sábado, 20 de marzo de 2010

Serra do Luar

E porque hoje é sábado nenhum outro poderia ter a palavra final: Joao Ubaldo, sempre no seu melhor!

Tertuliano é branco e acaba, parece-me, no meio dos mulatos. Uma parte do respeito que a comunidade tem por ele parece vir daí, do silêncio com que aceitou ser socialmente rebaixado. Concorda?

Essa pergunta tem uma percepção errónea, talvez por você não estar familiarizado com certos padrões de convivência do lugar onde se passa o livro. Porque o livro dá total desimportância à cor dos personagens. Ver Tertuliano como socialmente rebaixado por conviver com mulatos e negros é uma visão falsa do que acontece. Recentemente em Itaparica morreu um senhor amigo de minha mãe, branca, descendente de portugueses - do lado paterno certamente tenho sangue negro e dizem que índio, mas pelo lado materno não -, contemporâneo dela, seu Didi: era respeitadíssimo e homenageado por toda a comunidade, que o tinha em alta conta, em grande deferência. Então não era ser rebaixado conviver com mulatos e negros, era natural. A maioria dos leitores há-de ver como você viu, mas não é assim. Eu dou a esse negócio a importância que é devida: nenhuma. Eu odeio racismo. Racismo é um sintoma do atraso da humanidade, uma coisa repelente, uma perda de tempo grotesca.
Parece a mesma pergunta mas não é: Tertuliano diz várias vezes que lhe roubaram a vida, por isso podemos inferir que para ele foi mesmo um rebaixamento social?

Rebaixamento social só com o nome [de família], aí sim. A decisão dele acarretou isso. Ele passou a ser um representante oficial da linha bastarda da família. Mas ele escolheu isso por uma questão de lealdade, de amor ao ventre materno que queriam que renegasse - e pagou o preço disso, passando a ser bastardo.

A voz do narrador é simpática para com o protagonista, depois toma tons quase sarcásticos com os negros que enganam a comadre do avô de Tertuliano e é, por vezes, arrepiante com a mãe adoptiva. Estas alterações de tom foram propositadas ou ditadas pelo instinto? Era importante que se notassem essas nuances na voz do narrador?

Não quis ser sarcástico em relação aos negros que enganam. Se resultou nisso também não foi intencional. É curioso como conversar com um leitor atento traz informações para um autor, porque eu não tinha visto isso. Eu imaginei que o tom que eu dava à conversa dos negros que embrulharam a comadre era somente para gozar com a cara dos brancos. De qualquer modo, muito obrigado pela observação, vou prestar atenção, tenho de reler o livro. Agora, que é importante que notem a nuance com a voz do narrador sim, porque apesar de eu dizer que não quero ser antipático com a comadre, certamente também não aprovo o que ela diz, por isso queria que isso transparecesse na voz do narrador.
Continua aqui

Poema da Criaçao

Calling You

While I am hundred miles away...
I will take the words you gave me
and send them back to you
....
I will keep calling you
to see
If you are sleeping are you dreaming
If you are dreaming are you dreaming of me?

de Democracia e Despolitizaçao

Da Democracia na TV


A ida do Miguel Morgado ao Prós e Contras de segunda-feira foi, como disse alguém, uma "agradável surpresa" para muitos. Suponho que Eduardo Lourenço e José Gil não tenham sido dos menos surpreendidos. No fundo, o Miguel propôs uma narrativa não heróica (ou mesmo anti-heróica) da democracia que é quase o exacto negativo da que eles apresentaram. Aos lamentos quanto ao predomínio do económico sobre o político (há não muito tempo, chamar-lhe-iam plutocracia...), o camarada Morgado opôs a evidência de que a liberdade se dá mal sem prosperidade. E lembrou os terríveis anos entre as duas guerras mundiais do século passado, em que o liberalismo europeu sucumbiu à crise de 29. Não reparei que o tivesse dito, mas podia acrescentar o que se passa hoje na Europa de Leste. Para espanto geral dos revolucionários, o povo não quer apenas um mundo melhor: quer viver o melhor possível no seu pequeno mundo. E acredita que a liberdade é isso.
Quem, depois dar o poder ao povo, poderá dizer que o povo está errado? Max Weber formulou o conceito de rotinização do carisma, aplicável a esta visão da política como gestão do quotidiano e não como combate pela utopia. Tocqueville foi o primeiro a associá-la intrinsecamente ao regime democrático. Recorde-se, entre outros, aquele capítulo a que chamou "Porque se encontram nos Estados Unidos tantos ambiciosos e tão poucas grandes ambições".
Alguns de nós vimos no duelo Morgado versus Lourenço-Gil a longa sombra da diferença de gerações ou da agonia do marxismo. Mas a sombra é outra - e ainda mais longa. Para estes, mais velhos, a liberdade é um bem em si mesma, um bem que se conquista à custa de pesados sacrifícios. É essa a sua experiência histórica. Acredito que tenham ficado realmente desconcertados com a perspectiva, muito convincente na boca do Miguel, da liberdade como uma coisa banal, medíocre, burguesa, que se invoca para não fazer sacrifícios.
E, no entanto, resisto a pensar que a razão esteja toda do nosso lado. Há um grau de despolitização que mata a democracia. A minha grande dúvida é se ainda conseguimos medi-lo. Afinal, nem tudo o que Tocqueville viu na América foi creditado à conta da liberdade. Ele, sempre um génio da fórmula, lamentava-se "Dos efeitos particulares que o amor dos gozos materiais produz nos séculos democráticos". Tal como Gil e Lourenço
Fonte Blog cachimbodemagritte

"... mulher feliz"

“Eu gosto de mulher feliz. Vejo muito mais sensualidade numa mulher feliz do que numa sarada emburrada”, diz o apresentador Marcelo Tas. O vocalista da banda Raimundos, Tico Santa Cruz, é ainda mais severo. “Eu acho tosquíssimo. Gosto de mulheres naturais. Mulheres que parecem de borracha não me atraem. Tenho medo delas”, diz ele. O ator e roteirista Bruno Mazzeo tampouco aprova a força feminina: “Não é a minha preferência. Acho que os músculos tiram a feminilidade, que é uma das coisas que mais me atraem”.
Leia mais aqui

PS: As "felizes" recomendo, entretanto, que se olhem no espelho e façam a sua própria análise. Convém lembrar "nem tanto ao mar...."

Simonal foi o maior !


"Um dia falei assim numa roda do tipo politicamente correta:o maior cantor do Brasil foi o Wilson Simonal. Houve um silencio e a seguir um nao foi nao!Daí eu disse se nao foi ele , quem terá sido entao o maior cantor brasileiro? Só sobrou o silêncio"

Wilson Simonal.Grande Simona!


"Ninguem sabe o duro que eu dei! TRABALHEI!TRABALHEI!TRABALHEI!"
Volto a "postar" este vídeo em homenagem ao grande artista que teve coragem de "vestir a máscara" mas que sobretudo TRABALHOU, "transpirou". E sozinho lutou contra a inveja dos pequenos e do silencio de muitos Grandes e Bons.

viernes, 19 de marzo de 2010

Daniel Boone was a man, was a big man....




Reuters/Disney SÃO PAULO/LOS ANGELES - Usava um chapéu de pele de castor, com um rabinho atrás. No começo do episódio, jogava uma machadinha e ela voava feliz, abrindo uma árvore ao meio, e era ali que apareciam os créditos: DANIEL BOONE. Morreu ontem o velho Fess Parker, herói das minhas tardes de infância como o pioneiro Daniel Boone.

Nunca houve, nas florestas do Kentucky, alguém que fosse tão boa influência: era correto, honesto, alto como um cipreste e tinha uma família de dentes ótimos, filho falante e mulher loiríssima, e o nome dela nunca saiu da minha cabeça: Becky (ou Rebecca).

Era um daqueles heróis que não teria vivido 10 segundos na TV da era do politicamente correto.

Primeiro, porque tinha um índio bom ao seu lado, Mingo, que o ajudava a combater os índios maus (todos os outros).

Daniel Boone vendia peles de castor, urso e outros bichos num entreposto feito de troncos de sequoia jovem.

Daniel Boone não tinha medo de nada, e seu rifle de um tiro só apenas encontrava concorrência nos gibis do Ken Parker.

Todo mundo tinha nome bíblico por ali: Daniel, Gideão, Jericho, Israel.

E ainda por cima tinha aquela musiquinha (parecida com a de outro seriado inesquecível, Bonanza), que enchia os ouvidos de todos nós, e deixava a gente mais feliz do que o mandiopã da avó do Hideki.

Ator era uma lenda na Califórnia

Fess Parker, o grande, foi um ator que nasceu no Texas e se tornou um astro da televisão no papel de pioneiros americanos como Davy Crockett e Daniel Boone, morreu na quinta, 18, aos 85 anos, de causas naturais, em sua casa na Califórnia, segundo informou um porta-voz da família.

"Fess Parker foi um modelo como ator e um ídolo para mim desde que eu o vi pela primeira vez na tela grande. Ele era uma verdadeira lenda de Hollywood", disse o governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger em um comunicado. "Era um ator de talento e um homem de negócios de sucesso. Ele foi californiano inspirado cuja contribuição para nosso estado será lembrada para sempre".

Tópicos: Fess Parker
Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo
FonTe Estadao
Comentário: Duca e eu "cantamos" Daniel Boone na ultima vez que estivemos juntos...Uma saudade do tempo em que os bons eram BONS e os maus eram maus ,sem trololó....

Un infinito panteón de las letras

José Carlos Mainer coordina los nueve tomos de la monumental 'Historia de la literatura española', un compendio de 6.500 páginas desde la Edad Media hasta hoy
CARLES GELI - Zaragoza - 19/03/2010



José Carlos Mainer (Zaragoza, 1944) se siente "insólitamente vacío" por vez primera en su vida. Catedrático de Historia de la Literatura en la Universidad de Zaragoza, el gran especialista en la Edad de Plata española, considerado pionero de la historia de la literatura como historia cultural, se siente así porque, lector voraz y trabajador incansable, tras casi tres años se acaba de liberar de la dirección de un monstruo de 6.500 páginas. Son las que conforman la Historia de la Literatura Española que lanza Crítica, obra que se ha estrenado con el sexto volumen, Modernidad y nacionalismo 1900-1939, 828 páginas que firma el propio Mainer.


La obra se abre con el tomo 'Modernidad y nacionalismo. 1900-1939'

Hace tres décadas que no se publicaba un trabajo de estas características

"La literatura tiene que ver con otras artes, por eso cito a Goya o El Greco"

El autor ve su estudio como un canto del cisne de la edición en papel
La empresa está llamada a ser un hito en la filología española. Hace tres décadas que no se publica una obra de estas características, desde que en 1979 Ariel decidiera editar una Historia de la Literatura Española dirigida por hispanistas ingleses y cuyo volumen destinado al siglo XX revisó ya el propio Mainer. Entre otros más de por medio, el último gran intento fue en Espasa en 1998, con el hoy presidente de la RAE Víctor García de la Concha, ambiciosa obra de la que sólo aparecieron cuatro tomos.

"Que hasta ahora no haya salido otra responde sólo a un tema comercial: al calor de los cambios políticos de los se quiso orear el panorama y el mercado casi se saturó; desde entonces, una excelente producción de estudios filológicos permite una masa crítica que justifica que se revise a partir de una historia literaria", expone Mainer como muestra, una vez más, de su capacidad de leer en clave de historia cultural.

Otro elemento diferenciador es la estructura que tendrá la Historia..., que arranca con la Edad Media y sigue con sendos volúmenes para los siglos XVI a XIX. El XX, iniciado por Mainer, lo completará uno que llegará hasta 2009, el más delicado. Así, cada tomo tendrá cuatro bloques: el primero, una especie de pensamiento literario del momento, al que seguirán aspectos de la industria cultural, el patrimonio literario (fijándose más en los textos que los autores) y un cuarto titulado Textos de apoyo. Ese y el primero, iconoclastas en una obra así.

"He pedido que cada tomo arranque con un interrogante sobre el campo literario, entendido a partir del concepto de Pierre Bordieu, mientras debían acabar no tanto con la clásica antología de textos sino con documentos de historia literaria, como opiniones de un autor o entrevistas".

Coherente con su manera de ser que le impide moralmente tener discípulos ("porque conlleva que uno sea maestro"), Mainer ha sido generoso tanto en la elección de sus colaboradores como en el supuesto canon que acaba imponiendo toda obra de esta índole. "Entre los autores no están quizá los más previsibles pero he buscado gente que, por trayectoria académica y obra publicada, entendiera una historia de la literatura con escasísimas notas, bibliografía capital asumida y capaces de escribir un ensayo de alta divulgación; es la única manera que esta obra no se fosilice en poco tiempo", justifica.

Sobre el canon, enumera ufano: "la literatura siempre tiene que ver con otras artes, por eso, en mi caso cito generosamente a El Greco y a Goya, o me permito resaltar la figura de María Guerrero o incorporar ausencias injustificables como el Joan Maragall articulista en castellano o el Eugeni d'Ors del Glosario, mucho más divertido que Ortega y Gasset". Los periodistas Corpus Bargas y César González Ruano, el novelista Benjamín Jarnés, el tapado de la Generación del 27 Alonso Quesada, Gabriel Miró y hasta un engarce inédito entre el Pío Baroja y el Antonio Machado de los años veinte como "los dos grandes nihilistas de esa década" son algunas de las aportaciones de su volumen.

Si bien se citan autores catalanes, gallegos y vascos, sus literaturas no están inseridas en cada tomo.

En uno de los dos tomos transversales que tendrá la obra, dedicada a El lugar de la literatura española, estarán, según el autor, "las influencias mutuas entre la literatura española con el resto de las letras peninsulares, las relaciones con una literatura europea cuya noción ningún país ha inventado y, claro, con la literatura hispanoamericana, con una etapa de literatura colonial, un siglo XIX común y un XX con su emancipación y desde el que nos dictan las pautas". ¿Y eso? "Hasta los años sesenta había una unidad de mercado hoy del todo inexistente, una división que oculta una retórica que se mantiene pero que aguantará lo que aguantará".

Por algún jirón entrevisto al final del prólogo general, se intuye que esta obra puede ser un punto final en la trayectoria intelectual de Mainer. "Lo que está claro es que no escribiré ya más sobre la Edad de Plata ni una obra de tanto empeño". Y también está convencido de que es un canto del cisne del sector editorial en papel: "Una obra de tal envergadura es muy cara y dificultosa; pero le garantizo que no hay nada para leer como el papel y el formato página". Vendrán, pues, otras historias de quizá otras literaturas.
Fuente El Pais
Comento:leio neste momento o excelente livro "Breve historia de la literatura española" de Alvar, Mainer e Navarro, da Alianza Editorial. Se este é o "ensaio" do que vem por aí, estou rendida desde logo.

Matemática da Alice

« Os dois livros de Alice revelam o humor de um matemático que brinca com a lógica e faz alusões veladas a temas científicos. A maioria das vezes, as alusões são indirectas, e muito se tem discutido sobre algumas passagens. Logo no capítulo 2, por exemplo, Alice parece enganar-se nas contas: “quatro vezes cinco é doze, e quatro vezes seis é treze, e quatro vezes sete – oh! Assim nunca mais chego a vinte!»
(continua aqui)

Mad Hatter

- Naquela direcção - disse o Gato, levantando a pata direita - vive um Chapeleiro, e naquela, agitando a outra pata, mora uma Lebre de Março. Visita o que quiseres, ambos são loucos.
- Mas eu não quero estar ao pé de gente louca - respondeu Alice.
- Oh, não podes evitá-lo - disse o Gato. - Aqui todos são loucos. Eu sou louco. Tu és louca.

Que têm em comum o Chapeleiro Louco e o canto das aves?
A resposta tortuosa pode ser...o mercúrio.
Não Mercúrio, o deus dos comerciantes, da eloquência e dos ladrões, mas antes o elemento químico.
Vamos ver se consigo resumir.(continua)

miércoles, 17 de marzo de 2010

La Academia Brasileña de las Letras y el Microcuento en 140 caracteres

La Academia Brasileña de las Letras se convierte al Twitter
Lanza un concurso nacional de cuentos de 140 caracteres
JUAN ARIAS - Rio de Janeiro - 16/03/2010



¿Es posible escribir un cuento en un twitter¿ Así lo piensa la sesuda Academia de la Lengua de Brasil (ALB) que acaba de lanzar un concurso nacional de cuentos, al que pueden participar personas de todas las edades y categorías, menos los académicos, funcionarios de la Academia y familiares. El cuento no debe pasar de 140 caracteres.


Lo que ha sorprendido, favorablemente, al mundo de internet es el que la ABL, se haya rendido al twitter y haya querido de alguna forma consagrarlo como instrumento literario. Los premios a los tres cuentos escogidos son casi simbólicos: algunos diccionarios especiales de la lengua. Lo importante es, sin embargo, poder conseguir el espaldarazo literario de la Academia, que ha apostado en la brevedad de la escritura como característica de la prisa de nuestro tiempo.

Interrogados algunos escritores por este diario sobre las posibilidades de escribir un cuento con dos líneas se dividen en sus opiniones. ¿Cómo abordar el conflicto que debe anidar en un cuento y su resolución en un Twitter¿ se preguntan algunos de ellos.

Otros lo consideran un malabarismo difícil y recuerdan que Cortazar decía que un cuento tiene que ser un notcaut en el lector.¿Puede ello darse con 140 caracteres¿ "Y con una palabra, y hasta con un silencio" afirma, Latuf Isaias Mucci, catedrático de estética y semiótica de la Universidad de Rio de Janeiro. "Estoy dando un curso de epistemología del arte en este momento sobre los blogues", dice, y aplaude el coraje de la Academia de la lengua por saber captar el signo de los tiempos. "Una página en blanco, metafóricamente puede albergar un cuento", añade el semiótico

La escritora y directora de la editorial Manati, Bia Hetzel, despues de haber elogiado el "desafio", de la Academia, reconoce que ella sería incapaz de llevar a cabo ese desafio, ya que la escritura de un cuento supone "una estructura compleja", pero la inicitiva la considera "interesante, estimulante y digna de aplauso."

La profesora de Literatura de Rio, Maria Clara Maia, considera que sería más fácil colocar un poema en twitter, que un cuento y recuerda que José Saramago ha llegado a calificar el twetter de "gruñido". Para ella, sin embargo, es muy interesante y desafiadora la intención de la Academia de arrastrar hacia el gusto de la literatura al mundo joven que hoy se comunica con sílabas.

Puesta a la prueba, la escritora Roseana Murray, premio de poesía infantil y juvenil de la Academia de la Lengua, escribió sobre la marcha para esta crónica, este cuento en un twitter, aunque advierte que en realidad, un cuento encerrado en las angostas paredes de un Twitter puede ser sólo una "sugerencia" del mismo: En aquel beso cabían todas las galaxias, alfabetos. En el muelle, el navío ya resollaba impaciente rumbo a la separación. Ninguno de los dos miró hacia atrás.
Los plazos para el envio de los cuentos, que tienen temática libre, van hasta el 30 de abril. El resultado del concurso será comunicado el 1 de julio, fecha en la que será úbicados los tres cuentos vencedores en el portal de la Academia. Los trabajos deben ser enviados al site: academia@academia.org.br. Naturalmente en portugués
Fuente El Pais

martes, 16 de marzo de 2010

El triunfo del cuento

La literatura nos ayuda a "entender la parte más difícil de la vida", afirma Jhumpa Lahiri. La autora estadounidense de origen indio publica Tierra desacostumbrada, un conmovedor libro de relatos que se plantea como una de las sorpresas del año.
GUILLERMO ALTARES 13/03/2010


El inmenso talento literario de Jhumpa Lahiri (Londres, 1967) se basa en que es capaz de contar una y otra vez la misma historia, relatos de inmigrantes indios en la Costa Este de Estados Unidos, y que siempre sea diferente. La crítica la ha comparado con una miniaturista por su capacidad para describir con precisión un mundo pequeño mientras lo convierte en universal. Pero sus relatos son mucho más, se quedan flotando en la memoria durante horas, durante días porque, en el fondo, tocan los temas más importantes de la vida: el amor, la familia y la identidad.

"Estados Unidos parece haber descubierto por fin la importancia de la comida, y es algo que en mi familia siempre ha sido obvio"

"Para mí, las cosas que no se dicen entre personas muy cercanas son muy interesantes, y mucho más como narradora"
Su último libro, Tierra desacostumbrada, que sale esta semana en España editado por Salamandra, reúne ocho cuentos, aunque los tres últimos forman en realidad una pequeña novela, la historia de Hema y Kaushik. El relato arranca en su niñez, sigue en su juventud y acaba reuniéndolos en Roma cuando ella es una experta en el mundo clásico, que investiga la civilización etrusca, y él un fotógrafo de guerra a punto de colgar las cámaras. Estas cien páginas constituyen una joya literaria que genera constantes emociones en el lector. Su viaje a la ciudad toscana de Volterra, solitaria, herida, magnífica, llena de fantasmas etruscos, será algo muy difícil de olvidar para todos aquellos que recorran estas páginas.

Por su primer libro, El intérprete de enfermedades, recibió el Premio Pulitzer a la mejor obra de ficción cuando acababa de cumplir 32 años. Fue un galardón sorprendente, que Jhumpa Lahiri vivió con una mezcla de ilusión e incredulidad. Luego escribió una novela, El buen nombre, que relata la historia de una familia india desde que emigra a Estados Unidos hasta que sus hijos crecen ya convertidos en ciudadanos del nuevo mundo. El libro fue llevado al cine por la realizadora india Mira Nair en 2006. Con Tierra desacostumbrada -título tomado de Nathaniel Hawthorne-, regresa a sus temas eternos, al mundo de los pequeños dramas familiares, de los indios que luchan toda su vida por adaptarse a un mundo nuevo, a las historias de amor cansadas, a lo nunca dicho que pesa mucho más que lo dicho. Es una lectura absorbente, llena de sorpresas.

La entrevista (en un viaje organizado por Salamandra) tiene lugar en la casa de Lahiri en Brooklyn. Fuera cae una intensa nevada, aunque la luz se cuela desde el jardín. La escritora, tímida, guapa, está casada con un periodista guatemalteco, Alberto Vourvoulias-Bush, director de La Prensa, el diario en español más importante de Nueva York. Tienen dos hijos cuyas risas lejanas acompañan la conversación. Nació en Londres de padres indios, aunque se trasladaron a Rhode Island cuando era una niña y creció en Kingston. Sus hijos son una mezcla de culturas que viven en el barrio de Nueva York que simboliza precisamente ese mundo en el que la identidad cultural se diluye. Y, sí, podría ser tal vez uno de sus personajes, aunque la diferencia es que sus libros están llenos de historias de amor tristes (a veces parecen variaciones sobre la frase con la que arranca Anna Karenina: "Todas las familias felices se parecen, las desdichadas lo son cada una a su modo"), mientras que su casa, su mirada, exhalan tranquilidad y felicidad.

PREGUNTA. ¿Por qué sus historias de amor son siempre tan tristes?

RESPUESTA. (Se ríe). Son más interesantes. Como escritora, no me interesan las historias de amor felices. Creo que es algo en lo que se fijan muchos otros escritores que también han reflexionado sobre ello, sobre todas las formas en que las cosas pueden ir mal, sobre todas las formas en que algo puede fracasar, en que podemos sufrir una decepción. Es algo a lo que se ha enfrentado siempre la literatura: no creo que necesitemos los libros para enseñarnos a ser felices. Nos dirigimos a ellos para entender la parte más difícil de la vida.

P. "Su vida no era feliz pero tampoco infeliz", dice de uno de sus personajes femeninos para definir su matrimonio. Muchas de sus mujeres viven en esa especie de limbo, en esa resignación que empieza con las bodas arregladas. ¿Sigue habiendo tantos matrimonios de ese tipo en la comunidad india de Estados Unidos?

R. No creo que mis cuentos reflejen nada más allá de la propia literatura. Supongo que estoy interesada en narrar diferentes formas de matrimonio y la idea de felicidad frente a la infelicidad, algo románticamente inspirado frente a algo más tradicional, un acto social, como son los matrimonios arreglados. Es algo que me ha interesado porque toda mi vida he visto ese tipo de matrimonios y veo que ambos pueden ser felices o infelices.

P. Al leer sus cuentos uno tiene la impresión de que siempre cuenta la misma historia, pero que es siempre diferente. ¿Está usted de acuerdo?

R. Sí, creo que estoy de acuerdo. Escribo siempre sobre un cierto mundo, un cierto tipo de personajes. No creo que escriba siempre la misma historia, porque hay diferentes pulsiones y luchas en cada una de ellas. A veces es la familia, otras veces son asuntos personales. Es algo que les ocurre a muchos escritores, a muchos pintores, que reflejan una y otra vez la misma montaña, el mismo río, el mismo jardín, la misma catedral y la dibujan constantemente. Es verdad que observo siempre el mismo tipo de situaciones y personajes pero siempre encuentro cosas nuevas. Si dejase de encontrar esa mirada renovada, seguramente cambiaría de temas. Pero puede ser infinito.

P. ¿Qué parte de sus historias está basada en hechos reales y qué parte es inventada?

R. Realmente, nada de lo que cuento ha ocurrido de verdad, aparte de unos detalles de un relato de mi primer libro que describen la llegada de mi padre a Estados Unidos. Tal vez haya pequeñas cosas que hayan ocurrido y que he reconstruido de forma diferente. Las historias de este libro son completamente inventadas, no se apoyan en una realidad concreta.

P. Todas sus historias gravitan en torno a tres temas: familia, amor e identidad. ¿Está usted de acuerdo?

R. Sí, creo que es justo. Familia, amor, identidad, tal vez pertenecer a un lugar son temas esenciales para mí. Me siento agradecida por haber encontrado algo sobre lo que escribir, que haya cosas que me interesen, que me parezcan un desafío. Eso es lo principal. Creo que analizar las relaciones humanas es algo que la literatura puede hacer de una forma que otras artes no pueden conseguir con la misma intimidad. La pintura, la música, la danza nos pueden llevar a otros lugares, consiguen abrir nuestros ojos de una manera concreta, pero la literatura tiene la ventaja de que logra entrar en la mente de personajes imaginarios, y relacionarnos con otros, y el lector comparte esos estados de ánimo. Entrar en la vida de esa gente es un viaje extraordinario, más que el cine, porque realmente accedes a la conciencia de los personajes, al misterio de las vidas, cómo nos vemos, cómo nos ven los demás.

P. Sus libros giran una y otra vez en torno a las migraciones y la identidad. ¿Cree que estos temas son los que definen el siglo XX?

R. No creo que definan sólo el siglo XX. Definen a la humanidad. Lo que más me interesó de los etruscos es que vienen de otros lugares. Toda la historia de Estados Unidos es una historia de migraciones. En el siglo XX se convirtió en algo más radical, más común. Porque es mucho más fácil moverse, subirse a un avión, ir a otro lugar. La noción de familia se ha diluido en muchas partes del mundo. Las circunstancias históricas y políticas han aumentado la necesidad de que la gente se mueva. Más que nunca hemos migrado a otros lugares. Y eso me interesa mucho: la noción de gente, de identidad, de sus casas, de dónde vienen y adónde creen que pertenecen, su realidad.

P. ¿Por eso muchos de sus personajes luchan una y otra vez con su identidad, se debaten entre su identidad personal y su identidad colectiva?

R. Sí, es cierto. Creo que es algo que nos ocurre a todos, en mayor o menor medida. Tal vez es más agudo en una persona como yo: no he nacido con una idea obvia de pertenencia a un lugar. Es una cosa básica. Creo que es muy importante tener un sentido de dónde pertenecemos y algunos de mis personajes han nacido con esa carencia y tratan de rellenarla.

P. También su literatura está marcada por la presencia de la familia. ¿Sigue siendo muy importante en la sociedad india?

R. La noción de familia es mucho más estrecha en la sociedad india que en Estados Unidos: no creces y te vas a los 18 años y vuelves una o dos veces al año. Ayer volvía de Washington y nevaba, y mi madre me llamó para ver si había llegado bien. Tengo 42 años, pero para ella tengo la misma edad que mis hijos. La ansiedad, el amor, la preocupación

... Según iban creciendo mis amigos, sus familias desaparecían de sus vidas. Mi marido, que es guatemalteco, tiene la misma relación con sus padres que yo. No he tenido que explicárselo a él, ni él ha tenido que explicármelo a mí, aunque venimos de mundos muy diferentes. Creo que aquí es muy desconcertante. Y los padres inmigrantes dejan atrás su extensa familia y cuando llegan aquí, en la otra parte del mundo, sus hijos son toda su familia.

P. La comida también es muy importante como signo de identidad para sus personajes.

R. Es muy importante, mucho más para los padres que para los hijos. Los padres siempre están buscando la comida que consideran normal y buena, los hijos están menos atados a esas tradiciones. La comida forma parte de todo eso de lo que hablamos, es la forma obvia que reúne a la familia, es lo que la define. Es divertido para mí porque Estados Unidos parece haber descubierto por fin la importancia de la comida y es algo que en mi familia siempre ha sido obvio. En el mundo del que vengo, no hay muchos afectos abiertos, no hay abrazos, ni besos, pero la comida es una de esas cosas que sigue siendo una expresión de amor y conexión entre los miembros de una familia.

P. A veces en sus libros creo que la familia es una bendición y en otros es casi una condena. ¿Cree usted que sus personajes se mueven siempre entre esos dos conceptos?

R. Creo que es las dos cosas, una bendición y una condena. Algunos de los personajes son muy radicales en su alejamiento de la familia, pero es una excepción. La mayoría se sienten limitados por su familia, sobre todo los de segunda generación, porque para ellos crecer es alejarse de algunas de las cosas que representan. Creo que en El buen nombre es donde estudié esto más a fondo, al narrar cómo Gógol pasa de tener una relación muy estrecha con su familia a tratar de buscar un lugar sin sus padres. Creo que es algo que todos tenemos que hacer como personas. La familia es una bendición, pero luego como adulto tienes que reinventar lo que significan todas esas cosas. La familia es algo muy dinámico, que cambia constantemente. Nunca es obvio lo que ocurre, incluso en una familia nuclear.

P. ¿No cree que su libro, sobre todo las tres historias finales, representa una reflexión sobre el destino?

R. En cierta medida, supongo, no estaba pensando a fondo en ello cuando lo escribí. Son cosas abstractas y difíciles de verbalizar, incluso cuando estoy pensando en ellas de manera inconsciente. Pero en ese caso, no tenía la intención de escribir sobre eso. Para mí era importante hablar de personajes que no pueden huir de sí mismos. Pensaba en desarrollar la historia de unos personajes desde su infancia y en cómo el personaje de él, Kaushik, se convierte en una persona que no quiere raíces, ni una familia, mientras que Hema busca una vida más segura, si algo puede considerarse seguro en la vida, una cierta estabilidad.

P. ¿Por qué eligió Volterra y los paisajes etruscos para desarrollar esta relación?

R. Sabía que una parte de la historia transcurriría en Roma y pensé que debían irse a algún lado el fin de semana. Y, dado que sólo había ido una vez a la Toscana, pregunté a una amiga que va muy a menudo, le dije que tenía esa pareja, y me dio una serie de sugerencias y al final me dijo: "Si quieres un lugar que sea un poco más remoto y con no tantos turistas y muy tranquilo en invierno, elige Volterra". Una vez que empecé a leer sobre esta ciudad llegué a D. H. Lawrence y sus Atardeceres etruscos y eso me lanzó a descubrir el mundo etrusco e hice que Hema estuviese interesada en esa cultura. Pero, cuanto más pienso en ello, más me gusta esa parte del libro, muchas de sus creencias, de que el viaje sea una metáfora de la vida, las urnas funerarias, todo me pareció apasionante. Porque en el fondo mis historias están llenas de viajes de un lado a otro, de India a Estados Unidos. Me pareció muy interesante esa síntesis entre el viaje de la vida y el viaje hacia la muerte y me di cuenta de que la historia que relataba en el fondo hablaba de ello.

P. En sus libros siempre es muy importante lo que sus personajes no dicen o no se atreven a decirse. ¿Cree que ése es un factor importante en la vida, la falta de comunicación?

R. He escrito de esto durante largo tiempo: es la verdad, incluso en las relaciones más íntimas, matrimonio o amor, nunca se dice todo. Todos tenemos una vida interior, una vida privada. No es posible decir siempre lo que sientes o lo que piensas. Para mí, las cosas que no se dicen entre personas muy cercanas son muy interesantes y mucho más como narradora. Porque allí es donde los personajes descubren cosas.

P. Uno de sus personajes dice en un momento dado: "Pertenecen a ese lugar como yo nunca perteneceré a ninguno". ¿Cree que es algo que define muchos de sus relatos?

R. Algunos de mis personajes sí están marcados por ese sentimiento, por esa necesidad de pertenecer a un lugar que puedan llamar su casa. Para ellos la vida está tan fracturada que no pueden llamar hogar a ningún lugar, y es una diferencia enorme entre una ciudad pequeña y remota y cercana y antigua en la que seguramente crecieron con la experiencia que se puede tener en una ciudad de Estados Unidos, que es un país tan joven. Acabo de volver de ver a mi hermana, en el sur de Estados Unidos, en Alabama, donde nunca había estado. Y sentí que tienen más sentido de pertenencia a una población, desde por lo menos cien años, y era interesante compararlo incluso con el lugar donde crecí, Rhode Island, que es muy provinciano, pero a la vez había apellidos de todos los países en mi clase: irlandeses, polacos, judíos, italianos, franceses, indios... Nunca sentí que hubiese una población específica. La primera vez que fui a Italia recuerdo que me chocó esa sensación de continuidad, me pareció a la vez extraña y atrayente.

P. ¿Siente que su familia es realmente muy significativa de lo que representa el siglo XX?

R. Sí, el mundo es así, aunque haya gente a la que le da miedo, porque ven como una amenaza que se diluye su sentido de pertenencia, de compromiso con un lugar.

P. Por muy dura que sea la vida en el país al que llega, la gente sigue emigrando y emigrando, y no hablo de gente que huye de la pobreza o de la guerra, sino de clase media. ¿Por qué?

R. Aunque sea muy difícil, hay algo de honor, de ambición, de sentimiento, de orgullo y prestigio para la familia que se queda detrás, es un símbolo. No creo que sea una elección fácil y es muy duro. Por eso les cuesta tanto hacerse a la vida en Estados Unidos, muchas veces se preguntan si tomaron la decisión adecuada, qué hacen allí, si es un lugar para educar a la familia. Y es algo que veo en amigos de mi edad, que han hecho lo que hicieron mis padres, amigos de España, de Suráfrica, que tomaron la misma elección que mi familia, no fueron obligados a emigrar por una hambruna, una guerra o una persecución. Y tienen muchas dudas.


Tierra desacostumbrada. Jhumpa Lahiri. Traducción de Eduardo Iriarte. Salamandra. Barcelona, 2010. 352 páginas. 19 euros.
Fuente el pais

Cântico Negro

Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

lunes, 15 de marzo de 2010

Subsídio Desemprego.

A taxa de desemprego em Portugal continua a bater recordes históricos, mas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) - entregue hoje na Assembleia da República - o governo socialista de José Sócrates vai apertar as condições de acesso ao subsídio de desemprego e diminuir o seu valor. Um paradoxo? Para a teoria económica não: a generosidade do subsídio de desemprego atrasa o regresso ao mercado de trabalho. Para o governo, pressionado para reduzir a despesa pública, o argumento é também conveniente, já que o subsídio de desemprego vai custar cerca de 2,2 mil milhões de euros este ano.

"Os resultados confirmam que os subsídios de desemprego mais generosos aumentam a taxa natural de desemprego", concluem os economistas do Banco de Portugal (BdP) Mário Centeno, Álvaro Novo e José Maria. "Um aumento nos subsídios de desemprego gera dois efeitos que tendem a aumentar a taxa natural [de desemprego]. Primeiro, aumenta o salário de reserva relativamente à produtividade. Segundo, requer impostos adicionais para financiar o sistema de subsídio de desemprego", explicam na obra "A Economia Portuguesa no Contexto da Integração Económica, Financeira e Monetária", publicada no final do ano passado pelo BdP.

Por outras palavras, o nível do subsídio de desemprego torna mais alto o custo de oportunidade de voltar ao mercado de trabalho - em particular o mercado português, em que predominam os salários baixos. O valor médio recebido pelos mais de 362 mil beneficiários do subsídio de desemprego ronda 525 euros, concorrendo com ofertas de trabalho a troco do salário mínimo (475 euros) ou de valores pouco acima. "Com os custos de deslocação ou refeição há trabalhadores que podem não estar interessados", admite João Proença, secretário-geral da UGT.

O governo, que na legislatura anterior apertou o controlo à fraude, quer ir mais longe. O ministro das Finanças explicou no sábado que o executivo vai mexer nas regras do "emprego conveniente", que permitem, entre outras excepções, que uma pessoa desempregada recuse um emprego se o salário bruto oferecido não exceder em 25% o valor do subsídio de desemprego (se a oferta decorrer depois de seis meses a receber a prestação o valor desce para 10%). O ministro não deu detalhes, que deverão estar hoje no relatório do PEC, mas adiantou que as "condições [serão] mais exigentes". Também na relação entre o subsídio e o salário recebido antes - actualmente de 65% com limite de três salários mínimos (1.425 euros) - haverá um corte, com Teixeira dos Santos a adiantar que passará a ser exigido "um pouco mais de esforço" a estas pessoas.
Fonte ionline.pt

domingo, 14 de marzo de 2010

Educaçao e Cotas

Não é a cor da pele

O iminente julgamento das chamadas cotas raciais pelo Supremo Tribunal Federal vai muito além da adoção de um sistema dito “afirmativo” para o ingresso nas universidades.

Definirá se o país vai ou não institucionalizar uma política racialista. Se é justo embasar políticas públicas na cor da pele.

O veredicto – se as cotas forem legitimadas – pode, a rigor, colocar em dúvida princípios constitucionais e até criar instabilidade jurídica.

Um xeque-mate na Constituição, que, no caput do Art. 5º, assegura “que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza ...”, e define, ao longo de 58 incisos e outras tantas alíneas, todo o arcabouço de direitos e garantias fundamentais.

Dependendo da palavra final do STF, a porta para que cada um deles possa ser questionado se escancara.

Atualmente, o Brasil adota políticas afirmativas para dois grupamentos: deficientes e mulheres. Mas essas excepcionalidades foram definidas em lei pela maioria dos deputados federais e senadores, como tem de ser, e não pelos ministros do Supremo.

Os deficientes são uma minoria com limitações objetivas. Ninguém questiona e muito menos atribui à lei que os beneficia qualquer similitude com as cotas raciais.

Para as mulheres, fixou-se a obrigatoriedade de os partidos políticos terem o mínimo de 20% de candidatos do sexo feminino. E este sim é um ótimo paralelo.

Ora, a lei que privilegia as mulheres vale para as siglas partidárias, não para as casas legislativas. Se aplicássemos a mesma regra que muitos pretendem para as cotas raciais haveria uma reserva de vagas nos parlamentos.

Mulheres seriam eleitas com menos votos que os homens do mesmo partido. Felizmente, mesmo com as cotas partidárias, elas só chegam ao Senado, à Câmara dos Deputados, aos legislativos estaduais e municipais se tiverem o mérito de serem escolhidas pela maioria dos eleitores.

Em defesa das cotas há argumentos que vão desde a purgação de culpa pelo abominável período escravocrata e de pós-escravidão à obrigação, também constitucional, de o Estado promover a igualdade. Mas esse, como é sabido, é um preceito que vale para todos. Pressupõe saúde, educação, moradia e vida digna para pretos, brancos, pardos, vermelhos, amarelos.

O tema jamais obterá consenso jurídico, muito menos de mérito. A decisão do Supremo será, quer se queira, quer não, de caráter político. E, nesse item, o governo do presidente Lula saiu na frente.

Embora não tenha obtido êxito em enfiar as cotas no Estatuto de Igualdade Racial aprovado na Câmara, seu ministro da área, Edson Santos, conseguiu ser maioria em número e voz nas audiências públicas promovidas pelo SFT no início deste mês.

Ainda assim, muitos dos argumentos favoráveis que arrebanhou podem agir no sentido inverso.

O diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Ipea, Marcos Lisboa, por exemplo, apresentou, ao defender as cotas, dados estatísticos alarmantes: 571 mil crianças brasileiras entre 7 e 14 anos ainda estão fora da escola. Dessas, 62% são negras. Isso se resolve com reserva de mercado no ensino superior?

Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE demonstram que, mesmo depois das cotas, não passa de 4% o número de negros e pardos que concluem o curso superior. O fundo do buraco é, portanto, muito mais embaixo. Exige políticas públicas que antecedem, e muito, uma cota de acesso às universidades.

Ninguém em sã consciência discorda que o Brasil é um país de profundas desigualdades. Mas as cores são as menores delas.

Afinal, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. É absurdo eleger benefícios pela cor da pele. Como se pobres de qualquer outra cor fossem menos pobres e necessitados do que pobres pretos e pardos.



Mary Zaidan é jornalista.
Fonte Blog do Noblat

India:Londres muestra 60 cuadros pintados durante tres siglos



Efe | Londres

Londres desvela en la National Portrait Gallery la rica y compleja historia de la India a través de 60 retratos pintados durante tres siglos, entre el imperio Mughal del siglo XVI hasta la colonización británica del siglo XIX.

Con un estilo propio caracterizado por acuarelas de colores intensos y adornos dorados, los retratos ofrecen además un amplio abanico de influencias procedentes del Imperio Persa, de los reinos musulmanes de Oriente Próximo e incluso de Europa Occidental.

Ordenada cronológicamente, la exposición,, arranca con los cuadros creados bajo el Imperio Mughal, caracterizados por pinturas de un protagonismo casi absoluto de las gestas de los emperadores, que aparecen a caballo o sentados en sus tronos.


'Seth Manekchand', un mercader adinerado, Rajasthan, probablemente Jaipur, 1823. | Efe
La pieza más importante de esta etapa -y más grande con casi dos metros de largo- es el retrato del emperador Jahangir, "Jahangir sujetando un globo" (1617), en el que aparece sentado en su trono, de perfil y mirando una bola dorada que alude a su nombre honorífico Nur al-Din (Luz de la fe).

Según los comisarios de la muestra, Kapil Jariwala y Rosemary Crill, la obra recibió la influencia de los óleos europeos de la época, conocidos en la corte Mughal tempranamente, cuando el emperador Jahangir exhibió retratos ingleses en la festividad de año nuevo de 1616-17.

Con la excepción de un catálogo de una subasta de 1995, este retrato épico de artista desconocido no se había mostrado nunca antes al público hasta esta exposición.

La muestra también recoge el arte de los sultanatos islámicos de Decann (sur de la India), importantes centros artísticos hasta su conquista por los Mughal entre 1596 y 1618, donde también se exploró la técnica del retrato a la acuarela con un estilo más sofisticado.

'La Compañía', pintores clave
Los reinos hindúes de Rajastham y Hills, situados al norte de Delhi y gobernados por los clanes guerreros de los rajput, fueron conquistados por los Mughal a finales del siglo XVI por lo que absorbieron su cultura.

Sin embargo, artistas rajput como Nainsukh y Bakhta supieron imprimir a los retratos un estilo menos marcado por la reproducción naturalista y se inclinaron por la abundancia de ornamentos dorados, líneas más marcadas y ausencia de fondos.

La llegada de los colonos británicos a finales del siglo XVIII dio un nuevo aire al retrato indio, ya que la influencia del arte europeo amplió la variedad de técnicas y estilos utilizados hasta entonces y los artistas hindúes comenzaron a ser contratados por los colonos para pintar escenas de la vida cotidiana.

Las pinturas de "La Compañía", como se llamó a este grupo de artistas que recibían la mayor parte de sus encargos de los empleados de la East India Company, fueron abandonando los perfiles de los formatos tradicionales e introdujeron las sombras y la perspectiva, como consecuencia del cambio de visión que la fotografía ofrecía a los retratos.

En estas pinturas, en las que eran habituales tanto occidentales como hindúes, las mujeres comenzaron a cobrar un especial protagonismo, en la línea del creciente rol que desempeñaron en la sociedad del siglo XIX.

Los retratos expuestos hasta el 20 de junio en la National Portrait Gallery proceden de la Colección Real, del Museo Metropolitan de Nueva York, del Museo Británico o del Victoria&Albert de Londres, entre otros
Fuente El Mundo.es

Niños, pandilleros, asesinos

Mañana Marlon será condenado por cuatro homicidios agravados. El juez se convencerá de que es el responsable de cuatro asesinatos ocurridos entre marzo y mayo de 2009: a un joven lo disparó por no querer levantarse la camisa; a otro, por ser de la Mara Salvatrucha, la pandilla contraria; y a dos jovencitas las mató porque creyó que eran unas soplonas. Marlon es pandillero, del Barrio 18. Marlon tiene 17 años


(...)
Las dos principales pandillas juveniles o maras que operan en el país –Mara Salvatrucha y Barrio 18– surgieron entre los inmigrantes hispanos asentados en el área metropolitana de Los Ángeles, en Estados Unidos. El Salvador importó el fenómeno como consecuencia de la deportación masiva que Washington promovió en los noventa. Hoy el país es el más violento del continente.

Sobre la edad de ingreso en las pandillas no abundan los estudios serios. Según señala el investigador Wim Savenije en su libro “Maras y barras”, una de las últimas encuestas que se ha hecho entre pandilleros en El Salvador se remonta al año 2000, y en ella se determinó que por aquel entonces la edad promedio era a los 15 años.

En los diez años transcurridos desde esa encuesta, sin embargo, las maras han sido objeto de planes represivos, y una de las consecuencias ha sido la incorporación de niños cada vez más pequeños. Muchos en la actualidad hacen coincidir su ingreso –el “brinco”, en el argot de las pandillas– con su cumpleaños número 13, por el simbolismo que encierra esa cifra para ambas pandillas.

No está de más recordar que la Convención de los Derechos del Niño, vigente desde 1990 y suscrita por el Estado salvadoreño, considera que se entiende por niño todo ser humano menor de 18 años de edad.

La pandilla, un referente
Juan José Martínez es un antropólogo que hace dos meses inició el trabajo de campo para su tesis universitaria, titulada “Construcción de identidades juveniles desde la violencia”. Todos los días durante seis meses convivirá con un grupo de unos 50 pandilleros que tiene su base en un municipio del extrarradio de la capital. “El 90% son menores”, dice Martínez.

En los dos meses que lleva ya en la comunidad ha sido testigo de la “primera pegada” de un pandillero que, sin haber cumplido los 16 años, asesinó a una persona para ganar respeto dentro de la pandilla.

Sin embargo, el caso que más ha llamado la atención de Martínez es el de Ulises, un niño de 12 años que “representa el proceso más evidente de transformación de niño en pandillero”. Aún no ha sido brincado, pero está en proceso. El grupo enseña a Ulises día y noche las reglas de conducta, cómo ser pandillero.

Martínez lo ilustra con una anécdota. Un día llevó arroz con chorizo a los pandilleros. Cuando el líder lo recibió, compartió una parte con Ulises. El plato llegó a las manos del niño pero, cuando se aprestaba a comer, el líder le retiró la comida y le dijo que debía compartirla con el resto. La solidaridad, igual que la disciplina y la obediencia, son valores propios de una pandilla. Ulises calló y obedeció.

“La pandilla sigue siendo un referente de identidad para los niños de la comunidad en la que está asentada”, concluye Martínez.

¿Más penas?
El Salvador se halla desde hace algunas semanas sumido en un debate sobre las penas que deben cumplir los menores asesinos. La Asamblea aprobó el pasado 11 de febrero aumentar la pena máxima de internamiento de 7 a 15 años, pero el presidente de la República, Mauricio Funes, vetó la reforma alegando inconstitucionalidad. El debate sigue abierto.

A Marlon el juez le impondrá la pena máxima vigente: siete años en un centro de resguardo de menores administrado por el Instituto Salvadoreño para el Desarrollo Integral de la Niñez y la Adolescencia. En El Salvador, cada pandilla tiene asignados centros, con la idea utópica de evitar enfrentamientos y conflictos. Lo mismo ocurre con los centros penales para adultos.

Marlon será enviado a un centro de resguardo llamado El Espino, ubicado en la zona occidental del país. De allí lo han traído esposado. Seguirá en compañía de más pandilleros del Barrio 18, muchos de ellos condenados también por asesinato. Quizá antes si así lo determina el Juzgado Segundo de Ejecución de Medidas al Menor, pero en teoría Marlon recuperará su libertad cuando tenga 26 años
Fuente El Mundo.es

Comento:Porque solo se habla de la identidad???

La Biblioteca Nacional, una puerta abierta a la reflexión sobre Europa


Ana Mendoza (Efe) | Madrid
La Biblioteca Nacional posee entre sus increíbles fondos piezas de gran valor, y algunas de las mejores se pueden contemplar en la exposición "Europa en papel", en la que se propone una reflexión sobre las principales señas de identidad europeas a lo largo de la Historia.

El códice del Beato de Liébana, una excelente edición de "La Divina Comedia", de Dante Alighieri; un ejemplar recién restaurado del "Tratado de estática y mecánica", de Leonardo da Vinci; un dibujo de Velázquez, grabados de Durero y Rembrandt y otros de Picasso, que rara vez se muestran, son algunas de las obras que ayudarán al espectador a comprender cómo ha evolucionando Europa.

Organizada por la Biblioteca Nacional y la Sociedad Estatal de Conmemoraciones Culturales (SEC), la exposición se ha hecho coincidir con la presidencia española de la Unión Europea y con el XXV aniversario del ingreso de España como miembro de pleno derecho. Estará abierta hasta el 6 de junio.


En la imagen, Cabeza de muchacha (1620), de Velázquez. | Efe
De seleccionar las piezas se han encargado los comisarios Carlos Martínez Shaw y Marina Alfonso Mola, y su objetivo ha sido, según dijo el primero al presentar la exposición a la prensa, "resaltar los valores fundamentales de lo que hoy representa Europa" a través de mapas, grabados, retratos, dibujos, libros, folletos, manifiestos, enciclopedias, carteles y partituras.

El resultado es, en opinión de la directora de la Biblioteca Nacional, Milagros del Corral, "un recorrido lleno de sugerencias y de mensajes positivos con respecto a esta Europa nuestra, que fue siempre un sueño y que se remonta al mito del rapto de Europa para llegar hasta nuestros días, con la construcción de la Comunidad Económica Europea y de la Unión Europea".

¿Qué es Europa?
Durante siglos, en Europa han convivido civilizaciones y culturas muy distintas pero, siempre, "el viejo continente ha intentado mantener el deseo de toma de conciencia de sí mismo, de su significado en el entorno internacional y de su capacidad para generar una idea de unidad", y esa idea es la que pretende mostrar la exposición, afirma Corral en un texto introductorio del catálogo.

¿Qué es Europa? A esa difícil pregunta trata de responder la exposición, que recrea "la evolución de un continente que adquiere conciencia de sí mismo a partir del esplendor de la civilización grecorromana", añade Del Corral, especialmente satisfecha hoy de "la aportación a través del papel" que la Biblioteca Nacional y la SECC hacen a Europa con esta muestra.

Dividida en los cuatro períodos característicos de la historia europea -clásica, medieval, moderna y contemporánea- la exposición se articula en torno a las principales señas de identidad europeas.

Estas son: el proceso de afirmación de las libertades individuales, la consolidación de la democracia como fórmula de convivencia entre los europeos y entre estos y el resto del mundo, y la aceptación del pensamiento laico y racional como vía para el conocimiento.

Como dijo Xosé Luis García Canido, director de proyectos de la SECC, la exposición "es compleja" porque trata de explicar qué es Europa. Ser europeo "es la búsqueda de algo, la búsqueda de una esencia, y esa búsqueda va por delante de la realidad de lo que somos".

Y a explicar el concepto de Europa contribuyen "una serie de mitos y de protagonistas que la van definiendo a lo largo de más de dos mil años". Muchos de ellos están reflejados en la exposición de la Biblioteca Nacional, que toma el hilo de una Europa histórica que adquiere conciencia de sí misma a partir de Grecia y Roma.

El proceso de cristianización de Europa durante la Edad Media, el crecimiento del continente a partir de la Edad Moderna, tanto en lo económico y territorial como en lo político y cultural; y los grandes cambios que experimentó desde finales del siglo XVIII hasta desembocar en la época actual, con una Unión Europea formada por 27 países, son algunos de los hitos destacados de la exposición.
Fuente El Mundo.es