| Família e mundo A pretexto de escrever sobre os antepassados, Bolívar Lamounier faz um passeio pela história Roberto Pompeu de Toledo Deu a louca no professor? O Bolívar Lamounier que se conhece é um sociólogo e cientista político de carreira acadêmica irrepreensível, doutor pela Universidade da Califórnia, mestre da USP e da PUC de São Paulo e autor de estudos sobre temas como partidos políticos, eleições e parlamentarismo. Pois o Bolívar Lamounier autor do livro que será lançado nesta semana, com o enigmático título deMoinho, Esmola, Moeda, Limão: Conversa de Família (Editora Augurium, 420 páginas, 100,00 reais), sai dos trilhos e põe-se (surpresa!) a explorar o espinhoso território das histórias de família, no caso sua família, os Lamounier do oeste de Minas Gerais – região onde ele próprio nasceu, na cidade que porta o lindo nome de Dores do Indaiá. Não há dúvida: deu a louca no professor. Mas uma loucura benigna, responsável por um livro notável pela ousadia, pela erudição e, sobretudo, pela originalidade.É uma história de família, sim, mas ao mesmo tempo, advirta-se, não é. Ir atrás dos Lamounier é em princípio seu propósito central, mas para isso o autor não se vale, ou se vale muito pouco, do instrumento que mais seria de esperar – a genealogia. Bolívar mergulha na história dos nomes de família em geral, vai buscar a origem deles nas névoas da Idade Média, especula sobre etimologias possíveis do nome Lamounier, e com base nelas discorre sobre diferentes aspectos e diferentes períodos da história, antes de chegar, com seu primeiro antepassado comprovado, aos ignotos sertões de Minas Gerais, no século XVIII. O resultado é um prato cheio para quem gosta de história. É a história – da Europa e, depois, do Brasil – que pulsa no livro, a pretexto do nome Lamounier e da aventura dos Lamounier pela face da Terra.
Sem contar a experiência das famílias patrícias do Império Romano, que esboçaram algo parecido, os nomes de família só despontam no Ocidente no segundo milênio da nossa era. Até então, vigorava o sistema de um nome só. É o que é natural, tanto para as pessoas quanto para os bichos e as coisas. Esse sistema começa a revelar-se insatisfatório ao duplo impacto do crescimento da população e do caráter limitado do estoque de nomes. Acresce, para agravar este segundo fator, que os nomes obedecem à moda. Em determinados períodos há muitos Pedros, muitos Afonsos, muitas Catarinas. No ano de 1300, em Toulouse, na França, segundo pesquisa citada no livro, entre 891 nomes masculinos, 691 repetiam os mesmos sete. A solução, para minimizar as confusões, foi agregar ao primeiro um segundo nome. "De modo geral, na França, na Península Ibérica e em outras partes da Europa a figura do sobrenome de família começa de fato a se fixar por volta de 1300 e só pode ser considerada estabelecida e irreversível em meados do século XVI", escreve o autor. Onde buscar esse segundo nome? Um dos recursos foi invocar o lugar de nascimento da pessoa. Na França, onde Bolívar mais vai buscar subsídios, dada a possível origem francesa de "Lamounier", isso resultou em fórmulas como Lamglais (o inglês) ou Lombard (o lombardo). Outro recurso foi apontar a localização da casa da pessoa. Assim nasceram Duval (do vale) e Dumont (do monte), sobrenome do nosso Santos Dumont. Outro recurso ainda são os ofícios – e é assim que nascem o francês Sartre (do filósofo Jean-Paul) ou o inglês Taylor (da atriz Elizabeth), ambas as palavras derivadas do ofício do alfaiate. Ou então, para citar sobrenomes da última atualidade, que nem se encontram no livro, o espanhol Zapatero (do novo primeiro-ministro da Espanha) e o alemão Schumacher (do campeão de automobilismo), ambos remetendo ao fabricante de sapatos. Bolívar encontra quatro etimologias possíveis para Lamounier, uma com base no ofício do moleiro, o proprietário ou operador do moinho (o francês mounier, variante de meunier), outra no de moedeiro (monnoyeur, monnoier, monnayeur), outra na atividade de quem dá esmolas (aumônier) e a última apoiada no cultor de limões, ou de certo cavalo chamado "limoeiro", bom para puxar carroças pesadas (limonier). Isso explica a esquisitice das palavras "moinho", "moeda", "esmola" e "limão" no título do livro. Cada uma dessas etimologias dá ensejo a longos capítulos, em que se discorre sobre moleiros, moinhos, moedas, moedeiros e que tais, e seu papel na história. A esmola, por exemplo, motiva uma exposição sobre como a pobreza, tida por determinada por Deus e passível de ser atenuada apenas pela caridade, demorou para ser percebida não como um destino, nem como só passível de socorro pela benemerência, mas como objeto de políticas públicas.
O nome Lamounier, segundo as pesquisas do autor, não subsiste senão no Brasil. O primeiro de seus portadores a aqui chegar foi um Antônio Afonso Lamounier, deslocado de Portugal, segundo presume o autor, pelas conseqüências do devastador terremoto de Lisboa de 1755. Antônio Afonso estabelece-se na comarca do Rio das Mortes, que tem São João del Rei como principal centro, e ganha uma sesmaria nos cafundós da Serra da Marcela, além-São Francisco. Para explorar suas terras, integra uma expedição sob o comando de Inácio Corrêa Pamplona, tipo violento de bandeirante tardio, que cumpria seu papel, escreve Bolívar, como "um ator que chegou ao teatro quando a peça já estava encerrada". Estamos agora no Brasil, e é à saga brasileira, ou, mais especificamente, à saga mineira, que o autor nos conduz, por meio de personagens que vão desse primeiro Antônio Afonso a descendentes como o compositor popular Gastão Lamounier, autor de valsas de sucesso na primeira metade do século XX. A história de Minas Gerais dá motivo a conclusões preciosas: "Se a Inconfidência tivesse saído vitoriosa, sua mescla de intelectuais, servidores públicos, militares e empresários provavelmente seria saudada como fator positivo, sinal de realismo e envolvimento orgânico entre diferentes segmentos sociais. Como fracassou, o diagnóstico habitual afirma que a derrota estava de antemão determinada pelo acanhado horizonte ideológico desses grupos". O compositor Gastão Lamounier é pretexto para considerações sobre o papel da música popular na formação da consciência nacional. Deu a louca no professor? No limiar dos 60 anos, idade propícia a esse tipo de acometimento, Bolívar ofereceu-se uma trégua e foi investigar a si mesmo. Há neste livro algo de "em busca do tempo perdido", e o autor não o esconde. Em Marcel Proust ele foi buscar uma das epígrafes, e além disso ainda o cita ao longo do texto. Mas é uma curiosa busca do tempo perdido esta. Ao investigar-se, o autor não se debruçou sobre a própria trajetória, nem mesmo, a rigor, sobre a dos antepassados, mas sobre a trajetória do mundo. É na história, na grande história, que, tendo por estrela-guia seu nome de família, procura enquadrar-se. Vale dizer que é nas vizinhanças da sociologia e da ciência política que se move, donde se conclui que, no fundo, não lhe deu tanto a louca assim. Bolívar não produziu uma história de família que tangencialmente aborda a história do mundo e do Brasil, mas, ao contrário, um ensaio sobre certos temas históricos que, tangencialmente, toca na história de sua família. Este é um paradoxal livro em que o autor se volta para as próprias origens mas só fala de si mesmo na última página. É quando lembra da casa em que nasceu, em Dores do Indaiá, "pequena e simples", mas que tinha "um certo encanto". Bolívar escreve, e estas são as palavras que fecham o livro: "Pelas cinco da tarde, quando retornava da cidade após as aulas e via de longe o conjunto, era com muito carinho que o apreciava: à esquerda, uma fileira e cinco ou seis altas mangueiras; bem junto à casa, abrigando-a contra o sol, um pé de 'sabãozinho'; ao fundo, perto do curral, uma bonita moita de bambu gigante". |
viernes, 26 de abril de 2013
Bolivar Lamounier e o seu " Conversa em Familia"
lunes, 22 de abril de 2013
Bolo de Laranja
Bolo de Laranja e Mandarinas
Ingredientes:
8 mandarinas (ou clementinas)
125 g + 150 g de açúcar;
4 ovos;
150 g de farinha para bolos;
80 g de farinha custard (ou amido de milho);
1 colher de chá de fermento em pó;
150 ml de sumo de laranja;
raspa de 2 laranjas;
fisalis (opcional).
Modo de Preparaçao
Numa forma circular, levar ao lume as 125 g de açúcar com o sumo que se recolheu das mandarinas, até que começe a formar caramelo. Retirar de imediato, não deixando que o açúcar ganhe cor.
Dispor as rodelas de mandarina forrando toda a forma. Levar de novo ao lume, apenas para evaporar algum do sumo que se vai libertar.
Nos intervalos das rodelas dos citrinos, colocar metades de fisalis. Reservar.
Peneirar as farinhas e misturar com o fermento.
Bater as gemas com o açúcar até obter uma gemada bem fofa e clara.
Misturar alternadamente a farinha com o sumo e raspa de laranja.
Envolver com uma espátula as claras em castelo.
Levar ao forno pré-aquecido a 180º, durante 30 minutos.Com uma faca descolar cuidadosamente a lateral do bolo da forma.
Desenformar de imediato.
Pincelar com geleia de laranja, para dar mais brilho
domingo, 21 de abril de 2013
Elogiop de lo Cotidiano
el filósofo y semiólogo franco-búlgaro Tzvetan Todorov se fija justo en esa aguja, en esa puntada, en ese hilo invisible que lleva hasta la pintura holandesa del siglo XVII y por consiguiente aRembrandt, Gabriël Metsu, Franz Hals, Gerard Dou, Pieter De Hooch y al mencionado autor de 'La joven de la perla'. Nombres referenciales de un instante capital en la Historia del Arte: cuando los géneros pictóricos profanos comienzan a emanciparse de la pintura religiosa, predominante hasta ese momento.
"Por primera vez el tema central y el principio organizador del cuadro ya no es la historia santa, ni los mitos griegos, ni la vida heroica de personajes ilustres, sino la vida cotidiana de las personas anónimas", explica el pensador en el capítulo inicial de 'Elogio de lo cotidiano', su nuevo trabajo. Publicado por Galaxia Gutenberg/Círculo de Lectores, elensayo sintetiza en un centenar de páginas un periodo de ruptura y transformación a partir del cual la pintura dejó de inventar la belleza para buscarla en el día a día de hombres, mujeres, niños y ancianos anónimos, en sus gestos ordinarios y humildes.
Así, actividades como pelar cebollas, leer una carta, beber vino, despiojar a un niño, tocar un instrumento musical, recibir la visita del médico o -alegoría evidente- comer ostras pasan a ocupar el céntrico espacio que antes disfrutaban la coronación de un monarca o la exaltación de una diosa.
Rembrandt, humano sólo en su obra
Como Dalí, el distinguido con el Premio Príncipe de Asturias de Ciencias Sociales en 2008 examina con pupila voraz esas escenas casi mágicas donde "lo accesorio ha adquirido el estatus de lo esencial, y lo que estaba subordinado se ha convertido en autónomo", según sus propias palabras. "Desde el siglo XVI, estos nuevos géneros –retrato, paisaje, naturaleza muerta y pintura de género- van afirmando progresivamente su derecho a existir y adquieren su propia dignidad", pone de manifiesto en otra reflexión uno de los intelectuales europeos a los que en la actualidad se escucha más atentamente. "El paisaje, que hacía de fondo de la escena representada, se convierte en un tema en sí. Los objetos habituales, las flores y las frutas dejan de ser acccesorios que acompañan a los personajes y dan lugar a naturalezas muertas. Como dijo Malraux: 'Lo que Holanda inventó no fue cómo colocar un pescado en un plato, sino que ese plato de pescado dejara de ser la comida de los apóstoles'".

Portada del ensayo.
Pero, ¿por qué allí? ¿por qué se precipita entonces lo que Hegel llamó "fusión total de la pintura con lo profano y lo cotidiano"? ¿De qué cambios más profundos en la sociedad europea fue reflejo? Todorov explica semejante cambio de mentalidad apoyándose en lapujanza de Holanda como potencia comercial, en la expansión de la cultura de la tolerancia en la sociedad del momento, en la mayor implicación de la mujer en la gestión doméstica y en la influencia del credo calvinista.
Pese a todo, en el glorificado XVII holandés también hubo claroscuros. Paradójicamente, en ocasiones lo representado en los lienzos, no era real. A este estudioso, que también ha sometido a revisión a Goya, comprobar los desajustes que presenta un creador como simple ciudadano le deja "cierta sensación de perplejidad y decepción". "Los grandes artistas a veces sacrifican a gentes muy cercanas o a ellos mismos. Rembrandt era muy humano en su obra, pero pequeño en las relaciones con sus allegados".
Preguntado por su opinión sobre el arte contemporáneo y el posible paralelismo entre aquella época de transformación y los tiempos actuales, en un mundo que él mismo cataloga como "matemático, científico, donde no hay milagros ni fuerzas sobrenaturales que intervengan sobre las cosas", el autor nacido en Sofía muestra desafección. "La pintura en cierto momento renunció a la representación. Se produjo una ruptura en su relación con la búsqueda de la realidad. No diría que la pintura actual es una catástrofe, pero sí otra cosa. Se ha abierto otro ciclo".
El autor de 'Elogio del individuo' (2006), donde analizaba la pintura flamenca del Renacimiento, también aprovecha su visita a Madrid para anunciar que culminará su inmersión en el ámbito de las artes visuales con un volumen final titulado 'Elogio de la ilustración', centrado en los hallazgos pictóricos del siglo XVIII. Pero ni desde ese 'background' acepta Todorov conceder a la cultura cierto efecto balsámico o redentor. "Si se encomienda una tarea al arte o la literatura es poco probable que la lleven a cabo. Son instrumentos bastantes ineficaces", concluye.
Fuente El Mundo.es
Fuente El Mundo.es
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