sábado, 12 de julio de 2008
Uno escribe mentiras para que otro las emplee para construir verdades ....
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La novela es una mentira que dice verdades. Yo me aplico a decir verdades, mis verdades, mintiendo novelas. En mis mentirosas novelas me planteo tres preguntas verdaderas que a todos afectan: ¿por qué existen el sufrimiento y eso que llamamos el mal? ¿Qué poder poseen el arte y, por extensión, la belleza para hacerles frente? Si no encuentro un sentido histórico, religioso, ni siquiera biológico a la existencia, ¿por qué me obstino en escribir, por qué no -por ejemplo- me dedico a ser una mala persona?
No poseo respuestas para estas preguntas. No soy político, hombre de Iglesia ni científico. Las respuestas de políticos, hombres de Iglesia y científicos no me interesan: en el primer y el segundo caso, porque no me las creo; en el tercero, porque no me consuelan o, sencillamente, porque me dan miedo. Por eso sigo escribiendo novelas, para interrogar a esa realidad que se obstina en permanecer insobornable a mis anhelos.
Toda ficción es el fantasma de un deseo. Se escribe acerca de lo temido o de lo perdido. Pero uno escribe también acerca de cómo quisiera que fuera la realidad que se construye a este lado del discurso, donde no hay novelas. Uno escribe mentiras esperando que alguien las emplee para construir verdades que hagan del mundo un lugar más habitable. Por eso a menudo recuerdo cierta pregunta de Hölderlin: "¿Para qué sirven los poetas en tiempos de penuria?". Creo que esa pregunta, que sin ser poeta asumo como propia, es la que intento responder cada vez que concibo el mundo como una novela, desde esa ciudad junto al mar en la que nací y vivo, y que arrastra la dudosa fama de no haber sido novelada nunca con genio.
Ricardo Menéndez Salmón (Gijón, 1971) es autor, entre otros libros, de Derrumbe (Seix Barral, 2008), La ofensa (Seix Barral, 2007) y Gritar (Lengua de Trapo, 2007).
Fonte :El País
La novela es una mentira que dice verdades. Yo me aplico a decir verdades, mis verdades, mintiendo novelas. En mis mentirosas novelas me planteo tres preguntas verdaderas que a todos afectan: ¿por qué existen el sufrimiento y eso que llamamos el mal? ¿Qué poder poseen el arte y, por extensión, la belleza para hacerles frente? Si no encuentro un sentido histórico, religioso, ni siquiera biológico a la existencia, ¿por qué me obstino en escribir, por qué no -por ejemplo- me dedico a ser una mala persona?
No poseo respuestas para estas preguntas. No soy político, hombre de Iglesia ni científico. Las respuestas de políticos, hombres de Iglesia y científicos no me interesan: en el primer y el segundo caso, porque no me las creo; en el tercero, porque no me consuelan o, sencillamente, porque me dan miedo. Por eso sigo escribiendo novelas, para interrogar a esa realidad que se obstina en permanecer insobornable a mis anhelos.
Toda ficción es el fantasma de un deseo. Se escribe acerca de lo temido o de lo perdido. Pero uno escribe también acerca de cómo quisiera que fuera la realidad que se construye a este lado del discurso, donde no hay novelas. Uno escribe mentiras esperando que alguien las emplee para construir verdades que hagan del mundo un lugar más habitable. Por eso a menudo recuerdo cierta pregunta de Hölderlin: "¿Para qué sirven los poetas en tiempos de penuria?". Creo que esa pregunta, que sin ser poeta asumo como propia, es la que intento responder cada vez que concibo el mundo como una novela, desde esa ciudad junto al mar en la que nací y vivo, y que arrastra la dudosa fama de no haber sido novelada nunca con genio.
Ricardo Menéndez Salmón (Gijón, 1971) es autor, entre otros libros, de Derrumbe (Seix Barral, 2008), La ofensa (Seix Barral, 2007) y Gritar (Lengua de Trapo, 2007).
Fonte :El País
Iphone:uma "máquina espirtual" ???
Phone
12.07.2008, Isabel Coutinho
A Apple fez o lançamento do IPhone com todos "salamaleques" possíveis. Os jornalistas Isabel Coutinho e Paulo Moura do jornal Público explicam porque gostam muito do iPhone. Aliás, explicam muito mais ...
Uma das razões porque vou comprar um iPhone é para ler livros.
Estará ela no seu perfeito juízo?, estarão vocês aí a pensar.
Acredito piamente que o futuro dos e-Books, os livros em formato electrónico, vai passar pelo iPhone. É só uma questão de tempo.
Com um iPhone dentro de um bolso, temos as funcionalidades de um Ipod, podemos navegar na www através do Safari, temos acesso às nossas contas de e-mail e aos nossos contactos, podemos localizar lugares em mapas, visualizar vídeos do You Tube e ter um imenso álbum de fotografias. Como se isto não fizesse já a nossa felicidade, podemos também ler livros em formato electrónico.
Ao mesmo tempo que a Apple lançou mundialmente o seu iPhone 3G, abriu uma loja de aplicações on-line: a App Store.
É possível aceder a esta loja através dos telemóveis, descarregar rapidamente aplicações - umas gratuitas e outras pagas - e ter acesso a redes sociais on-line como o Facebook, a notícias da zona ou país onde nos encontramos (não se esqueça que este novo iPhone combina GPS, wi-fi e tecnologia de comunicação) e a inúmeras outras aplicações.
Pois uma das mais populares tem sido o eReader da Fictionwise, um software que permite a leitura de e-Books no iPhone e que é gratuito. Quando se descarrega o software, tem-se direito a dois livros (um deles é O Último dos Moicanos, de James Fenimore Cooper).
As páginas do livro são folheadas com toques de dedo para a esquerda e para a direita e é possível fazer pesquisa de palavras no texto. Não é possível marcar a página que se está a ler.
Vocês vão dizer que já se podem ler e-Books em outros telemóveis. É verdade que com a aplicação Mobipocket eBook Reader é possível ler e-Books nos telemóveis da Blackberry e da Nokia e outros smartphones. Ao que se sabe, no final do ano, a Mobipocket também vai funcionar no iPhone. Mas acreditem : o ecrã deste telemóvel não é comparável ao de outros.
Se me perguntarem qual foi o momento em que compreendi que o futuro do livro não ia escapar ao iPhone, respondo que foi quando, há quase dois meses, estava sentada numa das salas da Book Expo America, em Los Angeles, e Nick Bogaty, da Adobe Digital Editions, divulgou publicamente que a Adobe estava a trabalhar para o Apple iPhone.
E o que é que isto significa? Significa que, no futuro, vai ser possível ler o formato .epub nestes telemóveis. A vantagem do formato .epub em relação ao comum PDF é que se esse documento ou o livro em formato electrónico estiver a ser lido num ecrã mais pequeno o tamanho da letra não se altera, o texto adapta-se ao novo ecrã sem reduzir o tamanho da letra.
Conclusão: a leitura num ecrã pequeno deixa de ser uma maçada.
Steve Jobs terá finalmente ouvido os insistentes pedidos que lhe fizeram os fãs de e-Books e do iPhone na blogosfera, onde surgiram frases como esta: "Olha lá, Steve Jobs! Os e-Books precisam estar no iPhone!".
O futuro do livro passa por aqui.
a Eu não comprei um iPhone ontem. Já tinha um, há meses. Há coisas pelas quais não podemos esperar.
Se o iPhone existe, há que ter um o mais depressa possível. Mandei logo vir, pela Net, este belo exemplar de 16 Gb, desbloqueado, que uso com a minha conta TMN.
Há muito que sonho com o telemóvel perfeito. Já sonhava antes de haver telemóveis. Aliás, não era exactamente com um telemóvel: era com o gadget perfeito. Ou seja, uma geringonça de pequena dimensão que fizesse tudo por mim. Telefonemas, exibição de filmes e textos, reprodução de música, controlo remoto dos electrodomésticos e condução automática do carro, mas também que organizasse a minha vida, me desse conselhos úteis, me avisasse do perigo iminente ou das oportunidades a não perder, tomasse decisões, pensasse por mim. Ou seja, eu, que não obedeço a ninguém, sempre estive disponível para me subjugar a uma máquina.
Quando inventaram o telemóvel, comprei o mais caro de todos. Aquele que fazia tudo, e também telefonemas. Não serviu de nada. Desperdicei horas titubeando pelos menus, configurando definições. Um pouco como aquelas últimas gerações de vídeos VHS que nunca ninguém foi capaz de programar. É o problema fundamental da tecnologia: quase sempre complica mais a vida do que a facilita.
Mas, às vezes, acerta. O iPhone é um desses raros e felizes momentos. É o telemóvel perfeito. Ao contrário dos outros, não tem botões. Acho que foi o próprio Steve Jobs, o criador da Apple, que explicou: o iPhone só tem um botão, porque, assim, não há hipótese de nos enganarmos no botão. Tudo o resto é feito com os dedos na própria barriga, desculpem, visor do telefone. Mexe-se no calendário, folheia-se a Internet, vasculha-se o arquivo de imagens, dedilha-se a música, manipulam-se as notícias.
Não através de dispositivos mecânicos, mas directamente. Como se o universo inteiro estivesse contido no pequeno invólucro metálico e o pudéssemos tocar, sentir, e comunicar com ele.
O iPhone é uma pequena revolução na Ciência. Não é um objecto exterior, mas um apêndice feito de células humanas. Um fenómeno da biotecnologia, ou mesmo da psicologia. Já não é bem uma extensão do corpo: faz parte dele. E o corpo integra-o e, ao fazê-lo, transforma-se.
O iPhone é o que o futurólogo Ray Kuzweil chama uma "máquina espiritual". Provoca em nós uma mutação. Torna-nos superiores mas desafia a nossa humanidade. Questiona a definição de humano. Quando penso "eu", sei que estou a pensar "eu e o meu iPhone". O que faz de mim uma nova espécie sobre o planeta: o ciborgue.
É comovedor sentir como, no iPhone, é tudo tão fácil, pensado para pessoas simples como eu. É tudo tão táctil, tão humano, que, por vezes, dou por mim a acariciar o corpo roliço do telemóvel. Nesses momentos, apetece-me desligar todas as funções do aparelho, mantendo-o embora ligado (existe a opção). E assim, eu e ele, podermos ficar a sós.
Fonte PÚBLICO
12.07.2008, Isabel Coutinho
A Apple fez o lançamento do IPhone com todos "salamaleques" possíveis. Os jornalistas Isabel Coutinho e Paulo Moura do jornal Público explicam porque gostam muito do iPhone. Aliás, explicam muito mais ...
Uma das razões porque vou comprar um iPhone é para ler livros.
Estará ela no seu perfeito juízo?, estarão vocês aí a pensar.
Acredito piamente que o futuro dos e-Books, os livros em formato electrónico, vai passar pelo iPhone. É só uma questão de tempo.
Com um iPhone dentro de um bolso, temos as funcionalidades de um Ipod, podemos navegar na www através do Safari, temos acesso às nossas contas de e-mail e aos nossos contactos, podemos localizar lugares em mapas, visualizar vídeos do You Tube e ter um imenso álbum de fotografias. Como se isto não fizesse já a nossa felicidade, podemos também ler livros em formato electrónico.
Ao mesmo tempo que a Apple lançou mundialmente o seu iPhone 3G, abriu uma loja de aplicações on-line: a App Store.
É possível aceder a esta loja através dos telemóveis, descarregar rapidamente aplicações - umas gratuitas e outras pagas - e ter acesso a redes sociais on-line como o Facebook, a notícias da zona ou país onde nos encontramos (não se esqueça que este novo iPhone combina GPS, wi-fi e tecnologia de comunicação) e a inúmeras outras aplicações.
Pois uma das mais populares tem sido o eReader da Fictionwise, um software que permite a leitura de e-Books no iPhone e que é gratuito. Quando se descarrega o software, tem-se direito a dois livros (um deles é O Último dos Moicanos, de James Fenimore Cooper).
As páginas do livro são folheadas com toques de dedo para a esquerda e para a direita e é possível fazer pesquisa de palavras no texto. Não é possível marcar a página que se está a ler.
Vocês vão dizer que já se podem ler e-Books em outros telemóveis. É verdade que com a aplicação Mobipocket eBook Reader é possível ler e-Books nos telemóveis da Blackberry e da Nokia e outros smartphones. Ao que se sabe, no final do ano, a Mobipocket também vai funcionar no iPhone. Mas acreditem : o ecrã deste telemóvel não é comparável ao de outros.
Se me perguntarem qual foi o momento em que compreendi que o futuro do livro não ia escapar ao iPhone, respondo que foi quando, há quase dois meses, estava sentada numa das salas da Book Expo America, em Los Angeles, e Nick Bogaty, da Adobe Digital Editions, divulgou publicamente que a Adobe estava a trabalhar para o Apple iPhone.
E o que é que isto significa? Significa que, no futuro, vai ser possível ler o formato .epub nestes telemóveis. A vantagem do formato .epub em relação ao comum PDF é que se esse documento ou o livro em formato electrónico estiver a ser lido num ecrã mais pequeno o tamanho da letra não se altera, o texto adapta-se ao novo ecrã sem reduzir o tamanho da letra.
Conclusão: a leitura num ecrã pequeno deixa de ser uma maçada.
Steve Jobs terá finalmente ouvido os insistentes pedidos que lhe fizeram os fãs de e-Books e do iPhone na blogosfera, onde surgiram frases como esta: "Olha lá, Steve Jobs! Os e-Books precisam estar no iPhone!".
O futuro do livro passa por aqui.
a Eu não comprei um iPhone ontem. Já tinha um, há meses. Há coisas pelas quais não podemos esperar.
Se o iPhone existe, há que ter um o mais depressa possível. Mandei logo vir, pela Net, este belo exemplar de 16 Gb, desbloqueado, que uso com a minha conta TMN.
Há muito que sonho com o telemóvel perfeito. Já sonhava antes de haver telemóveis. Aliás, não era exactamente com um telemóvel: era com o gadget perfeito. Ou seja, uma geringonça de pequena dimensão que fizesse tudo por mim. Telefonemas, exibição de filmes e textos, reprodução de música, controlo remoto dos electrodomésticos e condução automática do carro, mas também que organizasse a minha vida, me desse conselhos úteis, me avisasse do perigo iminente ou das oportunidades a não perder, tomasse decisões, pensasse por mim. Ou seja, eu, que não obedeço a ninguém, sempre estive disponível para me subjugar a uma máquina.
Quando inventaram o telemóvel, comprei o mais caro de todos. Aquele que fazia tudo, e também telefonemas. Não serviu de nada. Desperdicei horas titubeando pelos menus, configurando definições. Um pouco como aquelas últimas gerações de vídeos VHS que nunca ninguém foi capaz de programar. É o problema fundamental da tecnologia: quase sempre complica mais a vida do que a facilita.
Mas, às vezes, acerta. O iPhone é um desses raros e felizes momentos. É o telemóvel perfeito. Ao contrário dos outros, não tem botões. Acho que foi o próprio Steve Jobs, o criador da Apple, que explicou: o iPhone só tem um botão, porque, assim, não há hipótese de nos enganarmos no botão. Tudo o resto é feito com os dedos na própria barriga, desculpem, visor do telefone. Mexe-se no calendário, folheia-se a Internet, vasculha-se o arquivo de imagens, dedilha-se a música, manipulam-se as notícias.
Não através de dispositivos mecânicos, mas directamente. Como se o universo inteiro estivesse contido no pequeno invólucro metálico e o pudéssemos tocar, sentir, e comunicar com ele.
O iPhone é uma pequena revolução na Ciência. Não é um objecto exterior, mas um apêndice feito de células humanas. Um fenómeno da biotecnologia, ou mesmo da psicologia. Já não é bem uma extensão do corpo: faz parte dele. E o corpo integra-o e, ao fazê-lo, transforma-se.
O iPhone é o que o futurólogo Ray Kuzweil chama uma "máquina espiritual". Provoca em nós uma mutação. Torna-nos superiores mas desafia a nossa humanidade. Questiona a definição de humano. Quando penso "eu", sei que estou a pensar "eu e o meu iPhone". O que faz de mim uma nova espécie sobre o planeta: o ciborgue.
É comovedor sentir como, no iPhone, é tudo tão fácil, pensado para pessoas simples como eu. É tudo tão táctil, tão humano, que, por vezes, dou por mim a acariciar o corpo roliço do telemóvel. Nesses momentos, apetece-me desligar todas as funções do aparelho, mantendo-o embora ligado (existe a opção). E assim, eu e ele, podermos ficar a sós.
Fonte PÚBLICO
A Grande Diva Grega

Maria Callas - A Exposição de Lisboa
O vestido que Maria Callas usou na "Tosca" de Franco Zeffirelli, as cartas que a diva trocou com Onassis, Pasolini ou Maurice Béjart... Estes são alguns dos itens que poderemos ver na primeira exposição em Portugal dedicada à famosa soprano. Até 21 de Setembro, no Museu da Electricidade, em Lisboa.
Em 1958, Maria Callas actuou no Teatro Nacional de São Carlos. Um camarim foi arranjado de propósito para a diva, que encantou e que, naturalmente, fez as primeiras páginas dos jornais da altura. Para comemorar os 50 anos da sua visita ao nosso país, a Fundação EDP e o São Carlos organizaram "Maria Callas - A Exposição de Lisboa", que reúne 43 vestidos, de cena e pessoais, a sua colecção de jóias (que inclui, por exemplo, a coroa de "Norma" criada por Christian Dior) e diversos documentos, como as últimas cartas que Callas escreveu a Onassis (na altura, já comprometido com Jackie Kennedy).
Para além destes objectos, pertencentes à colecção de Bruno Tosi, Presidente da Associazione Internazionale "Maria Callas", a exposição apresenta ainda um núcleo dedicado à passagem da cantora por Lisboa - os cenários do Acto II, mostrados agora ao público pela primeira vez desde 1958, fotografias inéditas, recortes de imprensa ou, por exemplo, o programa de sala autografado.
LOCAL
Lisboa, Museu da Electricidade -
Avenida Brasília - Edifício Central Tejo
Em nome de Joao Hélio, Joao Roberto e tantos mais
La Andrómaca
H. MARTÍNEZ | Almagro 11/07/2008
Racine, junto a Corneille, es uno de los principales escritores franceses de tragedias. Y nada mejor que los griegos para escribir tragedias. Así, Andrómaca es uno de sus principales textos, y de los que ha cosechado más éxitos a lo largo de su historia. Estrenada para la corte de Luis XVI en la cámara privada de la reina, ahora llega a España de la mano de Declan Donnellan, que se ha vuelto a aliar con el francés para traer hasta Almagro los versos del autor galo.
En Andrómaca luchan el amor de madre y el amor de mujer
Con el tercer libro de la Eneida y la obra clásica de Eurípides, de la que Racine tomó también el título para su pieza, como partida, el dramaturgo construye una obra en la que el amor es la base, aunque viaja en un solo sentido. Orestes ama a Hermione, esta desea a Pirro que no piensa en otra cosa que poseer a Andrómaca. Esta última sólo tiene dos motivos para seguir con vida: su hijo Astianacte y la fidelidad a su esposo, asesinado frente a las murallas de Troya por Aquiles, padre del hombre que la mantiene cautiva.
Los griegos quieren la sangre de Astianacte, porque en él ven la llama de su padre. Ya intentó matarlo Ulises en la propia Troya pero por un engaño consiguió salvar la vida y ser finalmente conducido como esclavo al Épiro donde, junto con su madre, vive confinado en el palacio de Pirro. Orestes llega hasta allí para reclamar la vida del pequeño. Si lo logra conseguirá el respeto de los suyos, si no, el amor de la mujer que desea, ya que Pirro sólo se negaría a matarle para conseguir el amor de la doliente viuda.
En Andrómaca luchan el amor de madre y el amor de mujer y así rogará a todos por la vida de su hijo aunque finalmente sólo le quedará una salida: volver a casarse para que Pirro lo tome como propio y evitar su destino a pesar de enfrentarse a toda la Hélade. De nuevo, como lo fue en su anterior obra (Alejandro Magno), Racine estudia la pasión humana como desencadenante de la tragedia, un elemento que iría depurando hasta llegar a su máxima expresión con Fedra.
Fonte:El País
H. MARTÍNEZ | Almagro 11/07/2008
Racine, junto a Corneille, es uno de los principales escritores franceses de tragedias. Y nada mejor que los griegos para escribir tragedias. Así, Andrómaca es uno de sus principales textos, y de los que ha cosechado más éxitos a lo largo de su historia. Estrenada para la corte de Luis XVI en la cámara privada de la reina, ahora llega a España de la mano de Declan Donnellan, que se ha vuelto a aliar con el francés para traer hasta Almagro los versos del autor galo.
En Andrómaca luchan el amor de madre y el amor de mujer
Con el tercer libro de la Eneida y la obra clásica de Eurípides, de la que Racine tomó también el título para su pieza, como partida, el dramaturgo construye una obra en la que el amor es la base, aunque viaja en un solo sentido. Orestes ama a Hermione, esta desea a Pirro que no piensa en otra cosa que poseer a Andrómaca. Esta última sólo tiene dos motivos para seguir con vida: su hijo Astianacte y la fidelidad a su esposo, asesinado frente a las murallas de Troya por Aquiles, padre del hombre que la mantiene cautiva.
Los griegos quieren la sangre de Astianacte, porque en él ven la llama de su padre. Ya intentó matarlo Ulises en la propia Troya pero por un engaño consiguió salvar la vida y ser finalmente conducido como esclavo al Épiro donde, junto con su madre, vive confinado en el palacio de Pirro. Orestes llega hasta allí para reclamar la vida del pequeño. Si lo logra conseguirá el respeto de los suyos, si no, el amor de la mujer que desea, ya que Pirro sólo se negaría a matarle para conseguir el amor de la doliente viuda.
En Andrómaca luchan el amor de madre y el amor de mujer y así rogará a todos por la vida de su hijo aunque finalmente sólo le quedará una salida: volver a casarse para que Pirro lo tome como propio y evitar su destino a pesar de enfrentarse a toda la Hélade. De nuevo, como lo fue en su anterior obra (Alejandro Magno), Racine estudia la pasión humana como desencadenante de la tragedia, un elemento que iría depurando hasta llegar a su máxima expresión con Fedra.
Fonte:El País
"no pueden permanecer impasibiles las estrellas"
Milton Nascimento, una cita feliz
CARLOS GALILEA - Cartagena - 11/07/2008
Milton Nascimento, un músico admirado por los grandes del jazz, ha escrito un puñado de canciones enormes. Si alguien lo duda, que se lo pregunte al guitarrista Pat Metheny, que considera el segundo de los dos discos del Clube da esquina una de las mejores colecciones de canciones que haya escuchado jamás. Algunas de esas maravillas del brasileño sonaron la noche del miércoles en el auditorio del Parque Torres: Ponta de areia, que fascinó a Wayne Shorter en 1975; Travesía, de la que dejó un registro la mismísima Sarah Vaughan, o Canção do sal, la primera canción de Milton que grabó Elis Regina. Durante años, Nascimento se hartó de contar que componía sus temas pensando que los iba a cantar Elis.
Dos franceses con apellido de actor de cine, los hermanos Belmondo, han dado una vuelta de tuerca a ese material. Como habían hecho con Stevie Wonder y Yusef Lateef. Le han dado vuelo con cuerdas y vientos, y lo han hecho con gusto. Es Jazz con Brasil (Minas Gerais), pero no anda lejos Ravel. Hay proyectos musicales, como este que se fraguó el año pasado en París, que no convocan a decenas de miles de personas, ni atraen patrocinios millonarios, sino que nacen de la emoción y se sostienen con esfuerzo. Stéphane Belmondo, trompeta, y Lionel Belmondo, saxo y flauta, se presentaron al frente de nueve músicos y con la sección de cuerdas de la Sinfónica de la Región de Murcia, dirigida por José Miguel Rodilla. Y salió muy bien. La voz de Milton Nascimento ya no es lo que era, el falsete privilegiado que hizo exclamar al díscolo obispo Pedro Casaldáliga, "canta Milton, no pueden permanecer impasibles las estrellas", se debilitó por la salud. Pero sigue siendo misteriosa y solemne.
Fuente:El País
E porque hoje é sábado,

E porque hoje é sábado e encontrei Savater e a sua lucidez:
Ciudadanía y lengua común
FERNANDO SAVATER 11/07/2008
Como el mío va a ser uno de los pocos artículos que se publiquen en este periódico a favor del Manifiesto por la Lengua Común, permítanme que empiece con algo de melancolía. El documento en cuestión derrocha miramientos y renuncia a cualquier denuncia o acusación: no contiene críticas contra el Gobierno, ni contra la oposición, ni contra ninguna de las Administraciones autonómicas. Como el poeta, está a punto de perder su vida por delicadeza. Tampoco incurre en un alarmismo exagerado (se limita a señalar lo que es una preocupación generalizada en nuestra sociedad, como demuestran las firmas obtenidas de personalidades ilustres de las letras, las ciencias, el arte, el comercio o el deporte, muchas de las cuales no han firmado ningún manifiesto en su vida), y se centra en recomendar medidas preventivas antes de que lo peor sea además irremediable. Ni que decir tiene que reconoce todas las lenguas oficiales como igualmente españolas (lo que sin duda puede haber molestado a algunos) y formando parte del patrimonio cultural y social que compartimos, merecedoras de estímulo y salvaguardia. En el Manifiesto no sólo se defiende el derecho de quien lo desee a ser educado en castellano, sino también el derecho semejante a ser educado en catalán en Cataluña, en euskera en el País Vasco, en gallego en Galicia, etc. Éste es el Manifiesto que ha sido denunciado como xenófobo, imperialista, contrario al pluralismo cultural y hasta partidario del exterminio de los hablantes de lenguas minoritarias. Un político catalán lo calificó como "un insulto a la inteligencia": bueno, entonces usted no tiene por qué considerarse ofendido, buen hombre. Y lo mismo vale para los demás. Por decirlo churchilianamente: nunca quien no agredió a nadie fue agredido por tantos.
Fernando Savater
El Manifiesto ha sido tergiversado, como la Educación para la Ciudadanía
El Manifiesto no pide inmersión en castellano de los que tienen otras lenguas
Es curioso: a los que hemos luchado durante bastantes años a favor de la asignatura de Educación para la Ciudadanía, las tergiversaciones polémicas que se utilizan contra el Manifiesto nos recuerdan irresistiblemente las que oímos tantas veces contra esa necesaria materia académica. Destinos paralelos: en un caso, se ofendió involuntariamente las prerrogativas que considera intocables la Iglesia católica, y en el otro, las que se atribuye la jerarquía nacionalista, dos poderes fácticos de fundamentación mitológica que consideran persecución totalitaria cualquier merma de sus privilegios autoconcedidos. Interesante semejanza, que merece ser examinada más despacio.
Primera similitud: para criticar con mayor comodidad, se inventan el contenido de la asignatura y el contenido del Manifiesto. Según unos manipuladores, la Educación para la Ciudadanía se dedica a hacer proselitismo
homosexual y a recomendar que nadie se case si no es con persona de su mismo sexo. Como no faltan manuales delirantes propuestos para la materia, otros se dedican a entresacar proclamas a favor de Fidel, Chávez y la abolición inmediata del capitalismo. Intentar que se recuerde en sus justos términos el temario oficial es tiempo perdido. De modo semejante, algunos decretan que el Manifiesto sale en defensa de la lengua castellana, empeño risible porque nuestro idioma goza de excelente salud, es hablado por 400 millones de personas y de nada hay que protegerlo. Según otros -pertenecientes a la lunatic fringe de varias autonomías bilingües-, el Manifiesto persigue abolir nuestro pluralismo lingüístico y cultural, exterminar al diferente, etc. Rogar que se lea el Manifiesto para comprobar que lo que se trata de defender son los derechos de los castellanohablantes sin mermar el bilingüismo o que estamos tan convencidos de la pujanza universal del castellano que por eso nos parece crucial reforzarlo como lengua común de España es tarea ociosa: la caricatura resulta polémicamente más rentable.
Segunda similitud: tanto la asignatura como el Manifiesto son inútiles, superfluos y refuerzan al poder establecido. Unos nos dicen que todo el mundo sale ciudadano de la escuela por la convivencia con los demás y sobre todo por la enseñanza de los padres. ¿Para qué adoctrinarles con teorías políticamente correctas que les hagan dóciles al relativismo moral dominante? Los otros aseguran con total convicción que no existe problema lingüístico en ninguna parte, salvo en la imaginación de la extrema derecha. No es verdad que haya comunidades donde no se pueda escolarizar a los niños con plena naturalidad en castellano, ni es cierto que en ellas los impresos oficiales sólo se faciliten en la lengua autonómica, ni es verdad que la señalización de vías públicas tampoco sea bilingüe, ni que el conocimiento de la lengua co-oficial tenga un valor desmesurado en concursos y oposiciones, etc. Esas denuncias son invenciones en la mayoría de los casos, o simples anécdotas irrelevantes cuando resultan probadas. Los que de veras sufren son quienes intentan manejar una lengua distinta del castellano: ¿hay algo más difícil y peor visto que hablar catalán en Cataluña, euskera en el País Vasco o gallego en Galicia? Todo son problemas y cortapisas para los héroes que a tanto se atreven... El Manifiesto es una apología de la represión y de la prepotencia vigente, puaf.
Tercera similitud: ¡vuelve el franquismo! Educación para la Ciudadanía es un revival de la Formación del Espíritu Nacional (que nada tiene que ver con las sanas lecciones de identidad que se dan en las autonomías nacionalistas), así como el Manifiesto defiende la lengua del Imperio, según enseñó Girón de Velasco. ¿Cómo no nos habremos dado cuenta antes? Bien claro está; el último canalla que se preocupó por la unidad de España fue Franco, y sólo a él podía ocurrírsele adoctrinar en valores políticos comunes. Menos mal que aún quedan vigías para dar la voz de alarma y señalar que por allí resopla el fascismo. Debemos estarles eternamente agradecidos... y obedecerles sin rechistar.
En fin, dejémoslo estar. Los defensores de la inmersión lingüística ven en ella la única forma de evitar guetos y de garantizar la convivencia cultural. Si nosotros fuésemos nacionalistas españoles, aceptaríamos el razonamiento pero aplicado a toda España: inmersión lingüística general en castellano para la educación pública, a fin de evitar que Cataluña, Euskadi, Galicia o Baleares se conviertan en guetos dentro del país. Es la doctrina vigente en Francia, que no es el peor Estado europeo ni en cultura ni en democracia. Sin embargo, no es eso lo que reivindicamos. El Manifiesto no pide inmersión en castellano de los que tienen otras lenguas maternas, sino que no se imponga otra lengua a los que prefieren el castellano. En general, la lengua común no requiere en las comunidades bilingües trato privilegiado, sólo que no se la persiga ni obstaculice como hoy se hace. Con eso basta.
Por lo demás, admito que se nos discuta, pero no acepto que se nos descalifique con infundios sectarios como han hecho reciente y reiteradamente el Partido Socialista y el Gobierno. La decencia política no se funda en el optimismo, como cree Zapatero, sino en la veracidad. Decidido: en cuanto nos repongamos de este Manifiesto, hay que preparar otro contra el uso impune de la mentira por los políticos.
Fernando Savater es catedrático de Filosofía de la Universidad Complutense.
Fuente: El País
jueves, 10 de julio de 2008
da série "Eu Aprendi"
Betancourt diz ter aprovado cabeçada de Zidane na Copa 2006
A ex-refém das Farc afirmou que acampamento ficou divido 'entre os pró-Ingrid e os que torciam para a Itália'
PARIS - A ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt disse nesta quinta-feira que aprovou a cabeçada do jogador francês Zinedine Zidane no zagueiro italiano Marco Materazzi na final da Copa do Mundo de 2006.
Na partida, o jogador da Itália ofendeu o então camisa dez da França, que reagiu dando uma cabeçada no peito do adversário. Zidane, que fazia sua última partida na carreira, levou um cartão vermelho pelo lance.
"Adorei a cabeçada de Zidane", disse Betancourt em entrevista publicada na edição desta semana da revista "Paris Match". Betancourt também disse que "teria feito algo parecido" se estivesse no lugar do meia francês. Além disso, afirmou que a final da Copa dividiu a torcida no cativeiro.
"Essa Copa do Mundo não deixou de dar problemas no acampamento. Havia os pró-Ingrid, ou seja, os pró-franceses, e os que torciam para a Itália", disse.
Ingrid Betancourt foi resgatada na quarta-feira passada em uma operação do Exército colombiano após ficar seis anos em poder das Forças Armadas Revoluconárias da Colômbia (Farc).
Comento:Tentei desde ontem iniciar esta série "Eu aprendí". Cheguei a postar alguma coisa e depois excluí. Sinto que me precipitei naqueles dois momentos.Aliás, saudei o discurso que falava de paz e resolvi escutar um pouco mais porque conhecia a obra de Monteiro Lobato onde "boneca Emília" também viveu momentos de tagarelice em virtude de "fala reprimida".
Ainda sem reflexoes maiores deixo que voces julguem por si mesmos o que é que aprendemos quando usamos os dois ouvidos e esquecemos as paixoes e o coracao...pode ser decepcionante, mas definitivamente estava no script. Difícil é quando as pessoas conseguem nos surpreender .....
A ex-refém das Farc afirmou que acampamento ficou divido 'entre os pró-Ingrid e os que torciam para a Itália'
PARIS - A ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt disse nesta quinta-feira que aprovou a cabeçada do jogador francês Zinedine Zidane no zagueiro italiano Marco Materazzi na final da Copa do Mundo de 2006.
Na partida, o jogador da Itália ofendeu o então camisa dez da França, que reagiu dando uma cabeçada no peito do adversário. Zidane, que fazia sua última partida na carreira, levou um cartão vermelho pelo lance.
"Adorei a cabeçada de Zidane", disse Betancourt em entrevista publicada na edição desta semana da revista "Paris Match". Betancourt também disse que "teria feito algo parecido" se estivesse no lugar do meia francês. Além disso, afirmou que a final da Copa dividiu a torcida no cativeiro.
"Essa Copa do Mundo não deixou de dar problemas no acampamento. Havia os pró-Ingrid, ou seja, os pró-franceses, e os que torciam para a Itália", disse.
Ingrid Betancourt foi resgatada na quarta-feira passada em uma operação do Exército colombiano após ficar seis anos em poder das Forças Armadas Revoluconárias da Colômbia (Farc).
Comento:Tentei desde ontem iniciar esta série "Eu aprendí". Cheguei a postar alguma coisa e depois excluí. Sinto que me precipitei naqueles dois momentos.Aliás, saudei o discurso que falava de paz e resolvi escutar um pouco mais porque conhecia a obra de Monteiro Lobato onde "boneca Emília" também viveu momentos de tagarelice em virtude de "fala reprimida".
Ainda sem reflexoes maiores deixo que voces julguem por si mesmos o que é que aprendemos quando usamos os dois ouvidos e esquecemos as paixoes e o coracao...pode ser decepcionante, mas definitivamente estava no script. Difícil é quando as pessoas conseguem nos surpreender .....
"Mas y mejor Estado y tambien mas y mejor sector privado"

En la inauguración del VII Encuentro Santander-América Latina, organizado por el Banco Santander en la Universidad Internacional Menéndez Pelayo (UIMP), Enrique Iglesias aseguró ayer que la crisis se superará, pero sin aventurarse en plazos. “No tengo la respuesta de cuándo y cómo, pero vamos a salir”.
El secretario general Iberoamericano piensa que Estados Unidos, “que tiene la capacidad de exportar la crisis”, la dejará atrás antes que Europa porque su economía es mucho “más flexible”, y la trata de manera “más frontal” al poner “las pérdidas sobre la mesa”, subrayó.
Uno de los temores que expresó es que la situación económica estadounidense suponga un riesgo para sus vecinos del Sur. Puede hacer descender las remesas que envían los latinoamericanos a sus países o, con el alza de los precios del petróleo, provocar un recorte del turismo, la mayor fuente de ingresos en el Caribe. Junto a Centroamérica, es el punto más golpeado por la crisis en América Latina. “Les afecta por todos lados, no producen alimentos ni energías”, según Iglesias.
Esta situación, además, va a cambiar “las reglas del juego” en las relaciones entre los países emergentes y los más desarrollados. Habrá “profundas mutaciones en las relaciones internacionales”, pronostica.
Estrategias contra la inflación
El secretario iberoamericano dibujó un escenario a corto plazo con una “gran preocupación” por la inflación energética y la de los alimentos, que golpea “dramáticamente” a las poblaciones. América Latina tendrá que aprovechar las oportunidades actuales para conseguir dar “un salto cualitativo” en las políticas económicas”.
Recordó que los habitantes de los países más pobres gastan más de la mitad de sus ingresos en alimentos, un porcentaje que desciende hasta el 10% en el caso de las zonas desarrolladas. Aún no existen “estrategias claras” para frenar la inflación, añade. Su propuesta es la aplicación de “subsidios selectivos” para que protejan a las clases bajas y los 30 millones de ciudadanos que han conseguido salir de la pobreza en los últimos años “no vuelvan a entrar en ella”. Y habrá que diseñarlos, añade, de manera que no suponga que las clases medias “acaben pagando el pato”.
Inversión en educación
A medio plazo señaló retos para mejorar la situación económica, como el aumento de la productividad o la formación de recursos humanos “de calidad”. “No es que haya poco gasto, es que gastamos mal, y la calidad de la educación se ve afectada”, añade. También pide un refuerzo en el campo de la innovación tecnológica, y considera que América Latina puede protagonizar “una revolución espectacular en agricultura". Hoy, la agricultura familiar “es la base alimentaria” de la mayoría de los países, que obtienen de esta manera entre “el 50 y el 70% de su producción”.
En el mercado laboral, cree que las instituciones tienen una “tarea pendiente”: mejorar la legislación y comprobar que las relaciones laborales “ofrecen oportunidades y garantías a los ciudadanos”.
América Latina, dice, debe asumir la importancia de la relación entre las instituciones públicas y privadas para que cada país tenga “más y mejor Estado y también más y mejor sector privado”.
Fuente:El País
miércoles, 9 de julio de 2008
Aislar al maltratador
Aislar al maltratador
ANAÍS BERDIÉ - Madrid - 09/07/2008
Rechazo social al maltratador. En esta idea se centra la nueva campaña contra la violencia de género que puso en marcha ayer el Ministerio de Igualdad, un plan de comunicación con vocación de continuidad. “Aspiramos a que la sociedad adopte una actitud más crítica”, apuntó la ministra Bibiana Aído.
Se acabaron las imágenes de mujeres con marcas de golpes. Las protagonistas de la nueva campaña, entre las que también hay inmigrantes, no parecen asustadas, se muestran seguras de sí mismas, combativas. Y ya no están solas. Los hombres han pasado a un primer plano y no dudan en rechazar al agresor, mirándole mal y cerrándole las puertas. Los niños, como víctimas también del problema, ponen su voz en los nuevos mensajes: “Mamá, hazlo por nosotros. Actúa”.
Aído recalcó que es necesaria la complicidad de toda la sociedad para erradicar la violencia machista: “Hay que decir ‘no’ al maltratador, pero en nombre de todos”. Con esta iniciativa se pretende dar un paso adelante y dejar claro que el problema está en quién ejerce la violencia.
La campaña se distribuirá en televisión, prensa, radio e Internet y se reflejará en carteles de los aeropuertos, el metro y los centros comerciales
ANAÍS BERDIÉ - Madrid - 09/07/2008
Rechazo social al maltratador. En esta idea se centra la nueva campaña contra la violencia de género que puso en marcha ayer el Ministerio de Igualdad, un plan de comunicación con vocación de continuidad. “Aspiramos a que la sociedad adopte una actitud más crítica”, apuntó la ministra Bibiana Aído.
Se acabaron las imágenes de mujeres con marcas de golpes. Las protagonistas de la nueva campaña, entre las que también hay inmigrantes, no parecen asustadas, se muestran seguras de sí mismas, combativas. Y ya no están solas. Los hombres han pasado a un primer plano y no dudan en rechazar al agresor, mirándole mal y cerrándole las puertas. Los niños, como víctimas también del problema, ponen su voz en los nuevos mensajes: “Mamá, hazlo por nosotros. Actúa”.
Aído recalcó que es necesaria la complicidad de toda la sociedad para erradicar la violencia machista: “Hay que decir ‘no’ al maltratador, pero en nombre de todos”. Con esta iniciativa se pretende dar un paso adelante y dejar claro que el problema está en quién ejerce la violencia.
La campaña se distribuirá en televisión, prensa, radio e Internet y se reflejará en carteles de los aeropuertos, el metro y los centros comerciales
Tabacaria
"Que sei eu do que serei,
eu que nao sei o que sou?
Ser o que penso??
Mas penso ser tanta coisa.
E há tantos que pensam ser a mesma coisa....." (Fernando Pessoa)
eu que nao sei o que sou?
Ser o que penso??
Mas penso ser tanta coisa.
E há tantos que pensam ser a mesma coisa....." (Fernando Pessoa)
martes, 8 de julio de 2008
Ciranda:Livia que lia Bassets que lia Zakaria.....
02 julio, 2008 - Lluís Bassets
El efecto llamada
Estados Unidos tiene un arma secreta. Sus cuentas públicas pueden estar hechas unos zorros. El dólar puede estar debilitado. Su presidente, desprestigiado. Y su economía rozar incluso la recesión, que no parece ser el caso. También su imagen y prestigio en el mundo no pueden estar en un punto más preocupante. Como la capacidad disuasiva de su fuerza militar, que ha quedado comprometida con las pésimas decisiones tomadas en los últimos años. Hasta llevar a algunos a dibujar un cuadro de cadencia y pérdida de la hegemonía mundial a favor de las potencias emergentes. Pero como digo, tiene un arma secreta. De hecho no lo digo yo, sino Fareed Zakaria, el ensayista y editor de Newsweek, en su libro ‘El mundo posamericano’, que contiene un pequeño capítulo precisamente con este título.
¿Y cuál es el arma secreta? Sabemos que todos los malos augurios sobre Estados Unidos se equivocan en una cuestión muy importante: mientras mantenga su actual superioridad tecnológica y científica, la calidad de sus universidades y centros de investigación, la creatividad empresarial y la vitalidad de su sociedad será difícil que alguien pueda atrapar a los norteamericanos. Pero el arma secreta va más allá de todo eso y tiene que ver, a la vez, con una larga tradición y con la realidad vida de la sociedad de hoy. Y tiene ver también con nosotros los europeos, que hemos estamos renunciando abiertamente a poseerla y manejarla.
El arma secreta que nos describe Zakaria es la inmigración, y el periodista norteamericano de origen indio lo cuenta mejor que nadie, entre otras razones, porque él mismo vale como ejemplo. Veamos. La innovación es hija directa de la inmigración, nos dice Zakaria. El 50 por ciento de los investigadores y estudiantes de ciencias son extranjeros o inmigrantes. Representan nada menos que 40 por ciento de los doctores en ciencias e ingeniería y el 65 por ciento de los que se dedican a computación. Para el próximo año, la mitad de los doctores que saldrán de las universidades americanas serán extranjeros, cifra que alcanzará el 75 por ciento en ciencias. La mitad de las empresas de Sillicon Valley tienen a un inmigrante como fundador.
Consecuencia: hay que ir a la inmigración escogida, tal como dice Sarkozy. No, respondería Zakaria. El hambre y la energía son los principales motores que conducen al éxito. Sin la primera generación de inmigrantes que trabajan larguísimas jornadas en tareas de limpieza, construcción, cuidados domésticos, recogida de cosechas y trabajos de los más duros no funcionaría la economía. Las generaciones posteriores, educadas en el sistema americano y con más oportunidades, estarán ya plenamente integradas.
En Estados Unidos se está creando, nos asegura el periodista, “la primera nación universal, hecha de todos los colores, razas y credos, viviendo y trabajando en una armonía considerable”. Obama es la expresión de esta nueva nación que equivale al mundo. Será el primer presidente americano que se parecerá a como es el mundo y no a como es una pequeña elite blanca europea y americana.
El gran error europeo de estos días consiste en dedicarnos a asustar a los inmigrantes. En darle vueltas una y otra vez al argumento absurdo del efecto llamada. Europa necesita la inmigración y necesitará más inmigración si quiere seguir creciendo, garantizando los sistema de pensiones y de seguridad social y, sobre todo, si quiere ser una sociedad “demográficamente vibrante”. El crecimiento europeo, sumado al miedo a la inmigración, equivale a la más triste y penosa de las decadencias.
Es una paradoja que un presidente como Nicolas Sarkozy, que dice sentir se americano, sea tan poco americano a la hora de tratar la cuestión de la inmigración. Claro que hay que hacer un gran pacto europeo para la inmigración, pero para facilitar su integración, abrir más escuelas y hospitales, habilitar más viviendas, destruir los muros de los guetos, acogerles decentemente en nuestras sociedades. “La realidad política de Europa, dice Zakaria, se dirige a limitar la entrada de inmigrantes en un momento en que su futuro económico se juega en su capacidad para admitir a muchos más”.
Hay muchas otras cosas a comentar sobre el libro de Zakaria, pero de momento basta con esta reflexión sobre la inmigración, en el momento en que empieza la presidencia francesa con esta cuestión inscrita en sus prioridades. Para quien no pueda conseguir el libro, en Foreign Affairs se puede leer un capítulo adaptado.
Fuente: De Alfiler a Elefante:El Blog de LLuis Bassets
El efecto llamada
Estados Unidos tiene un arma secreta. Sus cuentas públicas pueden estar hechas unos zorros. El dólar puede estar debilitado. Su presidente, desprestigiado. Y su economía rozar incluso la recesión, que no parece ser el caso. También su imagen y prestigio en el mundo no pueden estar en un punto más preocupante. Como la capacidad disuasiva de su fuerza militar, que ha quedado comprometida con las pésimas decisiones tomadas en los últimos años. Hasta llevar a algunos a dibujar un cuadro de cadencia y pérdida de la hegemonía mundial a favor de las potencias emergentes. Pero como digo, tiene un arma secreta. De hecho no lo digo yo, sino Fareed Zakaria, el ensayista y editor de Newsweek, en su libro ‘El mundo posamericano’, que contiene un pequeño capítulo precisamente con este título.
¿Y cuál es el arma secreta? Sabemos que todos los malos augurios sobre Estados Unidos se equivocan en una cuestión muy importante: mientras mantenga su actual superioridad tecnológica y científica, la calidad de sus universidades y centros de investigación, la creatividad empresarial y la vitalidad de su sociedad será difícil que alguien pueda atrapar a los norteamericanos. Pero el arma secreta va más allá de todo eso y tiene que ver, a la vez, con una larga tradición y con la realidad vida de la sociedad de hoy. Y tiene ver también con nosotros los europeos, que hemos estamos renunciando abiertamente a poseerla y manejarla.
El arma secreta que nos describe Zakaria es la inmigración, y el periodista norteamericano de origen indio lo cuenta mejor que nadie, entre otras razones, porque él mismo vale como ejemplo. Veamos. La innovación es hija directa de la inmigración, nos dice Zakaria. El 50 por ciento de los investigadores y estudiantes de ciencias son extranjeros o inmigrantes. Representan nada menos que 40 por ciento de los doctores en ciencias e ingeniería y el 65 por ciento de los que se dedican a computación. Para el próximo año, la mitad de los doctores que saldrán de las universidades americanas serán extranjeros, cifra que alcanzará el 75 por ciento en ciencias. La mitad de las empresas de Sillicon Valley tienen a un inmigrante como fundador.
Consecuencia: hay que ir a la inmigración escogida, tal como dice Sarkozy. No, respondería Zakaria. El hambre y la energía son los principales motores que conducen al éxito. Sin la primera generación de inmigrantes que trabajan larguísimas jornadas en tareas de limpieza, construcción, cuidados domésticos, recogida de cosechas y trabajos de los más duros no funcionaría la economía. Las generaciones posteriores, educadas en el sistema americano y con más oportunidades, estarán ya plenamente integradas.
En Estados Unidos se está creando, nos asegura el periodista, “la primera nación universal, hecha de todos los colores, razas y credos, viviendo y trabajando en una armonía considerable”. Obama es la expresión de esta nueva nación que equivale al mundo. Será el primer presidente americano que se parecerá a como es el mundo y no a como es una pequeña elite blanca europea y americana.
El gran error europeo de estos días consiste en dedicarnos a asustar a los inmigrantes. En darle vueltas una y otra vez al argumento absurdo del efecto llamada. Europa necesita la inmigración y necesitará más inmigración si quiere seguir creciendo, garantizando los sistema de pensiones y de seguridad social y, sobre todo, si quiere ser una sociedad “demográficamente vibrante”. El crecimiento europeo, sumado al miedo a la inmigración, equivale a la más triste y penosa de las decadencias.
Es una paradoja que un presidente como Nicolas Sarkozy, que dice sentir se americano, sea tan poco americano a la hora de tratar la cuestión de la inmigración. Claro que hay que hacer un gran pacto europeo para la inmigración, pero para facilitar su integración, abrir más escuelas y hospitales, habilitar más viviendas, destruir los muros de los guetos, acogerles decentemente en nuestras sociedades. “La realidad política de Europa, dice Zakaria, se dirige a limitar la entrada de inmigrantes en un momento en que su futuro económico se juega en su capacidad para admitir a muchos más”.
Hay muchas otras cosas a comentar sobre el libro de Zakaria, pero de momento basta con esta reflexión sobre la inmigración, en el momento en que empieza la presidencia francesa con esta cuestión inscrita en sus prioridades. Para quien no pueda conseguir el libro, en Foreign Affairs se puede leer un capítulo adaptado.
Fuente: De Alfiler a Elefante:El Blog de LLuis Bassets
lunes, 7 de julio de 2008
Mais generosidade, senhores!
África se fue de la cumbre del G8 con las manos vacías. Los siete presidentes del continente que se han reunido con los dirigentes de los países más ricos no han logrado arrancarles la confirmación de que les duplicarán las ayudas a partir de 2010 o que les darán en un plazo concreto decenas de miles de millones para combatir el sida, la malaria y la tuberculosis. Ambos eran promesas que el G-8 ya había asumido en cumbres anteriores y que ahora tocaba ponerle la guinda. Salvo que se produzca un milagro en la declaración final del miércoles, África tendrá que seguir apañándoselas como pueda.
..................
La cumbre de Toyako no sólo es simbólica porque se espera confirmar el gran conjuntos de medidas de asistencia para África, sino también porque marca el ecuador del objetivo fijado en la Asamblea de la ONU de 2000 para reducir la pobreza para 2015. Los llamados "objetivos del milenio" eran la drástica reducción de la pobreza y el hambre, la disminución de la tasa de mortalidad infantil y la de las muertes causadas por el sida, la malaria y otras enfermedades; y la educación primaria para todos. En vez de esto, la crisis derivada del alza de los precios del petróleo y los alimentos ha disparado los índices de pobreza en al menos una treintena de países africanos.
Fuente:El País
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La cumbre de Toyako no sólo es simbólica porque se espera confirmar el gran conjuntos de medidas de asistencia para África, sino también porque marca el ecuador del objetivo fijado en la Asamblea de la ONU de 2000 para reducir la pobreza para 2015. Los llamados "objetivos del milenio" eran la drástica reducción de la pobreza y el hambre, la disminución de la tasa de mortalidad infantil y la de las muertes causadas por el sida, la malaria y otras enfermedades; y la educación primaria para todos. En vez de esto, la crisis derivada del alza de los precios del petróleo y los alimentos ha disparado los índices de pobreza en al menos una treintena de países africanos.
Fuente:El País
Literatura Infantil en Guatemala

El miércoles 9 de julio expertos en literatura infantil charlarán en un encuentro que lleva por nombre Dulce y Picante.
Participarán Alfonso Porras, de Asociación Luciérnaga; Gloria Hernández, autora de libros para niños; Cecilia Porras Sáenz, artista e ilustradora de libros infantiles; Irene Piedra Santa de editorial Piedra Santa; Frieda Morales Barco, experta en literatura infantil y moderadora.
La cita será, a las 19 horas, en librería Sophos, Avenida Reforma 13-89 zona 10, El Portal. Entrada libre.
Fuente: Prensa Libre
Brasil e Portugal
Os versos sao de Camoes e a música é do Renato Russo. Para que mais luxo que isso???
Antes tarde ....

da Folha Online
da Folha de S.Paulo
Maria da Penha Maia Fernandes --que deu o nome à lei que pune com mais rigidez os agressores de mulheres-- recebe nesta segunda-feira uma indenização de R$ 60 mil em cerimônia realizada na sede do governo do Ceará, em Fortaleza.
Ela se tornou símbolo da luta contra a violência à mulher após sofrer agressões do então marido Marco Antônio Heredia Viveros durante seis anos. Foram ainda duas tentativas de homicídio praticadas por ele, em 1983.
Lei
Sancionada em 2006, a lei Maria da Penha, tornou o processo de punição aos agressores de mulheres mais célere e com penas mais duras.
A lei prevê que agressores sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada. Além disso, aumentou o tempo máximo de detenção para os agressores, de um para três anos e acabou com penas alternativas para os condenados pela Justiça por este crime, como pagamento de multas ou cestas básicas.
domingo, 6 de julio de 2008
Los nuevos Rockfeller
"El Rockefeller de nuestros tiempos". Así definen a Bill Gates en el mundo de la filantropía. Todos los ojos están sobre él tras su salida de Microsoft, porque va a dedicarse de lleno a la fundación que preside junto a su mujer, Melinda. Como señala Stacy Palmer, editora de The Chronicle of Philanthropy, Gates es junto a su amigo Warren Buffett el gran referente de un sector que en Estados Unidos mueve 306.400 millones de dólares anuales.
Los Gates crearon su fundación en 1997. Una década después, sus cofres acumulan 37.500 millones, la mayor organización caritativa privada del mundo. Es una cantidad 10 veces superior a la que maneja la Fundación Rockefeller y que triplica los fondos la Fundación Ford. Pero las de Gates y Buffett no son las únicas caras de la generosidad. A la lista pueden sumarse Michael Dell, David Packard, William Hewlett, George Soros, Michael Bloomberg, Jerry Yang, Larry Page, Sergey Brin o Richard Branson. Los principales donantes el año pasado fueron William Hilton (1.200 millones de dólares), Jon y Karen Huntsman (750 millones) y Denny Sanford (505). Y este año ya se desmarcan el James LaVoy (4.500 millones), Peter Peterson (1.000) y Harold Alfond (360). Hay también otros filántropos destacados fuera del mundo de la tecnología o de las finanzas, como Bono, Oprah Winfrey, Lance Armstrong, Tiger Woods, Brad Pitt y Angelina Jolie, o los Clinton.
La filantropía vive su edad de oro y las ingentes donaciones de los magnates antes citados esparcen el ejemplo por toda la sociedad. Palmer no espera que la crisis económica y financiera vaya a trastocar las donaciones que hacen estos megafilántropos, porque tienen mucho dinero disponible. No pasó tras el estallido de la burbuja tecnológica.
El problema podría llegar de más abajo. La gente con menos recursos es, de hecho, la que destina una mayor parte de sus ingresos a caridad, como señalan desde el Center of Philanthropy de la Universidad de Indiana. Las familias que ganan menos de 50.000 dólares anuales suelen donar un 4,2% de sus ingresos. Pero aunque que los que ganan más de 100.000 dólares dan el 2,2%, la mitad, su impacto es desproporcionado en el conjunto. El año pasado fue la primera vez que se superó la marca de los 300.000 millones, según Giving USA.
Fuente:El País
Los Gates crearon su fundación en 1997. Una década después, sus cofres acumulan 37.500 millones, la mayor organización caritativa privada del mundo. Es una cantidad 10 veces superior a la que maneja la Fundación Rockefeller y que triplica los fondos la Fundación Ford. Pero las de Gates y Buffett no son las únicas caras de la generosidad. A la lista pueden sumarse Michael Dell, David Packard, William Hewlett, George Soros, Michael Bloomberg, Jerry Yang, Larry Page, Sergey Brin o Richard Branson. Los principales donantes el año pasado fueron William Hilton (1.200 millones de dólares), Jon y Karen Huntsman (750 millones) y Denny Sanford (505). Y este año ya se desmarcan el James LaVoy (4.500 millones), Peter Peterson (1.000) y Harold Alfond (360). Hay también otros filántropos destacados fuera del mundo de la tecnología o de las finanzas, como Bono, Oprah Winfrey, Lance Armstrong, Tiger Woods, Brad Pitt y Angelina Jolie, o los Clinton.
La filantropía vive su edad de oro y las ingentes donaciones de los magnates antes citados esparcen el ejemplo por toda la sociedad. Palmer no espera que la crisis económica y financiera vaya a trastocar las donaciones que hacen estos megafilántropos, porque tienen mucho dinero disponible. No pasó tras el estallido de la burbuja tecnológica.
El problema podría llegar de más abajo. La gente con menos recursos es, de hecho, la que destina una mayor parte de sus ingresos a caridad, como señalan desde el Center of Philanthropy de la Universidad de Indiana. Las familias que ganan menos de 50.000 dólares anuales suelen donar un 4,2% de sus ingresos. Pero aunque que los que ganan más de 100.000 dólares dan el 2,2%, la mitad, su impacto es desproporcionado en el conjunto. El año pasado fue la primera vez que se superó la marca de los 300.000 millones, según Giving USA.
Fuente:El País
Incendio em Lisboa atinge Liberdade e Glória
Un llamativo incendio se ha declarado la medianoche pasada en un edificio desocupado en el centro histórico de Lisboa, situado en el número 23 de la Avenida de la Libertad. Las intensas llamas han obligado a evacuar a cerca de un centenar de personas.
El incendio se ha extendido a otros dos edificios colindantes (el número 21 de la misma avenida y el número 6 de la Calle de la Gloria), según la edición digital del diario portugués Público. Se desconoce si hay víctimas o heridos.
Al lugar de los hechos se ha desplazado una dotación de 95 bomberos que todavía intenta controlar las llamas. La Avenida de la Libertad continúa cerrada al tráfico.
Según el diario portugués, por precaución han sido desalojados también decenas de turistas de dos hoteles próximos. En el recuerdo de los ciudadanos de la capital portuguesa permanece todavía el desastroso incendio que, en agosto de 1988, destruyó parte del barrio de Chiado, en el centro de Lisboa.
Fonte:El País
El incendio se ha extendido a otros dos edificios colindantes (el número 21 de la misma avenida y el número 6 de la Calle de la Gloria), según la edición digital del diario portugués Público. Se desconoce si hay víctimas o heridos.
Al lugar de los hechos se ha desplazado una dotación de 95 bomberos que todavía intenta controlar las llamas. La Avenida de la Libertad continúa cerrada al tráfico.
Según el diario portugués, por precaución han sido desalojados también decenas de turistas de dos hoteles próximos. En el recuerdo de los ciudadanos de la capital portuguesa permanece todavía el desastroso incendio que, en agosto de 1988, destruyó parte del barrio de Chiado, en el centro de Lisboa.
Fonte:El País
Num disco de vinil, em Paris, 1984
Era de um "long-play" que minha vizinha de quarto fazia "tocar" numa pequena vitrola estereofônica, repetidas vezes ao dia, que ouvíamos o Léo Ferré cantar "Avec le Temps" para, em seguida, declamar versos de Prévert:
Cet Amour
Jacques Prévert
Cet amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au millieu de la nuit
Cet amour qu faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blêmir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l’avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C’est le tien
C’est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelle
Et qui n’a pas changé
Aussi vrai qu’une plante
Aussi tremblante qu’un oiseau
Aussi chaude aussi vivant que l’été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort,
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marble
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi je l’écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s’aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Lá où tu es
Lá où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t’en va pas
Nous qui sommes aimés
Nous t’avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n’avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n’importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d’un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.
Rapelle-toi Barbara
Jacques Prévert
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sue Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne te connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abimé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien.
Cet Amour
Jacques Prévert
Cet amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au millieu de la nuit
Cet amour qu faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blêmir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l’avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C’est le tien
C’est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelle
Et qui n’a pas changé
Aussi vrai qu’une plante
Aussi tremblante qu’un oiseau
Aussi chaude aussi vivant que l’été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort,
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marble
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi je l’écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s’aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Lá où tu es
Lá où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t’en va pas
Nous qui sommes aimés
Nous t’avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n’avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n’importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d’un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.
Rapelle-toi Barbara
Jacques Prévert
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sue Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne te connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abimé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien.
Ética para Amador, Beatriz, Cristiana e Isabella.
Ética para a Beatriz
Por Caetano Waldrigues Galindo
Beatriz,
amanhã eu completo 33 anos.
Não é muito. Embora possa ser, se não tiver muito mais. Quem sabe?
Eu estou escrevendo pra te dizer que esta semana, pela primeira vez nesses 33 anos, eu me senti pronto a te escrever o que agora eu começo.
Eu te explico.
Isso de ética sempre foi uma coisa que me preocupou. Desde a minha adolescência eu o teu tio temos tido conversas ocasionais sobre ética.
Essa palavra, ética, pode querer dizer muitas coisas. Você pode olhar no dicionário. Eu estou usando ela aqui para representar o seguinte: o conjunto de coisas que a gente tem de levar em conta para levar os outros em conta.
Existe uma outra palavra, solipsismo, que representa uma coisa bem perigosa, mas bem tentadora: a idéia de que tudo surge de mim, de que tudo converge, volta, se destina a mim. Eu sou o centro do universo. Todo mundo é um pouco solipsista de vez em quando.
Quando você se dá conta de que vive entre outras pessoas e que essas outras pessoas (todas) são tão importantes quanto você, você precisa determinar, decidir uma ética. Quando você percebe que tudo que você faz ou deixa de fazer atinge alguém.
Quais são as tuas regras pessoais para tratar com o resto do mundo, para ser “boa” com os outros. Para ficar em paz, sem se torturar por não ser uma pessoa boa.
Pode até ser egoísta então, está vendo?: ser bom para não se sentir mal. E não para não ser mau.
Mas na medida do possível eu acho que é isso mesmo: como, na medida do possível, tentar ser uma pessoa boa.
Tem muita gente que encontra essa “receita” de comportamento em uma religião. Ali está tudo que você precisa saber sobre como agir com o mundo e no mundo. Eu, você sabe, não tenho mais uma religião. Não tenho hoje uma religião. E aí as coisas ficam mais difíceis, porque ninguém te dá uma folha com as regrinhas impressas.. você tem que decidir as coisas sozinho.
Os romanos antigos diziam que a gente saía da adulescentia aos trinta anos.
Virava adulto.
Eu não sei. Mas só hoje, aos quase 33, eu tenho coragem de pensar que posso escrever um esboço de uma ética pessoal.
Ela deve mudar muito à medida que eu continuar vivendo.
Mas eu queria escrever ela aqui, pra você. Pra você poder ler, discordar, achar bom, achar ruim. Saber quem o teu pai era, achava que era, queria ser ou achava que queria ser quando você tinha oito anos de idade.
Você sabe que eu gosto de ler. Mas eu vou fazer o possível para não transformar isso aqui em uma colcha de retalhos de citações de escritores. Vou tentar manter em três. E uma só em espírito.
Essa, a primeira, é de uma peça de teatro chamada Hamlet. Porque nela tem uma cena em que um pai tão desajeitado quanto eu, chamado Polônio, dá vários conselhos para a vida futura do seu filho, Laertes.
Essa minha carta tem a falta de jeito e a boa intenção do Polônio. Leia lá. Um dia. Mais velha.
(Essa peça é a que me inspirou quando eu te inventei a estória dos três porquinhos da Dinamarca, lembra?)
Outra, a segunda, é de um escritor latino chamado Publius Terentius Afer. Ou Terêncio. Um cara que morreu há mais de dois mil e cem anos.. (Acho que você vai gostar de saber que aquele afer do nome dele é porque ele era africano, como a tua avó.)
Ela diz assim:
1. Homo sum humani nihil a me alienum puto
Homo pros latinos não queria dizer homem como contrário de mulher. Esse era o vir. Queria dizer humano. Então fica assim: sou humano, e nada que seja humano eu considero estranho a mim.
Talvez essa seja a coisa mais importante que eu já li, Biba. A mais humilde.
Maior que “não julgarás”. Maior que “respeite o próximo”. Porque vem antes disso tudo.
Saber que tudo que alguém, humano, faz, pensa ou sente, está de alguma maneira presente pelo menos como possibilidade em você também. Mesmo as mais absurdas maldades, mesquinharias, tristezas e sofrimentos. Tudo faz parte de você. Você poderia ser culpada de todos os crimes e seria capaz de todos os heroísmos, meramente porque você é gente.
E isso te faz pegar mais leve com os outros.
Antes de chamar alguém de mesquinho, ou pensar mal de uma atitude, ou rir de uma burrice, você lembra que você podia e pode ser igual.
Que somos todos humanos, demasiadamente humanos. (Essa é outra citação, veio sem querer, não conta.)
Aceite os outros.
Ouça os outros. Mesmo que às vezes você não queira ouvir o que eles estão dizendo. Assim que a gente abre a boca a gente começa a falar coisas sobre nós mesmos de que a gente nem desconfia. Quem somos, de onde viemos, o que desejamos.
Mesmo que estajamos discursando sobre as estrelas.
2. Mais uma citação. Não vou conseguir.
O mundo é o que é o caso.
Odeie a frase: “isso não existe”. Existe.
Resista à idéia: “isso é impossível”. Basta conhecer mais as pessoas e os mundos.
Ria do comentário: “isso é inverossímil”. A realidade não conhece as precauções da arte.
3. Desconfie de quem fala sorrindo.
Quem acredita que leva a luz aos gentios quer te convencer, te cooptar (olhe essa no dicionário). Quem acredita que detém o segredo da tua salvação não te conhece. E as verdades não costumam ser sorridentes, se é que elas existem.
Desconfie de quem sistematicamente desconfia de lugares-comuns. Eles têm sempre uma razão de ser.
4. Desconfie de quem perora.
De quem fala como se soubesse qual é a verdade.
E preste especial atenção nos que dizem coisas como “não existe verdade”. Afinal, ele está pronunciando uma. Tem muita gente que se disfarça de cético, de duvidador, mas é mais radical em acreditar nas suas idéias que muito religioso por aí.
5. Desconfie de quem não consegue rir de si próprio.
Mas, muito especialmente, desconfie de quem não consegue rir dos outros. Porque isso quer dizer aquilo. Se eu assumo que podem rir de mim, posso eu também rir dos outros. E rir é bom pacas.
6. Procure ocupar pouco espaço.
Se for dar meia-volta, se for abrir os braços, se for trocar de pista (quando for dirigir), olhe em volta. Tente não se pôr no caminho dos outros.
Mas, acima de tudo, nunca pense (e isso vale para todas as coisas que eu escrever aqui) que os outros têm obrigação de fazer a mesma coisa. Nunca reclame porque os outros deixaram de olhar para trás quando deram meia-volta e trombaram com você. Isto aqui não é uma religião. É estritamente pessoal.
Tente não fazer barulho na vida dos outros. Mas não pense que os outros vão tentar ficar quietos na tua. E não ache que eles deveriam.
Eles devem fazer o que eles acham que devem. Discorde. Critique (unicamente se perguntarem). Mas não reclame.
Cuide de você.
7. Tente querer.
Quem não quer não faz. Quem se contenta em fazer o mínimo nem o mínimo faz direito. Aquilo que algumas pessoas chamam de pretensão pode muito bem ser vontade de poder. Querer mais. Querer além. Ter vontade. Arriscar.
Não tenha medo de passar o ridículo de ser considerada errada.
Não tenha medo de estar realmente errada.
Não tenha medo de se reconhecer errada.
Mas, acima de tudo, não tenha medo de se acreditar certa contra toda e qualquer evidência. Mesmo que depois você tenha de se desmentir. É preciso um pouco do que os gregos chamavam de húbris.
Peito.
Coragem desafiadora.
Às vezes a gente dá com os burros n’água.
Mas às vezes não.
Mas Às vezes não.
8. Cuide de quem te ama. Ame quem te cuida.
9. Lembre que as pessoas muito raramente falam para dizer o que estão dizendo.
Elas falam para agir sobre você e fazer você agir em resposta. Se alguém diz “estou com fome”, informação é a última coisa que ele pretende. O objetivo é fazer você tomar uma providência.
Lembre.
Lembre.
Lembre que o principal objetivo por trás de quase tudo que dizemos e fazemos (todo dia, dia a dia) é tentar fazer com que os outros gostem de nós. Mais ainda. Tentar acreditar que conseguimos nos tornar pessoas mais amadas.
Você.
E os outros.
As pessoas são carentes, exatamente como você.
As pessoas são crianças, exatamente como você.
Lembre, e essa era a terceira, que o resumo da vida que o Finnegans Wake, que é um livro impossível, apresenta para quem lê é o resumo de uma vida boa.
They lived and laughed und loved end left.
Tente entender essa frase.
10. Cuide das moedinhas.
Reduza. Tente não fazer todas as coisas acabarem em discussões sobre os tempos os modos e os mundos. Elas realmente acabam lá. Mas isso pode te levar à inação.
Cuide do pequeno. Dos teus. Das tuas coisas.
Faça a tua parte.
E faça direito.
Melancolia é lindo mas geralmente não gera.
Angústia é feio, mas às vezes produz.
Se ficar triste, não cultive. Não sente no escuro ouvindo música deprimente e reclamando do mundo.
Os psicólogos já mediram, já provaram que fazer uma cara boa muda a química da nossa cabeça e deixa a gente mais feliz.
11. Pense.
Um beijo bem grande, estrelinha.
Feliz aniversário para mim.
Papai
Fonte:Literatura e Arte Cronópios
Por Caetano Waldrigues Galindo
Beatriz,
amanhã eu completo 33 anos.
Não é muito. Embora possa ser, se não tiver muito mais. Quem sabe?
Eu estou escrevendo pra te dizer que esta semana, pela primeira vez nesses 33 anos, eu me senti pronto a te escrever o que agora eu começo.
Eu te explico.
Isso de ética sempre foi uma coisa que me preocupou. Desde a minha adolescência eu o teu tio temos tido conversas ocasionais sobre ética.
Essa palavra, ética, pode querer dizer muitas coisas. Você pode olhar no dicionário. Eu estou usando ela aqui para representar o seguinte: o conjunto de coisas que a gente tem de levar em conta para levar os outros em conta.
Existe uma outra palavra, solipsismo, que representa uma coisa bem perigosa, mas bem tentadora: a idéia de que tudo surge de mim, de que tudo converge, volta, se destina a mim. Eu sou o centro do universo. Todo mundo é um pouco solipsista de vez em quando.
Quando você se dá conta de que vive entre outras pessoas e que essas outras pessoas (todas) são tão importantes quanto você, você precisa determinar, decidir uma ética. Quando você percebe que tudo que você faz ou deixa de fazer atinge alguém.
Quais são as tuas regras pessoais para tratar com o resto do mundo, para ser “boa” com os outros. Para ficar em paz, sem se torturar por não ser uma pessoa boa.
Pode até ser egoísta então, está vendo?: ser bom para não se sentir mal. E não para não ser mau.
Mas na medida do possível eu acho que é isso mesmo: como, na medida do possível, tentar ser uma pessoa boa.
Tem muita gente que encontra essa “receita” de comportamento em uma religião. Ali está tudo que você precisa saber sobre como agir com o mundo e no mundo. Eu, você sabe, não tenho mais uma religião. Não tenho hoje uma religião. E aí as coisas ficam mais difíceis, porque ninguém te dá uma folha com as regrinhas impressas.. você tem que decidir as coisas sozinho.
Os romanos antigos diziam que a gente saía da adulescentia aos trinta anos.
Virava adulto.
Eu não sei. Mas só hoje, aos quase 33, eu tenho coragem de pensar que posso escrever um esboço de uma ética pessoal.
Ela deve mudar muito à medida que eu continuar vivendo.
Mas eu queria escrever ela aqui, pra você. Pra você poder ler, discordar, achar bom, achar ruim. Saber quem o teu pai era, achava que era, queria ser ou achava que queria ser quando você tinha oito anos de idade.
Você sabe que eu gosto de ler. Mas eu vou fazer o possível para não transformar isso aqui em uma colcha de retalhos de citações de escritores. Vou tentar manter em três. E uma só em espírito.
Essa, a primeira, é de uma peça de teatro chamada Hamlet. Porque nela tem uma cena em que um pai tão desajeitado quanto eu, chamado Polônio, dá vários conselhos para a vida futura do seu filho, Laertes.
Essa minha carta tem a falta de jeito e a boa intenção do Polônio. Leia lá. Um dia. Mais velha.
(Essa peça é a que me inspirou quando eu te inventei a estória dos três porquinhos da Dinamarca, lembra?)
Outra, a segunda, é de um escritor latino chamado Publius Terentius Afer. Ou Terêncio. Um cara que morreu há mais de dois mil e cem anos.. (Acho que você vai gostar de saber que aquele afer do nome dele é porque ele era africano, como a tua avó.)
Ela diz assim:
1. Homo sum humani nihil a me alienum puto
Homo pros latinos não queria dizer homem como contrário de mulher. Esse era o vir. Queria dizer humano. Então fica assim: sou humano, e nada que seja humano eu considero estranho a mim.
Talvez essa seja a coisa mais importante que eu já li, Biba. A mais humilde.
Maior que “não julgarás”. Maior que “respeite o próximo”. Porque vem antes disso tudo.
Saber que tudo que alguém, humano, faz, pensa ou sente, está de alguma maneira presente pelo menos como possibilidade em você também. Mesmo as mais absurdas maldades, mesquinharias, tristezas e sofrimentos. Tudo faz parte de você. Você poderia ser culpada de todos os crimes e seria capaz de todos os heroísmos, meramente porque você é gente.
E isso te faz pegar mais leve com os outros.
Antes de chamar alguém de mesquinho, ou pensar mal de uma atitude, ou rir de uma burrice, você lembra que você podia e pode ser igual.
Que somos todos humanos, demasiadamente humanos. (Essa é outra citação, veio sem querer, não conta.)
Aceite os outros.
Ouça os outros. Mesmo que às vezes você não queira ouvir o que eles estão dizendo. Assim que a gente abre a boca a gente começa a falar coisas sobre nós mesmos de que a gente nem desconfia. Quem somos, de onde viemos, o que desejamos.
Mesmo que estajamos discursando sobre as estrelas.
2. Mais uma citação. Não vou conseguir.
O mundo é o que é o caso.
Odeie a frase: “isso não existe”. Existe.
Resista à idéia: “isso é impossível”. Basta conhecer mais as pessoas e os mundos.
Ria do comentário: “isso é inverossímil”. A realidade não conhece as precauções da arte.
3. Desconfie de quem fala sorrindo.
Quem acredita que leva a luz aos gentios quer te convencer, te cooptar (olhe essa no dicionário). Quem acredita que detém o segredo da tua salvação não te conhece. E as verdades não costumam ser sorridentes, se é que elas existem.
Desconfie de quem sistematicamente desconfia de lugares-comuns. Eles têm sempre uma razão de ser.
4. Desconfie de quem perora.
De quem fala como se soubesse qual é a verdade.
E preste especial atenção nos que dizem coisas como “não existe verdade”. Afinal, ele está pronunciando uma. Tem muita gente que se disfarça de cético, de duvidador, mas é mais radical em acreditar nas suas idéias que muito religioso por aí.
5. Desconfie de quem não consegue rir de si próprio.
Mas, muito especialmente, desconfie de quem não consegue rir dos outros. Porque isso quer dizer aquilo. Se eu assumo que podem rir de mim, posso eu também rir dos outros. E rir é bom pacas.
6. Procure ocupar pouco espaço.
Se for dar meia-volta, se for abrir os braços, se for trocar de pista (quando for dirigir), olhe em volta. Tente não se pôr no caminho dos outros.
Mas, acima de tudo, nunca pense (e isso vale para todas as coisas que eu escrever aqui) que os outros têm obrigação de fazer a mesma coisa. Nunca reclame porque os outros deixaram de olhar para trás quando deram meia-volta e trombaram com você. Isto aqui não é uma religião. É estritamente pessoal.
Tente não fazer barulho na vida dos outros. Mas não pense que os outros vão tentar ficar quietos na tua. E não ache que eles deveriam.
Eles devem fazer o que eles acham que devem. Discorde. Critique (unicamente se perguntarem). Mas não reclame.
Cuide de você.
7. Tente querer.
Quem não quer não faz. Quem se contenta em fazer o mínimo nem o mínimo faz direito. Aquilo que algumas pessoas chamam de pretensão pode muito bem ser vontade de poder. Querer mais. Querer além. Ter vontade. Arriscar.
Não tenha medo de passar o ridículo de ser considerada errada.
Não tenha medo de estar realmente errada.
Não tenha medo de se reconhecer errada.
Mas, acima de tudo, não tenha medo de se acreditar certa contra toda e qualquer evidência. Mesmo que depois você tenha de se desmentir. É preciso um pouco do que os gregos chamavam de húbris.
Peito.
Coragem desafiadora.
Às vezes a gente dá com os burros n’água.
Mas às vezes não.
Mas Às vezes não.
8. Cuide de quem te ama. Ame quem te cuida.
9. Lembre que as pessoas muito raramente falam para dizer o que estão dizendo.
Elas falam para agir sobre você e fazer você agir em resposta. Se alguém diz “estou com fome”, informação é a última coisa que ele pretende. O objetivo é fazer você tomar uma providência.
Lembre.
Lembre.
Lembre que o principal objetivo por trás de quase tudo que dizemos e fazemos (todo dia, dia a dia) é tentar fazer com que os outros gostem de nós. Mais ainda. Tentar acreditar que conseguimos nos tornar pessoas mais amadas.
Você.
E os outros.
As pessoas são carentes, exatamente como você.
As pessoas são crianças, exatamente como você.
Lembre, e essa era a terceira, que o resumo da vida que o Finnegans Wake, que é um livro impossível, apresenta para quem lê é o resumo de uma vida boa.
They lived and laughed und loved end left.
Tente entender essa frase.
10. Cuide das moedinhas.
Reduza. Tente não fazer todas as coisas acabarem em discussões sobre os tempos os modos e os mundos. Elas realmente acabam lá. Mas isso pode te levar à inação.
Cuide do pequeno. Dos teus. Das tuas coisas.
Faça a tua parte.
E faça direito.
Melancolia é lindo mas geralmente não gera.
Angústia é feio, mas às vezes produz.
Se ficar triste, não cultive. Não sente no escuro ouvindo música deprimente e reclamando do mundo.
Os psicólogos já mediram, já provaram que fazer uma cara boa muda a química da nossa cabeça e deixa a gente mais feliz.
11. Pense.
Um beijo bem grande, estrelinha.
Feliz aniversário para mim.
Papai
Fonte:Literatura e Arte Cronópios
Ahora sí hablamos de Borges.
A Argentina em Borges
Antonio Gonçalves Filho
Os críticos, de forma geral, quase sempre ignoraram que a questão da literatura argentina é central na obra de Jorge Luis Borges, mas não a ensaísta Beatriz Sarlo, uma das vozes mais lúcidas de seu país. Segundo a professora de Literatura, que lança no Brasil seu livro Jorge Luis Borges: Um Escritor na Periferia (Editora Iluminuras, tradução de Samuel Titan Jr., 160 págs., R$ 35), não existe escritor mais argentino que Borges. Cosmopolita e universal, sua obra, segundo Beatriz Sarlo, é perturbada pela tensão entre a mistura e a nostalgia por uma literatura européia que ele não poderia viver integralmente. Como ler Borges sem remetê-lo a Martín Fierro, a Sarmiento ou a Lugones?, pergunta Beatriz Sarlo, que concedeu ao Estado a entrevista abaixo e faz amanhã, às 19h30, uma palestra no encontro Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem, em Porto Alegre.
Mais forte que a literatura argentina, Borges quase perdeu a nacionalidade. Não ocorreria a nenhum crítico dissociar Balzac e Baudelaire da literatura francesa. Borges, ao contrário, navegou, segundo Beatriz Sarlo, na corrente universalista da ''literatura ocidental''. Qualquer citação biográfica de Borges passa necessariamente pelo fascínio por Chesterton ou Kipling ou pela influência da literatura de Kafka, mas quase nunca por nomes como os de José Hernández, Evaristo Carriego, Macedonio Fernández ou Sarmiento, como se Borges tivesse ignorado sua dívida com a tradição literária argentina. O livro da professora argentina lembra que Borges não apenas escreveu ensaios sobre o Martín Fierro, obra maior da literatura argentina, como foi obcecado pelo poema de José Hernández. E, sobretudo, foi um autor que construiu sua originalidade por via da citação, da cópia.
Borges considerava infundada a opinião de que os escritores argentinos estavam desconectados do passado, ou seja, que houvesse uma ruptura entre eles e a Europa, porque, justamente por ser um país novo, haveria um grande sentido de tempo na Argentina. Por que a crítica insiste em tratar Borges como um escritor que nada deve à tradição literária argentina?
Não é essa a posição da crítica nas últimas décadas. Ricardo Piglia, anteriormente, sublinhou a conexão borgiana com a tradição nacional, num ensaio publicado na revista Punto de Vista. Por essa época também escrevi um artigo cujo título era Borges no Sul, um Episódio do Formalismo Criollo, acentuando a localização argentina de alguns temas de teoria literária suscitados por textos de Borges e publicados nos primeiros anos da revista que dirigia com Victoria Ocampo. Mas, mesmo antes, a professora María Teresa Gramuglio tratou da questão na leitura do livro de Borges sobre Evaristo Carriego, poeta menor que o primeiro usa quase como pretexto para expor uma teoria do bairro de Palermo. De modo que o Borges ocupado com labirintos e espelhos, ou seja, o Borges da primeira leitura crítica e das leituras européias, desde o fim dos anos 1970, adquire um novo rosto, como leitor e reescritor de alguns textos fundamentais da tradição argentina.
A senhora define Borges como escritor da periferia, um cosmopolita à margem, mas, nos capítulos finais de seu livro, apresenta o lado político-filosófico do escritor em termos universais. Há algum projeto de desenvolver esse aspecto particular num próximo livro sobre ele?
Creio, com efeito, que meu propósito de reinscrever criticamente Borges na literatura argentina, como matriz formal e ideológica dessa mesma literatura, como o escritor que inventa ou descobre a centralidade do marginal, só quase no final do livro que está sendo lançado no Brasil considera as figurações borgianas com respeito à ordem, em especial no capítulo sobre O Informe de Brodie. Nesse momento, já acertadas as contas com o Borges fundador das margens ''criollas'' de Buenos Aires, parece-me que poderia voltar a contos como O Imortal para ver de que modo outras imagens da cidade, mais abstratas e universais, podem ser representadas na literatura. Precisamente é esse o conto que estou relendo neste momento, ao lado de Abenjacán, el Bojari Muerto en Su Laberinto.
Um dos temas mais interessantes de seu livro é a construção da originalidade de Borges, paradoxalmente por meio da cópia, da reescrita de textos alheios. Essa seria uma insinuação de que a veracidade literária representaria uma ficção para Borges, considerando seu pouco apreço pela literatura realista?
A idéia de veracidade é, em si mesma, uma idéia a que estamos acostumados a encontrar nas poéticas realistas, vale dizer, nos textos que se propõem uma representação cujas origens seriam exteriores à literatura: ou seja, uma representação heterônoma. Borges, ao contrário, está profundamente convencido da autonomia do literário, de sua independência a respeito dos referentes sociais diretos. O literário, em Borges, entra em relação com o social por meio da própria literatura, numa cadeia que vai de texto a texto. A dimensão social da literatura não provém de sua relação direta com uma exterioridade social, mas de uma trama social de discursos, geralmente literários, mas não apenas literários. Ou seja, para ele, a relação é sempre entre discursos, ficções. A verdade dessas ficções não responde nem a uma lógica da verossimilhança realista nem à lógica da acumulação de referências ''verdadeiras'', mas a uma lógica mais abstrata, por um lado de grandes categorias e, por outro lado, de argumentos cuja estrutura seja perfeita e fechada. Nesse sentido, a literatura fantástica de Borges é sempre racionalista, diferentemente, por exemplo, da literatura de Cortázar.
A representação de Buenos Aires por Borges, a partir de sua invenção da periferia, é um aspecto pouco analisado pela crítica internacional. Por que a descrição de Borges tende a retratar Buenos Aires com ares do passado, uma cidade impermeável à modernidade, ao contrário da Buenos Aires de Arlt?Borges pretendia fazer uma nova leitura da tradição ou simplesmente tinha nostalgia do século 19?
Borges lembra da cidade de sua infância e, quando volta a Buenos Aires no começo dos anos 1920, frente a uma cidade real em processo de modernização, coloca em seu lugar uma cidade lembrada e imaginária sem vestígios dessa modernidade. Sabe, contudo, que essa cidade está desaparecendo e que, portanto, há que buscá-la nas figuras do bairro e da periferia urbana. Como muitos modernos, Borges não tem vocação futurista, diferentemente de Roberto Arlt. A tecnologia, que para Arlt define a época, não desperta o menor interesse em Borges. Ele, ao contrário de Bioy Casares em A Invenção de Morel, jamais escreveu algo que pudesse evocar as tramas da ficção científica. São sensibilidades diferentes. É mais provável que um escritor da elite tivesse uma perspectiva nostálgica; e que um escritor filho de imigrantes como Arlt seguramente pudesse se ligar melhor ao radicalmente novo. É admissível essa hipótese sociológica, mas, de todas as maneiras, não explicaria o gosto de Borges por ficções cujo motor narrativo fossem as invenções técnicas.
Fonte:O Estado de Sao Paulo
Antonio Gonçalves Filho
Os críticos, de forma geral, quase sempre ignoraram que a questão da literatura argentina é central na obra de Jorge Luis Borges, mas não a ensaísta Beatriz Sarlo, uma das vozes mais lúcidas de seu país. Segundo a professora de Literatura, que lança no Brasil seu livro Jorge Luis Borges: Um Escritor na Periferia (Editora Iluminuras, tradução de Samuel Titan Jr., 160 págs., R$ 35), não existe escritor mais argentino que Borges. Cosmopolita e universal, sua obra, segundo Beatriz Sarlo, é perturbada pela tensão entre a mistura e a nostalgia por uma literatura européia que ele não poderia viver integralmente. Como ler Borges sem remetê-lo a Martín Fierro, a Sarmiento ou a Lugones?, pergunta Beatriz Sarlo, que concedeu ao Estado a entrevista abaixo e faz amanhã, às 19h30, uma palestra no encontro Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem, em Porto Alegre.
Mais forte que a literatura argentina, Borges quase perdeu a nacionalidade. Não ocorreria a nenhum crítico dissociar Balzac e Baudelaire da literatura francesa. Borges, ao contrário, navegou, segundo Beatriz Sarlo, na corrente universalista da ''literatura ocidental''. Qualquer citação biográfica de Borges passa necessariamente pelo fascínio por Chesterton ou Kipling ou pela influência da literatura de Kafka, mas quase nunca por nomes como os de José Hernández, Evaristo Carriego, Macedonio Fernández ou Sarmiento, como se Borges tivesse ignorado sua dívida com a tradição literária argentina. O livro da professora argentina lembra que Borges não apenas escreveu ensaios sobre o Martín Fierro, obra maior da literatura argentina, como foi obcecado pelo poema de José Hernández. E, sobretudo, foi um autor que construiu sua originalidade por via da citação, da cópia.
Borges considerava infundada a opinião de que os escritores argentinos estavam desconectados do passado, ou seja, que houvesse uma ruptura entre eles e a Europa, porque, justamente por ser um país novo, haveria um grande sentido de tempo na Argentina. Por que a crítica insiste em tratar Borges como um escritor que nada deve à tradição literária argentina?
Não é essa a posição da crítica nas últimas décadas. Ricardo Piglia, anteriormente, sublinhou a conexão borgiana com a tradição nacional, num ensaio publicado na revista Punto de Vista. Por essa época também escrevi um artigo cujo título era Borges no Sul, um Episódio do Formalismo Criollo, acentuando a localização argentina de alguns temas de teoria literária suscitados por textos de Borges e publicados nos primeiros anos da revista que dirigia com Victoria Ocampo. Mas, mesmo antes, a professora María Teresa Gramuglio tratou da questão na leitura do livro de Borges sobre Evaristo Carriego, poeta menor que o primeiro usa quase como pretexto para expor uma teoria do bairro de Palermo. De modo que o Borges ocupado com labirintos e espelhos, ou seja, o Borges da primeira leitura crítica e das leituras européias, desde o fim dos anos 1970, adquire um novo rosto, como leitor e reescritor de alguns textos fundamentais da tradição argentina.
A senhora define Borges como escritor da periferia, um cosmopolita à margem, mas, nos capítulos finais de seu livro, apresenta o lado político-filosófico do escritor em termos universais. Há algum projeto de desenvolver esse aspecto particular num próximo livro sobre ele?
Creio, com efeito, que meu propósito de reinscrever criticamente Borges na literatura argentina, como matriz formal e ideológica dessa mesma literatura, como o escritor que inventa ou descobre a centralidade do marginal, só quase no final do livro que está sendo lançado no Brasil considera as figurações borgianas com respeito à ordem, em especial no capítulo sobre O Informe de Brodie. Nesse momento, já acertadas as contas com o Borges fundador das margens ''criollas'' de Buenos Aires, parece-me que poderia voltar a contos como O Imortal para ver de que modo outras imagens da cidade, mais abstratas e universais, podem ser representadas na literatura. Precisamente é esse o conto que estou relendo neste momento, ao lado de Abenjacán, el Bojari Muerto en Su Laberinto.
Um dos temas mais interessantes de seu livro é a construção da originalidade de Borges, paradoxalmente por meio da cópia, da reescrita de textos alheios. Essa seria uma insinuação de que a veracidade literária representaria uma ficção para Borges, considerando seu pouco apreço pela literatura realista?
A idéia de veracidade é, em si mesma, uma idéia a que estamos acostumados a encontrar nas poéticas realistas, vale dizer, nos textos que se propõem uma representação cujas origens seriam exteriores à literatura: ou seja, uma representação heterônoma. Borges, ao contrário, está profundamente convencido da autonomia do literário, de sua independência a respeito dos referentes sociais diretos. O literário, em Borges, entra em relação com o social por meio da própria literatura, numa cadeia que vai de texto a texto. A dimensão social da literatura não provém de sua relação direta com uma exterioridade social, mas de uma trama social de discursos, geralmente literários, mas não apenas literários. Ou seja, para ele, a relação é sempre entre discursos, ficções. A verdade dessas ficções não responde nem a uma lógica da verossimilhança realista nem à lógica da acumulação de referências ''verdadeiras'', mas a uma lógica mais abstrata, por um lado de grandes categorias e, por outro lado, de argumentos cuja estrutura seja perfeita e fechada. Nesse sentido, a literatura fantástica de Borges é sempre racionalista, diferentemente, por exemplo, da literatura de Cortázar.
A representação de Buenos Aires por Borges, a partir de sua invenção da periferia, é um aspecto pouco analisado pela crítica internacional. Por que a descrição de Borges tende a retratar Buenos Aires com ares do passado, uma cidade impermeável à modernidade, ao contrário da Buenos Aires de Arlt?Borges pretendia fazer uma nova leitura da tradição ou simplesmente tinha nostalgia do século 19?
Borges lembra da cidade de sua infância e, quando volta a Buenos Aires no começo dos anos 1920, frente a uma cidade real em processo de modernização, coloca em seu lugar uma cidade lembrada e imaginária sem vestígios dessa modernidade. Sabe, contudo, que essa cidade está desaparecendo e que, portanto, há que buscá-la nas figuras do bairro e da periferia urbana. Como muitos modernos, Borges não tem vocação futurista, diferentemente de Roberto Arlt. A tecnologia, que para Arlt define a época, não desperta o menor interesse em Borges. Ele, ao contrário de Bioy Casares em A Invenção de Morel, jamais escreveu algo que pudesse evocar as tramas da ficção científica. São sensibilidades diferentes. É mais provável que um escritor da elite tivesse uma perspectiva nostálgica; e que um escritor filho de imigrantes como Arlt seguramente pudesse se ligar melhor ao radicalmente novo. É admissível essa hipótese sociológica, mas, de todas as maneiras, não explicaria o gosto de Borges por ficções cujo motor narrativo fossem as invenções técnicas.
Fonte:O Estado de Sao Paulo
"la verdad de aquella mujer sin cabeza"

La virgen de los deseos
ÁNGELA MOLINA 05/07/2008
Los fanáticos duchampianos destacan siempre que al mejor amante de toda la historia del arte, a diferencia de Picasso, no le importaba perder en el amor, no así cuando se sentaba frente a un tablero de ajedrez. Duchamp necesitaba constante y perentoriamente esa cualidad: la alegría del deseo, fuente de inspiración de su última y más secreta obra, Étant donnés, hoy en exposición permanente en el Museo de Arte de Filadelfia. Para su montaje, Duchamp elaboró un minucioso manual ilustrado (Aproximación desmontable ejecutada entre 1946 y 1966 en Nueva York) que fue publicado por el museo en 1987. Tres años antes, con motivo de su retrospectiva en la Fundación Miró (comisariada por Gloria Moure), la obra fue recreada a partir de una puerta original traída especialmente de Cadaqués, auténtico "velo" de uno de los desnudos más agresivamente expuestos del siglo XX.
¿Podemos averiguar la verdad de aquella mujer sin cabeza, totalmente desnuda y tumbada sobre un lecho de ramas secas y hojarasca, que sostiene un mechero de gas con su brazo izquierdo? ¿Qué tenía en la cabeza el artista cuando la hizo? Maria Martins, esposa del embajador de Brasil en Estados Unidos, conocida como la anfitriona más atractiva de la colonia diplomática y a la sazón escultora y diseñadora de joyas, mantenía en 1946 un secreto romance con el artista. Tenía 43 años, 13 años menos que Duchamp, era sumamente inteligente, capaz de fascinar a Breton (que escribió el texto de un catálogo de una de sus exposiciones en Nueva York) y a Nelson Rockefeller (quien compró piezas suyas mientras era presidente del MOMA). Aquella mujer desafiante y excéntrica desempeñó un papel importante en la vuelta de Duchamp al arte, ya que fue el origen del mundo que rodeó una obra de envergadura -la primera desde el Gran vidrio- que lo iba a mantener ocupado de manera clandestina durante dos décadas.
Un pequeño dibujo a lápiz, fechado en 1947, suele considerarse el primer estudio para Étant donnés. En él aparece un desnudo de mujer, sin cabeza, de cuerpo esbelto y pechos generosos, con una pierna alzada y doblada hasta la rodilla. Su característica más llamativa es el vello púbico. Sobre la firma de Duchamp se ve el título escrito a lápiz: Étant donnés: Maria, la chute d'eau et le gaz d'eclairage. La existencia de este boceto se desconocía hasta 1975, cuando Pontus Hulten, el director del Moderna Museet de Estocolmo, lo pidió en préstamo a Nora Lobo, que lo había heredado de su madre en 1973 junto con un bajorrelieve de la misma figura en cuyo envés aparecía escrito: "Cette dame appartient à Maria Martins / avec toutes mes affections / Marcel Duchamp, (1948-9)".
A diferencia del Gran vidrio, el tema de Étant donnés era visible a la mirada, el reflejo de la sensualidad de una pareja de amantes. Hay cartas personales que sugieren que Duchamp pretendía que Maria abandonara a su marido. Pero ella siempre se resistió. Con los años y la distancia, la relación perdió intensidad. El artista se refugió en su estudio para seguir trabajando en secreto en su tableau vivant, al que en una ocasión, en una carta enviada a su amante, se había referido como N. D. (Notre Dame) des désirs.
E porque é domingo, "una huella moral y sentimental del siglo XX" com forte sotaque de anarquia
La memoria sentimental del siglo XX
El País -
Leo Ferre
El autor de canciones tan hermosas e intensas como Avec le temps musicó a Rimbaud y Baudelaire, dirigió obras de Ravel o Beethoven, deseó a los hombres no tener dios ni amo y cantó Franco, la muerte. Manuel Vázquez Montalbán escribió que fue uno de los cantautores que han contribuido a hacer de la canción popular la huella moral y sentimental del siglo XX. Verbo ácido y ojos bondadosos, la anarquía era una forma de vida y él la hacía rimar con amor. "No llegan al uno por ciento y sin embargo existen / la mayoría, españoles, vaya usted a saber por qué" (Les anarchistes). El viejo luchador se había refugiado desde los años setenta en las colinas de la Toscana, en las que hacía su vino y su aceite de oliva, hasta su muerte, en julio de 1993.-
AVEC LE TEMPS
Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller
Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien.
Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie
L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
Entre les mots, entre les lignes et sous le fard
D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
Avec le temps tout s'évanouit.
Avec le temps,
Avec le temps, va, tout s'en va
Mêm' les plus chouett's souv'nirs, ça t'as un' de ces gueules
A la Gal'ri j'farfouille dans les rayons d'la mort
Le sam'di soir quand la tendresse s'en va toute seule.
Avec le temps
Avec le temps, va, tou s'en va
L'autre à qui l'on croyait pour un rhume pour un rien
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
Pour qui l'on eu vendu son âme pour quelques sous
Devant quoi l'on s'trainaît comme trainent les chiens
Avec le temps, va, tout va bien.
Avec le temps,
Avec le temps, va, tout s'en ve
On oublie les passions et l'on oublie les voix
Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
Ne rentre pas trop tard surtout ne prend pas froid.
Avec le temps
Avec le temps, va, tout s'en va
Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard
Et l'on se sent tout seul peut=être mais peinard
Et l'on se sent floué par les années perdues
Alors vraiment
Avec le temps on aime plus.
LEO FERRE
"O Museu é como um livro aberto"

Vandelli ganha exposição histórica no Rio
Criador das "viagens filosóficas" ao Brasil, naturalista é lembrado no aniversário de 200 anos do Jardim Botânico
Próximo de dom João, intelectual influenciou a corte a fugir para os trópicos e criou os primeiros museus lusitanos de história natural.
CAIO JOBIM
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO
Nas comemorações de seus 200 anos, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro abriu sexta-feira para visitantes o Museu do Meio Ambiente com a exposição "O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli", em homenagem ao criador dos primeiros jardins botânicos e museus de história natural em Portugal. Foi ele o idealizador, no final do século 18, das "viagens filosóficas" ao Brasil.
Vandelli (1735-1816), naturalista italiano que havia trocado Pádua por Lisboa a convite do marquês de Pombal, foi o idealizador das expedições científicas patrocinadas pela coroa portuguesa que vinham à colônia para pesquisar, relatar e catalogar a natureza brasileira.
Mesmo que nunca tenha vindo ao Brasil, sua influência não se limitou à ciência. Vandelli era muito próximo do príncipe regente dom João e foi um dos conselheiros da Corte que o orientou a partir para o Rio de Janeiro antes que Napoleão invadisse Lisboa. O primeiro Jardim Botânico de Portugal foi inaugurado em 1768, com projeto do próprio Vandelli.
Imediatamente após a chegada da família real, dom João, para quem o jardim da Ajuda havia sido criado, fundou o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde agora foi inaugurado o Museu do Meio Ambiente.
"A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) financiou uma pesquisa em que foram digitalizados o acervo de Vandelli, que estava espalhado no Brasil, em Portugal e na França. Esse material virou uma caixa que reúne 8 livros e 16 cartazes (leia em texto à direita) e agora, por ocasião da abertura do Museu do Meio Ambiente, montamos esta exposição", afirma Anna Paula Martins, a curadora da mostra.
Precursores dos museus, os gabinetes de curiosidades eram lugares em que os colecionadores dos séculos 17 e 18 reuniam elementos diversos encontrados na natureza, mas sem qualquer tipo de catalogação. A exposição se propõe a reconstituir parte do espaço dos antigos gabinetes para oferecer aos visitantes a perspectiva da história natural e do ambiente brasileiro por meio dos registros de Vandelli e seus discípulos.
Em uma das salas se lê: "Museu é como um livro aberto". "Como essa exposição partiu de um trabalho de pesquisa, a idéia é que as palavras-chave saiam dos livros e ganhem as paredes, que as ilustrações ampliadas ganhem outra dimensão", diz Martins.
Aos manuscritos originais e às reproduções são contrapostas projeções em vídeo de sementes e mudas do dragoeiro -uma planta originária das Canárias que foi dissecada por Vandelli em seus estudos. O catálogo é organizado em fichas que podem ser manuseadas pelos visitantes. Em todos os ambientes se ouve uma trilha sonora permanente criada a partir de sons do Jardim Botânico.
Na mostra, uma obra do artista plástico Luiz Zerbini propõe uma reflexão da representação da natureza pela arte. "É significativo que o Vandelli nunca tenha vindo ao Brasil. Ele imaginou o país pela representação, que é a matéria-prima de um artista", diz Martins.
De um lado, uma parede verde composta por plantas vivas. Do outro, um quadro cuja textura resulta em um espelho de baixa definição, "como se fosse "pixelizado" e fora de foco, que reflete ao mesmo tempo a natureza e o homem" explica Zerbini. "Antigamente, não existia essa divisão entre cientistas e artistas", diz.
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