2012
viernes, 28 de diciembre de 2012
Mandela
33. Derribar y destruir ese muy fácil. Los héroes son aquellos que construyen y que trabajan por la paz (2008)
miércoles, 26 de diciembre de 2012
Lista de Resoluçoes de Ano Novo
O Blog nao faz balanço mas sonha:
1) Cuidar melhor das coisas que possuo, desde as mais pequeninas...
2) Viver com muita sobriedade de gastos mas com esfuziante alegria
3) Ser mais amiga e mais companheira
4) Ser Prática
1) Cuidar melhor das coisas que possuo, desde as mais pequeninas...
2) Viver com muita sobriedade de gastos mas com esfuziante alegria
3) Ser mais amiga e mais companheira
4) Ser Prática
martes, 25 de diciembre de 2012
Nuno Camarneiro é o vencedor do Prémio Leya 2012
Um Amor
O meu relógio parou em ti. A mesma música a tocar no rádio do carro e a mão que procura uma perna e se fecha contrariada.
Abro a janela para que fujas de vez. Escolho outros caminhos, evito bairros inteiros e cafés, bares e supermercados.
Comeste metade da cidade e às vezes perco-me a contornar rotundas sem saber para onde ir. Encurralaste-me fora de ti.
Foi culpa nossa, de amarmos por todo o lado como se aquilo não coubesse, como se uma vontade parva de tomar espaço e multiplicar por metros os centímetros de paixão.
Ali dormimos os dois.
As conversas que viravam esquinas e iam de tua casa para todo o lado. Não tenho por onde andar que não te ouça. Os teus dedos quentes por entre os meus aqui, aquela casa, lembras-te?
Lembro-me eu.
Foi um amor grande para uma cidade tão pequena. Não temos espaço para a indiferença, ou te amo ainda ou devo odiar-te e lutar por cada esplanada, por cada amigo, rua a rua, numa guerrilha de coração preso.
Foi culpa nossa, de não amarmos sempre no mesmo lugar como quem corta o cabelo ou compra o pão de cada dia. Agora é tarde, agora dou voltas infinitas às rotundas.
Vou emigrar de ti, levo a tua foto e um livro de poemas para olhar e lembrar o mapa do meu país.
(Texto concebido para o concurso Performance Architecture de Guimarães 2012)
Tirado daqui,
Solidariedade e Voluntariado na espanha: 50X20
As ideias surgem observando o dia a dia do bairro, as queixas de uns, os problemas de outros, os desperdícios e a maneira de evitá-los. As iniciativas partem de um ou de dois, para ajudar um ou dois. Pouco a pouco, os que se mobilizam para colaborar são muitos mais e, consequentemente, os beneficiados também. Assim os moradores de Aluche, bairro operário do sudoeste madrilenho, lançaram uma rede de apoio que negam associar a caridade.
— Queremos dar o anzol para que cada um pesque e se autoabasteça. Não é esmola. Se você está no fundo do poço, uma maneira de levantar sua autoestima e seu estado de ânimo é formar parte de algo — explica Diego Gutiérrez, um psicólogo que nestes tempos de crise trabalha só uma hora por dia e se uniu ao projeto, recolhendo em lojas, mercados e restaurantes do bairro, comida que não foi vendida e que, sem estar estragada, iria para o lixo.
Os moradores se organizam para que todos possam oferecer algo, nem que sejam sacolas de plástico usadas para que outros vizinhos possam levar a comida arrecadada, ou fazendo um bolo com os ingredientes doados, e dar um pedaço a cada comerciante da rede.
As ajudas, de alguma maneira, requerem uma contrapartida. Em Ciudad Meridiana, Barcelona, um grupo de vizinhos se organizou para arrecadar € 1.000 e entregá-los a instituições que apoiem famílias necessitadas do bairro. A iniciativa foi batizada de 20X50, pois o ideal é juntar 50 pessoas dispostas a doar € 20 cada uma. A contrapartida deve ser socioeducativa: se os pais de um adolescente são beneficiados com o dinheiro, deverão estimular o filho a participar, sem custo, de um curso de formação profissional. A ideia é que a taxa de desemprego de 26% não seja desculpa para criar a mentalidade de que esforçar-se não vale a pena.
Os bolsos vazios pelo desemprego, uma dura realidade compartilhada por mais de 5,6 milhões de espanhóis e imigrantes, funcionam como o motor para a criação de uma economia paralela. Alex Letuyk, engenheiro de telecomunicações ucraniano desempregado, se ofereceu para criar o site da rede de ajuda do seu bairro, em Madri, que, aos domingos monta um mercado de escambo, e às sextas, distribui alimentos. As lojas que fazem doações ganham um espaço no site para publicidade.
—Nada é de graça e me sinto feliz de colaborar nesta iniciativa — conta Alex
Fonte O globo.com.br
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/em-meio-crise-voluntariado-cresce-na-espanha-7130881#ixzz2G3bS7tz6
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
— Queremos dar o anzol para que cada um pesque e se autoabasteça. Não é esmola. Se você está no fundo do poço, uma maneira de levantar sua autoestima e seu estado de ânimo é formar parte de algo — explica Diego Gutiérrez, um psicólogo que nestes tempos de crise trabalha só uma hora por dia e se uniu ao projeto, recolhendo em lojas, mercados e restaurantes do bairro, comida que não foi vendida e que, sem estar estragada, iria para o lixo.
Os moradores se organizam para que todos possam oferecer algo, nem que sejam sacolas de plástico usadas para que outros vizinhos possam levar a comida arrecadada, ou fazendo um bolo com os ingredientes doados, e dar um pedaço a cada comerciante da rede.
As ajudas, de alguma maneira, requerem uma contrapartida. Em Ciudad Meridiana, Barcelona, um grupo de vizinhos se organizou para arrecadar € 1.000 e entregá-los a instituições que apoiem famílias necessitadas do bairro. A iniciativa foi batizada de 20X50, pois o ideal é juntar 50 pessoas dispostas a doar € 20 cada uma. A contrapartida deve ser socioeducativa: se os pais de um adolescente são beneficiados com o dinheiro, deverão estimular o filho a participar, sem custo, de um curso de formação profissional. A ideia é que a taxa de desemprego de 26% não seja desculpa para criar a mentalidade de que esforçar-se não vale a pena.
Os bolsos vazios pelo desemprego, uma dura realidade compartilhada por mais de 5,6 milhões de espanhóis e imigrantes, funcionam como o motor para a criação de uma economia paralela. Alex Letuyk, engenheiro de telecomunicações ucraniano desempregado, se ofereceu para criar o site da rede de ajuda do seu bairro, em Madri, que, aos domingos monta um mercado de escambo, e às sextas, distribui alimentos. As lojas que fazem doações ganham um espaço no site para publicidade.
—Nada é de graça e me sinto feliz de colaborar nesta iniciativa — conta Alex
Fonte O globo.com.br
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/em-meio-crise-voluntariado-cresce-na-espanha-7130881#ixzz2G3bS7tz6
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
lunes, 24 de diciembre de 2012
Natal na Europa
Aqui o Natal é triste! Que pena que nao havia por cá a publicidade do Banco Nacional ...
domingo, 23 de diciembre de 2012
Balanço
Este blog nao possui balanço a fazer posto que apenas regista uma seleçao de noticias e, portanto ,pretende ser apenas um clipping de leituras pessoais. Contudo, devo confessar que obedece a estrutura de uma atividade memorialistica na medida em que revela a tematica que me interessa enquanto leitora . Aqui e alí alguma ironia me escapa e algum comentário revela um traço de crítica. Mais nada!
sábado, 22 de diciembre de 2012
Natal de natais - Alfredo Teixeira
A preparação deste texto desencadeou um breve exercício de etnografia doméstica. No meu arquivo visual de fotografias de infância, procurei rastos do Natal. Não abundam.
Neste itinerário, descobre uma nova recomposição das esferas do público e do privado: a celebração privada da harmonia familiar articula-se, na cena pública, com as práticas da dádiva. Numa sociedade dualista, cujo crescimento económico era acompanhado pela emergência das modernas bolsas de pobreza, e onde crescia também a perceção do risco e da insegurança, as festividades do Natal permitiam imaginar um remédio para a injustiça social, por via da dádiva aos mais pobres. No espaço doméstico burguês, a dádiva tem como destinatário a criança, transportando a experiência do dar sem receber e facilitando o jogo subtil das relações intra e intergeracionais. Nesse processo, as crianças são verdadeiros "passadores" simbólicos. Estamos perante a trindade moderna do Natal: família, infância, caridade.
O Natal, no que o descreve como ritual e civilidade familiar, foi acompanhado pela expansão de uma iconografia, de um mobiliário, que vai homogeneizar os recursos imagéticos disponíveis, abrindo espaço para o consenso decorativo que hoje conhecemos. A expansão foi rápida, como o alargamento dos mercados.
Transportado por imigrantes, nas primeiras décadas do século XIX, feito herói americano em Nova Iorque, o último "descendente" de São Nicolau, tornar-se-á, a partir de 1920, uma atração dos grandes armazéns. Regressou, com o plano Marshall, à Europa. Não sem conflitos. Claude Lévi-Strauss escreveu, em Les Temps Modernes (1952), acerca de um episódio ocorrido em Dijon: Le Père Noël supplicié. O antropólogo disserta sobre a encenação de um sacrifício do Pai Natal, num contexto de reivindicação da autenticidade cristã do Natal. Mas o Pai Natal sobreviveu a este suplício, revivendo na continuada celebração da nova religião do mercado e da abundância.
A Europa do Sul, periférica em relação à centralidade deste mercado, resistiu a este Natal moderno durante mais tempo. Quando revisitamos o arquivo de cantos da Natividade que dão corpo à 1.ª e 2.ª Cantatas de Natal de Fernando Lopes Graça, descobrimos um Natal com cenários e protagonistas diferentes. A narrativa cristã tem aí uma transcrição aculturada. Um traço particular do cristianismo, a humanização de Deus, permitiu que as representações do divino facilmente se ancorassem na escala do humano, doméstico e social, abrindo o campo do simbólico à permanente possibilidade de aliança entre a história santa e a trama humana. O presépio é o emblema mais evidente desta transcrição miniatural da narrativa cristã. A legibilidade deste universo foi muito afetada, nas últimas décadas, pelos processos globais de destradicionalização.
No mundo da romanidade em que o cristianismo antigo se expandiu, a celebração do Natal foi um instrumento de cristianização, re-significando cultos solares muito populares no Império. Mesmo num calendário cristianizado, subsistiram muitos imaginários diferentes que, de forma plástica, se combinaram. Esses sedimentos têm agora uma difícil legibilidade nas nossas sociedades. O tempo liso do mercado parece não dar espaço à narrativa e à genealogia, achatando o espaço social da memória.
Fonte Publico.pt
A foto mais antiga transporta-me a um cenário reconhecível (aí pelo final dos anos 60, ou início dos 70): à porta das lojas da Baixa lisboeta, montado num burro (na falta de renas), estou ao lado de um Pai Natal. Uma árvore de Natal de cartão serve de cenário. O Pai Natal tem uma barba falsa, óculos na ponta do nariz, um balão na mão (findo o instante da foto, talvez tenha passado para a minha posse). Em cima do burro, a criança fotografada vestia um casaco com botões metálicos. O reflexo do flash criou acidentalmente uma fonte de brilho intenso, como uma estrela. Num brevíssimo exercício de antropologia visual, encontrei alguns dos principais sedimentos da moderna ritualidade do Natal.
Estas festividades, como hoje as conhecemos, sofreram amplas remodelações em dois momentos históricos: refiro-me à Inglaterra vitoriana e à América de Roosevelt. No século XIX, o Natal incorporou a celebração burguesa das virtudes públicas e o fascínio pelo sucesso e bem-estar económico das famílias. A sociedade do séc. XIX, atingida pelas mudanças brutais provocadas pelos processos de industrialização, recolhe-se no lar, reconstruindo aí uma narrativa de harmonia. Esta narrativa do Natal moderno inclui a empresa de moralização do mundo do operariado (procurem-se os pobres virtuosos nos contos de Charles Dickens).Neste itinerário, descobre uma nova recomposição das esferas do público e do privado: a celebração privada da harmonia familiar articula-se, na cena pública, com as práticas da dádiva. Numa sociedade dualista, cujo crescimento económico era acompanhado pela emergência das modernas bolsas de pobreza, e onde crescia também a perceção do risco e da insegurança, as festividades do Natal permitiam imaginar um remédio para a injustiça social, por via da dádiva aos mais pobres. No espaço doméstico burguês, a dádiva tem como destinatário a criança, transportando a experiência do dar sem receber e facilitando o jogo subtil das relações intra e intergeracionais. Nesse processo, as crianças são verdadeiros "passadores" simbólicos. Estamos perante a trindade moderna do Natal: família, infância, caridade.
O Natal, no que o descreve como ritual e civilidade familiar, foi acompanhado pela expansão de uma iconografia, de um mobiliário, que vai homogeneizar os recursos imagéticos disponíveis, abrindo espaço para o consenso decorativo que hoje conhecemos. A expansão foi rápida, como o alargamento dos mercados.
Transportado por imigrantes, nas primeiras décadas do século XIX, feito herói americano em Nova Iorque, o último "descendente" de São Nicolau, tornar-se-á, a partir de 1920, uma atração dos grandes armazéns. Regressou, com o plano Marshall, à Europa. Não sem conflitos. Claude Lévi-Strauss escreveu, em Les Temps Modernes (1952), acerca de um episódio ocorrido em Dijon: Le Père Noël supplicié. O antropólogo disserta sobre a encenação de um sacrifício do Pai Natal, num contexto de reivindicação da autenticidade cristã do Natal. Mas o Pai Natal sobreviveu a este suplício, revivendo na continuada celebração da nova religião do mercado e da abundância.
A Europa do Sul, periférica em relação à centralidade deste mercado, resistiu a este Natal moderno durante mais tempo. Quando revisitamos o arquivo de cantos da Natividade que dão corpo à 1.ª e 2.ª Cantatas de Natal de Fernando Lopes Graça, descobrimos um Natal com cenários e protagonistas diferentes. A narrativa cristã tem aí uma transcrição aculturada. Um traço particular do cristianismo, a humanização de Deus, permitiu que as representações do divino facilmente se ancorassem na escala do humano, doméstico e social, abrindo o campo do simbólico à permanente possibilidade de aliança entre a história santa e a trama humana. O presépio é o emblema mais evidente desta transcrição miniatural da narrativa cristã. A legibilidade deste universo foi muito afetada, nas últimas décadas, pelos processos globais de destradicionalização.
No mundo da romanidade em que o cristianismo antigo se expandiu, a celebração do Natal foi um instrumento de cristianização, re-significando cultos solares muito populares no Império. Mesmo num calendário cristianizado, subsistiram muitos imaginários diferentes que, de forma plástica, se combinaram. Esses sedimentos têm agora uma difícil legibilidade nas nossas sociedades. O tempo liso do mercado parece não dar espaço à narrativa e à genealogia, achatando o espaço social da memória.
Fonte Publico.pt
Un lugar lejos de la literatura
(...)
Eurasia es un solo continente. Y los cuentos son grandes viajeros. Llevados y traídos por el mundo, con los fardos de los mercaderes y las mochilas de los soldados, con las plegarias de los peregrinos y las armas de los cruzados, con los barcos de los descubridores y las flechas de los indígenas, los cuentos se transmiten atravesando la humanidad de parte a parte. Por el camino se transforman y se enriquecen, varían, mezclan y combinan rasgos de culturas muy distintas, suman particularidades locales, amplían episodios o los eliminan. Si la imprenta no logró hacer desaparecer el sistema de transmisión oral, tampoco los medios.
En todas partes los puristas se rasgan las vestiduras, indignados con las transformaciones que Walt Disney impuso a los cuentos de los hermanos Grimm. Chicos y grandes conocen hoy Cenicienta, Blancanieves, La bella durmiente (La espina de la rosa en la versión Grimm) a través de las películas de Disney o las series de la tele en lugar de las versiones “originales”. Pero los cuentos populares no tienen versiones originales. No son alemanes, italianos ni árabes. Viven, viajan, crecen, se transforman, se cuentan de todas las maneras posibles. Son tan eternos, tan frágiles y efímeros como la humanidad.
Ana Maria Shua
Fonte El pais.com
Eurasia es un solo continente. Y los cuentos son grandes viajeros. Llevados y traídos por el mundo, con los fardos de los mercaderes y las mochilas de los soldados, con las plegarias de los peregrinos y las armas de los cruzados, con los barcos de los descubridores y las flechas de los indígenas, los cuentos se transmiten atravesando la humanidad de parte a parte. Por el camino se transforman y se enriquecen, varían, mezclan y combinan rasgos de culturas muy distintas, suman particularidades locales, amplían episodios o los eliminan. Si la imprenta no logró hacer desaparecer el sistema de transmisión oral, tampoco los medios.
En todas partes los puristas se rasgan las vestiduras, indignados con las transformaciones que Walt Disney impuso a los cuentos de los hermanos Grimm. Chicos y grandes conocen hoy Cenicienta, Blancanieves, La bella durmiente (La espina de la rosa en la versión Grimm) a través de las películas de Disney o las series de la tele en lugar de las versiones “originales”. Pero los cuentos populares no tienen versiones originales. No son alemanes, italianos ni árabes. Viven, viajan, crecen, se transforman, se cuentan de todas las maneras posibles. Son tan eternos, tan frágiles y efímeros como la humanidad.
Ana Maria Shua
Fonte El pais.com
Conto de Natal
Numa troca célebre de cartas entre o cardeal Carlo M. Martini e o agnóstico
Umberto Eco, publicadas com o título "In cosa crede chi non crede?", U. Eco
escreve: Mesmo que Cristo fosse apenas o tema de um grande conto, "o facto de
esse conto ter podido ser imaginado e querido por bípedes implumes, que só sabem
que não sabem, seria miraculoso (miraculosamente misterioso)". O Homem teve, a
dada altura, "a força, religiosa, moral e poética, de conceber o modelo do
Cristo, do amor universal, do perdão aos inimigos, da vida oferecida em
holocausto pela salvação dos outros. Se fosse um viajante proveniente de
galáxias longínquas e me encontrasse com uma espécie que soube propor-se este
modelo, admiraria, subjugado, tanta energia teogónica, e julgaria esta espécie
miserável e infame, que cometeu tantos horrores, redimida pelo simples facto de
ter conseguido desejar e crer que tudo isto é a Verdade."
Fonte Publico.pt
Leia mais aqui
Fonte Publico.pt
Leia mais aqui
viernes, 21 de diciembre de 2012
Esperança no milagre
Poema de Natal
Vinicius de Moraes
(...)
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
jueves, 20 de diciembre de 2012
Goya y Velázquez se van de gira:diplomacia cultural
ampliar foto
'El cacharrero' (1778), de Francisco de Goya, expuesto en el Museum of Fine Arts, de Houston.
De Houston a Zaragoza. De Brisbane (Australia) a Santiago de Compostela. El viejo Prado se ha revelado como un formidable trotamundos para adaptarse al siglo XXI y a sus exigencias de globalidad. Unas 170 obras de la colección, esa “catedral laica” que amaba Gómez de la Serna, se encuentran en estos momentos de viaje, en una trashumancia que Miguel Zugaza, su director, define como la de un museo que también sabe ser “nómada”.
Él mismo inauguró ayer en Zaragoza la muestra Rubens, Brueghel, Lorena. El paisaje nórdico en el Prado, comisariada por Teresa Posada. Y la semana pasada viajó a Estados Unidos a presentar en Houston Portrait of Spain. Masterpieces from the Prado, reunión a cargo del conservador Javier Portús de obras maestras de las colecciones —entre fondos ocultos e imprescindibles de la permanente, de Velázquez a Goya, de Ribera a Tiziano— para mostrar un retrato de España desde los Austrias hasta el XIX.
Las excursiones de los fondos de la pinacoteca al extranjero (la muestra de Portús pasó el verano en el invierno austral de la Queensland Art Gallery, en Brisbane) cumplen una doble función: de diplomacia cultural (¿puede haber mejor emisario del alma española queZurbarán?) y de búsqueda de nuevas formas de financiación. Por esta aventura, que hay que contextualizar en un momento de crisis y puede despertar recelos entre los puristas, el Prado ha ingresado unos tres millones de euros en 2012.
Él mismo inauguró ayer en Zaragoza la muestra Rubens, Brueghel, Lorena. El paisaje nórdico en el Prado, comisariada por Teresa Posada. Y la semana pasada viajó a Estados Unidos a presentar en Houston Portrait of Spain. Masterpieces from the Prado, reunión a cargo del conservador Javier Portús de obras maestras de las colecciones —entre fondos ocultos e imprescindibles de la permanente, de Velázquez a Goya, de Ribera a Tiziano— para mostrar un retrato de España desde los Austrias hasta el XIX.
Las excursiones de los fondos de la pinacoteca al extranjero (la muestra de Portús pasó el verano en el invierno austral de la Queensland Art Gallery, en Brisbane) cumplen una doble función: de diplomacia cultural (¿puede haber mejor emisario del alma española queZurbarán?) y de búsqueda de nuevas formas de financiación. Por esta aventura, que hay que contextualizar en un momento de crisis y puede despertar recelos entre los puristas, el Prado ha ingresado unos tres millones de euros en 2012.
(...)
“Lo más importante de las iniciativas de Houston o Brisbane”, explica Miguel Zugaza, “es para nosotros, más que obtener la donación, acercar la historia de España a través del gran arte español. A un lugar ajeno a la sensibilidad occidental como Australia, y a un sitio con gran penetración hispana, en el caso de EE UU. En ningún caso es nuestra intención salir al mercado a ofrecer exposiciones al mejor postor. Todo tiene que tener un sentido”. Cita como inspiración de esta idea de “diplomacia cultural” el trabajo que ha venido desarrollando Neil McGregor al frente del Museo Británico.
La embajada enviada a Houston es, sin duda, excepcional. El cacharrero, espectacular cartón de Goya; Cristo con la cruz a cuestas, de Tiziano; La Inmaculada Concepción de Aranjuez, de Murillo; El dios Marte, de Velázquez, o el Agnus Dei, de Zurbarán, son algunas de las joyas que han cruzado el charco por primera vez.
Fonte El Pais.com
martes, 18 de diciembre de 2012
Estou um pouco dramática… Deve ser o Natal ou o meu lado sul-americano!”
“Estar longe dói no coração, é como se estivéssemos perdidos e com dificuldade em nos agarrarmos à realidade imposta. Mas somos emigrantes e sabemos que vamos conseguir sobreviver a algumas lágrimas, tristezas e frustrações, fixando o nosso olhar no que temos e não no que nos falta”, são as palavras que Carmelita, 54 anos, emigrada pela segunda vez escolhe para terminar o email que nos enviou. “Emigrar é uma atitude, é como tentar tirar uma seta do corpo, que sangra e corre o risco de infectar, mas mantendo a convicção que o corpo vai conseguir sarar. Estou um pouco dramática… Deve ser o Natal ou o meu lado sul-americano!”, conclui.
Fonte:Publico.pt
leia mais aqui
Fonte:Publico.pt
leia mais aqui
domingo, 16 de diciembre de 2012
“Oh Lisboa de otro tiempo, hoy”.
Calçada do Monte. Viniendo del aeropuerto el taxi se ha parado casi en la cima de una calle muy en cuesta, tan inclinada que uno teme al salir que le fallen los frenos y se deslice calle abajo antes de que nos dé tiempo a sacar el equipaje del maletero. Más arriba todavía un huerto comunitario ocupa parte de la ladera de la que sobresale un edificio alto de pisos. En el huerto, cercado con puertas viejas y tablones, hay coliflores de grandes hojas mojadas. Su olor a tierra húmeda y a vegetación parcialmente descompuesta, el olor hondo de los huertos en invierno, se mezcla con las otras sensaciones del regreso a Lisboa, al cabo de una ausencia de demasiados años: el olor marino, el de los ladrillos en los muros desconchados, el apaciguamiento general de los colores, viniendo de la luz intensa y cruda de Madrid: los verdes, los rosas, los amarillos, los grises de las fachadas, los azules pálidos de los azulejos.
Largo de Graça. Llueve y hace sol al mismo tiempo. Las gotas tenues de agua y la luz solar se disuelven en una misma gasa de niebla, la iluminan por dentro. Los pequeños tranvías avanzan por el Largo de Graça y basculan como si fueran a despeñarse por una repentina cuesta abajo, como chalupas en el borde de una catarata. Al fondo de una calle de palacios ruinosos y ropa tendida en los balcones se abre sin aviso el horizonte marítimo del estuario del río, ese Tajo o Tejo que adquiere en su desembocadura una amplitud de gran río americano, acentuada por la silueta del puente 25 de Abril, que se parece de lejos al Golden Gate y al George Washington. Lejanía, proximidad: las cualidades táctiles de una ciudad de texturas muy ricas, muy materiales, las teselas blancas y desiguales del empedrado en las aceras, la hierba menuda en los intersticios, las superficies pulidas de los azulejos sobre las que resbala la luz, el estuco oscurecido y desconchado por la humedad, los rieles de los tranvías y los bloques regulares de los adoquines, la inmundicia de los grafiti, la basura que se derrama de bolsas desventradas.
Feira de Ladra. Con las intermitencias de llovizna y de sol se espesa la confusión del mercado callejero. El agua chorrea de los toldos, los vendedores que carecen de ellos y exponen sus mercancías en el suelo las cubren con lienzos de plástico, la gente se agrupa más apretadamente bajo aleros y toldos. Un momento después ha salido el sol y es como si estuviéramos en un mercado popular de África, en un intervalo en la estación de las lluvias. Los acentos de los vendedores africanos se mezclan sin confundirse con los de los portugueses europeos. Las consonantes sinuosas y las vocales oscuras hacen que el idioma suene a la vez muy familiar y muy exótico. El mercado, el mercadillo, el zoco, el rastro, se despliega en un laberinto por plazuelas y calles con toda su vitalidad orgánica de gran universal humano: podría ser exactamente igual un mercado de África o de Oriente, estar en una plaza de México o de Brasilia o de Kuala Lumpur, de Nueva York, de Madrid, de Ámsterdam: el gran río y la gran molienda de las cosas usadas, de lo necesario y lo inverosímil, la maravilla y el desecho, la impotencia del idioma para enumerar lo simultáneo, una edición noble y muy usada de las comedias de Shakespeare y un mapamundi impreso en hule con las colonias portuguesas, una Barbie coja y una bolsa de cuchillas de afeitar desechables, un Niño Jesús calvo con los ojos de vidrio y una bota ortopédica, una oferta a precios tirados de agendas Moleskine para 2012. Al margen de las idioteces de la publicidad y las grandes estrategias del marketing, de la omnipotencia de los monopolios y la seducción de lo nuevo, el mercadillo impone su persistencia inmemorial, su economía primitiva de regateo y de trueque, de chapuza, de tesoros de tercera o cuarta mano.
O Pitéu. Como antídoto para la soberbia de los magnates internacionales de la arquitectura, que van por el mundo en jet privado repitiendo en todas partes la misma prestigiosa franquicia, el poso lento y colectivo de la edificación en cada ciudad, el ecosistema de las vidas, los trabajos, los materiales, el clima, el paisaje; contra los estrellatos ridículos de la alta cocina, la sofisticación de la comida popular: porco alentejano, mero empanado con arroz y verduras, aceitunas, bacalao con garbanzos, queso, una garrafa de vino tinto ligero. Manteles a cuadros y camareros de discreta cortesía y reserva en una casa de comidas en el Largo de Graça.
Rua dos Douradores. Los desconocidos o los renegados de una ciudad acaban siendo sus símbolos. Los que fueron invisibles en vida cobran al cabo de los años una presencia que actúa de imán para los viajeros y de reclamo para las agencias de turismo. James Joyce salió huyendo de su Dublín natal y recibió muy pocos halagos y muchos desaires de sus paisanos y ahora su nombre es la principal atracción turística de la ciudad. Porque era judío y porque escribía en alemán, a Franz Kafka casi nadie le hizo caso en Praga, ni cuando estaba vivo ni durante muchos años después de su muerte, pero ahora su nombre y el de Praga son sinónimos para cualquier aficionado a la literatura. En Oxford, Misisipi, William Faulkner era un excéntrico al que nadie hacía mucho caso, ni siquiera cuando le dieron el Nobel. El furtivo Pessoa, que tiene en todas sus fotos una actitud de repliegue en sí mismo o de rápida escapatoria, que publicó mientras vivía un solo libro, se hace aún más presente cuando uno va por la Baixa y ve al azar en una esquina el letrero de la Rua dos Douradores, y se pregunta en qué ventana de qué primer piso estaría la oficina en la que trabajaba Bernardo Soares, en qué casa de comidas barata Fernando Pessoa imaginó haberlo visto y haber conversado con él.
Lisbon Revisited. “Drama em gente”, llamaba Pessoa al juego de sus heterónimos, su fantasmagoría verdadera que parece al filo del trastorno mental, las voces claras y distintas que solo se escuchan en el interior de la conciencia. El que apenas salió fuera de su ciudad inventa con toda clase de detalles verosímiles al ingeniero Álvaro de Campos, educado en Inglaterra, empleado allí en diversas compañías navieras, habituado hasta la fatiga a las grandes travesías marítimas. En el mercado de Ladra, en un puesto de libros y carteles viejos, encontré una edición española de los poemas de Álvaro de Campos, traducidos por José Antonio Llardent. Leer de nuevo esa poesía oracular y arrebatada y leerla en Lisboa era una manera de sentirme todavía más de vuelta en la ciudad, verla en el presente y en los recuerdos, como se ve al mismo tiempo el primer plano del jardín al que se asoma nuestra habitación y el fondo de los tejados de la Baixa y del río: “Oh Lisboa de otro tiempo, hoy”.
Largo de Graça. Llueve y hace sol al mismo tiempo. Las gotas tenues de agua y la luz solar se disuelven en una misma gasa de niebla, la iluminan por dentro. Los pequeños tranvías avanzan por el Largo de Graça y basculan como si fueran a despeñarse por una repentina cuesta abajo, como chalupas en el borde de una catarata. Al fondo de una calle de palacios ruinosos y ropa tendida en los balcones se abre sin aviso el horizonte marítimo del estuario del río, ese Tajo o Tejo que adquiere en su desembocadura una amplitud de gran río americano, acentuada por la silueta del puente 25 de Abril, que se parece de lejos al Golden Gate y al George Washington. Lejanía, proximidad: las cualidades táctiles de una ciudad de texturas muy ricas, muy materiales, las teselas blancas y desiguales del empedrado en las aceras, la hierba menuda en los intersticios, las superficies pulidas de los azulejos sobre las que resbala la luz, el estuco oscurecido y desconchado por la humedad, los rieles de los tranvías y los bloques regulares de los adoquines, la inmundicia de los grafiti, la basura que se derrama de bolsas desventradas.
Feira de Ladra. Con las intermitencias de llovizna y de sol se espesa la confusión del mercado callejero. El agua chorrea de los toldos, los vendedores que carecen de ellos y exponen sus mercancías en el suelo las cubren con lienzos de plástico, la gente se agrupa más apretadamente bajo aleros y toldos. Un momento después ha salido el sol y es como si estuviéramos en un mercado popular de África, en un intervalo en la estación de las lluvias. Los acentos de los vendedores africanos se mezclan sin confundirse con los de los portugueses europeos. Las consonantes sinuosas y las vocales oscuras hacen que el idioma suene a la vez muy familiar y muy exótico. El mercado, el mercadillo, el zoco, el rastro, se despliega en un laberinto por plazuelas y calles con toda su vitalidad orgánica de gran universal humano: podría ser exactamente igual un mercado de África o de Oriente, estar en una plaza de México o de Brasilia o de Kuala Lumpur, de Nueva York, de Madrid, de Ámsterdam: el gran río y la gran molienda de las cosas usadas, de lo necesario y lo inverosímil, la maravilla y el desecho, la impotencia del idioma para enumerar lo simultáneo, una edición noble y muy usada de las comedias de Shakespeare y un mapamundi impreso en hule con las colonias portuguesas, una Barbie coja y una bolsa de cuchillas de afeitar desechables, un Niño Jesús calvo con los ojos de vidrio y una bota ortopédica, una oferta a precios tirados de agendas Moleskine para 2012. Al margen de las idioteces de la publicidad y las grandes estrategias del marketing, de la omnipotencia de los monopolios y la seducción de lo nuevo, el mercadillo impone su persistencia inmemorial, su economía primitiva de regateo y de trueque, de chapuza, de tesoros de tercera o cuarta mano.
O Pitéu. Como antídoto para la soberbia de los magnates internacionales de la arquitectura, que van por el mundo en jet privado repitiendo en todas partes la misma prestigiosa franquicia, el poso lento y colectivo de la edificación en cada ciudad, el ecosistema de las vidas, los trabajos, los materiales, el clima, el paisaje; contra los estrellatos ridículos de la alta cocina, la sofisticación de la comida popular: porco alentejano, mero empanado con arroz y verduras, aceitunas, bacalao con garbanzos, queso, una garrafa de vino tinto ligero. Manteles a cuadros y camareros de discreta cortesía y reserva en una casa de comidas en el Largo de Graça.
Rua dos Douradores. Los desconocidos o los renegados de una ciudad acaban siendo sus símbolos. Los que fueron invisibles en vida cobran al cabo de los años una presencia que actúa de imán para los viajeros y de reclamo para las agencias de turismo. James Joyce salió huyendo de su Dublín natal y recibió muy pocos halagos y muchos desaires de sus paisanos y ahora su nombre es la principal atracción turística de la ciudad. Porque era judío y porque escribía en alemán, a Franz Kafka casi nadie le hizo caso en Praga, ni cuando estaba vivo ni durante muchos años después de su muerte, pero ahora su nombre y el de Praga son sinónimos para cualquier aficionado a la literatura. En Oxford, Misisipi, William Faulkner era un excéntrico al que nadie hacía mucho caso, ni siquiera cuando le dieron el Nobel. El furtivo Pessoa, que tiene en todas sus fotos una actitud de repliegue en sí mismo o de rápida escapatoria, que publicó mientras vivía un solo libro, se hace aún más presente cuando uno va por la Baixa y ve al azar en una esquina el letrero de la Rua dos Douradores, y se pregunta en qué ventana de qué primer piso estaría la oficina en la que trabajaba Bernardo Soares, en qué casa de comidas barata Fernando Pessoa imaginó haberlo visto y haber conversado con él.
Lisbon Revisited. “Drama em gente”, llamaba Pessoa al juego de sus heterónimos, su fantasmagoría verdadera que parece al filo del trastorno mental, las voces claras y distintas que solo se escuchan en el interior de la conciencia. El que apenas salió fuera de su ciudad inventa con toda clase de detalles verosímiles al ingeniero Álvaro de Campos, educado en Inglaterra, empleado allí en diversas compañías navieras, habituado hasta la fatiga a las grandes travesías marítimas. En el mercado de Ladra, en un puesto de libros y carteles viejos, encontré una edición española de los poemas de Álvaro de Campos, traducidos por José Antonio Llardent. Leer de nuevo esa poesía oracular y arrebatada y leerla en Lisboa era una manera de sentirme todavía más de vuelta en la ciudad, verla en el presente y en los recuerdos, como se ve al mismo tiempo el primer plano del jardín al que se asoma nuestra habitación y el fondo de los tejados de la Baixa y del río: “Oh Lisboa de otro tiempo, hoy”.
Fuente El pais.com
sábado, 15 de diciembre de 2012
Don Quixote e a materialidade do texto
Como dimensionar a novidade representada pelo aparecimento do Dom Quixote? Machado de Assis demonstrou um entendimento propriamente cervantino da questão. No capítulo seis de Quincas Borba, o personagem homônimo tenta explicar ao ignaro Rubião o princípio do Humanitismo. Cansado, lança mão de recurso infalível:
“ - (...) Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino”.
De fato, a materialidade do livro, multiplicado em inúmeras edições, favoreceu a recepção da obra-prima. O Quixote foi um dos primeiros textos literários a beneficiar-se amplamente da forma do livro impresso e dos novos circuitos de difusão possibilitados pela Galáxia de Gutenberg. O êxito imediato de vendas, a rapidez com que traduções foram preparadas e mesmo o envio de exemplares para o Novo Mundo não teriam ocorrido sem o advento da imprensa.
Os números são impressionantes: cinco edições se esgotaram no ano de publicação da primeira parte, 1605; dois anos depois, nova edição; em 1608, mais uma. A tradução de Thomas Shelton para o inglês, saída em 1612, foi particularmente importante, pois William Shakespeare e John Fletcher parecem tê-la tomado como fonte para a escrita de uma peça cujo texto se perdeu: Cardenio. Na brilhante reconstrução do episódio por Roger Chartier, descobre-se que, antes dessa tradução, as aventuras do Quixote já inspiravam outras adaptações!
Há mais: com uma celeridade que ainda hoje seria pouco provável, os personagens do romance foram literalmente extraídos das páginas do livro, se tornando figuras de carne e osso. Fantasias de Dom Quixote e Sancho Pança disputavam prêmios em feiras ou simplesmente alegravam festas na corte. De igual modo, o protagonista se transformou em adjetivo universalmente empregado: quixotesco. E um caso impressionante, que bem poderia pertencer ao romance: em 1607, na província de Parinochas, no Peru colonial, organizou-se um torneio entre cavaleiros. Um deles decidiu apresentar-se como o “Cavaleiro da Triste Figura”. Não se sabe se ganhou a justa, mas certamente esclareceu o êxito incomum do Quixote.
Cervantes foi o primeiro autor a elaborar literariamente a materialidade do texto impresso, criando uma ficção de diversos níveis; contudo, sem descuidar do interesse da ação narrativa - exatamente como Shakespeare realizou no teatro. Esse ponto é decisivo e explode no Prólogo da primeira parte:
“(...) caríssimo leitor (…) estás em tua casa, onde és senhor (…). Tudo isso te isenta e de te deixa livre de todo respeito e obrigação, de modo que podes dizer tudo aquilo que pensares da história, sem medo de que te caluniem pelo mal ou te premiem pelo bem que disseres dela”.
Se, na célebre frase de Whitehead, a filosofia ocidental consiste numa extensa nota de pé de página à obra de Platão, o papel do autor no romance ocidental gravita em torno dessa passagem. Vale dizer, o texto de Cervantes transforma em forma propriamente literária o fosso que se abre entre “a função autor” e a “autoria última” do sentido, sempre realizada por leitores individuais. Nesse sentido, a história editorial do Quixote (especialmente sua continuação apócrifa) estaria borgianamente anunciada nessa citação. Afinal, é possível identificar ao menos um dos “desocupados leitores” referidos ironicamente por Cervantes. Ele teria utilizado o pseudônimo de Alonso Fernández de Avellaneda - um Pierre Menard um tanto apressado, é verdade; mas exitoso, pois soube completar seu livro... No Prólogoà segunda parte do Dom Quixote, em diálogo constante com o leitor, Cervantes expressa um propósito inalcançável:
“E não digas mais nada a ele, nem eu quero te dizer, apenas avisar que consideres que esta segunda parte do Dom Quixote que te ofereço é cortada pelo mesmo artífice e no mesmo tecido que a primeira, e que nela te dou Dom Quixote expandido e finalmente morto e sepultado, para que ninguém se atreva a levantar novos testemunhos, pois bastam os passados (…)”.
Entenda-se bem: as aventuras relatadas por Cervantes - e ninguém mais. Contudo, se o leitor é dono de sua opinião e possui a liberdade de ler segundo os caprichos do momento, o desejo autoral de controle do texto é utópico. As infinitas reescritas do Quixote desde sempre estariam anunciadas na própria forma da composição do livro. E composição num duplo sentido: escrita do manuscrito e sua posterior publicação impressa.
No capítulo 6 da primeira parte, o cura e o barbeiro realizam uma autêntica razia na biblioteca do fidalgo. Então, encontram A Galateia do próprio Cervantes. O cura é crítico severo: “(...) Seu livro tem alguma coisa de boa invenção: propõe algo mas não conclui nada. É preciso esperar a segunda parte que promete: talvez com a emenda alcance de todo a misericórdia que agora lhe é negada”. A segunda parte que Cervantes não chegou a escrever - talvez porque nenhum Avellaneda o tenha provocado... Aliás, Machado de Assis apreendeu a lição cervantina, defendendo em Dom Casmurro a superioridade dos “livros omissos”, inconclusos, os que convocam a imaginação leitora.
O que dizer do capítulo 9, também da primeira parte, quando o leitor descobre que está lendo a tradução para o espanhol do texto de um historiador árabe, Cide Hamete Benengeli? Ou dos capítulos da segunda parte, nos quais Cervantes inventa a fundamental figura do “personagem leitor” da obra, isto é, intérprete de si mesmo e do próprio autor?
O melhor comentário de Borges sobre o Quixote encontra-se em A Biblioteca de Babel, embora nele não trate diretamente da obra-prima - uma circunstância perfeitamente quixotesca. No conto, anuncia o “livro total”, capaz de concentrar “o universo (que outros chamam a Biblioteca)”.
Dom Quixote é a Biblioteca de Babel da arte narrativa. Nas leituras de Alonso Quijano, metamorfoseado em Quixote, é possível vislumbrar as veredas que o romance palmilhou e ainda hoje arrisca.
Ou: Dom Quixote é o tabuleiro de xadrez da literatura, uma autêntica máquina verbal, cujos temas, peripécias e personagens compõem a inesgotável arte combinatória da ficção.
JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA É PROFESSOR DE LITERATURA COMPARADA DA UERJ
Fonte estadao.com.br
viernes, 14 de diciembre de 2012
Natal de Luz em Curitiba
Espetáculos na rua 15 fascinam curitibanos e turistas. A Galeria de Luz apresenta espetáculos que evocam a intercessão da Divina Providência, através dos Anjos, na vida dos mortais, na concepção do diretor italiano Valério Festi.
Emprestado daqui
El Museo del Prado en Houston
Retrato de España se abrirá al público el próximo domingo y acercará al público norteamericano la historia de España y el arte español, desde el siglo XVI hasta el XIX, a través de un conjunto de obras compuesto por 80 pinturas y 22 obras sobre papel de algunos de los artistas más importantes de la pintura europea, principalmente españoles, como Goya y Velázquez, pero también artistas extranjeros que trabajaron para la corte española o que influyeron en la pintura española, entre ellos Rubens y Tiziano.
A través de tres grandes apartados, la exposición hace un recorrido por la historia española resaltando sus características políticas, sociales y de desarrollo artístico. Un primer capítulo coincide políticamente con el Antiguo Régimen y con el Siglo de Oro de la cultura española; el segundo periodo abarca el último cuarto del XVIII y la primera mitaddel XIX, y el tercero retrata los últimos cincuenta años del siglo XIX.
Fonte El pais.com
A través de tres grandes apartados, la exposición hace un recorrido por la historia española resaltando sus características políticas, sociales y de desarrollo artístico. Un primer capítulo coincide políticamente con el Antiguo Régimen y con el Siglo de Oro de la cultura española; el segundo periodo abarca el último cuarto del XVIII y la primera mitaddel XIX, y el tercero retrata los últimos cincuenta años del siglo XIX.
jueves, 13 de diciembre de 2012
miércoles, 12 de diciembre de 2012
Astrologia na qual preciso acreditar. É natal ou nao é...
É bem possível que alguma pessoa amiga venha a lhe ajudar com seus
problemas neste momento, ou mesmo você irá ajudar algum amigo muito
querido neste momento. Este período favorece as trocas, as ajudas
mútuas. É incrível como os problemas sérios dos outros podem ser
resolvidos por nós com grande facilidade, e vice-versa! Neste ciclo,
você compreenderá que nunca estamos sós quando temos amigos que nos
querem bem. É possível também que pessoas queridas que há muito tempo
você não vê surjam novamente, com alguma mensagem pra lhe passar: tenha
atenção!
domingo, 9 de diciembre de 2012
Renascença: movimento e gestual
Silviano Santiago
Na coluna anterior, vimos que a abertura da história da
arte à antropologia leva Aby Warburg (1866-1929) a criar o conceito de
"ficção teórica". Ao acolher objetos inesperados, de que é exemplo a
"dança da chuva", ritual cultivado pelos índios do Sudoeste
norte-americano, a história da arte ocidental se desestabiliza. Leva-o,
também, a inaugurar na teoria historiográfica a possibilidade de se
franquear o conceito unívoco de tempo a tempos múltiplos e coextensivos.
E ainda a propor uma ideia de história que escapa às noções evolutivas
de origem e de influência. E outra, de estética, que dribla as noções de
protótipo e de invariante. Desclassifica a concepção clássica de
imitação e propõe a de "sobrevivência".
Datado dos anos 1920, o último projeto radical de Warburg oferece uma história da arte sem palavras. Nela, os objetos circulam como cenas de filme, ao ritmo da memória do erudito, e são lidos nas brechas abertas pela sucessão das imagens num atlas bibliotecário. Este é produto da montagem heterodoxa de reproduções fotográficas de obras, de recortes de jornais, de desenhos e anotações, etc... Ao atlas deu-lhe o nome de Mnemosyne (memória). Warburg inventa uma "iconografia dos intervalos", para retomar expressão de Freud em carta a Fliess (16/4/1896), "nosso reino é o do entre lugar".
Para se compreender o percurso da "dança da chuva" até o atlas de imagens, recuperemos o início das análises iconográficas de Warburg sobre movimento e gestual, expostas na leitura que, no contexto da Renascença florentina, faz de duas telas de Sandro Botticelli (1445-1510). Lamentavelmente, pouco de Warburg está traduzido ao português. Em 2012 saiu em Lisboa O Nascimento de Vênus e A Primavera de Sandro Botticelli (KKYM, 14). A esse estudo, datado originalmente de 1893, nos reportaremos a partir de agora.
Warburg privilegia como interlocutor o historiador da arte Johan Joachim Winckelmann (1717-1768). Para contradizê-lo. Winckelmann tornara-se a principal referência nos estudos renascentistas graças ao celebrado Reflexões sobre a Imitação das Obras em Pintura e em Escultura (1755). Neste, enuncia fórmula que se tornaria canônica em história da arte. O que distingue as obras de arte gregas é "uma nobre simplicidade e uma grandeza serena, tanto na atitude (das figuras humanas) quanto na sua expressão". Para robustecer sua inclinação pelo caráter apolíneo da arte grega, tal como imitada pelos modernos, recorre a imagem marítima: "Da mesma forma como as profundezas do mar, por mais furiosa que esteja a superfície, permanecem todo o tempo calmas, também a expressão humana nas figuras dos gregos - mesmo no âmago das paixões - mostra sempre uma alma grande e igual".
A imagem marítima visa a traduzir a vitória do êthos (autocontrole racional sobre paixões, inclinações e afetos desordenados) sobre o páthos (qualidade do que é nitidamente emocional e transiente). Didi-Huberman detecta que, na teoria winckelmanniana, não se imitam os objetos artísticos da Antiguidade. Imita-se o belo ideal. Na arte grega e na moderna, Apolo desbancava Dionísio.
Influenciado talvez pelo Nascimento da Tragédia (1872), de Nietzsche, e prenunciando a leitura feita por Freud da novela Gradiva, de Jensen (1907), mas certamente como resultado da sua observação erudita e aguda de detalhes originais em obras de arte florentinas, Warburg retoma a questão da Antiguidade clássica pela sua "sobrevivência" (nachleben). Ou seja, pelo modo como os artistas florentinos, ao se expressarem nas suas obras pelo movimento e pelo gestual humano, ganham voz própria. Figuração e corpo humano se entregam, pois, ao páthos. E não ao êthos.
Pela análise micro das obras renascentistas, pelo páthos nelas evidente, Warburg desconstrói o sentido da "imitação" winckelmanniana. Não é o corpo imóvel e bem equilibrado que leva a Antiguidade clássica a "sobreviver" entre os modernos. É antes o corpo instável, tomado pelo poder incontrolável das forças da natureza e da subjetividade em crise. Daí as figuras de gestos em luta, retorcidos, ou sob o peso da dor; daí a cabeleira desalinhada e as roupas despegadas e flutuantes, agitadas pelo vento ou pela correria.
Pela "sobrevivência", o artista moderno se identifica com a Antiguidade clássica em diferença. Daí o privilégio concedido por Michelangelo a Laocoonte e seus filhos. Na tela O Nascimento de Vênus, destaca-se o modo como Botticelli, graças à representação do movimento, faz as aparências de cena mitológica sobreviver. Na mitologia encontrou um repertório inesgotável para representar a energia em seu devir. O modelo espacial fornecido pela escultura grega é substituído por modelo tomado à dança, que acentua a dimensão temporal e cênica da representação pictórica.
A substância do quadro A Primavera, ainda de Botticelli, não está associada à estabilidade da figura central, o que resultaria num privilégio concedido ao ser, em detrimento do seu devir. Ao elaborar a obra, o artista impulsiona forças que, por não invocarem a coerência da harmonia, trabalham a contradição, que desestabiliza a figura humana. Não a congrega, desagrega-a. Fragmenta-a. Estilhaça-a.
A divindade serena e apolínea - cânone para a teoria que referendava a imitação pelo belo ideal - se transforma em mênade. Em bacante. Em mulheres de gestos convulsivos, tomadas por sentimentos e paixões violentos.
Lê-se em Warburg: "Aparecidas pela primeira vez nas obras de Donatello e de Fra Filippo, as mênades dançarinas, conscientemente imitadas, redefinem o estilo antigo e exprimem uma vida cheia de movimento: a vida que anima Judite, o anjo Rafael que acompanha Tobias ou ainda a Salomé dançarina, ou essas figuras aladas que, dos ateliês de Pollaiulo, de Verrocchio, de Botticelli ou de Guirlandaio, ganharão as alturas".
sábado, 8 de diciembre de 2012
A poesia como saída de emergência
A idade moderna, justificou Paz, fez a crítica das mitologias e
expulsou os deuses da terra, que deixou de ser santa. Agora, o problema é
nosso: como conviver com a técnica, essa “filha da ideia do progresso”,
num mundo dominado pela ânsia de consumo (que é a mesma de ser
consumido)? Como viver quando o tempo concebido como história chega ao
fim?
Há 22 anos, no dia em que recebeu o Nobel de Literatura, Octavio Paz disse ao editor Danubio Torres Fierro que a desintegração das ideologias conduziria esse mundo à explosão do individualismo, do nacionalismo e do fundamentalismo desenfreado. Foi o que aconteceu. Na mesma entrevista, o poeta diz que a história ensinou-o a ficar do lado dos vencidos, “agredidos permanentemente pela barbárie do progresso”.
Sobre o tema, Paz escreve o texto Os Signos em Rotação no epílogo de O Arco e a Lira. Nele, defende que não há poesia sem sociedade, mas que a maneira de ser social da poesia “é contraditória”. Não há igualmente sociedade sem poesia, “mas a sociedade nunca pode se realizar como poesia, nunca é poética”. A história da poesia moderna, conclui, “é a história de uma desmedida”. Esse posfácio foi publicado pela primeira vez em 1965, nove anos após a primeira edição de O Arco e a Lira, sendo então incorporado definitivamente ao livro.
Sociedade e poesia parecem a cada dia mais distantes, conclui o poeta, mas renunciar a esta “é renunciar a ser o que o homem moderno quis ser, renunciar a ser”, reflete, à maneira de Heidegger. O filósofo alemão dizia que “chegamos tarde demais para os deuses e cedo demais para o ser”. E Paz é, antes de tudo, um poeta moderno, um homem “inacabado”, que por isso faz poemas e sente-se exilado numa terra que não os aceita. No entanto, sente que nossa situação histórica, caracterizada pelo “tarde demais”, exige uma poesia crítica como a concebida por Mallarmé, “a única possibilidade de identificação da linguagem com o absoluto”, de acordo com ele. Paz, então, escreve ensaios pensando como poeta, seguindo a trilha aberta por Paul Valéry e Ezra Pound.
Foi com o mesmo título do posfácio de O Arco e a Lira, Signos em Rotação (1972), coletânea de ensaios traduzidos por Sebastião Uchoa Leite e organizados por Celso Lafer e Haroldo de Campos, que o nome de Octavio Paz começou a ser discutido no Brasil. Logo depois seriam traduzidos Os Filhos do Barro (em 1974) - livro que será relançado em 2013 pela parceria Cosac Naify/Fundo de Cultura -, O Labirinto da Solidão e Post-Scriptum (1976) e O Arco e a Lira (1982), além de Blanco, transcriado por Haroldo de Campos como Transblanco (1986). Desde então foram inúmeros os estudos publicados aqui sobre sua obra, entre eles As Raízes e o Labirinto da América Latina, escrito por Silviano Santiago, colunista do Sabático, sobre seu O Labirinto da Solidão e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, um dos livros brasileiros que a Fondo de Cultura Económica lançou no México.
A editora também publicou a obra completa de Octavio Paz. Entre seus livros, O Labirinto da Solidão, escrito em 1950, é um dos mais conhecidos. Paz usa a metáfora do minotauro no labirinto e conduz o leitor pelo fio que leva à reflexão sobre a identidade do povo mexicano, ao examinar a vida dos “pachucos”, que não aceitam as origens nem o modo de vida americano, errando num purgatório/labirinto entre as tradições religiosas do México (os deuses, os demônios, os espíritos) e a modernidade laica dos EUA.
O engajamento literário de Paz era antigo. Remonta à fundação da revista estudantil Barandal em 1931, que traduzia a ambição de seu editor e trazia em suas páginas ensaios sobre Alberti e Joyce. O poeta tinha 17 anos quando começou a publicar em jornais como El Nacional, recorrendo a alegorias para disfarçar o conteúdo erótico de alguns poemas, dedicados a associar formas femininas às curvas do mundo (a exemplo do que Oscar Niemeyer, morto na quarta-feira, fez em sua arquitetura).
Como os anos 1930 foram marcados pelo espírito revolucionário no México, Paz não se manteve neutro, até mesmo por ser amigo de rebeldes ativistas como o pintor Rufino Tamayo, opositor da estética dos muralistas mexicanos, e o fotógrafo Manuel Álvarez Bravo, autor da foto desta página, que, rejeitando o pitoresco dominante na arte mexicana, aproximou-se de André Breton e dos surrealistas, exercendo grande influência sobre o poeta amigo.
Atraído pela luta dos revolucionários, aos 23 anos, Paz abandonou o curso de Direito e foi para Yucatán fundar uma escola e ensinar os filhos dos camponeses. Também passou pela Espanha no mesmo ano, participando de um congresso de escritores a convite do poeta chileno Pablo Neruda, voltando à terra natal para continuar a luta política como editor de poetas espanhóis exilados no México, em 1938. Um ano depois, desiludido com a esquerda, após o pacto entre Hitler e Stalin, afastou-se do jornal El Popular, afirmando sua independência ideológica e rompendo com amigos (Neruda, inclusive).
Cosmopolita, Paz seguiu para os EUA, nos anos 1940, para estudar a poesia das Américas. Nomeado secretário da embaixada mexicana em Paris no pós-guerra, conheceu escritores e dramaturgos como Beckett e Camus. O Labirinto da Solidão foi concebido nessa época. Nos anos 1950, sua proximidade com Carlos Fuentes, um dos editores da Revista Mexicana de Literatura, levou-o a um diálogo próximo com escritores como Cortázar e Bioy Casares. Os anos 1960 foram decisivos para que Octavio Paz encontrasse a própria voz, dialogando com as antigas tradições religiosas e culturais (ele passou seis anos na Índia). Após abdicar do cargo de embaixador, em 1968, por causa do massacre de Tlatelolco, Paz dedicou-se ao ensino universitário e fundou revistas como Plural e Vuelta.
Fonte Estadao.com.br
Há 22 anos, no dia em que recebeu o Nobel de Literatura, Octavio Paz disse ao editor Danubio Torres Fierro que a desintegração das ideologias conduziria esse mundo à explosão do individualismo, do nacionalismo e do fundamentalismo desenfreado. Foi o que aconteceu. Na mesma entrevista, o poeta diz que a história ensinou-o a ficar do lado dos vencidos, “agredidos permanentemente pela barbárie do progresso”.
Sobre o tema, Paz escreve o texto Os Signos em Rotação no epílogo de O Arco e a Lira. Nele, defende que não há poesia sem sociedade, mas que a maneira de ser social da poesia “é contraditória”. Não há igualmente sociedade sem poesia, “mas a sociedade nunca pode se realizar como poesia, nunca é poética”. A história da poesia moderna, conclui, “é a história de uma desmedida”. Esse posfácio foi publicado pela primeira vez em 1965, nove anos após a primeira edição de O Arco e a Lira, sendo então incorporado definitivamente ao livro.
Sociedade e poesia parecem a cada dia mais distantes, conclui o poeta, mas renunciar a esta “é renunciar a ser o que o homem moderno quis ser, renunciar a ser”, reflete, à maneira de Heidegger. O filósofo alemão dizia que “chegamos tarde demais para os deuses e cedo demais para o ser”. E Paz é, antes de tudo, um poeta moderno, um homem “inacabado”, que por isso faz poemas e sente-se exilado numa terra que não os aceita. No entanto, sente que nossa situação histórica, caracterizada pelo “tarde demais”, exige uma poesia crítica como a concebida por Mallarmé, “a única possibilidade de identificação da linguagem com o absoluto”, de acordo com ele. Paz, então, escreve ensaios pensando como poeta, seguindo a trilha aberta por Paul Valéry e Ezra Pound.
Foi com o mesmo título do posfácio de O Arco e a Lira, Signos em Rotação (1972), coletânea de ensaios traduzidos por Sebastião Uchoa Leite e organizados por Celso Lafer e Haroldo de Campos, que o nome de Octavio Paz começou a ser discutido no Brasil. Logo depois seriam traduzidos Os Filhos do Barro (em 1974) - livro que será relançado em 2013 pela parceria Cosac Naify/Fundo de Cultura -, O Labirinto da Solidão e Post-Scriptum (1976) e O Arco e a Lira (1982), além de Blanco, transcriado por Haroldo de Campos como Transblanco (1986). Desde então foram inúmeros os estudos publicados aqui sobre sua obra, entre eles As Raízes e o Labirinto da América Latina, escrito por Silviano Santiago, colunista do Sabático, sobre seu O Labirinto da Solidão e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, um dos livros brasileiros que a Fondo de Cultura Económica lançou no México.
A editora também publicou a obra completa de Octavio Paz. Entre seus livros, O Labirinto da Solidão, escrito em 1950, é um dos mais conhecidos. Paz usa a metáfora do minotauro no labirinto e conduz o leitor pelo fio que leva à reflexão sobre a identidade do povo mexicano, ao examinar a vida dos “pachucos”, que não aceitam as origens nem o modo de vida americano, errando num purgatório/labirinto entre as tradições religiosas do México (os deuses, os demônios, os espíritos) e a modernidade laica dos EUA.
O engajamento literário de Paz era antigo. Remonta à fundação da revista estudantil Barandal em 1931, que traduzia a ambição de seu editor e trazia em suas páginas ensaios sobre Alberti e Joyce. O poeta tinha 17 anos quando começou a publicar em jornais como El Nacional, recorrendo a alegorias para disfarçar o conteúdo erótico de alguns poemas, dedicados a associar formas femininas às curvas do mundo (a exemplo do que Oscar Niemeyer, morto na quarta-feira, fez em sua arquitetura).
Como os anos 1930 foram marcados pelo espírito revolucionário no México, Paz não se manteve neutro, até mesmo por ser amigo de rebeldes ativistas como o pintor Rufino Tamayo, opositor da estética dos muralistas mexicanos, e o fotógrafo Manuel Álvarez Bravo, autor da foto desta página, que, rejeitando o pitoresco dominante na arte mexicana, aproximou-se de André Breton e dos surrealistas, exercendo grande influência sobre o poeta amigo.
Atraído pela luta dos revolucionários, aos 23 anos, Paz abandonou o curso de Direito e foi para Yucatán fundar uma escola e ensinar os filhos dos camponeses. Também passou pela Espanha no mesmo ano, participando de um congresso de escritores a convite do poeta chileno Pablo Neruda, voltando à terra natal para continuar a luta política como editor de poetas espanhóis exilados no México, em 1938. Um ano depois, desiludido com a esquerda, após o pacto entre Hitler e Stalin, afastou-se do jornal El Popular, afirmando sua independência ideológica e rompendo com amigos (Neruda, inclusive).
Cosmopolita, Paz seguiu para os EUA, nos anos 1940, para estudar a poesia das Américas. Nomeado secretário da embaixada mexicana em Paris no pós-guerra, conheceu escritores e dramaturgos como Beckett e Camus. O Labirinto da Solidão foi concebido nessa época. Nos anos 1950, sua proximidade com Carlos Fuentes, um dos editores da Revista Mexicana de Literatura, levou-o a um diálogo próximo com escritores como Cortázar e Bioy Casares. Os anos 1960 foram decisivos para que Octavio Paz encontrasse a própria voz, dialogando com as antigas tradições religiosas e culturais (ele passou seis anos na Índia). Após abdicar do cargo de embaixador, em 1968, por causa do massacre de Tlatelolco, Paz dedicou-se ao ensino universitário e fundou revistas como Plural e Vuelta.
Fonte Estadao.com.br
viernes, 7 de diciembre de 2012
Dear Life
En la última sección del libro, Alice Munro, que ha construido tantas
ficciones con los materiales de su biografía, decide atenerse a unos
cuantos recuerdos explícitos, cuatro estampas separadas entre sí que
tienen algo de confesión y de despedida: “… las primeras y las últimas
cosas —y también las más fieles— que tengo que decir sobre mi propia
vida”.
No son grandes experiencias, o no aparentan serlo. Ni siquiera son historias con tramas definidas, con principio final. Casi nada sucede en ellas, salvo las sensaciones de la infancia, esa mezcla de percepción muy viva e información fragmentaria que llena de misterios unas veces confortadores y otras amenazantes la vida de un niño. Y la lectura que piden no es la de la prosa sino la de la poesía: un regreso al principio después del final, una revelación de algo que no se agota porque está en las palabras y un poco más allá de ellas.
No son grandes experiencias, o no aparentan serlo. Ni siquiera son historias con tramas definidas, con principio final. Casi nada sucede en ellas, salvo las sensaciones de la infancia, esa mezcla de percepción muy viva e información fragmentaria que llena de misterios unas veces confortadores y otras amenazantes la vida de un niño. Y la lectura que piden no es la de la prosa sino la de la poesía: un regreso al principio después del final, una revelación de algo que no se agota porque está en las palabras y un poco más allá de ellas.
www.antoniomuñozmolina.es
Fuente El pais. aqui
Niemeyer:Su arquitectura, aunque tenía un cariz moderno y progresista, incorporaba las lecciones del pasado y de la naturaleza.
Su arquitectura, aunque tenía un cariz moderno y progresista,
incorporaba las lecciones del pasado y de la naturaleza. Sus formas
biomórficas se inspiraban en parte en Picasso y en Arp, pero también en
la herencia barroca de Brasil. Combinaba las curvas sensuales, los
materiales ricos y el movimiento a través de capas de espacio. Sus
edificios parecen filtros a través de los cuales puede pasar el aire
mientras unas pantallas repelen el calor y la luz deslumbrante. En la
utopía de Niemeyer se suponía que el hombre lograría la armonía con la
naturaleza mediante la liberación del espacio y el uso de las nuevas
tecnologías, postura que expresaba casi inconscientemente los mitos
nacionales brasileños del progreso y la identidad. Niemeyer, un
comunista que construyó casas para ricos, una catedral, viviendas
sociales y edificios para numerosas burocracias estatales, era cualquier
cosa menos coherente ideológicamente.
Los mundos para los que construyó han desaparecido, pero sus edificios mantienen toda su riqueza fascinante. Hacia el final, se le culpaba a veces de un formalismo vacío y de caricaturizarse a sí mismo. Pero su enorme obra incluye numerosos ejemplos de su fecunda imaginación espacial y de su destreza a la hora de resolver tareas a todos los niveles. Es como un libro abierto de lecciones y de principios arquitectónicos. Más que una colección de edificios, deja tras de sí un universo creativo que probablemente influirá durante mucho tiempo en otros arquitectos del futuro.
Los mundos para los que construyó han desaparecido, pero sus edificios mantienen toda su riqueza fascinante. Hacia el final, se le culpaba a veces de un formalismo vacío y de caricaturizarse a sí mismo. Pero su enorme obra incluye numerosos ejemplos de su fecunda imaginación espacial y de su destreza a la hora de resolver tareas a todos los niveles. Es como un libro abierto de lecciones y de principios arquitectónicos. Más que una colección de edificios, deja tras de sí un universo creativo que probablemente influirá durante mucho tiempo en otros arquitectos del futuro.
William J. R. Curtis es historiador, crítico y autor de La arquitectura moderna desde 1900.
Para ler tudo, clique aqui
Marcadores:
Herencia barroca,
lecciones del pasado,
Niemeyer,
Picasso
jueves, 6 de diciembre de 2012
Porque odeiam a história
Uma das coisas que me intregam é o ódio ou desqualificaçao da Historia em terra Brasilis. Parece ter havida uma completa dissociçao entre história , percurso e tradiçao...Hoje , por exemplo, li a manchete que se segue:
Niemeyer libertou a arquitetura das amarras do passado.
Eu sei que parece verso de Castro Alves, e por isso mesmo, canone, tradiçao...MAS o autor da lide parece nao se dar conta .
Língua Portuguesa tem "valor incomensurável"
E nao há nenhum país or onde eu ande que nao haja alguem a dizer ` obrigado` . Como disse a Anna Maria Ramalho até os franceses ensaiam a nossa lingua para agradar os turistas brasileiros em Paris.
Adeus a Niemeyer.
Cualquiera que viva más de 100 años tiene tiempo de ver una cosa y su contrario. El arquitecto más famoso de Brasil, Oscar Niemeyer
(Rio, 1907-2012) llegó tarde a la arquitectura (mal estudiante, comenzó
la carrera estando casado), pero la cuestionó pronto. Tras ensayar los
trazos rectilíneos del Movimiento Moderno en sus primeros edificios de
los años treinta, decidió tropicalizar ese estilo sencillo, pero recto,
demostrando que el material del siglo XX, el hormigón armado, además de
sujetar podía también expresar. Niemeyer apostó por la humanidad de la
curva y la plasticidad de las formas libres y vivió lo suficiente para
convivir con su herencia. Contempló su propio renacimiento en
generaciones posteriores, que derivaron de sus pliegues los estilos con
los que se inició este siglo, sin que él mismo hubiera, en ningún
momento, dejado de construir.
(...)
Con todo, y tal vez como la propia ideología comunista, Niemeyer ha sido un arquitecto sumamente idealista y, sin embargo, dictatorial. Sin duda un gran artista plástico, un proyectista pionero de la forma libre, pero también alguien capaz de sacrificar la sombra de los peatones, bajo un clima tropical, en pos del altísimo valor plástico de sus edificios
Fuente El Pais
Leia mais aqui
(...)
Con todo, y tal vez como la propia ideología comunista, Niemeyer ha sido un arquitecto sumamente idealista y, sin embargo, dictatorial. Sin duda un gran artista plástico, un proyectista pionero de la forma libre, pero también alguien capaz de sacrificar la sombra de los peatones, bajo un clima tropical, en pos del altísimo valor plástico de sus edificios
Fuente El Pais
Leia mais aqui
martes, 4 de diciembre de 2012
Lo sagrado en la literatura - Jose Ignacio Gracia Noriega
El hombre moderno, entendiendo por tal, exclusivamente, al de las
sociedades industrializadas y laicas de Occidente, considera que la
presencia de lo sagrado reprime su libertad; es, por lo tanto, la
eliminación o, cuando menos, la separación de lo sagrado, la condición
indispensable para su liberación definitiva. Que este hombre, «libre y
laico», haya incurrido en sucedáneos de la sacralidad como la dietética,
el socialismo o la nigromancia, no es cuestión que deba plantearse
ahora; como señaló Chesterton, desde que el hombre dejó de creer en
Dios, cree en cualquier cosa
Leia mais aqui, Revista de Libros de La Fundacion Caja Madrid
Leia mais aqui, Revista de Libros de La Fundacion Caja Madrid
Marcadores:
revista de libros de la fundacion caja madrid
lunes, 3 de diciembre de 2012
Los Reyes Magos eran andaluces - María Carmona
Joseph Ratzinger, es decir, el Papa Benedicto XVI, le ha dado la vuelta a muchas de las tradiciones cristianas en su libro La infancia de Jesús,
en el que no sólo saca a la mula y el buey del portal de Belén, sino
que sitúa el origen de los Reyes Magos, que hasta ahora venían de
Oriente, en el extremo occidental del mundo conocido en aquel momento. Ni más ni menos que en Andalucía.
Benedicto XVI dice en su libro que, según los textos sagrados -hace referencia al evangelista Mateo y al profeta Isaías-, la procedencia de Melchor, Gaspar y Baltasar no era otra que Tarsis -o Tartessos-, un reino que los historiadores ubican en algún punto indeterminado entre las provincias de Huelva, Cádiz y Sevilla.
"Así como la tradición de la Iglesia ha leído con toda naturalidad el relato de la Navidad sobre el trasfondo de Isaías 1,3, y de este modo llegaron al pesebre el buey y el asno, así también ha leído la historia de los Magos a la luz del Salmo 72,10 e Isaías 60. Y, de esta manera, los hombres sabios de Oriente se han convertido en reyes, y con ellos han entrado en el pesebre los camellos y los dromedarios", escribe Ratzinger. "La promesa contenida en estos textos extiende la proveniencia de estos hombres hasta el extremo Occidente (Tarsis, Tartessos en España), pero la tradición ha desarrollado ulteriormente este anuncio de la universalidad de los reinos de aquellos soberanos, interpretándolos como reyes de los tres continentes entonces conocidos: África, Asia y Europa".
Según Benedicto XVI -que remite a los textos de Mateo e Isaías para fundamentar su argumentación, pues son los que hablan de los reyes y naves llegadas desde Tarsis- el incienso, el oro y la mirra que llegaron a Belén tenían aroma andaluz.
fuente Elmundo.es
Benedicto XVI dice en su libro que, según los textos sagrados -hace referencia al evangelista Mateo y al profeta Isaías-, la procedencia de Melchor, Gaspar y Baltasar no era otra que Tarsis -o Tartessos-, un reino que los historiadores ubican en algún punto indeterminado entre las provincias de Huelva, Cádiz y Sevilla.
"Así como la tradición de la Iglesia ha leído con toda naturalidad el relato de la Navidad sobre el trasfondo de Isaías 1,3, y de este modo llegaron al pesebre el buey y el asno, así también ha leído la historia de los Magos a la luz del Salmo 72,10 e Isaías 60. Y, de esta manera, los hombres sabios de Oriente se han convertido en reyes, y con ellos han entrado en el pesebre los camellos y los dromedarios", escribe Ratzinger. "La promesa contenida en estos textos extiende la proveniencia de estos hombres hasta el extremo Occidente (Tarsis, Tartessos en España), pero la tradición ha desarrollado ulteriormente este anuncio de la universalidad de los reinos de aquellos soberanos, interpretándolos como reyes de los tres continentes entonces conocidos: África, Asia y Europa".
Según Benedicto XVI -que remite a los textos de Mateo e Isaías para fundamentar su argumentación, pues son los que hablan de los reyes y naves llegadas desde Tarsis- el incienso, el oro y la mirra que llegaron a Belén tenían aroma andaluz.
fuente Elmundo.es
¿Conseguirán los patios de Córdoba el título de Patrimonio Inmaterial?
La Unesco comenzará a examinar hoy en París las candidaturas de
Colombia, Ecuador, España y Venezuela para su inclusión en la Lista del
Comité Intergubernamental para la Salvaguardia del Patrimonio Cultural
Inmaterial. La fiesta de los patios de Córdoba (España), el festival
religioso de San Francisco de Asís en Quidbó (Colombia), el tradicional
tejido del sombrero de paja toquilla hecho con palmera de la costa
ecuatoriana (Ecuador) y los Diablos Danzantes del Corpus Christi,
símbolo del triunfo religioso frente al Mal, (Venezuela), son las
propuestas que examinará la Unesco y que cuentan con el respaldo de
expertos.
Fuente El Pais
leia mais aqui
Fuente El Pais
leia mais aqui
Universidades Portuguesas em bom lugar no Ranking do FT
A escola de gestão e economia da Universidade Nova de Lisboa subiu dez posições no ranking
do Financial Times (FT) que distingue as melhores instituições nesta
área de ensino e ultrapassou, pela primeira vez, a Católica.
A edição de 2012 da tabela também é marcada pela estreia da Escola de Gestão do Porto que entrou directamente para o 55.º lugar entre 79 universidades analisadas. A Nova School of Business and Economics (Nova SBE) passou do 39.º para o 29.º lugar, enquanto a Católica Lisbon School of Business and Economics alcançou o 32.º lugar, subindo uma posição face ao ranking de 2011.
Este é o “ranking dos rankings” onde as escolas portuguesas têm vindo a ganhar terreno e visibilidade. A classificação é obtida através da média dos resultados conseguidos em quatro outras avaliações a programas de formação, que o FT vai divulgando ao longo do ano (MBA a tempo inteiro e part-time, formação para executivos e mestrados em gestão).
Ser considerada a 29ª melhor escola para estudar gestão e economia é um “resultado extraordinário”, diz José Ferreira Machado, director da Nova SBE. “Primeiro porque subimos dez posições e somos a terceira escola que mais subiu nos rankings, depois porque entrámos no top 30”, afirma. Este ano a faculdade pública conseguiu subir em todas as classificações, o que contribuiu para este resultado.
“Numa altura em que o mercado está a contrair e é cada vez mais difícil reter talento, estes são factores que reforçam a capacidade de atrair estudantes e contrariar a fuga de cérebros”, analisa Ferreira Machado. A Nova SBE tem actualmente 400 alunos estrangeiros, 30% do total.
A Católica Lisbon School of Business and Economics, que foi a primeira escola portuguesa a constar nas tabelas do FT, continua a subir posições desde 2010 e, o ano passado chegou pela primeira vez ao top 40. Francisco Veloso, director da instituição, sublinha que o mais importante na tabela hoje divulgada é “ter a Católica em destaque a nível europeu”. Cerca de 50% dos alunos de mestrado são estrangeiros.
No próximo ano, o MBA conjunto desta faculdade com a Nova (The Lisbon MBA) já vai poder ser avaliado pelo FT e, por isso, será incluído na média deste ranking global que avalia a qualidade das escolas no seu todo. “A expectativa que temos é que o MBA fique numa posição honrosa e isso vai ajudar no resultado final”, sublinhou ao PÚBLICO, ao telefone desde o Brasil. Francisco Veloso está em reuniões com várias escolas brasileiras para negociar possíveis acordos de parceria. A intenção é, nomeadamente, ter programas de formação e centros de investigação conjuntos e troca de professores. “Temos acordos e presença de alunos estrangeiros na Católica com uma predominância europeia e queremos ir mais além”, explicou.
Para Nuno Sousa Pereira, director da Porto Business School (escola de negócio da Universidade do Porto), a estreia no mais aguardado dos rankings do FT é o resultado de uma “estratégia de internacionalização sustentada” e o reconhecimento da qualidade dos programas de formação, disse, em comunicado.
A espanhola IE Business School é considerada pelo Financial Times a melhor escola de gestão. Destronou a HEC (École des Hautes Études Commerciales) de Paris que assegurava o primeiro lugar desde, pelo menos, 2010 e está agora na segunda posição. Segue-se a London Business School e o Insead.
O FT elabora anualmente seis rankings. As tabelas são elaboradas com base em critérios que vão desde o salário que os alunos conseguiram auferir três anos após o curso, até à percentagem de mulheres no corpo docente. Para elaborar as listas o diário britânico recorre a questionários online, feitos às escolas e aos antigos alunos.
Fonte Piublico.pt
A edição de 2012 da tabela também é marcada pela estreia da Escola de Gestão do Porto que entrou directamente para o 55.º lugar entre 79 universidades analisadas. A Nova School of Business and Economics (Nova SBE) passou do 39.º para o 29.º lugar, enquanto a Católica Lisbon School of Business and Economics alcançou o 32.º lugar, subindo uma posição face ao ranking de 2011.
Este é o “ranking dos rankings” onde as escolas portuguesas têm vindo a ganhar terreno e visibilidade. A classificação é obtida através da média dos resultados conseguidos em quatro outras avaliações a programas de formação, que o FT vai divulgando ao longo do ano (MBA a tempo inteiro e part-time, formação para executivos e mestrados em gestão).
Ser considerada a 29ª melhor escola para estudar gestão e economia é um “resultado extraordinário”, diz José Ferreira Machado, director da Nova SBE. “Primeiro porque subimos dez posições e somos a terceira escola que mais subiu nos rankings, depois porque entrámos no top 30”, afirma. Este ano a faculdade pública conseguiu subir em todas as classificações, o que contribuiu para este resultado.
“Numa altura em que o mercado está a contrair e é cada vez mais difícil reter talento, estes são factores que reforçam a capacidade de atrair estudantes e contrariar a fuga de cérebros”, analisa Ferreira Machado. A Nova SBE tem actualmente 400 alunos estrangeiros, 30% do total.
A Católica Lisbon School of Business and Economics, que foi a primeira escola portuguesa a constar nas tabelas do FT, continua a subir posições desde 2010 e, o ano passado chegou pela primeira vez ao top 40. Francisco Veloso, director da instituição, sublinha que o mais importante na tabela hoje divulgada é “ter a Católica em destaque a nível europeu”. Cerca de 50% dos alunos de mestrado são estrangeiros.
No próximo ano, o MBA conjunto desta faculdade com a Nova (The Lisbon MBA) já vai poder ser avaliado pelo FT e, por isso, será incluído na média deste ranking global que avalia a qualidade das escolas no seu todo. “A expectativa que temos é que o MBA fique numa posição honrosa e isso vai ajudar no resultado final”, sublinhou ao PÚBLICO, ao telefone desde o Brasil. Francisco Veloso está em reuniões com várias escolas brasileiras para negociar possíveis acordos de parceria. A intenção é, nomeadamente, ter programas de formação e centros de investigação conjuntos e troca de professores. “Temos acordos e presença de alunos estrangeiros na Católica com uma predominância europeia e queremos ir mais além”, explicou.
Para Nuno Sousa Pereira, director da Porto Business School (escola de negócio da Universidade do Porto), a estreia no mais aguardado dos rankings do FT é o resultado de uma “estratégia de internacionalização sustentada” e o reconhecimento da qualidade dos programas de formação, disse, em comunicado.
A espanhola IE Business School é considerada pelo Financial Times a melhor escola de gestão. Destronou a HEC (École des Hautes Études Commerciales) de Paris que assegurava o primeiro lugar desde, pelo menos, 2010 e está agora na segunda posição. Segue-se a London Business School e o Insead.
O FT elabora anualmente seis rankings. As tabelas são elaboradas com base em critérios que vão desde o salário que os alunos conseguiram auferir três anos após o curso, até à percentagem de mulheres no corpo docente. Para elaborar as listas o diário britânico recorre a questionários online, feitos às escolas e aos antigos alunos.
Fonte Piublico.pt
Estée Lauder e Sahrai
- LUXURY AND BEAUTY EXPERIENCE -
Estée Lauder e Sahrai
un percorso di stile e qualità…
Martedì 4 Dicembre
dalle 17.30 alle 20.30
Cocktail
Galleria Manzoni - Milano
Néstor García Canclini: el sociólogo en busca del artista
Hay una sensación que nos anticipa un acontecimiento excepcional. La
impresión de que algo está a punto de suceder. Puede que sea algo
pequeño, un chispazo. O algo de proporciones estratosféricas. La
inminencia se ha colado en el discurso del arte contemporáneo como
palabra clave para acercarse a lo que identifica su cualidad
diferenciadora. Sin ir más lejos, La inminencia de las poéticas fue el título elegido por el comisario de la actual 30ª Bienal de São Paulo. En su nuevo ensayo, La sociedad sin relato. Antropología y estética de la inminencia,
el filósofo y sociólogo del arte Néstor García Canclini (La Plata,
Argentina, 1939) se acerca a una serie de artistas latinoamericanos e
indaga a través de sus obras la forma en la que el arte contemporáneo da
respuestas a algunas de las grandes preguntas que las ciencias sociales
no consiguen ya responder.
Pregunta. En su ensayo introduce ideas como la de la “inminencia”. ¿El sentido que le da en el contexto del arte contemporáneo está relacionado con ese descubrimiento personal e íntimo que tenemos, por ejemplo, ante una metáfora que nos abre a la percepción o comprensión de algo? ¿Con cierto sentido de lo que llamamos “poético”?
Respuesta. Tomé la noción de inminencia de Borges, en ese texto donde habla del hecho estético como la inminencia de una revelación. Y me puse a explorar antecedentes, yo había hecho mi tesis sobre Merleau-Ponty, y me acuerdo de algunas nociones próximas y de la misma noción de inminencia del mundo, de la que habla Merleau al analizar el arte de su época. También revisé la noción de aura de Walter Benjamin y encontré muchos artistas y críticos contemporáneos que usaban ese término. Me pareció que había un linaje que estaba diciendo algo sobre el arte como modo de pensar las imágenes, pero las imágenes que no son definitivas. Hablan de lo no resuelto, del conflicto abierto, que quizá sea una de las pocas diferencias que le queda al arte en relación con los medios masivos, con otro tipo de imágenes publicitarias o que están sometidas a una legalidad y obsolescencia del mercado.
P. ¿Sigue teniendo el artista el papel de propiciador de esta “inminencia de una revelación”, de mensajero, del genio concebido en el romanticismo?
R. No faltan artistas que lo interpretan en esa dirección y les encanta tener ese papel de anticipadores. En rigor, no es así. Me parece que lo que uno observa en el arte contemporáneo son capacidades peculiares en los que se llaman artistas para actuar en intersecciones donde las imágenes cruzan sus sentidos de muchas maneras. Me parece que la idea de genio ya no se la cree casi nadie. Pero lo que sí permanece de la modernidad es el énfasis en la originalidad. No hay nada peor que le puedas decir a un artista que el que eso ya lo has visto antes. Y, en rigor, todos saben que actúan en un mundo de imágenes muy interconectadas, más aún desde Internet. Y que es difícil inaugurar algo enteramente. Actuamos en el cruce y buscando generar una intersección sorprendente, el asombro lo buscamos no en la originalidad de los objetos o en el trazado de una imagen sino en la composición de elementos o en la desposesión, al aislar un elemento que antes estaba en otro contexto.
P. Después del posmodernismo, ¿hay una nueva revisión del modernismo? Me refiero a las ideas de Andreas Huyssen de volver un paso más atrás para comprender lo que nos dejamos en el camino sin conocerlo a fondo. En su libro, usted dice: ni posmoderno, ni pospolítico, ni posautónomo.
R. En realidad eso lo trabajé más en otro libro, que es Culturas híbridas, en el momento caliente de la relación modernidad-posmodernidad. Quería oponerme al carácter disyuntivo que hacía del posmodernismo, de hecho, una nueva vanguardia a pesar de que criticaba la noción de vanguardia. Hoy estamos viviendo una crisis de la modernidad. En Europa, en América Latina, en Estados Unidos y en los países protagonistas de la modernidad. Una crisis de la modernidad económica, al subordinarse lo social a lo económico y lo económico a lo financiero, y redefinir lo que se entendía por lucro, por intercambio, por acumulación, así como el sentido social de las prácticas. Me parece que es necesario recuperar esa amplitud de las cuestiones para no caer en la ingenuidad de que todo se trata de equilibrios financieros. Y en lo cultural también, se agotó claramente el proyecto más naif de la modernidad, que era un proyecto teleológico que creía ir a una culminación de todas las culturas en una sola historia, que se iba a parecer obviamente a la occidental. Hoy es demasiado evidente que hay una pluralidad de historias que no se pueden subsumir una en otra, pero se ha acrecentado la necesidad de ver cómo conviven las culturas en una interdependencia global tan acentuada. Y lo que sucede en The Factory, en Beijing, tiene una resonancia en lo que sucede en el SoHo de Nueva York y a su vez en la escena artística de São Paulo. Me parece que el arte es un lugar bueno para pensar, que estimula a reconsiderar justamente los lugares comunes porque su intento insistente es salirse de esos lugares. Todo se hace dentro de un encuadre que yo sigo viendo básicamente moderno. Diría más, así como pasamos hace unos años de la hegemonía del posmodernismo a la hegemonía del pensamiento sobre la globalización, todo eso que ha sedimentado nos lleva hoy a una discusión sobre la crisis del capitalismo y las relaciones entre capitalismo y cultura.
P. En el campo cultural y específicamente en el del arte contemporáneo es evidente esa descentralización, esa deslocalización y, algo que se dice también en el libro, es que ningún artista se siente solo de su país de origen. El encuadre dentro de cierto nacionalismo es algo ajeno a la actitud del artista de hoy.
R. Hace tiempo que terminó la época de los pasaportes artísticos, aunque todavía a veces a los artistas latinoamericanos se les pide que representen su supuesta identidad. Pero los artistas más destacados de Latinoamérica, Gabriel Orozco o Guillermo Kuitca, podrían estar haciendo su obra en otros países. De hecho, Orozco tiene estudio en Nueva York, en París y en México, y sobre todo en los últimos años el pensamiento japonés está más vivo en su visualidad que el occidental. Es un ir y venir entre culturas tomadas muy libremente, pero no solo porque los artistas viajan mucho más y los comisarios también, sino porque los recibimos en nuestra casa en nuestro ordenador.
P. Quizá lo más importante de este libro es el papel que le da a los propios artistas, por encima de teorías demasiado complejas. El interés de ver con mayor atención las obras. El artista, que es a veces el más olvidado al hablar de todo el eje y el sistema del arte.
R. Para mí esto fue una novedad en este libro porque hasta ahora había trabajado mucho en sociología del arte, haciendo estudios de públicos, de mediadores, de la crítica, y me di cuenta de que —de acuerdo con mi vocación antropológica— tenía que escuchar a los artistas. Ir a sus talleres, a sus lugares de exposición —de las galerías a las bienales— y ver qué sucedía en cada lugar. Escuchar al artista en distintas situaciones porque actúan de maneras diferentes, y lo que el artista dice, básicamente lo dice a través de la obra. Lo demás puede modificar el sentido de la obra o influir en las maneras de su recepción, pero las obras, aunque sean efímeras como una performance, son documentos culturales que deben ser tomados en cuenta a partir de la enunciación. No hay conceptualización de ningún curador que pueda anular la elocuencia enunciadora de una pintura o de una instalación o una performance. Entonces la primera actividad necesaria, y no solo para el antropólogo, es escuchar al artista y permitir que su obra, más que él mismo, diga lo que pretende enunciar.
P. Todos los artistas que ha elegido para este libro trabajan dentro de lo que se considera arte conceptual. ¿Considera que la obra sin el desarrollo privilegiado de un concepto que la sostenga es menos interesante?
R. Me cuesta pensar en obras que no tengan un concepto detrás. Pueden ser conceptos no explícitos, que no traten de imponerse a las imágenes, en el sentido en que Lévi-Strauss decía que la ciencia no es tan distinta de la magia, lo que pasa es que la magia tiene un conocimiento sumergido en imágenes. Todo arte ha sido conceptual, lo que ha ocurrido a mediados del siglo XX es que hay un predominio de la elocución semiótica sobre la exhibición y el juego con la imagen. No en todos, y además los artistas que elegí recogen esa tradición conceptualizante de maneras diferentes, mucho más poética en Carlos Amorales o en Gabriel Orozco, más conceptual en Antoni Muntadas y Santiago Sierra. Más individual en artistas como Orozco y Amorales, más colectiva como reconocimiento de la fuente creativa, a veces como trabajo efectivo en grupo, en el caso de León Ferrari y de Teresa Margolles, o el propio Muntadas. Son modos distintos de inserción social y de reconocimiento del grado en el que la articulación de concepto e imagen en la obra procede de un cierto contexto.
P. ¿La crítica de arte tiene un papel distinto ahora con respecto a esa necesidad de ordenación, de clasificación, categorización?
R. Aunque sigue existiendo la crítica como glosa literaria de lo que la obra estaría diciendo, cada vez más los críticos se forman en varias profesiones a la vez. Saben de museografía, de filosofía, de antropología, pueden ser curadores porque entienden mucho más que la obra aislada. Ser crítico hoy es estar en la intersección de varias disciplinas. Como, en realidad, se tiene que ser en cualquier otra disciplina. No se puede ser antropólogo solo en la forma en que clásicamente lo dijeron Boas o Lévi-Strauss.
La sociedad sin relato. Antropología y estética de la inminencia. Néstor García Canclini. Katz. Buenos Aires / Madrid, 2012. 264 páginas. 17,50 euros.
Fuente El Pais
Pregunta. En su ensayo introduce ideas como la de la “inminencia”. ¿El sentido que le da en el contexto del arte contemporáneo está relacionado con ese descubrimiento personal e íntimo que tenemos, por ejemplo, ante una metáfora que nos abre a la percepción o comprensión de algo? ¿Con cierto sentido de lo que llamamos “poético”?
Respuesta. Tomé la noción de inminencia de Borges, en ese texto donde habla del hecho estético como la inminencia de una revelación. Y me puse a explorar antecedentes, yo había hecho mi tesis sobre Merleau-Ponty, y me acuerdo de algunas nociones próximas y de la misma noción de inminencia del mundo, de la que habla Merleau al analizar el arte de su época. También revisé la noción de aura de Walter Benjamin y encontré muchos artistas y críticos contemporáneos que usaban ese término. Me pareció que había un linaje que estaba diciendo algo sobre el arte como modo de pensar las imágenes, pero las imágenes que no son definitivas. Hablan de lo no resuelto, del conflicto abierto, que quizá sea una de las pocas diferencias que le queda al arte en relación con los medios masivos, con otro tipo de imágenes publicitarias o que están sometidas a una legalidad y obsolescencia del mercado.
P. ¿Sigue teniendo el artista el papel de propiciador de esta “inminencia de una revelación”, de mensajero, del genio concebido en el romanticismo?
R. No faltan artistas que lo interpretan en esa dirección y les encanta tener ese papel de anticipadores. En rigor, no es así. Me parece que lo que uno observa en el arte contemporáneo son capacidades peculiares en los que se llaman artistas para actuar en intersecciones donde las imágenes cruzan sus sentidos de muchas maneras. Me parece que la idea de genio ya no se la cree casi nadie. Pero lo que sí permanece de la modernidad es el énfasis en la originalidad. No hay nada peor que le puedas decir a un artista que el que eso ya lo has visto antes. Y, en rigor, todos saben que actúan en un mundo de imágenes muy interconectadas, más aún desde Internet. Y que es difícil inaugurar algo enteramente. Actuamos en el cruce y buscando generar una intersección sorprendente, el asombro lo buscamos no en la originalidad de los objetos o en el trazado de una imagen sino en la composición de elementos o en la desposesión, al aislar un elemento que antes estaba en otro contexto.
P. Después del posmodernismo, ¿hay una nueva revisión del modernismo? Me refiero a las ideas de Andreas Huyssen de volver un paso más atrás para comprender lo que nos dejamos en el camino sin conocerlo a fondo. En su libro, usted dice: ni posmoderno, ni pospolítico, ni posautónomo.
R. En realidad eso lo trabajé más en otro libro, que es Culturas híbridas, en el momento caliente de la relación modernidad-posmodernidad. Quería oponerme al carácter disyuntivo que hacía del posmodernismo, de hecho, una nueva vanguardia a pesar de que criticaba la noción de vanguardia. Hoy estamos viviendo una crisis de la modernidad. En Europa, en América Latina, en Estados Unidos y en los países protagonistas de la modernidad. Una crisis de la modernidad económica, al subordinarse lo social a lo económico y lo económico a lo financiero, y redefinir lo que se entendía por lucro, por intercambio, por acumulación, así como el sentido social de las prácticas. Me parece que es necesario recuperar esa amplitud de las cuestiones para no caer en la ingenuidad de que todo se trata de equilibrios financieros. Y en lo cultural también, se agotó claramente el proyecto más naif de la modernidad, que era un proyecto teleológico que creía ir a una culminación de todas las culturas en una sola historia, que se iba a parecer obviamente a la occidental. Hoy es demasiado evidente que hay una pluralidad de historias que no se pueden subsumir una en otra, pero se ha acrecentado la necesidad de ver cómo conviven las culturas en una interdependencia global tan acentuada. Y lo que sucede en The Factory, en Beijing, tiene una resonancia en lo que sucede en el SoHo de Nueva York y a su vez en la escena artística de São Paulo. Me parece que el arte es un lugar bueno para pensar, que estimula a reconsiderar justamente los lugares comunes porque su intento insistente es salirse de esos lugares. Todo se hace dentro de un encuadre que yo sigo viendo básicamente moderno. Diría más, así como pasamos hace unos años de la hegemonía del posmodernismo a la hegemonía del pensamiento sobre la globalización, todo eso que ha sedimentado nos lleva hoy a una discusión sobre la crisis del capitalismo y las relaciones entre capitalismo y cultura.
P. En el campo cultural y específicamente en el del arte contemporáneo es evidente esa descentralización, esa deslocalización y, algo que se dice también en el libro, es que ningún artista se siente solo de su país de origen. El encuadre dentro de cierto nacionalismo es algo ajeno a la actitud del artista de hoy.
R. Hace tiempo que terminó la época de los pasaportes artísticos, aunque todavía a veces a los artistas latinoamericanos se les pide que representen su supuesta identidad. Pero los artistas más destacados de Latinoamérica, Gabriel Orozco o Guillermo Kuitca, podrían estar haciendo su obra en otros países. De hecho, Orozco tiene estudio en Nueva York, en París y en México, y sobre todo en los últimos años el pensamiento japonés está más vivo en su visualidad que el occidental. Es un ir y venir entre culturas tomadas muy libremente, pero no solo porque los artistas viajan mucho más y los comisarios también, sino porque los recibimos en nuestra casa en nuestro ordenador.
P. Quizá lo más importante de este libro es el papel que le da a los propios artistas, por encima de teorías demasiado complejas. El interés de ver con mayor atención las obras. El artista, que es a veces el más olvidado al hablar de todo el eje y el sistema del arte.
R. Para mí esto fue una novedad en este libro porque hasta ahora había trabajado mucho en sociología del arte, haciendo estudios de públicos, de mediadores, de la crítica, y me di cuenta de que —de acuerdo con mi vocación antropológica— tenía que escuchar a los artistas. Ir a sus talleres, a sus lugares de exposición —de las galerías a las bienales— y ver qué sucedía en cada lugar. Escuchar al artista en distintas situaciones porque actúan de maneras diferentes, y lo que el artista dice, básicamente lo dice a través de la obra. Lo demás puede modificar el sentido de la obra o influir en las maneras de su recepción, pero las obras, aunque sean efímeras como una performance, son documentos culturales que deben ser tomados en cuenta a partir de la enunciación. No hay conceptualización de ningún curador que pueda anular la elocuencia enunciadora de una pintura o de una instalación o una performance. Entonces la primera actividad necesaria, y no solo para el antropólogo, es escuchar al artista y permitir que su obra, más que él mismo, diga lo que pretende enunciar.
P. Todos los artistas que ha elegido para este libro trabajan dentro de lo que se considera arte conceptual. ¿Considera que la obra sin el desarrollo privilegiado de un concepto que la sostenga es menos interesante?
R. Me cuesta pensar en obras que no tengan un concepto detrás. Pueden ser conceptos no explícitos, que no traten de imponerse a las imágenes, en el sentido en que Lévi-Strauss decía que la ciencia no es tan distinta de la magia, lo que pasa es que la magia tiene un conocimiento sumergido en imágenes. Todo arte ha sido conceptual, lo que ha ocurrido a mediados del siglo XX es que hay un predominio de la elocución semiótica sobre la exhibición y el juego con la imagen. No en todos, y además los artistas que elegí recogen esa tradición conceptualizante de maneras diferentes, mucho más poética en Carlos Amorales o en Gabriel Orozco, más conceptual en Antoni Muntadas y Santiago Sierra. Más individual en artistas como Orozco y Amorales, más colectiva como reconocimiento de la fuente creativa, a veces como trabajo efectivo en grupo, en el caso de León Ferrari y de Teresa Margolles, o el propio Muntadas. Son modos distintos de inserción social y de reconocimiento del grado en el que la articulación de concepto e imagen en la obra procede de un cierto contexto.
P. ¿La crítica de arte tiene un papel distinto ahora con respecto a esa necesidad de ordenación, de clasificación, categorización?
R. Aunque sigue existiendo la crítica como glosa literaria de lo que la obra estaría diciendo, cada vez más los críticos se forman en varias profesiones a la vez. Saben de museografía, de filosofía, de antropología, pueden ser curadores porque entienden mucho más que la obra aislada. Ser crítico hoy es estar en la intersección de varias disciplinas. Como, en realidad, se tiene que ser en cualquier otra disciplina. No se puede ser antropólogo solo en la forma en que clásicamente lo dijeron Boas o Lévi-Strauss.
La sociedad sin relato. Antropología y estética de la inminencia. Néstor García Canclini. Katz. Buenos Aires / Madrid, 2012. 264 páginas. 17,50 euros.
Fuente El Pais
Suscribirse a:
Entradas (Atom)


























