sábado, 7 de marzo de 2009
Ainda que mal
Ainda que mal
(Carlos Drummond de Andrade)
Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.
miércoles, 4 de marzo de 2009
Da meritocracia.
Professores avisam que vão voltar em força à rua PATRÍCIA JESUS
Educação. Ministério e sindicatos num impasseDocentes acusam ministra de estar a tornar negociações uma farsa "Não vamos baixar os braços e a nossa voz não se vai calar". O aviso é de José Ricardo, vice-secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), após a reunião de ontem com o ministério da Educação, em que mais uma vez não houve entendimento. Mário Nogueira, da Fenprof, acrescenta que o encontro só reforçou a ideia de o "cordão humano" de sábado" é um novo sinal de que os professores vão voltar em força à rua". A divisão da carreira em duas categorias, a existência de quotas para aceder à mais elevada e o modelo de avaliação são pontos que continuam a dividir sindicatos e Governo. No entanto, os vários lados saíram da reunião com visões diferentes : por um lado, o Secretário de Estado Adjunto da Educação Jorge Pedreira considerou que houve "uma convergência de posições relativamente a muitos aspectos"; por outro, a FNE e Fenprof dizem que se verificaram "divergências intransponíveis". "Houve um claro distanciamento entre as nossas posições e as do Ministério. Já tenho poucas esperanças num entendimento com este Governo", confessa José Ricardo. Para Mário Nogueira, o Governo tentou fazer passar a ideia de convergência trazendo para a discussão um documento "tão geral que se podia aplicar a qualquer modelo de avaliação e toda a gente concorda". "Quando discutimos qualquer ponto mais específico, querem reforçar o que de mais negativo há no Estatuto da Carreira", diz. O sindicalista lembra que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues só voltou às negociações devido à pressão dos sindicatos - através das greves e manifestações - e que as sucessivas reuniões mostram que será necessário voltar à rua para o levar a tomar decisões. "Esta é uma pseudo-negociação porque o Ministério não recuam em nada. As negociações estão a tornar-se numa farsa", concorda José Ricardo. Mesmo sem esperança, os sindicatos não vão ficar calados à espera de outra ministra, promete: " Vão ouvir até ao fim tudo o que temos para dizer". Ministério espera pareceresQuanto ao modelo de avaliação, o secretário de Estado confirmou que não vai apresentar uma versão final porque está à espera de dois pareceres: um do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP) e outro da OCDE para propor alterações. "Provavelmente, teremos esses pareceres em finais de Maio, no caso do Conselho Científico, e durante o mês de Junho, no caso da OCDE", adiantou Jorge Pedreira. Até lá, o Governo pretende discutir as opções políticas que suportam as questões técnicas, disse o governante. Para Mário Nogueira, são precisamente as questões políticas que dividem sindicatos e Ministério: "Eles vêem o modelo de avaliação como uma forma de controlar a progressão na carreira, nós como uma forma de controlar a qualidade e melhorar a formação", resume. - LUSA
Fonte Diário de Notícias
Educação. Ministério e sindicatos num impasseDocentes acusam ministra de estar a tornar negociações uma farsa "Não vamos baixar os braços e a nossa voz não se vai calar". O aviso é de José Ricardo, vice-secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), após a reunião de ontem com o ministério da Educação, em que mais uma vez não houve entendimento. Mário Nogueira, da Fenprof, acrescenta que o encontro só reforçou a ideia de o "cordão humano" de sábado" é um novo sinal de que os professores vão voltar em força à rua". A divisão da carreira em duas categorias, a existência de quotas para aceder à mais elevada e o modelo de avaliação são pontos que continuam a dividir sindicatos e Governo. No entanto, os vários lados saíram da reunião com visões diferentes : por um lado, o Secretário de Estado Adjunto da Educação Jorge Pedreira considerou que houve "uma convergência de posições relativamente a muitos aspectos"; por outro, a FNE e Fenprof dizem que se verificaram "divergências intransponíveis". "Houve um claro distanciamento entre as nossas posições e as do Ministério. Já tenho poucas esperanças num entendimento com este Governo", confessa José Ricardo. Para Mário Nogueira, o Governo tentou fazer passar a ideia de convergência trazendo para a discussão um documento "tão geral que se podia aplicar a qualquer modelo de avaliação e toda a gente concorda". "Quando discutimos qualquer ponto mais específico, querem reforçar o que de mais negativo há no Estatuto da Carreira", diz. O sindicalista lembra que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues só voltou às negociações devido à pressão dos sindicatos - através das greves e manifestações - e que as sucessivas reuniões mostram que será necessário voltar à rua para o levar a tomar decisões. "Esta é uma pseudo-negociação porque o Ministério não recuam em nada. As negociações estão a tornar-se numa farsa", concorda José Ricardo. Mesmo sem esperança, os sindicatos não vão ficar calados à espera de outra ministra, promete: " Vão ouvir até ao fim tudo o que temos para dizer". Ministério espera pareceresQuanto ao modelo de avaliação, o secretário de Estado confirmou que não vai apresentar uma versão final porque está à espera de dois pareceres: um do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP) e outro da OCDE para propor alterações. "Provavelmente, teremos esses pareceres em finais de Maio, no caso do Conselho Científico, e durante o mês de Junho, no caso da OCDE", adiantou Jorge Pedreira. Até lá, o Governo pretende discutir as opções políticas que suportam as questões técnicas, disse o governante. Para Mário Nogueira, são precisamente as questões políticas que dividem sindicatos e Ministério: "Eles vêem o modelo de avaliação como uma forma de controlar a progressão na carreira, nós como uma forma de controlar a qualidade e melhorar a formação", resume. - LUSA
Fonte Diário de Notícias
El polifacético Rembrandt en el Museo Albertina de Viena

De Rembrandt van Rijn (1606-1669) se puede decir que fue un 'self-made man' (hombre hecho a sí mismo) del siglo XVII pues supo aprovechar la prosperidad de su país, Holanda que acababa de deshacerse del dominio católico español y surgía como el primer pueblo de comerciantes de la 'Era Moderna' en Europa para crear su propio estilo.
Fue precisamente esa próspera burguesía comercial formada por patricios adinerados la que le encargó las obras y la que le permitió desplazarse tanto en pintura como en dibujo desde su primer taller que abrió en su Leiden natal y donde también formó a varios artistas más.
'La Época de Rembrandt', muestra que se expone el Museo Albertina de Viena, plasma un variopinto conjunto de obras de setenta artistas holandeses, muchos de ellos casi desconocidos para el gran público, entre los que destaca el genio de Leiden.
150 dibujos y uno 40 óleos reflejan los bodegones, los paisajes marinos, el campesinado y los retratos con los que esa adinerada burguesía decoraba las paredes de sus hogares.
El recorrido por la exposición nos ofrece una trayectoria cronológica empezando por el año 1600 donde el manierismo tardío deja lugar al realismo incipiente de esos artistas que dejan el sur católico para instalarse en el norte calvinista. Aquí destacan Hendrick Goltzius jacob Matham y David Vinckboons.
Jan van Goyen y su círculo de artistas merecen un apartado destacado en la muestra por ser uno de los representantes del monocolorismo dentro del apartado dedicado a la pintura paisajística holandesa.
Hasta llegar a la sala de Rembrandt, tan obsesionado por su persona que nos dejó más de 80 autoretratos. Toda su obra realizada desde 1626 hasta 1660 se extiende en toda su variedad temática y técnica destacando su genialidad como pintor de historias.
Rembrandt que cambió su Leiden natal por Amsterdam, nunca viajó a ningún otro sitio. Le bastó esa nueva ciudad Amsterdam que se había convertido en el centro del comercio marítimo para dar rienda suelta a su genialidad.
Como la mayoría de sus contemporáneos holandeses, van Hals, Vermeer, experimentó la otra cara del progreso, la de la pobreza, muriendo en la miseria.
Fue precisamente esa próspera burguesía comercial formada por patricios adinerados la que le encargó las obras y la que le permitió desplazarse tanto en pintura como en dibujo desde su primer taller que abrió en su Leiden natal y donde también formó a varios artistas más.
'La Época de Rembrandt', muestra que se expone el Museo Albertina de Viena, plasma un variopinto conjunto de obras de setenta artistas holandeses, muchos de ellos casi desconocidos para el gran público, entre los que destaca el genio de Leiden.
150 dibujos y uno 40 óleos reflejan los bodegones, los paisajes marinos, el campesinado y los retratos con los que esa adinerada burguesía decoraba las paredes de sus hogares.
El recorrido por la exposición nos ofrece una trayectoria cronológica empezando por el año 1600 donde el manierismo tardío deja lugar al realismo incipiente de esos artistas que dejan el sur católico para instalarse en el norte calvinista. Aquí destacan Hendrick Goltzius jacob Matham y David Vinckboons.
Jan van Goyen y su círculo de artistas merecen un apartado destacado en la muestra por ser uno de los representantes del monocolorismo dentro del apartado dedicado a la pintura paisajística holandesa.
Hasta llegar a la sala de Rembrandt, tan obsesionado por su persona que nos dejó más de 80 autoretratos. Toda su obra realizada desde 1626 hasta 1660 se extiende en toda su variedad temática y técnica destacando su genialidad como pintor de historias.
Rembrandt que cambió su Leiden natal por Amsterdam, nunca viajó a ningún otro sitio. Le bastó esa nueva ciudad Amsterdam que se había convertido en el centro del comercio marítimo para dar rienda suelta a su genialidad.
Como la mayoría de sus contemporáneos holandeses, van Hals, Vermeer, experimentó la otra cara del progreso, la de la pobreza, muriendo en la miseria.
Fuente El Mundo
martes, 3 de marzo de 2009
¿Posmodernista, Paco? "¡Si yo no sé qué es posmodernismo!".

"Soy cosmopolita, pero me sorprendo como los de pueblo"
Después de almorzar con Francisco Nieva, nos dice su coetáneo José Manuel Caballero Bonald: "Es el mejor hombre de teatro de España desde Valle-Inclán".
Después de almorzar con Francisco Nieva, nos dice su coetáneo José Manuel Caballero Bonald: "Es el mejor hombre de teatro de España desde Valle-Inclán".
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Un madrileño de pura cepa nacido en Valdepeñas en 1927. "Soy muy madrileño y muy de pueblo, y aunque he sido siempre muy cosmopolita, muy apasionado del modernismo, del futurismo, jamás he dejado de sorprenderme como los de pueblo". Y a pesar de que su vida se hizo en París y sobre todo en Venecia, donde trabajó para grandes de la escena, lejos del Madrid oscuro que se le hizo un martirio en la posguerra, "sigo siendo de siestas y de tabernas, y por aquí, por los alrededores de esta Cava Baja, siempre quise vivir".
Claro, dice donde vive, en Concepción Jerónima, y le sale un torrente de sucesos: ahí iba Valle a encontrarse con su amigo Romero de Torres, "y ahí se encontró con Carmen Gabucio, la amante del pintor, a la que Valle llamó la niña Chole, y yo la conocí, ya tan vieja, era mexicana, y qué mole hacía...". Y por ahí, recuerda Nieva, estaba el Mesón de los Huevos, donde iba a comprar Fortunata los huevos que traían a Madrid los campesinos, y por ahí...
Y, claro, tan madrileño es que, nada más sentarse y antes de desplegar la carta, ya le dice al camarero: "Callos". "Los callos", nos dijo, "son muy delicados, y los digieres estupendamente. ¡Son tan delicados y suaves que no sólo parecen de terciopelo, sino que además parecen platos para enfermos". Pero tienen colesterol. "¡De algo tiene uno que morir!".
Fue un adolescente de la guerra, dice, y ahí se acostumbraba uno a comer de todo; luego vinieron tiempos más espléndidos, años de profunda amistad: Vicente Aleixandre, Ángel González, Paco Brines, Carlos Bousoño "y Claudio Rodríguez, que era el más joven de todos nosotros...". Cada día, cuando iba a trabajar "de empleadillo de Cifesa, la productora de cine", Nieva se encontraba con un hombre mayor, "lejano pero tan cercano": era Vicente Aleixandre, luego se conocieron y creyeron que aquella coincidencia era garantía de una amistad que no acabó sino con la muerte del poeta...
¿Más historias? Pero si no paró; terminó con un flan, y se lo comió con tanto gusto que parecía que comía por vez primera callos y flan, la comida de siempre... Ah, y entre tanta anécdota ajena nos dijo que ahora está a punto de presentarse en España un libro sobre su teatro, de Komla Aggor, de la Universidad de Wisconsin, Francisco Nieva. El teatro posmodernista. ¿Posmodernista, Paco? "¡Si yo no sé qué es posmodernismo!". Pero de callos y de teatro lo sabe todo.
Claro, dice donde vive, en Concepción Jerónima, y le sale un torrente de sucesos: ahí iba Valle a encontrarse con su amigo Romero de Torres, "y ahí se encontró con Carmen Gabucio, la amante del pintor, a la que Valle llamó la niña Chole, y yo la conocí, ya tan vieja, era mexicana, y qué mole hacía...". Y por ahí, recuerda Nieva, estaba el Mesón de los Huevos, donde iba a comprar Fortunata los huevos que traían a Madrid los campesinos, y por ahí...
Y, claro, tan madrileño es que, nada más sentarse y antes de desplegar la carta, ya le dice al camarero: "Callos". "Los callos", nos dijo, "son muy delicados, y los digieres estupendamente. ¡Son tan delicados y suaves que no sólo parecen de terciopelo, sino que además parecen platos para enfermos". Pero tienen colesterol. "¡De algo tiene uno que morir!".
Fue un adolescente de la guerra, dice, y ahí se acostumbraba uno a comer de todo; luego vinieron tiempos más espléndidos, años de profunda amistad: Vicente Aleixandre, Ángel González, Paco Brines, Carlos Bousoño "y Claudio Rodríguez, que era el más joven de todos nosotros...". Cada día, cuando iba a trabajar "de empleadillo de Cifesa, la productora de cine", Nieva se encontraba con un hombre mayor, "lejano pero tan cercano": era Vicente Aleixandre, luego se conocieron y creyeron que aquella coincidencia era garantía de una amistad que no acabó sino con la muerte del poeta...
¿Más historias? Pero si no paró; terminó con un flan, y se lo comió con tanto gusto que parecía que comía por vez primera callos y flan, la comida de siempre... Ah, y entre tanta anécdota ajena nos dijo que ahora está a punto de presentarse en España un libro sobre su teatro, de Komla Aggor, de la Universidad de Wisconsin, Francisco Nieva. El teatro posmodernista. ¿Posmodernista, Paco? "¡Si yo no sé qué es posmodernismo!". Pero de callos y de teatro lo sabe todo.
Fuente El País
O Verso
Títulos de calidad se cuelan entre los 'best sellers' y películas y series taquilleras son avaladas por la crítica - ¿Se acortan distancias entre la élite y el gusto popular?
ABEL GRAU
Con toda seguridad, ningún crítico cultural pondría objeción alguna al siguiente menú: para leer, Vida y destino, de Vasili Grossman; para ver en la televisión, The Wire; en el cine, Wall-E (Andrew Stanton); para escuchar, Kind of blue, de Miles Davis; y para una tarde de museo, Velázquez. Podrían ser las preferencias de un intelectual elitista, pero ya son también las de un público cada vez más masivo. Y más selecto. Libros, teleseries y películas de calidad se convierten en superventas gracias a esos ciudadanos que cada vez leen más y frecuentan bibliotecas y museos. ¿Somos cada vez más cultos?
En España el lector habitual ha pasado del 36% al 41% en la última década
"El sibarita ya no va al cine. Se queda en casa con sus DVD", afirma Casciari
Muchos expertos recelan de la cultura mayoritaria: "Son casos aislados"
La opinión de los críticos ae lo que quiere
Román Gubern: "Hay más discos de Richard Wagner que de Madonna"
Ya no está mal visto mezclar obras sesudas con malas comedias de la 'tele'
Los títulos no están elegidos al azar. Son obras que han concitado elogios unánimes de la crítica y que se han convertido en éxitos de público. La novela Vida y destino, sobre los entresijos del totalitarismo soviético, ha vendido más de 160.000 ejemplares desde septiembre de 2007. Los DVD de la primera temporada de The Wire, convertida en obra de culto, se agotaron en Navidad.
Libreros y psicólogos sociales coinciden en que el nivel cultural medio aumenta y, aunque los críticos se muestran escépticos, existen indicios de una tendencia minoritaria pero creciente: la elevación del gusto cultural popular. "El lector es más selecto; en las listas hay los best seller de siempre, pero se cuelan clásicos", dice Antonio María Ávila, director ejecutivo de la Federación de Gremios de Editores de España (FGEE).
El medidor fundamental del nivel cultural es la lectura, "la llave del conocimiento en la sociedad de la información", según escribe el experto en cultura digital José Antonio Millán en La lectura y la sociedad del conocimiento. "La colosal acumulación de datos que ha constituido la sociedad digital no será nada sin los hombres que los recorran, integren y asimilen. Y esto no será posible sin habilidades avanzadas de lectura".
Afortunadamente, los índices constatan que en España se lee cada vez más: el porcentaje de quienes lo hacen frecuentemente (casi todos los días o una o dos veces por semana) ha pasado del 36% en 2000 al 41% en 2007. Se consulta más Internet y se lee más prensa. "Se está produciendo un importante crecimiento en el número de lectores de diarios electrónicos en los últimos años", resume Millán en Los modos de la lectura digital. "De hecho, en apenas seis años la cifra de lectores de prensa en la Red se ha incrementado en más de tres millones". Precaución: "El nivel de lectura frecuente es todavía bajo en comparación con la media europea, y sobre todo de los países nórdicos, que está en torno al 70%", admite Ávila. "Pero hay que tener en cuenta que los países del centro y norte de Europa lograron la alfabetización total de la población hasta los 16 años en 1955 y, España, hace cuatro años".
El retrato robot del lector medio es el de una mujer de unos treinta años, con estudios superiores y residente en una zona urbana. El grado de lectura es bueno entre los más jóvenes, pero desciende a medida que avanza la edad.
Las cifras de las bibliotecas públicas también invitan al optimismo. Los datos muestran un despegue, según el informe Las bibliotecas públicas en España. Dinámicas 2001-2005, del Ministerio de Cultura: los inscritos aumentaron un 53%. Se ha pasado de 1,49 visitas por habitante a 1,98; de 31,7 millones de préstamos a 49,4 millones. Cifras considerables, aunque lejos de la media de la UE (4,9 visitas). Y más podrían ser, apostilla Ávila, si se contase con una red bibliotecaria mayor. "Hacen falta bibliotecas como las de las películas de cine negro de los años cuarenta, a las que acuden los investigadores en plena noche y encuentran todo lo que buscan".
Un aumento similar, si bien menos pronunciado, se ha dado en la asistencia a los museos, los conciertos (de música clásica y actual), el teatro y la danza, que han ganado espectadores y recaudación, según la última encuesta de Hábitos y prácticas culturales del ministerio. El Museo del Prado, la mayor pinacoteca de España, ha pasado de los 2.318.525 visitantes de 2003 a los 2.759.029 de 2008. También tiene una buena acogida la ópera, que quizá sea el último arte que conserva su aura de distinción. "Es un compendio de los lenguajes artísticos; une la música, el teatro, la danza, las artes plásticas", opina Joan Francesc Marco, director general del Gran Teatro del Liceo, de Barcelona. "Gozar de ella requiere un esfuerzo, como leer el Ulises, de Joyce". El coliseo barcelonés, añade, mantiene la ocupación, que ha oscilado "entre el 88,5% de la temporada 2003-04 y el 91% de la 2007-08".
"Como promedio, entre hoy y hace treinta años, el incremento cultural es evidente", opina Francisco Chacón, profesor titular de Psicología Social de la Universidad Complutense de Madrid. "Antes había un desnivel notable entre unos pocos muy preparados y una mayoría que no alcanzaba la excelencia en el conocimiento", añade. "Esa distancia se ha acortado y el nivel cultural se ha democratizado".
Basta echar un vistazo a las listas de libros más vendidos. Ya no se trata de los previsibles best-sellers de cada temporada. Las dos primeras posiciones las ocupan desde hace semanas los dos capítulos iniciales de la trilogía Millennium, del fallecido reportero sueco Stieg Larsson, que ha sido recibida con un aplauso casi unánime de la crítica. Han despachado más de 830.000 ejemplares desde la primavera pasada. Hay más casos. Entre ellos, Gomorra, del periodista italiano Roberto Saviano, que se adentra en la organización criminal de la Camorra, y que ha colocado cerca de 300.000 ejemplares. Lo mismo ha sucedido recientemente con El mundo clásico, un voluminoso ensayo sobre la antigüedad grecolatina del erudito británico Robin Lane Fox que acumula 40.000 ventas desde 2007, o con Los ensayos de Michel de Montaigne, obra cumbre de la literatura universal, auténtico superventas.
Las teleseries también se compran con tino. Entre las diez más vendidas en la Fnac en 2008 se colocan Perdidos, Roma, The Office y Los Soprano, un póquer ganador a juicio de la crítica. "La tendencia la está dando hoy el tamaño de las pantallas de casa", apunta el crítico de televisión Hernán Casciari. "Los adultos preferimos quedarnos en el sofá y ver cosas buenas, y vamos al cine sólo a llevar a nuestros hijos a que coman palomitas". Su dictamen es claro. "Se da mejor comida en la tele. Un sibarita, hoy, se queda en casa con sus DVD".
Los críticos, aún así, matizan cualquier triunfalismo. "Es un fenómeno repetido en casi todas las épocas. También fueron éxitos Cien años de soledad, de Gabriel García Márquez, y Memorias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, o, por citar un caso reciente, el libro de cuentos de Alberto Méndez Los girasoles ciegos, quizá el primer libro de cuentos español que se ha convertido en best seller", recuerda Fernando Valls, profesor de Literatura española contemporánea en la Universidad Autónoma de Barcelona. "No considero que lo que se entiende por alta cultura esté calando en el público masivo, ya me gustaría". Coincide con él Millán: "En cuanto a la literatura, creo que se trata de casos aislados".
El público va por libre, insiste Ávila desde la federación de editores. "La gente escoge sus lecturas por recomendación y la crítica no es relevante. Sucede que primero el libro se convierte en un éxito y luego los críticos hablan de él, como sucedió con Soldados de Salamina, de Javier Cercas, o con la propia Vida y destino, de Grossman".
Igual ocurre en el cine, donde la mayoría ha ocupado el sillón del crítico. "En los últimos años la popularidad de una película se ha convertido en un indicador decente, no sólo de su valor como entretenimiento, sino también de calidad", escribe Richard Corliss en la revista Time. Los taquillazos han conseguido la difícil conjunción de calidad y popularidad. "Las cintas indie se han estancado y se han vuelto flácidas. Las superproducciones son más inteligentes, al mezclar destreza narrativa y los mejores efectos visuales. Para decirlo claro, los cines de acción se han unido al arte. Cuanto mayor, mejor". Y cita el caso de Wall-E, la fábula de amor robótico de la factoría Pixar, acaparadora de numerosos premios, que ha recaudado más de 500 millones de euros en todo el mundo, y ha sido el segundo DVD de cine más vendido en la cadena Fnac las pasadas navidades; El caballero oscuro, de Christopher Nolan, líder de recaudación en el mundo (y que, guste o no, acumuló reseñas entusiastas de los principales críticos estadounidenses), e Iron Man, de Jon Favreau, una cinta "más inteligente de lo que era necesario", según Time.
Todo es cuestión de gustos. Según Román Gubern, catedrático de Comunicación Audiovisual de la Universidad Autónoma de Barcelona, "Hay que contar con la extensión de la educación de masas en los países desarrollados, que capta cada vez más adeptos para las obras elitistas: novelas, música, etcétera. Al fin y al cabo se han editado en el mundo más grabaciones de Richard Wagner que de Madonna. Muchas veces lo olvidamos".
El debate sobre la mejora o empeoramiento del nivel cultural de la sociedad fue la cuestión central de una serie de reportajes elaborados hace una década por el diario británico The Guardian. El resultado fue positivo. "Lejos de la decadencia, somos más listos que nuestros abuelos y bisabuelos. Millones de mujeres están mucho mejor educadas que lo que las generaciones anteriores podrían haber soñado, y sus habilidades mentales están mucho más desarrolladas gracias a su incorporación al mercado de trabajo", sostenía la periodista Madeleine Bunting en 2000. "Conocemos un abanico de información mucho más amplio que nuestros predecesores: mucha más gente está familiarizada, aunque sea de una manera básica, con miles de materias".
¿Más listos que nuestros abuelos? Hay que matizar el concepto de inteligencia, apunta el psicólogo social Chacón. "Inteligencia es la capacidad de adaptación al medio, que requiere habilidades que varían a cada momento". Así, las tecnologías de la información y la comunicación (TIC) requieren destrezas diferentes. "Nuestros jóvenes no son tan incultos en sentido absoluto, pero valoran menos la memoria, por ejemplo, y aprecian más las TIC; pero es que quizá eso suponga una mejor adaptación, porque puede que luego sea eso lo que les pidan en el trabajo".
Sucede, en fin, que hay una oferta cultural mayor que nunca. Y el consumidor es intelectualmente maduro para saber qué elegir, ha escrito el crítico Euan Ferguson. "Hoy podemos leer los libros más difíciles y complicados y luego ir a algo ligero para relajarnos. Podemos grabar un documental de dos horas sobre Bosnia y un capítulo de una mala comedia. Y ya no es nada vergonzoso, podemos tenerlo todo".
Fuente El País
ABEL GRAU
Con toda seguridad, ningún crítico cultural pondría objeción alguna al siguiente menú: para leer, Vida y destino, de Vasili Grossman; para ver en la televisión, The Wire; en el cine, Wall-E (Andrew Stanton); para escuchar, Kind of blue, de Miles Davis; y para una tarde de museo, Velázquez. Podrían ser las preferencias de un intelectual elitista, pero ya son también las de un público cada vez más masivo. Y más selecto. Libros, teleseries y películas de calidad se convierten en superventas gracias a esos ciudadanos que cada vez leen más y frecuentan bibliotecas y museos. ¿Somos cada vez más cultos?
En España el lector habitual ha pasado del 36% al 41% en la última década
"El sibarita ya no va al cine. Se queda en casa con sus DVD", afirma Casciari
Muchos expertos recelan de la cultura mayoritaria: "Son casos aislados"
La opinión de los críticos ae lo que quiere
Román Gubern: "Hay más discos de Richard Wagner que de Madonna"
Ya no está mal visto mezclar obras sesudas con malas comedias de la 'tele'
Los títulos no están elegidos al azar. Son obras que han concitado elogios unánimes de la crítica y que se han convertido en éxitos de público. La novela Vida y destino, sobre los entresijos del totalitarismo soviético, ha vendido más de 160.000 ejemplares desde septiembre de 2007. Los DVD de la primera temporada de The Wire, convertida en obra de culto, se agotaron en Navidad.
Libreros y psicólogos sociales coinciden en que el nivel cultural medio aumenta y, aunque los críticos se muestran escépticos, existen indicios de una tendencia minoritaria pero creciente: la elevación del gusto cultural popular. "El lector es más selecto; en las listas hay los best seller de siempre, pero se cuelan clásicos", dice Antonio María Ávila, director ejecutivo de la Federación de Gremios de Editores de España (FGEE).
El medidor fundamental del nivel cultural es la lectura, "la llave del conocimiento en la sociedad de la información", según escribe el experto en cultura digital José Antonio Millán en La lectura y la sociedad del conocimiento. "La colosal acumulación de datos que ha constituido la sociedad digital no será nada sin los hombres que los recorran, integren y asimilen. Y esto no será posible sin habilidades avanzadas de lectura".
Afortunadamente, los índices constatan que en España se lee cada vez más: el porcentaje de quienes lo hacen frecuentemente (casi todos los días o una o dos veces por semana) ha pasado del 36% en 2000 al 41% en 2007. Se consulta más Internet y se lee más prensa. "Se está produciendo un importante crecimiento en el número de lectores de diarios electrónicos en los últimos años", resume Millán en Los modos de la lectura digital. "De hecho, en apenas seis años la cifra de lectores de prensa en la Red se ha incrementado en más de tres millones". Precaución: "El nivel de lectura frecuente es todavía bajo en comparación con la media europea, y sobre todo de los países nórdicos, que está en torno al 70%", admite Ávila. "Pero hay que tener en cuenta que los países del centro y norte de Europa lograron la alfabetización total de la población hasta los 16 años en 1955 y, España, hace cuatro años".
El retrato robot del lector medio es el de una mujer de unos treinta años, con estudios superiores y residente en una zona urbana. El grado de lectura es bueno entre los más jóvenes, pero desciende a medida que avanza la edad.
Las cifras de las bibliotecas públicas también invitan al optimismo. Los datos muestran un despegue, según el informe Las bibliotecas públicas en España. Dinámicas 2001-2005, del Ministerio de Cultura: los inscritos aumentaron un 53%. Se ha pasado de 1,49 visitas por habitante a 1,98; de 31,7 millones de préstamos a 49,4 millones. Cifras considerables, aunque lejos de la media de la UE (4,9 visitas). Y más podrían ser, apostilla Ávila, si se contase con una red bibliotecaria mayor. "Hacen falta bibliotecas como las de las películas de cine negro de los años cuarenta, a las que acuden los investigadores en plena noche y encuentran todo lo que buscan".
Un aumento similar, si bien menos pronunciado, se ha dado en la asistencia a los museos, los conciertos (de música clásica y actual), el teatro y la danza, que han ganado espectadores y recaudación, según la última encuesta de Hábitos y prácticas culturales del ministerio. El Museo del Prado, la mayor pinacoteca de España, ha pasado de los 2.318.525 visitantes de 2003 a los 2.759.029 de 2008. También tiene una buena acogida la ópera, que quizá sea el último arte que conserva su aura de distinción. "Es un compendio de los lenguajes artísticos; une la música, el teatro, la danza, las artes plásticas", opina Joan Francesc Marco, director general del Gran Teatro del Liceo, de Barcelona. "Gozar de ella requiere un esfuerzo, como leer el Ulises, de Joyce". El coliseo barcelonés, añade, mantiene la ocupación, que ha oscilado "entre el 88,5% de la temporada 2003-04 y el 91% de la 2007-08".
"Como promedio, entre hoy y hace treinta años, el incremento cultural es evidente", opina Francisco Chacón, profesor titular de Psicología Social de la Universidad Complutense de Madrid. "Antes había un desnivel notable entre unos pocos muy preparados y una mayoría que no alcanzaba la excelencia en el conocimiento", añade. "Esa distancia se ha acortado y el nivel cultural se ha democratizado".
Basta echar un vistazo a las listas de libros más vendidos. Ya no se trata de los previsibles best-sellers de cada temporada. Las dos primeras posiciones las ocupan desde hace semanas los dos capítulos iniciales de la trilogía Millennium, del fallecido reportero sueco Stieg Larsson, que ha sido recibida con un aplauso casi unánime de la crítica. Han despachado más de 830.000 ejemplares desde la primavera pasada. Hay más casos. Entre ellos, Gomorra, del periodista italiano Roberto Saviano, que se adentra en la organización criminal de la Camorra, y que ha colocado cerca de 300.000 ejemplares. Lo mismo ha sucedido recientemente con El mundo clásico, un voluminoso ensayo sobre la antigüedad grecolatina del erudito británico Robin Lane Fox que acumula 40.000 ventas desde 2007, o con Los ensayos de Michel de Montaigne, obra cumbre de la literatura universal, auténtico superventas.
Las teleseries también se compran con tino. Entre las diez más vendidas en la Fnac en 2008 se colocan Perdidos, Roma, The Office y Los Soprano, un póquer ganador a juicio de la crítica. "La tendencia la está dando hoy el tamaño de las pantallas de casa", apunta el crítico de televisión Hernán Casciari. "Los adultos preferimos quedarnos en el sofá y ver cosas buenas, y vamos al cine sólo a llevar a nuestros hijos a que coman palomitas". Su dictamen es claro. "Se da mejor comida en la tele. Un sibarita, hoy, se queda en casa con sus DVD".
Los críticos, aún así, matizan cualquier triunfalismo. "Es un fenómeno repetido en casi todas las épocas. También fueron éxitos Cien años de soledad, de Gabriel García Márquez, y Memorias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, o, por citar un caso reciente, el libro de cuentos de Alberto Méndez Los girasoles ciegos, quizá el primer libro de cuentos español que se ha convertido en best seller", recuerda Fernando Valls, profesor de Literatura española contemporánea en la Universidad Autónoma de Barcelona. "No considero que lo que se entiende por alta cultura esté calando en el público masivo, ya me gustaría". Coincide con él Millán: "En cuanto a la literatura, creo que se trata de casos aislados".
El público va por libre, insiste Ávila desde la federación de editores. "La gente escoge sus lecturas por recomendación y la crítica no es relevante. Sucede que primero el libro se convierte en un éxito y luego los críticos hablan de él, como sucedió con Soldados de Salamina, de Javier Cercas, o con la propia Vida y destino, de Grossman".
Igual ocurre en el cine, donde la mayoría ha ocupado el sillón del crítico. "En los últimos años la popularidad de una película se ha convertido en un indicador decente, no sólo de su valor como entretenimiento, sino también de calidad", escribe Richard Corliss en la revista Time. Los taquillazos han conseguido la difícil conjunción de calidad y popularidad. "Las cintas indie se han estancado y se han vuelto flácidas. Las superproducciones son más inteligentes, al mezclar destreza narrativa y los mejores efectos visuales. Para decirlo claro, los cines de acción se han unido al arte. Cuanto mayor, mejor". Y cita el caso de Wall-E, la fábula de amor robótico de la factoría Pixar, acaparadora de numerosos premios, que ha recaudado más de 500 millones de euros en todo el mundo, y ha sido el segundo DVD de cine más vendido en la cadena Fnac las pasadas navidades; El caballero oscuro, de Christopher Nolan, líder de recaudación en el mundo (y que, guste o no, acumuló reseñas entusiastas de los principales críticos estadounidenses), e Iron Man, de Jon Favreau, una cinta "más inteligente de lo que era necesario", según Time.
Todo es cuestión de gustos. Según Román Gubern, catedrático de Comunicación Audiovisual de la Universidad Autónoma de Barcelona, "Hay que contar con la extensión de la educación de masas en los países desarrollados, que capta cada vez más adeptos para las obras elitistas: novelas, música, etcétera. Al fin y al cabo se han editado en el mundo más grabaciones de Richard Wagner que de Madonna. Muchas veces lo olvidamos".
El debate sobre la mejora o empeoramiento del nivel cultural de la sociedad fue la cuestión central de una serie de reportajes elaborados hace una década por el diario británico The Guardian. El resultado fue positivo. "Lejos de la decadencia, somos más listos que nuestros abuelos y bisabuelos. Millones de mujeres están mucho mejor educadas que lo que las generaciones anteriores podrían haber soñado, y sus habilidades mentales están mucho más desarrolladas gracias a su incorporación al mercado de trabajo", sostenía la periodista Madeleine Bunting en 2000. "Conocemos un abanico de información mucho más amplio que nuestros predecesores: mucha más gente está familiarizada, aunque sea de una manera básica, con miles de materias".
¿Más listos que nuestros abuelos? Hay que matizar el concepto de inteligencia, apunta el psicólogo social Chacón. "Inteligencia es la capacidad de adaptación al medio, que requiere habilidades que varían a cada momento". Así, las tecnologías de la información y la comunicación (TIC) requieren destrezas diferentes. "Nuestros jóvenes no son tan incultos en sentido absoluto, pero valoran menos la memoria, por ejemplo, y aprecian más las TIC; pero es que quizá eso suponga una mejor adaptación, porque puede que luego sea eso lo que les pidan en el trabajo".
Sucede, en fin, que hay una oferta cultural mayor que nunca. Y el consumidor es intelectualmente maduro para saber qué elegir, ha escrito el crítico Euan Ferguson. "Hoy podemos leer los libros más difíciles y complicados y luego ir a algo ligero para relajarnos. Podemos grabar un documental de dos horas sobre Bosnia y un capítulo de una mala comedia. Y ya no es nada vergonzoso, podemos tenerlo todo".
Fuente El País
O Reverso
Educadores asociales
FERNANDO SAVATER
Al poco de asumir la presidencia Obama, leí más de un artículo comentando que vuelve a haber en Estados Unidos escuelas sólo para negros porque allí reciben una atención más especializada y obtienen mejores resultados. También en España hay partidarios de una educación separada por sexos, no para discriminar a las féminas, todo lo contrario: porque las chicas son más listas y educándose solas obtienen mejores resultados. Y no faltan padres que reivindican su derecho a no enviar a sus hijos a la escuela y educarlos ellos mismos en casa, una práctica que aseguran hace furor en los países más avanzados... y naturalmente también permite obtener mejores resultados. Porque no me negarán ustedes que son los resultados los que cuentan...
Lo que algunos decididamente negamos es que los padres posean el monopolio de formar moralmente a sus vástagos
Pero resultados ¿de qué tipo? ¿Sacar mejores notas? ¿Más adecuada y fructuosa preparación laboral? En cualquier caso, por supuesto, nada que tenga que ver con la función social de la educación, que es el nuevo anatema. Lo que más conviene al educando, según estos educadores asociales, es aquello que individualmente mejor le prepare para la competición laboral, aunque sea a costa de las dimensiones cívicas -o sea, sociales- de su formación.
Porque nadie puede dudar que, si de educación para la convivencia se trata, a los que van a vivir juntos hay que educarlos juntos: sea cual fuere su etnia, su sexo o la religión familiar. No para que se lleven obligatoriamente bien, sino para que conozcan cuanto antes los motivos por los que podrían incurrir luego en la tentación nociva de llevarse mal. La única razón para separar ocasionalmente a unos alumnos de otros son las cuestiones estrictamente académicas: necesidad de clases de refuerzo, agrupación por materias o lenguas optativas, etcétera. Por lo demás, si de buenos resultados se trata, no está de más señalar alguno realmente histórico: si hoy el afroamericano Obama ha podido llegar a presidente de USA es gracias a que cuarenta años antes Johnson acabó con la segregación en la escuela: le han votado quienes están acostumbrados a sentarse junto a negros desde su infancia y les juzgan con toda naturalidad por sus méritos y no por el color de su piel.
En España, el más habitual caballo de batalla de la educación asocial es ahora la insistencia en el derecho de los padres a educar a sus hijos, que casualmente nadie pone en duda. En cambio, lo que algunos no sólo discutimos, sino que decididamente negamos, es que posean el monopolio de formar moralmente a sus vástagos. Que los padres les transmitan los valores que prefieran: pero que no nieguen a la escuela pública el derecho a enseñarles que también hay otras opiniones y otros criterios no menos respetables. Cuando hay padres que venden a la televisión las proezas sexuales de sus hijos de trece años o los noviazgos de sus hijas de catorce con acusados de asesinato, no parece mucho pedir. Hemos tenido un ejemplo fehaciente con las estentóreas declaraciones del padre de la infortunada Marta del Castillo, recibido en audiencia por el presidente Zapatero en un acceso demagógico literalmente patético. ¿Acaso quisiéramos que la interpretación de la justicia que reciben los jóvenes dependiese de una perspectiva tan lógicamente sesgada por el deseo de venganza y quizá por una secreta sospecha de irresponsabilidad? En tal caso, como alguien ha señalado, lo mejor sería que las penas a esos delincuentes se establecieran sacando la media entre lo que desean los padres de la víctima, que piden el descuartizamiento del culpable, y los del asesino, que le proclaman buen chico y piden su absolución...
Los padres que de verdad se preocupan por la educación en valores de sus hijos no les enseñan a pensar como ellos, sino a pensar por sí mismos. Y nadie es capaz de tal cosa si no conoce, además de las opiniones que ha mamado, las que han recibido no menos cordialmente otros y las razones de todas. Luego intentará elegir bien, como hemos hecho los demás con mil errores. Por lo demás, ¿educación para la ciudadanía? Hombre, en un país en que los medios de información clericales consideran el laicismo un desvarío de extrema izquierda y el establo "progre" llama fascista a reivindicar el derecho a ser educado en la lengua común... ustedes me dirán.
Fuente El Pais
PS Fernando Savater é o muso "Honorário "do blog. E tem lugar cativo!
FERNANDO SAVATER
Al poco de asumir la presidencia Obama, leí más de un artículo comentando que vuelve a haber en Estados Unidos escuelas sólo para negros porque allí reciben una atención más especializada y obtienen mejores resultados. También en España hay partidarios de una educación separada por sexos, no para discriminar a las féminas, todo lo contrario: porque las chicas son más listas y educándose solas obtienen mejores resultados. Y no faltan padres que reivindican su derecho a no enviar a sus hijos a la escuela y educarlos ellos mismos en casa, una práctica que aseguran hace furor en los países más avanzados... y naturalmente también permite obtener mejores resultados. Porque no me negarán ustedes que son los resultados los que cuentan...
Lo que algunos decididamente negamos es que los padres posean el monopolio de formar moralmente a sus vástagos
Pero resultados ¿de qué tipo? ¿Sacar mejores notas? ¿Más adecuada y fructuosa preparación laboral? En cualquier caso, por supuesto, nada que tenga que ver con la función social de la educación, que es el nuevo anatema. Lo que más conviene al educando, según estos educadores asociales, es aquello que individualmente mejor le prepare para la competición laboral, aunque sea a costa de las dimensiones cívicas -o sea, sociales- de su formación.
Porque nadie puede dudar que, si de educación para la convivencia se trata, a los que van a vivir juntos hay que educarlos juntos: sea cual fuere su etnia, su sexo o la religión familiar. No para que se lleven obligatoriamente bien, sino para que conozcan cuanto antes los motivos por los que podrían incurrir luego en la tentación nociva de llevarse mal. La única razón para separar ocasionalmente a unos alumnos de otros son las cuestiones estrictamente académicas: necesidad de clases de refuerzo, agrupación por materias o lenguas optativas, etcétera. Por lo demás, si de buenos resultados se trata, no está de más señalar alguno realmente histórico: si hoy el afroamericano Obama ha podido llegar a presidente de USA es gracias a que cuarenta años antes Johnson acabó con la segregación en la escuela: le han votado quienes están acostumbrados a sentarse junto a negros desde su infancia y les juzgan con toda naturalidad por sus méritos y no por el color de su piel.
En España, el más habitual caballo de batalla de la educación asocial es ahora la insistencia en el derecho de los padres a educar a sus hijos, que casualmente nadie pone en duda. En cambio, lo que algunos no sólo discutimos, sino que decididamente negamos, es que posean el monopolio de formar moralmente a sus vástagos. Que los padres les transmitan los valores que prefieran: pero que no nieguen a la escuela pública el derecho a enseñarles que también hay otras opiniones y otros criterios no menos respetables. Cuando hay padres que venden a la televisión las proezas sexuales de sus hijos de trece años o los noviazgos de sus hijas de catorce con acusados de asesinato, no parece mucho pedir. Hemos tenido un ejemplo fehaciente con las estentóreas declaraciones del padre de la infortunada Marta del Castillo, recibido en audiencia por el presidente Zapatero en un acceso demagógico literalmente patético. ¿Acaso quisiéramos que la interpretación de la justicia que reciben los jóvenes dependiese de una perspectiva tan lógicamente sesgada por el deseo de venganza y quizá por una secreta sospecha de irresponsabilidad? En tal caso, como alguien ha señalado, lo mejor sería que las penas a esos delincuentes se establecieran sacando la media entre lo que desean los padres de la víctima, que piden el descuartizamiento del culpable, y los del asesino, que le proclaman buen chico y piden su absolución...
Los padres que de verdad se preocupan por la educación en valores de sus hijos no les enseñan a pensar como ellos, sino a pensar por sí mismos. Y nadie es capaz de tal cosa si no conoce, además de las opiniones que ha mamado, las que han recibido no menos cordialmente otros y las razones de todas. Luego intentará elegir bien, como hemos hecho los demás con mil errores. Por lo demás, ¿educación para la ciudadanía? Hombre, en un país en que los medios de información clericales consideran el laicismo un desvarío de extrema izquierda y el establo "progre" llama fascista a reivindicar el derecho a ser educado en la lengua común... ustedes me dirán.
Fuente El Pais
PS Fernando Savater é o muso "Honorário "do blog. E tem lugar cativo!
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