viernes, 10 de mayo de 2013

Igreja católica,mae ds universidades


`IGREJA CATÓLICA, MÃE DAS UNIVERSIDADES´

(*)

Os estudantes universitários normalmente têm um conhecimento pouco profundo sobre a Idade Média; e porque muitos são mal informados, acham que foi um período de ignorância, superstição e repressão intelectual por parte da Igreja católica. No entanto, foi exatamente na Idade Média que surgiu a maior contribuição intelectual para o mundo: o sistema universitário.

A universidade foi um fenômeno totalmente novo na história da Europa. Nada como ele existiu no mundo grego ou romano afirmam os historiadores.

O ensino superior na Idade Média era ministrado por iniciativa da Igreja. A Universidade medieval não tem precedentes históricos; no mundo grego houve escolas públicas, mas todas isoladas. No período greco-romano cada filósofo e cada mestre de ciências tinham “sua escola”, o que implicava justamente no contrário de uma Universidade. Esta surgiu na Idade Média, pelas mãos da Igreja Católica, e reunia mestres e discípulos de várias nações, os quais constituíam poderosos centros de saber e de erudição.

Por volta de 1100, no meio de uma grande fermentação intelectual, começam as surgir as Universidades; o orgulho da Idade Média cristã, irmãs das Catedrais. A sua aparição é um marco na história da civilização Ocidental que nenhum historiador tem coragem de negar. Elas nasceram às sombras das Catedrais e dos mosteiros. Logo receberam o apoio das autoridades da Igreja e dos Papas. Assim, diz Daniel Rops, “a Igreja passou a ser a matriz de onde saiu a Universidade” (A Igreja das Catedrais e das Cruzadas, pág. 345).

Tudo isso nesta bela época que alguns teimam em chamar maldosamente de “obscura” Idade Média. A razão e a fé sempre caminharam juntas na Igreja.

A raiz das Universidades esta no século IX com as escolas monásticas da Europa, especialmente para a formação dos monges, mas que recebiam também estudantes externos. Depois, no século XI surgiram as escolas episcopais; fundadas pelos bispos, os Centros de Educação nas cidades, perto das Catedrais. No século XII surgiram centros docentes debaixo da proteção dos Papas e Reis católicos, para onde acorriam estudantes de toda Europa.

A primeira Universidade do mundo Ocidental foi a de Bolonha (1158), na Itália, que teve a sua origem na fusão da escola episcopal com a escola monacal camaldulense de São Félix. Em 1200 Bolonha tinha dez mil estudantes (italianos, lombardos, francos, normandos, provençais, espanhóis, catalães, ingleses germanos, etc.). A segunda, e que teve maior fama foi a Universidade de Paris, a Sorbone, que surgiu da escola episcopal da Catedral de Notre Dame. Foi fundada pelo confessor de S. Luiz IX, rei de França, Sorbon. Ali foram estudar muitos grandes santos como Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São Tomás de Aquino. A universidade de Paris (Sorbonne) era chamada de “Nova Atenas” ou o “Concílio perpétuo das Gálias”, por ser especialmente voltada à teologia.

O documento mais antigo que contém a palavra “Universitas” utilizada para um centro de estudo é uma carta do Papa Inocêncio III ao “Estúdio Geral de Paris”. A universidade de Oxford, na Inglaterra surgiu de uma escola monacal organizada como universidade por estudantes da Sorbone de Paris. Foi apoiada pelo Papa Inocêncio IV (1243-1254) em 1254.

Salamanca é a Universidade mais antiga da Espanha das que ainda existem, fundada pela Igreja; seu lema é “Quod natura non dat, Salmantica non praestat” (O que a natureza não nos dá, Salamanca não acrescenta”. Entre as universidades mais antigas está a de Santiago de Compostela. A cidade foi um foco de cultura desde 1100 graças ao prestígio de sua escola capitular que era um centro de formação de clérigos vinculados à Catedral. A Universidade de Valladolid é anterior à de Compostela já que em 1346 obteve do papa Clemente VI a concessão de todas as faculdades, exceto a de Teología.

Em 1499 o Cardeal Cisneros fundou a famosa universidade “Complutense” mediante a Bula Pontifícia concedida pelo Papa Alexandre VI. Nos anos de 1509-1510 já funcionavam cinco Faculdades: Artes e Filosofía, Teología, Direito Canônico , Letras e Medicina.

Até 1440 foram erigidas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências, Filosofia e Teologia. Todos fundados pela Igreja. O Papa Clemente V (1305-1314) no Concílio universal de Viena em 1311, mandou que se instaurassem nas escolas superiores cursos de línguas orientais (hebreu, caldeu, árabe, armênio, etc.), o que em breve foi feito também em Paris, Bolonha, Oxford, Salamanca e Roma.

A atual Universidade de Roma, La Sapienza – onde tristemente estudantes e professores impediram o Papa Bento XVI de proferir a aula inaugural em 2008 – foi fundada há sete séculos, em 1303, pelo Papa Bonifácio VIII (1294-1303), com o nome de “Studium Urbis”.

Das 75 Universidades criadas de 1100 a 1500, 47 receberam a Bula papal de fundação, enquanto muitas outras, que surgiram espontaneamente ou por decisão do poder secular, receberam em seguida a confirmação pontifícia, com a concessão da Faculdade de Teologia ou de Direito Canônico. (Sodano, 2004).

As universidades atraíam multidões de estudantes, da Alemanha, Itália, Síria, Armênia e Egito. Vinham para a de Paris chegavam a 4000, cerca de 10% da população.

Só na França havia uma dezena de universidades: Montepellier (1125), Orleans (1200), Toulouse (1217), Anger (1220), Gray, Pont-à-Mousson, Lyon, Parmiers, Norbonne e Cabors. Na Itália: Salerno (1220), Bolonha (1111), Pádua, Nápoles e Palerno. Na Inglaterra: Oxford (1214), nascida das Abadias de Santa Frideswide e de Oxevey, Cambridge. Além de Praga na Boêmia, Cracóvia (1362), Viena (1366), Heidelberg (1386). Na Espanha: Salamanca e Portugal, Coimbra. Todas fundadas pela Igreja. Como dizer que a Idade Média cristã foi uma longa “noite escura” no tempo? As universidades medievais foram centros de intensa vida intelectual, onde os grandes homens se enfrentavam em discussões apaixonadas nos grandes problemas. E a fé era o fermento que fazia a cultura crescer.

Graças ao latim todos se entendiam, era a língua universal e acadêmica; esta permitia aos sábios comunicar-se de um ponto a outro da Europa Ocidental. Havia uma unidade interna e de obediência aos mesmos princípios; era o reflexo de uma civilização vigorosa, segura de sua força e de si mesma.

A partir de 1250 o grego foi ensinado nas escolas dominicanas e, a partir de 1312 nas universidades de Sorbonne, Oxford, Bolonha e Salamanca. Abria-se assim um novo campo ao pensamento que desencadeou uma onda de paixão filosófica no nascimento da Escolástica-teologia e filosofia unidas para provar uma proposição de fé.

Santo Agostinho, Cassidoro, Santo Isidoro de Sevilha, Rábano Mauro e Alamino, os grandes mestres da Antigüidade, se apoiavam sobretudo nas Sagradas Escrituras. Agora o intelectual cristão da Idade Média quer demonstrar que os dogmas estão de acordo com a razão e que são verdadeiros. É a “teologia especulativa”, onde a filosofia é amiga da teologia. Os problemas do mundo são estudados agora sob esta dupla ótica.

A Universidade medieval era um mundo turbulento e cosmopolita; os estudantes de Paris estavam repartidos em quatro nações: os Picardos, os Ingleses, os Alemães e os Franceses. Os professores também vinham de diversas partes do mundo: havia Sigério de Brabante (Bélgica), João de Salisbury (Inglaterra), S. Alberto Magno (Renânia), S. Tomás de Aquino e São Boaventua da Itália.

Os problemas que apaixonavam os filósofos, eram os mesmos em Paris, em Oxford, em Edimburgo, em Colônia ou em Pavia. O mundo estudantil era também um mundo itinerante: os jovens saiam de casa para alcançar a Universidade de sua escolha; voltavam para sua terra nas festas. O sistema universitário que temos hoje com cursos de graduação, pós-graduação, faculdades, exames e graus veio diretamente do mundo medieval.

Os papas sabiam bem da importância das universidades nascentes para a Igreja e para o mundo, e por isso intervinham em sua defesa muitas vezes. O Papa Honório III (1216-1227) defendeu os estudantes de Bolonha em 1220 contra as restrições de suas liberdades. O Papa Inocêncio III (1198-1216) interveio quando o chanceler de Paris insistiu em um juramento à sua personalidade. O Papa Gregório IX (1227-1241) publicou a Bula “Parens Scientiarum” em nome dos mestres de Paris, onde garantiu à Universidade de Paris (Sorbonne) o direito de se auto-governar, podendo fazer suas leis em relação aos cursos e estudos, e dando à Universidade uma jurisdição papal, emancipando-a da interferência da diocese.

O papado foi considerado a maior força para a autonomia da Universidade, segundo A. Colban (1975). Era comum as universidades trazerem suas queixas ao Papa em Roma. Muitas vezes o Papa interveio para que as universidades pagassem os salários dos professores; Bonifácio VIII (1294-1303), Clemente V (1305-1314), Clemente VI (1342-1352), e Gregório XI (1370-1378) fizeram isso. “Na universidade e em outras partes, nenhuma outra instituição fez mais para promover o saber do que a Igreja Católica”, garante Thomas Woods( pg. 51).

O processo para se adquirir a licença para ensinar era difícil. Para se ter idéia da solenidade e importância do ato, basta dizer que em St. Genevève a pessoa para ser licenciada se ajoelhava diante do Vice-chanceler, que dizia:

“Pela autoridade dos Apóstolos Pedro-Paulo, dou-lhe a licença de ensinar, fazer palestras, escrever, participar de discussões… e exercer outros atos do magistério, ambos na Faculdade de Artes em Paris e outros lugares, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém” [Daly, 1961; pg 135].

Uma riqueza da universidade medieval é que era atenta às finalidades sociais. Não se aceitava a idéia de uma cultura desinteressada, ou um saber exclusivamente para seu próprio benefício pessoal. “Deve-se aprender apenas para a própria edificação ou para ser útil aos outros; o saber pelo saber é apenas uma vergonhosa curiosidade”, já havia dito São Bernardo (1090-1153).

Para Inocêncio IV (1243-1254) a Universidade era o “Rio da ciência que rege e fecunda o solo da Igreja universal”, e Alexandre IV (1254-1261) a chamava de: “Luzeiro que resplandece na Casa de Deus” (Daniel Rops, pg.348).

Portanto, são maldosos ou ignorantes da História aqueles que insistem em se referir à Idade Média e à Igreja como promotoras da inimizade à Ciência e perseguidora dos cientistas.


(*)Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br
— with Aristoteles Drummond Drummond and 39 others.

Nome da adutora de Caititu homenageará ex-prefeito Zé Coelho

Zé Coelho 
A adutora localizada no povoado de Caititu, na zona rural de Petrolina, terá o nome do ex-senador, ex-prefeito e ex-vereador da cidade, José de Souza Coelho, mais conhecido como Zé Coelho. A sugestão do vereador Ronaldo Cancão (PSL) foi aprovada, por unanimidade, durante a sessão da Casa Plínio Amorim, na manhã desta terça-feira (7).
A adutora, que foi construída pela Codevasf, será inaugurada no próximo sábado (11). De acordo com o requerimento do vereador, no nome de Zé Coelho foi escolhido por ele ser um político voltado para a zona rural, “um eterno apaixonado pelo homem do campo”. (Foto: Blog da Inês Carvalho)
Fonte Blog www.carlosbritto.com

jueves, 9 de mayo de 2013

Deus existe< deus nao existe...quais são os seus atributos, etc. Enfim uma discussão contínua, da qual nasce a outra espécie de discussões, inclusive a confrontação ciência-religião

Eduardo Lourenço: Concílio Vaticano II fez Igreja «reatar-se com o mundo»
Se eu penso em quem terá pensado por mim ainda antes de eu ter consciência de que estava neste mundo (estou a referir-me à minha mãe, imagino que ela, beatíssima criatura, pensou que este seu filho mais velho podia ter um destino outro, diferente, o melhor dos destinos, sendo padre.
Sou natural de uma província das mais arcaicas do nosso país, pertencente a uma família católica, educado catolicamente, e essa educação em relação a mim próprio é de caráter indelével. Por mais que eu faça, por mais heterodoxo que eu seja (e não o faço para me distinguir do comum dos mortais), estou inscrito em algo que é anterior a qualquer opção de ordem mais refletida, aceite, uma opção - escolha, já com caráter mais sério e mais profundo, uma espécie de conversão. Ora eu não preciso de ser convertido, porque nasci cristão, fui batizado (...).
Não é fácil para mim estar aqui a dar a minha opinião, a qualquer título que seja, em relação a esse grande acontecimento que foi efetivamente o Vaticano II [1962-1965]. Provavelmente seria mais fácil para mim, na qualidade apenas de estudioso de um certo período da nossa História, sobretudo europeia, falar do Concílio de Trento[1545-1563]por causa do Erasmo, do Lutero, da Companhia de Jesus.
Foi um concílio que, na nossa História de europeus, teve uma importância capital nos destinos espirituais, ideológicos e políticos de toda a Europa, uma Europa que estava nessa altura (ou nós pensávamos que estava) no centro do mundo. Já não o está hoje porque fomos ter com eles, os não europeus. Não foram eles que vieram ter connosco. E se nós, europeus, fomos ter com eles, isso provavelmente deve-se a várias coisas de ordem profana e da ordem de motivações mais profundas que são de ordem religiosa.
É um facto que o cristianismo, não sendo, na sua raiz, de origem europeia, tendo-se implantado primeiro de uma maneira eficaz, institucional, a partir do Médio Oriente, depressa ocupou o espaço que era o espaço histórico do Império Romano e por conseguinte nós ficámos católicos e romanos. Já éramos romanos (a língua que hoje falamos, como dizia Camões, é latina).
E com o triunfo do cristianismo (triunfo que sabemos que não foi automático, resultou de um processo de divulgação de uma mensagem determinada, que pouco a pouco transformou do interior aquilo que era a herança, mais conhecida do ponto de vista cultural, como grega e sobretudo latina) nós ficámos católicos e romanos até ao famoso concílio de Trento. Concílio que instituiu duas versões da tradição cristã: uma apresentando-se como prolongando a que vem do tempo dos apóstolos e depois uma outra a que os protestantes chamam a Reforma e que nós chamamos também culturalmente a Reforma. E ficámos com duas Europas. De qualquer modo foi uma Europa que, durante séculos, com essas duas modalidades de fé cristã, se projetou no mundo, primeiramente através de nós.
(...) Uma das novidades da consciencialização que a Igreja toma de si mesmo, no momento em que o Papa João XXIII toma a iniciativa de propor um novo concílio, é a de que os tempos já eram outros. A Igreja vai tomar consciência de que (conforme referia um jovem cardeal que assistiu já à primeira sessão, hoje mais que famoso, chamado Karol Wojtyla) o tempo europeu não era já o único tempo em que a mensagem cristã tinha sido acolhida e determinava o comportamento religioso, ético, ideológico, dos europeus mas que havia uma pluralidade de mundos.
Essa pluralidade não era uma pluralidade que se manifestava, que tinha uma visibilidade só nestes anos tardios do séc. XX. Essa universalidade, em todo o caso pontual, foi aquela que a Europa cristã e sobretudo a Europa católica pós-Reforma levou para a América Latina, levou em parte para a Ásia, etc. Isto quer dizer que não era a primeira vez que a Igreja podia reivindicar um espaço não europeu noutros continentes com a sua presença existente. Mas na verdade era uma presença que estava naturalmente relacionada com o que nós podemos chamar, em todas as ordens, uma forma de imperialismo europeu. (...)
A vontade de "aggiornamento" [atualização] no sentido de ter em conta que espécie de mundo era o nosso, nos anos 60 do século passado, era algo que não era uma novidade absoluta porque realmente a palavra chave do Evangelho foi:«Ide por esse mundo (muito embora não se conhecesse quais os limites desse mundo), pregai e ensinai...». Efetivamente aconteceu que essa pregação, em grande parte, foi nos tempos modernos levada a cabo quer por espanhóis, quer por portugueses, e depois por outros (franceses, italianos, etc.) e os protestantes teriam também a sua maneira de ocupar espaços. Mas sempre, por mais justificada que seja em todos as ordens, tudo se faz na pregação evangélica em função dos valores que eram os valores do Evangelho mas que ao mesmo tempo estavam imbricados na vontade de poderio que era representada pela Europa enquanto primeira potência de tipo universalizante e conquistadora do mundo.
Sucede que quando o concílio é convocado, a Europa, curiosamente, já não se encontra em estado de colonizar ninguém. Está exatamente a atravessar a fase da grande descolonização mundial. De resto há uma relação entre uma coisa e outra. Quer dizer, não é já uma Igreja de recorte imperialista. Mas mantendo-se ainda ela própria herdeira de uma das suas tonalidades que foi o facto de decalcar na sua origem, na ordem institucional, os moldes do império romano em que inseriu a sua mensagem, encontra-se presa a uma Europa que está numa situação extremamente delicada.
É uma Igreja europeia, consciente de que pode fazer alguma coisa por essa mesma Europa na qual ela está inserida e que tinha atravessado a sua maior crise até aos dias de hoje: foi tudo quanto se passou no século XX, em que a Europa esteve à beira do suicídio total e em que duas nações se suicidaram. A vida e a História são uma coisa fantástica: houve civilizações no passado que desapareceram efetivamente, foram riscadas do mapa. Estou a lembrar-me de Nínive, de Babilónia e Cartago, que foram arrasados do mapa. Houve uma nação, que era mais forte, mais potente desta Europa, e que o continua a ser, depois de ter passado pelo grau zero da sua própria história, a Alemanha, que era um zero há pouco mais de 50 anos e agora é o ómega, pelo menos em relação à Europa. E nós sabemos bem que assim é!
Portanto essa decisão da convocação de um concílio foi tomada num tempo de grande crise no interior da história da Europa. Mas com uma Igreja consciente, sem dúvida, de que era necessário fazer qualquer coisa que servisse para sairmos coletivamente dessa Europa que estava sem futuro, que estava com um futuro dificilmente compreensível, que estava nessa altura dividida, ideologicamente, em duas Europas, sofrendo uma divisão que se projeta no planeta inteiro: uma parte dessa Europa vivendo sob aquilo que o Cardeal Wojtyla chamava um ateísmo de Estado e a outra Europa, a Europa protestante e a Europa católica do sul, fiéis a uma tradição a que nós próprios pertencemos.
E, não sendo teólogo nem historiador da Igreja, reconheço que se vai jogar nesse Vaticano II algo de novo. A Igreja, a nossa Igreja, é uma Igreja que está no tempo, é uma Igreja incarnada, é uma Igreja que está na História. Eu penso que a grande característica da religião cristã é o ser uma religião incarnada, em todos os sentidos do termo. É uma religião que tem um corpo, que tem uma História e que interfere sobre a História, não representa apenas uma opção meramente espiritual, uma espécie de separação do espírito. É uma religião incarnada que sempre esteve e sempre se preocupou com o destino dos homens no tempo, porventura demais para alguns (há religiões que vivem numa espécie de atmosfera quase mística, rarefeita e abstrata), mas a Igreja Católica calçou efetivamente em todos os sentidos as botas do Império Romano, sobretudo a Igreja Católica Romana.
E portanto estes acontecimentos por mais que nós devamos interpretá-los em função daquilo que se pretende alcançar neste concílio ou em todos os concílios, em todas as ordens (religiosa, ideológica, ética, etc.) são também acontecimentos políticos. A Igreja é eminentemente política. Mesmo o que nós vimos ontem na televisão com a beatificação de João Paulo II não é alheio a isso. Ele foi um grande cristão (quem sou eu para estar a dizer o que é que religiosamente ele era!) mas ao mesmo tempo ele foi uma personalidade com um papel e uma capacidade política fora do comum.
Portanto esse "aggiornamento" foi um "aggiornamento" na ordem dos princípios que têm a sua origem na mensagem cristã, mas de um Cristo (sempre achei isto extraordinário) que o único prisma (se assim podemos dizer) que ele deu de si próprio foi o de "Filho do Homem". Não sei como é que os teólogos interpretam exatamente esta expressão, mas para mim "Filho do Homem" quer dizer, filho da Humanidade inteira, enraizado na História toda do Homem.
Este concílio foi todo um "aggiornamento" da Igreja passada com outro tempo, que é o da modernidade, a modernidade que pouco a pouco tinha conhecido uma metamorfose que a conduziu a uma anti-Igreja ou pelo menos a uma não Igreja.
A modernidade constrói-se a vários níveis, contra os valores, as proposições, as práticas que eram até ali alimentadas fundamentalmente pela mensagem cristã nas suas diversas traduções. A palavra modernismo era mesmo, para alguns, uma palavra pejorativa.
Na História dos princípios do séc. XX há uma primeira tentativa de gente perfeitamente imbuída de toda uma série de ideias que a partir do séc. XVIII põem em causa o funcionamento da cultura europeia a todos os níveis, e fundamentalmente a sua prática religiosa. É gente que quer responder a essas questões que lhe tinham sido postas pelas filosofias das Luzes e respetivos filósofos, que tinham reenviado a Igreja no seu discurso para uma espécie de defesa.
É a Igreja em estado de defesa, a Igreja pós Revolução Francesa, a Igreja do séc. XIX que vai responder a esses ataques, a essa denegação, à vontade de desestruturar toda a visão do mundo que está incarnada na tradição cristã, particularmente na cristã católica, para lhe opor um outro tipo de construção, puramente profana, puramente humana, laica, como se dirá nalguns países. E a isso respondeu a Igreja em estado de defesa, como nunca tinha estado até então, com o famoso Sylabus no séc. XIX, que era uma condenação da modernidade, do seu espírito, não das conquistas diversas que a ciência começava de facto a apresentar, já de uma maneira convincente no séc. XIX, mas uma recusa mesmo do espírito desse mundo moderno, uma condenação, uma espécie de ato heroicamente suicida da parte da Igreja, que impressionou, entre outros, o nosso jovem Antero de Quental.
Na verdade a Europa foi sempre uma realidade que se autodiscutiu, sobretudo a partir da Reforma, mas já antes. Eu penso que isso se deve ao fermento cristão, onde ela enraíza. Há uma conceção de Deus em que Deus, em vez de ser uma solução como sucede com o Islão que aceita Deus sem o problematizar (Deus é Deus e ponto final), está no mundo europeu sujeito a um questionamento: nós não fazemos mais nada senão estar a discutir se Deus existe, se não existe, quais são os seus atributos, etc. Enfim uma discussão contínua, da qual nasce a outra espécie de discussões, inclusive a confrontação ciência-religião, como se fossem incompatíveis uma com a outra, não obstante o legado de um Galileu, de um Pascal, etc, em que a incursão pela ciência não os inibiu de uma profunda religiosidade.
Mas pouco a pouco foi-se criando esta visão ideológica de que um saber unicamente humano e profano era mais convincente, tinha uma eficácia que não eram assegurados pela repetição dos grandes valores, das grandes intuições cristãs.
Havia uma rejeição dessas instituições porque se considerava contrariarem a assunção da nossa existência como existência puramente natural de seres de pulsões e paixões, recusando-se o cristianismo por impor outro tipo de exigências incompatíveis com elas.
É em contraponto disto que este "aggiornamento" representou uma vontade de compreender e ler o mundo tal como ele se apresentava na prática humana, de forma a poder compreendê-lo e ao mesmo tempo a dialogar com ele, a instituir um diálogo com esse mundo moderno que se tinha afastado cada vez mais da matriz cristã, afastamento que foi evoluindo pura e simplesmente para uma espécie de desertificação da prática tradicional e que não terminou com o concílio.
As catedrais da velha Europa são maravilhosas, ainda lá estão, mas praticamente vazias. Estão lá como memória de outros tempos. Nem sequer João Paulo II as encheu, preferiu os estádios, porque era nos estádios que estava a juventude que podia ouvir de outra maneira e aceitar aquilo que não aceitaria nos tempos que estavam confiscados por outro tipo de uma religião que, por sua vez, se tinha deixado, não direi manipular, mas entregar a certas classes que, durante vários séculos, se identificavam como os que detinham a verdade, a prática, a fé, etc., deixando os outros numa espécie de ignorância fáctica.
Em última análise o Concílio Vaticano II quis efetivamente "aggiornar-se", quer dizer, reatar-se com o mundo. O diálogo com o mundo nunca se tinha perdido, mas de facto quando pensamos no que foi o desenvolvimento do pensamento moderno, ou pelo menos de uma parte dele, vemos o que ele representou como afastamento contínuo desses grandes momentos em que a mensagem evangélica era uma mensagem que tinha uma cobertura teórica, porventura contraditória com a própria intuição fundamental do cristianismo.
Sempre pensei que essa espécie de ornamento suplementar àquilo que é a religião da pobreza, da humildade, que dá como referência mais alta possível da prática humana os lírios dos campos e as aves do céu, fosse criado como uma espécie de sacrário dourado para que a maravilha dessas intuições evangélicas da fé tivesse uma espécie de esplendor suplementar para as dourar ainda mais. Daí que tenhamos essa coisa maravilhosa: o cristianismo é uma religião que tem uma expressão de ordem artística incomparável com outras que nós conhecemos, principalmente na ordem musical. A tal ponto que hoje, para muita gente no mundo, o sentimento do religioso, da divindade, do absoluto, se passa mais ouvindo Bach do que assistindo a cerimónias complexas e quase impossíveis de compreender por parte do crente comum.
Mas não foi por razões estéticas que se deu uma viragem na Igreja. Foi por ter em conta a diferença das mentalidades e a possibilidade de ser recebida de outra maneira que ela resolveu sacrificar uma das coisas mais maravilhosas que ela tinha: o seu culto ser em latim, que era um resíduo do Império romano. Foi um corte com o Império Romano, como sendo a cultura de Deus, que subentendia que Deus falava em latim... Mas, Deus fala todas as línguas (também fala naturalmente o latim, suponho eu... ). Foi uma tradução moderna do Pentecostes. São os homens que têm de invocar Deus e de se lhe dirigir na sua própria língua, na sua própria cultura. E essa foi certamente uma das coisas mais importantes que deixou o Vaticano II. E nesse capítulo o universal não é o que está no espaço. Nós estamos sempre no Universal. Alguém, como Montaigne, sabia que cada homem é em si mesmo toda a condição humana. E isto só o pode dizer alguém que sabe o que é o Evangelho, que sabe o que é a mensagem cristã. Portanto, neste capítulo, ninguém tem nada de ensinar de especial de novo.
É preciso ver que este concílio foi pensado e imaginado por alguém que merecia ser "santo subito", chamado João XXIII, que teve uma palavra que é de uma novidade absoluta, não em si mesma, porque está no Evangelho, mas na sua tradução histórica propriamente dita, ao dizer esta frase extraordinária: «a Igreja não tem inimigos».
Ora acontece que na realidade, na História, a Igreja, enquanto instituição estava confrontada efetivamente com inimigos, precisos, declarados. E foi isso que motivou e explica uma parte da história extraordinária de João Paulo II, que sabia que a Igreja tinha inimigos, enquanto palavra livre de si mesma e ameaçada de extinção por uma opressão de um outro género, por assim dizer, de forças do mal, naquela altura incarnadas de uma maneira precisa. Isto explica muito a história deste Papa [João Paulo II], cuja primeira obsessão enquanto polaco era libertar a Igreja a que ele pertencia dessa opressão que a ameaçava. Isto não explica tudo, mas explica imenso.
Mas verdadeiramente a palavra mais evangélica e mais profunda é aquela do João XXIII: «a Igreja não tem inimigos». Mas não precisará ela de inimigos? Essa é uma questão a considerar. Mas eu não sou teólogo para responder a essa questão.

Eduardo Lourenço
Maio 2011
In Reflexão Cristã 2012
09.05.13

A espiral e o quadrado

Avalovara - A espiral e o quadrado
Antonio Candido
(6ª.ed. São Paulo. Companhia das Letras: 2005 (p.7-10))

   Como num relato de Borges, o modelo deste livro seria um poema místico em latim, de que se conserva apenas a versão grega na hipotética Biblioteca Marciana de Veneza... O poema fornece o esqueleto de uma geometria rigorosa e oculta, que o Autor revela numa espécie de guia metalingüístico do leitor, e que dá à narrativa um movimento espiralado, sem começo nem fim quando tomado em si mesmo. O limite está no fato de a espiral ser contida num quadrado, que por sua vez se reparte em quadrados menores, cada um correspondendo a uma letra. O traçado da espiral vai tocando sucessivamente as letras, e cada uma destas corresponde a uma linha da narrativa, voltando periodicamente em segmentos cada vez maiores.

   As linhas são oito, e o seu desdobramento se traduz na história de um homem e das mulheres que amou: uma na Europa, uma em Recife e sobretudo uma, em São Paulo, que de certo modo recebe a experiência amorosa vivida com as anteriores. As duas primeiras seriam passado, mas funcionando como presente; a última é um presente que se forma a cada instante do passado. Toda a narrativa converge para a plenitude amorosa, numa espécie de gigantesca câmara lenta, que concentrasse o tempo no espaço limitado e no limitado instante em que a plenitude é buscada.

   O que desde logo prende em Avalovara é a poderosa coexistência da deliberação e da fantasia, do calculado e do imprevisto, tanto no plano quanto na execução de cada parte. Falando do relógio de Julius Heckethorn (uma das linhas da narrativa), o Autor diz que obedecia a “um esquema rigoroso”. E “sobre este rigor assenta a idéia de uma ordem do mundo”. Mas “como introduzir, então, na obra, o princípio de imprevisto e aleatório, inerente à vida?”. A execução do livro é a resposta, fascinante para o leitor, à medida que este vai experimentando a precisão geométrica do arcabouço, a minúcia implacável da descrição e a poesia livre que rompe a cada instante.

   SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS é uma frase inventada por um escravo frígio de Pompéia, feita de cinco palavras, cada uma com cinco letras, que se pode ler igualmente nos dois sentidos, e em cuja composição entram apenas oito letras, que, distribuídas pelos quadrados menores, constituem as linhas narrativas. Nos vinte e cinco quadrados que formam o quadrado grande, onde se contém a espiral, as palavras se sobrepõem horizontalmente, mas também se estendem em colunas verticais, pois a frase pode ser lida indiferentemente da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima para baixo, de baixo para cima, em diversos rumos.

    Assim, na narrativa, o amor é visto do homem para a mulher, da mulher para o homem, do presente para o passado, do passado para o presente, daqui para ali, dali para aqui, numa reversibilidade vertiginosa que traz à baila a evocação da herma de Jano e chega a uma mulher que é também homem, para um homem que poderia eventualmente ser também mulher.

   As reversibilidades prosseguem ainda noutro plano, quando o Narrador se transforma periodicamente em Autor e a narrativa quebra a imagem do real, para apresentá-lo como fantasia composta. Neste romance, uma das linhas é precisamente a da consciência crítica entrando a cada instante pela série ficcional, denunciando o seu caráter fictício de empresa deliberada, igualmente reversível entre a representação do real e o caráter ilusionista da representação. Daí um livro que não tem medo de se apresentar como livro, como maquinismo montado, como não-realidade — mas do qual jorram o fascínio de uma vida que palpita, o traçado do mundo exterior e a surda potência das emoções.

   Nada mais significativo desta mistificação desmistificadora do que o fato de um personagem não ter nome. Trata-se da terceira mulher, a mais importante, representada no entanto por um signo meramente visual: ‘O’. Abel amou/ama Roos, amou/ ama Cecília e finalmente ama/amou ‘O’. Ela é espantosamente carnal e viva para o leitor; mas é um ente mental do escritor, uma peça do jogo palindrômico, representada simbolicamente pelo círculo fechado onde tudo começa e acaba, com seu alvo fincado no meio. As pontas da espiral, desgarradas no infinito, unem-se aqui para a consecução de uma plenitude que é toda a busca do livro.

   Romance? Poesia? Tratado da narrativa? Visão do mundo? No universo sem gêneros literários da literatura contemporânea, o livro de Osman Lins se situa numa ambigüidade ilimitada. A começar pela linguagem, que varia também com o movimento da espiral, indo da simplicidade das expressões até a paráfrase do Cântico dos Cânticos, do tom de arrolamento metódico aos vôos largos da poesia.

   Para se encontrar nessa ambigüidade, o leitor deveria munir-se de um sentimento duplo, que poderia ser chamado de sentimento do todo ou da espiral, e sentimento da parte, ou dos quadrados. Há uma visão do todo, que se desvenda lentamente, custando a ganhar forma em nosso espírito. Não faz mal, porque o livro parece feito para ser lido também nas suas partes. O sentimento da espiral leva a buscar a concatenação e o contraponto dos fios, ao longo do tempo. Mas o sentimento dos quadrados leva a tomar cada parte como um todo, bastante a si mesma e fora do tempo, capaz de produzir um impacto completo de leitura. Daí o caráter poético e geométrico do livro, que é uno e múltiplo, que carreia elementos narrativos do fundo dos séculos, mas também se passa nalguns instantes, num quarto fechado, sobre um tapete que se perde a cada momento no rumo do fantástico.

   Avalovara representa na literatura brasileira atual um momento de decisiva modernidade, porque o Autor (como diz a certa altura) exerce “uma vigilância constante sobre o seu romance, integrando-o num rigor só outorgado, via de regra, a algumas formas poéticas”.

o sentido cósmico da união carnal

na gênese da obra era o amor humano. As sugestões simbólicas do corpo e o sentido cósmico da união carnal, como se sabe, atraem o homem desde os tempos mais remotos. Lê-se num v

miércoles, 8 de mayo de 2013

Humanidad e inhumanidad: Una historia moral del siglo XX

El siglo XX se caracterizó por el progreso científico, tecnológico y médico, entre otros, pero también por una inusitada crueldad que se tradujo en la pérdida de millones de vidas y una falta de libertad por culpa de numerosas dictaduras. Por eso, el filósofo inglés Jonathan Glover reflexiona en Humanidad e inhumanidad. Una historia moral del siglo XX (Cátedra) sobre por qué se han escrito capítulos tan oscuros en la biografía de la humanidad.
La debilidad moral de aquella época, argumenta Glover, fue un elemento clave a la hora de no frenar el auge del nazismo, el estalinismo o las dictaduras orientales. Entendida como un conjunto de valores y creencias que distinguen el bien del mal, la moral guía las acciones y, junto con la razón, nos distingue y aleja del comportamiento animal. Estas herramientas sientan las bases de una conducta que debería ayudar a combatir la barbarie, aunque durante esos 100 años no sirviera de mucho.
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martes, 7 de mayo de 2013

Baudelaire, Torrente Ballester , o dandismo, sans coulotte e o punk como expressao de subjetividade

  “hace más de cien anos...cuando Baudelaire flaneava por estas mismas calles”
TORRENTE BALLESTER, Gonzalo -
Don Juan
, Madrid: Alianza, 1998.

Os jovens que criaram o punk queriam anarquizar o Reino Unido, como cantavam os Sex Pistols, mas a exposição que o Metropolitan Museum of Art (MET) de Nova York inaugura nesta quinta, dia 9, demonstra como o movimento se suavizou e acabou absorvido pela moda. Punk: Chaos to Couture (Punk: do Caos à Alta-Costura, em tradução livre) é o nome da mostra que exibe a fusão do punk -- um estilo musical primitivo, temperado pelo uso de drogas e por palavras de ordem antiestablishment -- com o mundo da moda.
A exposição é uma verdadeira cápsula do tempo, que revela a força criadora e, muitas vezes, autodestrutiva desse gênero musical nascido em meados da década de 1970. Videoclipes de Sid Vicious, baixista dos Sex Pistols morto por uma overdose em 1979, e outros roqueiros da época podem ser visto em telas gigantes. Dos alto-falantes, o público ouvirá trechos de músicas como as do extinto Ramones. Também há uma réplica do banheiro do famoso night club nova-iorquino CBGB, templo punk que fechou as portas em 2006, com o grafite "Dead Boys Rule", em referência ao grupo punk americano de mesmo nome, e guimbas de cigarro espalhadas pelo chão.
Punk: do Caos à Alta-Costura se dedica não ao punk revolucionário e sujo, mas ao punk belo, contando como uma corrente niilista da contracultura morreu e voltou à vida em uma passarela e integrada ao mainstream. A mostra argumenta que o amor do punk pela moda improvisada e de baixo custo, como uma camiseta rasgada, estava em plena sintonia com o modo de produção dos estilistas modernos. "Em uma estranha virada do destino, a ética do 'Faça você mesmo' se tornou, no futuro, o lema do 'não há futuro'", afirmam os organizadores da exposição. "Ainda que a estética do punk pareça não combinar com a estética da alta-costura, ambos estão definidos pelos mesmos impulsos de originalidade e de individualidade."
Ao longo das galerias, veem-se manequins vestidos com modelos de alta-costura inspirados no punk, como um vestido de noite de Versace enfeitado com enormes alfinetes de segurança. Apesar de tudo, business e moda nunca estiveram longe do experimento punk. Exemplo disso é o lendário empresário Malcolm McLaren, considerado por alguns criador do estilo punk e agente dos Sex Pistols, e sua loja SEX, em Londres, que dirigiu junto com a mulher, Vivienne Westwood. Hoje, ela é uma famosa estilista.
A exibição termina em uma lojinha, onde o punk moderno poderá comprar uma camiseta Givenchy de 565 dólares, com os mesmos grafites do banheiro do CBGB. Ou, mais em conta, por 100 dólares, poderá escolher uma camiseta branca de Vivienne Westwood, com as palavras "Climate revolution" ("Revolução climática").
(Com agência France-Presse)

Kierkgaard e a subjetividade

Kierkegaard flourished at the inception of mass media. Daily and weekly journals and newspapers were just beginning to circulate widely. As though he could feel Facebook and Twitter coming down the line, he anticipated a time when communication would become instantaneous, but no one would have anything to say; or again, a time when everyone was obsessed with finding their voice but without much substance or “inwardness” behind their eruptions and blogposts.
In one of his books Kierkegaard moans, “The present age is an age of publicity, the age of miscellaneous announcements: Nothing happens but still there is instant publicity.” In the end, Kierkegaard was concerned about the power of the press to foment and form public opinion and in the process relieve of us of the need to think matters through on our own. 
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