viernes, 14 de agosto de 2009

Coleçao H Stern na Elle


A beleza das joias H Stern na revista Elle americana,via Portal Onne.

Era uma velha amizade que nos surpreendia no início do caminho.."

Da Revista Serrote copio esta Carta Aberta do Mário de Andrade endereçada ao Otto Maria Carpeaux

Na noite de 10 de setembro de 1944, em Belo Horizonte, um grupo de jovens escritores locais escoltou Mário de Andrade ao recéminaugurado Cassino da Pampulha. O autor de Macunaíma fora a Minas dar andamento aos preparativos do i Congresso Brasileiro de Escritores, que aconteceria dali a poucos meses. Entre seus acompanhantes estava Otto Lara Resende, então com 22 anos. Na “noite dramática”, Otto homenageou o mestre paulista com um poema que redigiu à mão. Catorze dias depois, Mário escrevia-lhe uma longa carta, que trazia uma versão datilografada do poema. Encontrando este material no acervo do Instituto Moreia Salles, serrote reproduz a seguir o poema esquecido e a carta inédita, na qual o próprio Mário se espanta com a estima sincera que se criara entre os dois: “Era a velha amizade que nos surpreendia no início do caminho”.

carta abertaDe Mário para Otto


São Paulo, 24.09.44Otto,
Faz uma semana que cheguei d’aí e talvez já seja tempo de principiar escrevendo a vocês. Fiz questão de não escrever antes, não só voluntária, mas voluntariosamente, na espera que a quotidianidade do trabalho depurasse a lembrança, e tempo e distância abrandassem o sentimento. Não por mim, que bem pouco estou me incomodando com resguardar do mundo o espetáculo dos meus arroubos, mas por causa de vocês, que merecem mais respeito. E justiça. Ainda nestas palavras sou verdadeiro, coerente comigo, pois escrevi desde sempre e em público que só temia e respeitava os mais novos. Não são palavras pra agradar. Mas, francamente: daqui em diante, eu, por mais que me esforce por ser clarividente a respeito de vocês, ser "inteligente" e fazer justiça, eu temo ver errado – errado não, mas demais – de tal forma o coração se derrama pelos meus pensamentos. Eu sei e proclamo: Viva o amor! que será sempre o mais clarividente dos juízos. Não é o bem-querer que eu temo, porém os seus desvios, a condescendência, e em principal a boba esperança.

Lhe escrevo. Por que lhe escrevo primeiro? "Eu sou trezentos", e não consigo saber firme qual dos trezentos me move. Não sei. Talvez eu esteja mais próximo do Hélio,1 mas talvez você esteja mais próximo de mim… (Não imaginei procurado, esta sutileza: saiu sem eu querer e não a entendo bem! Apenas sei que é verdadeira.) Talvez porque seja a carta mais fácil. O Hélio me preocupa demais… O Paulo é o que mais me inquieta... Você nem me inquieta, nem me preocupa exatamente. A modos que você me "ocupa"; a sua presença é menos insistente, mas é mais constante, me envolve com aquele silêncio quente das conivências. Nós já nos conhecemos desde o princípio do mundo.

Deve ser isto que me leva a escrever primeiro a você: aquele seu dramático poema daquela noite… noite dramática, estranhíssima, insolúvel e inqualificável (sem sentido pejorativo) no Cassino de Pampulha. Ah, Otto, pra que você foi perceber a minha tristeza lá dentro da minha... boa educação! Isso me fez um benefício doloroso, um mal admirável. Meu Deus! Nem é bem isso, eu não sei! A tristeza nem estava lá dentro, nem estava só em mim… Nem se disfarçava na boa educação de ninguém… Que noite estranha… Havia alegria também, havia principalmente prazer. Mas depois do desejo de estar ali que nos levou lá, no prazer de estar lá, é certo que quase todos nós, do nosso grupo, não queríamos estar ali. Estávamos angustiados. E será sempre impossível limitar toda a complexidade do motivo.

Mas é bem mais fácil, é claro, determinar o meu desejo. Eu desejava estar no bar, conversando com vocês. Aí sim, a minha tristeza podia se exercer no prazer e na alegria, sem falsificação. Na verdade, Otto, vocês formam um grupo extraordinário dentre os grupos de moços que conheço no Brasil. Falo exatamente do que me pareceu ser o grupo, você, o Hélio, o Paulo, o Fernando,não sei até que ponto do Figueiró, e com a presença perfeita, a antepresença do Emílio. Os outros são muito moços, sensivelmente “outra geração”, menos na idade que pelo deslumbramento em que ainda vivem no aprendizado da vida, o Sábato, o Frederico, Geraldo, Renato etc. E há também os outros, como um Alphonsus, por exemplo, que são, em relação ao grupo, distantes. E há o Murilo, pra enriquecer o grupo com um “caso”. O Murilo é o caso do grupo. O mais assentado do grupo, mas sem ter o “assentamento” mais firme de você; o mais grato da gente sentir, o mais cômodo, figura admirável de discrição, que disfarça o seu drama interior no drama mais acessível da sua dificuldade de criação, inteligentíssimo, perseguido pela própria inteligência. Não quero saber se vocês têm do nosso grupo esta mesma compreensão, mas imagino que será bom elemento prá conscientização, em vocês, do grupo que formam, esta compreensão de quem os vê com o mais perfeito dos carinhos e sem esperança. Sem nenhuma esperança.

Espera um pouco, Otto: “sem nenhuma esperança” quer dizer aqui que eu não prometo futuros “brilhantes”, isso não me interessa, sou infenso às profecias, e gosto do agora-já. E o que tem de extraordinário o grupo de vocês é o agora-já. Talvez alguns de vocês cheguem a pais de família. Talvez alguns sejam no futuro grandes escritores. Não interessa. Também vocês, além de promessas enormes que não me interessam, têm defeitos, têm perigos. Estes me interessam muito. Talvez demais. Mas não gosto de falar nessas coisas em voz alta coletiva. Prefiro falar em voz baixa, que se escuta mais. Irei dizendo de um por um, depois que ler e estudar o que trouxe comigo. Ainda nem peguei porque fiz questão de não pegar. Eu, por enquanto, compreendo por demais vocês em mim, e corria o risco de compreender demais os versos, ideias, tendências de vocês, em vocês. E isso é, seria um mal enorme que desvirtuava o juízo. Seria uma condescendência.

(Principiei impensadamente esta carta e fui obrigado a interromper pra ir almoçar.) Mas como eu ia falando, se há grande força lírica, se há boa força intelectual em vocês, o que me entusiasma é o grupo. Se eu fiquei querendo bem vocês, muito bem, bem leal, sem a menor espécie de interesse torvo, eu juro, embora disposto a batalhar por vocês me quererem sempre muito – bem interessadíssimo pois, mas só interessado do puro bem-querer –; e se noto meio assustado, meio interrogativo, que se quero bem a cada um de um jeito diferente – que isto é mesmo o problema mais misterioso do bem-querer, este querer bem que não é a mais ou a menos quando chega no ponto da amizade, mas é diferente – e de todos os bem-quereres que eu trouxe, é você o que eu pressinto menos acidentado no futuro, mais possível de caminho calmo, sem reservas, sem inquietações, sem brigas, sem perigos (ao Paulo, por exemplo, eu quero bem com raiva; é o por quem, injustamente pra com todos os outros, eu mais prontamente me sacrificaria; é o que mais periga por ser o mais errado como atitude intelectual, embora como atitude sentimental, ou melhor: como exercício do sentimento talvez seja o mais certo)… Meu Deus! me perdi completamente! Deixo isto pra explicar depois. Onde eu queria chegar neste parágrafo era louvar o grupo que vocês fazem, pela força de cada um, pela diferença de cada um, pelo exercício da amizade que soube escolher sem por isso depender de nenhum estreito “espírito de grupo”. É preciso o espírito de grupo, isso é um bem grande, uma felicidade, um exercício digníssimo de vida humana, uma grave modéstia, e um conforto sempre. E como eu invejo isso em vocês! Eu nunca tive isso em minha vida e sempre desejei isso. Talvez tenha sido o que mais me faltou. Mas me incorporar aos grupos de mais novos seria uma falsificação de tudo. Seria impossível, sobretudo, diante da lealdade natural das idades. E os meus companheiros de geração, guardo deles este ressentimento, ainda vinham oitocentistamente tão apegados ao exercício do individualismo, nesta terra sem tradições nem raciais nem culturais, que jamais pudemos viver os benefícios, os confortos, as forças do grupo. Vocês estão com muito melhores condições e por isso eu insisto em chamar a atenção de vocês sobre o vosso grupo. Vocês também não possuem tradições nem raciais nem culturais que permitam só por si o exercício do grupo. Mas já tem maior consciência dos coletivos, que o sofrimento deste tempo novo lhes dá. Vocês, eu vejo, eu sinto, já não estão enceguecidos pela mania vaidosa do exercício interior dos individualistas. São individualistamente caracterizados, e tão diferentes mesmo uns dos outros, mas nesse exercício exterior do individualismo, que deriva das tendências pessoais e das convicções. O que eu chamo depreciativamente de exercício “interior” do individualismo, interior e menos profundo, era aquele em que vivíamos, nascido apenas da preliminar perniciosa de que era preciso ser diferente, já conseguia duvidar da torre de marfim, mas não passava duma derivação dela, e propunha abertamente o slogan “nada de grupo! nada de escolas!”, feito sapos que se quisessem elefantes, gorgolejando “eu sou eu!”… Vocês precisam amar o vosso grupo e não será invejar demais se me ponho antes de mais nada amando o grupo de vocês e refazendo nele o que eu nunca pude ter. Não é inveja, é saudade.

E tanto mais que, por mais que me tivesse aplicado a descobrir qualquer espírito de grupo estreito, defensivo, em vocês, não consegui perceber isso. Há, de preferência, o sentimento do grupo, que se às vezes poderá dar de uns pra com os outros, uma compreensão excessiva que criam – compreensão, e não louvor – e isto é também com perigo: é lindo, é admirável mesmo, vale a pena correr o perigo pra ter o favor dessa felicidade.

E guardei a impressão feliz de que é no grupo, que é em grupo, que vocês preservam o exercício da sua mocidade. Pouco importam as discussões, as brigas mesmo, graves, gravíssimas que vocês possam ter entre si, tão graves como uma reunião atual de Roosevelt, Churchill e Stalin, porque nessas coisas não tem proporção nem relatividade. O Grupo é como que o único segredo da mocidade de vocês. Porque as demais solturas, excessos de álcool carnavalesco, namoros, procuras de zona, cassinices: isso pra vocês não é mocidade mais, não é deslumbramento nem descobrimento, nisso vocês já são tão velhos, tão humanos e tão feitos, tão pobres ou tão ricos, tão sinceros e tão ridículos como qualquer janota senil. Isso não é mocidade, é janotismo. Não é mocidade, é servidão.

Aqui entra explicação do que eu falei do Paulo. Parte apenas, que outra parte eu escreverei a ele. Eu disse que ele talvez estivesse mais certo que os outros de vocês, no exercício do sentimento. Desculpe, mas estou me lembrando daquela cena alusiva a isso, pra mim tão dolorosa meu Deus! em que a cotia, percebendo a triste precocidade de Macunaíma criança, resmunga pensativa que “curumi faz isso não”, e joga caldo envenenado no menino, ele cresce com a ação do veneno e vira homem-feito pra sempre… Já escrevi uma vez ao Hélio o quanto me amarga essa precocidade humana de vocês todos, moços, principalmente do Brasil, precoces já por este deserto clima do Brasil e ainda por cima preconizados pelo nosso tempo e roubados por isso do gozo livre de sua mocidade… Como vocês são homens-feitos! Como vocês são experientes! E sobretudo: como vocês são compelidos a viver uma vida de homens-feitos, mandados por obrigações e compromissos que ainda não deviam ter!… Eu sofro isso, Otto, sofro isso muito, e estou imaginando que você sofre também, porque soube descobrir no seu poema a parte melhor da minha tristeza, a solidariedade pra com vocês, cuja mocidade o mundo roubou.

Por isso eu gosto muito, no sentido mais e espontâneo do “gosto de ti porque gosto”, do Figueiró, cujos versos li quando ainda estava aí, versos de moço. Do grupo ele é o único que escreve coisas de moço! Como eu sorria feliz lendo os versos dele. Cheguei a imaginar num poema escrito por ele, intitulado pernosticamente de propósito: “Do semvergonhismo jovem”, em que ele exclamasse que era moço, que era deslumbrado com o gozo da vida, que era feliz, mas que inventava uma infelicidade inexistente nele, porque é gostoso se mostrar infeliz… Entre vocês, quando o Figueiró chegava (e como fica expressivo o nome Figueiró!), quando ele chegava, era uma brisa, um prazer desfatigante que chegava. É certo que o Hélio e você e o Murilo, e o Fernando se estivesse aí, me deixavam mais felizes, mas o Figueiró me dava mais alegria, mais esquecimento. E quem sabe se mais verdade.

Eu compreendo o Paulo na espécie da sua gratuidade. Mais da sua disponibilidade que da sua gratuidade exatamente. Não creio, como o Hélio enxerga, que isso o aproxima de Gide. Se há, se houver qualquer coincidência possível, eu imagino mais no Paulo um como que desespero inconsciente pela mocidade que estão querendo roubar dele. É o que mais sente, de vocês, o desequilíbrio entre a maturidade imposta e a mocidade roubada, entre a mocidade feita e a mocidade espontânea. De maneira que se explode num cântico a García Lorca, pouco depois desliza em análises muito finas e bastante grã-finas, sobre o lago. Aliás Gide é moral. É mesmo tremendamente moral, através do seu amoralismo convencionado (não convencional) e da curiosidade pelo ato gratuito. Ao passo que o Paulo é imoral. É, eu creio, exatamente in-moral, não-moral, contra-moral, enquanto tudo isso são elementos viris do exercício da mocidade. O Paulo não me pareceu feliz. Me pareceu mesmo o mais infeliz de vocês todos. Não sei se ele quereria que eu dissesse isto nesta carta que está me saindo tão coletiva, mas que ele se ressinta de mim não me faz mal. Não me pareceu que vocês estivessem bastante conscientes, bastante compreensivos do Paulo. É o mais envelhecido de vocês, o mais maltratado por si mesmo, o que mais luta em favor do exercício da mocidade. Como pensamento não é o mais amadurecido, mas é o mais gasto. Como moço, talvez seja o mais criança… O Hélio é o mais audaciosamente comprometido com a vida de vocês todos, nesse sentido é o mais viril, mas se preserva numa auroralidade irredutível.

Você… du bist die Ruhe. Você é a paz, é não a sua, eu sei, mas a minha melhor paz, a lembrança mais grata e mais profunda dentre os conhecimentos que fiz desta vez em Belo Horizonte. É a lembrança que guerreia. Era justo que eu levasse agora outras tantas folhas de papel lhe confidenciando o que penso e sinto de você, Otto, mas agora que chegou o momento, eu não tenho o que dizer e sinto assim como se nos ligasse uma velha amizade. Quem descobriu isto aliás foi você e o disse admiravelmente no seu poema de Pampulha. Eu já vinha distinguindo você dentro do grupo, desde a conversinha fatigada do bar no primeiro dia, como a inteligência mais profunda do grupo. A que menos sobrenadava ao léu dos acidentes da vida e também das leituras. Isso me repunha em mim naqueles tempos passados do Modernismo, em que na malta turbilhonante que formávamos, eu era, sem vaidade falsa, o mais consciente e exigente de conhecimentos e o mais seguro de propósito. Eu sabia o que iria fazer e onde iria parar. Você não precisa saber tanto: os caminhos de agora por certo são os mais dolorosos, mas são menos incertos. E eu me revivia em você. Alma curiosidade esfomeada pela sua inteligência, pelo seu pensamento, me tomou desde o primeiro dia, você nem queira imaginar.

Até que foi o estouro juvenilíssimo do seu poema do Cassino. Era a velha amizade que nos surpreendia no princípio do caminho. Confesso que fiquei atordoado e com os olhos úmidos quando li o seu poema. Não consigo saber se é bonito como obra de arte, não sei, juro que não sei. Mas 221 queima como adivinhação e marca pra sempre como sentimento. Trouxe o manuscrito comigo. Vou lhe passar à máquina uma cópia pra você guardar. Não publique, que essas coisas muitas vezes o falso olho do mundo tem por fraqueza. Mas guarde. Não é fraqueza e muito menos dependência, é força. Ah, minhas esplêndidas compreensões de mocidade! Esse foi o seu melhor exercício de mocidade, desses dias inesquecíveis pra mim. Guarde. Algum dia você há de sorrir desses versos pelo que eles têm de mais maravilhoso, a generosidade do moço. Mas acredite: eles apreenderam o que há de mais verdadeiro e de perfeito em mim. E paro aqui, lhe mandando o meu mais profundo afeto, amigo.

Eu, quando principiei esta carta, sinceramente: não sabia o que ia dizer. Mas decerto pressentisse alguma coisa e por isso me socorri de você. Não sei até que ponto a carta saiu confidencial. Na verdade a escrevi pra você, e se me deixei levar sem reticência foi porque escrevia a você. Não consigo saber o que pode ser sabido dela pelos outros, sem prejudicar ninguém. Confio em você. Amigo velho.

P. S. Acabo de copiar eu mesmo o poema de você. A impossibilidade de ajuizar esteticamente continua a mesma. Mas, “artisticamente”, o seu poema é da mais legítima Poesia; e, sem ter nenhuma incompreensão que o prejudique, tem vários traços de compreensão tão aguda de mim mesmo, que eu preferia não saber, não me tornar claramente consciente deles. Repito: o seu poema me dói admiravelmente.
São Paulo, 25Otto,
Fui reler essa carta pra mandar e fiquei surpreendido com o tom exageradamente sério dela. Quis escrever outra mas logo reconsiderei, e achei que devia mandar assim mesmo. É séria, é grave por demais, não sei, mas não é insalubre. É preferível que eu tome a sério você desde o princípio e no princípio; as felicidades e alegrias virão depois e creio que terão muito tempo pra se gozar.

E também reconsidero outra coisa: lhe peço mostrar a carta aos que ela interessa de perto, ao Hélio, ao Paulo, ao Murilo. Fica mais leal assim e assumo a responsabilidade do que penso e sinto nela. E irei escrevendo aos poucos, desde o princípio do mês que vem, assim que me livre dum trabalho urgente que estou fazendo pra Argentina, e possa ler com mais calma os versos que trouxe comigo. Avise disto o Alphonsus também, por favor. E diga ao Babá que se ainda não mando a cópia integral da Lira Paulistana é porque estou esperando a opinião do Manuel Bandeira sobre a disposição gráfica duma instância, que hesito em expor em versos livres, ou mais francamente em prosa.

jueves, 13 de agosto de 2009

Premio Sao Paulo de Literatura 2009

Jose Pedro Croft abre exposiçao em Sao Paulo


José Pedro Croft

O artista português José Pedro Croft realizou abertura de sua exposição, na Marília Razuk Galeria de Arte, no Itaim, nesta quarta-feira. Foi um luxo !
Fonte Portal Onne

Steinway novo para a reluzente pianista portuguesa Maria Joao Pires

O Theatro Municipal de São Paulo vai inaugurar seu novo piano Steinway Grand alemão que ganhou da Odebrecht. A empresa queria que a doação ficasse anônima. Mas a informação vazou e agora vira oficial. Tanto que a Secretaria Municipal de Cultura e a Odebrecht serão co-anfitriãs do concerto de estréia do dia 27 de agosto. A primeira a dedilhar o novo Steynway será a reluzente pianista portuguesa, agora radicada no Brasil, Maria João Pires. Já se sabe que o programa terá o quinteto A Truta, de Schubert, o que também é boa notícia. Nesta obra, Maria João será acompanhada do Quarteto de Cordas da Cidade.
Fonte Portal Onne Cesar Giobbi

Castro Alves

A Editora Lettera.Doc e a Associação dos Antigos Alunos da USP lançarão o livro Castro Alves e Seu Tempo que se baseia em conferência proferida por Euclides da Cunha em 1907 para os estudantes do Largo de São Francisco. A receita arrecadada com a venda antecipada de exemplares e através da captação de patrocínio ajudará a construir a herma de Castro Alves, o poeta do escravos, em frente à Faculdade de Direito da USP.


A herma, escultura um pouco maior que um busto, de Castro Alves faz parte de uma campanha lançada em 1907 pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, que pretendia construir as esculturas três poetas românticos brasileiros: o próprio Castro Alves, Fagundes Varella e Álvares de Azevedo, este último o único a ter tido sua herma realmente construída.
O livro Castro Alves e Seu Tempo reúne, além da conferência de Euclides da Cunha, poemas dos dois autores, cronologias além de muitas fotos e documentos. O lançamento será em 28 de Setembro às 19h na Faculdade de Direito da USP (Largo de São Francisco, 95 - Bela Vista) e a venda antecipada, com renda revertida para construção da herma, vai até 31 de Agosto pelo site. Além de colaborar com a construção, o participante terá seu nome inscrito em uma lista a ser publicada em cada livro.
Fonte Portal Onne -Cesar Giobbi

"Certas cançoes que ouço..."

E como Milton Nascimento, ao ler o post do Juan Cruz me pergunto:"por que nao fui eu que fiz?":

05 agosto, 2009 - 09:40 - Juan Cruz

El resentimiento
De dónde viene el resentimiento. Puede venir de una duda no resuelta, de una sospecha que no se pronuncia, del rencor, de la envidia. Todas las suspicacias coinciden en el resentimiento. Lo mejor que leí sobre el resentimiento (sobre la cura del resentimiento) está en un libro muy breve de Albert Camus, El revés y el derecho, que he citado aquí alguna vez. Es una reflexión sobre su infancia en Argelia y dice así: "El sol que reinó sobre mi infancia me privó de todo resentimiento". He extraviado el librito, que ha sido durante años como un breviario en el que buscaba reflexiones que tuvieran que ver (para eso se guardan los libros, para ver qué dicen de lo más recóndito de nuestra alma) con mi propia infancia. Y este verano he traído conmigo un libro de Albert Camus, El primer hombre, publicado por Tusquets, donde he encontrado una reflexión similar, o que al menos está conectada con aquellas palabras tan estimulantes, lúcidas o profundas que había en El revés y el derecho. El primer hombre fue un libro póstumo del autor de El extranjero, y todos han visto en él una especie de reconstrucción bastante fiel de la vida difícil del niño Camus en el seno de una familia azotada por la miseria y por la guerra en la Argelia pobrísima de los años veinte. Y ahí, en ese libro que ahora releo, Camus describe esa vida en la que su madre y su abuela luchan por sacarle adelante, y esta es la descripción que hace de la madre, viuda: "... la vida sin hombre y sin consuelo entre los restos engrasados y la ropa sucia de los otros, los largos días de faena acumulados de una existencia que, a fuerza de estar privada de esperanza, había perdido todo resentimiento, una vida ignorante, obstinada, resignada a todos los sufrimientos, tanto los suyos como los ajenos". Ahí, de nuevo, el resentimiento, vivido desde otra perspectiva, la falta de resentimiento como consecuencia de la ausencia de esperanza. Cuando llegué a ese párrafo sentí un sobresalto, como si me viniera a visitar el otro libro, como si Camus subrayara de ese momento de su estancia en la tierra la metáfora de lo que vio como metáfora de lo que pensaba. Alrededor se suceden las noticias, el mar bate como todos los días, hace un sol prehistórico sobre los torsos del terreno, pero ahí estaba yo, leyendo, y quise leerles. Qué están leyendo ustedes.

martes, 11 de agosto de 2009

La manzana de Borges

La manzana de Borges
FERNANDO GUALDONI



La casa del autor de 'El Aleph' era de las pocas con dos plantas y jardín en Palermo, un oasis en un arrabal de laburantes y malevos. Hoy es uno de los epicentros 'chic' de la capital argentina.

No nací en Buenos Aires pero soy del barrio de Palermo. Siempre he pensado que es el mejor rincón de la capital argentina. Para mi amigo El Chino, la ciudad que queda afuera de las avenidas Santa Fe, Coronel Díaz, Córdoba y Juan B. Justo es el extrarradio. "Nací, vivo y moriré en mi Palermo", repite cada vez que le cuento que Almagro o Caballito, barrios importantes de mi adolescencia, también son agradables para residir. Cuando me lo dice, me quedo cortado medio segundo, y ahí nomás le doy la razón. ¡Qué diantres! Yo tampoco querría vivir en otro lado.


"Nací, vivo y moriré en mi Palermo", repite mi amigo El Chino
El Palermo del que hablo es el de Jorge Luis Borges. Y en el centro está la manzana a la cual dedica uno de sus poemas más populares, Fundación mítica de Buenos Aires: Prendieron unos ranchos trémulos en la costa, / durmieron extrañados. Dicen que en el Riachuelo, / pero son embelecos fraguados en la Boca. / Fue una manzana entera y en mi barrio: en Palermo. / Una manzana entera pero en mitá del campo, / expuesta a las auroras y lluvias y sudestadas. / La manzana pareja que persiste en mi barrio: / Guatemala, Serrano, Paraguay, Gurruchaga.

Borges vivía en una casa de dos plantas de Serrano al 2100, esquina con Guatemala. Era la primera década del siglo XX y la vivienda era una de las pocas de dos alturas y jardín privado. El resto eran casas bajas, bien modestas. Un arrabal de laburantes y malevos, tan auténticamente porteño como creo que sigue siendo hoy, a pesar de haberse convertido en un punto chic de la ciudad, abarrotado de tiendas y bares fashion y restaurantes cool que conviven con alguna parrilla for export.

Cuenta Edwin Williamson en su biografía sobre el autor de El Aleph que no fue muy feliz en el barrio. Fue a una escuela en la calle Thames al 2300, casi esquina Charcas, y allí le zurraron más de una vez. Empezó a ir al colegio cuando tenía más de 10 años y hasta entonces había vivido encerrado en la biblioteca de más de mil volúmenes de su padre y absorto por los relatos de su madre Leonor sobre la historia familiar. Ella descendía de los Suárez y los Acevedo, dos familias patricias que lo perdieron todo en la guerra civil contra Juan Manuel de Rosas, gobernador de Buenos Aires y máximo caudillo de la Confederación Argentina (1832-1852).

Una vez alguien dijo que los añejos árboles que flanquean la calle Guatemala fueron parte de una vasta propiedad de Rosas. No tengo ni idea de si es verdad, pero me gusta pensar que sí, que bajo su sombra cabalgó el caudillo. Guste o no, es uno de los personajes clave de la historia del país. Cuando era chico me enseñaron en la escuela que había sido un dictador cruel, pero después fue reivindicado y tratado como un héroe. Hasta se repatriaron sus restos desde Southampton, donde murió en el exilio en 1877. Sigo leyendo sobre él porque aún no sé qué pensar. Muchas veces he imaginado también a Borges paseando por allí y mascullando maldiciones contra Rosas. ¿Y el Che Guevara, que vivió en Araoz casi esquina Mansilla a principios de los cincuenta, qué pensaría de Rosas? Nunca lo sabré.

Sí sé que Leonor Acevedo detestaba a Rosas y todo lo que oliera a gaucho. Hasta prohibió a su hijo leer el Martín Fierro, de José Hernández. Pero Palermo le jugó una mala pasada a la madre del escritor. Era un barrio de canallas y vividores y al menos dos de ellos eran habituales en las tertulias de la casa de los Borges de los domingos por la noche, después de la tarde de hipódromo. Eran los poetas y narradores Macedonio Fernández y Evaristo Carriego, a quienes Borges llegó a admirar como deidades. Lo perdió entonces la curiosidad y no pudo resistirse a leer el Martín Fierro a escondidas y, sobre todo, la novela popular Juan Moreira, de Eduardo Gutiérrez, que relata la vida de un gaucho bonaerense, rebelde y pendenciero, muerto por la policía en 1874.

Antes les decía que no nací en Buenos Aires. Fue en Bragado, un pueblo al oeste de la capital, en ruta hacia La Pampa. Seguro que Borges lo imaginó cuando leyó el arranque de otro gran poema gauchesco, El Fausto criollo, de Estanislao del Campo: En un overo rosao, / flete nuevo y parejito, / caía al bajo, al trotecito / y lindamente sentao, / un paisano del Bragao, / de apelativo Laguna: / mozo jinetaso, ¡ahijuna!, / como creo que no hay otro. / Capaz de llevar un potro / a sofrenarlo en la luna.
Fuente El Pais

Vacio pero histórico

Siempre quedarán escenas como aquélla de la película 24 hour party people, de Michael Winterbottom, en la que alguien recuerda el concierto que los Sex Pistols dieron en Manchester el 4 de junio de 1976. "Yo diría que fue histórico", dice el personaje. "¿Cómo pudo ser histórico si sólo había 42 personas?", le responde otro. Y el primero contestaba: "¿Y eso qué importa? ¿Cuánta gente hubo en la última cena?".


Fuente El Pais

"¿Cómo pudo ser histórico si sólo había 42 personas?" Y el primero contestaba: "¿Y eso qué importa? ¿Cuánta gente hubo en la última

El futuro de la poesía no cabe en los libros
Escasos lectores, lecturas multitudinarias - Los festivales y recitales conectan con la calle y amplían el horizonte del género
JAVIER RODRÍGUEZ MARCOS



El pasado 27 de mayo, poco antes de que Samuel Eto'o marcara en Roma el primer gol del F. C. Barcelona en la final de la Liga de Campeones frente al Manchester United, el escritor colombiano Darío Jaramillo leía, en la propia Barcelona y junto a otros poetas, sus versos ante la multitud que llenaba el Palau de la Música: "Ese otro que también me habita, / acaso propietario, invasor quizás o exiliado en ese cuerpo ajeno o de ambos, / ese otro a quien temo e ignoro, felino o ángel, / ese otro que está solo siempre que estoy solo, (...) / eco o palabra, esa voz que responde cuando me preguntan algo, / el dueño de mi embrollo, el pesimista y melancólico y el inmotivadamente alegre, / ese otro, / también te ama".



"No basta con leer un texto; hay que interpretarlo", dice Silvia Grijalba

La poesía se ha intelectualizado demasiado, según algunos expertos

Los autores apelan a lo íntimo en la inmensidad de los estadios
Es cierto que los 600 espectadores instalados en el auditorio diseñado por Domènech i Muntaner son pocos al lado de los 85.000 que abarrotaban el Estadio Olímpico romano, pero su presencia allí es todo un síntoma de que las minorías, como quería Juan Ramón Jiménez, también pueden ser inmensas.

Un dato a tener en cuenta en tiempos en los que la cultura ha terminado como las manifestaciones callejeras: midiéndose con el criterio de la masa, ya se trate de los clics de una página web o de las entradas a un museo de arte.

"Al salir la ciudad estaba desierta. Todo el mundo viendo la tele. Pero la sala estaba llena", recuerda Jaramillo. "Además, ¡habían pagado entrada para escucharnos! ¡Seis euros!".

El autor colombiano, uno de los referentes de la lírica latinoamericana viva y autor de títulos como Aunque es de noche y Cantar por cantar (editados por Pre-Textos), nació en la región de Antioquia, pero ha pasado buena parte de su vida en Medellín. En esa ciudad tiene lugar el festival de poesía más popular en lengua española. En julio pasado celebró su 19ª edición, en la que, durante siete días, participaron 65 autores de 43 países.

En ese festival, el leonés Antonio Colinas, que acaba de publicar la antología Nuestra poesía en el tiempo (Siruela), recuerda haber leído, en una edición anterior, ante 10.000 personas en un campo de fútbol. En su opinión, en América la poesía tiene mucha más presencia en la vida de la gente: "Aquí tal vez la intelectualizamos más y eso nos ha hecho perder un poco la conexión con la calle. Se ha ido quedando como materia de estudio".

Más allá del festival, el propio Jaramillo relata una lectura organizada en 1989 en el Centro de Convenciones de Medellín. Y de nuevo, con fútbol al fondo: "Los poetas pensábamos que nadie concurriría, porque a esa misma hora se retransmitía la semifinal de la Copa Libertadores, que jugaba un equipo de Medellín. Para colmo, desde dos horas antes se largó un aguacero inmisericorde sobre la ciudad. Pero ni el fútbol ni la lluvia fueron obstáculos para que el aforo fuera completo: más de 6.000 personas".

Además, muchos autores latinoamericanos recuerdan como un hito el festival que tuvo lugar en Caracas en 1997. Por allí pasó durante tres días otro escritor colombiano, Jaime Jaramillo Escobar, para impartir un taller titulado Método fácil y rápido para ser poeta.

El último día la organización tuvo que poner altavoces fuera del complejo en el que se celebraba el acto: mucha gente había pasado la noche en tiendas de campaña para coger sitio. En opinión de Colinas, "la poesía interesa a más gente de lo que parece. Puede, eso sí, que tenga más lectores que compradores".

Las últimas encuestas sobre hábitos de lectura en España reflejan, en efecto, que tal vez no pase por los libros el futuro de un género que durante siglos representó la esencia misma de la literatura: la novela era un mero entretenimiento. Hoy parece increíble que la poesía fuera tradicionalmente parte decisiva en la formación de cualquier persona culta, incluidos los poderosos de la Tierra.

Según los datos más recientes, referidos a 2008, de la Federación de Gremios de Editores de España, el 80% de los lectores habituales lo son de literatura. De éstos, casi el 95% lo es de narrativa. El resto se lo reparten, el ensayo (2,9%), la poesía (1,9%) y el teatro (0,9%). Según los mismos datos, la tirada media de una novela es de 6.700 ejemplares (la mitad en el caso de los títulos más estrictamente literarios). Un libro de poemas es casi un best seller si pasa de 2.000.

"No sé explicar la supuesta contradicción entre que haya lecturas públicas multitudinarias y escasez de lectores, pero intuyo que es apenas una contradicción aparente", dice Darío Jaramillo. "Pienso que los compradores de libros de poesía leen más los libros que compran que los compradores de novelas". Suele decir Francisco Brines, recordando al citado Juan Ramón Jiménez, uno de sus maestros: la poesía no tiene público, tiene lectores. Con todo, parece que también empieza a tener lo primero. Sobre todo gracias a la proliferación en nuestro país de festivales como los de Barcelona, Granada o Córdoba.

En esta última ciudad surgió hace seis años Cosmopoética, convertido hoy en uno de los festivales literarios de mayor prestigio en España, por el que, durante tres semanas, pasan desde premios Nobel hasta autores emergentes, a los que acude a escuchar cada año una media de 20.000 espectadores. Como recuerda su coordinador, el escritor Carlos Pardo, "dicha, la poesía no asusta tanto como escrita porque mucha gente la asocia a los penosos exámenes del bachillerato. Las lecturas de poemas muestran muy bien la doble faceta del género: íntima, pero universal, que apela al yo de las sociedades".

No obstante, Pardo insiste en que un festival, por muchos que sean los asistentes, debe mantener "el respeto a la poesía como arte de lo pequeño, el detalle y el matiz". Y se pregunta si no hará falta "una buena dosis de efectismo" para sacudir grandes auditorios: "Muchos autores latinoamericanos me cuentan su sufrimiento para encandilar a un estadio (lo más parecido a un jurado popular) con poemas escritos para un lector, un único tú que apela a lo más íntimo. Y lo pasan mal".

En el fondo, la salida de la poesía fuera de los libros tiene mucho de vuelta al origen. El género nació asociado a la música y los versos son mucho más antiguos que el papel. Y que la escritura. Al hablar de la tradición poética, el académico Francisco Rico, que acaba de publicar la antología bilingüe Mil años de poesía europea (Backlist), lo expresa así: "Tan importante o más que la letra eran la música, la calidad de la ejecución y la mímica. Regía ahí el mismo principio que certifica que la inmensa mayoría de los aficionados a la ópera o el rock no entiende el italiano ni el inglés".

La subida a los escenarios y su asociación con la música son, precisamente, otros de los canales que están sacando la poesía del terreno de su reserva india. Y lo hacen bajo nombres que tienen sus propios festivales -polipoesía y Spoken Word-, dos maneras de nombrar un híbrido que conjuga lectura, improvisación, audiovisuales, performances y música. En el Centro de Cultura Contemporánea de Barcelona nació un importante festival polipoético en los años noventa y, actualmente, en La Casa Encendida de Madrid, se celebra anualmente otro más, Yuxtaposiciones.

Silvia Grijalba, que dirige desde hace cinco años el festival Spoken Word -que empezó desarrollándose en Sevilla, este año se extendió a Gijón y podría seguir sumando sedes en el futuro-, sostiene que su intención ha sido siempre "que la gente le pierda el miedo a la poesía sin perderle el respeto". Al hablar de un evento por el que han pasado nombres como Nick Hornby, Alessandro Baricco, Irving Welsh o Marlango Grijalba insiste en que la música en él es algo secundario: "Nuestro festival es sobre todo literario, no Benicàssim. Pero tampoco sirve que un escritor lleve sólo acompañamiento musical. Por bueno que sean el escritor y el músico. El spoken word es un género en sí mismo, un espectáculo total. No basta sólo con leer un texto, hay que interpretarlo".

En su opinión, la fórmula sirve para que los no habituados a la poesía se acerquen a ella. Y para ganar lectores. Para ello las armas del espectáculo son tan buenas como las mejores: "Recuerdo la actuación de Julian Cope. Fue una mezcla de tradición y punk. Intervino vestido con un pantalón militar y sin camiseta, pero recitó un poema épico perfectamente clásico sobre unos yacimientos megalíticos".

La poesía, en efecto, es más antigua que los libros. Puede que parte de su supervivencia esté en la vuelta a momentos como aquellos en los que, mucho antes siquiera de pensar en escribirla, un griego empezó a darle vueltas en su cabeza a una frase que empezaba: "Cuéntame, Musa...". Y hasta hoy.
Fuente El Pais

El lado oscuro de Dickens

El lado oscuro de Dickens

Virginia Hernández | Madrid

Escritor de culto para los seguidores de fantasía y ciencia ficción por su saga 'Hyperion', Dan Simmons (Illinois. 1948) se adentra con su novela 'La soledad de Charles Dickens' (Roca Editorial) en los últimos años de vida del escritor inglés, los transcurridos desde el terrible accidente de tren del que sobrevivió junto a su joven amante en 1865. Su obsesión por la muerte, por la violencia y por los bajos fondos de Londres nos llegan, en una mezcla de realidad y ficción, a través del supuesto relato de su contemporáneo Wilkie Collins, su discípulo y rival al estilo de Salieri en 'Amadeus'. El director mexicano Guillermo del Toro tiene intención de adaptar el libro cuando acabe las dos partes de 'El Hobbit', en las que está embarcado con el neozelandés Peter Jackson.

Pregunta.- ¿Por qué decidió escribir sobre Charles Dickens?

Respuesta.- Leyendo varias de sus biografías me di cuenta del profundo, incluso violento, cambio en su personalidad y comportamiento después de sobrevivir al accidente de tren en Staplehurst en junio de 1865. Tras terminar 'Our Mutual Friend' ('Nuestro común amigo'), Dickens dejó casi de escribir durante cuatro años. El agotador programa de lecturas públicas que hizo alrededor de Inglaterra y de Escocia habría acabado con la salud de un hombre de su edad. Por su caracter, Dickens estuvo luchando contras las consecuencias físicas y psicológicas del accidente del que sobrevivió él y su amante, Ellen Ternan.

"Su parte oscura puede verse en el fragmento que dejó de 'The Mistery of Edwin Drood'"
Su obsesión con el asesinato y la violencia en esa época se ilustra en sus increíbles actuaciones de 'Murder of Nancy' [una obra basada en el homicidio real de una prostituta que aparece en una escena de 'Oliver Twist'], en las que el escritor más famoso de su época trataba con los aspectos más oscuros de sus pensamientos y emociones en los últimos cinco años de su vida. Creo que esos factores y algunos otros, presentes en 'La soledad de Charles Dickens', hacen una novela interesante.

P.- Dickens es probablemente el mejor escritor en lengua inglesa después de Shakespeare. ¿Qué opina sobre él y cuáles cree que son sus mejores y peores libros?

R.- Como buen lector que soy, creo que mientras Charles Dickens es uno de los escritores ingleses más populares después de Shakespeare, no es necesariamente uno de los mejores. Estoy de acuerdo con críticos, como Harold Bloom, que dicen que lo que tiene en común con el 'Bardo' es su talento para crear personajes memorables. Esta habilidad es menos común de lo que parece. La mayoría de los escritores más renombrados del siglo XX y posteriores son populares por su estilo, pero no han ideado personajes que queramos conocer en detalle. Tanto Shakespeare como Dickens creaban personajes sin aparente esfuerzo. Como una vez dijo Virginia Woolf: "En cuanto Dickens tenía un problema con la historia o el argumento, alimentaba el fuego con algunos personajes más". Estoy seguro de que la señora Woolf también hubiese querido tener esa habilidad.

En la lectura y relectura de todas las novelas de Dickens para la documentación de mi novela, me parece que las mejores son 'Bleak House' ('La casa encantada'), 'Our Mutual Friend' ('Nuestro común amigo'), 'A Tale of Two Cities' ('Historia de dos ciudades'), el argumento más cuidado de Dickens, y la favorita del propio escritor, 'David Coppperfield'.

P.- Ha mezclado realidad y ficción en 'La soledad de Charles Dickens'. ¿Puede darnos algunos ejemplos?

R.- En cada página de la novela hay ejemplos de exactitud histórica y ficción cuidadosamente insertada. Un ejemplo claro es el retrato no sólo de las clases más bajas del Londres de 1860, también la literal (ciudad debajo de la ciudad), que se extiende por varias millas de sótanos llenos de pobreza, los cementerios con sus túneles, las catacumbas, las antiguas sepulturas romanas y las alcantarillas.

P.- ¿Cómo era el lado oscuro de Dickens?

R.- Después del accidente, se obsesionó con la muerte violenta, con los cadáveres, con los asesinos en serie y todo lo relacionado con lo más mísero de Londres, que él llamaba 'El gran horno'. Durante sus agotadoras lecturas públicas, que eran más bien pequeñas actuaciones, se jactaba de cuántas mujeres se desmayaban cada noche con 'Murder of Nancy'. Había veces que se desmayaban docenas. Pero 'Asesinato', como lo llamaba Dickens, también le afectaba a él. Después de estas lecturas tenía que estar agotado, pero en lugar de ir a su hotel, se iba por ahí y les decía a sus amigos y a su agente que tenía las manos llenas de sangre y que no debía quedarse en una ciudad en la que se hubiese cometido un asesinato.

Su parte oscura puede verse en el fragmento que dejó de 'The Mistery of Edwin Drood'. Tenía medio libro escrito cuando murió de repente en junio de 1870, precisamente en el quinto aniversario del accidente de Staplehurst, y hoy todavía nadie ha explicado el misterio de esta novela, aunque muchos lo han intentado
Fuente El Mundo.es

Hillary no Congo

Os jornais tem sido generosos a respeito de uma certa admoestacao da Hillary Clinton quando um estudante lhe pergunta a opiniao de "Mr. Clinton" , e que afinal referia-se a opiniao de "Mr Obama".
Considerando o equivoco como assunto a parte, penso ser perfeitamente natural que a Secretaria de Estado Norte Americana se recuse a opinar em nome do seu marido, ainda que este seja ex-presidente norteamericano.Reconhecidamente uma mulher preparada para o cargo que ocupa, Hillary foi candidata a presidente e na atual circunstancia deveria sentir-se responsabilizada pela opiniao do Mr Obama e ate a sua opiniao pessoal, ainda que a sua opiniao pessoal deva representar o governo dos Estados Unidos.
Deixo com voces um pequeno resumo da noticia do El Mundo.es:

"¿Quieres que te diga lo que piensa mi esposo?", preguntó Clinton con incredulidad cuando un estudiante la interrogó sobre un crédito de miles de millones de dólares que China le ofreció al Congo.

La pregunta del estudiante, de acuerdo con la traducción del Departamento de Estado, fue la siguiente: "Señora Clinton, todos hemos oído hablar de los contratos chinos en este país. ¿Qué piensa el señor Clinton a través de la boca de la señora Clinton y qué piensa el señor (Dikembe) Mutombo de esta situación? Muchas gracias".

Funcionarios del Departamento de Estado dijeron que el estudiante se acercó a Clinton posteriormente y le explicó que se había querido referir a lo que pensaba Obama, no Bill Clinton, con relación al préstamo chino. Quda por saber si fue el estudiante quién se equivocó o fue la traductora, sea como fuere a Hillary no le hizo nada de gracia.

Fonte El mundo

Lusofonia e media

Lusofonia é principal aposta de Moniz na Ongoing
por MARINA MARQUES


Nuno Vasconcellos confirmou que, como o DN avançou, José Eduardo Moniz será vice presidente da Ongoing. Mas ficou ainda em aberto se o grupo irá investir na Impresa ou na Media Capital

José Eduardo Moniz foi ontem apresentado oficialmente como o novo vice-presidente da Ongoing, grupo de media liderado por Nuno Vasconcellos. E é na sede do grupo, na Rua Victor Cordon, em Lisboa, que vai desempenhar as novas funções, depois de na quarta-feira ter anunciado a sua saída da direcção-geral da TVI.

A internacionalização do grupo, que já tem uma parceria em Angola com a Scoremedia e se prepara para apostar na informação económica no Brasil, é o grande desafio que agora tem em mãos. Isso mesmo foi revelado ontem, em conferência de imprensa, por Nuno Vasconcellos. "Os conteúdos são a via que elegemos para aproximação entre os povos e os mercados da lusofonia", afirmou. Ideia reforçada por José Eduardo Moniz. "O Brasil e os países que, em África, falam português, proporcionam um mercado vastíssimo no que diz respeito a oportunidades para todos os meios, da imprensa ao audiovisual". Depois de aludir a "circunstâncias do passado" que "aconselhavam uma mudança", Moniz destacou a escala do projecto que ontem integrou, "que não fica confinada às fronteiras e aos limites territoriais portugueses". "Sempre achei que Portugal se encontra demasiado dependente do Estado e atribui uma excessiva importância aos Governos", afirmou ainda.

Apesar de no relatório e contas de 2008 a Ongoing apresentar um passivo de 831 milhões de euros, Nuno Vasconcellos aproveitou a ocasião para assegurar que o grupo tem autonomia, capacidade financeira e uma liquidez invejável. "Os activos da Ongoing foram avaliados em mais de mil milhões de euros no final do ano passado. No início do ano tínhamos uma liquidez de 102 milhões de euros, dinheiro em caixa. Isto permite ir às compras com calma", afirmou.

Para além das parcerias internacionais, Nuno Vasconcellos reiterar que a sua prioridade de investimento em Portugal é o grupo Impresa, onde já detém 23,5%. Mas também deixou ficar em aberto a hipótese de comprar até 100% da Media Capital (dona da TVI), caso a Prisa esteja disponível para o negócio. O facto de o grupo espanhol precisar de liquidez por estar a ser pressionada pelos bancos financiadores da sua dívida, que ronda os cinco mil milhões de euros, pode jogar a favor de Nuno Vasconcellos
Fonte DN

domingo, 9 de agosto de 2009

Arjona: Mojados, Pinguinos , la conquista de N.Y. y las Paes Barreto






El artista 'récord' conquista Nueva York en españolManuel Aguilera Cristóbal | Nueva York

Doce mil personas en el Madison Square Garden coreando desde la primera hasta la última canción del artista... Y en español. ¿Quién podría conseguir este logro en la verdadera capital del Imperio cuando corren tan malos tiempos para la música? Ricardo Arjona. El artista récord. El cantante inclasificable e incansable que ha recorrido todos los escenarios destacables de Latinoamérica y de España y ahora se dispone a conquistar Estados Unidos.

Este fin de semana se enfrentaba al reto neoyorquino y ha superado la prueba con nota. Con el encanto de Frank Sinatra y pegada de Muhamad Alí -mitos eternos de este recinto- encendió la pasión del auditorio –en su mayoría mujeres- desde su 'Quinto piso'. Así se llama la gira que en los próximos días le llevará a Laredo, Houston, Gran Prairie, Hidalgo, San Antonio, Los Ángeles, Seattle, Palm Springs, San Diego y San José.


Mujer, amor y compromiso. Así puede resumirse la ideología de este cantautor del siglo XXI que mantiene las melenas sus colegas del siglo pasado pero que responde a maneras muy distintas. Le encanta volver locos a los críticos que no saben por donde juzgarle. Puede que entre su público haya muchos que comparten su pasión con otros artistas como Ricky Martin o Chayane... Pero su música, sus letras y su puesta en escena dista mucho de estos otros iconos hispanos que triunfan en Estados Unidos. Aquí no se trata de 'Boom boom' o de bailar como un 'Torero'. Arjona habla de 'Como duele' el amor cuando se acaba pero también es capaz de retar al dueño del chiringuito donde toca e ironizar sobre el poder yanqui en 'Si el norte fuera el sur'.

Ironías en 'Si el norte fuera el sur'
Cuando acaba el concierto, todavía tiene fuerzas para seguir filosofando y le concede una entrevista a elmundo.es. "Todo el mundo piensa que 'Si el norte fuera el sur' es una canción antiamericana pero no es así. Simplemente me pareció divertido reírme de algunas cosas de este país. Como de que un chico a los 18 años no pueda beber alcohol pero sí disparar un arma en Irak. Además, antes ellos también nos han ridiculizado a nosotros los latinoamericanos".

Al hombre 'récord', que pasa del 1,90 de altura, que marcó 78 puntos en un partido de baloncesto en su país –Guatemala- cuando era jugador y que sobre todo llena estadios y vende discos en esta crisis total; la presión del Madison Square Garden no ha conseguido vencerle. Al miedo escénico del que hablaba Valdano le ha dado una patada pensando en su madre. "Quería que ella hubiera estado aquí porque esta ciudad es un símbolo para mi familia. Ella emigró aquí para trabajar en una fábrica de juguetes y saldar una deuda contraída por mi familia en Guatemala".

Arjona dice estar fascinado por las mujeres. "Unos seres humanos que no mienten y que lloran cuando hace falta", opina. De ellas se ha convertido en un psicoanalista ambulante y no tiene problemas en ponerse desde el escenario a su disposición: "¡Si algo no les gusta lo dicen!". "De ti nos gusta todo Ricardo. Todito nos gusta", le gritan en coro tres jovencitas que seguro no superan los 20 años.

A ellas y a otros les pide que no se olviden de sus raíces, de su lengua. De su razón de ser. "El problema es que el latinoamericano ha sufrido un gran rechazo en este país y para integrarse muchos han preferido olvidar sus raíces"·

Vinagre en los pantalones
No le asusta la política pero tampoco le sorprende. A la pregunta de qué le parece la situación en Honduras responde remontándose a su infancia. "Ustedes los europeos se echan las manos a la cabeza pero yo cuando era niño tenía los pantalones manchados de vinagre. Mi madre me lo metía en el bolsillo por si había lío en la calle para protegerme de los gases lacrimógenos de la Policía. Había un golpe de estado cada día en Guatemala". Esa es la triste historia de Latinoamérica cuyo último capítulo es la salida de Zelaya del poder a golpe de bayoneta.

¿Y dónde empezó todo? En Cádiz, ¿dónde iba a ser? Allí nació su abuelo Juan que emigró a Guatemala en busca de un mundo mejor y montó un panadería. Es una cuenta pendiente con su historia conocer el origen de sus antepasados en ese sur del sur.

De momento, el hombre 'récord' prefiere seguir engordando sus cifras cantando al desamor y a la injusticia. En español, por supuesto. ¡Qué tiemblen los 'yanquis'! Porque quizá consiga que de verdad que 'el norte sea el sur'.
Fuente EL MUNDO

Cuando la pobreza no es la respuesta...

Filho de Michael Douglas usava pseudônimos para vender drogas, diz revista


da Folha Online
Cameron Douglas foi cuidadoso ao usar pseudônimos, códigos, caixas de correio alugadas e telefones descartáveis, mas no fim o filho do vencedor do Oscar Michael Douglas, foi delatado por antigos amigos e parceiros que queriam salvar a própria pele, afirma neste domingo o site da revista "People", que traz detalhes da prisão do ator.
A acusação de dez páginas contra Douglas --preso no final de julho por tráfico de metanfetamina-- pinta o retrato do ator, de 31 anos, como um traficante de drogas que, durante os últimos três, vendeu uma quantidade enorme de 'crystal meth', comumente em hotéis chiques de Nova Yor e Los Angeles, usando o FedEx para movimentar dinheiro e drogas pelo país.
Douglas, que também atuava como produtor e tocava como DJ em alguns clubes de Nova York e L.A., utilizava sua assistente para se apresentar a potenciais compradores de grandes quantidades da droga, diz o processo.
Sua ex-assistente e dois de seus compradores começaram a colaborar como testemunhas com a polícia depois de serem presos por porte de drogas.
Fred Prouser/Reuters



Códigos
Segundo a "People", Douglas conduzia a maior parte de seus negócios com caixas de correio alugadas e sempre foi cuidadosos ao usar palavras codificadas em mensagens de texto e ligações telefônicas.
"Quanto eu te mandar a massa", ele disse para um de seus colaboradores em 22 de julho, "você pode me mandar a papelada para, você sabe, o próximo pedido."


Douglas já havia sido preso e indiciado por porte de cocaína em 2007 em Santa Barbara, na Califórnia. Ele pode pegar no mínimo dez anos e no máximo prisão perpétua pelas acusações.
O advogado de Douglas não respondeu aos pedidos da "People" para comentar o caso, assim como a família do ator.

Fonte Folha de Sao Paulo

Vivir como Rey o como Buey

Leio El País a diário e jamais senti que perdia tempo. Deixo-lhes esta análise do problema que aflige nossas sociedades , E como sempre "la guerra contra la violencia ha generado el culto a la declaración. Todos los días, funcionarios de cualquier nivel hacen declaraciones..." em todos os foros possiveis, inclusive na "nuvem".
Discordo apenas de um "tom maior" na relaçao drogadiçao X pobreza. Há muito mais que a pobreza, ha´também o "desejo", uma forma de adoecer que é sempre caracteristica de certos momentos da humanidade..etc,etc.....Mas esta é uma história comprida.

Dueños de la calle
ELMER MENDOZA 08/08/2009



Lo tienen todo en una sociedad sin esperanza y condenada a vivir al día. Son narcotraficantes sanguinarios que han creado una estética en la vida y en el arte.

Dueños de la calle. Las mujeres que los siguen son rubias, hermosas como flor que muta cada día. Las presumen como si hubieran leído a Enrique Serna: "Nadie puede decir que es hombre si no ha estado en brazos de una mujer bonita". Se mueven en hummers, avionetas y autos de lujo. Sus botas exóticas, camisas de seda, joyas y lentes de marca, valen miles de dólares. La policía se les cuadra. Los buscan los políticos y algunos futuristas les muestran proyectos increíbles. Tienen su música y lo mejor: no sueñan. Ni despiertos. ¿Para qué? Lo tienen todo.

Les gusta ostentar, que se sepa que llegaron o que están allí; que son los jefes, los que provocan las mejores sonrisas y los gestos aprobatorios más resueltos. Pagan la música y el trago, y escuchan solicitudes de ayuda. Hacen negocios en efectivo y son los dueños de la calle.

Caminan con paso seguro, sonríen como héroes; saben que nadie les llamará a cuentas. Una mitad de la gente pronuncia su nombre con desconfianza, la otra con admiración. Como pueden apostar, discuten poco. No tienen miedo a morir, por eso viven cada día como si fuera el último. No especulan: lo saben. Por lo mismo practican placeres eternos como el sexo, la gula, la embriaguez, la presunción o enviarle almas al señor. Son sumamente religiosos.

Los demás, los numerosos pobres, la perrada, saben que sólo siguiendo su ejemplo cambiarán de estatus; saben que el trabajo asalariado sólo enriquece a los patrones y correrán el riesgo. Quieren pasear en camionetas del año, que las chicas los admiren y que la policía se haga la vista gorda. El billete verde es el que vale. También son los que morirán pero tampoco importa. Dejarán suficiente para que se construya una tumba grande con columnas, una cúpula de azulejos verdes o naranja y un espacio donde luzcan sus fotos y sus objetos más preciados. A través del cristal de la puerta todos sabrán quién fue. Le compondrán corridos y la familia contará sus hazañas.

Se conversará de sus botas con punteras de plata, de sus cinturones pitiados y de sus camionetas cuatro por cuatro. De su temeridad y de sus chicas. De su pistola de cachas de oro y de su puntería. Qué importa que apenas supiera leer y hablara en monosílabos. Si se salva, será la sangre nueva, el que sabe jugársela y las balas le pasan rozando porque tiene pactos con Malverde, san Judas Tadeo y la Santa Muerte. También con la Guadalupana que no lo desampara ni de noche ni de día; por eso la trae tatuada junto a su mamá, porque madre sólo hay una. A poco no.

Delincuentes con este perfil infestan las ciudades. Toman sus calles y sus fiestas como un ejercicio del poder que les da el dinero y su poco respeto por la vida ajena. Sus armas son modernas, han oído que son trascendentes para la economía nacional y lo disfrutan. Todos los días son noticia y eso es estimulante. La relación con sus subordinados es vertical y cruel de ser necesario. Esta actitud, en los últimos tiempos, ha modificado la relación mesiánica que mantenían con el grueso de la población. La guerra los ha vuelto intransigentes y desesperados. Sanguinarios. Más selectivos con sus protegidos.

Sus rubias, que también son una expresión cultural, permanecen en sus casas contemplando su guardarropa. El hombre anda peleando o con una chiquilla de entrepierna más cálida. Son sustituibles y ellos tienen corazón de condominio. El par de hijos que procrean les garantizará estabilidad financiera mientras el hombre viva; después quién sabe.

La nota roja se ha convertido en el indicador de la clase de sociedad que somos: una sociedad con pocos valores, sin esperanza y condenada a vivir al día; y los jóvenes, ese estatus tan poco comprometido, eligen sus modelos, fácilmente optan por el principio de que vale más vivir cinco años como rey que cincuenta como buey. El universo del deseo tiene una línea y está muy bien definida. En poco tiempo puedes conseguirlo y perderlo todo, pero, ¿qué es la vida sin esa movilidad? Un sacrificio que no vale la pena. La Universidad hace años que dejó de ser opción y los trabajos decentes son para estar hambrientos. La decencia es carísima.

La guerra contra la violencia ha generado el culto a la declaración. Todos los días, funcionarios de cualquier nivel hacen declaraciones que nadie comprende y cuando se entienden dan risa, porque todo sigue igual, salvo los muertos que al final son un solo dolor, porque sicarios y soldados pertenecen a la misma clase. Han convertido el ajedrez en juego de damas.

Por otro lado, nada detiene la inmensa ola de sustitutos. Quince millones de jóvenes de entre 15 y 20 años esperan ser enganchados, entrenados y apostar a la única posibilidad que tienen ante la miseria lacerante. Piensan que así es como se vive la vida y van por ella. ¿Hay otra manera? No de inmediato. Parece que la delincuencia es el camino más seguro de gozar, aunque sea un poco, la calidad de vida de este tiempo. Los habitantes de rancherías y pueblos cuando triunfan jamás regresan a vivir entre los suyos; eso sí, patrocinan reparaciones de templos, escuelas y calles, pueden pasar un día por allí, beber una cerveza con la gente, comer un chivito y enamorar a la más linda, pero nada más. Donde hay que lucir y ejercer el poder es en los centros urbanos.

Ahora, sus conductas visibles son parte del patrimonio intangible. Al principio y durante muchos años fue un negocio con sus etapas; es decir, tiempos de bonanza o lo contrario; pero todo negocio ilícito se respalda en la muerte y ahora parece que matar es el primer plano. Lo que en José Alfredo: la vida no vale nada, era un pensamiento tal vez producto de una decepción amorosa o de una posible lectura de un soneto de Quevedo, en este tiempo se ha convertido en una postura ideológica frente a la posibilidad de matar o morir. Desde luego la temeridad de los jóvenes es superior a la generación anterior, en que los sicarios eran gente madura. De bigote, decían, que habían elegido ese oficio sin mayor emoción. Ahora es una forma de ser y de distinguirse en la tribu.

Las ciudades más golpeadas por la violencia son ciudades de jóvenes. Uno camina por sus calles y no se detecta ningún miedo. La mayoría de sus habitantes caminan con normalidad; eso sí, alertas, porque en cualquier momento puede llegar su oportunidad.

En América Latina, la marginalidad, esa manifestación de las periferias urbanas segregadas del progreso. Las asesinadas de Ciudad Juárez vivieron en una de ellas. Están cobrando caro su incorporación a la ciudad. En Buenos Aires, São Paulo, Río de Janeiro, Bogotá, Medellín, Lima, Panamá, Tijuana y Morelia, se escuchan historias de fuego, donde la violencia es cotidiana y los Gobiernos han perdido parte del control. Acabaron con la guerrilla, ¿por qué no han podido con los narcos? La respuesta no es, por supuesto, la del millón.

Como siempre, la violencia viste bien, come bien, duerme bien y tiene futuro. Además, ha generado una estética en la vida y en el arte y, por ahora, es parte de nuestra identidad.


Élmer Mendoza, escritor mexicano nacido en Culiacán en 1949, es el autor de El amante de Janis Joplin y Balas de plata, editados por Tusquets. Con Balas de plata ganó el Premio Tusquets de Novela en 2007.