viernes, 23 de marzo de 2012

Poeminha a guisa de viver em Lisboa, uma cidade onde venta muito

Hoje de manhã - Alberto Caeiro

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me deixo pensar.

miércoles, 21 de marzo de 2012

El viento comenzó a mecer la hierba

El agua se aprende por la sed;
la tierra, por los océanos atravesados;
el éxtasis, por la agonía.
La paz se revela por las batallas;
el amor, por el recuerdo de los que se fueron;
los pájaros, por la nieve.
  (Emily Dickinson)

Guatemala Ciudad, Jacarandas en Flor





martes, 20 de marzo de 2012

lunes, 19 de marzo de 2012

Carminho: MA-RA-VI-LHO-SA!

Look que eu A-DO-RO!


Rua de Artilharia Um, Lisboa


Rua Saraiva de Carvalho - Campo de Ourique,Lisboa


Partida
 Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas águas certas, eu hesito,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.

Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
Não há muitos que a saibam reflectir.

A minh'alma nostálgica de além,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a fôrça de sumir também.

Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul á busca da beleza.

É subir, é subir àlem dos céus
Que as nossas almas só acumularam,
E prostrados resar, em sonho, ao Deus
Que as nossas mãos de auréola lá douraram.

É partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d'irreal;
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.

É suscitar côres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada,
E numa extrema-unção d'alma ampliada,
Viajar outros sentidos, outras vidas.

Ser coluna de fumo, astro perdido,
Forçar os turbilhões aladamente,
Ser ramo de palmeira, água nascente
E arco de ouro e chama distendido...

Asa longinqua a sacudir loucura,
Nuvem precoce de subtil vapor,
Ânsia revolta de mistério e olor,
Sombra, vertigem, ascensão - Altura!

E eu dou-me todo neste fim de tarde
À espira aérea que me eleva aos cumes.
Doido de esfinges o horizonte arde,
Mas fico ileso entre clarões e gumes!...

Miragem rôxa de nimbado encanto -
Sinto os meus olhos a volver-se em espaço!
Alastro, venço, chego e ultrapasso;
Sou labirinto, sou licorne e acanto.

Sei a distância, compreendo o Ar;
Sou chuva de ouro e sou espasmo de luz;
Sou taça de cristal lançada ao mar,
Diadema e timbre, elmo real e cruz...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

O bando das quimeras longe assoma...
Que apoteose imensa pelos céus!
A côr já não é côr - é som e aroma!
Vem-me saudades de ter sido Deus...

       *       *       *

Ao triunfo maior, avante pois!
O meu destino é outro - é alto e é raro.
Únicamente custa muito caro:
A tristeza de nunca sermos dois...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

em 2001 foram registadas mais de 300 pessoas com 100 ou mais anos


"A presidente da Comissão Nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Activo frisou ainda que se em 2001 foram registadas mais de 300 pessoas com 100 ou mais anos, em 2050 prevê-se que atinjam esta idade cerca de 6400 idosos.
"Esta longevidade tem que ser vista como uma vitória para a humanidade", frisou, contudo, sustentando que "é necessário mudar o paradigma de que as pessoas depois da reforma deixam de ser produtivas"."
Comento:: A pergunta deveria ser outra.Talvez devesse versar a respeito da idade da reforma  que parece cada vez mais precope frente a esta nova longevidade.
Fonte DN.pt

domingo, 18 de marzo de 2012